sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vistas do Barro:











quarta-feira, 18 de abril de 2012

Associação do património torriense promove várias iniciativas para comemorar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

 
Hoje é o  Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
“A Associação do Património de Torres Vedras vai participar, mais uma vez, na celebração deste dia com as seguintes actividades:

“GRUTA CALCOLÍTICA DA ERMEGEIRA: UM MONUMENTO NACIONAL MAL CONHECIDO

“Maxial é uma freguesia do Município de Torres Vedras com numerosos vestígios de ocupação humana desde a Pré-História. O mais significativo é a Gruta Calcolítica da Ermegeira – aldeia próxima da sede de freguesia – descoberta e explorada no final dos anos 30 do século passado. Do espólio existente avulta um par de pendentes de ouro, guardado no Museu Leite de Vasconcelos, em Belém, cuja valia e raridade explicam a classificação daquela estação arqueológica como Monumento Nacional. Da gruta resta apenas uma parte da calote, o que se explica pela ação do tempo e algum vandalismo. Mas aquele é um vestígio importante a preservar e que está em risco de ser desclassificado devido ao estado de abandono.
“A Associação do Património de Torres Vedras, inspirada no lema deste dia – Do Património Mundial ao Património Local – decidiu realizar um programa de divulgação e sensibilização para este Monumento tão pouco conhecido dos torrienses, a decorrer em Abril no Maxial:

Dias 17 a 23
               Auditório da Junta de Freguesia do Maxial:
              - Pequena exposição alusiva ao período calcolítico, com peças do Museu Leonel 
                Trindade, de Torres Vedras            
      - Sessões com alunos das Escolas do Maxial, em horas a definir.

Dia 21 (sábado)
            15H30: Autocarro da Câmara Municipal de Torres Vedras, junto ao Tribunal, para quem  quiser deslocar-se ao Maxial
                 16H00 – Auditório da Junta de Freguesia:
                 Sessão evocativa e documental sobre a Gruta da Ermegeira.
                 Intervenções: Joaquim Moedas Duarte, presidente da Associação do  Património de Torres Vedras e Emanuel Carvalho, Técnico de Arqueologia do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico.
                  17H30 – Visita ao local da Gruta Calcolítica da Ermegeira.

Dia 22(domingo)
          09H00:Caminhada com passagem pelo local da gruta. Partida frente à Junta de Freguesia do  Maxial. Percurso com cerca de 10 km, de nível fácil, aberto ao público em geral.

“Participar nestas atividades é uma forma de ajudar a defender o nosso Património.
“A ADDPCTV agradece a colaboração da Junta de Freguesia do Maxial, do Município de Torres Vedras e dos técnicos do Museu Municipal Leonel Trindade, de Torres Vedras”.


Uma das peças mais valiosas encontrada na Gruta Calcolítica  da Ermegeira é um conjunto de brincos em ouro, que estão depositados no Museu Nacional de Arqueologia:

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Vida Torriense nos Finais do Século XIX, nos caracteres da imprensa local (1885-1890) - 3


Março de 1885
"Os Trabalhos Agrícolas estão muito adiantados. As cepas rebentam já com muita força, o que obriga os lavradores a não se descuidarem".
Os dias corriam ao ritmo dos trabalhos agrícolas. Muito mais que hoje a economia da região dependia em grande parte dessa actividade, principalmente dos extensos vinhedos que cobriam a região. Companhias francesas, principalmente da região de Bordéus, vinham aqui comprar grandes quantidades de vinho, que era vendido por “48 a 50$000 réis o tonel de 918 litros”.
Os proprietários da região descobriam rapidamente a força da imprensa regional como porta-voz das suas preocupações. Assim, o “Jornal de Torres Vedras” fazia eco das queixas de alguns deles contra os responsáveis pela expropriação de terras para a construção do caminho de ferro:
"Há quintas e outras fazendas já dannificadas pelas medições, para verificar, as quaes abriram fundos regos e mutilaram magníficas árvores de fructo, e onde não se fizeram ainda podas, nem outros trabalhos agrícolas, resultando de tudo isto enormes perdas de produção.
"Sabemos não serem exaggeradas as exigências dos proprietários dos terrenos em questão, e também não ignorâmos que os offerecimentos feitos depreciam muito o seu valor, provindo d’aqui um desacordo que, no interesse de todos desejamos termine brevemente».
Enquanto não chegava à villa o desejado caminho-de-ferro, outras preocupações da época seriam o estado deplorável em que se encontravam as ruas da vila e o transporte do correio.
Numa carta enviada pelo município local ao Governo Central, e transcrita pelo jornal alertava-se para a situação das ruas da vila:
“A estrada real nº 61 de Lisboa a Peniche encontra-se na parte que atravessa esta villa por tal forma deteriorada que é, de inadiável necessidade mandar proceder à sua reparação.
“A referida parte da estrada constitue hoje a principal rua d’esta villa, e é extraordinariamente concorrida por peões e vehículos de toda a espécie, mas no estado a que chegou dá péssimo transito (...)”.
Esta situação não impedia que se registassem queixas como esta:
“Pedimos a quem compete que dê as necessárias providências para evitar-se que os indivíduos que andam a cavallo por essas ruas não mettam as cavalgaduras à desfilada, como temos presenceado”.
O mau estado dos caminhos seria igualmente responsável pelo facto das “malas do correio d’esta villa, conduzidas em cavalgadura e alforge" chegarem “quasi sempre em péssimo estado. A correspondência umas vezes vem rasgada, outras vezes húmida e sempre amachucada".
E foi assim, sem grandes novidades para os habitantes da pacata villa, que decorreu mais um mês de há cem anos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Céu do Convento...

