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domingo, 4 de julho de 2010

No último dia da Feira de S. Pedro (Torres Vedras - 2010)











(Fotografias tiradas com a minha pequena compcta da Ricoh R8 (A Canon e a Lumix ficaram em casa...))

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Abertura da Feira de S. Pedro

Tem hoje lugar a abertura da tradicional e centenária Feira de S. Pedro.
Podem consultar AQUI o espaço que lhe dedicámos neste mesmo blogue por ocasião da sua abertura do ano passado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Primeira Feira de S. Pedro, depois da chegada do caminho-de-ferro (1887)

No último dia de Dezembro de 1886 chegava a Torres Vedras a primeira locomotiva do caminho-de-ferro. Em Maio de 1887 iniciava-se o serviço regular de mercadorias e passageiros entre Lisboa e Torres Vedras, por via férrea.
Pouco mais de um mês depois tinha lugar na vila mais uma edição da tradicional Feira de S. Pedro.
Nesta primeira feira após a chegada do caminho-de-ferro fez-se notar, desde logo, o impacto desse novo meio de transporte, como referia a imprensa da época:
“De a verem tão concorrida, como este ano, não se lembram os moradores mais antigos daqui. Desde o amanhecer até à noite foi incessante a romaria até ao local da feira, que, sendo tão vasto, tornou-se naquele dia insuficiente para conter a multidão, que afluiu de todos os pontos, e o avultado numero de barracas de todos os géneros e feitios que ali estavam armadas. Em todas se fizeram vendas regulares. As de comes e bebes, as dos espectáculos variados, incluindo os cavallinhos, estiveram sempre cheios de apreciadores. Gado abundava, mas de qualidade inferior. Assim mesmo, os ciganos fizeram bom negocio.
“Permaneceram ainda na quinta feira algumas barracas, e dizem-nos que as das diversões ficam por alguns dias, por isso que continuam a atrair muita gente como as da empresa “Honorio & C.ª” que têem o pomposo titulo de “Corridas de cavallos”, e de Tiro ao alvo com magnificas espingardas alemãs, pelo que tem apanhado boa soma de vinténs.
“Pode dizer-se que reinou no recinto da feira a melhor ordem (…)”

(A Voz de Torres Vedras, 2 de Julho de 1887).

terça-feira, 30 de junho de 2009

Torres Vedras há 120 anos, na imprensa regional - (2) Junho de 1889

(Torres Vedras, numa gravura do Século XIX)

