quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um "Postal" Para Desejar Um BOM ANO NOVO

Com esta imagem, do Largo de S. Pedro, da autoria de Eduardo Salavisa, publicada no seu blog "Desenhador do Quotidiano", nos despedimos de 2009, desejando a todos um BOM ANO NOVO de 2010.
(Segundo o próprio autor, vai ser inaugurada no dia 9 de Janeiro em Torres Vedras uma exposição desse artista).



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA PARA O TEMPORAL DO DIA 23


O Instituto de Meteorologia divulgou hoje a descrição científica daquilo que se passou em Torres Vedras e na região Oeste no passado dia 23:

“Na madrugada do dia 23 de Dezembro de 2009, a região do Oeste de Portugal Continental foi atravessada por uma depressão muito cavada, tendo sido registado um valor mínimo da pressão ao nível médio do mar de 969.4 hPa às 04:20 horas locais na estação do Cabo Carvoeiro.


De acordo com uma análise preliminar, no presente episódio e considerando a rede de estações do IM (cuja distância média entre estações é inferior a 30 km), verificou-se que foi também na mesma estação que se registaram os valores mais elevados da intensidade do vento. Em particular, o vento médio atingiu cerca de 90 km/h às 4:40 e a rajada 140 km/h às 4:50 de dia 23.

O cavamento da depressão, ou seja, a diminuição da pressão no seu centro, foi muito acentuado, em particular no momento da passagem sobre o território. Uma análise preliminar permite estimar um cavamento de cerca de 20 hPa num período de 24 horas, o que à latitude de Portugal Continental permite classificar este evento como um episódio extremo.

As observações efectuadas pelo sistema de radar Doppler de Coruche permitiram identificar e seguir o referido núcleo depressionário, à aproximação e passagem pela referida região. Na animação do produto MAXZ (ver Enciclopédia METEO.PT/Observação Remota/Radar) o núcleo depressionário começa a ser identificado pelas 3:10 UTC ainda sobre o mar, a sudoeste do Cabo Carvoeiro; pelas 4:20 UTC, no seu deslocamento para nordeste, o núcleo da depressão encontra-se já sobre o mesmo cabo, à hora a que foi observado na referida estação o valor mínimo de pressão atmosférica. Ao prosseguir o seu movimento para nordeste, para o interior do território, o núcleo depressionário foi enchendo (aumentando a presão no seu centro) e os ventos associados diminuíndo de intensidade.

O presente episódio é semelhante a outros que ocorreram em Portugal Continental no passado, como são exemplos os temporais de 5 a 6 de Novembro de 1997 no Alentejo e de 6 a 7 de Dezembro de 2000 no litoral Norte e Centro.

É importante clarificar que este fenómeno não se enquadra na classe de ciclones tropicais, cuja natureza é distinta da do fenómeno actual. Por exemplo, é de notar, que um ciclone tropical de categoria 1 apresenta vento médio superior a cerca de 120 km/h, valor que não foi registado em nenhuma das estações da rede do IM.”


ORDENS DO DIA DE BERESFORD


VER NO NOSSO BLOGUE PEDRAS ROLANTES MAIS UM RESUMO DAS ORDENS DO DIA DE BERESFORD, REFERENTES A DEZEMBRO DE 1809

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

22 de Dezembro de 1846 - O dia da Batalha de Torres Vedras


“Batalha de Torres Vedros(sic)” Reprodução de uma estampa existente no Arquivo Municipal de Torres Vedras. Sabemos existir uma gravura igual na Biblioteca Nacinal de Lisboa. Desconhecemos qual delas é a original. Note-se a figura da rainha, as cabras (os “cabralistas”) e a figura por elas transportada numa maca (Mouzinho?).“Quando a rainha soube da morte e aprisionamento dos bravos, saiu às janelas do palácio e como uma bacante gritou para a sua guarda: “Vitória! Vitória !Vitória” (Espectro, citado por Oliveira Martins).




Há 163 anos, no dia 22 de Dezembro de 1846 teve lugar a chamada “Batalha de Torres Vedras”, um dos episódios mais dramáticos da Patuleia.

