quarta-feira, 13 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - Anexo - Vestígios no concelho

ANEXO

Vestígios de ocupação romana no concelho de Torres Vedras


“Entre Dois Portos e Sobral” - “Estatueta da Fortuna”, séc.I, desaparecida.

Junto a Dois Portos - “pontes romanas” (tradição oral (TO))

Numa vinha da Quinta de Ribeira de Maria Afonso (Dois Portos) - 1 moeda

Próximo do Figueiredo (Runa) - Um denário de prata do século I

Casal Bucículos, próximo do Figueiredo (Runa) - Necrópole romana de inumação;

Quinta da Pederneira (Runa) - Sepulturas e “cápos” de pedra com inscrições (1739);

Encontrado em trabalhos agrícolas, próximo de Runa - Um “medalhão” de Bronze do século II

Runa - Um denário de prata do século II descoberto por Manuel Rosindo

Monte Rei (Runa) - “chafariz antigo”, “fonte de cantaria” e “outros objectos” de “origem romana” (1758).

Terra ou sítio de Maravila (Runa) - Duas moedas de bronze, uma dos finais do século III, princípio do IV e outra do século IV.

Perto da Quinta da Granja (Runa) - Uma moeda de bronze do século IV ; “ponte romana” (TO).

Penedo (Runa) - Uma sepultura sem tampo e duas lápides funerárias; 50 moedas em bronze. Uma do século I, três do século II, vinte e seis do século III, e vinte do século IV; Oito moedas de bilhão (liga de cobre e prata), todas do século III; Duas Lucernas em barro, uma em barro cinzento, com uma figura gravada, outra em barro vermelho claro; Fuste de uma coluna de tronco cónico; Dois capitéis, um deles coríntio; Mosaicos; Vários objectos em cerâmica; Ânforas; Pesos de tear; Tijoleiras e alicerces de casas; Vasos em terra sigillata; Vidros; Vários objectos em diversos tipos de metal; Bilhas de barro.

Perto do Casal da Almagreira, perto da Louriceira ? (Runa ou Matacães?))- Uma moeda em bronze do século I

Ermida da Serra de S. Julião (Carvoeira) - Uma tampa de arca cinerária de calcário lioz, dedicada aos deuses Manes, com inscrição, onde se refere a tribo Galéria, pertencente a um edil de Lisboa, datada da primeira metade do século II; Um Sarcófago, desaparecido. Uma lápide com inscrição, da 1º metade do século I; Cinco moedas, duas datadas do século I aC, outra do século I, outra do século II e outra de entre os finais do século IV, príncipio do V; Fragmentos de ânforas e vidros; Parte lateral de uma ara.

Quinta da Rainha – A da Rainha (Carvoeira) - Uma lápide com inscrição (outra aí descoberta pertencia a S. Julião);

Carreiras (Carvoeira) - Uma sepultura, “ talvez romana”.

Filha Boa (Carvoeira) - “Fonte ou Chafariz romano” (por debaixo do coreto) (TO).

Terra de Francisco Pereira na Louriceira -Estela funerária de calcário, com inscrição, da segunda metade do século I, relacionada com culto lunar pré-romano

Próximo da Louriceira - Uma moeda de bronze do século II; Fornos e pedaços de telha.

Quinta do Juncal (Matacães), próximo da casa de habitação - lápide funerária, em calcário lioz, com inscrição da 2ª metade do século II, com referência à tribo Galéria, consagrada aos deuses Manes; Uma “tampa de sarcófago onde se guardavam cinzas de incineração” (Belo).

Moirinha (Matacães), terra próximo da Cruz de Prata, a menos de 200 metros para poente da Igreja de Matacães - Várias sepulturas, com talhas de barro contendo cinzas e restos de ossos queimados; Moeda romana de cobre; Garrafas de vidro

Igreja de Matacães (Matacães) - Inscrição em calcário lioz, datada do século I, de invocação aos deuses Manes. Será talvez proveniente de “um dos vizinhoa cemitérios lusitano-romanos do Juncal, da Moirinha (cruz da prata), da Portucheira, da Macheia, ou de qualquer outro ainda desconhecido” (Vária Epigráfica).

Um pouco a sul do Monte do Calvário (Matacães) - Uma moeda de bronze do século I.

A uma centena de metros da Quinta da Macheia (Matacães)- Um pedestal de calcário lioz com inscrição, datada da primeira metade do século I, onde se referencia a Tribo Galéria. Foi mais tarde reutilizada como peso de lagar, ainda na época romana. Outras sepulturas; Provável “villa” romana; cerâmicas.

Quinta da Portucheira (Matacães)- Duas estelas funerárias com inscrições da primeira metade do século I, uma dela com onomástico índigena, com símbolo astral; Outras sepulturas de inumação; Duas moedas em bronze do século IV; Outras moedas; Quatro Lucernas. Uma delas tem a figura de Diana em relevo; Fragmentos de cerâmica, um vaso de barro e tijolos; Tigela em terra sigillata.

Ordasqueira (Matacães) - Uma moeda romana em ouro.

Nas proximidades do Casal da Lameira (hoje Quinta), situado à direita do caminho que da Sevilheira segue para a Zurrigueira - Uma moeda em bronze do século III

Sevilheira (Matacães) - Necrópole romana.

Frente à capela de Santo António, Quinta das Lapas (Monte Redondo) - “ponte romana”(TO);

Guarita militar, junto à Quinta das Lapas (Monte Redondo) - “inscrição romana”?(TO)

Monte Redondo - “Fonte romana” – é assim popularmente designada uma das fontes mais antigas do lugar, de construção setecentista, mas provavelmente feita sobre uma fonte muito antiga (“romana”?).

S. Martinho, a nascente de Aldeia Grande (Maxial) - Três moedas em bronze, duas delas do século III e outra do século I aC; “Antiqualhas” romanas (Belo)

Terra de Manuel Camarete, próximo de um forno de tijolo, a poente e próxima do Maxial - Uma moeda de bronze; Fragmentos de telha romana, pesos de tear e “pondus”.

Na proximidade do Casal de Stº António (Maxial) - Um denário de prata do século II aC.

Amoreira (Casal de Amoreira-Casal da Capela), (Maxial) - Uma moeda; Vários achados de superfície da responsabilidade do sr. Nuno Franco, do Maxial; Tijolos e tijoleiras; Pesos de tear; Contas de colar em pasta de vidro.

Ferrarias, junto ao cemitério de Vila Facaia, a norte do Ramalhal - Lápides com inscrições; 95 moedas, uma delas em bronze do século IV; Uma lucerna ?; Escória de fundição de ferro, numa área de 0,5 há, telhas romanas, fornos, cerâmica, barras de ferro.

Vila Facaia (Ramalhal) - Provável topónimo de origem romana; Duas “pontes romanas”(TO);

Estrada para a Melroeira (Turcifal) - Uma “ponte romana” (TO), já desaparecida
Turcifal

Fonte do Cabido - “fonte romana”(TO).

Serra do Socorro (Turcifal) - Um castro romanizado, cerâmica e terra sigilata.

Torres Vedras, local desconhecido - Uma moeda de prata.

Torres Vedras, junto à capela de S. João (cemitério) - Grande pedestal de calcário lioz, com inscrição da primeira metade do século I, com referência à tribo Galéria; Túmulos incineração (pré-romanos); Uma lucerna em bronze.

Torres Vedras, Quinta das Covas, perto da estação do caminho-de-ferro - Uma moeda romana.

Torres Vedras, perto da estação do caminho-de-ferro – “Uma peça”?

Torres Vedras, frente à estação, onde está a recauchutagem “do Matias” - Várias moedas ? ; Quando se edificou o prédio da recauchutagem, onde funcionou a escola de condução, “foi descoberto um caixote cheio de moedas romanas”, nunca declarado publicamente devido às consequências que essa descoberta podia provocar na continuação dessa construção (TO).

Torres Vedras, avenida Tenente Valadim - Uma moeda, já desaparecida

Torres Vedras, Mercado Municipal - Um denário , século I aC; Uma lucerna do século II, em barro branco, ornamentada com um javali atacando um cão.

Torres Vedras, Castelo - Uma placa funerária, de calcário lioz, datada do final do século I, com referência à tribo Galéria, descoberta junto às cisternas; Uma árula funerária de calcário lióz, datada dos finais do século II, retirada do muro esquerdo da escadaria de acesso à Igreja; Uma moeda do Baixo Império, século III; Duas cisternas, provavelmente romanas, fragmentos de vidro, travessa de cinturão em bronze.

Convento da Graça- Um colunel com uma mão segurando um cacho de uvas, suporte de mesa ou consola.

Casal da Broeira, junto ao caminho de Torres Vedras para poente, a meia légua de distância - Uma moeda de prata

Numa vinha pertencente à Quinta da Meirinha, encosta do Varatojo, na “barreira do çapateiro”, à parte esquerda, logo que se passa a ponte de Madeira sobre o rio Sizandro (anotadores) - Ossadas humanas romanas (?)

S. Gião d’Entre Vinhas, antes da Fonte Grada - Cupa de calcário lioz, com inscrição datada da transição entre o século I e o século II; Dois Cipos funerários em calcário lioz, com inscrições datadas da 2ª metade do século II, um deles com referência à tribo Galéria; Uma lápide funerária que foi para França (museu do Louvre), datada do século I; Talhas de barro com cinzas; Três lápides funerárias do século I; Uma lápide sepulcral do século III ou IV; Outras lápides e sepulturas; Uma moeda romana do século IV; Outra moeda suevo-lusitana do século V ou VI; Outras moedas; Duas lucernas em bronze; “villa” romana; Pedras aparelhadas; Fornos de cozer pão; Tijolos; Várias peças em ferro; Parte superior de um altar; Armelas; Base de coroamento de uma grande ara.