Na semana passada, num dos primeiros dias do ano com núvens...





quarta-feira, 14 de março de 2012

Por uma Torres Vedras sem touradas

O grupo de munícipes Torres Vedras Contra Touradas criou a petição "Por uma Torres Vedras sem touradas" a favor da abolição das touradas no concelho de Torres Vedras e apelando à declaração de Torres Vedras como Cidade Anti-Taurina.

sexta-feira, 9 de março de 2012

TORRES VEDRAS NÃO TEM PRAIAS ENTRE OS FINALISTAS :Saiba quais são as 70 praias pré-finalistas às 7 Maravilhas

(Praia de Santa Cruz - as suas praias ficaram fora da lista de pré-finalistas)

O Concelho de Torres Vedras, um dos que, no país, tem uma das maiores extensões de costa marítima, candidatou-se às "7 Maravilhas- Praias de Portugal" com quatro praias: Santa Helena, Santa Rita, Seixo e Formosa.
Infelizmente nenhuma delas foi escolhida como pré-finalista.
Aliás, da lista de pré-finalistas, são poucas as surpresas e que não obedeçam, mais do que à beleza e originalidade dos sítios, à escolha óbvia da propaganda turística.
Em baixo podem consultar a lista desses pré-finalistas:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ciclo de Debates - Mais Vida No Centro Histórico :



Reproduzimos aqui a nota à imprensa da Associação de Defesa do Património sobre esta iniciativa por si organizada, e que tem início no próximo Sábado:

"Mais Vida no Centro Histórico
"A Associação do Património de Torres Vedras vai realizar no auditório municipal (Av. 5 de Outubro), durante os meses de Março, Abril e Maio, um CICLO DE DEBATES em torno da revitalização do Centro Histórico. Os debates estão agendados aos Sábados pelas 16h, nas seguintes datas e temas:

"• 10 Março
"O papel dos cidadãos na revitalização dos Centros Históricos

"• 24 Março
Espaços devoluto, novos usos culturais e criativos

"• 14 Abril
Memórias do Centro Histórico

"• 28 Abril
Arquitetura e Urbanismo

"• 12 Maio
Economia e Inovação Social

"A Associação do Património de Torres Vedras vê com preocupação a crescente crise que atinge o Centro Histórico da nossa cidade e tem procurado intervir na procura de soluções. Com esta iniciativa a ADDPCTV pretende atrair o contributo dos cidadãos interessados na revitalização do Centro Histórico, que como se sabe passa atualmente por um processo de requalificação através do programa “Torres ao Centro”.

"O ciclo de debates contará igualmente com o suporte de um conjunto alargado de reflexões que vêm sendo publicadas no jornal Badaladas, na coluna “Patrimónios”, e cujo teor importa trazer para discussão pública. Partindo da esfera das ideias é também nosso objetivo a apresentação de soluções exequíveis tendo em conta as dificuldades atuais em que se encontra o país e os municípios.