A comemoração dos Santos Populares foi um tema recorrente na imprensa torriense de há 120 anos.
O Santo António foi “festejado por algumas famílias. Na véspera houve illuminação e fogos de artificio no sitio da Costa do Castello. Algumas fogueiras n’outros pontos.
“No próprio dia fez-se, na forma dos mais annos, arraial no Varatojo”[1] .
O S. João teve as suas comemorações mais importantes em Runa:
“Realisou-se no dia 24, em Runa, a costumada festa de S. João Baptista, a qual teve o luzimento dos annos anteriores, achando-se a egreja bellamente adornada.
“Abrilhantou a festa a orchestra regida pelo maestro Lagrange, que foi como sempre correcto no seu desempenho. Orou o revº Conceição Vieira de Lisboa (…).
“O arraial, artisticamente ornamentado, esteve muito concorrido; á noite a illuminação produziu um bello efeito, e durante o fogo de artificio, que foi bastante vistoso, tocou variadas e escolhidas peças de musica a phylarmonica d’esta villa [de T. Vedras]”[2] .
Mas o S.Pedro foi sempre o ponto alto nos festejos dedicados aos Santos Populares em Torres Vedras, graças à realização da secular que lhe é dedicada, descrita de forma pitoresca por um jornalista local:
“O sol de Verão, que andava a modo com maleitas, dignou-se apparecer em toda a sua plenitude coruscante, e animar o grande quadro da feira, estendida em todo o vasto recinto da Porta da Várzea, rematando ao sul com a passagem typica do acampamento da ciganagem, com as suas tendas improvisadas, os seus montões de farrapagens, os seus vestuários sujos e garridos, os seus rostos acobreados, com molduras de cabello desgrenhado. A caravana, dividida em grupos, sobre a alfombra da relva, e no fresco abrigo do arvoredo copado, por ali relaçava(sic), entre a récua de cavalgaduras, que teem faltado aos respectivos donos, e que os ciganos vão trocando e vendendo, conseguindo sempre augmentar-lhe o numero, sem os comprarem.
“#
“A concorrência de expositores e feirantes foi enorme. No dia de S. Pedro, desde a madrugada, que um enorme concurso de povo afflui ao mercado, e às 10 horas dois comboios, chegados successivamente, trouxeram mais umas 600 pessoas que fizeram da Porta da Várzea um mar de cabeças humanas.
“Há quem diga que a feira foi mais concorrida do que no anno passado, e com referencia a commercio, todos a suppõem mais vantajosa. Appareceram muitos gados, e realisaram-se algumas transacções em gado cavallar. O gado bovino, próprio para trabalho, estava mais caro do que na feira chamada das fructas novas, em Santo Quintino [Sobral de Monte Agraço], por isso quem desejava comprara bois, resolveu-se a esperar. Comtudo houve algumas transacções, especialmente em gado para abater.
“O commercio nas lojas da villa esteve animado. Muitos touristas vieram, por mero passeio, visitar Torres Vedras, muitos d’elles eram nossos antigos amigos, que tivemos o gosto de abarcar. Não lhes enumeramos aqui nomes, com receio de incorrer n’alguma omissão.
“#
“Hoje apenas resta da feira uma ou outra bancada nua e retardatária; e d’aquelle bulício atroador, apenas accorda ainda os ecos das encostas circundantes da vasta alameda, o zambuar da barraca dos fantoches, que ahi se demoraram, fabricando gargalhadas, com as suas peripécias burlescas” [3].
Para aproveitar o público dessa feira , estabeleceu-se na vila um teatro ambulante, o “Theatro Club”.[4]
Outras festas de carácter religioso tiveram lugar no concelho esse mês como a Festa de Santa Catarina na Ribaldeira, Domingo 2 de Junho [5], ou a “Procissão de Corpus Christi”, realizada a 20 de Junho, que decorreu “ com a solemnidade dos mais annos, saindo da collegiada de Santa Maria do Castello, e percorrendo algumas ruas da villa” [6].
O início do Verão trazia a Torres Vedras, a caminho de Santa Cruz para “banhos”, um grupo de 60 crianças, vindas “de Lisboa no comboio da manhã de quarta-feira, (…) acompanhadas de três irmãs de caridade, e dos respectivos professores, ou regentes, do Collegio de Campolide”, sendo depois conduzidos em “trens” para a “referida praia”[7].
Os primeiros anos do comboio a passar por Torres Vedras foram essenciais para marcar uma nova dinâmica na actividade da vila.
Embora queixando-se da “ por ora diminuta (…) concorrência de passageiros de Lisboa a esta vila e seus subúrbios”, a imprensa local fazia notar que, ainda “assim no serviço dos hotéis conhece-se diferença para mais do que o costume; e é de presumir que, continuando o belo tempo dos últimos dias, haja afluência de visitantes nos próximos dias santificados. Oxalá ”[8].
A maior afluência de forasteiros a Torres Vedras e as possibilidades de expansão comercial, por causa do caminho-de-ferro, obrigou a várias obras de melhoramentos nas estradas do concelho.
Foi o que aconteceu com a “estrada de S. Pedro da Cadeira”, tomando-se conhecimento esse mês, por “telegramma recebido no dia 27 pelo sr. Administrador do concelho, e expedido pelo deputado d’este círculo, o sr. Dr. Casal Ribeiro” de “ haver sido concedida a estrada de S. Pedro da Cadeira, cuja construcção, que será feita por empreitadas parciaes, começará brevemente”[9].
Actividade que conhecia igualmente grande expansão, a vinicultura, atraia a Torres Vedras vários comerciantes do ramo, como o “ mr. A de Pomarède, accreditado negociante de vinhos, e membro da câmara do commercio de Bordéus”[10] .
Decorreram assim os dias desse mês de Junho de 1889, cujos ecos distantes chegaram até nós em descrições intensas e coloridas, publicadas na imprensa local da época.