Recordamo-la aqui através de uma descrição feita por alguém que assistiu àquele acontecimento e que o registou por escrito apenas uma semana depois, em jeito de rascunho, daí o mau português do texto.
O seu autor é anónimo, mas a comparação da grafia do mesmo com outros documentos da época assinados por José Eduardo César leva-nos a atribuir a sua autoria a este ilustre torriense do século passado.
Aliás, quem ler a descrição daquele acontecimento na obra histórica de Madeira Torres, anotada pelo mesmo J.E.César, poderá, ao ler a nota (a) da página 76, encontrar algumas similitudes entre o conteúdo da mesma e o documento que vamos transcrever.
Para um melhor enquadramento histórico da Batalha de Torres Vedras recomendamos a leitura do artigo de José Travanca Rodrigues "A restauração do cartismo.Os dramas da Maria da Fonte e da Patuleia" publicado na monografia TORRES VEDRAS - Passado e Presente, páginas 216 a 224, que inclui igualmente uma reprodução fotográfica do documento que vamos transcrever.
Podem também consultar um trabalho da minha autoria sobre o mesmo assunto, publicado pela Revista Militar em 2006, consultável na net AQUI.


"No dia 22 de Dezembro de 1846 - Se deu em Torres Vedras huma renhida e sanguinolenta Batalha entre Portugueses (!!!!!!) de diferentes partidos (todos constitucionais) huns do partido chamado Setembrista, ou popular comandados pelo Conde de Bonfim, e os outros chamados Cartistas, ou Cabralistas, ou da Rainha, comandados pelo Marechal Saldanha, ficando este vencedor, com a perda total da Divisão do Conde de Bomfim, q no fim da tarde se meteu com os restos da tropa no castello, onde esteve athe ao dia seguinte (23) em que se entregou prizioneiro de guerra, com esses restos ditos. O conde de Bonfim tinha chegado no Sabado -19- a Torres Vedras, com a sua Devisão q dizião ser huns cento e quarenta cavallos; na infantaria entravão alguas guerrilhas -batalhões organisados do povo, q, no meu parecer, pouco valião, mas trazia então alguns batalhões de linha m.to bons. No Domingo (20) descançou na villa, e acabou de chegar o resto da sua força. Na 2º feira (Dia de S.Thome) logo se conheceu q elle sentia o inimigo perto porq principiou a tomar posições no castello, forte de S.Vicente, forte da Forca, S.João e a colocar a peça e o obuz em posição, tomando m.tas disposições. Na terça feira -22- amanheceu m.to chuvoso tendo chovido toda a Noite de sorte q o rio Cizandro estava cheio e em algumas partes a deitar fora, não deichando com tudo a chuva, q era hum nevoeiro molhado m.to cerrado, a ver cousa algua, de modo q a vinte passos já se não conhecia hum indeviduo.

