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quarta-feira, 14 de junho de 2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O "Santo António" em Torres Vedras no Século XIX


Em vésperas do Santo António, aqui transcrevemos uma notícia sobre as festas dedicadas a esse Santo realizadas em Torres Vedras em 1888.
(ver "outros" "Santo António" de Torres Vedras AQUI)

Tal como hoje, o Varatojo já era então um dos locais onde mais se festejava o Santo António:

“As vésperas do Santo António, n’esta villa, foram celebradas com algumas fogueiras, bombas e bichas de rabiar, queimadas pelos rapazes, que ainda podem ter esperança de que elle lhes faça o milagre…

“No largo do Padre Henriques o nosso amigo Caetano de Figueiredo fez  illuminação à veneziana e queimou ao ar livre um bonito fogo de sala, entretendo a escolhida concorrência de senhoras de cavalheiros que alli afluíam.

“Pelas 11 horas chegou o sol-e-dó da Associação 24 de Julho, e obsequiou os assistentes tocando bonitas peças de musica, que foram muito applaudidas, ficando todos bastante gratos para com este manifestação de deferência.

“Hontem, no logar do Varatojo, via-se uma concorrência enorme. Até dos concelhos próximos vieram passoas assistir ao grande festival que ali se celebra ao popular Santo António, e que é feito sempe com grande esplendor.

“A festa d’egreja e o sermão captivaram as attenções dos assistentes. Houve arraial com fogo posto, e tocou a philarmónica  torreense”

(in “A Semana” , 5ª feira 14 de Junho de 1888)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Torres Vedras Há 55 Anos , em Outubro de 1961


Outubro de 1961
Prestes a terminar um ano charneira para a história do regime salazarista…
De facto, esse ano assinalou o início da guerrilha angolana, marcado por massacres de parte a parte, entre os africanos comandados por Holden Roberto e os brancos defensores do colonialismo.
Por cá, nessa altura, já o “Badaladas” se editava semanalmente.
Era notória o impacto dos acontecimentos “ultramarinos” nas páginas do jornal torriense, nos artigos de opinião de “notáveis” da terra em defesa do governo e na rubrica “Correio do Ultramar”, onde os jovens torrienses que partiam para a guerra em África comunicavam com familiares e amigos.
Aliás, a leitura atenta dessa correspondência, regularmente publicada nas página desse periódico local, é um documento fundamental para se conhecer o reflexo da guerra colonial entre a população torriense, nomeadamente entre a juventude que partia para essa guerra, à espera de quem as estude.
Por cá, no dia 9 de Outubro, era apresentado publicamente o “Rancho Folclórico do Varatojo”, formado no seio da Associação Cultural e de Beneficência de Santo António do Varatojo.
Em 10 de Outubro falecia um dos professores mais prestigiados da Escola Secundária de Torres Vedras, António Fivelim Costa, aos 67 anos.
No dia 16 de Outubro realizou-se a 1ª Feira de S. Gonçalo de Lagos, padroeiro de Torres Vedras, que coincidiu com a habitual feira mensal na última segunda-feira de cada mês.
A feira teve lugar na Porta da Várzea e incluiu a bênção do gado e a escolha dos melhores cavalo e égua, junta de bois e parelha de muares, com distribuição de prémios aos vencedores.
A Banda dos Bombeiros de Torres Vedras animou essa noite, actuando no Largo da Graça.
Nesse mesmo Largo da Graça teve lugar a inauguração, nesse mesmo mês de Outubro, da nova sede do jornal “Badaladas”, no sítio onde funcionou até há poucos anos.
A vida cultural torriense era então marcada pelas actividades do Cine Clube de Torres Vedras e pelo Suplemento Cultural do jornal “Badaladas”, com publicação mensal e de grande qualidade, quer gráfica, quer de conteúdo.
Na edição de Outubro desse mesmo suplemento António Augusto Sales entrevistava o Grupo de Teatro Procenium e Cordeiro Melo analisava a “Guernica de Picasso”, enquanto Claro Ceia e Ruy de Moura Guedes divulgavam os seus originais.
Mas a notícia mais importante desse suplemento era a referente à presença em Torres Vedras do Coro da Academia de Amadores de Música dirigido por Fernando Lopes Graça, uma iniciativa do Cine clube local e que muito preocupou o establishement ligado ao Estado Novo, cada vez mais preocupado com as iniciativas “subversivas” dessa associação.
António Augusto Sales, um dos torrienses de então mais tento à realidade local, publicou em 28 de Outubro, nas páginas do “Badaladas”, uma Carta Aberta à Comissão Municipal de Turismo, criticando as condições dos balneários da Praia de Santa Cruz, carta que fez corres muita tinta por parte de uma administração municipal pouco habituada a ouvir críticas sobre a sua actuação, numa época em que fazê-las era perigoso.
Foi assim o mês de Outubro de 1961, há 55 anos.
(texto baseado numa crónica lida em 1986 numa rubrica da Rádio Extremadura intitulada “Aconteceu no Oeste”).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Santo António em Torres Vedras

(fotografia retirada do blogue da Associação de Defesa do Património de T. Vedras)

Hoje é véspera do dia de Santo António e em Torres Vedras existe uma longa tradição de festejar a data.

Já falámos várias vezes deste tema por aqui e por isso podem consultar o que escrevemos neste blogue clicando em baixo:

terça-feira, 12 de junho de 2012

O SANTO ANTÓNIO EM TORRES VEDRAS.

