terça-feira, 5 de julho de 2011

Torres Vedras–Quantos Somos?


Foram publicados recentemente pelo INE os resultados preliminares do censo de 2011.

Neste momento somos quase 80 mil torrienses.

Em baixo podem ver os resultados provisórios para a totalidade do concelho de Torres Vedras:

http://www.ine.pt/scripts/flex_v10/Main.html (clicar para aceder aos resultados provisórios).

(Na imagem que aparece, como o todo nacional, colocar o nome "Torres Vedras" no registo de busca. Aparece o mapa e os dados do distrito de Lisboa. Voltar a colocar o nome "torres vedras" na busca ou clicar sobre o mapa do concelho e aparecem os resultados globais do concelho)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Torres Vedras na Rede de Judiarias de Portugal



 



A Rede de Judiarias de Portugal lançou o sítio na Internet onde vai promover as actividades e património judaico português em três línguas, incluindo o hebraico.
A Rede de Judiarias de Portugal é constituída pelos municípios de Freixo de Espada a Cinta, Lamego, Trancoso, Guarda, Belmonte, Penamacor, Castelo de Vide, Tomar e Torres Vedras. Fazem ainda parte do organismo as entidades de turismo do Algarve, Alentejo, Oeste, Lisboa e Vale do Tejo, Serra da Estrela e Douro, assim como a Comunidade Judaica de Belmonte.

 www.redejudiariasportugal.com

segunda-feira, 27 de junho de 2011


Turcifal nos anos 40 do século XX (Fotografia de Artur Patrício)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os "The Fox" voltam a Torres Vedras

O grupo torriense "The Fox" volta a actuar em Torres Vedras no próximo Sábado, na Cooperativa de Comunicação e Cultura.
Os "The Fox" são um dos mais originais grupos portugueses de rock da actualidade.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

S: Gonçalo de Lagos, padroeiro de Torres Vedras e da escola com o mesmo nome, recordado em brochura


No contexto do 650.º aniversário do nascimento de Gonçalo e aproximando-se o 600.º aniversário da sua entrada no Convento de Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras, o município de Torres Vedras e a Escola 2.3 de São Gonçalo promoveram ontem o lançamento da brochura «S. Gonçalo de Lagos: Patrono da Escola de S. Gonçalo: Torres Vedras»

Esta é a terceira brochura editada pelo município torriense dedicada aos patronos das escolas torrienses (já foram editadas as dedicadas a Madeira Torres e Henriques Nogueira).

Nascido em 1360 na localidade algarvia de Lagos, o mais correctamente designado Beato Gonçalo, era filho de pescadores do atum e desde cedo revelou vocação religiosa, na sua solidariedade para com o pobres, com quem repartia o atum das dornas de seu pai, acto que está ligado aos primeiros milagres que lhe foram atribuídos, pois muitos diziam que, depois de distribuir o peixe, encontravam as barricas sempre cheias, como se delas nada se tivesse retirado.

Certo dia, partiu de barco com uns seus parentes para Lisboa, onde ingressou no Convento da Graça, da ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. A sua inteligência tornou-o notado pelos seus superiores que, depois do noviciado, o mandaram frequentar as Escolas Gerais Universitárias, então instaladas próximas daquele mosteiro.

A sua humildade levou-o a recusar doutorar-se em Teologia, preferindo ficar apenas como prégador.

Foi prior do Mosteiro da Graça de Santarém, do Convento de S. Lourenço dos Francos e do Convento da Graça de Lisboa. Finalmente, em 1412, tornou-se Prior do Convento da Graça de Torres Vedras.

Este convento era tão pobre, que o próprio frei Gonçalo “tinha de andar de alforges às costas a pedir esmolas para manter os seus irmãos exercendo, sempre que necessário, outras funções, como as de “porteiro, de cozinheiro e sempre de enfermeiro para auxiliar os doentes, missão de que não prescindia”.A sua cama era “um molho de vides, sem travesseiro nem cobertores, vides que eram renovadas todos os anos pelas colheitas”. Dormia muito pouco e levava o tempo que lhe restava “em oração e penitência”.

“Para uma melhor e mais eficiente evangelização S. Gonçalo sentava-se todos os dias ao pôr do sol à porta do seu convento, por onde passavam os trabalhadores que vinham dos campos e muitos dos que exerciam as suas profissões na vila, para lhes dar conselhos salutares e ensinar-lhes a Doutrina Cristã. A porta do seu convento de Torres Vedras era a sua cátedra (...).”