Numa casa da Fonte Grada - Olaria com forma circular, vasos de barro liso e moldado e vidrados, datados do período romano.

Ermida da Srª da Catedra, actual paroquial de ( S. Pedro da Cadeira) - Duas lápides epigrafadas.

Frente à Ermida da Srº da Catedra, junto à estrada que vai de S. Pedro da Cadeira para a Coutada, num sítio que era no século XIX terra de pão do Casal do Formigal - Ossadas humanas; 6 moedas romanas; “ruínas”.

Casal do Outeiro, Azinhaga (S. Mamede da Ventosa) - Fonte do casal do Outeiro, junto à via pública, cuja origem é popularmente atribuída aos romanos. Foi reconstruída posteriormente, encontrando-se actualmente em mau estado.

Bordinheira (S. Mamede da Ventosa) - No largo das Palmeiras, uma fonte popularmente designada como de origem romana.

Casal da Fonte, Bonabal (S. Mamede da Ventosa) - “Fonte romana”, em mau estado de conservação (TO).

Moutelas (S. Mamede da Ventosa) - “fonte romana” na cerca da Rua do Vilão (TO).

Serpejeira (S. Mamede da Ventosa) - “fonte romana” (TO).

Num campo de S. Mamede da Ventosa - Uma moeda do Imperador António Pio, século II

Chãos (Freiria) - Achado não identificado.

Quinta da Areia, foz do Sizandro (Silveira) - Uma lápide romana

Ermida de Stª Helena, Stª Cruz (Silveira) - Cupa com inscrição, datada da 2ª metade do século I ou principio do século II, dedicada a um cidadão com nome de origem celta.
Lápide funerária, de uma sepultura de um escravo, datada do século II, mais tarde levada para o convento de Penafirme; Várias sepulturas na arriba frente à Ermida, ainda visíveis no princípio do século XX.

Maceira - Uma moeda romano-visigótica do século VI

terça-feira, 12 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - Bibliografia

  • ALARCÃO, O Domínio Romano em Portugal, Publicações Europa-América, 1988.
  • ALARCÃO, Jorge de (coord.), Portugal – Das Origens à Romanização, Nova História de Portugal, Vol.1, ed. Presença, 1990.
  • ALMEIDA, Justino Mendes de, e FERREIRA, Fernando Bandeira, “O Epitáfio da Igreja de Matacães”, “Varia Epigraphica”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXVI, nº 1-2, Jan.-Jun. 1966, pp. 23 a 37.
  • ALMEIDA, Justino Mendes de, e FERREIRA, Fernando Bandeira, “O Monumento funerário da Quinta da Macheia (Torres Vedras)”, “Varia Epigraphica”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXVI, nº 3-4, Jul.- Dez., 1966, pp. 341 a 343.
  • ARRUDA, Ana Maria, “O comércio fenício”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.17 a 34, Ediclube, 1993.
  • BARBOSA, Pedro Gomes, Povoamento e Estrutura Agrícola na Estremadura Central, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1991.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Nótula sobre quatro lucernas romanas de barro, inéditas”, Estremadura, 2ª série, nº 50-51, 1959, pp. 97 a 112.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Nótulas sobre arqueologia de Torres Vedras e seu termo”, conjunto de 55 estudos publicados entre 1952 e 1959, nas páginas do jornal Badaladas.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Símbolos astrais das lápides Luso-Romanas”, in Estremadura, 2ª série, nº 44-45-46, 1957, pp. 143 a 168, e nº 47-49, 1958, pp. 39 a 75.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Um enigma epigráfico”, in Boletim da Junta Distrital da Estremadura, 2ª série, nº 41-42-43, 1956, pp. 127 a 134.
  • BELO, Aurélio Ricardo, FEREIRA, O da Veiga, TRINDADE, Leonel, “Lucerna polimyxos do Museu de Torres Vedras”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXIII, nº 3-4, Jul.- Dez., 1963, pp. 315 a 317.
  • BYRNE, Inês Nadal de Sousa, “A Rede Viária da Zona Oeste do Município Olisiponense (Mafra e Sintra)”, in AL-Madam, IIª série, nº2, Julho de 1993, Centro Arqueológico de Almada, pp. 41 a 47.
  • CAETANO, José Carlos, “A iluminação no Portugal romano”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp. 346 a 350, Ediclube, 1993.
  • CARDOSO, José, A Geografia da Ibéria segundo Estrabão, APPACDM Distrital de Braga, 1994.
  • O Correio de Torres Vedras, nº 24, 25-7-1926.
  • “De como do reinado de Ramsés II se fala da deusa Fortuna do Museu de Torres Vedras”, in Oeste Democrático, T. Vedras, de 19-9-1975.
  • FABIÃO, Carlos, “Felicitas Iulia Olisipo”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.260 a 263, Ediclube, 1993.
  • FERREIRA, O . da Veiga, e TRINDADE, Leonel, “Objectos Inéditos Lusitano-Romanos do Museu de Torres Vedras”, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, 2ª série, nº61/62, 1964, pp. 265 a 278.
  • “Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.
  • HUMBERTO, Jorge, “ Quo Vadis IC1 ? - Obras do IC1 ameaçam cemitério romano nos Cucos”, in Frente Oeste, 16-3-1995.
  • LUNA, Isabel de, “Uma terra de ferreiros”, in “Freguesias” (Ramalhal), suplemento nº12 do jornal Badaladas, 28-5-1999.
  • MANTAS, Vasco Gil , “Comércio marítimo e sociedade nos portos romanos do Tejo e do Sado”, in Ocupação Romana dos Estuários do Tejo e Sado, coord. de Graça Filipe e Jorge Manuel C. Raposo, Publicações Dom Quixote, 1996.
  • MANTAS, Vasco Gil, Inscrições Romanas do Museu Municipal de Torres Vedras, Universidade de Coimbra, 1982.
  • MANTAS, Vasco Gil ,“A rede viária romana do território português”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.213 a 230, Ediclube, 1993.
  • MARTIN, Jean-Pierre, As Províncias Romanas da Europa Ocidental e Central, Publicações Europa-América, 1999.
  • RIBEIRO, “Uma cidade aos pés de Óbidos”, in Público, 12 de Outubro de 1997.
  • RODRIGUES, Adriano Vasco, “As Guerras Lusitanas”, in Revista de História, Universidade Livre do Porto, vol.I, 1984, pp. 113 a 146.
  • RODRIGUES, Cecília Travanca, “O Passado Longínquo: da Pré-História à Romanização”, in Torres Vedras – Passado e Presente, vol I, pp. 35 a 60, C.M.T.V., 1996.
  • RODRIGUES, Cecília Travanca, Reconhecer Leonel Trindade, Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, 1999.
  • SAA, Mario, As Grandes Vias da Lusitania, tomo III, Lisboa 1960.
  • TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, 2ª edição anotada, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1862 (ed. “fac-simile” , ed. Stª Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 1988).
  • TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, - parte económica, 2ª edição anotada, (1865?) , manuscrito inédito no Arquivo Municipal de Torres Vedras.
  • VEIGA, Estácio da, Antiguidades de Mafra, ed. fac-símile, (1º ed.1879), Mar de Letras, 1996.
  • VIEIRA, Julio, Torres Vedras Antiga e Moderna, Sociedade Progresso Industrial, T. Vedras, 1926.

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - distribuição geográfica dos vestígios

(clicar na imagem para ver am tamanho maior)

