Torres Vedras e a História (breves apontamentos, esboços, documentos, efemérides, estudos, fotografias, notícias...)
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
FIM DE TARDE OUTONAL EM SANTA CRUZ
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Venerando António Aspra de Matos
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
A Pera Rocha em livro
A editora torriense “Livro do Dia” publicou recentemente o livro “Pera Rocha do Oeste – Quintas e Produção”, da autoria de Frederica Jordão e Armando Torres Paulo, com fotografias de Manuel Guerra Pereira.
Nessa obra ficamos a saber a história e a origem desse tipo de fruto, identificado pela primeira vez na região em 1836, quase tão importante na região Oeste com a produção vinícola, bem como os principais centros de produção da região Oeste, incluindo-se ainda várias receitas que têm a Pêra Rocha como principal ingrediente.
Ao todo, na região Oeste e mais para sul, englobando os concelhos de Mafra, Torres Vedras, Lourinhã, Bombarral, Cadaval e Alcobaça, a produção de pera rocha ocupa, no seu conjunto,10 mil hectares de pomares.
O livro visita ainda 13 das mais importantes quintas onde se produz esse fruto, 4 no concelho de Torres Vedras, 3 no Bombarral, 2 no Cadaval e outras tantas em Alcobaça, uma em Mafra e outra na Lourinhã.
Em Torres Vedras as quatro quintas referidas são a Quinta da Albergaria e a Quinta do Bom Sucesso, ambas na freguesia de Campelos, a Quinta do Maxial, com sede social na freguesia do Ramalhal, e a Quinta da Viscondessa, no concelho do Turcifal.
Numa altura em que tanto se fala no regresso à agricultura, é importante conhecer as potencialidades da região onde vivemos, o que torna esta obra fundamental para ficarmos a conhecer melhor a identidade económica da região Oeste.
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Venerando António Aspra de Matos
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domingo, 20 de novembro de 2011
O TORREENSE ESTÁ NOS OITAVOS DE FINAL....
Ao ganhar ao Rio Ave, após o prolongamento, por 3-2, o Torrenese passa aos oitavos de final da Taça de Portugal:
abola.pt (ler aqui os rsultados)
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Venerando António Aspra de Matos
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sábado, 19 de novembro de 2011
MAR DE VINHAS (entre o Turcifal e a Ventosa)
Fotografias tiradas esta manhã, na companhia do meu amigo Francisco Bastos, que me guiou pelo meio deste mar de vinhas.
Este vale fica entre as Quintas do Vale de Galegos e do Ulmeiro a poente, Quintas da Almiara e do Infesto a norte, e a Serra da Vila e Turcifal a nascente.
Quinta do Vale de Galegos (Ventosa)
Quinta de Vale de Galegos (Ventosa)
No monte, Serra da Vila.
Quinta da Almiara, Ventosa
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Termas dos Cucos
"Das termas aos spas: reconfigurações de uma prática terapêutica" foi um projecto levado a cabo pelo Instituto de Ciências Sociais e pelo Centro de Estudos de Antropologia da Universidade de Lisboa que contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os resultados da investigação estão num site que disponibiliza um extenso inventário de nascentes portuguesas com reportados usos terapêuticos, das termas mais famosas às fontes menos conhecidas. Sobre as termas dos Cucos tem uma extensa nota histórica e bibliográfica que pode ser consultada em aqui. A titulo de curiosidade disponibiliza-se também aqui o projecto que a empresa Acqualibrium tem para as termas dos Cucos.
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Termas dos Cucos
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Tem Hoje início mais um Festival de World Music, Acordeões do Mundo
Integrado nas festas da cidade de Torres Vedras, que ontem tiveram o seu início oficil, começa hoje mais um festival de World Music dos "Acordeões do Mundo", cujos espectáculos principais têm lugar no Teatro- Cine Ferreira da Silva.
Carlos Mota, o coordenador e organizador deste festival, está mais um vez de parabéns.
Acordeões do Mundo (ver programa completo clicando na frase)
terça-feira, 4 de outubro de 2011
TORRES VEDRAS, A PIDE, E AS COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM 1956
Essa data era assim vista com particular preocupação pelo regime, dando origem a uma especial vigilância, por parte da PIDE, sobre o modo como essa oposição comemorava essa data.