“Nas suas visitas pelos montes e casas, pedindo auxílio para o seu convento de Torres Vedras, sentava-se nos bancos existentes à porta das residências, certamente em alvenaria, onde aproveitava a oportunidade para ensinar a doutrina cristã e dar bons conselhos, regressando muitas vezes apenas com alguns bocados de pão e pouco mais, mas sempre alegre e contente, dando graças a Deus.

“Diz-se que todos muito se honravam por possuirem os bancos onde o Santo Prior se sentava”.

“Sendo Prior do Convento da Graça de Torres Vedras e realizando-se em 1413 o Capítulo Provincial no seu Convento (...), em face da pobreza da casa viu-se na necessidade de se deslocar a Lisboa a pedir uma esmola ao Arcebispo D. João Escudeiro, seu antigo aluno das primeiras letras. (...) O arcebispo em face de semelhante pedido e de quem o fazia (...), ordenou que lhe dessem tudo o que quisesse, mas S. Gonçalo limitou-se aos pães que os alforges podiam comportar e encheu uma pequena almotolia de azeite e uma borracha de vinho, o que podia conduzir a pé de Lisboa a Torres Vedras.

“E partiu contente, como sempre, dando graças a Deus pelo que tinha obtido do seu grande amigo.

“Porém, o arcebispo enviou-lhe, seguidamente, azémolas carregadas de pão, vinho, carnes, pescado e tudo o que fosse necessário para o funcionamento do Capítulo, ficando o referido prelado edificado com a atitude humilde de S. Gonçalo de Lagos”.

Neste convento viveu os seus últimos anos de vida, aí falecendo em 15 de Outubro de 1422.

Logo após a morte de S. Gonçalo, a nobreza de Torres Vedras instituiu uma confraria que se encarregava de realizar anualmente uma festa em honra do beato, “havendo também nesse dia, uma grande feira” a que vinha gente “de muitas partes do reino; e do Algarve vinham muitos devotos com suas ofertas”.

Após a sua morte, continuaram a ser-lhe atribuídos muitos milagres, correndo veloz a sua fama, pelo que, à “sua sepultura, no Convento da Várzea Grande, (...) ía imensa gente de toda a parte e, como a afluência fosse muita e o presbitério onde o corpo do Santo se encontrava fosse pequeno, perturbando tal afluência a celebração do Santo Sacrifício da Missa, resolveu a comunidade do convento colocar as relíquias de S. Gonçalo dentro de um arco, na capela onde estava sepultado, do lado do Evangelho, “em rico cofre fechado com duas chaves”.

Mas como os fiéis continuavam as visitas à antiga sepultura, “para dela tirarem terra como relíquia, (...) foi forçoso tirar aquela terra para fora do presbitério, para o que fizeram um túmulo pequeno em pedra, com um buraco em um dos topos para os devotos tirarem terra e meterem os pés e os braços doentes”.

Construindo-se no século XVI um novoconvento, foram aqueles restos mortais trasladados para o novo edifício em 5 de Agosto de 1559. O velho túmulo de pedra só seria levado para o novo convento em 1570.

Antes, e por sugestão de D. João II de 26 de Setembro de 1495, a Câmara de Torres elegeu, no dia 13 de Outubro desse ano, o beato Gonçalo como padroeiro e defensor da vila e concelho de Torres Vedras.

Durante o domínio Filipino o culto a S. Gonçalo entrou em declínio, sendo recuperado após a Restauração. Por drcreto do Papa Pio IV, datado de 27 de Março de 1778, Frei Gonçalo seria finalmente beatificado.

( baseado em: J. Fernandes Mascarenhas, Páginas Gonçalinas(...), Vila Real de Santo António, 1979).

O Beato Gonçalo, Precursor da Pedagogia Moderna ?

“(...) Se há faceta da rica e multiforme personalidade de São Gonçalo de Lagos que se evidencie bem nas crónicas da sua vida terrena esta da sua vocação de educador é uma delas; e parece-me (...) que, a par da sua edificante humildade e da sua extrema caridade, é a sua vocação de educador de adultos e crianças o que mais avulta na biografia desta grande figura medieval portuguesa (...).