"Serião onze horas, pouco antes, entrei a sentir alguns tiros dispersos, pª o lado do Forte de S. Vicente e Amiaes, fui colocar me em St. António, ponto de onde podia ver tudo m.to bem, e sem o menor perigo; porem o nevoeiro fechado e molhado não deichava ver cousa algua, ouvido-se comtudo destinctamente as cornetas e os seus toques de avançar de fogo por filas, e as vozes dos officiaes e hum fogo exasperado e conheci q o exercito do Saldanha tinha tomado o Forte de S.Vicente, por vivas á Carta e outras vozes, isto seria meio dia, o q logo sube por gente q chegou da villa, continuamdo a sentir-se m.to fogo, mesmo de artelharia pª o outro lado da villa, parecendo pª o Forte da Forca, Sarges, Fontainhas, e naquella direcção.E vim jantar algua cousa e antes das tres horas voltei pª sima, continuando sempre o fogo vivissimo, e o nevoeiro q nada deichava ver, sendo só por tres horas e meia, q o nevoeiro principiou a abrir, e a deichar ver o campo da peleija, q se extendia por todas as iminencias, principiando pouco depois a ver se q se aproximavão das pontes, e avançavão, pª a villa debaicho de hum fogo q horrorijava, vendo-se destinctamente cahir cavallos, e cavaleiros, e choverem as ballas em todas as direcções, e assim aturou athe noite fechada, ficando eu e os mais que estavamos, na incerteza de que lado ficou o vencimento, supondo mesmo q o Saldanha sim tinha tomado S.Vicente, e os Fortes, e posições à direita do Cizandro, mas q a vila, e toda a esquerda do rio estava ainda occupada pelo Bomfim, com o Castello, o q não admira, porq d'essa mesma opinião estavão, como depois se soube, os mesmos moradores da maior parte da villa, e as mesmas tropas do Saldanha, e talvez ali mesmo, foi necessario mandarem-nas chamar, dizendo-lhe q a vila ou parte d'ella, estava tomada, q podião vir, da sorte q estiverão a entrar toda a noite, noite de horroroza recordação pª os moradores da villa, todas as portas erão arrombadas indestinctamente, todas as cazas roubadas; o saque não foi positivamente mandado, mas foi m.to de proposito convertido. tropa mais indesciplinada, mais ladrões, nunca em epoca algua aqui aparecerão, tendo nós já aqui visto Francezes, Inglezes, Hespanhoes e em m.to maior numero, e nem se podem disculpar com a Batalha, porq antes d'ella, e depois, na marcha pª sima, na volta pª baicho, sempre ladroes desaforados tudo lhe servia!!! Em abono da verdade, porq esta he quem sempre nos derige, o Saldanha conduzio-se na sua victoria com moderação, tratou com moderação os prezioneiros, a maior parte consta terem fugido, e todos deverão ter feito, porq, ao menos os officiaes, consta terem sido em Lisboa m.to mal tratados, alguns, os principaes, athe dizem terem sido mandados pª Angola.

"O Forte da Forca nunca se rendeu, foi de noite abandonado, quando souberão q'a villa estava occupada pelo Saldanha, e a Acção perdida. A artilharia do Saldanha esteve colocada, no dia da acção, na Sera da Almofalla, d'onde deitou hum sem numero de projecteis sobre a villa, principalmente bombas, e foguetes de Conggreave, d'estes mais de 60 - com tanta felecidade pª a villa q poucos, ou nenhuns estragos produsirão, como se os não deitassem.No dia 23 vierão colocar 4 bocas de fogo em o moinho por sima do nicho de Stº Antonio de Varatojo, pª ameaçarem os do Castello pª se renderem mas não chegarão a fazer fogo. A artilharia do Bomfim, pouca, apenas 2 bocas de 6 fogos, causou terriveis estragos na devisão do Saldanha, por mais bem colocado, e optimamente deregida (pelo Mouzinho)
Mouzinho de Albuquerque, falecido nesta mesma Batalha
. A perda do Saldanha foi m.to grande em mortos e feridos.A batalha so foi perdida, por culpa do general, faltou-lhe a presença de esppirito e sangue frio indispensaveis; os soldados, quse sós, abandonados baterão-se athe à noite como leões, o Bonfim no meio da tarde os abandonou, indo meter-se no Castello, e dizem q athé em hum confessionario = estamos perdidos,estamos perdidos - sem dar mais providencias alguas, nem se lembrar do artº 5º dos da guerra.Com soldados taes como elle tinha, ainda q em m.to menor numero, e com taes posições, e o rio cheio, a deitar por fora, como estava naquelle dia, he opinião de todos q prezenciarão a acção, q nunca a perderia; o ir-se meter no Castello, onde nada tinha, nem pão, nem agoa, podendo athe ainda dali sahir de noite, ou ao menos a Cavallaria, pª o lado da ponte do Alpilhão, em direitura a Varatojo, lado q lhe ficou todo aberto athe ao dia seguinte, tanto q os moradores da villa q estavão proximos á porta do Castello, e de todo o lado dito só no seguinte dia he q souberão q o outro lado da villa estava occupado pelo Saldanha."
....
"Lavrei estes apontamentos no dia 29 de Dezbº de 1846 - com tenção de continuar, addicionar-lhe factos q depois se forão sabendo, e apurando, passado depois tudo pª limpo; corregido, e melhor organisado, porem não tive occasião pª isso - ".