É esse o tema do relatório, que a seguir transcrevemos, escrito por um sub-inspector daquela polícia política, sobre as movimentações da oposição durante as comemorações dessa data no ano de 1956, relatório que descobrimos na investigação que estamos a fazer sobre os dados sobre Torres Vedras existentes no Arquivo da Pide:
“Relatório
“Excelentissimo Senhor
“Estando em gôso de licença graciosa no lugar de Ermigeira, a cerca de 8 quilómetros de Torres Vedras e efectuando-se naquela vila a comemoração do 46º aniversário da implantação da República Portuguesa, por parte oposicionista, por imperativo de consciência profissional desloquei-me ali nos passados dias 4, 5 e 6 a fim de observar os diversos actos efectuados e tudo o que os mesmos se relacionasse; por isso cumpre-me relatar a V. Exª o que dentro da medida possível me foi dado observar: -
“A comissão, que fez distribuir um programa dos actos a realizar – documento nº 1-, era composta por:
“Ernesto Carvalho dos Santos – Advogado;
“Victor Cesário da Fonseca – Industrial;
“Augusto Bastos Troni – Médico;
“Pedro Mendes Fernandes – empregado do “café Império”;
“Adalberto Simões de Carvalho – empregado de escritório da casa “Florindo Chagas”;
“Francisco Amado Ceia – barbeiro; sendo seus principais elementos activos os Drs. Carvalho dos Santos e Troni.
“Igualmente a comissão mandou proceder à impressão de grande quantidade de verbetes com a legenda “ES REPUBLICANO? COLABORA NAS COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO”, que os seus membros, (especialmente o Dr. Troni fez entrega em grandes quantidades a pessoas de confiança) tinham por missão lançar e distribuir – documento nº 2.
“A propósito deste impresso devo informar V. Exª que poucos foram distribuídos, pois era raro vê-los espalhados pela rua, pelos cafés ou pelos estabelecimentos comerciais.
“A comissão para abrilhantar os actos fez vários convites às bandas musicais dos arredores, uma das quais a da localidade onde me encontrava – Documento nº 3 – que foi ajustado pela importância de 1.300$00 sendo a missão desta, percorrer as ruas da vila, tocando como atractivo.
“No dia 4 passado, por verificar qua a banda a que o programa se referia era a de Ermigeira, abordei os seus músicos e fiz-lhes ver o caracter das manifestações a que se iriam associar, aconselhando-os a não irem, tanto mais que a referida banda é subsidiada pela Câmara Municipal, ao que todos concordaram, preferindo ir para os trabalhos do campo.
“Nesse mesmo dia 4 à noite, o Dr. Troni voltou a abordar os componentes da referida banda e ao saber da resolução pelos mesmos assumida, foi informado que havia sido eu a demovê-los, motivo por que a mim se dirigiu.
“Houve uma pequena troca de palavras tendo eu focado o cunho retintamente comunista de que se revestiam tais manifestações, pelo que o referido Dr. Troni se retirou para Torres Vedras visivelmente contrariado, não sem que antes me ativesse atribuído “gaves responsabilidades” (sic) na atitude então assumida pela banda.
“Nesse mesmo dia 4, à noite, geraram-se as primeiras inteligências [?] entre os elementos da comissão a ponto de na alvorada do dia 5 já não estar presente a “Banda Recreativa Torreense”.
“Fosse por falta da banda de Ermigeira, ou porque fosse, não foram levadas a efeito a homenagem à memória do primeiro republicano português às 12,30 horas e bem assim a saudação à Bandeira Nacional hasteada nos Paços do Concelho, às 18,30 horas e em que a referida banda da Ermigeira deveria tocar o Hino Nacional.
“Apenas houve os concertos pelas bandas “Recreativa Torreense” das 20 às 22 horas e da dos “Bombeiros de Torres Vedras” das 22 até // cerca das 24 horas, num coreto improvisado na Praça do Império.
“Houve, finalmente, cerca das 20, 30 horas, um jantar de confraternização que teve lugar no Hotel das Termas dos Cucos há cerca de 1 quilómetro de Torres Vedras, ao qual assistiram cerca de 50 pessoas que se fizeram transportar nas viaturas: [segue-se uma lista com 21 matrículas de automóveis e de uma “lambreta”] (…).