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 8- vestígios e romanização

Como já vimos, a região torriense foi incluída no território do município de Olisipo (Lisboa), “participando da evolução sócio-económica e cultural desenvolvida a partir do grande centro portuário do estuário do Tejo.”
A influência de Olisipo é comprovada por vários testemunhos epigráficos. Estes comprovam “a presença de uma população numerosa, parte da qual habitava em villae, cujos proprietários se contavam, nalguns casos, entre a burguesia municipal de Olisipo” (MANTAS, 1998).
“As villae seriam, na maior parte dos casos, explorações agrárias : os cereais, a vinha, a oliveira, as árvores de fruto, as plantas hortícolas, os gados, constituiriam, consoante a aptidão das terras e a maior ou menor proximidade dos centros urbanos, o fundamento da riqueza dos proprietários” (ALARCÃO, 1988, p.119).
S.Gião de Entre Vinhas, junto à Fonte Grada, e o Penedo, perto de Runa, seriam duas das mais importantes villae desta região, como se comprova pela importância dos achados arqueológicos nesses locais.
Àquelas talvez se possam acrescentar outros povoados do mesmo tipo junto à Quinta da Pederneira (Runa), à Quinta da Portucheira (Matacães), à Quinta da Macheia (Cucos ), ao Casal de Amoeira (Maxial), às Ferrarias (Vila Facaia, Ramalhal), à Ermida da Sª da Cathedra (S. Pedro da Cadeira), entre outros sítios possíveis, situação que só poderá ser esclarecida com novas pesquisas arqueológicas nesses lugares.
A agricultura constituía a principal base económica da região torriense, nomeadamente através das culturas da vinha, da oliveira e dos cereais, beneficiando da “presença relativamente próxima de um grande mercado como era Olisipo, acessível por via marítima, através do Sizandro, assim como por estrada sobretudo através da comunicação com o Tejo” (MANTAS, 1998).
Como vimos em capítulo anterior, Jorge Alarcão coloca a hipótese de existir um vicus no sítio de Torres Vedras. Um vicus “designava um núcleo urbano menos importante, em termos jurídico-administrativos, que uma capital de civitas. Apesar disso, um vicus poderia ser mais extenso ou populoso, e mais activo, industrial ou comercialmente, que certas capitais” (ALARCÃO, 1988, p. 77).
Dentro dos actuais limites urbanos de Torres Vedras encontraram-se variados vestígios de ocupação romana .
No alto de S. João, além de uma lucerna em bronze e de um túmulo de incineração, foi descoberto um grande pedestal em calcário lioz, dedicada a um cidadão da tribo Galéria, cuja inscrição, pela qualidade e dimensões do suporte “obrigam imediatamente a relacionar este monumento com um ambiente social e económico elevado e plenamente romanizado” (Mantas, 1982, p.31).
Perto desse lugar, no lugar da antiga Quinta das Covas, junto à estação do caminho de ferro, foi encontrada uma moeda romana. Não muito longe, na Avenida Tenente Valadim e junto ao mercado Municipal, foram encontradas moedas, e neste último lugar uma lucerna em barro branco.
Mas é junto ao Castelo que se concentra a maior quantidade e variedade de vestígios romanos : várias inscrições funerárias, onde mais uma vez surge uma referência à tribo Galéria; duas cisternas; uma moeda; fragmentos de vidro e uma travessa de cinturão em bronze.
“Em Torres Vedras têm sido descobertos significativos vestígios da época romana, decerto relacionados com uma povoação que ocuparia, de forma não contínua, o Monte do Castelo, onde na vertente norte se situam as ruínas de duas cisternas talvez romanas, (...) e a zona antiga da cidade que se estende para oriente até ao Sizandro”(MANTAS, 1982, p.34).
Recentemente, a ideia da existência de um centro urbano romanizado, ocupando o monte do Castelo foi identificado por Vasco Gil Mantas, como sendo a cidade de Chretina : “Chretina é-nos dada a conhecer apenas por Ptolomeu, que lhe atribui coordenadas que a situam a 34 milhas de Olisipo e a 36 milhas de Scallabis, distâncias que correspondem, respectivamente, a 50 e a 53 quilómetros. Tais valores, considerando que Chretina se situava a norte do Tejo, só podem referir-se a Torres Vedras. Também a distância em linha recta entre Ierabriga, identificada com Arabriga, e Chretina, deduzida da mesma forma, corresponde perfeitamente aos 22 quilómetros que separam Paredes, junto a Alenquer, e Torres Vedras” (MANTAS, 1998).
Esta localização tem sido entretanto contestada e o próprio Gil Mantas já não a defende, em definitivo.
Sejam quais forem as conclusões desses debates e de futuras descobertas arqueológicas, não resta qualquer dúvida, com base na importância de vestígios até agora encontrados e na proximidade de Olisipo, que a região de Torres Vedras terá sido uma das mais romanizadas do actual território português.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 7- lucernas


A Lucerna é um dos objectos mais característicos do período romanos.
No concelho foram encontradas 11 Lucernas, em seis lugares diferentes, 4 das quais na Quinta da Portucheia, duas no Penedo, duas em S. Gião d’Entre Vinhas, e uma em cada um dos seguintes lugares: Torres Vedras, Mercado Municipal; Torres Vedras, junto á Capela de S. João e uma nas Ferrarias.
Três delas são de bronze, as restantes em barro, apresentando algumas curiosas decorações figurativas.
As lucernas em bronze são raras em Portugal, sendo significativo que duas delas tenham sido descobertas em S. Gião.
A iluminação era a principal função desses objectos.
Serviam para iluminar o interior das casas e dos templos e, simbolicamente para iluminarem as sepulturas, desempenhando portanto um importante papel no culto dos mortos:
“Tiveram um papel importante no culto dos mortos: alumiavam o corpo do defunto, utilizavam-se para acender a pira funerária e iluminavam os túmulos em certas datas. Mas é como oferendas fúnebres que têm um maior sentido mágico-religioso. Se por um lado, faziam parte daquilo que o morto precisaria no Além, por outro a chama, símbolo da alma, afastava os demónios e os maus espíritos que actuam nas trevas” (CAETANO, 1993, p.346).
É significativo que, das que foram encontradas no concelho, três delas tenham surgido directamente associadas a sepulturas e, das restantes, só uma apareceu num lugar sem vestígios de necrópole.
Parece assim que a maior parte desses objectos encontrados no concelho estavam associados a ritos funerários.
Quando usadas na iluminação das casas, as lucernas eram colocadas em sítios elevados, “penduradas com correntes dos braços de candelabros ou do tecto” (CAETANO, 1993, p.346)
Possuíam um orifício central, por onde se colocava o combustível, geralmente azeite, uma pega e uma espécie de bico com outro orifício, ligado ao seu interior por um canal, onde se colocava o pavio, fabricado com filamentos de origem vegetal.
Era costume entre os romanos oferecer lucernas como presente de Ano Novo, o que acontecia, no calendário romano até 153 A.C., no fim de Março.
“As lucernas eram fabricadas em unidades industriais com bastantes operários e vários fornos, e eram depois transportadas para todo o Império. Vendiam-se nos mercados das cidades, em lojas (...) ou em venda ambulante” (CAETANO, 1993, p.349).
Em Portugal surgiram alguns raros moldes para fabrico de lucernas que parecem confirmar a existência de fábricas em Conimbriga, em Alcácer do Sal, perto de Serpa e em Braga.
Muitos desses fabricantes opunham a sua marca de fabrico às lucernas que produziam. Uma dessas marcas, identificada por Jorge Alarcão, MV, corresponde à descoberta em Portucheira, e, segundo esse estudioso, tem origem numa “oficina lusitana do século II ou dos inícios do III d. C.” (ALARCÃO, 1988, p. 147).
No Museu Municipal Leonel Trindade de Torres Vedras existe uma interessante colecção de lucernas, não só provenientes da região, mas também do Alentejo.

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 6- moedas


Deve-se aos romanos a introdução, de forma sistemática, de uma economia monetária, sendo romanas as primeiras moedas encontradas na nossa região.
Se, como se viu no Quadro 1, muitas das moedas aqui encontradas foram descobertas isoladas e dispersas, existem contudo dois lugares onde a sua quantidade foi significativa, o Penedo e as “Ferrarias”, as deste último lugar nunca estudadas. A Ermida da Serra de S. Julião, a Quinta da Portucheia e S. Gião d’Entre Vinhas parecem apresentar um número significativo achados desse género.
Com base no único estudo sistemático publicado sobre esse tema, da autoria de Aurélio Ricardo Belo, é possível elaborar o seguinte Quadro :

Distribuição cronológica das moedas romanas estudadas(encontradas no concelho de T: Vedras)

· Século II a.C. - 1 moeda (1,2%);
· Século I a.C. - 4 moedas (4,6%);
· Século I - 5 moedas (5,8%);
· Século II - 8 moedas (9,3%);
· Século III - 38 moedas (44,2%);
· Século IV - 27 moedas (31,4%);
· Século V - 2 moedas ( 2,3%);
· Século VI - 1 moeda (1,2%);

É de salientar que 58,1 % das moedas acima mencionadas foram encontradas no lugar do Penedo, revelando a importância económica desse lugar.
Se, como vimos anteriormente, a maior parte das inscrições romanas encontradas no concelho datam dos século I e II, já a esmagadora parte das moedas descobertas foram cunhadas nos séculos III e IV.
Não nos compete interpretar esse desfasamento cronológico, mas podemos concluir, por esses dados, que a romanização do concelho parece ter sido mais marcante entre os séculos I e IV.

domingo, 10 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 5- inscrições e pedras tumulares

A maior parte das inscrições já foram estudadas, nomeadamente pelo Dr. Aurélio Ricardo Belo e por Vasco Gil Mantas.
A partir do seu estudo, Gil Mantas concluiu que “as estelas são, sem dúvida, obras produzidas localmente; outros monumentos, talhados num calcário lioz muito abundante em pedreiras do termo torriense, terão idêntica origem”, origem essa identificada por Ricardo Belo com pedreiras próximas do Barregudo, do Penedo e de Figueiredo.
Contudo, alguns desses monumentos, o do alto de S. João e o da Quinta da Macheia, teriam tido uma origem diferente, Pêro Pinheiro e Montelavar, segundo Mantas.
Continuando a citar este autor, os “numerosos testemunhos epigráficos (...) provam que os lapidarii dispuseram de uma clientela importante e potencialmente interessada nos seus trabalhos, factor necessário e suficiente para possibilitar o funcionamento de oficinas locais” (MANTAS, 1982, p.84).
Grande parte dessas inscrições datam dos séculos I e II, “apresentando uma certa coerência cronológica”, pelo que proporcionam “informações concretas sobre o estrato social da população da zona de Torres Vedras nos séculos I e II”.
Referindo-se apenas às inscrições conservadas no Museu Leonel Trindade, acrescenta Vasco Gil Mantas que esse “núcleo engloba referências a cidadãos romanos” (em número de 7),“cidadãos latinos” (3 casos) e “peregrinos” (igualmente 3 casos), “realçando paralelamente a desigual – ou inversa – representação epigráfica dos vários corpos sociais representados” (MANTAS, 1982, p.85).
Um outro tipo de informações que se pode retirar da leitura dessas inscrições refere-se à referencia a divindades indígenas que “afirmam, muito naturalmente, a natureza céltica ou celtizada do fundo populacional do hiterland olisiponense”, pois, “na região de Torres Vedras, zona de vigorosa identidade cultural muito anterior à romanização, o elemento indígena reflecte-se de forma bem evidente nalguns epígrafos (...) quer na onomástica (...), quer na decoração (...), ambos francamente relacionados com o território hispânico de predominância céltica” (MANTAS, 1982, p.86).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - mapa das vias romanas (Gil Mantas)