[1] A Voz de Torres Vedras, 15 de Junho de 1889.
[2] A Voz de Torres Vedras, 29 de Junho de 1889.
[3] A Semana, 4 de Julho de 1889.
[4] A Semana, 27 de Junho 1889.
[5] A Semana, 30 de Maio de 1889.
[6] A Voz de Torres Vedras, 22 de Junho de 1889.
[7] A Voz de Torres Vedras, 8 de Junho de 1889
[8] A Voz de Torres Vedras, 11 de Junho de 1889
[9] A Voz de Torres Vedras, 26 de Junho de 1889.
[10] A Semana, 6 de Junho de 1889.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

NO DIA DE S. PEDRO - Recordando a Feira de Outros Tempos

Hoje, dia de S.Pedro, que está na origem da medieval feira torriense, recordamos uma descrição dela dos anos 60:
“A feira está montada! Todos os anos, nesta mesma época, neste mesmo dia, nesta mesma hora, a feira existe cheia de sons, de cores, de vozes. O concelho está, em peso, na vila. Chapéu novo, fato novo, riso novo a bailar nos olhos vivos e abertos que seguem a roda sem fim dos cavalinhos.
“O campo da feira é uma densa nuvem de pó. Pó no ar, nos fatos, nos pés, nas bocas. Pó que vem em ondas e traz a música ruidosa e rodopiante dos recintos de diversão. Um mar de gente que come torrão de Alicante, puxa o cordão da sorte, ingere farturas, vai aos automóveis e cavalinhos, lê a sina e joga a argola de enfiar no gargalo da garrafa.
“Sai sempre, freguês!” A família, com os filhos em escada, olha a grelha da barraca onde se encontram expostas dezenas de estatuetas de barro. A vida de Nossa Senhora está escrita no taipal colorido. Lá dentro, centenas de bonecos pequeninos contam a história da Bíblia.
“Passa-se a manhã, vem a tarde. Um copo, farturas, uma sardinha, um copo mais. Vendem-se loiças, panos, colares de lindas fantasias.
“Um tirinho, freguês?!” Chapéus com flor na fita debruçam-se gulosos, sobre o cano da espingardas.
“A feira vive! Ás três horas da tarde ninguém se pode mexer. Além, a lâmina duma navalha abre-se, a coisa mete guarda. Gritos confundidos com o disco que se repete pela vigésima vez. E a tarde roda sem se dar por isso.
“Á noite, quando o povo da aldeia se retira para casa, a vila desce ao campo e dá as boas vindas á feira. Gira uma fauna diferente. Cumprimentos, acenos, sorrisos. Morreu a vivacidade viril que explodia das veias do homem da terra. Há um tom calmo e pachorrento.
“Todos os anos a feira chega e parte assim (…)”

(texto anónimo [da autoria de António Augusto Sales ou de Venerando Ferreira de Matos?] publicado no catálogo da Feira de S. Pedro de 1964)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Feira de S.Pedro,uma feira com história