“ A este jantar faltaram devido às desinteligências havidas, os membros da comissão Pedro Mendes Fernandes e Francisco Amado Ceia [estes eram provavelmente membros do Partido Comunista que eram acusados, numa carta de Vitor Cesário da Fonseca a Helder Ribeiro,, apreendida pela PIDE, pelo fracasso das comemorações: “a gente nova, fez asneira. Os comunistas, que de entrada deram a sua adesão, por birra inexplicável e muito própria deles quando não podem impor a sua opinião, há última hora não apareceram, e até fizeram contra vapor”], tendo o Dr. Carvalho dos Santos falado em primeiro lugar, mas retirando logo em seguida protextando [sic] afazeres profissionais, quando o certo é que já havia previamente combinado uma chamada telefónica reclamando a sua presença noutro local.
“Discursou no referido jantar além do Dr. Carvalho dos Santos, Luís Pereira Brandão de Melo, guarda livros da firma “Francisco Alves & Filhos”.
“A comissão fez também imprimir um convite ao “comércio e à industria” que fez espalhar pelos diversos estabelecimentos comerciais – documento nº4 – de facto a quase totalidade dos estabelecimentos comerciais encerrou cerca das 15 horas, tendo os seus proprietários ido uns para a caça, outros para a praia de Santa Cruz, em virtude de o dia se apresentar convidativo.
“ A Legião Portuguesa pretendeu espalhar uns “ciclostilados”[?] sobre a actividade do “partido comunista português”, mas, segundo julgo, não teve oportunidade de o fazer – documento nº 5.
“Foram convidados para a a comissão Raimundo dos Santos Porta e Álvaro Ramalho, ambos já com antecedentes nesta Polícia por pertencerem à organização do referido “partido”, o primeiro pelo Dr. Troni e o segundo por Pedro Mourão, tendo-se ambos recusado a participar nas referidas manifestações.
“Foram vistos na tarde do dia 5, em Torres Vedras, possivelmente para tomarem parte no jantar, dois indivíduos conhecidos pelas suas ideias oposicionistas: Mirtil Pereira Rodrigues, do Cadaval e o professor Mesquita, de Dois Portos.
“Exposto o que me foi possível apurar, deixo ao alto critério de V.ª Ex.ª a sua apreciação.
“Porto, 10 de Outubro de 1956
“O Sub inspector
“a) José da Costa Pereira”.
In Arquivo Nacional da Torres do Tombo, Arquivo da PIDE/DGS, Processo Individual 19274, delegação do Porto, referente a Victor Cesário da Fonseca.
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Investigadores querem tornar visitáveis jazidas de dinossauros em Torres Vedras
O jornal Público de hoje dedica uma grande reportagem sobre as recentes decobertas de jazidas de dinossauros no concelho de Torres Vedras e que pode ser lida em parte nesta transcrição de MafraHoje:
Investigadores querem tornar visitáveis jazidas de dinossauros em Torres Vedras | MafraHoje (clicar para ler).
Mais informações sobre este tema podem ser lidas aqui no blog da Associação Leonel Trindade.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Lançado um novo volume da revista VISÃO HISTÓRIA, dedicado às Invasões Francesas
Foi colocado hoje nas bancas o nº 13 da única revista de divulgação histórica existente em Portugal, "Visão História", que dedica o tema desta edição às Invasões Francesas.
A revista publica vários estudos, acompanhados por mapas, imagens e quadros cronológicos bastante detalhados, da autoria de alguns dos mais conceituados especialistas nacionais sobre esse importante período histórico.
Como não podia deixar de ser, as Linhas de Torres Vedras ocupam um lugar de destaque nesta edição, incluindo-se um artigo da autoria de Carlos Guardado Silva , "As inexpugnáveis Linhas de Torres Vedras", onde se inclui o mapa que aqui reproduzimos.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A praia Formosa é um oásis no vendaval de Santa Cruz
A Praia Formoso, em Santa Cruz, foi o tema de uma reportagem publicada recentemente no jornal "i", e que aqui reproduzimos:
A praia Formosa é um oásis no vendaval de Santa Cruz (clicar para ler).
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
"Sete mil estão contra aterro em Torres Vedras
"Um grupo de cidadãos de Torres Vedras entrega hoje na câmara local uma petição com sete mil assinaturas contra a instalação de um aterro de resíduos industriais não perigosos na freguesia de A-dos-Cunhados.