(clicar na imagem para a ver em tamanho maior)

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 4- T.Vedras no contexto da rede viária romana

Durante o tempo de Trajano (98 a 117) investiu-se na construção e renovação da rede viária no actual território português, acção prosseguida no reinado de Adriano (117 a 136).
Na região de Torres Vedras, as vias romanas que a atravessaram teriam aproveitado caminhos pré-romanos, do tempo dos Túrdulos :
“A faixa atlântica ocupada pelos Túrdulos, entre o Tejo e o Douro, contava, pelos finais da Idade do Ferro, com caminhos que se estendiam ao longo do litoral, entre o mar e o Maciço Antigo, unindo as grandes povoações da região; outros caminhos, vindos de alguns pontos privilegiados de uma costa difícil seguiam, frequentemente utilizando os vales dos cursos de água que correm para o litoral, em direcção às terras do interior. As estradas romanas incorporaram nos seus traçados mais ou menos rectificados, troços importantes dos caminhos existentes anteriormente” (MANTAS, 1998, comunicação inédita gravada durante o encontro de história local de T. Vedras, com base em apontamentos pessoais).
A estrada que ligava Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), era uma das mais importantes do país. A primeira paragem importante, dos que faziam este percurso partindo de Lisboa, tinha lugar em Ierabriga, em Paredes, perto da actual Alenquer. Daqui seguia uma via secundária em direcção à zona de Torres Vedras.
“Torres Vedras (...) estaria ligada a Ierabriga (...) por estrada de que também não há vestígios reconhecidos. A densidade de achados entre as duas áreas pressupõe, todavia, a existência de uma via. Talvez nas vizinhanças de Torres Vedras se deva supor um vicus, dele poderiam partir duas estradas: uma para sul, na direcção de Sintra; outra para norte, no sentido de Eburobrittium” (ALARCÃO, 1988, p.97).
Gil Mantas identifica ainda uma terceira via, que continuaria a ligação de Eburobrittium com Olisipo que, passando por Torres Vedras e pelo Penedo, bifurcava em Dois Portos da via para Ierabriga, seguia em direcção ao sul, pela Feliteira, Casal da Estrada, em direcção ao Milharado, seguindo o traçado da actual EN 374, para o vale de S. Gião, subindo depois, passando a poente do Cabeço de Montachique até S. Julião do Tojal, ligando-se então à via Olisipo – Scallabis.
Segundo este mesmo historiador, a via de Dois Portos para Ierabriga, correspondia, em termos gerais, ao traçado da EN 248.
Alíás, o topónimo Dois Portos parece derivar o facto de aí se dar a bifurcação dessas duas vias.
Da estrada Torres Vedras – Ierabriga “saía um deverticulum sugerido pela distribuição dos vestígios romanos e que da Carnota seguia em direcção à ribeira de Alenquer, flectindo depois para poente, por Merceana, para a Carvoeira, atingindo as proximidades de Torres Vedras junto á Quinta da Macheia, através de uma zona onde não faltam testemunhos da presença romana” (MANTAS, 1998).
Desta, junto a Matacães, seguia outra via em direcção ao Maxial, a qual se ligava por um ramal ao Ramalhal. Seguia pela margem esquerda do Alcabrichel, em direcção nordeste, paralela à vertente de Montejunto, por Aldeia Grande e Vilar, seguindo aproximadamente o actual percurso da EN 115-2.
Quanto à estrada ligando Torres Vedras a Sintra, seguia a margem direita do Sizandro, passando junto a S. Gião de Entre Vinhas, em direcção à Coutada, atravessava o rio junto a S. Pedro da Cadeira, dirigindo-se para sul, pelo Casal da Estrada, passando a poente de Mafra.
“Seriam maioritariamente estradas de terra com um ou outro revestimento de pedra em pontos críticos do percurso, hoje muito difíceis de identificar no terreno, tanto mais que a colocação de milários parece ter sido excepcional nesta região e a construção de pontes de pedra, se existiu, não deixou vestígios” (MANTAS, 1998).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 3- A situação de T.Vedras na Administração Romana

Evolução da divisão administrativa da Península Ibérica, durante o período romano.



Portugal na administração romana

Os "municípios" romanos na região de Torres Vedras


Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 3- A situação de T.Vedras na Administração Romana

Conforme tivemos oportunidade de registar, o facto dos habitantes desta região manterem desde sempre um relacionamento cordial com os romanos terá permitido que só tardiamente se tenha dado a sua integração oficial na administração romana, o que terá acontecido apenas no tempo de Júlio César.
Concluída a conquista da Península Ibérica no tempo de Augusto, este “entendeu estarem criadas as condições para uma reforma político - administrativa da zona mais ocidental da Península”(ALARCÃO, 1988, p. 28).
Foi no ano 27 aC. que Augusto tomou a decisão de rever a divisão administrativa da Hispânia, dividindo-a em três províncias: a Hispania Ulterior Baetica, a Hispania Ulterior Lusitania e a Hispania Citerior Terraconensis, a primeira de governo senatorial e as duas últimas governadas directamente pelo imperador. A diferença residia no facto de a província estar ou não pacificada: senatorial no primeiro caso; imperial, no segundo.
“Estas são as mais importantes no plano estratégico pois, por definição, uma província imperial autoriza qualquer tropa a aí estacionar de forma permanente (...). Os imperadores têm o domínio total sobre estas províncias devido ao seu carácter militar; exercem o comando supremo dos exércitos e pretendem conservar o controle directo (...). Por este facto, o imperador nomeia os governadores” (MARTIN, 1999, p.123).
A região de Torres Vedras ficou integrada na província da Lusitânia, que tinha a sua capital em Colonia Iulia Augusta Emerita, isto é, em Mérida.
Apesar de existirem dúvidas sobre os limites territoriais desta e de outras províncias, e apesar desses limites terem conhecido várias alterações ao longo do tempo, a localização da região de Torres Vedras nos limites dessa província não oferece dúvidas.
A reorganização administrativa de Augusto incluiu igualmente “ a fundação de novos centros urbanos e a urbanização de “oppida” preexistentes”, bem como a “delimitação dos “territoria” das diferentes “civitates””(ALARCÃO, 1988, p.35).
As “civitates” eram unidades político-administrativas romanas que integravam um território que, pela sua área, se assemelhavam mais aos actuais distritos do que aos modernos concelhos.
“Na definição territorial de uma “civitas”, os romanos atenderam, não apenas aos limites geográficos naturais (às serras mais que aos rios), mas também às divisões étnico-culturais pré-existentes e muitas vezes fizeram coincidir os limites de uma “civitas” com os de uma anterior unidade étnica ou política” (ALARCÃO, , p.360).
Cada “civitas” tinha uma cidade capital e aglomerados urbanos secundários, para além de população rural dispersa.
“O território de uma civitas é uma estrutura, com núcleos urbanos hierarquizados cujo distanciamento depende de condições geomorfológicas locais, mas também dos meios técnicos de transporte da época; um território percorrido por vias (...), com uma população rural dispersa por “villae” e casais, nuns casos formando constelações em torno dos aglomerados urbanos, noutros casos mais disperso” (ALARCÃO, , p.360).
Pelo que se sabe, o actual território do concelho torriense ficava nos limites das civitas Eburobrittium (Amoreiras de Óbidos) e Olisipo (Lisboa).
Segundo Jorge de Alarcão, o limite norte do território de Eburobrittium talvez fosse “um prolongamento da serra dos Candeeiros, que vem morrer no sítio da Nazaré”, sendo limitada “a nascente pelas serras dos Candeeiros e de Montejunto; estender-se-ia entre elas e o mar. Alcançaria, a sul, o paralelo de Torres Vedras.” (ALARCÃO, 1988, p.47).
Torres Vedras estava incluída nos domínios territoriais da “civitas” de Felicitas Julia Olisipo, cuja capital corresponde a Lisboa. Esta “recebeu de César ou Augusto o título de “municipium” . (...) O mar e o Tejo claramente a delimitavam por três lados. A norte vinha até Torres Vedras, porque até aí (...) encontramos lápides funerárias de cidadãos inscritos na tribo Galéria. (...) A povoação de Ierabriga (...) situada por alturas de Alenquer, poderia ficar igualmente no limite da “civitas”. Apesar de a densidade de achados na região de Alenquer sugerir um núcleo urbano importante, nada, até agora, nos permite supor aqui uma cidade capital” (ALARCÃO, 1988, p. 48).
Os habitantes da civitas de Eburobrittium pertenciam à tribo Quirina, e os de Olisipo à tribo Galéria.
“Quando uma cidade recebia o direito latino (...), designava-se a tribo em que os seus cidadãos deviam ser inscritos. Em Portugal, os cidadãos romanos acham-se, na quase totalidade, inscritos na tribo Galéria ou na Quirina. Considera-se, normalmente, que a tribo Galéria indica uma cidade à qual o “direito latino” foi outorgado por Augusto e que a tribo Quirina denuncia um aglomerado urbano que recebeu o mesmo direito no tempo dos Flávios” (ALARCÃO, , nota 14, p.360).
Não existem até hoje provas da existência de uma civitas na actual cidade de Torres Vedras, apesar dos vestígios encontrados.
Erradamente, alguns autores já atribuíram a localização de Arandis nesta cidade. Hoje sabe-se que aquela cidade se localizava no Alentejo, em local ainda desconhecido.
Recentemente, numa releitura atenta do Itinerário de Antonino, Vasco Gil Mantas colocou a hipótese da um dos núcleos urbanos citados por aquele autor, Chretina, coincidir com a localização actual de Torres Vedras.
Um novo tipo de circunscrição administrativas foi criado por Vespasiano (que governou entre 70 e 79): o “conventus”. “O conventus , era antes de mais, um distrito judicial : na capital do conventus, o governador da província, ou aquele em quem o governador delegasse, julgava as causas que, por sua natureza, ultrapassavam a jurisdição dos magistrados das civitates. Além disso, o conventus tinha uma assembleia, formada por representantes das cidades que o integravam; essa assembleia era um órgão consultivo do imperador” (ALARCÃO, 1988, p.58).
Na província da Lusitânia foram criados três conventus: o emeritensis, o pacensis, e o scalabitanus.
A região de Torres Vedras ficou incluída no conventus scalabitanus, com capital em Scallabis (Santarém).

