Torres Vedras e a História (breves apontamentos, esboços, documentos, efemérides, estudos, fotografias, notícias...)
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
TERMAS DOS CUCOS: MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO
Saíu no DR, 2ª série, de 4 de Setembro de 2012, o Anúncio nº 13380/2012, relativo ao «Projecto de Decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP), da Estância Termal de Vale de Cucos, freguesia de S. Pedro e Santiago, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, e à fixação da respectiva zona especial de protecção (ZEP)»
O processo esteve em consulta pública durante 30 dias. Caso houvesse observações dos interessados, haveria um prazo de 15 dias para respostas da DRCLVT. Caso não haja - o que desconhecemos - a classificação e a ZEP serão publicados no Diário da República.
Tudo leva a crer que essa publicação está para breve, o que saudamos desde já.
Recordamos que a Associação do Património de Torres Vedras promove amanhã, dia 20 de Outubro, pelas 14H30, uma VISITA GUIADA às Termas dos Cucos, aberta a quem queira deslocar-se até lá e participar.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
ESTA NOITE EM TORRES VEDRAS:
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
à(s)
11:40
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cultura,
Largo de S. Pedro,
Urbanismo
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
O PROGRAMA POLIS PARA TORRES VEDRAS CONTINUA SEM SOLUÇÃO À VISTA.
Por especial deferência do meu amigo Paulo Bento, AQUI se divulga o último episódio do POLIS de Torres Vedras, há dez anos à espera de execução e que previa, entre outras coisas, a raqualificação do Choupal (ver aqui também).
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
à(s)
10:57
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
MOINHO DA CAPUCHA - Uma empresa da Serra da Vila
As boas idéias empresariais merecem divulgação,como esta, com sede na Serra da Vila e que se dedica à divulgação dos Produtos Tradicionais Portugueses.
Podem consultar mais informações consultado a sua página do Facebook:
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
à(s)
09:59
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
economia,
empresas,
Moinho da Capucha.,
Serra da Vila
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
A VIDA TORRIENSE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX, nos caracteres da Imprensa Local (1885-1890) - 8 - Agosto de 1885.
AGOSTO DE 1885
Na edição de 13 de
Agosto do Jornal de Torres Vedras
um articulista queixava-se das condições de funcionamento dos serviços
de correio da vila:
“(…) o transporte das malas de ida ou volta é feito pelo
systema de há cem anos, - n’uma velha, cega e podre cavalgadura, em malas mais
velhas e podres, tendo por guias conductores rapazolas de 16 a 18 annos,
completamente ignorantes; alguns amantes de vinho em excesso, e que não têeem, por isso, cuidado com a correspondência. E
assim sucede, que chega aqui, as mais das vezes, rasgada, enlameada, estragada,
e servindo apenas para embrulho(…).
“A villa de Alenquer fica a trinta e tantos kilómetros
d’esta terra – distância que é percorrida em carruagem em duas horas e meia, e
três, quando muito. Pois bem. Uma carta lançada no correio de Torres Vedras
para Alenquer, na segunda feira, por exemplo, é distribuída n’esta ultima
localidade…na quarta feira pela manhã, 48 horas depois!
“Fallaremos agora no horário da correspondência para o
norte.
“De Torres para Alhandra parte às 4 horas da tarde uma mala
que leva a correspondência para a linha
[de comboio] (…). Esta mala chega a Alhandra às 9 e meia da noite, e tem de
esperar para seguir pelo comboio que ali passa [às] 9 e 5 minutos da manhã do
dia seguinte.(…).
“Se esta mala partisse de TV não às 4 da tarde, mas às duas,
alcançaria o comboio que sai de Lisboa às 7 da tarde, e a correspondência
seguiria para o norte no mesmo dia. (
…).
“Nós, em nome do commercio importante d’esta localidade,
exoramos encarecidamente ao sr. director geral dos correios, ou a quem
competir, que dêem as providencias necessárias [para alterar a situação] (…). (13
de Agosto).
Mês de Agosto era mês de praia para algumas famílias
abastadas da vila, que mereciam referência nas página da imprensa local por
estarem “a banhos na nossa pitoresca e sadia praia de Santa Cruz”, praia que estava
“já muito animada”, onde “as tardes à beira mar, ao pé do famigerado [??] Penedo do Guincho, e da Pedra que bole, são cheias de doce
melancolia(…)” (13 de Agosto).
Menos melancólica era a vida da maior parte da população,
entregue aos rotineiros trabalhos agrícolas, nomeadamente nas vinhas da região.
Estas estavam então sob o ataque da filoxera e a imprensa anunciava que tinha
começado no dia 7 desse mês “o tratamento da nodoa phyloxerica do casal do
Valle, propriedade do nosso amigo o sr. Dr. Barros e Cunha” (13 de Agosto).
Ainda nesse mês os vinhedos do concelho, principalmente no
dia 18, foram atingidos por um
“escaldão” que produziu “gravíssimos prejuízos nos vinhedos. Vinhas há, cujo
fructo ficou reduzido a metade, e alguns ainda menos. Parece que a uva foi
queimada pelo fogo!”. Nalguns sítios a temperatura “marcou trinta e tantos graus
à sombra”.
“Em Matacães, Varatojo, Runa, Dois Portos, faz pena ver se
tanto estrago (…).” (27 de Agosto).
O calor da época e as más condições sanitárias do concelho
eram propícias à propagação de uma epidemia de cólera, publicando a edição de
20 de Agosto um conjunto de recomendações para se combater essa doença.
Com esse objectivo o administrador do concelho, “sr.
Gonçalves Rosa”, auxiliado “pelo sr. sub delegado de saúde” efectuou
várias “visitas domiciliárias” para se
inteirar das condições sanitárias da vila. Segundo o articulista, as “condições sanitárias desta
povoação teem melhorado consideravelmente de há um anno para cá; e se não está
tudo com tanto aceio e hygiene, como seria para desejar-se, todavia está
consideravelmente melhorado (…)” (20 de Agosto).