"No texto que acompanha o abaixo- -assinado, os subscritores alertam que existem habitações a 500 metros do local para onde está previsto o aterro.
"Os peticionários lembram ainda que a infra-estrutura vai situar-se sobrea «falha sísmica Torres Vedras/Montejunto» e «sobre o sistema aquífero de Torres Vedras»".
(Fonte “DESTAK”, 12 de Setembro de 2011)
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A "Escola" de Torres Vedras - reflexão sobre a historiografia local.
ESTUDOS VEDROGRÁFICOS: A “Escola de Torres Vedras”.
Existe uma longa tradição de estudos sobre a sua história e o seu património, que remonta à primeira tentativa de escrever uma primeira monografia ainda no século XVIII, um estudo e recolha de notícias da autoria do capitão Luiz Botto Pimentel Corte Real, datado de 1729, “Livro de Notícias Várias…”, que infelizmente não chegou a conhecer a luz do dia, mas continua preservado no Arquivo Municipal de Torres Vedras.
A primeira obra impressa que versa a história local, embora num tema muito específico, é uma “História do [convento] do Varatojo”, da autoria de Frei Manuel Maria Santíssima, editada em 1799.
Contudo, devemos balizar o primeiro período historiográfico torriense ente monografia de Madeira Torres do início do século XIX e a de Júlio Vieira, do início do século XX e recentemente reeditada.
O padre Madeira Torres, que foi deputado da primeira constituinte, bom conhecedor dos arquivos paroquiais e municipais locais, publicou dois artigos, nas “Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa”, sobre Torres Vedras, um primeiro, em 1819, de carácter histórico, e um segundo, em 1835, de carácter económico, justamente considerados o “actos fundadores” da historiografia torriense .
A meio do século XIX dois “notáveis” torrienses, homens activos na vida política e municipal durante a afirmação do liberalismo, José António da Gama Leal e José Eduardo César de Vasconcelos, pegaram nos artigos de Madeira Torres e, acrescentando-lhes um conjunto de valiosíssimas notas de rodapé, que tiveram como base, principalmente, o ainda hoje valiosíssimo arquivo municipal, ao qual tiveram acesso por causa das suas funções municipais, assim como a recolha na tradição oral e à memória da própria vivência pessoal, e editaram o primeiro livro de História Torriense, tendo como base a parte histórica dos artigos de Madeira Torres, intitulado “Descripção Histórica e Económica da Villa e Termo de Torres Vedras – parte histórica”, publicado em 1862, e que passou à história como “a monografia de Madeira Torres”.
Os mesmos anotadores prepararam a edição de um segundo volume, com a parte económica do estudo Madeira Torres, com as mesmas valiosíssimas anotações, mas nunca a conseguiram editar. Felizmente os originais dessa segunda parte da obra de Madeira Torres, devidamente organizados em vários cadernos, prontos para edição, existem no Arquivo Municipal de Torres Vedras e, segundo nos constou, serão em breve editados.
Há quem diga que a quantidade e a qualidade de informação que os anotadores de Madeira Torres acrescentaram aos dois textos deste, são muito mais valiosas e interessantes do que os originais de Madeira Torres.
A Monografia de Madeira Torres, anotada por aqueles dois torrienses, conheceu uma edição fac-similada em 1988, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras.
Ainda no século XIX é de registar outra obra, de temática muito específica, a “Descripção do Real Asylo de Inválidos Militares de Runa”, da autoria de Souza Escrivanis e editada em 1882.
Não nos podemos esquecer das muitas memórias editadas por essa Europa fora, em especial na Grã-Bretanha, versando a passagem pela região de Torres Vedras, entre 1807 e 1810, por ocasião das Guerras Peninsulares, de militares de todo o “mundo” e de várias patentes, muitas delas reveladas nos últimos anos, por ocasião do bicentenário desses acontecimentos, nos quais esta região desempenhou um papel importante e fundamental.
À precocidade no interesse pela história local torriense, para além da existência e divulgação daquelas obra, não terá sido estranho o facto de, desde muito cedo, a partir de 1885, ter existido uma imprensa local regular, contando muitas vezes com mais do que um título semanal, situação que se prolongou até ao princípio dos anos 30 do século XX, onde, desde sempre, se revelou interesse em divulgar todo o tipo de documentos e ensaios sobre a histórias local e o seu património.