Logo à noite há arraial de Santo António na "Praça da Batata", a partir das 20h, cujos rendimentos, com comes e bebes e venda de manjericos, revertem a favor das actividades sociais do Centro Paroquial de Torres Vedras e das obras de manutenção da Igreja da Graça.
Mas é no Varatojo que a tradição se mantem mais acesa.

Podem ficar a saber mais sobre as festas do Santo António no concelho de Torres Vedras consultando os artigos que, neste blogue, dedicámos ao tema em anos anteriores.Basta clicar AQUI .

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Documentos Para a História de Torres Vedras - Cadeira de braçoa do Varatojo


Apresentamos hoje o documento/relatório publicado pelo Museu de Arte Antiga de Lisboa
 sobre a célebre "Cadeira de Braços" que pertenceu ao Convento do Varatojo, e que se encontra actualmente nas instalações desse museu:


"CADEIRA DE BRAÇOS

Cadeira de braços (Estadela)
Portugal, 2ª metade do séculoXV
Carvalho
A 180 x L 68 x P 52,5 cm

Convento do Varatojo, 1913
MNAA inv. 51 Mov

Piso 1, sala 36
__________

"Cadeira de estado, ou estadela, que terá sido usada por D. Afonso V (1438-81) quando se recolhia no Convento do Varatojo que fundou em 1470.
É uma peça de grande raridade, não só por ser sobrevivente de uma época em que os móveis eram escassos, como pela carga simbólica que a sua proveniência comporta.
A rigidez ortogonal da construção é compensada pela delicadeza da decoração entalhada, que estruturada no arco ogival remete para a arquitectura gótica.
Este tipo de móvel de assento é, ainda, frequentemente revestido de ricos têxteis, por vezes formando dossel, reforçando pela cor e brilho do ouro o seu aparato e distinção".
_________

"Esta cadeira, proveniente do convento franciscano de Santo António do Varatojo (Torres Vedras), fundado em 1470 pelo rei D. Afonso V (1438-1481), constitui-se como um dos mais antigos espécimes de mobiliário nacional.
Vários testemunhos associam este móvel ao monarca português. De facto, nos textos dos cronistas da Ordem, a alusão à existência no convento da cadeira de D. Afonso V é recorrente e a sua conservação por sucessivas gerações de frades deverá ser entendida como preservação da fundação régia do convento, pois mais do que um simples objecto pessoal, a “cadeira de estado” revestia-se de uma forte carga simbólica associada ao poder real.
A análise estilística e formal do exemplar permite enquadrar a execução deste móvel de assento na produção europeia do final do século XV. Uma observação atenta de peças congéneres e, sobretudo, a análise de testemunhos visuais de interiores norte europeus que nos são dados quer pela pintura, quer pela iluminura de produção francesa e flamenga, permite constatar estarmos perante um modelo em tudo semelhante. Assim, há que questionar a sua eventual produção em território nacional, eventualmente por artífices estrangeiros, ou a sua produção além-Pirinéus, o que só poderá vir a ser comprovado por documentos.
Diversos desenhos e fotografias antigos da cadeira permitem recuperar as diversas intervenções de restauro do móvel desde a época em que ainda se conservava no convento até à intervenção levada a cabo pelo Conselho de Arte e Arqueologia, antes da sua definitiva incorporação no Museu Nacional de Arte Antiga, em 1913. Em 1977, nova intervenção rectificou esse restauro, eliminando o que então lhe fora acrescentado de acordo com um critério revivalista, responsável pela introdução de elementos não originais".

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Santo António na tradição torriense

As festas de Stº António têm longa tradição no concelho de Torres Vedras.
Ainda sou do tempo em que cada rua, bairro ou praceta da então vila de Torres Vedras rivalizavam entre si para apresentar as melhores decorações, apresentar o melhor baile, ou oferecer as melhores sardinhas e o melhor vinho da região.
Na Praceta Afonso Vilela, onde vivi a minha infância, todos os anos se formava uma comissão entre os moradores, que recortava o papel colorido para as bandeirinhas, com cola de farinha e água e rolos de cordel onde elas eram coladas e penduradas, entre candeeiros, árvores e varandas.
Íamos aos Cucos buscar folhas de palmeira para enfeitar o bar, abastecíamo-nos no Venceslau e recolhíamos madeira das obras para a fogueira.
Depois era arranjar uma boa aparelhagem e musica gravada ou em vinil e contar com a presença dos moradores e dos visitantes que percorriam as várias festas à procura das sardinhas, do vinho e de uma noite de diversão.
Hoje, na cidade de Torres Vedras, esta tradição, que tinha como festas de referência as que se realizavam na Rua Conde Tarouca, no “Bairro Salazar” ou no Castelo, resiste apenas no Largo de Stº António.
Mas onde a festa continua a manter o brilho de séculos é no Varatojo, onde a tradição “antonina” está muito arreigada, graças à presença secular dos frades do seu convento franciscano, dedicado ao Santo lisboeta.
Hoje à noite, no Varatojo, vai haver festa em grande, e amanhã, ao final da tarde, decorrerá a tradicional procissão, da qual recordamos algumas imagens, “tiradas” em 2007.
O foguetório, um dos mais prolongados da região, encerrará essa procissão.

Stº António - Procissão no Varatojo (2007)