Quanto às obras do caminho-de-ferro, estavam a decorrer as
obras de perfuração do Túnel da Certã , assombradas, na manhã de 18 de Agosto,
por um grave acidente que vitimou mortalmente um dos trabalhadores: “depois de
se fazerem alguns tiros, ali entrava o trabalhador Juan Lopez, de Lugo, foi
victima de explosão de um tiro com que já não contava. Ficou quasi despedaçado
(…)” (27 de Agosto).
No primeiro domingo da segunda quinzena do mês foi a vila
“invadida” por uma “praga de realejos”. “Foram nada menos de quatro que se
fartaram de estafar a moer musica por essas ruas e largos.
“O rapazio teve um dia cheio, fazendo o cortejo dos homens
da manivela, e deliciando-se principalmente com a vista de várias figuras
mecânicas que adornava um d’aquelles apuradores da nossa paciencia.
“Parece que os pobres artistas não fizeram grande colheita,
porque no dia seguinte tinham desaparecido todos como fumo”.
E passava assim mais um mês da vida desta terra, tal com a
descrevia a imprensa de então.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Dália Cunha Sammer, uma torriense de adopção que foi uma das primeiras atletas olímpicas a representar Portugal
Dália e Joseph Sammer são dois nomes conhecidos em Torres
Vedras como professores de ginástica que muito contribuíram para revolucionar
essa disciplina na “Física de Torres”.
Joseph Sammer faleceu há alguns anos e a professora Dália
Sammer continua a cruzar-se connosco nas ruas de Torres Vedras.
O que talvez poucos saibam é que, no passado, ambos
estiveram ligados à primeira representação portuguesa feminina nos Jogos
Olímpicos, mais em concreto nos de Helsínquia em 1952.
A história dessa participação é contada na última edição da
revista Visão História, dedicada à presença de portugueses nos jogos olímpicos.
Rosa Ruela é a autora desse artigo onde se conta a história
dessa presença e de Dália Sammer, aliás, Dália Cunha.
Transcrevemos em baixo a parte do artigo que se refere
àquela torriense de adopção:
“HELSÍNQUIA - ÁS
PIONEIRAS
Por Rosa Ruela
In Visão História de Julho de 2012
“A primeira representação feminina nacional viajou para
Helsínquia em 1952, numa altura em que a Mocidade Portuguesa defendia que o
lugar da mulher era em casa, a coser meias.
“Há quase 80 anos havia um baloiço numas águas furtadas da
Rua Garrett, em Lisboa. Além do baloiço que ameaçava sair pela janela da
mansarda, Hélder Cunha também lá montara uma barra fixa de metal cromado, boa
para elevações, e um poste lisinho. No topo do poste, o dono e senhor de uma
casa de medalhas e condecorações da Baixa, que se orgulhava de ser o fornecedor
da rainha Juliana da Holanda, punha dois tostões e desafiava as filhas, uma com
6 anos e outra com 7, a alcançarem-nos a pulso. Dália e Natália achavam graça a
amarinhar por ali acima. Sobretudo Dália, a mais nova. «Eu alinhava em tudo.
Nunca tinha medo, era muito chalada.»
“O pai dava o exemplo. A par da direção da fábrica, onde
chegou a dar trabalho - e bicicletas - a quatro dezenas de operários, Hélder
Cunha era um desportista fanático que nadava, jogava râguebi, fazia atletismo e
tiro ao alvo. Em novo, fora a pé do Porto a Paris, com uns amigos. Já pai de
família, todos os fim de semana organizava passeios com os empregados, a mulher
e as filhas (um dos preferidos levava-os a pedalar até ao Portinho da Arrábida)
e não resistia a uma pega de caras.
“Mais do que Natália, que sempre a secundou, Dália tinha a
propensão para os exercícios físicos na massa do sangue. Depois de limpar o
sarampo aos outros meninos numa primeira corrida de sacos no Jardim Zoológico,
tinha 9 anos quando se iniciou nas competições com uma prova de tiro ao alvo e
rapidamente estava a ganhar medalhas no atletismo. Corria, lançava o peso,
nadava, fazia equitação, toureava a pé e a cavalo. A patinagem era uma paixão;
no intervalo do liceu ia até ao rinque do Ateneu Comercial de Lisboa, nas
Portas de Santo Antão, saltar ao eixo de patins. Mas seria a ginástica a
tomá-la conhecida, com direito a entrar na coleção de livrinhos ídolos do
Desporto, ao lado de Matateu ou de Travaços. Quando ela conta, parece fácil.
“COMO NO CIRCO
“Quarenta anos após a estreia dos portugueses nos Jogos
Olímpicos, Dália Cunha encabeçaria a primeira equipa feminina, com a mana
Natália e Lurdes Amorim, em Helsínquia, em 1952. Iriam passar mais 32 anos até
uma atleta lusa levar para casa uma medalha (Rosa Mota ganharia o bronze na
maratona, prova em que as mulheres se estrearam exatamente nesse ano de 1984,
em Los Angeles), mas as três mostraram que era possível não fazer má figura,
mesmo quando o desporto nacional se revelava ainda incipiente.
«As outras [ginastas] já faziam [os exercícios] há uma data
de anos, levavam pianista, massagista, maquilhadora...» Nos balneários, Dália
causava sensação com o seu cabelo muito escuro e comprido e a pele bronzeada
pela viagem de barco.
“Nos seis meses anteriores, Joseph Sammer, um alemão da
Baviera que trocara Veneza pelo Ginásio Clube Português, na altura na Rua Serpa
Pinto, no Chiado, treinava sem piedade as oito melhores raparigas que
selecionara na aula de ginástica educativa. Dália já tivera uma professora
alemã, Frieda Waschmann, no Ateneu, com quem fizera paralelas simétricas (dos
homens), exercícios de acrobática e saltos de mesa alemã (uma mesa longa, com
trampolim de molas), mas nada a preparara para a dureza daqueles dias nem para
o aparente mau feitio do novo mestre.