“Nesse tempo - primeiro quartel do século XV -, o ensino em Portugal, exclusivamente a cargo da Igreja, ministrava-se já em não poucas escolas  (...) e dada a importância política da vila de Torres Vedras nesse tempo, dado  mesmo que o seu mosteiro agostiniano já então era considerado (...) como viveiro de varões ilustres (...) é possível que o povo torriense disfrutasse o privilégio de uma escola paroquial, quem sabe se funcionando no próprio convento de que S. Gonçalo era (...) prior. Em qualquer caso, pelo menos funcionaria já então, na igreja paroquial de Torres Vedras, aquilo que (...) com outro nome, corresponderia ao que hoje chamamos uma Catequese; e em que (...) se ensinaria práticamente quase o mesmo que nas escolas paroquiais, visto ser exactamente pelo Catecismo que se aprendiam as primeiras letras. (...) Os pedagogos quinhentistas, para fazerem a criança pensar, proceder, comportar-se e aprender tal como se homem fosse, tinham de forçá-la por uma disciplina férrea e por vezes brutal, capaz de reprimir tudo o que nela não fosse próprio de um homem (...) capaz de impedir a alegria e o próprio riso, já que a sisudez era uma característica do homem de brios e de saber, e até as simples brincadeiras ou jogos, que são, ao fim e ao cabo, exercício indispensável ao desenvolvimento físico-psíquico do indivíduo e mesmo à formação da personalidade.

“(...) S. Gonçalo de Lagos, que na sua infância possivelmente frequentara a Catequese desta sua terra natal e seguira depois, jovem ainda, estudos escolares em Lisboa (...), se não fora educado e instruído em tais métodos, não os devia pelo menos ignorar ou desconhecer, quando se fez catequista do povo torrense; mas, seriam esses, também os métodos que ele próprio usava no seu ensino, sobretudo no ensino de crianças que absorveu por completo os últimos dez anos da sua vida terrena? (...) Ácerca da actividade educativa de São Gonçalo de Lagos, recolho, sem dificuldade,(...) o seguinte: (...) as suas lições de catequese às crianças eram, como diz um daqueles cronistas,” familiares e acomodadas às suas idades”.

“- Conhecendo que “para as crianças toda a coisa de siso é desgostosa”, ao que afirma outro cronista, “para que não fugissem dele, trazia sempre as mangas do hábito cheias de pedaços de pão e de fruta e de outras coisas com que os pequenos folgavam”.

“- E trazia também, garante outro cronista, “verónicas, contas e registos que ele mesmo debuxava (desenhava) com os meninos, nos retalhos de pergaminho que lhe sobravam dos livros de coro, e dando-lhes esses mimos, porque lhes ansinava depois as orações e devoções (...)”.

“- E as crianças, acrescenta o mesmo cronista, mal o viam na rua, logo (...) se juntavam a brincar com ele, como se fora outro da sua idade, (...) fazendo travessuras, as quais consentia o Servo de Deus(...), sofrendo todas as momices dos meninos, à conta de lhe sofrerem seus sisos e ensino”.

“Nestas poucas palavras (...) está (...) aquilo a que hoje poderiamos chamar o método de ensino de São Gonçalo de Lagos; está também, sem dúvida nenhuma, uma autêntica,(...) “revolução” nos métodos de ensino da sua época .(...)Afinal São Gonçalo de Lagos já opunha a educação pelo amor à educação pelo temor (...)”.

( Antero Nobre, “S. Gonçalo de Lagos, Precursor Medieval dos Pedagogos Modernos”, in Iº Colóquio Gonçalino, Lagos 1962, pp. 84 a 88).

domingo, 5 de junho de 2011

TORRES VEDRAS - Legislativas 2011 - Resultados no Território Nacional

Legislativas 2011 - Resultados no Território Nacional (resultados do concelho de Torres Vedras).

Clicar no mapa, no distrito de Lisboa, depois no mapa do concelho de Torres Vedras e, finalmente, podem ver freguesia a freguesia, clicando no respectivo mapa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

TURRES VETERAS - XIV - História da Saúde e das Doenças - Torres Vedras, 20 e 21 de Maio


Encontro Internacional
TURRES VETERAS XIV
História da Saúde e das Doenças

Torres Vedras
20 e 21 de Maio de 2011
Auditório Paços do Concelho

PROGRAMA

Dia 20 de Maio de 2011
(Sexta-Feira)