"No final do Ciclo de Debates 2012 Mais Vida no Centro Histórico será editada uma monografia contendo os principais resultados e conclusões, a qual será enviada posteriormente aos órgãos autárquicos, comunicação social e demais partes interessadas.

"10 Março
"O papel dos cidadãos na revitalização dos Centros Históricos

"Nesta que é a sessão inaugural do ciclo de debates, contaremos com a presença da Eng.ª Carmen Quaresma (Coordenação da Estrutura de Gestão e Implementação do Torres ao Centro - Unidade de Apoio Técnico) que fará o ponto de situação relativo ao programa, bem como nos dará conta dos resultados do 2º Fórum de Participação Pública do Torres ao Centro.

"24 Março
"Espaços devolutos, novos usos culturais e criativos

"O uso socialmente diverso destes espaços pode originar oportunidades tais como: arrendamento habitacional a preços acessíveis; projetos no âmbito da economia social; espaços destinados a práticas artísticas, culturais e criativas emergentes; oficinas/loja de artesanato local; locais de ensaio para projetos musicais; acolhimento de novas associações ou grupos informais; projetos temporários...Os convidados desta sessão trazem a sua experiência para em conjunto refletirmos acerca de estratégias coletivas que contribuam para a revitalização do Centro Histórico. O Arqº José Manuel Lopes (Gabinete do Centro Histórico de Torres Vedras) dará conta do trabalho efetuado por este gabinete na identificação e caracterização de imóveis devolutos. Carlos Heinrich, artista e ativista, tem uma longa experiência em ocupação artística de edifícios devolutos, sendo por isso um importante contributo neste debate.

"Serão também convidados a uma participação mais ativa no debate, movimentos cívicos e cidadãos empenhados na revitalização do Centro Histórico".

sexta-feira, 2 de março de 2012

Começa Hoje a 6ª Edição dos colóquios de história "Sopas de Pedra"

Tem hoje início a 6ª edição dos encontros de história, organizados pelo Arquivo Municipal de Torres Vedras, intitulados "Sopas de Pedras". 
A conferência de hoje, que terá lugar nos Claustros do Convento da Graça, terá como orador o Dr. Carlos Guardado Silva e versará como tema os "Paços Régios Torrienses".
Os "Paços" será, aliás, o tema deste ano.
As inscrições custam 10 euros e incluem jantar antes da conferência, a partir das 20 horas.
Em Julho será a vez das conferências "Chá de Pedra" na Azenha de Santa Cruz.
O programa deste conjunto de iniciativas pode ser consultado clicando no cartaz em baixo ou consultando o site do Arquivo Municipal de Torres Vedras.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Vida Torriense nos Finais do Século XIX, nos caracteres da imprensa local (1885-1890) - 2


Fevereiro de 1885

Um temporal marcou o início do segundo mês do ano: «fez um tempo horrível. (...) O Sizandro encheu e invadiu algumas ruas da vila à Horta Nova (...) os estragos causados pelo temporal, não são, felizmente, de importância».

Já então as condições sanitárias do rio não eram as melhores: “Torres Vedras tem uma cinta de vallas, de nível inferior ao nível actual do rio, onde as águas das chuvas de envolta com os resíduos das fábricas de destilação e materiais orgânicos de diversas proveniências, estão em perpétua fermentação, originando miasmas de differentes espécies e gazes infectos que tomam a sua vizinhança altamente incommoda e perigosa» pelo que não seria de estranhar que em “ Torres Vedras todos os annos» se manifestassem doenças «tais como: febre Typhoide; purpura hermorrhagica; escorbuto; doenças classificadas como pestilentas». Por solicitação do representante do circulo eleitoral local, visconde de Balsemão, o governo concederia ainda nesse mês à Câmara Municipal “d’este concelho o subsídio de 4.500$00 réis para encanamento das obras do rio Sizandro».

Mas a falta de educação da população agravava ainda mais as já de si precárias condições sanitárias da vila, como nos é revelado por uma queixa apresentada por vários moradores da Porta da Várzea ao «jornal de Torres Vedras», àcerca «do deplorável estado em que se encontra o pavimento da rua, que, segundo dizem, é um completo atoleiro, dando-se de mais a mais a circunstância de alguns moradores fazerem para a rua todos os despejos (...)».
A falta de instrução era igualmente apontada como uma das principais causas de grande número de desordens que então se registavam, aliando-se a essa causa a condição miserável em que vivia parte da população do concelho, pelo menos a rural:
«Multiplicam-se os crimes na Comarca de Torres Vedras (...), No mez de fevereiro (...) houve no hospital d'esta villa quatro autopsias cadavericas por mortes violentas, por assassinatos, alguns dos quaes perpetrados com requintes de selvageria e crueldade; no mez de Janeiro já houvera uma».
As miseráveis condições de vida da população seriam igualmente responsáveis pelo elevado número de falecimentos provocados pela variola (do total de 51 falecimentos registados em Fevereiro, no concelho, 19 foram provocados por essa doença).

