sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Nova Esperança para as Termas dos Cucos.

No passado sábado, por iniciativa da Associação de Defesa do Património e guiados pelo meu amigo Paulo Neiva Vieira, em representação da família proprietária das centenárias Termas do Cucos, pudemos visitar demoradamente vários dos edifícios dessas Termas.
Várias circunstâncias, com muita burocracia à mistura, têm impedido a reactivação dessas Termas, e o esforço de manutenção e limpeza daquela enorme àrea têm recaido quase exclusivamente sob a responsabilidade da família Neiva Vieira.
Essa visita, que reuniu muito mais gente do que aquilo que costuma ser habitual neste tipo de iniciativas, demonstrou que os torrienses desejam ver aquele espaço mais aproveitado do que tem sido. 
Nesse dia recebemos também uma notícia de esperança que é a publicação, para breve, da classificação daquela zona  e dos seus edifícios como "Monumento de Interesse Público".
É uma esperança para o futuro daquele espaço, tanto mais que existe vontade por parte dos proprietários em dinamizar aquele espaço.
Aqui ficam algumas das fotografias que tirámos no interiro dos espaços visitados (VER MAIS AQUI):











































sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TERMAS DOS CUCOS: MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO




Saíu no DR, 2ª série, de 4 de Setembro de 2012, o Anúncio nº 13380/2012, relativo ao «Projecto de Decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP), da Estância Termal de Vale de Cucos, freguesia de S. Pedro e Santiago, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, e à fixação da respectiva zona especial de protecção (ZEP)»
O processo esteve em consulta pública durante 30 dias. Caso houvesse observações dos interessados, haveria um prazo de 15 dias para respostas da DRCLVT. Caso não haja - o que desconhecemos - a classificação e a ZEP serão publicados no Diário da República.

Tudo leva a crer que essa publicação está para breve, o que saudamos desde já.
Recordamos que a Associação do Património de Torres Vedras promove amanhã, dia 20 de Outubro, pelas 14H30, uma VISITA GUIADA às Termas dos Cucos, aberta a quem queira deslocar-se até lá e participar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O PROGRAMA POLIS PARA TORRES VEDRAS CONTINUA SEM SOLUÇÃO À VISTA.

Por especial deferência do meu amigo Paulo Bento, AQUI  se divulga o último episódio do POLIS de Torres Vedras, há dez anos à espera de execução e que previa, entre outras coisas, a raqualificação do Choupal (ver aqui também).

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

MOINHO DA CAPUCHA - Uma empresa da Serra da Vila

As boas idéias empresariais merecem divulgação,como esta, com sede na Serra da Vila e que se dedica à divulgação dos Produtos Tradicionais Portugueses.
Podem consultar mais informações consultado a sua página do Facebook:

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A VIDA TORRIENSE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX, nos caracteres da Imprensa Local (1885-1890) - 8 - Agosto de 1885.



 AGOSTO DE 1885

Na edição de 13 de  Agosto do Jornal de Torres Vedras  um articulista queixava-se das condições de funcionamento dos serviços de correio da vila:
“(…) o transporte das malas de ida ou volta é feito pelo systema de há cem anos, - n’uma velha, cega e podre cavalgadura, em malas mais velhas e podres, tendo por guias conductores rapazolas de 16 a 18 annos, completamente ignorantes; alguns amantes de vinho em excesso, e que não têeem,  por isso, cuidado com a correspondência. E assim sucede, que chega aqui, as mais das vezes, rasgada, enlameada, estragada, e servindo apenas para embrulho(…).

“A villa de Alenquer fica a trinta e tantos kilómetros d’esta terra – distância que é percorrida em carruagem em duas horas e meia, e três, quando muito. Pois bem. Uma carta lançada no correio de Torres Vedras para Alenquer, na segunda feira, por exemplo, é distribuída n’esta ultima localidade…na quarta feira pela manhã, 48 horas depois!

“Fallaremos agora no horário da correspondência para o norte.
“De Torres para Alhandra parte às 4 horas da tarde uma mala que leva a correspondência para a linha [de comboio] (…). Esta mala chega a Alhandra às 9 e meia da noite, e tem de esperar para seguir pelo comboio que ali passa [às] 9 e 5 minutos da manhã do dia seguinte.(…).
“Se esta mala partisse de TV não às 4 da tarde, mas às duas, alcançaria o comboio que sai de Lisboa às 7 da tarde, e a correspondência seguiria para o norte no mesmo dia. ( …).

“Nós, em nome do commercio importante d’esta localidade, exoramos encarecidamente ao sr. director geral dos correios, ou a quem competir, que dêem as providencias necessárias [para alterar a situação] (…). (13 de Agosto).