“Sammer tinha mais
nove anos do que ela, o cabelo muito loiro, um corpo de deus grego e começara
mal ao gritar-lhe (em italiano) «Stafermal», durante um pino. «Fiquei furiosa
porque achei que estava a chamar-me nomes», conta. «Só mais tarde percebi que
ele queria que eu estivesse quieta e até acabámos por casar, veja lá.»
“Ex-dama de honor num concurso de Miss Portugal, em poucos
dias o «estafermo» estava a cumprir as ordens do mestre sem hesitações. No
Ginásio Clube já lhe conheciam a fama. Era das que faziam Voos à Léotard,
passando de um trapézio para outro, como no circo, e nem sempre com rede. «Uma
destravada», reconhece. «Só me faltou saltar de paraquedas.»
“Há dez anos, ainda acendia a luz do patamar com o pé, por
graça, e imaginamos que na ignorância dos seus vizinhos do prédio para onde foi
morar, em Torres Vedras, após mais de uma década em Moçambique. Hoje, aos 83
anos, não perde uns Jogos Olímpicos na televisão, a que assiste assumidamente
de boca aberta. «Fico banzada com o que as raparigas fazem. São fantásticas.»
“(…)”
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
à(s)
23:21
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Dália Cunha Sammer,
desporto,
Personalidades.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
A VIDA TORRIENSE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX, nos caracteres da imprensa local (1885-1890) - 7 - Julho de 1885
Julho de 1885
O mês de Julho daquele ano foi um mês de intensa
actividade cultural, ambiente esse a que não seria estranho a época do ano.
Assim, e na transição do mês de Junho para o de Julho “a
companhia dramática ambulante que construiu um barracão-theatro na alameda da
Porta dá Várzea, tem dado bastantes récitas e colhido bons resultados por ser
muito soffrível o desempenho das peças dramáticas e cómicas que tem sido
offerecido ao publico.
“O facto demonstra que a população de Torres Vedras
gosta de theatro, e que é de absoluta necessidade tratar-se quanto antes d’este
importante e util melhoramento (...)”.
Por sua vez a Sociedade Recreativa Fanfarra 24 de
Julho, fundada um ano antes, resolvia comemorar “em igual dia d’este anno a sua installação realizando o
seguinte programa:
“às 8 horas e meia da manhã
- Salva de girandolas de
foguetes, executando a fanfarra no largo da Graça o hynno da Carta.
“Às 10 horas da manhã - Missa rezada na egreja de S. Thiago, durante a
qual a fanfarra executará o pot-pourri da opera “Trovada”. Finda a missa
distribui-se-ha um bodo a 50 pobres, indo em seguida a fanfarra cumprimentar as
principais autoridades locaes.
“Às 8 horas e meia da noite - No Couto que está levantado no largo da Graça, a
fanfarra executará várias peças (...)”.
Entretanto este mês ficaria igualmente assinalado pela inauguração de uma
nova fanfarra, a Sociedade Recreativa Torreense. A festa de Inauguração deu-se no dia 30 de Julho, fazendo-se
desse acontecimento a seguinte noticia:
“Esteve
brilhantíssima a inauguração da sociedade Recreativa Torreense. A Praça
Nova na noite de 30 de Julho, regorgitava de concorrentes, e nas janelas das
casas visinhas viam-se muitas familias desta localidade. A noite estava
formosissima.
“O coreto da fanfarra elevava-se no centro da
praça, e estava caprichosamente illuminado com balões venezianos e vidros de
côres.
“Às nove horas começou a execução do programa, sendo
a fanfarra dirigida pelo intelli- gente director da phylarmónica
Torreense" (da qual eram sócios os músicos da.S. R. T.) “o sr. João Rodigues
da Conceição. Todos os n.°s foram primorosamente executados, mas mereceu
especial menção, o “Passo dobrado” da opereta “Carmen”, e uma polka de Strauss, “L’hiver est
arrivé”, que obtiveram muitas palmas e applausos.
“Finda a execução dos n.os queimou-se um lindo e
surpre hendente fogo de artificio do ar e do chão, que deixou satisfeitíssima
a numerosa concorrência de espectadores. O fogo do ar, principalmente, lançado
de entre as ruinas do vetusto Castello, fazia um explendido effeito. De vez em
quando subiam ao ar pequenos balões cheios de ar quente.
“Consta-nos que o ensaiador da fanfarra foi o sr.
Januário de Miranda, apreciavel amador de musica é bemquisto negociante d’esta
villa".
quarta-feira, 4 de julho de 2012
FEIRA DE S. PEDRO, um certame com 7 séculos de História e histórias...
O texto que aqui se divulga foi por nós escrito em 1993, por
ocasião do 700º aniversário dessa feira centenária, editada numa plaquete com
arranjo gráfico de Antero Valério, e distribuída gratuitamente durante a feira
desse ano, por encomenda da Câmara Municipal.
Passados quase vinte anos sobre a sua publicação, pensamos
que, no essencial, ainda se matém actual, embora não retrate as alterações que
esse certame veio a conhecer a partir de 1999.
Para além de uma ou outra correcção e de lhe acrescentarmos
um parágrafo dando conta, em poucas palavras, das alterações do espaço onde se
realiza, mantivemos o texto original.
Espero que seja um contributo para se conhecer melhor a
importância histórica, económica, social e cultural da Feira de S. Pedro:
O século XIII culminou três séculos de expansão económica da
Europa Cristã e um dos resultados disso foi a formação do reino de Portugal.
Para este reino, o séc.XIII representou o fim da reconquista e o reinado de D.
Dinis (1261 – 1325), iniciado em 1279, o primeiro sem guerra, seria marcado por
uma série de medidas administrativas tendentes a estabilizar a vida económica e
social do reino. Uma dessas medidas foi a doação de Cartas de Feira a um grande
número de localidades, entre elas, Torres Vedras.
Tendo passado pouco mais de cem anos sobre a reconquista, e
"resolvido" o problema do seu povoamento, Torres Vedras recebia, em
1293, a sua primeira Carta de Feira, datada de 20 de Março. Foi a mais antiga
fundada no distrito de Lisboa, era anual e realizava-se de 1 de Maio a 1 de
Junho de cada ano. Era a de maior duração (30 dias) a sul de Santarém.