Entretanto na vila nascia uma nova filarmónica que se vinha juntar à já existente, a «Philarmónica Torreense»; “Um grupo de moços, artistas intelligentes da villa, sob a direcção do nosso amigo, o sr. Augusto dos Santos Ferreira,e dirigidos na parte artística pelo hábil professor de música, o sr. Augusto César da Costa Pereira, constituíram em sociedade para organisarem uma fanfarra que Se denomina «Fanfarra 24 de Julho»”.

Fevereiro costuma ser também o mês do Carnaval. Nessa altura esta festa não tinha ainda a importância que atingiu nos nossos dias, como salientava uma crónica dessa época:
«O Carnaval passou-se sem animação e desengraçado, como nos anos anteriores. Poucas exibições, e essas apresentando-se sem espírito. No domingo destacou-se apenas da semsaboria geral um grupo de mascarados, muito bem vestidos, em carruagens, fazendo visitas.
«Um cavalheiro da terra reuniu em sua casa, na noite de terça-feira, muitas pessoas de suas relações e passou-se uma boa noite em família (...)».

Mais concorrida terá sido a tradicional procissão de quarta-feira d  cinzas que saia «da egreja de S, Thiago, levando grande número de andores, e percorrendo as seguintes ruas e praças: largo de S. Thiago, ruas de S. Thiago, Olaria e Espírito Santo, Praça Municipal, rua de S. Pedro, Travessa dos Canos, rua dos Canos, de Traz do Açougue e dos Celleiros, e largo do Terreirinho».
«Fazia a guarda de honra a força de caçadores nº 6 e cavallaria n.º 4 aqui destacada, e atrás do pallio seguia a philarmónica torreense; grande número de irmãos da ordem terceira e bastante povo».

Paralelamente a estes acontecimentos o «Jornal de Torres Vedras» fazia-se porta voz dos interesses dos 150 comerciantes e industriais da região sugerindo a criação de um Tribunal Comercial na vila. E o cronista do jornal fundamentava essa pretensão escrevendo que em Torres Vedras  “se encontra tudo o que é necessário à vida, e ainda o supérfluo, por preços bem mais modicos que os da capital, tem estabelecimentos de todos os géneros de commércio, perfeitamente surtidos tem uma importante fábrica de moagem de cereais e outra de destilação, tem quatro açougues onde se vende carne de vacca diariamente; tem um frequentado mercado mensal, e uma bella praça de peixe. As casas de commercio effectuam todos os dias valiosas transacções, e os productores de vinhos offerecem as suas adegas repletas a compradores, quasi todos estrangeiros, que de bem longe os veem procurar».

100 baptizados, 51 falecimentos e 18 casamentos marcaram a passagem de mais um mês da história torriense...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ana Jorge discorda com encerramento da urgência de Torres Vedras.

 Respondendo às notícias sobre o encerramento das urgências cirúrgicas do Hospital de Torres Vedras, que têm sido divulgadas nos últimos dias, como se pode ler AQUI, na última edição do jornal Sol, a antiga ministra da saúde, boa conhecedora da realidade dos concelhos do Oeste, veio hoje tomar posição sobre o assunto, a qual pode ser lida na notícia abaixo:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carnaval de Torres Vedras 2012 - foto reportagem de Dário Cruz

Vejam  no link em baixo, a foto reportagem do fotógrafo Dário Cruz, com 33 fotografias sobre o Carnaval de Torres, editada pelo Público on-line:

Carnaval de Torres Vedras 2012 (clicar para ver).