sábado, 19 de dezembro de 2009

Visita Presidencial às Instalações da APECI em Runa

Ontem, sexta-feira 18 de Dezembro, as instalações da APECI  em Runa receberam a visita do Sr.Presidente Cavaco Silva.
Publicamos aqui algumas das fotografias dessa visita, seleccionadas de um conjunto de trinta fotografias divulgadas no site da Presidência da República.






























sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Aclamação de D. João IV em Torres Vedras

No adro da Igreja de Stª Maria foi aclamado D. João IV, no dia 18 de Dezembro de 1640


Após ser aclamado como rei, com o título de D. João IV, o 8º duque de Bragança chegava a Lisboa no dia 6 de Dezembro de 1640.

Uma das primeiras tarefas do seu reinado foi enviar uma ordem a todas as sedes de concelho no sentido de ser proclamado nas respectivas terras.
A carta enviada para Torres Vedras data do dia 10 de Dezembro e encontra-se registada no “Livro de Registos da Câmara Municipal de Torres Vedras” nº5, folhas 51 verso e 52.
Nela, dirigindo-se ao juiz, vereadores e procurador do concelho “da Villa de torres uedras” e referindo ter “por serto q em Conformidade do que esta sidade de Lisboa comesou me auereis chamado e leuantado por uosso Rey e senhor natural”, ordenando que fosse aclamado “na forma custumada”.

A solenidade da aclamação teve lugar no dia 18 de Dezembro de 1640, existindo um relato da mesma no mesmo livro de registos .
O teor desse relato é bastante interessante e mereceu a atenção de Rogério de Figueiroa Rêgo que a publicou (“Reflexos da Restauração na Vila de Tôrres Vedras”, in Revista dos Centenários, Outubro de 1940, pp. 23 a 26), sendo essa leitura que, pelo seu interesse, aqui transcrevemos:

“E pêra se dar comprimento a ditta cartta na forma q sua mg.de manda na carta asima seordenou nesta villa q em dozoito deste mês de desembro de 1640 se fisece hua prosição em a qual se aiuntou o clero desta villa e a nobreza della a q o juis euereadores madaraõ uir os juises das uintenas deste termo e assim iunto todo o ditto pouo em a igreia de nosa snorª do castello e adro della sendo ahi também hua companhia de arcabuzeiros de ordenamsa desta villa em q foy por capittaõ bertolameu anriques e Joaõ machado por alferes com a bamdeira na maõ chegou a porta prinsipal da dita igreia aomde estauaõ iuntos os uereadores frescisco do rego goriaõ uereador mais uellho q seruia de juis pella ordenasaõ Belchior homem de carvalhossa Bartolomeu bareiros baracho e fr.co Botelho machado escriuaõ da câmara semdo também presente o doutor Miguel pinheiro de brito corregedor desta comarca o ditto Juis tomou a ditta bamdeira da maõ do alferes e a vista do ditto pouo se apelidou a elRey Dom Joaõ o quarto o ditto Juis que disse as palauras seguimtes
“Nobres e caualeiros desta villa de torres uedras e omrado pouo della sabei que temos Rey português por mercê de Deos chamado Dom Joaõ o quarto deste nome aclamaiio todos comiguo por uosso Rey e senhor dizendo
“Viua, Viua, Viua
“Nobres e caualeiros e omRado pouo desta Villa de ttores uedras Prometeis de defemder esta bamdeira del Rey dom Joaõ o quarto com uosas pessoas e as de uossos filhos e com uosas fasemdas, Prometemos.
“Real Real por el Rey de portugal Dom Joaõ o quarto
“e todos diraõ o mesmo e semdo assim aclamado o ditto Rey e senhor de todo o pouo q presente estaua en uos alta sahio da ditta igreiia hua solene prosição cõ os folgares q a terá deu de sim e acbouse a ditta prosiçaõ em mosteiro de nosa snorº da grasa desta villa aonde se dise misa camtada e pregaçaõ.”