Virgínia Rau (1), que publicou e estudou as cartas de feira
medievais portuguesas, destacou a originalidade da feira de Torres Vedras, por
ser a única no reinado de D. Dinis em que os rendimentos da portagem e direitos
de feira revertiam a favor de alguém, que não o Rei, como era usual, neste caso
a favor da mãe de D. Dinis, D. Beatriz.
Ainda no reinado deste Rei, a 28 de Abril de 1318, é dada ao
concelho de Torres Vedras uma nova carta de feira anual:
" Carta per que aia feira o Concelho de Torres uedras
“Don Denís pela graça de Deus Rey de Portugal e do Algarue A
quantos esta carta Viren faço saber que eu querendo fazer graça e merçee Ao
Concelho de Torres uedras mando que aia hy feira en cada huu ano que sse começe
primeiro dia de Junyo e dure Ata primeiro dia de Julho por que mando e deffendo
que nenhuu nõ faça mal nen força a nenhuu daqueles que aa ffeira ueeren nen nos
prendan nen penhor en por díuída que deuan nen por outra cousa en quanto
Affeíra durar e viijº dias dante da ffeira e oyto depois que a ffeira sair. E
este tempo Ihys outorgo para poderen hír e uijr seguros con o sseu pero que se
nõ entenda en esta segurança os que ouuessen fecto traiçõ ou Aleyue ou ffosen
meus degredados. nen outro ssi nõ sse entenda que nõ seian penhorados polas
díuídas e pelos preitos que na feira fezeren E qualquer que en outra guisa
penhorasse ou prendesse ou ffezesse outro mal aaqueles que aa feira ueeren en
uijndo Aa feira e estando en ela e nos oyto dias dante e oyto depois ficaria
por meu enmígo e peitaria os meus encoutos de seis mil soldos e corregería en
dobro o mal e a penhora e o desaguisado que a qualquer deles fezesse. E mando
aos Tabaliões dos logares que Ihys den testemunyos do desaguisado que Ihis
outros Alguus fezeren. En testemunyo desto mandey dar ao Concelho de Torres
uedras esta mha carta Dante en Torres Vedras xxbiijº dias dabril El Rey o
mandou Johã dominguis a ffez. Era. Mª-. CCCº-. Lvjª. Anos Steuã da
guarda." (Chancelaria de D. Dinis, liv. III, foi. 119 v.).
Esta nova carta mudava a data da sua realização para os 30
dias entre 1 de Junho e 1 de Julho. Outra importante diferença prende-se com a
alteração do prazo de penhora. Na primeira carta, os feirantes tinham segurança
garantida e isenção de penhora desde os dois dias anteriores ao começo da feira
até dois dias depois desta terminar. Nesta segunda carta, o prazo de segurança
e isenção é alargado para oito dias antes a oito dias depois, o que parece
revelar, não só um acréscimo de importância daquela feira, como um alargamento
da área de influência da mesma aos locais que ficavam, pelo menos, a oito dias
de viagem, o que representa um raio de cerca de quatrocentos quilómetros.(2)
Esses dois documentos de D. Dinis não fazem qualquer
referência ao nome da feira, apenas à sua localização. De qualquer modo, parece
residir nessas cartas a criação da hoje chamada feira de S. Pedro pois, a data
da realização imposta pela segunda doação já coincide com o dia de S. Pedro.
Ana Maria Rodrigues, que estudou Torres Vedras nos séculos
XIV e XV (2), refere que o período de 1 de Junho a 1 de Julho, referido para
realizar a feira na doação de 1318, se manteve ao longo dos dois séculos que
estudou.
A mais antiga referência a uma feira de S. Pedro neste
concelho data de 1456 (3), mas parece referir-se à feira de Dois Portos, de
acordo com a opinião de Ana Maria Rodrigues (4), pois o documento refere-se “aa
feyra de Sam Pedro, que ssefaz em ho termo desta Villa” (5).
A atribuição do nome de S. Pedro à feira de Torres Vedras só
se terá concretizado em 1521 quando D. Manuel, por carta de 16 de Agosto “a
rrequerimento dos Juizes e officiaes da Villa de Torres Vedras, nos ordenamos
ora de se fazer na dita Villa a feira que se cadanno fazia no termo delia, na
igreja de Sam Pedro de Dois Portos por seu dia”. (6)
Não existe neste documento qualquer referência a outra feira
de S. Pedro que se realizasse na vila. Essa transferência faz-se a pedido dos juízes
e oficiais da vila, talvez porque sentissem que aquela feira de Dois Portos
fazia alguma concorrência à feira da vila, que se realizava na mesma altura.
(7)
Esse pedido dos Juizes e oficiais da vila revela talvez,
alguma decadência da feira da vila, daí tanta preocupação em acabar com a
concorrência, enquanto por outro lado parece explicar a futura designação dessa
por aquela como ficou conhecida: Feira de S. Pedro da Vila.
Entramos então num período em que quase tudo se ignora sobre
aquela feira. Provavelmente acompanhou a decadência geral do país nos finais do
século XVI e princípios do século XVII.
Os Anotadores de Madeira Torres, ,na segunda edição inédita
da parte económica da obra “Descripção Histórica e Económica da villa e termo
de Torres Vedras” (8), cujo original existe depositado na Biblioteca Municipal
de Torres Vedras, referem-se a uma Provisão Régia, transcrita no livro 1 de
Registos da Câmara, folha 193, datada de 21 de Janeiro de 1620, mandando mudar
a feira de S. Pedro para o dia de S. Tiago.
Contudo, no séc. XVIII, continuava a realizar-se a feira de
S. Pedro, conjuntamente com a de S. Tiago, conforme se pode ler nas respostas
ao inquérito paroquial de 1758 dadas pelos párocos de Sta. Maria e S. Pedro:
“Ha nesta villa todos os annos huã feira chamada de S. Pedro por se fazer no
seu dia, e comprehende parte do antecedente, e subsquente, e he captiva por
pagar terrado, ciza e portagem." (Padre António Ribeiro, pároco de Sta
Maria).
