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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Duas reportagens sobre o Carnaval de Torres, uma sobre a forma tradicional de fabricar Cabeçudos, outra sobre uma das figuras mais populares, o "Chico da Bola":

(fotografia dos anos 60 - Foto Estúdio - arquivo de Ezequiel Santos)

Os cabeçudos são uma das presenças mais emblemáticas no Carnaval de Torres.

Os dois documentários que reproduzimos em baixo, já com alguns anos, falam dessa tradição e de uma das figuras mais carismáticas do Carnaval de Torres, o "CHICO DA BOLA" (o sr. Francisco Porfírio), que continua a fazer os cabeçudos de forma tradicional, mantendo-se na sua responsabilidade a feitura do boneco que irá rebentar na 4ª feira de Cinzas:



Ver a segunda  reportagem AQUI

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Uma fotografia das vindimas na Quinta de Charniche, do principio do século XX

A fotografia que acima se reproduz foi retirada da página britânica da Amazon e retrata uma cena das vindimas no principio do século XX, passada na Quinta de Charniche.

Através de uma investigação mais aprofundada na internet, partindo do nome do autor que se encontrava noutra fotografia que acompanhava aquela e do facto de o canto das duas fotografias referir aquilo que podia ser um número de página, conseguimos encontrar a origem daquela fotografia.

Fomos encontrá-la na obra, editada por J.A. Hammerton, no principio do século XX, People of all Nations (...),  publicada em vários volumes. O capítulo dedicado a Portugal é dirigido por um tal Prof. George Young e intitula-se "Portugal: A History", sendo incluido no 6º volume da obra (ou no 11º numa outra edição). A Fotografia aqui reproduzida encontra-se na página 4163.

As fotografias são da autoria de um fotógrafo quase desconhecido, A.W. Cutler, talvez australiano, e que colaborou como fotojornalista no National Geographic nas duas primeiras décadas do século XX. Sabe-se que Cutler esteve em Portugal por volta de 1922. Podem consultar mais informações sobre este fotógrafo AQUI.

Já que falamos da Quinta de Charniche (ou Charnixe como se pode ler no carro de bois da fotografia), situada na freguesia de S. Mamede da Ventosa, no concelho de Torres Vedras, aqui deixamos algumas notas sobre essa quinta que recolhemos para um projecto nosso, entretanto abandonado:

Quinta de Charniche

Também chamada de  “Sarniche”, pertencia em 1862  ao bacharel Fillipe de Souza Belfort
Era então importante a produção de vinho nas propriedades desta quinta(anotadores, p.te econ., caderno 3º ff.8/9, nota à alínea c) p. 248., AHMTV).

Junto dela foram encontrados importantes vestígios pré-históricos, um monumento funerário encontrado junto e “acima” da Quinta de Charniche, (Serra das Mutelas) “monumento funerário do tipo tholos, que ocupou arqueólogos de renome como Virgílio Correia e Leite de Vasconcelos: circular, pré-histórico, produziu abundante espólio, em que se encontram caveiras humanas e outros ossos, facas de sílex, pontas de seta de cobre, vasos de barro negro, machados de calcário, ídolo cilíndrico, etc. ..” (Enciclopédia Luso-brasileira, Ventosa, p.579)

Pelo menos entre  1888 e 1904 pertenceu a Joaquim Gomes de Sousa Belford (Anuário Comercial e Agrícola  -ACA, A Semana 1 – 5 - 1888).

Este foi, talvez, o mais famoso proprietário da Quinta, chegando a ocupar a presidência da Câmara de T. Vedras. Este “descreveu a sua propriedade, em 1900, dizendo que a Quinta com130 hectares, tinha bosque, pinhal, cereais e, sobretudo vinha” (autoras de “O Património Local e a Escola”).

No final do século XIX torna-se conhecida pelas suas águas minerais .

Em 1899 vendiam-se em garrafas como “água de mesa Minero-Medicinal”. Era considerada “uma agua de mesa diurética e reguladora de todas as funções digestivas”, sendo indicada “nos casos de atonia intestinal, gastrite e enterite Chronica, congestão e catharro do fígado, dos rins, da bexiga, próstata e do útero, casos de arthrismo, gotta, albuminuria, diabetes, rheumatismo, etc.”. O seu uso regular curava e evitava “a prisão de ventre, dispepsia, gastralgia, cólicas, vertigens, nevralgias e doenças da pelle, como urticária, herpes, eczema, etc.(...) . Brilhante e inalterável, de sabor agradável”, podia-se “tomar em jejum ou às refeições; misturada com o vinho” tornava este “mais agradável, sem lhe alterar, como as aguas alcalinas, o seu gosto e qualidades”.

Era vendida em garrafas de 1 litro, custando a água 100 réis e a garrafa 50 réis, e em garrafões de 5 litros, custando a agua 350 réis e o garrafão 300, recebendo-se o vasilhame, desde que tivesse o rótulo da empresa.(Folha de Torres Vedras – FTV- , 31 de Dezembro de 1899.).

Por alvará de 26 de Março de 1909, era então sua concessionária Dª  Sara Belford Street. (COSTA, Américo, Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Liv. Civilização, Porto 1948, vol. XI, p. 785).