O “entusiasmo” dos poderosos e do povo de Torres Vedras em relação à aclamação de D. João IV não nos pode fazer esquecer que o domínio filipino tinha sido bem aceite pelas famílias poderosas da região, com os Alarcões à frente, apesar de alguma resistência popular, bem patente na revolta do "Rei da Ericeira" em 1585, que comandou uma malograda guerrilha, de algumas centenas de camponeses da região, tendo acabado na forca, quando era "juiz de fora" de Torres Vedras o conhecido poeta André Falcão de Resende, amigo e contemporâneo de Luís de Camões, cargo para o qual tinha sido nomeado ainda no tempo de D. Sebastião, e no qual se manteve até cerca de 1586.
Durante o domínio filipino Torres Vedras tinha adquirido uma considerável importância política e económica, patente no prestígio dos Alarcões junto da coroa espanhola mesmo após a restauração.
De facto, só sob domínio filpino, em 1617, é que entrou em vigor a decisão de D. João III, de 18 de Julho de 1533, de tornar Torres Vedras cabeça de comarca .
A influência das poderosas famílias do concelho, fiéis apoiantes do domínio filipino, não terá sido estranha ao desbloqueamento daquela decisão que tinha a oposição de Alenquer, até então sede da comarca onde se incluía Torres Vedras.
Também em termos económicos, durante o período filipino a produção vinícola terá igualmente conhecido grande expansão, situação que pode justificar o facto de ter sido Torres Vedras uma das comarcas que mais contribuiu, pelo menos entre 1628 e 1633, para a organização da "Companhia Portuguesa das Índias".

Mas esta é outra “história”.

A Região de Torres Vedras e os Sismos Históricos


(Fontes: Expresso on-line)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

D. Manuel Clemente recebe o Prémio Pessoa de 2009.


Após vários dias reunido no Palácio de Seteais, em Sintra, o júri do prestigiado Prémio Pessoa decidiu atribui-lo este ano a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, natural de Torres Vedras.



"Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", declarou o júri do prémio, presidido por Francisco Pinto Balsemão, acrescentando que a “sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, do combate à exclusão e da intervenção social da Igreja”.


O Prémio distingue a intervenção "na vida cultural e científica do país" já tendo distinguido o historiador José Mattoso (primeira edição, em1987), a pianista Maria João Pires (1989), o escritor José Cardoso Pires (1997), o arquitecto Souto Moura (1998), o investigador Sobrinho Simões (2002) e o constitucionalista Gomes Canotilho (2003).


Em 22 anos de História desse Prémio é a primeira vez que ele é atribuído a um membro da Igreja Portuguesa.


Para quem, como o autor destas linhas e muitos outros torrienses, conhece o percurso humano, intelectual e religioso de D. Manuel Clemente não se surpreende com a justiça da atribuição desse prémio.


D. Manuel Clemente está muito ligado a Torres Vedras, não apenas porque aqui nasceu no dia 16 de Julho de 1948, mas porque sempre revelou um apreço muito grande pelos habitantes deste concelho.


Uma faceta talvez menos conhecida por parte de quem apenas o conhece da vida pastoral é a sua importante obra historiográfica, tendo marcado uma ruptura na historiografia regional torriense com o seu estudo, que foi a sua tese de licenciatura em História na Faculdade de Letras de Lisboa em 1974, intitulado “Torres Vedras e o seu termo no primeiro quartel do século XIV”.


Tendo posteriormente publicado muitas outras obras fundamentais e inovadoras para a História da Igreja em Portugal, continuou sempre, com regularidade, a publicar ou a conferenciar sobre a história local de Torres Vedras.


Deste seu trabalho de investigação sobre história local resultou a edição da obra “História e Religião em Torres Vedras” editada pela Grifo em 2004, onde se reúnem esse seu trabalho de três décadas.


A sua humildade e o seu amor pela terra natal levaram-no a oferecer os lucros com a venda desta obra para ajudar ao restauro da Igreja da Graça, “grande e belo símbolo, plástico e pastoral, da tradição cristã da cidade e seu concelho”.


Para quem o não o conhece e fique surpreendido com o Prémio que agora lhe foi atribuído, posso garantir que D. Manuel Clemente ainda nos vais surpreender mais vezes.


Para o amigo Manuel Clemente um abraço de felicitações.