“ha duas feiras huma em o mes de junho chamada a feira de S.
Pedro por ser no dia do mesmo santo e outra no mês de julho em dia de S. Thiago
por ser também no mesmo dia e ambas são livres". (Padre António José
Faria, pároco de S. Pedro) (9)
Vemos assim que, no séc.XVIII, a feira de S. Pedro
realizava-se num único dia, embora ainda incluísse partes do dia anterior e
posterior.
A 6 de Abril de 1792, o Juiz de Fora e oficiais da Câmara de
Torres Vedras enviam uma carta a D. Maria I queixando-se que apesar de se
costumar “fazer na dita vila no dia 29 de Julho uma feira annual a qual sendo
em outro tempo de uma grande concorrência e abundancia de todos os géneros, se
achava ao presente em uma decadencia e esterilidade promovida talvez não só
pela sujeição da ciza dobrada a que são obrigados os concorrentes, mas até pelo
coartado tempo da sua duração” (10) pelo que pediam que a feira se prolongasse
por mais dois dias, entre 29 de junho e 1 de Julho, sugestão que foi aceite
pela rainha, por provisão de 24 de Maio de 1792, prática que se iniciou logo
nesse ano.
Contudo, esse alargamento não teve grande continuidade pois
todos os documentos referentes a esta feira no séc .XIX e até 1912 (ano em que
mudou definitivamente para os três dias de realização), apenas referem dois
dias de feira.
Madeira Torres, na parte económica da sua obra, editada em
1835 mas escrita por volta de 1819, traça um dos mais interessantes retratos da
feira de S. Pedro no principio do séc. XIX:
“No(...) campo situado ao norte da Villa, o denominado a
Varzea da Feira, ou de N. Senhora do Ameal, se faz annualmente huma feira pelo
S. Pedro, a qual he de grande concurso, mas não de giro commercial
correspondente, porque são raras as vendas de gado e de cavalgaduras, e as mais
geraes, e importantes versão sobre objectos de capella, quinquilharia, e de
loiça. Nestes ramos quasi sempre o consumo he avultado, e no ultimo da loiça
pode dizer-se absoluto. Talvez nenhuma feira tenha huma situação tão aprazível,
e commoda (...) Esta feira he no tempo em que findão os trabalhos rústicos, e
não tem começado as colheitas, pelo que os povos estão mais exhaustos de meios
para propor-se compras: a esta circunstancia se attribue com razão o pouco
comercio que nella se faz; porem não influem menos duas outras circunstancias,
huma a do abuso d’estarem abertas as lojas de mercador, a Capella da Villa,
usurpando estas as vendas da feira, por serem bem sortidas, e pela vantagem d’
esperarem aos compradores pelo custo, ou ao menos pelo resto" (11)
Os anotadores de Madeira Torres, na obra inédita já
referida, acrescentavam: “Como desde 1822 há hum bello arvoredo junto á fonte
do Jardim, as Camaras modernas, depois de 1834 mandarão mudar esta feira para
debaixo do mesmo arvoredo, alem do rio, ou Valia da Estacada, ficando o campo
áquem desta aonde antes ella se ordenava toda, tão somente para o gado de todas
as especies, instrumentos, que servem nas eiras, tabernas, etc."
Nesse novo local, conhecido por Varzea do Jardim, ainda se
realizava a feira em 1869, como se pode ver na acta da Câmara Municipal de 4 de
Dezembro desse ano. (12) Não sabemos a data exacta em que aquela feira passou a
realizar-se na alameda da Porta da Várzea, mas já aí se realizava quando em
1885 surgiu o primeiro periódico torriense, “O Jornal de Torres Vedras”, com a
primeira descrição jornalística desse acontecimento:
“A circunstancia dos dois dias santificados, 28 e 29, fez
antecipar um dia a afamada feira de S. Pedro d’esta villa, na pitoresca alameda
e explanada da Porta da Várzea.(...) N’ esses locais havia um comprido
arruamento de barracas onde esteve exposta à venda uma infinita variedade de
objectos de utilidade e de recreio, fanqueiros, ourives, quinquilheiros louceiros,
botequins, restaurantes, loteria de bebeloques (?), caldeiros, tachos, frutas,
etc. (...)
“Não faltou companhia de declamação, que construiu
expressamente um barracão-theatro, e se propõe demorar algum tempo depois da
feira.
“A afluência de feirantes nos dois dias foi extraordinária,
e fizeram-se muitas transacções.
“A feira foi bem policiada, não havendo felizmente a
lamentar qualquer incidente desagradável.” (13).
Com a inauguração da ligação ferroviária entre Lisboa e
Torres Vedras em Dezembro de 1886 e a regularização dos transportes de
passageiros por essa linha a partir de Maio de 1887, aumentaria
significativamente a afluência de público e a importância desse mercado:
"De a verem tão concorrida, como este anno [1887], não
se lembram os moradores mais antigos d’aqui. Desde o amanhecer até à noite foi
incessante a romaria até ao local da feira, que, sendo tão vasto, tornou-se n
'aquelle dia insuficiente para conter a multidão, que affluiu de todos os
pontos, e o avultado número de barracas de todos os géneros e feitios que ali
estavam armadas. Em todas se fizeram vendas regulares. As de comes e bebes, as
de espectáculos variados, incluindo os "cavallinhos", estiveram
sempre cheias de apreciadores. Gado abundava, mas de qualidade inferior."
(4)
Avançava o mesmo jornal com o número de duas mil pessoas
chegadas nos dois primeiros comboios nesse dia de S. Pedro de 1887.
Coube à feira de S. Pedro a honra de ter exibido em Torres
Vedras uma das primeiras sessões do Cinematógrafo, a 26 de Junho de 1904 [a
primeira teve lugar três anos antes na sede do Grémio].
Com base no já citado trabalho dirigido por António da Silva
Rosa e na nossa própria investigação, juntamos em anexo um quadro onde se podem
verificar algumas das características da feira de S. Pedro referidas na imprensa
local desde 1885 até 1912, ano em que a feira alterou o tempo de duração de
dois para três dias.