Aliás, esses mesmos jornais são hoje uma valiosíssima fonte para a história local contemporânea.
Saiu exactamente do jornalismo de divulgação a segunda monografia marcante sobre a história e o património de Torres Vedras, a obra de Júlio Vieira de 1926, e reeditada este ano, “Torres Vedras Antiga e Moderna”.
Com este obra fechava-se o primeiro ciclo, que consolidou o interesse e a divulgação da história torriense.
Entre os anos 20 e 60 do século passado poucas inovações se podem registar ao estilo, metodologia e informações reveladas naquelas duas obras.
Não devem contudo ser desprezados algumas iniciativas dispersas e pontuais de interesse pela história local, através da publicação de vários ensaios na imprensa local, ou em separatas ou folhetos, da autoria de um Rafael Salinas Calados (com destaque para o seu estudo sobre a Misericórdia de Torres Vedras, editado em 1936), de um Rogério de Figueiroa Rêgo, este nos domínios da genealogia, e da afirmação de uma historiografia regionalista e elitista, mas onde se revela um especial cuidado no tratamento e divulgação de fontes, principalmente sobre a época moderna e o início do século XIX, afirmando tardiamente a metodologia positivista em termos de história local. A sua obra “Alguns Sumários das Notas de Vários Tabeliães da Vila de Torres Vedras nos séculos XVI e XVIII”, editada em 1970, é ainda hoje uma importante obra de referência para o estudo do Antigo Regime.
Ao longo da primeira metade do século XX, com cultores que continuaram nas décadas seguintes, muitos foram aqueles que revelaram curiosidade pela História local, recorrendo a um certo “coleccionismo” de factos e documentos e à recolha dispersa de memórias e acontecimentos, destacando-se neste caso um Gabriel Pereira, dedicando um interessante capítulo da sua obra “Pelos Subúrbios e Vizinhanças de Lisboa” , editada em 1910, à história e património torrienses, um Artur da Silva Lino, um Pedro Garcia Anacleto, um França Borges ou, mais recentemente, um Adão de Carvalho.
Algumas publicações revelaram-se um importante centro de divulgação do publicismo da história torriense, como as edições especiais da revista “Hora” nos anos 30 e 50, ou o Boletim da junta Distrital da Estremadura que se editou entre os anos 40 e 80 do século passado.
Não nos podemos esquecer, entretanto, do grande desenvolvimento e da grande ruptura cronológica que representou, sobre o conhecimento do passado local, o elaborado trabalho arqueológico de Leonel Trindade e Aurélio Ricardo Belo.
Ao primeiro deveu-se a importante descoberta do Castro do Zambujal e ao segundo a descoberta do povoado eneolítico do Penedo, nos anos 30. Essas descobertas atraíram o interesse do prestigiado Instituto Arqueológico Alemão, que ainda hoje mantém uma laboriosa parceria com as autoridades locais em várias campanhas arqueológicas que ainda hoje continuam, bem como na publicação de uma vasta bibliografia, muito dela na língua alemã, sobre a pré-história da região de Torres Vedras.
A fundação do Museu Municipal em 1929 conheceu então uma grande projecção com as descobertas arqueológicas daqueles dois torrienses.
Recorde-se que a primeira grande descoberta arqueológica em Torres Vedras tinha acontecido em 1909, com a descoberta do Tholos do Barro pelo frade jesuíta Lapierre.
Com o aparecimento do jornal “Badaladas” em 1948, o interesse pela historia e pelo património locais conhecerem um novo fôlego, habituando-se aquele jornal, que se tornou semanário no início da década de 60, a acolher nas suas páginas trabalhos de investigação e divulgação, alguns de grande fôlego e que não teriam grandes possibilidades de conhecer a luz do dia se não fosse o interesse que o padre Joaquim Maria de Sousa , fundador desse jornal, sempre demonstrou pela história local.
Quem quiser fazer história local sem consultar muitos desses ensaios publicados nas páginas desse semanário não está a fazer um trabalho completo, científico e sério.
Para além de podermos acompanhar nas suas páginas o trabalho arqueológico de um Leonel Trindade, aí foram publicados vários artigos valiosos para a história local, como por exemplo os estudos de Aurélio Ricardo Belo sobre os vestígios romanos no concelho.