Mês de Agosto era mês de praia para algumas famílias abastadas da vila, que mereciam referência nas página da imprensa local por estarem “a banhos na nossa pitoresca e sadia praia de Santa Cruz”, praia que estava “já muito animada”, onde “as tardes à beira mar, ao pé do famigerado [??] Penedo do Guincho, e da Pedra que bole, são cheias de doce melancolia(…)” (13 de Agosto).

Menos melancólica era a vida da maior parte da população, entregue aos rotineiros trabalhos agrícolas, nomeadamente nas vinhas da região. Estas estavam então sob o ataque da filoxera e a imprensa anunciava que tinha começado no dia 7 desse mês “o tratamento da nodoa phyloxerica do casal do Valle, propriedade do nosso amigo o sr. Dr. Barros e Cunha” (13 de Agosto).

Ainda nesse mês os vinhedos do concelho, principalmente no dia 18,  foram atingidos por um “escaldão” que produziu “gravíssimos prejuízos nos vinhedos. Vinhas há, cujo fructo ficou reduzido a metade, e alguns ainda menos. Parece que a uva foi queimada pelo fogo!”. Nalguns sítios a temperatura “marcou trinta e tantos graus à sombra”.
“Em Matacães, Varatojo, Runa, Dois Portos, faz pena ver se tanto estrago (…).” (27 de Agosto).

O calor da época e as más condições sanitárias do concelho eram propícias à propagação de uma epidemia de cólera, publicando a edição de 20 de Agosto um conjunto de recomendações para se combater essa doença.

Com esse objectivo o administrador do concelho, “sr. Gonçalves Rosa”, auxiliado “pelo sr. sub delegado de saúde” efectuou várias  “visitas domiciliárias” para se inteirar das condições sanitárias da vila. Segundo  o articulista, as “condições sanitárias desta povoação teem melhorado consideravelmente de há um anno para cá; e se não está tudo com tanto aceio e hygiene, como seria para desejar-se, todavia está consideravelmente melhorado (…)” (20 de Agosto).

Quanto às obras do caminho-de-ferro, estavam a decorrer as obras de perfuração do Túnel da Certã , assombradas, na manhã de 18 de Agosto, por um grave acidente que vitimou mortalmente um dos trabalhadores: “depois de se fazerem alguns tiros, ali entrava o trabalhador Juan Lopez, de Lugo, foi victima de explosão de um tiro com que já não contava. Ficou quasi despedaçado (…)” (27 de Agosto).

No primeiro domingo da segunda quinzena do mês foi a vila “invadida” por uma “praga de realejos”. “Foram nada menos de quatro que se fartaram de estafar a moer musica por essas ruas e largos.
“O rapazio teve um dia cheio, fazendo o cortejo dos homens da manivela, e deliciando-se principalmente com a vista de várias figuras mecânicas que adornava um d’aquelles apuradores da nossa paciencia.
“Parece que os pobres artistas não fizeram grande colheita, porque no dia seguinte tinham desaparecido todos como fumo”.

E passava assim mais um mês da vida desta terra, tal com a descrevia a imprensa de então.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dália Cunha Sammer, uma torriense de adopção que foi uma das primeiras atletas olímpicas a representar Portugal

 
Dália e Joseph Sammer são dois nomes conhecidos em Torres Vedras como professores de ginástica que muito contribuíram para revolucionar essa disciplina na “Física de Torres”.
Joseph Sammer faleceu há alguns anos e a professora Dália Sammer continua a cruzar-se connosco nas ruas de Torres Vedras.
O que talvez poucos saibam é que, no passado, ambos estiveram ligados à primeira representação portuguesa feminina nos Jogos Olímpicos, mais em concreto nos de Helsínquia em 1952.
A história dessa participação é contada na última edição da revista Visão História, dedicada à presença de portugueses nos jogos olímpicos.
Rosa Ruela é a autora desse artigo onde se conta a história dessa presença e de Dália Sammer, aliás, Dália Cunha.
Transcrevemos em baixo a parte do artigo que se refere àquela torriense de adopção:

“HELSÍNQUIA  - ÁS PIONEIRAS

Por Rosa Ruela

In Visão História de Julho de 2012

“A primeira representação feminina nacional viajou para Helsínquia em 1952, numa altura em que a Mocidade Portuguesa defendia que o lugar da mulher era em casa, a coser meias.