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - A Península Ibérica e as Guerras Púnicas

O Domínio Cartaginês do Mediterrâneo (séc VI a.C.)

1ª Guera Púnica

2ª Guerra Púnica

3ª Guera Púnica

(Fonte: Histoire)
(clicar nas gravuras para ver em tamanho maior)

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 2- Dos Primeiros Contactos com os Romanos à sua ocupação

Pesem todas as alterações sofridas na Península Ibérica a partir do século VI aC., coincidindo com o início da “2ª Idade do ferro”, os povos do território litoral a norte do Tejo continuaram a manter um intenso relacionamento comercial com o Mediterrâneo Oriental, nomeadamente com os cartagineses, por intermédio dos quais tiveram contacto com as primeiras importações itálicas.
Na sequência das Guerras Púnicas, que se iniciaram em 264 aC., opondo os cartagineses aos romanos pelo domínio comercial do mediterrâneo, os cartagineses, que então apenas tinham exercido um contrôle comercial sobre a Península Ibérica,, começam a ocupá-la territorialmente em 238 aC.
Em 210 aC., em plena “2ª Guerra Púnica” (218 – 201 aC. ), estavam estacionados dois exércitos Cartagineses no actual território português, um no Algarve e outro na foz do rio Tejo, este último comandado pelo famoso Asdrúbal, preparados par enfrentar o exército romano, comandado por Cneu Cipião, o qual, pela primeira vez, havia desembarcado na Península Ibérica em 218 aC., nas Ampúrias, a actual Catalunha. Desse confronto viria a resultar a expulsão definitiva dos cartagineses da península, com a tomada de Cádiz pelos romanos em 206 aC.
Contudo, a submissão da Ibéria aos romanos só se tornou definitiva em 19 aC., quer porque não fosse esse o plano inicial dos romanos, quer devido à forte oposição que tiveram de enfrentar por parte dos povos ibéricos .
Também o facto de, “nas férteis planícies da Costa Ocidental portuguesa (Estremadura e Ribatejo)” (ARRUDA, 1993, p.172), existirem vários núcleos urbanos (“oppidas”), que mantiveram relações comerciais amistosas com os romanos, com quem chegaram mesmo a estabelecer pactos de amizade, denota não ter havido desde logo qualquer plano de ocupação territorial pré delineado por parte dos romanos.
É só a partir de 194 aC. que os romanos iniciam a sua política expansionista na Ibéria, devido à necessidade de melhor defenderem o seu domínio sobre o Mediterrâneo.
Por essa altura, em 197 aC. dá-se a primeira divisão administrativa da Ibéria, com a criação da Província Ulterior (incluindo a actual Andaluzia) e Província Citerior ( grande parte do actual território espanhol e os Pirinéus), cujo governo foi entregue a dois pretores.
O actual território português não estava ainda incluído nos limites dessas províncias. Também os primeiros confrontos entre os romanos e as populações locais, os lusitanos, deram-se fora do nosso território, entre 194 A.C. e 178 A.C., ao longo do vale do Guadalquivir.
Só quando se dá a chamada “grande rebelião indígena”, entre 154 A.C. e 137 A.C., na qual os romanos tiveram de combater em duas frentes, uma contra os lusitanos, nas chamadas “Guerras Lusitanas”, comandados desde 147 A.C. por Viriato, outra contra os celtiberos, nas chamadas “Guerras Celtibéricas”, é que, talvez pela primeira vez, na frente lusitana, a guerra se estendeu à região portuguesa, ao Alentejo e ao Algarve.
O confronto entre romanos e lusitanos revela um profundo choque cultural: enquanto a “conquista, sustentada pelo imperialismo militar romano, procura terras para a cultura cerealífera, para a vinha e para a oliveira”, os lusitanos “desejavam manter extensos terrenos de pasto (...) necessários à transumância de inverno”. Tratava-se pois de um “choque entre uma economia agrícola latifundiária em expansão, com uma economia pastorial, comunitária, servida pela transumância” (RODRIGUES, ).
Durante este período, em 141 aC., Fábio Máximo Serviliano, o novo governador da província Ulterior, conquista para Roma parte das posições lusitanas na Andaluzia e ataca o Algarve e o Alentejo, chegando mesmo a atravessar o Tejo, talvez perto da região de Torres Vedras.
Conquistando várias cidades do sudoeste peninsular, os romanos obrigaram Viriato a aceitar a paz , interrompendo assim as “Guerras Lusitanas”.
Essa situação não implicava ainda uma ocupação permanente do Sul de Portugal pelo exército romano.
O novo governador de província, Servilio Cipião, rompeu a paz com os lusitanos em 139 aC., os quais, após o assassinato de Viriato, foram derrotados, combatendo também aquele governador os Galaicos e os Vetãos.
Em 138 aC., o governo da Ulterior foi entregue a Décimo Júnio Bruto e, desencadeando uma guerra contra os galaicos, fortifica Olisipo (Lisboa) e usa Moron (no distrito de Santarém), como base para as suas operações militares. Contudo, as “campanhas de Décimo Júnio Bruto não haviam conduzido, aparentemente, a uma ocupação militar efectiva do território entre Tejo e Douro. (...) Talvez a área tenha sido efectivamente dominada apenas no tempo de César” (ALARCÃO,1988, p.26).
O actual território português foi ainda palco das guerras civis que atingiram Roma no final do período republicano.
Foi o caso da guerra entre Mário e Sula, com impacto na Ibéria entre 83 aC. e 72 aC., relacionada com as acções de Sertório, partidário de Mário, à frente do exército lusitano.
A região de Torres Vedras não terá sido palco de qualquer episódio desse período.
Após a derrota de Sertório por Pompeio, este consegue pacíficar a Hispânia Citerior e toda a Celtibéria, enquanto Julio César, nomeado questor da Província da Hispânia Ulterior em 69 aC., e pretor da mesma província em 61 aC., província onde já se incluía a região torriense, pacifica os últimos focos de resistência lusitana, missão cumprida nesta última data, na campanha militar que percorreu a Serra da Estrela e o Norte do Douro, movimentando-se depois ao longo do Tejo, estabelecendo quartel em Santarém e travando, nessa ocasião, uma batalha numa ilha que muitos autores apontam como sendo Peniche e desenvolvendo a sua acção perto de Óbidos.
Regressando a Roma, aqueles dois militares envolvem-se numa segunda guerra civil, que se iniciou em 49 aC., na qual a Hispânia tomou o partido de Pompeio, o que obrigou Júlio César a regressar à Ibéria onde derrotou as tropas do filho de Pompeio, aliadas dos lusitanos, em 45 aC.
“O período das guerras civis entre César e os partidários de Pompeio parece ter sido, apesar dos combates e da insegurança, uma época decisiva para a romanização da Lusitânia. A necessidade de tropas conduziu seguramente à incorporação de Lusitanos nos exércitos romanos, particularmente nos dos Pompeios. Esta incorporação, nalguns casos acompanhada da concessão da cidadania a título individual, terá canalizado o belicismo atávico dos Lusitanos. A luta dos Lusitanos contra Romanos tornou-se, até certa medida, luta de Lusitanos associados a Romanos contra outros Romanos; nesta aliança, que as circunstâncias exigiam, se forjou uma convivência que terá contribuído para a quebra de antigos ódios” (ALARCÃO, 1988, p.27).
A conquista definitiva da Península Ibérica teve lugar em 19 aC., já durante o governo de Augusto.
Pese a prolongada guerra pelo domínio Ibérico, a região de Torres Vedras terá sido das primeiras a serem romanizadas:
“(...) o Algarve, as férteis planícies da Estremadura e Ribatejo e o Vale do Sado, onde as relações com o mediterrâneo foram intensas durante todo o primeiro milénio aC., tinham, à partida, melhores condições para adaptarem o modelo romano.
“No entanto, não é evidente que o território actualmente português, mesmo essas regiões, tenham entrado na órbita de Roma antes de meados do século I aC.
“Apenas na Estremadura portuguesa se podem encontrar alguns vestígios” de uma “romanização inconsciente” (ARRUDA, 1993, p.172).
Documentos coêvos, como a descrição das bodas de Viriato, ou os relatos da campanha de Décimo Junio Brutos, dão-nos informações sobre as relações amistosas entre os romanos e os indígenas deste território.
O facto de Décimo Brutus ter usado Olisipo (Lisboa) como base para as suas operações militares, fortificando-a, indicia que este território estava já, de algum modo, “romanizado”. Aliás, as facilidades que Brutus encontrou em 138 aC., na foz do Tejo, são sintomas de que esta região não era hostil às tropas romanas. “As mais antigas importações de produtos romanos (século II aC.) foram justamente detectadas nesta região” (ARRUDA, 1993, p.172).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mapa dos Povos Ibéricos pré-romanos