A partir da década de 60 um outro período da história torriense vai conhecer um significativo desenvolvimento, a Idade Média. O interesse por esse período, que leva à publicação de alguns trabalhos de âmbito universitário, está relacionado com a vasta documentação sobre este concelho existente no Arquivo da Torre do Tombo, com destaque para uma completa inquirição de 1309 que abrange, detalhadamente, toda a área do concelho de Torres Vedras na Idade Média. Destacam-se os estudos de H.B. Johnson em 1970, um historiador colaborador dos “Annales”, os trabalhos do padre franciscano Félix Lopes na “Lusitânia Sacra”, nos anos 60 e 70, a tese de Maria Julieta de Oliveira em 1970 e, mais recentemente, o trabalho de Ana Maria Rodrigues, “Torres Vedras – A vila e o termo nos finais da Idade Média”, editado em 1995.
Importante para o interesse por essa época foi igualmente a recolha de J. Cordeiro de Sousa, feita nos anos 50, e editada em 1957, de “Fontes Medievais de História Toreana”.
Ainda nos finais da década de 60, início da de 70, não podemos esquecer outras teses universitárias, como a de Lígia Maria Gouveia Barreto sobre Torres Vedras no século XVIII, com base na análise dos livros de décimas, ou a tese de Teresa Barata Salgueiro sobre a urbanização de Torres Vedras.
Mas foi, quanto a nós, uma outra tese, abordando a época medieval, que, em termos locais, representou uma ruptura com a historiografia local tradicional, a tese de licenciatura em História do actual Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, apresentada em 1974, “Torres Vedras no 1º Quartel do século XIV”.
Por coincidência esse foi o ano da revolução democrática do 25 de Abril, que muito contribui para uma nova abordagem da história local e para o aparecimento do espírito daquilo que, em artigo recente, Joaquim Moedas Duarte designou como “Escola De Torres Vedras”.
De facto, o que assistimos até essa data, foi um trabalho, sem dúvida importante e laborioso, mas quase sempre individual e disperso.
Quanto a nós houve um conjunto de condições, a partir daquela data, que permitiram o desenvolvimento de uma maior colaboração e qualificação do trabalho de investigação e divulgação historiográficas:
- a afirmação do ensino secundário, inicialmente em duas escolas locais, o antigo Liceu e a antiga Escola Técnica, tendo por base uma renovação historiográfica dos programas de história e a chegada de uma geração mais jovem e metodologicamente inovadora de professores, valorizando a investigação, a história ao vivo e a história local;
- a constituição de uma Associação de Defesa do Património, fundada em 1979, incentivando o estudo, a divulgação e a edição de temáticas relacionadas com a história e o património locais;
- uma crescente afirmação do poder local, levando à edição de vários estudos sobre a História Local, destacando-se o papel relevante da revista “Torres Cultural”.
Tudo isto contribuiu para a afirmação de um espírito de “escola”, já que existia um autêntico sistema local de “vasos comunicantes” entre aquelas instituições.
Estavam criadas condições para a afirmação consciente desse espírito.
O primeiro grande sinal foi dado com a obra colectiva “Torres Vedras – Passado e Presente”, editada em 1996.
Seguiu-se a criação oficial do Arquivo Histórico de Torres Vedras nos anos 90, sob a direcção de Carlos Guardado Silva.
O principal resultado desse espírito de escola está na realização, a partir de 2000, dos Encontros anuais de História, “Turres Veteras”, numa parceria com o Instituto Alexandre Herculano da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Essa colaboração tem contribuído para um crescente interesse do meio universitário pelo estudo da História local, que tem resultado também na colecção “Linhas de Torres”, responsável por 13 títulos, editados desde 1999. Uma outra parceria recente com uma editora muito ligada à edição de temáticas de História, a Colibri, tem contribuído para projectar a “escola de Torres Vedras” e para o desenvolvimento da “vedrografia” (termo por nós inventado para definir a historiografia de temática torriense) .
Esperamos com este texto motivar o interesse e a discussão sobre este tema.
Uma nota final para referir que este texto foi escrito de memória, recorrendo apenas a uma ou outra consulta para confirmar datas, nome ou títulos, pelo que poderá registar algumas lacunas.
Deve por isso ser lido como um esboço, sujeito a correcções e críticas.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
PEV interroga Governo sobre poluição no Ameal
O Deputado José Luís Ferreira, do
Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma
pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério da
Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, sobre descargas
poluentes em linhas de água, em Ameal – Torres Vedras.