De facto, o jornal "Folha de Torres Vedras"
anunciava no seu nº 637 que a Câmara Municipal do Concelho de Torres Vedras
havia publicado o seguinte edital, datado de 4 de Junho de 1912: "A Câmara
Municipal do Concelho de Torres Vedras faz saber que no propósito de facilitar
e desenvolver as transacções comerciais da Feira de S. Pedro, deliberou em sua
sessão de 30 de Maio findo, que a duração da mesma feira, que até agora se
restringia apenas ao dia 29 de Junho, inclusivé durasse portanto três
dias". (12)
(clicar sobre as imagens para ler os quadros)
Contudo a feira irá manter ainda o carácter provinciano que
a caracterizava desde à muito. Nos anos 20 surgem algumas preocupações com
vista a melhorar a organização da feira.
Em sessão de 30 de junho de 1921, a Câmara Municipal
encarrega uma comissão de três pessoas de organizarem uma planta da Porta da
Várzea, destinada à regularização do assentamento das barracas da feira e em 6
de Junho de 1923 era apresentado um projecto de disposição da Feira de S. Pedro
que, aprovado nessa sessão, entrou desde logo em vigor.
Em 1926 ensaiava-se mesmo a organização de uma grande feira
de feição moderna, a 1ª Exposição Agrícola-Pecuária e Industrial de Torres
Vedras, realizada de 22 a 29 de Agosto de 1926 e que, de algum modo, foi a
percursora da moderna Feira de S. Pedro quanto aos seus objectivos.
Ainda na década de 60 do nosso século, a feira de
S. Pedro não diferia muito daquela do século passado, a não ser nalgumas novas
técnicas usadas para chamar a atenção dos clientes, ou nas novas diversões que
acompanhavam os progressos tecnológicos, como se pode perceber pelo texto
publicado no catálogo da feira de 1964 e que nós pensamos ser da autoria de
António Augusto Sales:
"A feira está montada! Todos os anos, nesta mesma
época, neste mesmo dia, nesta mesma hora, a feira existe cheia de sons, de
cores, de vozes. O concelho está, em peso, na vila. Chapéu novo, fato novo,
riso novo a bailar nos olhos vivos e abertos que seguem a roda sem fim dos
cavalinhos.
“O campo da feira é uma densa nuvem de pó. Pó no ar, nos
fatos, nos pés, nas bocas. Pó que vem em ondas e tráz a música ruidosa e
rodopiante dos recintos de diversão. Um mar de gente que come torrão de
alicante,puxa o cordão da sorte, ingere farturas, vai aos automóveis e
cavalinhos, lê a sina e joga a argola de enfiar no gargalo da garrafa.
“Sai sempre, freguês!" A família, com os filhos em
escada, olha a grelha da barraca onde se encontram expostas dezenas de estatuetas
de barro. A vida de Nossa Senhora está escrita no taipal colorido. Lá dentro,
centenas de bonecos pequeninos contam a história da Bíblia.
“Passa a manhã, vem a tarde. Um copo, farturas, uma
sardinha, um copo mais. Vendem-se loiças, panos, colares de lindas fantasias.
“Um tirinho, freguês?!" Chapéus com flor na fita
debruçam-se, gulosos, sobre o cano das espingardas A feira vive! Ás três horas
da tarde ninguém se pode mexer. Além, a lâmina duma navalha abre-se, a coisa
mete guarda. Gritos confundidos com o disco que se repete pela vigésima vez. E
a tarde roda sem se dar por isso.
“À noite, quando o povo da aldeia se retira para casa, a
vila desce ao campo e dá as boas vindas à feira. Gira uma fauna diferente.
Cumprimentos, acenos, sorrisos. Morreu a vivacidade viril que explodia das
veias do homem da terra. Há um tom calmo e pachorrento.
“Todos os anos a feira chega e parte assim (...)”
Foi preciso aguardar pelo 25 de Abril para que a Feira de S.
Pedro desse o gigantesco passo que a transformou na grande feira dos nossos
dias. Numa reunião da Comissão Administrativa da Câmara, realizada a 16 de
Julho de 1974, o vereador João Carlos apresentou uma proposta de formação de
uma comissão, que preparasse um estudo de planificação, para fazer da
tradicional Feira de S. Pedro uma grande feira agro-industrial capaz de
projectar a realidade económica da região, propondo o mesmo vereador para
secretário-geral da comissão o saudoso Francisco José Vieira Jerónimo. Fizeram
parte dessa primeira comissão: António Augusto Santos, António Cláudio, António
dos Santos Verino, Armindo do Amaral Pereira, Domingos dos Santos, Guilherme
Filipe, José Alberto dos Santos, Manuel Candeias, Mário Fernandes da Cruz,
Orlando de Sousa Correia, Francisco J. Vieira Jerónimo (secretário-geral),
Manuel Carlos S. Penetra (vereador do pelouro).
Aprovada a proposta por unanimidade, começou desde logo essa
comissão a preparar a Feira de S. Pedro de 1975, a primeira de uma nova era da
sua já longa história.
Uma das primeiras novidades desta “nova” feira foi o
alargamento do número de dias desse certame, para nove dias (de 28 de Junho a 6
de Julho), média que se tem mantido até hoje (nalguns anos chegou a dez dias,
noutros oito dias, apenas com duas excepções: seis dias em 1977 e onze dias em
1979).
Para a realização da feira de 1975 foram convidadas
colectividades culturais e desportivas do concelho, instituições de
assistência, empresas industriais e comerciais.
O recinto da feira estendeu-se para sul, informando o jornal
“Badaladas” de 31 de Maio desse ano que “o piso será cuidadosamente preparado e
metodicamente alinhados os seus pavilhões, stands, barracas, etc., tudo
enquadrado na maior harmonia possível, com as decorações e iluminação do vasto
recinto, que se espera venha a dispôr, também de uma instalação sonora
condigna, eficiente e única, evitando-se, assim, os ruídos desordenados,
ensurdecedores e incomodativos, verificados em anos anteriores."