Data de 20 de Março de 1293, do reinado de D. Dinis, a doação da primeira carta de feira conhecida no concelho de Torres Vedras.
Foi a mais antiga doada no actual distrito de Lisboa. Era anual, realizando-se entre os dias 1 de Maio e 1 de Junho, sendo a de maior duração a sul de Santarém.
Foi ainda nesse reinado que se doou a T. Vedras uma nova carta de feira, datada de 28 de Abril de 1318, alterando, entre outras coisas, a data de realização daquela para os 30 dias que iam de 1 de Junho a 1 de Julho. [1]
Em nenhum desses dois documentos se refere a designação da feira, conhecida apenas pelo nome da localidade torriense. Contudo parece residir nesta segunda carta a criação da que é hoje conhecida como Feira de S. Pedro, pois a sua realização coincide com o dia de S. Pedro.
O período de realização desta feira manteve-se durante todo o século XIV e no século seguinte, conforme o comprovou o estudo de Ana Maria Rodrigues[2].
A primeira designação de uma feira de S. Pedro neste concelho data de 1456[3], mas parece referir-se á feira de Dois Portos, de acordo com a opinião daquela mesma autora[4].
A atribuição do nome de S. Pedro à feira da vila de Torres Vedras só se terá concretizado em 1521, quando D. Manuel, por carta de 16 de Agosto “ a requerimento dos Juízes e oficiais da Vila de Torres Vedras” ordenou que se fizesse “na dita Vila a feira” que todos os anos se fazia no seu termo, na Igreja de S. Pedro de Dois Portos “por seu dia”[5].
Esse pedido parece revelar alguma decadência da feira criada por D. Dinis, daí tanta preocupação em acabar com a concorrência daquela que tinha lugar em Dois Portos, situação que está na origem da designação da feira de Torres Vedras como Feira de S. Pedro.
Entramos então num período em que pouco se sabe sobre esta feira. Provavelmente acompanhou a decadência geral da economia do país entre os finais do século XVI e o início do século XVII.
A 6 de Abril de 1792, numa carta enviada a D.ª Maria I, o juiz de fora e os oficiais do município torriense, queixavam-se da decadência em que havia caído a feira de S. Pedro, solicitando que a sua realização se prolongasse por mais dois dias, de 29 de Junho a 1 de Julho, sugestão aceite pela soberana por provisão de 24 de Maio de 1792[6].
Contudo, pelo menos no final do século XIX, aquela feira continuava a realizar-se num único dia, situação que se manteve até 1912, data a partir da qual passou a efectuar-se, de forma contínua, durante três dias.
No início do século XIX, o local de realização da feira era junto à capela de Nª Snrª do Amial.
Após 1834 a sua localização foi mudada par o arvoredo junto à “fonte do Jardim”, lugar também conhecido por Varzea do Jardim, próxima do local do actual choupal[7].
Ainda nesse século, numa data não conhecida, algures entre 1869 e 1885, mudou-se para o local onde se manteria durante mais de um século, para a chamada alameda da Porta da Várzea.
A feira de S. Pedro atravessou quase todo o século XX sem grandes alterações..
Foi preciso aguardar pelo 25 de Abril para que ela iniciasse um caminho de radical transformação: de uma feira provinciana e caracteristicamente medieval, para a feira moderna e dinâmica dos nossos dias.
Numa reunião da Comissão Administrativa da Câmara , realizada a 16 de Julho de 1974, o vereador João Carlos propôs a formação de uma comissão que preparasse e planificasse uma proposta para transformar a tradicional feira de S. Pedro numa feira mais dinâmica e moderna, capaz de projectar a realidade económica da região. A proposta foi aprovada por unanimidade, formando-se uma comissão que desde logo começou a preparar a feira de 1975, a primeira de uma nova era.
Uma das novidades desta “nova” feira foi o alargamento do número de dias do certame, passando, dos tradicionais três dias, par nove dias, média que desde então se tem mantido até hoje. Foram construídos pavilhões temáticos e elaborou-se uma vasta programação cultural, desportiva e recreativa.
A partir de 1985 a feira conheceu um novo salto qualitativo, com o rejuvenescimento da comissão organizadora, dirigida agora pelo vereador António Carneiro, sendo então criada uma nova estrutura operacional, os “Serviço de Cultura e Turismo”, constituindo-se uma equipa permanente e polivalente de trabalhadores, nas áreas administrativa e operária, permitindo a realização, a partir de então, de um trabalho em continuidade.
A feira conheceu desde então um novo salto qualitativo, começando a falar-se da necessidade de se redefinir o espaço da sua realização.
Finalmente, na edição de 1999, a Feira de S. Pedro abre no então recém criado Parque Regional de Exposições, o seu espaço actual, numa área de 40 000 m2, onde foi implantada uma nave de exposições herdada da Expo 98 de Lisboa, e, poucos anos depois, um novo pavilhão multiusos. No inicio do século XXI a promoção e organização deste evento passou para a responsabilidade da empresa municipal Promotorres.
Nas palavras do actual presidente da Câmara, criaram-se “condições de qualidade para os expositores”, mantendo-se o lado lúdico e popular desta centenária feira[8].

[Para um conhecimento mais aprofundado do tema aconselha-se a consulta de: ROSA, António da Silva (coord.), Feiras do Concelho de Torres Vedras, 1989, Biblioteca Municipal; MATOS, Venerando Aspra de Feira de S. Pedro – 700 anos de História, ed. C.M.T.V., 1993.]


[1] RAU, Virgínia, Feiras Medievais Portuguesas – subsídios para o seu estudo, Lx., Ed. Presença,1982.
[2] RODRIGUES, Ana Maria, Torres Vedras – A vila e o termo nos finais da Idade Média, Braga, ed. Universidade do Minho, 1992.
[3] SOUSA, J. M. Cordeiro de, Fontes Medievais de História Torreana, T. Vedras, Ed. Câmara Municipal de Torres Vedras, 1957.
[4] RODRIGUES (1992), p.246.
[5] SOUSA (1957),p.166.
[6] VIEIRA, Júlio, Torres Vedras Antiga e Moderna, T. Vedras 1926, p.213.
[7] ANOTADORES, op.cit.
[8] MIGUEL, Dr. Carlos, “Feira de S. Pedro: uma feira para miúdos e graúdos”, in boletim Feira de S. Pedro 07, 2007.

Feira de S.Pedro,uma feira com história

Fotografia antiga da feira de S. Pedro

Fotografia recente da mesma feira. O comércio tradicional é uma das suas imagens de marca.


Uma fotografia da Feira de S. Pedro, nos finais do século XIX