PERGUNTA:
As linhas de água junto à Quinta Vale do Pato, em Ameal, uma localidade no Concelho de Torres Vedras, têm sido alvo de sucessivas descargas ilegais que provocam a sua poluição.
Como consequência destas descargas tem-se verificado um cheiro
nauseabundo, a água baça, a existência de ratos e de mosquitos, podendo
esta situação constituir um grave risco para a saúde pública, o que tem
provocado um sentimento de receio e preocupação por parte dos
trabalhadores e moradores na zona afectada.PERGUNTA:
As linhas de água junto à Quinta Vale do Pato, em Ameal, uma localidade no Concelho de Torres Vedras, têm sido alvo de sucessivas descargas ilegais que provocam a sua poluição.
A existência de descargas foi confirmada pela Câmara Municipal de Torres Vedras, mencionando esta entidade que as referidas descargas são provenientes de unidades industriais localizadas junto à Quinta Vale do Pato, e que aconteceram devido a falhas de energia no funcionamento da estação elevatória dessas indústrias.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Ex.ª A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território possa prestar os seguintes esclarecimentos:
1-Tem o Ministério conhecimento desta situação de descargas nas linhas de águas em Ameal?
2-Que medidas tomaram ou pondera tomar esse Ministério com vista a resolver esta situação?
3-Que tipo de fiscalização e/ou monitorização tem sido efectuada nas unidades industriais localizadas em Ameal?
4- Têm sido efectuados testes à qualidade da água junto à Quinta Vale do Pato?
4.1-Em caso afirmativo, quais os resultados?
Gabinete de Imprensa de “Os Verdes” de 07/09/2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Torres Vedras vai ter bicicletas para uso gratuito dos habitantes
A Câmara de Torres Vedras decidiu hoje abrir um concurso para a compra de mais de 200 bicicletas que, em 2012, pretende colocar em onze locais diferentes da cidade para uso gratuito dos habitantes.
O executivo municipal aprovou hoje em sessão de câmara abrir um concurso no valor de 380 mil euros destinado à aquisição de bicicletas e de estações de aluguer de bicicletas, as chamadas “bike stations”.
“Queremos promover a mobilidade sustentável e vamos avançar com a aquisição de bicicletas para que as pessoas se possam deslocar nelas e reduzir o uso do automóvel dentro da cidade”, afirmou o vereador do Ambiente, Carlos Bernardes.
A câmara pretende implementar na cidade um conceito idêntico ao adoptado na Holanda, em que os cidadãos podem levantar e estacionar as bicicletas nas “bike stations”, depois de as usar.
A medida insere-se no Plano da Rede de Ciclovias Urbanas da autarquia, que anunciou em Setembro um investimento de 200 mil euros na construção de seis novas ciclovias na cidade até 2013.
A promoção do uso da bicicleta está prevista na Agenda 21 local, documento cujo objectivo é promover o desenvolvimento sustentável do concelho e melhorar a qualidade de vida da população.
“Queremos promover a mobilidade sustentável e vamos avançar com a aquisição de bicicletas para que as pessoas se possam deslocar nelas e reduzir o uso do automóvel dentro da cidade”, afirmou o vereador do Ambiente, Carlos Bernardes.
A câmara pretende implementar na cidade um conceito idêntico ao adoptado na Holanda, em que os cidadãos podem levantar e estacionar as bicicletas nas “bike stations”, depois de as usar.
A medida insere-se no Plano da Rede de Ciclovias Urbanas da autarquia, que anunciou em Setembro um investimento de 200 mil euros na construção de seis novas ciclovias na cidade até 2013.
A promoção do uso da bicicleta está prevista na Agenda 21 local, documento cujo objectivo é promover o desenvolvimento sustentável do concelho e melhorar a qualidade de vida da população.
in: http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1505856
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
De Férias
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Raúl Ruiz é o realizador de "As Linhas de Torres Vedras"
Raúl Ruiz é o realizador de "As Linhas de Torres Vedras" (clicar para ler notícia).
A notícia era conhecida desde Abril. Hoje, so seu suplemento "Ípsilon" o jornal Público desenvolve a notícia sobre a realização do filme sobre as Linhas de Torres, da autoria do consagrado cineasta chileno Raul Ruíz.