Torres Vedras no Tempo dos Romanos - 1- A Região Pré-romana

Em breves palavras vamos procurar conhecer quem vivia na região de Torres Vedras antes dos romanos aqui chegarem.
Para isso é necessário recuar ao início da chamada Idade do Ferro europeia, no século VIII a.C.
É então que os povos que habitavam esta região passaram a intensificar as suas relações comerciais com a civilização fenícia, pois data daquele século o estabelecimento de feitorias e colónias fenícias no litoral mediterrânico da Península Ibérica, com destaque para a colónia de Gadir (actual Cádiz), e o desenvolvimento na mesma área da cultura tartéssica, resultante do relacionamento entre as populações do sudoeste peninsular com os povos mediterrânicos, nomeadamente com os Fenícios e os Gregos.
A população da faixa litoral do actual território português, principalmente a que vivia junto dos estuários dos grandes rios, como o do rio Tejo, entre a qual se incluía a da actual região de Torres Vedras, onde a navegabilidade dos rios Sizandro e Alcabrichel era possível, desenvolveu então com aquela região uma dinâmica actividade comercial, herdeira, nalguns casos, de contactos comerciais com o Mediterrâneo Central e Oriental, mantidos desde os finais do IIº milénio A.C., como foi, provavelmente, o caso dos habitantes do antigo Castro do Zambujal.
A região de Torres Vedras situava-se no centro de uma complexa teia “de relações de interdependência entre a população indígena do litoral português e a que no interior se dedicava à exploração mineira” (ARRUDA,1993, p.24), isto porque o que motivava o contacto dos Fenícios com as populações da região era o comércio da prata, minério então muito abundante nas minas do interior da Península Ibérica. Em troca de minérios os povos indígenas importavam produtos manufacturados ( cerâmica, joalharia, tecidos e vidros) e alimentares (vinho e azeite).
A descoberta de dois objectos em bronze, (um oinokhoe – espécie de jarro votivo – e duas asas de braseira) , destinados a efectuar libações aos mortos, datados do século VIII, numa necrópole junto ao alto de S. João, em Torres Vedras, “em claro contexto funerário (...), permite-nos pensar que os contactos existentes entre o mundo tartéssico orientalizante e algumas regiões do território português foi além das meras trocas comerciais e da importação de produtos manufacturados, tendo-se também consubstanciado na assimilação de rituais funerários de tipo oriental” (ARRUDA, 1993, p.26)
Tendo atingido o seu apogeu nos séculos VII e VI aC., a cultura tartéssica entra em crise nos finais deste século, pela combinação de vários factores, um de ordem externa, outros de ordem interna.
Externamente, a tomada de Tiro pelos babilónios em 573 aC. pondo fim à civilização Fenícia, se bem que as suas colónias tenham herdado a sua influência cultural e económica, como aconteceu com Cartago, veio provocar profundas alterações estruturais no mundo mediterrânico, com impacto em todas regiões dependentes do seu comércio.
Internamente são apontados vários motivos para o desaparecimento da cultura tartéssica. Este pode estar relacionado, quer com o esgotamento das minas de prata ibéricas, quer com a transferência do seu comércio para outras mãos, mercê de movimentos desencadeados dentro das populações indígenas, quer ainda pela crise mais geral dessa cultura vivida após a batalha de Alalia, em 535 aC., que colocou na posse dos Cartagineses o controle do estreito de Gibraltar e, em consequência, do Mediterrâneo Ocidental.
Contudo, para alguns autores (ARRUDA, 1993), as alterações políticas e económicas ocorridas na área central e oriental do mediterrâneo, durante a segunda metade do século VI aC., não se terão feito sentir com grande intensidade no nosso território : “Não é impossível que a nossa fachada atlântica ocidental tenha, a partir do século VI aC. (momento em que as instalações fenícias da Costa de Málaga são abandonadas), mantido contactos comerciais privilegiados com colónias fenícias norte africanas, mas não necessariamente com Cartago”.
Maior impacto terá tido na região o grande movimento populacional iniciado após a citada batalha de Alalia, entre finais do século VI e o século V aC., quando os Turdulos ou Turdetanos, população da região tertéssica, herdeira da cultura tartéssica, numa expedição conjunta com os Celtas da Meseta, se deslocaram par ocidente, atravessando toda esta região até ao rio Lima, fixando-se a maioria dos Turdulos entre a margem esquerda do rio Douro e o rio Vouga, os chamados Turdulos Velhos (Turduli Veteres), e os celtas no Alentejo e no noroeste.
Uma segunda vaga desses povos ter-se-á efectuado no século III aC, por pressão da ocupação cartaginesa do sul da Península, estabelecendo-se na fachada atlântica a sul do Mondego, na chamada região de “Turdulorum Oppida” (“Cidades dos Turdulos”), integrando a região de Torres Vedras.
Contudo, é difícil de distinguir com precisão as regiões de povoamanto Turdulo e as de povoamento Celta, pois ambas as culturas terão coexistido do Douro ao Algarve, mercê do bom relacionamento entre esses dois povos, que terão mesmo integrado as populações indígenas pré-existentes.
De forma abusiva, e pouco fundamentada, mercê de uma interpretação forçada e apressada da Geografia de Estrabão, que se referia ao povoamento Turdulo, vários historiadores e antiquários do século XVIII atribuíram a este povo a fundação de numerosas cidades e vilas portuguesas. Torres Vedras não fugiu à regra, e vários autores setecentistas atribuem-lhe fundação Turdula, datando-a mesmo no ano 308 aC.

domingo, 3 de maio de 2009

Para a História Urbana de Torres Vedras - Av. 5 de Outubro

Em meados dos século XIX Torres Vedras rompeu com os tradicionais limites urbanos medievais.
A chegada do caminho-de-ferro, no final de 1886, contribui para essa importante ruptura com o desenho urbano da então vila de Torres Vedras.
Uma portaria de 28 de Janeiro de 1887 aprovou "o projecto da avenida para serventia do caminho de ferro nesta villa"[1].
Em Março desse ano o periódico local “A Semana” informava que esse projecto custava 5 milhões e 645 mil réis, tendo a nova avenida uma extensão de 342, 76 metros.
Um diferendo entre a câmara municipal e o governo, sobre o pagamento das expropriações para construir aquela avenida entre a estação e o largo da Graça, cujo projecto camarário, elaborado em 15 de Setembro de 1886, previa um caminho em linha recta, mas exigindo maiores gastos por parte do Estado em expropriações, levou a que apenas em 1888 se tivesse dado inicio à construção dessa via.
A Câmara apenas se comprometeu a contribuir para as expropriações a efectuar até ao chamado muro da cerca, daí a razão pela qual essa avenida acabou por não ser feita em linha recta, fazendo um cotovelo exactamente junto, à rua da Cerca[2].
Em Abril de 1888 o jornal "A Semana" anunciava que iam "ser remettidos para a administração do concelho os autos das novas expropriações feitas para o alargamento da Avenida do caminho de ferro d'esta villa, alargamento que acaba de ser approvado pelo ministro, como a camara requereu, por iniciativa do deputado do círculo, que em vez de 8 pediu 16 metros de largura para aquella via publica.
"Parece, pois, que os trabalhos deverão começar agora, que o tempo está permittindo"[3].
Poucos meses depois, em Agosto desse ano, já se podia ler na imprensa local que avançavam "os trabalhos da Avenida do Caminho de Ferro, que alonga o seu prosseguimento até á extrema lateral do largo da Graça, ficando uma obra mais completa (...)"[4] .
Finalmente, em Setembro de 1888, anunciava-se o fim das "obras da nova Avenida do Caminho de Ferro, espaçosa, bonita, e um dos melhores trabalhos que se tem feito em Torres, com relação a belleza e utilidade(...)" [5].
Em sessão camarária, realizada em 14 Março de 1889, baptizou-se a Avenida do Caminho de Ferro com o nome de Avenida Ignacio Casal Ribeiro, uma homenagem ao deputado do círculo eleitoral de Torres Vedras, decisão comunicada ao mesmo quando este visitou a vila em 17 de Março desse ano "como premio dos esforços que s. ex.ª desenvolveu para a construcção d'ella, e como signal do respeito e do amor de todos"[6].
Com o advento da República, logo na primeira sessão do primeiro executivo republicano, realizada em 8 de Outubro de 1910, se decidiu alterar o nome dessa avenida para a sua designação actual, Avenida 5 de Outubro.
Praticamente até à segunda metade do século XX, essa outrora verdejante avenida era a zona nobre e chique da vila.
Nos postais que hoje divulgamos é possível acompanhar as mudanças que nela se registaram ao longo dos seus primeiros cinquenta anos de existência.

[1] citado em sessão camarária de 16 de Junho de 1887, Livro nº33, ff. 198 verso a 199
[2] Sobre este assunto, deve ler-se o artigo "A avenida do caminho de ferro", publicado n' A Semana de 30 de Junho de 1887.
[3] A Semana, 5 de Abril de 1888.
[4] A Semana, de 16 de Agosto de 1888.
[5] A Semana, de 27 de Setembro de 1888.
[6] Voz de Torres Vedras, 23 de Março de 1889.

Para a História Urbana de Torres Vedras - Av. 5 de Outubro

Uma das imagens mais antigas da então Av. Cazal Ribeiro. A fotografia é tirada no sítio onde se situa actualmente a "Arcádia". À esquerda, a Avenida para a estação. À direita, a "Alameda de S. João, que se dirigia para o cemitério do mesmo nome. Entre as duas vias, ainda não estava construido o edifício escolar, que hoje integra a Biblioteca Municipal e o edifício camarário.



Av. 5 de Outubro. Ao fundo vê-se o edifício da estação.


Vista da Avenida vista do lado da estação.


Outra Vista da Avenida, podendo ver-se, à esquerda, em segundo plano, uma das paredes do Hotel Natividade.