09h.00 – Recepção dos Participantes
09h.30 - Cerimónia de Inauguração
10h.00 – Comunicação
História dos sistemas e das políticas de saúde
Constantino Sakellarides (ex-Director Geral da Saúde e actual Director da Escola Nacional de Saúde Pública)
10h.30 – Comunicação
História da medicina e do pensamento médico
Manuel Valente Alves
(Director do Museu de Medicina da Faculdade de Medicina de Lisboa)
11h.00 – Comunicação
Assistência aos doentes na Idade Média
José Varandas
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
11h.30 – Comunicação
A medicina castrense durante a Idade Média
Pedro Gomes Barbosa
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
12h.00 – Debate

13h.00 – Almoço

15h.00 – Comunicação
A Pneumónica de 1918 e o seu impacto no concelho de Torres Vedras
Venerando de Matos
15h.30 – Comunicação
A doença entre poderes paralelos: Câmara Municipal e Misericórdia
Célia Reis
16h.00 – Comunicação
A Mortalidade Infantil na Casa Real Portuguesa (séculos XII-XVIII)
Paulo Drumond Braga
(Instituto Almeida Garrett)
16h.30 – Debate
17h.00 – Intervalo
17h.30 – Comunicação
Salud, forma física y enfermedad en Lord Byron
Agustín Coletes
(Universidade de Oviedo)
18h.00 – Comunicação
Medicamentos e cosméticos em Portugal na primeira metade do século XX: do tratamento das doenças dos nervos à conservação da beleza
João Rui Pita; Joana Sá Ferreira
(Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra)
18h.30 – Comunicação
Medicina, Higiene e Cosmética na Publicidade do Badaladas: 1948-1958
Isabel Drumond Braga
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
19h.00 – Debate

Dia 21 de Maio de 2011
(Sábado)

10h.00 – Comunicação
Da Arte de Enfermeiro". Escola de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca (1881-2004): aspectos da sua história
Ana Isabel Pires da Silva
10h.30 – Comunicação
A deficiência é uma doença?
Francisco Carvalho
(Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
11h.00 – Debate
11h.15 - Intervalo
11h.30 – Comunicação
Consciência Sanitária em Portugal nos séculos XVIII e XIX
João Cosme
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
12h.00 – Comunicação
Política de implantação de escuelas para regeneração moral e social numa comarca do Norte da Extremadura espanhola nos sécs. XVIII e XIX
José Pablo Blanco Carrasco
(Universidade da Extremadura
Cáceres)
12h.30 - Debate

13h.00 – Almoço

15h.00 – Comunicação
A Alimentação dos Enfermos nos Hospitais de Coimbra: séculos XVIII e XIX
Maria Antónia Lopes
(Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
15h.30 – Comunicacao
Saúde, saúde pública e determinantes de saúde – no fio do tempo
Teodoro Briz
(Escola Nacional de Saúde Pública)
16h.00 - Intervalo
16h.30 – Comunicação
Doenças raras: uma visão contemporânea
Luís Nunes
(Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa)
17h.00 – Debate
17h.30 - Encerramento
Lançamento das Actas
Turres Veteras XIII: A vida quotidiana nas Linhas de Torres Vedras

COMISSÃO DE HONRA

O Presidente dos conselhos Directivo e Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
António Maria Maciel de Castro Feijó

O Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras
Carlos Manuel Soares Miguel

A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras
Ana Umbelino

O Presidente da Turismo Oeste
Dr. António Carneiro


COMISSÃO EXECUTIVA

Pedro Gomes Barbosa (Presidente)
António Balcão Vicente
Carlos Guardado da Silva
Cecília Travanca
Célia Reis
Isabel Drumond Braga
João Cosme
Maria Manuela Catarino
Pedro Marujo do Canto
Sandra Rodrigues Silva
Vasco Gil Mantas
Venerando Aspra de Matos

ORGANIZAÇÃO

Câmara Municipal de Torres Vedras
&
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa




sábado, 14 de maio de 2011

Iniciativa Legislativa de Cidadãos - Lei contra a Precariedade

No âmbito da Iniciativa  Legislativa de Cidadãos, promovida pelos grupos cívicos M12M, Ferve, Precários Inflexíveis, Geração à Rasca - Porto e Plataforma dos Intermitentes dos Espectáculo e do Audiovisual, um grupo de cidadãos do Oeste (Geração à Rasca - Oeste) vai no próximo dia 21 em Torres Vedras recolhar assinaturas para levar à discussão e aprovação na  Assembleia da República a  " Lei Contra a Precariedade ".  Para mais informações ver http://www.leicontraaprecariedade.net/.