“Há quase 80 anos havia um baloiço numas águas furtadas da Rua Garrett, em Lisboa. Além do baloiço que ameaçava sair pela janela da mansarda, Hélder Cunha também lá montara uma barra fixa de metal cromado, boa para elevações, e um poste lisinho. No topo do poste, o dono e senhor de uma casa de medalhas e condecorações da Baixa, que se orgulhava de ser o fornecedor da rainha Juliana da Holanda, punha dois tostões e desafiava as filhas, uma com 6 anos e outra com 7, a alcançarem-nos a pulso. Dália e Natália achavam graça a amarinhar por ali acima. Sobretudo Dália, a mais nova. «Eu alinhava em tudo. Nunca tinha medo, era muito chalada.»

“O pai dava o exemplo. A par da direção da fábrica, onde chegou a dar trabalho - e bicicletas - a quatro dezenas de operários, Hélder Cunha era um desportista fanático que nadava, jogava râguebi, fazia atletismo e tiro ao alvo. Em novo, fora a pé do Porto a Paris, com uns amigos. Já pai de família, todos os fim de semana organizava passeios com os empregados, a mulher e as filhas (um dos preferidos levava-os a pedalar até ao Portinho da Arrábida) e não resistia a uma pega de caras.

“Mais do que Natália, que sempre a secundou, Dália tinha a propensão para os exercícios físicos na massa do sangue. Depois de limpar o sarampo aos outros meninos numa primeira corrida de sacos no Jardim Zoológico, tinha 9 anos quando se iniciou nas competições com uma prova de tiro ao alvo e rapidamente estava a ganhar medalhas no atletismo. Corria, lançava o peso, nadava, fazia equitação, toureava a pé e a cavalo. A patinagem era uma paixão; no intervalo do liceu ia até ao rinque do Ateneu Comercial de Lisboa, nas Portas de Santo Antão, saltar ao eixo de patins. Mas seria a ginástica a tomá-la conhecida, com direito a entrar na coleção de livrinhos ídolos do Desporto, ao lado de Matateu ou de Travaços. Quando ela conta, parece fácil.

“COMO NO CIRCO

“Quarenta anos após a estreia dos portugueses nos Jogos Olímpicos, Dália Cunha encabeçaria a primeira equipa feminina, com a mana Natália e Lurdes Amorim, em Helsínquia, em 1952. Iriam passar mais 32 anos até uma atleta lusa levar para casa uma medalha (Rosa Mota ganharia o bronze na maratona, prova em que as mulheres se estrearam exatamente nesse ano de 1984, em Los Angeles), mas as três mostraram que era possível não fazer má figura, mesmo quando o desporto nacional se revelava ainda incipiente.

«As outras [ginastas] já faziam [os exercícios] há uma data de anos, levavam pianista, massagista, maquilhadora...» Nos balneários, Dália causava sensação com o seu cabelo muito escuro e comprido e a pele bronzeada pela viagem de barco.

“Nos seis meses anteriores, Joseph Sammer, um alemão da Baviera que trocara Veneza pelo Ginásio Clube Português, na altura na Rua Serpa Pinto, no Chiado, treinava sem piedade as oito melhores raparigas que selecionara na aula de ginástica educativa. Dália já tivera uma professora alemã, Frieda Waschmann, no Ateneu, com quem fizera paralelas simétricas (dos homens), exercícios de acrobática e saltos de mesa alemã (uma mesa longa, com trampolim de molas), mas nada a preparara para a dureza daqueles dias nem para o aparente mau feitio do novo mestre.

“Sammer  tinha mais nove anos do que ela, o cabelo muito loiro, um corpo de deus grego e começara mal ao gritar-lhe (em italiano) «Stafermal», durante um pino. «Fiquei furiosa porque achei que estava a chamar-me nomes», conta. «Só mais tarde percebi que ele queria que eu estivesse quieta e até acabámos por casar, veja lá.»

“Ex-dama de honor num concurso de Miss Portugal, em poucos dias o «estafermo» estava a cumprir as ordens do mestre sem hesitações. No Ginásio Clube já lhe conheciam a fama. Era das que faziam Voos à Léotard, passando de um trapézio para outro, como no circo, e nem sempre com rede. «Uma destravada», reconhece. «Só me faltou saltar de paraquedas.»

“Há dez anos, ainda acendia a luz do patamar com o pé, por graça, e imaginamos que na ignorância dos seus vizinhos do prédio para onde foi morar, em Torres Vedras, após mais de uma década em Moçambique. Hoje, aos 83 anos, não perde uns Jogos Olímpicos na televisão, a que assiste assumidamente de boca aberta. «Fico banzada com o que as raparigas fazem. São fantásticas.»

“(…)”