Vista na mesma direcção da anterior, um pouco mais recuada. No original é possível avistar, á direita, ao fundo, atrás do arvoredo, uma parte do telhado da Capela de S. João


Para a História Urbana de Torres Vedras - Av. 5 de Outubro

À "sombra" da nova Avenida e da chegada do caminho-de-ferro, surge, no final do século XIX, um dos primeiros hotéis de T.Vedras, o "Hotel Central". No edifício ao lado anuncia-se o fabrico dos tradicionaos Pastéis de feijão.


O mesmo local, anos mais tarde. O Hotel designa-se agora "Hotel natividade"


Outra vista do Hotel Natividade, situado na "Avenida"


Uma vista do inicío da Avenida, junto á Estação Ferroviária, por ocasião da visita régia de Agosto de 1908.


Vista da Avenida 5 de Outubro, tirada a partir da zona onde hoje se situa a Papelaria União.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Roteiros torrienses - Bibliografia.


- BELO, Aurélio Ricardo, “Nótulas sobre arqueologia de Torres Vedras e seu termo”, conjunto de 55 estudos publicados entre 1952 e 1959, nas páginas do jornal Badaladas.

- CARVALHO, Emmanuel e outros, “More Data for na archeological map os the county of Torres Vedras” (paleolítico), in Arqueologia, nº 19, Junho de 1989, Porto 1989, pp. 16 a 33.

- O Correio de Torres Vedras, nº 24, 25-7-1926.

- FERREIRA, Octávio da Veiga, La culture du vase campaniforme au Portugal, tese de doutoramento apresentada à Faculté des Sciences de l’Université de Paris, Lisboa 1966.

- “Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.

- FREITAS, Cândido Manuel Varela de , A Arqueologia do Concelho de Torres Vedras (Contribuição para o seu estudo até à época Lusitano-Romana), Dissertação de licenciatura no Curso de Ciências Históricas e Filosóficas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2 volumes, Lisboa 1959.

- GONÇALVES, João Ludgero Marques, “O Castro da Fórnea (Matacães-Torres Vedras)”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.123-140.

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- TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, - parte económica, 2ª edição anotada, (1865?) , manuscrito inédito no Arquivo Municipal de Torres Vedras.

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- ZILHÃO, João, O Solutrense da Estremadura Portuguesa – uma proposta de interpretação paleoantropológica, IPPC, Lisboa 1987.

Roteiros torrienses - 5- Idade dos Metais

5 – 1 - Idade do Bronze (1800 aC.).

a) – Necrópole de Portucheira II, Matacães.

b) – Abrigo da Maceira, ou Lapa da Rainha II.
Situa-se frente à gruta peleolítica do mesmo nome, lado poente.
Necrópole com espólio desde o neolítico à Idade do Bronze.

c) – Castro do Cabeço do Jardo, Maxial.

d) – Povoado do Monte da Pena, S. Pedro.

e) - Cova da Moura.

f) – gruta da Ermegeira.

5–2 - Idade do Ferro (séulo VIII aC.).

a) – restos de necrópole, junto ao cemitério de S. João, Torres Vedras.
Jarro e asas de bacia em bronze, de influência tartéssica.

b) – restos de necrópole, na Av. General Humberto Delgado, Torres Vedras.

c) – Junto ao Casal das Passadeiras Outeiro da Cabeça.
Peças em Ouro.

d) – Castro da Serra do Socorro, Turcifal.

e) – Pena Seca, Bonabal, S. Mamede da Ventosa.
Cadeia de hélices e bracelete em ouro.
“O ouro, talvez proveniente do estuário do Tejo, foi usado para fazer estas peças, as quais levam os autores [Leonel Trindade e O . da Veiga Ferreira] a interrogarem-se sobre a sua utilização decorativa ou como valor de peso para as transacções económicas” (TRAVANCA, 1999, p.67).
A sua ocupação talvez tenha origem na Idade do Cobre ou do Bronze.

f) – Castro da Valentina, Maxial.

g) – Castro de S. Mateus, Monte Redondo (?).