Saiba o que é, como se forma, e como pode ser aplicada a Iniciativa Legislativa de Cidadãos em http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/LeiIniciativaLegislativaCidadaos.aspx.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

É HOJE LANÇADA A SEGUNDA EDIÇÃO DE "TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA"

´
É HOJE O LANÇAMENTO DA SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO DE JÚLIO VIEIRA, "TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA".
ESTA OBRA FUNDAMENTAL DA HISTORIOGRAFIA TORRIENSE FOI EDITADA PELA PRIMEIRA VEZ EM 1926 E DESDE HÁ MUITO QUE SE ENCONTRAVA ESGOTADA.
JULIO VIEIRA, UMA DAS FIGURAS MAIS ACTIVAS DA VIDA JORNALÍSTICA, POLÍTICA, ECONÓMICA E CULTURAL DO PRIMEIRO QUARTEL DO SÉCULO XX, FALECEU POUCO DEPOIS DA EDIÇÃO DESTA OBRA QUE, JUNTAMENTE COM A OBRA DE MADEIRA TORRES, ESCRITA CERCA DE CEM ANOS ANTES, COM UMA REEDIÇÃO ANOTADA NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX , CONTRIBUIU PARA A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO HISTÓRICO DA IDENTIDADE TORRIENSE.
ESTA SEGUNDA EDIÇÃO FOI ANOTADA POR CARLOS GUARDADO SILVA E POR OUTRO AUTOR TORRIENSE, E O SEU LANÇAMENTO VAI CONTAR COM A PRESENÇA, PARA A APRESENTAR, DE D. MANUEL CLEMENTE.
ESSA SESSÃO TERÁ LUGAR LOGO PELAS 18 HORAS NOS PAÇOS DO CONCELHO.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ensemble de Arcos actuam 6ª feira no Teatro-Cine



Do Amor e do Diabo
Concerto com projeção de imagem

Sexta-feira, 6 de Maio de 2011, ás 21.30h, no Teatro Cine de Torres Vedras:

programa:

I. Stravinsky (1882-1971)
Suite História do Soldado (redução de I.Stravinsky para Clarinete, Violino e Piano)
I. Marcha do Soldado
II. O Violino do Soldado
III. Pequeno Concerto
IV. Tango - Valsa
V. A Dança do Diabo

N. Côrte-Real (1971-)
Largo Intimíssimo, op.29

J. Brahms (1833-1897)
Quarteto para piano e cordas nº2 em Lá Maior, op.26
I. Allegro non troppo
II. Poco adagio
III. Scherzo. Poco allegro
IV. Finale. Allegro

Os Ensemble Darcos são:
Fausto Corneo – clarinete
Gaël Rassaert – violino
Reyes Gallardo – viola
Filipe Quaresma – violoncelo
Helder Marques – piano

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Torres Vedras também está na "Legislação Régia".

Está disponível, a partir de hoje, no site do Parlamento, toda a legislação régia portuguesa publicada entre 1603 e 1910.

Basta clicar em : Legislação Régia.

Colocando depois a palavra "Torres Vedras" na pesquisa podemos aceder a uma série de documentação oficial relacionada com esta cidade.

OBRAS PARADAS NA HENRIQUES NOGUEIRA: Novopca entra em processo de insolvência

(Fotografia de Ana Isabel Miguel)

Novopca entra em processo de insolvência Económico (clicar para ler a notícia).

domingo, 24 de abril de 2011

TORRES VEDRAS E O 25 de ABRIL

O 25 de Abril em Torres Vedras – O Regresso ao Futuro


“TORRES VEDRAS: 15 000 habitantes na vila e 60 000 no concelho (…) 412 km de rede de comunicações; 68 000 000 de litros de produção vinícola, 10 000 000 kg de trigo; 14 000 000 kg de batata; um comércio poderoso e uma indústria em desenvolvimento” (só a Casa Hipólito empregava então 1028 pessoas), “4 000 alunos diariamente nas escolas da vila” (1).