Foram construídos três pavilhões temáticos: o de Turismo, o
Regional e o Desportivo. Concertos musicais, sessões de luta greco-romana,
fados e guitarradas, folclore, sarau gimno-desportivo, concurso de quadras
populares e fogo-de-artifício faziam parte do programa da feira.
Um grupo musical do concelho, então em ascensão, os CTT
(Conjunto Típico Torrense) animava bailes populares todas as noites.
Pela primeira vez nos últimos 50 anos programava-se uma
tourada em Torres Vedras, numa praça desmontável com capacidade para 2500
pessoas.
Os Bombeiros Voluntários marcavam a sua presença com a sua
banda, presença essa que passaria a ser obrigatória todos os anos.
O acto de inauguração tinha lugar a 28 de Junho, pelas 10
horas, com discurso do secretário-geral da organização, Francisco Manuel
Fernandes.
“Em seguida, as entidades oficiais e convidados,
acompanhados da Banda dos Bombeiros Voluntários, visitaram o recinto, depois de
se proceder a uma largada de pombos. E continuou a Feira com carrocéis,
automóveis eléctricos, poço da morte, cestas voadoras, tourada, variedades
tauromáquicas, concertos musicais pela nossa Banda e pela Banda da Escola
Prática de Infantaria (Mafra), ranchos folclóricos da Fonte Grada, Campelos,
Colaria e Varatojo, todos deste concelho, fados e guitarradas, concursos de
quadras populares, tombolas, saraus gimno-desportivos, bailes populares,
barracas de quinquilharias, louças, ferragens, roupas, calçado, farturas, comes
e bebes, fogo de artificio, etc., etc. Pavilhões de Turismo, Desportivo,
Regional e dez stands industriais”. (15)
Em 1976 manteve-se a animação do ano anterior com algumas
novidades, como a organização de uma “Grande Exposição de Fotografias”, um
“Cortejo Cívico” no dia da inauguração, pelas principais artérias da vila e a
organização de carreiras especiais de autocarro durante os nove dias da feira
para permitir a deslocação das populações vizinhas e do concelho às animadas
noites de feira. O número de pavilhões industriais aumentou para quinze, e
ainda outras novidades apontadas pelo jornal “Badaladas” de 10 de Junho: “Como
nota simpática e quase inédita no concelho, deverão incorporar-se no cortejo
inaugural, mais de uma dezena de cavalos e seus respectivos cavaleiros e
amazonas, trajando a rigor, como primeira apresentação em público, da futura
Escola de Equitação, a inaugurar em breve em Torres Vedras.
“No recinto da feira terão lugar outras mini-feiras, como a
do gado, da agicultura (...) e a do livro.
“Na noite de domingo, 27 de Junho, dia das Eleições
Presidenciais, a organização, não esquecendo o superior interesse dos
portugueses por este transcendente acto da vida nacional, montará no Auditório,
um écran gigante com o respectivo televisor (...)"
Eram as primeiras eleições presidenciais livres em Portugal,
que seriam vencidas por Ramalho Eanes, a antecipar na feira de Torres Vedras a
revolução audiovisual que marcaria os anos 80.
O ano de 1977 não trouxe grandes novidades à feira, a não
ser a redução do número de dias para seis. As mudanças no executivo camarário,
com a realização das primeiras eleições autárquicas livres e a doença que vitimaria
Francisco Jerónimo talvez tenham contribuído para essa situação.
Mas logo em 1978, a feira regressaria à força inicial. Ao
longo de oito dias o recinto da feira voltar-se-ia a animar e, pela primeira
vez, à inauguração estaria presente um membro do governo, o então ministro da
administração interna, Dr. Jaime Gama e ao acto seriam convidados os
presidentes de câmara de concelhos vizinhos (Bombarral, Alenquer e Sobral). A
feira ultrapassava de vez as “fronteiras” do concelho e mesmo nacionais, ao
contar com a presença do adido comercial da embaixada da União Soviética, dos cônsul
e vice-cônsul dos Estados Unidos da América e do 1º secretário da embaixada da
Holanda.
Em 1979 Torres Vedras era elevada à categoria de cidade e a
imagem de crescimento dada pela feira do ano anterior seria comprovada, não só
pelo aumento do número de expositores e do espaço coberto, mas também pelo
aumento do número de dias de feira para onze, a maior extensão de tempo que
esta teve até hoje.
Uma comissão renovada iria dar um novo impulso e marcaria a
viragem para o segundo período da “nova” feira. Era formada pelos seguintes
elementos: Acácio Garcia Patusco, Agripino Marcelino, António dos Santos
Verino, António Luis de Almeida Cláudio, Armando Manuel Fernandes, Augusto
Manuel Nunes da Cunha, Cândido Henriques, José Alberto dos Santos, José
Quaresma Ramos, Joaquim Mendes, Francisco Porfírio, Francisco Valadas
Constâncio, Humberto Elias da Silva Anacleto, Luis António Maldonado Rodrigues,
Manuel César Candeias, Mário Nestor Barreira Abrantes, Orlando Sousa Correia,
Renato Fernandes Valente e Virgílio Bizarro.
Esta comissão seria alargada, ou alguns dos seus nomes
substituídos, por novos elementos para a organização da Feira de S, Pedro: Dr.
José Augusto de Carvalho, que passaria a presidir à comissão, Carlos Manuel
Ribeiro Cunha, Francisco Bernardes, Gilberto Pedro Lopes e Joaquim Jordão
Pereira.
A feira de 1980 realizar-se-ia em nove dias e no seu
programa então distribuído, definiam-se os objectivos deste certame: “Esta
feira centenária, destina-se a mostrar ao país as potencialidades do concelho
de Torres Vedras e da região do Oeste no qual se integra, especialmente no que
concerne à agricultura, pecuária, comércio, indústria, turismo e actividades
sócio-culturais.” Em 1981 a inauguração contaria pela primeira vez com a presença
de um Presidente da República, o General Ramalho Eanes.