Ficamos a aguardar com expectativa essa interessante iniciativa.
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Venerando António Aspra de Matos
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
SERRA DOSOCORRO - A SERRA MÁGICA - 1 -
(Gravura da autoria de Henriques Nogueira para a revista Panorama)
É este local eixo da região Oeste, limitando três dos seus concelhos: Sobral de Monte Agraço. Mafra e Torres Vedras.
Aí existe uma modesta ermida, centro de romagem anual em 5 de Agosto e ao local estão ligadas muitas das lendas da região.
Uma delas conta a história de uma princesa moura que, por muito gostar deste sítio, pediu a um mágico para a encantar no sítio da Serra do Socorro, juntamente com o seu ouro, jóias e pedrarias. Diz ainda a lenda que quem sair de uma das sete fontes da serra à meia-noite do dia de S. João e correr todas as fontes, quebrará o encanto da bela princesa, casará com ela e ficará com as suas riquezas.
Quanto à origem da romagem anual, uma outra lenda conta-nos que duas crianças, ao pastarem aí o seu rebanho, teriam sido atacadas por um lobo. Ao pedirem auxilio, gritando “Minha Nossa Senhora Socorrei-nos”, apareceu-lhes uma imagem de Nossa Senhora, provocando o desaparecimento do lobo. Em homenagem a esse milagre as pessoas ocorrem ali todos os anos.
Já para explicar a construção da Ermida, situada na parte da serra pertencente à freguesia de Enxara do Bispo, hoje integrada no concelho de Mafra, existem pelo menos duas lendas diferentes: numa conta-se que, existindo um vulcão naquele sítio, o povo prometeu edificar uma capela em louvor de Nossa Senhora do Socorro se o vulcão nada destruísse. Outra versão conta que um pescador, apanhado por uma violenta tempestade, gritando “Socorro, Socorro Virgem Santíssima”, terá sido salvo por Esta que lhe surgiu do lado da Serra. Em agradecimento o pescador mandou erigir a Ermida nessa Serra.
Alguns dos elementos das lendas revelam um fundo de verdade: A formação basáltica da serra prova a sua origem vulcânica; há notícia de em 1752 se ter feito uma prospecção na serra em busca de minas de ouro e nela terem sido encontrados alguns grãos de ouro, o que poderá estar relacionado com a lenda das riquezas encantadas com a princesa moura, talvez existindo aí uma mina de origem romana. Quanto à lenda da fala dos pastores, é verdade que ainda até há pouco tempo a pastorícia era a principal fonte de rendimento económico na encosta da Serra, por onde, como testemunhei há alguns anos, se passeava um rebanho de vacas selvagens, de posse comunitária. A existência de lobos na região também está documentada até ao século XVIII. Quanto à importância da serra para os pescadores da região, a forma como a serra se destaca deve ter uma grande importância para a orientação dos pescadores no alto mar, muito mais importante numa altura em que não existiam os meios tecnológicos de orientação que existem nos nossos dias.
Aliás, a importância da Serra, que se avista num círculo de vários quilómetros, fez dela o principal centro de comunicações das Linhas de Torres, aí se tendo construído o célebre telégrafo de bolas.
Da ermida é tradição ter sido mesquita moura, mas a actual capela revela uma construção mais recente, de características gótico-manuelinas, com alterações posteriores.
A devoção dos crentes da região à Nossa Senhora do Socorro e à sua ermida prova-se pela quantidade de imagens em cera e pelos muitos ex-votos que enchiam o interior da mesma. Infelizmente, há poucos anos, um incêndio destruiu o interior da capela e todo o seu valioso espólio de cultura popular.
Junto à ermida estão algumas casas antigas, outras mais recentes, que serviam para hospedar os romeiros.
Da sua altura de 395 metros vislumbra-se uma bela e ampla paisagem que, em dias de grande visibilidade, aqueles mais ventosos ou que se seguem a um dia de chuva, permitem ver, num simples relance do olhar, sem sair do mesmo sítio, o Oceano Atlântico onde se vislumbram as Berlengas e a costa de Peniche, a cidade de Torres Vedras, a serra de Montejunto, um grande troço da A8, as cúpulas do Convento de Mafra e a Serra de Sintra.
Publicada por
Venerando António Aspra de Matos
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15:49
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