Estes eram alguns dos índices que caracterizavam a então vila de Torres Vedras, em vésperas do 25 de Abril, o comunidade a quem faltava “o golpe de asa que torna perenes ou inesquecíveis as iniciativas. Aquele tipo de vontade colectiva que ergueu uma Colónia Balnear Infantil, uma Física, um Cineclube e que, ainda hoje, realiza um Carnaval. O que acontece para lá da rotina é fruto de vontades isoladas e surge como sucesso do acaso. A carcaça está vazia de humanismo e de interioridade. Onde está o rasgo, a lucidez, a alegria, a juventude que transforma as pequenas coisas oferecendo-lhe um significado social duradoiro? Onde está o futuro e que futuro?”, interrogava-se o articulista António Augusto Sales sobre Torres Vedras, uma terra para quem “até os jovens abdicam à nascença” (2).

No início de 1974 eram mais as dúvidas que as certezas, perante a evidente derrocada da chamada “primavera marcelista”, o arrastar, sem solução, da guerra ultramarina e o ainda quente, mas frustrante, processo eleitoral de 1973.

Num ano marcado pela crise económica, evidente nas restrições impostas ao uso da gasolina e no seu aumento de preço, notava-se um crescente mal-estar na sociedade portuguesa. Nem a censura conseguia disfarçar a falência do regime.

O debate sobre o IV Plano de Fomento, para vigorar de 1974 a 1979, permitia alguma intervenção crítica que deixava transparecer algum descontentamento sobre a realidade torriense. O Dr. Afonso de Moura Guedes, num artigo intitulado “Torres Vedras – o desenvolvimento que não se fez” (3), interrogava-se sobre a razão pela qual o desenvolvimento de Torres Vedras tinha sido marginalizado naquele Plano, concluindo:

“Administrar, nos tempos que correm, exige largueza de perspectivas, imaginação, capacidade criadora, ia a dizer audácia (…).

“Em relação ao nosso meio local, creio que, tudo isso, teria exigido a realização prioritária de três políticas globais: uma política urbanística e de solo; uma política rodoviária; uma política industrial.

“Uma política urbanística e de solos que, corajosamente, pusesse cobro ao que há de sufocante e de caótico no desordenado crescimento da vila e a essa vergonhosa especulação de terrenos, que aqui ocorre, sacrificando toda a população ao proveito de muitos poucos.

“Uma política rodoviária que estabelecendo toda uma rede efectiva de ligações, no espaço inter-regional, permitisse uma cómoda e rápida circulação interna, de pessoas e de mercadorias, assegurando, deste modo, a Torres Vedras, a posição, a que tem direito, de pólo de desenvolvimento do Oeste.

“Uma política industrial que, começando por definir uma zona industrial, soubesse ordenar, depois, toda a estratégia conjugada de acções, susceptíveis de criarem condições favoráveis à implantação de novas indústrias, no nosso meio (…).

“Pois foi tudo isso que não se fez, como reflecte o Plano de Fomento. O desenvolvimento que não se fez. Que não se soube construir como projecto de futuro. O comboio que mais uma vez se perdeu”.

As animadas sessões da campanha eleitoral de 1973 foram para muitos dos jovens torrienses de então, o primeiro contacto com a realidade política desse tempo. Para muitos foi a primeira vez que se depararam com a acção repressiva do regime, com a presença e actuação em Torres Vedras da célebre Polícia de Choque. O encontro coma Polícia de Choque voltar-se-ia a repetir em 20 de Janeiro de 1974, em frente do cemitério de S. João, por ocasião da romagem convocada pela oposição, muito dominada pelo PCP, à campa do antifascista torriense, natural do Pául, Fernando Vicente. Surpreendentemente o convite para a população participar nessa romagem foi publicado nas páginas do jornal Badaladas, escapando assim às atenções da censura, podendo ler-se nessa convocatória:

“Ali, entre ciprestes, pelas 11 horas do dia 20 de Janeiro, num minuto de recolhimento, a vida não parecerá aquele vazio do quotidiano, sem ideias, apenas virada para a materialidade da existência.

“Fernando Vicente merece a simples homenagem póstuma que lhe vai ser tributada” (4).

Foram alguns os torrienses com coragem para comparecer a essa romagem, mesmo assim menos que os “pides” e polícias de choque, que aí também estiveram presentes…mas por razões diferentes.

Também as escolas secundárias do concelho conheciam pela primeira vez alguma agitação política, através da distribuição clandestina de propaganda política, motivando interrogatórios a vários alunos e professores “suspeitos” e a intervenção de elementos da PIDE na vida escolar. Segundo consta, terá mesmo sido elaborada uma lista de alunos e professores a deter no 1º de Maio de 1974, acção que acabou por não se concretizar por causa do 25 de Abril. A lista nunca foi encontrada. Provavelmente ficou no meio da muita documentação destruída pela PIDE naquele dia.