No ano seguinte, em 1982, eram referenciados quarenta e três
expositores em stand descoberto e quarenta e dois em stand coberto, contando
este ano como novidades a realização do 1-Raid Hípico e do 1° Concurso de
Fotografia. Dois anos depois, em 1984, tinha lugar o 1º Concurso de
Canicultura.
A partir de 1985 a feira conheceu um novo salto qualitativo,
com a entrada de novos elementos para a sua comissão, dirigida agora pelo
vereador Dr. António Carneiro, situação essa que logo se revelaria em 1986, na
primeira feira “pós-CEE". Foi então criada uma estrutura operacional
designada por "Serviços de Cultura e Turismo", constituindo-se uma
equipa permanente e polivalente de trabalhadores, para as áreas administrativas
e operárias, permitindo desde então um trabalho em continuidade. Essa mesma
estrutura está ligada a outras actividades anuais da Câmara Municipal,
designadamente, o Carnaval e a Festa das Vindimas.
Não só se mantiveram iniciativas de anos anteriores, como
teria lugar nesse ano a 1º Grande Espera e Largada de Touros da Feira de S.
Pedro, a 2ª Corrida de Galgos (retomando uma iniciativa de 1974), a 1° Taça de
Honra do Chinquilho, um Cortejo Etnográfico e um Encontro de Bandas do
Concelho, com a presença das Bandas de Campelos, Aldeia Grande, Bombeiros
Voluntários, Ermegeira e Ribaldeira.
A feira conheceria então um grande salto qualitativo e
quantitativo, atingindo em 1989 o auge do seu crescimento possível no espaço de
ocupação tradicional. Nesse ano de 1989 contou-se com cento e sessenta e três
expositores em área coberta e setenta e oito em área descoberta, num total de
quinze pavilhões e setenta e oito stands. Começa-se então a falar na
necessidade de redefinir o espaço da feira, tanto mais que se projecta uma zona
verde para o norte do recinto e a sua expansão para sul fica limitada pela nova
Escola do Ensino Básico e por um Centro Empresarial.
Ao longo da segunda metade dos anos 80 a própria feira e o
seu espaço dariam lugar a várias exposições temáticas que se realizam ao longo
do ano.
Em 1990, o vereador do sector de Turismo, levou à Câmara a
constituição de uma nova comissão executiva para a Feira de S. Pedro, a qual
funciona agregada a uma comissão de apoio, e que é aquela actualmente em
funções.
Em entrevista concedida ao jornal “Badaladas” de 26 de Junho
de 1992, o vereador e presidente da comissão da feira, António Carneiro,
referia que ela era “a feira possível. E mesmo o ano (1992) em que tivemos que
fazer mais ginástica, física e mental, para que coubesse ali naquele espaço”.
No entanto mostrava esperança numa rápida alteração da situação: “ A Câmara em
recente reunião aprovou, na generalidade, uma proposta apresentada por mim em
nome da comissão, para a deslocação da feira para um local encostado ao
perímetro urbano da cidade, num dos pontos cardeais da mesma, rumo a Stª Cruz.
(...)
“O local é maior do que a actual Várzea. Só faltam as
negociações com os proprietários dos terrenos agrícolas e a vontade política e
financeira da Câmara, porque, sem sombra de dúvidas, em termos de condições
naturais, colocação, acessos e ambiente, fazíamos um dos melhores parques de
exposições regionais do País.”
Esse objectivo acabou por se concretizar em 1999, ano em que
a feira se realizou pela primeira vez no seu actual espaço, no então recém
criado Parque Regional de Exposições, com 40 mil metros quadrados, situado a
norte do anterior espaço da Várzea que, entretanto, daria lugar ao Parque da
Várzea.
O actual certame realiza-se à volta do pavilhão central, que
tinha sido utilizado na Expo 98 e adquirido pelo município, ao qual se juntou,
e 2004, um Pavilhão Muitiusos.
Ao mesmo tempo a responsabilidade da organização do evento
passou para a responsabilidade da empresa municipal Promotorres.
Bibliografia e anotações:
1- Rau, Virgínia "Feiras Medievais Portuguesas -
subsídios para o seu estudo" Ed. Presença, Lisboa, 1982
2- Rodrigues, Ana Maria "Torres Vedras - A vila e o
termo nos finais da Idade Média" Ed.Universidade do Minho, Braga, 1992
3- Sousa, J. M. Cordeiro de "Fontes Medievais da
História Torreana" Ed. Câmara Municipal de Torres Vedras, 1957
4- Rodrigues, op. cit., pág. 246
5- Sousa, op. cit., pág. 76
6- Sousa, op. cit., pág. 166
7- Rodrigues, op. cit., pág. 245
8- Torres, Manoel Agostinho Madeira "Descripção
Histórica e Económica da villa e termo de Torres Vedras", Memórias da
Academia Real das Ciências de Lisboa Tomo XI, Parte II, Ia Série, 1835
9- "Memórias Paroquiais", Paróquia de Sta. Maria
de Torres Vedras e Paróquia de S. Pedro de Torres Vedras, Volume 37, Arquivo
Nacional da Torre do Tombo
10- Vieira, Julio, "Torres Vedras, Antiga e
Moderna", Torres Vedras, 1926, pág. 213, citando o "Livro de Registos
da Câmara", n2 25, folha 85
11- Torres, op. ct., pág. 282.
12- "Feiras do Concelho de Torres Vedras" Trabalho
realizado pelos alunos do 6a ano nocturno de 1988/89, na disciplina de
"Formação Complementar", dirigidos por António da Silva Rosa. Exemplar
existente na Biblioteca Municipal de Torres Vedras
13- "Jornal de Torres Vedras" de 2 de Julho de 1885
14- "Voz de Torres Vedras" de 2 de Julho de 1887
15- "Badaladas” de 12 de Julho de 1975
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
à(s)
10:40
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Documentos,
Feira de S. Pedro,
Feiras e Mercados,
Fotografias antigas,
História contemporânea torriense,
história local,
História Medieval de Torres Vedras,
História Urbana de T. Vedras
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