Recebeu novo alvará de licença para exploração das águas minero-medicinais  datado de 31 de Dezembro de 1928. Eram classificadas como meso-salinas, cloretadas sódicas, sulfatadas magnesianas e cálcicas, bicarbonatadas cálcicas e magnesianalinitadas. (Anuário Estatístico de Portugal, ed. 1928).

Esta família Belford era de origem irlandesa, “refugiados em Portugal por ser católica, mas que” no século XIX “foi aqui perseguida pelo seu apoio  a D. Miguel” (autoras de “O Património Local e a Escola”).

Em 1895 por decreto publicado no Diário do Governo de 17 de Junho, o vinicultor Joaquim Gomes de Sousa Belford, residente  na Quinta de Charniche, foi nomeado inspector dos Serviços de Fiscalização de Vinhos e Azeites. Era membro do Conselho Superior da Agricultura e da Real Associação Central de Agricultura Portuguesa. (A Semana, 23/6/1895).

No século XX foi frequentada pelo escritor Joaquim Paço D’Arcos, neto de Joaquim de Sousa Belford.


Possui capela.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ruas com Memória

(foto da CCC)

As ruas da zona histórica desertificam-se.

Alguns comércio local vai sobrevivendo à concorrência desleal das grandes superfícies que proliferaram como praga por todo o lado, bem como à crise financeira que empobrece os portugueses e lhes retira poder de compra.

Mesmo assim, alguns resistem e procuram animar o Centro Histórico: algum pequeno comércio que vai resistindo; alguns raros habitantes  melhorando as poucas habitações que não estão abandonadas; alguns bares animando as  noites; algumas obras nas ruas que disfarçam a decadência.

Por sua vez, várias associações locais têm escolhiso o Cento Histórico de Torres Vedras para a sua sede, dando uma nova esperança de animação para o local, como é o caso da Cooperativa de Comunicação e Cultura que promoveu uma iniciativa de louvar, a de preencher alguns espaços vazios, montras de lojas comerciais que encerraram, com fotografias em grande formato que recordam Torres Vedras e torrienses de outras épocas.

Intitula-se  "Memórias da Cidade" e integra um conjunto de 23 fotografias de grande formato, cedidas pelo fotógrafo Ezequiel Santos, que adquiriu o espólio do antigo Foto Estúdio, uma casa fotográfica que existiu entre os anos 50 e 70, fundada por Domingos Pinheiro Grão, na Rua Serpa Pinto (nºs 31 a 36) e que foi desenvolvida por Francisco Duarte Mateus, um fotógrafo torriense, que aprendeu e trabalhou com o histórico Raúl Rocha, e que se tornou proprietário da Foto Estúdio quando Domingos Grão deixou Torres Vedras para abrir uma casa de fotografia em Setúbal.

A maior parte das fotografias expostas são assim da autoria de Francisco Mateus, outras são da coleção de fotografias e postais antigos do fotógrafo Ezequiel Santos, responsável também pela preservação e tratamento dos negativos que deram origem a esta exposição.

Uma forma de reanimar o centro histórico pode ser percorrer as suas ruas à descoberta dessa grande exposição a céu aberto  e das memórias guardadas nessas fotografias.

Foi o que nós fizemos há uns dias atrás:























terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cassiano Branco em Torres Vedras


Cassiano Branco (1897-1970) foi um dos mais importantes arquitectos portugueses da primeira metade do século XX, ligado ao chamado "Modernismo Português".

Foi autor dos projectos de Cinema Éden, nos restauradores (o original e não o mamarracho actual), do Hotel Vitória (sede do PCP), do Cinema Império ou de vários edifícios na Praça de Londres, tudo em Lisboa, para além do Portugal dos Pequeninos em Coimbra, do grande Hotel do Luso ou do Coliseu do Porto, entre tantos outros projectos.

Facto talvez menos conhecido foi a sua autoria em projectos em Torres Vedras, alguns de caracteristicas discutíveis, como a do edifício "Reinaldo" junto ao Chafariz dos Canos.

O seu edificio mais importante em Torres Vedras foi o do Grémio de Torres Vedras.

A sua colaboração para marcar o urbanismo torriense da década de 60 do século passado concentrou-se no ano de 1963, resultado num conjunto de documentos existentes no Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa e disponíveis na internet, bem como algumas fotografias da sua autoria da Igreja de S. Pedro ou uma foto do largo da Graça.

Estas fotografias, apesar de estarem classificadas junto de documentos de Cassiano Branco, datam, contudo, de anos anteriores. A do Largo da Graça é anterior ao do inauguração do Obelisco (que teve lugar em 1954) e as da Igreja de S. Pedro devem ser ainda mais antigas.

Pelo seu interesse documental, aqui deixamos alguns desses documentos:











quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os 4 primeiros "1º de Maio" em Liberdade em Torres Vedras, pela objectiva de Ezequiel Santos (1974, 1975,1976,1977)

O 1º de Maio em Liberdade - 1974:












O 1º de Maio no Choupal teve lugar, pela primeira vez, em 1975:





No 1º de Maio de 1976 foi inaugurado um dos primeiros Parques infantis do concelho:




O Primeiro 1º de Maio "Constitucional", em 1977:



(Fotografias de Ezequiel Santos)