Em vésperas do 25 de Abril também várias colectividades locais, como o Cineclube e o Clube Artístico e Comercial, conheceram alguma intervenção política e cultural de critica ao regime.

Na noite de 24 de Abril muitos de nós fomos para casa tardiamente após assistirmos a mais uma das concorridas sessões do Cineclube, no Teatro-Cine, o filme de Jerry Lewis “O Morto era Outro”, longe de se imaginar, à hora de saída do cinema, que o 25 de Abril já estava em movimento.

Pessoalmente fui acordado às 8.30 da manhã desse histórico 25 de Abril pelo meu pai, eufórico com os acontecimentos. Durante todo o dia foi um rodopio entre a escola, entretanto encerrada, a casa de amigos e a minha casa para ouvir os comunicados difundidos pela rádio, pois a televisão só iniciou as emissões por volta da 7 horas da noite. À noite realizou-se em Torres Vedras um primeiro comício no Largo da Graça, onde ainda se manifestavam alguns receios sobre o desfecho do movimento militar.

“Quando olho o longo caminho percorrido cheio de ásperos reveses, perseguições e mediocridades; quando subindo ali o Forte, te contemplo crescendo em todos os sentidos caoticamente envolto pelo desprezado Sizandro; quando imagino o que és e o que poderias ter sido, eu me entristeço, Torres Vedras.

“Vila verde, pintada a esperança pelos vinhedos, doirada pelo recorte impar das tuas penedias bravias em Santa Cruz; retalhada impiedosamente pelos crimes do mau urbanismo imposto por certos conhecidos pimpões ultramontanos, quase te desconheço Torres Vedras.

“Vila calada e cansada por anos de paz podre, das divisões estéreis às mesas dos cafés, onde raramente qualquer pedra agitava a calma estagnação dos teus sonhos adormecidos, pálida vila estremenha onde através da inoperância dum arranjismo sob organizado ias crescendo angustiada sob um colete-de-forças tecido de mentiras, ameaças, e subornos.

“Hoje és livre.” (5).

Na tarde de 26 de Abril as ruas de Torres Vedras foram percorridas por uma grande manifestação popular de aclamação e apoio ao Movimento das Forças Armadas, onde se destacavam os cartazes com a fotografia do General Spínola.

“Em 26 de Abril quando ali na Avenida 5 de Outubro o Povo bom e simples de Torres Vedras dava largas à sua alegria, verificou-se a sua maturidade, devoção e patriotismo. Maturidade que sempre foi negada por aqueles que nem sempre serviram com dignidade os seus postos.

“Antes pelo contrário, deles se servindo para os seus interesses pessoais.” (6).

Em 28 de Abril, na sala do Clube Artístico e Comercial, reuniu-se a Comissão Concelhia do CDE, força unitária da oposição saída das eleições de 1973 e que unia grande parte da oposição local, embora liderada pelo PCP. Nessa reunião, aberta a todos os cidadãos, e que foi muito concorrida, fazendo transbordar a sala daquela colectividade, iniciou-se o processo de transferência do poder concelhio para as forças democráticas, da qual saiu uma primeira comissão para preparar essa transferência e se aprovou um “Manifesto ao Povo do Concelho de Torres Vedras”, no qual se abordavam algumas das situações mais gravosas para o concelho, herdadas do regime deposto:

“Os graves problemas sempre adiados e jamais resolvidos, como os da electrificação, distribuição de água canalizada, abertura de caminhos e estradas nas aldeias e aglomerados do Concelho, ou de um plano de urbanização jamais posto em execução, jamais cumprido, com relevância para o tráfico de imóveis feito por uns tantos que sempre se serviram das Câmaras Municipais no seu directo interesse pessoal, o acumular de desonestas riquezas pela valorização artificial de terrenos (por exemplo os de Santa Cruz), pelas “prioridades” dadas ao asfaltamento de estradas e ruas onde os apaniguados do regime tinham as suas moradias e interesses particulares em detrimento dos interesses colectivos; (…) a poluição do rio Sizandro lesiva do interesse da populações, com relevância para as de Runa, em que certas empresas particulares têm graves responsabilidades de conivência com organismos “ainda” oficiais (…)”(7).