Reportagem da revista "VISÃO" sobre a Terça-feira de Carnaval em Torres Vedras



“PIEGUICES E MATRAFONAS

Por  SARA BELO LUÍS  (com fotos de MARCOS BORGA )

“O Primeiro-Ministro argumentou que era preciso saber quem é que queria lutar «para vencer esta crise». Por isso, na manhã de terça-feira de Carnaval, 21, os funcionários das Finanças de Torres Vedras apresentam-se ao serviço. Estão nos seus postos de trabalho, a VISÃO pode comprová-lo, a atender os (poucos) utentes que aparecem. Alguns deles trazem ao peito um crachá, distribuído pela organização do Carnaval da cidade, que diz: «Eu produzo».

“Estarão ali religiosamente até às 17 e 30, mesmo que a afluência não o justifique: num dia normal, ao meio-dia, há 150 senhas para atender; hoje, vamos em quinze. «Não se justifica estarmos aqui», comenta uma. «Viemos cá buscar o subsídio de refeição», ironiza outro. Não é possível um retrato para a VISÃO, dentro da repartição, mas, cá fora, na rua, o chefe não vê inconveniente: um vai buscar a cabeleira; outra, os óculos de fundo de garrafa; outra, as antenas da abelha e outra, ainda, as mangas-de-alpaca, costuradas pela própria para nos fazer lembrar o funcionalismo público do tempo da outra senhora. «Há muito que não via uma coisa dessas», notamos. Resposta: «Também eu não.» Em Torres Vedras, o Carnaval é um estado de espírito.

“O cortejo está reservado para a tarde. Na escola primária funciona o quartel-general da organização e, no quadro da sala de aula, alguém escreveu o sumário: «Enquanto houver um folião na rua... o Carnaval de Torres continua.» E a festa está, de facto, nas ruas, há barraquinhas com pastéis de feijão, roulottes de bifanas, farturas, cerveja, sangria, serpentinas, confettis, máscaras, chapéus, bombos, Ivete Sangalo e muito Michel Teló (sim, o do inenarrável «Ai se eu te pego.»)

“SENHAS POR DISTRIBUIR

“Na zona por onde passa o corso, um quarteirão com um perímetro de cerca de 800 metros, só os cafés e os restauram permanecem abertos - e também a loja chinesa, ainda repleta de fatos e acessórios de Carnaval made in China. O Centro de Emprego abriu apenas das 9 às 11,mas os funcionários do Tribunal do Trabalho e da Autoridade para as Condições Trabalho (os outros dois serviços da Administração Central localizados dentro do recinto vedado para as celebrações) estão presentes. Com muito menos afluência, testemunham à VISÃO, em ambos os locais, neste dia mais ou menos às moscas - e que até teria sido um bom dia para tratar de burocracias. À porta da Autoridade para as Condições do Trabalho, por exemplo, uma hora antes de fechar, o segurança continuava com as senhas na mão, por distribuir.

“São, ao todo, seis dias de Carnaval em Torres Vedras. Um investimento 400 mil euros, uma expectativa de 300 visitantes. A organização diz que, este ano, têm tido mais gente e a perceção que há é a de que isso se deve à publicidade grátis proveniente da «intolerância de ponto» do Governo, explica a assessora de imprensa do presidente da Câmara, o socialista Carlos Miguel. Trata-se de um Carnaval inofensivo, o de Torres, familiar, com muitos idosos e bebés de colo a passear. E no qual, mesmo com a propagação das Brancas de Neve, Minnies e Estrunfes da moda, continuam a reinar as matrafonas. Uma delas (um deles, na verdade) insistiu em que a VISÃO desse uma moeda ao Presidente da República e anotasse esta rima: «Vamos tirar do buraco o pensionista Cavaco.»

“Se a política sempre dominou o Carnaval de Torres Vedras, este ano a sátira faz-se muito à custa da troika. Num dos carros alegóricos, Poul Thomson, representante do FMI, põe Paulo Portas a fazer abdominais em cima de uma bola de pilates e Pedro Passos Coelho, no chão, a fazer flexões (a propósito, o desporto é o tema deste ano). Noutro carro, o galo de Barcelos aparece a ser triturado numa picadora de carne e, noutro ainda, o primeiro-ministro mete notas no porquinho-mealheiro de uma série de bancos. Há muitos piegas confessos («Sou piegas, mas divirto-me mais do que tu») e muita pieguice sobre o fim dos feriados, das reformas, das regalias, da Saúde e da Educação... A VISÃO não avistou nenhum folião mascarado de Passos Coelho ou de Cavaco Silva. Essas máscaras não se devem fabricar na China”.

In VISÃO de 23 de Fevereiro de  2012