A transferência do poder concelhio não foi isenta de conflitos e situações caricatas.

Logo a 29 de Abril o executivo camarário “salazarista” ainda em funções reuniu-se e aprovou, numa manobra de puro oportunismo político, uma moção de adesão ao programa da Junta de Salvação Nacional, atitude logo na ocasião denunciada por vários torrienses que assistiram a essa tão caricata sessão. Esse executivo camarário oriundo do regime deposto reuniu pela última vez no dia 13 de Maios, continuando, até essa data, a deliberar como se nada se tivesse passado, talvez ainda esperançado no resultado de branqueamento ensaiado por alguns dos seus membros através de um conjunto de artigos de auto justificação publicados no semanário local “Badaladas”, imediatamente desmascarados por vários democratas de sempre, entre os quais António Augusto Sales:

“Quem na devida altura não teve, pelo menos, a coragem de dizer NÃO, perdeu a oportunidade. Isto é, quem, na ex-vereação não teve a coragem de se demitir depois de verificar a impossibilidade de fazer um trabalho equilibrado perdeu a oportunidade de se descomprometer com as irregularidades e arbitrariedades (…). É preciso que todos nos convençamos que Portugal mudou mesmo. É preciso que não nos deixemos iludir com histórias da carochinha. Durante quarenta e oito anos muita gente passou fome porque não quis colaborar; muita gente perdeu anos de vida nas cadeias porque não quis colaborar; muita gente viveu uma existência de sobressalto porque não quis colaborar; muita gente perdeu empregos, família, glórias, dinheiro, comodidade, sossego e liberdade apenas porque se negou a colaborar. Hoje, no segundo mês da libertação, não podemos permitir que sejam confundidos estes com os outros. Seria criminoso” (8).

Num plenário realizado no 1º de Maio no campo de jogos do Sport Club União Torreense, foi eleita uma comissão para gerir a Câmara, constituída por 18 pessoas. Dois dias depois essa comissão reuniria com o capitão Vítor Manuel Ribeiro, delegado da Junta de Salvação Nacional. Por sugestão deste foi aquela comissão reduzida para 9 membros que ficaram a constituir o elenco da Comissão Administrativa Municipal, sendo eleito para a presidir Francisco Manuel Fernandes, coadjuvado por António Leal d’Ascensão, João Carlos, José do Nascimento Veloso, Duarte Nuno Pinto, Manuel Carlos Penetra, José Sérgio Júnior, Marcos Santos Bernardes e Carlos Augusto Bernardes. Esta comissão administrativa tomou posse do seu cargo em 15 de Maio, no Governo Civil de Lisboa, reunindo oficialmente pela primeira vez em 20 de Maio.

“Depois da euforia dos cravos vermelhos, de reuniões contínuas e esclarecedoras, urge que se faça o ponto da situação. O trabalho espera-nos. Vamos a ele! (…).

“À inflação da palavra terá de suceder o estudo dos problemas e a respectiva solução às realidades que nos cercam.

“Longas milhas começam com o primeiro passo – diz um ditado chinês.

“Pois os primeiros passos estão a ser dados com firmeza e as longas milhas serão vencidas através do Tempo, sem o qual nada de duradoiro se pode fazer” (9).

Os dados do futuro estavam lançados!

Venerando António Aspra de Matos

(1) SALES, António Augusto, “Das muitas e variadas leituras que alguns acontecimentos de 1973 podem oferecer (…), in Badaladas de 16 de Março de 1974;
(2) SALES, Idem, idem;
(3) MOURA GUEDES, Afonso de, “Torres Vedras – o desenvolvimento que não se fez”, in Badaladas, 26 de Janeiro de 1974;
(4) “Romagem à campa de Fernando Vicente – Convite”, in Badaladas de 19 de Janeiro de 1974;
(5) MATOS, Venerando Ferreira de, “Torres Vedras e o Futuro”, in Badaladas de 4 de Maio de 1974;
(6) MATOS, Idem, Idem;
(7) Manifesto ao Povo do Concelho de Torres Vedras aprovado em 28 de Abril de 1974 e editado em folheto;
(8) SALES, António Augusto, “Saber com quem estivemos para saber com quem estamos”, in Badaladas de 29 de Junho de 1974;
(9) MATOS, Venerando Ferreira de, “Nortadas”, in Badaladas de 27 de Julho de 1974.