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Castro do Zambujal


O nome de Zambujal “deriva sem dúvida, de uma mata de zambujos (...) uma espécie de oliveira silvestre, que existia em tempos no local e dos quais alguns exemplares ainda se vêem vegetando nos arredores, sendo outros aproveitados para neles se enxertarem oliveiras, tal como ainda hoje se pode observar num centenário olival que existe no sopé do monte onde está situado o castro” ( SANGMEISTER, SCHUBART, TRINDADE, 1964, p.3).
Terá sido ocupado entre 2500 aC. e 1700 aC.
“Do ponto de vista estratégico, o lugar escolhido para a construção do povoado não podia ter sido melhor. Não sendo a maior elevação da cadeia montanhosa a Este da Ribeira de Pedrulhos, ficam-lhe por trás os pontos mais altos, encobrindo-a de quem se aproxima vindo de Oeste. Ao escolherem este local relativamente afastado da costa (...), os seus habitantes tinham a vantagem de avistarem o mar e a desembocadura do Rio Sizandro sem que pudessem ser observados” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
“Pelas datações de C14 efectuadas em conchas provenientes dos sedimentos marinhos demonstrou-se que, durante o Calcolítico, se estendia um braço de mar até à actual aldeia de Ribeira de Pedrulhos. No entanto, ainda é desconhecida a amplitude total deste braço de mar, principalmente no vale do rio Sizandro. A distância que separava o Zambujal desta baía era somente de cerca de 1 Km, mantendo-se assim até à fase 4 da construção. Uma rápida sedimentação, provocada por uma forte erosão, provocou o desaparecimento gradual deste braço de mar. Provavelmente, a diminuição da área do povoado, referente à fase 5 da construção, teve a ver com este fenómeno.” (KUNST,1992, p. 27).
“O vale do rio Sizandro foi uma baía marítima do Oceano Atlântico “ (HOFFMANN e SCHULTZ, 1987, p. 45).
Vestígios de fortificações revelam-nos uma das principais características deste castro.
Os “construtores da fortificação desconheciam o método de travar muros, encostando as novas muralhas contra as anteriores. Do mesmo modo, eram os muros assentes no solo original, por vezes sobre rocha viva, mas também em camadas formadas por anteriores derrubes de muros ou mesmo adobe de casas.” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
“Quando foi abandonado, por volta de 1700 aC., era um gigantesco e complexo conjunto, composto por três linhas de defesa.
“O núcleo deste conjunto é uma fortificação circular com aproximadamente 40 metros de diâmetro interior, cujos muros chegam a atingir a espessura de 15 metros. Aparentemente, o topo destes muros serviria de plataforma sobre a qual os defensores se moviam livremente, aproveitando as vantagens da linha defensiva interior.
“Da muralha sobressaem bastiões semi-circulares, pouco distanciados e cobertos por cúpulas, a cujo interior as plataformas dariam acesso. Supomos que estas dispunham de seteiras, de modo a ser possível atirar sobre o inimigo de uma posição perfeitamente protegida. Um corredor, de apenas um metro de largura, conduz ao núcleo fortificado, atravessando a muralha num ponto em que esta atinge o 13 metros.
“Para oriente, a uma distância de 8 a 10 metros da fortificação central, corre uma Segunda linha defensiva com uns dois metros de espessura e reforçada igualmente com bastiões semi-circulares
“A Este, e a cerca de 30 metros da Segunda linha, numa zona mais alta do terreno, encontra-se a terceira linha defensiva (...)” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
Conhecendo-se bem o sistema defensivo do Castro pouco se conhece sobre o seu povoado, devido à construção do Casal do Zambujal, “que veio a destruir o espaço interior da fortificação central até à rocha: todas as pedras utilizadas na construção do casal procedem da fortaleza” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
Actualmente já se comprovou a existência de cinco sistemas de construção
“Os “sistemas de construção” resultaram de conceitos estratégicos diferentes (...). Todos os sistemas têm em comum o seguinte: uma cidadela central (...) que se encontra num esporão rochoso, é rodeado por cinturas amuralhadas mais ou menos concêntricas e possivelmente abertas para a escarpa do esporão” (KUNST,1996, pp.257-258).
São as seguintes as principais características dessas fases de ocupação:
Fase de construção 1 – “Defesa em compartimentos (“labirinto). A fortaleza era dividida em pátios rodeados por muros autonomamente defendidos, para assim dividir o inimigo em pequenos grupos”(KUNST,1992, p. 22);
Fase de construção 2 – “Defesa tipo “Causeweyed Camps”. Este sistema, completamente diferente do anterior, baseava-se em pátios com seteiras que defendiam portas do muro em frente, por onde podia passar uma só pessoa de cada vez” (KUNST,1992, p. 22).
Fase de construção 3 – Defesa com movimento sobre plataformas elevadas. Caracterizado pelo fecho e enchimento dos pátios anteriores, com grandes pedras e terra, de forma a constituirem-se plataformas elevadas onde os defensores se podiam movimentar com facilidade e melhor visualizar os movimentos do inimigo. Este sistema dava grande mobilidade à defesa, permitindo acorrer rapidamente onde ela fosse necessária” (KUNST,1992, p. 22).
Fase de construção 4 – Defesa com cobertura de flancos com torres ocas, elevadas, mas acrescido por torres ocas no exterior dos muros, de forma a permitir melhor cobertura dos flancos” (KUNST,1992, pp. 22-23).
Fase de construção 5 – “Possivelmente abandonou-se a terceira linha da fortificação. As duas linhas mais interiores foram de novo reforçadas. Na linha II são visíveis pequenas entradas num nível mais elevado. Está-se, agora, em plena Idade do Bronze.” (KUNST,1992, p.23).
Correspondendo à fase 2, um dos poucos vestígios actualmente visíveis é o chamado “Barbacã”: “Na campanha de escavações de 1968 foi encontrado um pátio semi - circular, que continha ainda conservadas algumas paredes até uma altura de cerca de 4 metros (...). Na época da sua escavação chamou-se ao pátio “barbacã”. A sua parede a Leste contém aberturas que se interpretaram como uma pequena porta e seteiras, pois a elas correspondem pequenas portas na Segunda linha de defesa (...). Estas portas são tão estreitas que só permitiam a entrada a um agressor de cada vez (...); no entanto este podia ser alvejado pelas setas dos guerreiros que se encontravam no interior da barbacã (...).
“Assim, fica claro que não se trata na verdade de uma barbacã, mas sim de um sistema de defesa do tipo das construções neolíticas, chamadas “Causewyed Camps” por G. Childe (...)” (KUNST,1992, p.23).
Não se prova “ a hipótese de terem sido navegantes do mediterrâneo Oriental que construiram estas fortificações, com o fim de as usar como feitorias, para assim dominarem as áreas adjacentes e controlarem as prospecções, produção e comércio do cobre, assumindo o poder. Também poderia ter acontecido que relações comerciais marítimas (directas ou indirectas) fizessem com que uma população indígena iniciasse a extracção do cobre, acumulando assim uma riqueza, que a levasse a construir fortificações e a evoluir para novas formas de vida urbana e social. Ambas as soluções são possíveis, a partir de idênticas fontes tal como a possibilidade de terem existido outras formas intermediárias, diferentes de lugar para lugar. Não se podem negar, porém, as inovações que surgem com o Zambujal e estruturas aparentadas, a par de semelhanças de certos elementos com outros existentes no mediterrâneo Oriental.” (SCHUBART, 1987, p.20).
“A sua localização pode (...) depender de factores antropogeográficas, mais do que de condições naturais” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.51).
Para Sangmeister e para Schubart, a posição do Castro é principalmente estratégica. Existem, contudo, “num círculo de cerca de 10 Km à volta do local “ onde se situa o Castro “vários locais que teriam sido igualmente favoráveis, ou até mesmo mais, em termos estratégicos”, como a área do vale do Sizandro entre Torres Vedras e Runa, com importantes recursos minerais e elevado potencial agrícola. Nesta área existem zonas que foram povoadas no tempo do Castro do Zambujal, como o Castro da Fórnea, o povoado do Penedo e a gruta sepulcral de Cova da Moura, denotando contudo povoados menos importantes que o Zambujal.
“Há evidência indirecta de que o comércio deve ter sido a fonte de riqueza óbvia do Zambujal (...)”. Nem “ os recursos locais de minerais, nem o potencial agrícola dos seus arredores podem ter sido a razão do poder económico do Zambujal. Há apenas um aspecto do seu meio circundante que é único nesta parte do Centro da Estremadura: o castro encontrava-se muito perto de um perfeito porto natural.
“Partindo do principio de que a proximidade deste porto natural foi o factor macro-ambiental decisivo para a localização do povoado, os factores micro-ambientais para a sua fixação específica são mais fáceis de compreender. Há vários contrafortes de montanha de localização estratégica comparável, ainda mais próximos do antigo estuário, mas nenhum deles oferece um recurso local de pedra sólida pronta para usar como matéria prima de construção. As lajes de calcário arenoso, com que o castro foi construído, surge apenas numa estreita faixa que se estende desde Torres Vedras, passando pelo Varatojo, até ao Zambujal, onde se aproxima ao máximo do antigo estuário do Sizandro. Mais próxima do rio, esta pedra calcária é revestida por uma pedra macia, quase arenosa, que não é boa para uso em alvenaria. O único outro local de onde as lajes, para edificar uma fortificação, poderiam ser extraídas junto à foz do Sizandro, nas arribas da costa.
“Uma localização na própria costa teria tido um grande número de desvantagens”, de entre elas, a exposição a piratas e inimigos vindos do mar e razões climatéricas.
Mas a “maior desvantagem de um local na costa actual seria (...) também antropogeográfica. Um porto é sempre um entreposto entre diferentes tipos de transporte. Num porto comercial florescente os transportes marítimos devem estar em conexão com estradas eficientes, que conduzam às áreas de produção ou consumo das mercadorias embarcadas. Um lugar da costa actual teria sido marginal a qualquer das áreas descritas anteriormente como favoráveis” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, pp.51-52).
Existem vestígios que comprovam a importância da metalurgia para a economia do castro. “O cobre deve ter constituído o factor mais importante da economia deste lugar” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
As casas de planta oval “apresentam um socalco de pedra sobre o qual se elevava uma cúpula feita de adobe (...). No interior das casas foram encontradas fogueiras não apenas para cozinhar.” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
“São dois os casos em que várias fogueiras se agrupam em círculo, ao redor de uma estrutura plana, de barro, com os bordos elevados, tendo sido recolhidas nestas mais de 200 gotas de cobre fundido e, a redor das fogueiras, minúsculas gotas (tal como as que saltam quando se verte metal fundido) foram igualmente detectadas” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987). Nessas mesmas fogueiras surgiram também grãos de trigo carbonizados, o que parece indicar a sua utilização para fins culinários, pelo que se pode concluir que o cobre era fundido em indústrias caseiras.
“Para todo o período de ocupação do povoado (...) está documentada a metalurgia por vestígios de instalações destinadas à fundição do cobre” (KUNST,1996, p.258).
O cobre era importado, trazido de longe, “pois na zona não há notícia de jazidas de cobre. Supõe-se que o minério era fundido em pequenas quantidades, com carvão vegetal, procedendo-se logo à conversão do metal recém-obtido em barras e outros objectos.
“Há apenas um recurso destes [ minério de cobre] próximo do Zambujal. Trata-se de uma jazida de malaquite (...) que vêem à superfície próximo de Matacães, a pouco menos de duas horas a pé do Zambujal, seguindo o vale do Sizandro. A área é precisamente a Norte da bacia de Runa”, onde existia uma fonte de sílex. “Não existem ainda indicações de que tenha sido feito qualquer uso, durante o calcolítico, do minério de cobre de Matacães, mas a sua simples existência é um factor importante para a compreensão da paleo-economia da área.
“Devido à concentração de diversos minerais de uso potencial, a área à volta de Runa e Matacães, no vale médio do Sizandro, constituiu uma região privilegiada no que se refere a recursos abióticos. Não obstante, o Zambujal como o maior povoado calcolítico nesta região estava situado ainda a uma certa distância daquela área, num meio que não possuía nenhuns minérios úteis no seu limite de alcance imediato” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p. 48).
A proximidade de jazidas de cobre próximas do local do castro pode ter sido importante na determinação da sua localização.
Por outro lado, a utilização de outros recursos minerais, como o sílex, o basalto e o grés, não teria sido determinante, segundo UERPMANN. Estes minérios terão sido obtidos a alguma distância do castro:
“A bacia de Runa, que fica a 7 Km. em linha recta, ou a duas horas de caminho a pé do Zambujal, foi utilizado pelos habitantes do calcólitico como uma área de recurso. Há apenas um outro recurso de sílex a uma distância mais próxima do local: os depósitos plistocenicos de praia, os declives a Norte do vale inferior do Sizandro, que contêm seixos de quartzito de granulação fina, de má qualidade para talhe, mas que foram usados no Zambujal como percutores (...).
“Entre os minerais mais frequentes usados para o fabrico de instrumentos no Zambujal, o basalto é o mais acessível, situando-se a uma distância de cerca de 30 minutos a pé (...) ( surgem em vales tifónicos e noutros locais a Sul do Sizandro, entre a costa próxima da Praia de Assenta, a ocidente, e a bacia de Runa a Oriente).
“Os grés do Cretácio Inferior, usados no castro para o fabrico de algumas mós, poderiam ser quase considerados “locais”, embora tivessem sido trazidos de uma distância de pelo menos 3 Km, dos montes a Norte do Sizandro” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.47).
Foram encontrados vários objectos que revelam os contactos comercias do Castro do Zambujal: objectos em marfim, cuja matéria-prima era importada do Norte de África; “os cilindros e agulhas de osso poderão ter sido produzidos no povoado, mas apresentam uma assombrosa semelhança com os correspondentes objectos egípcios e do Mar Egeu; as vasilhas de pedra calcárea e de alabastro são muito semelhantes às que se conhecem do Próximo Oriente” ” (SCHUBART e SANGMEISTER, 1987).
Outro “artigo exótico pode ter sido o diorito, utilizado no fabrico de contas, e as grandes quantidades de rocha anfibolítica importada para o fabrico de instrumentos”, esta, provavelmente, importada do rio Sado. Também o vinho pode ter sido importado
Com base no levantamento arqueológico do lugar podemos indicar como actividades existentes no castro: cerâmica, metalurgia, moagem, tecelagem, agricultura, criação de gado (vacas, cabras, porcos e ovelhas), comércio, caça, pesca, actividade militar.
Nas escavações efectuadas foram recolhidos cerca de 160 000 fragmentos de cerâmica. Existem três grupos característicos dessa cerâmica : Campaniforme, decoração do tipo “folhas entalhadas” e “copos cilíndricos”. (KUNST, 1987)
É “seguramente correcto relacionar as pontas de projéctil com uma componente militar, nas indústrias de pedra das fortiicações calcolíticas. Isto terá tido também os seus reflexos no estilo de vida dos habitantes. A ideia de uma forte componente militar no campo sócio-económico das fortificações calcolíticas não é nova e é ainda favorecida pelo esforço bem visível despendido na fortificação dos povoados (...).
“Com base na ausência de instrumentos para a ceifa, devemos assumir que a maior parte do grão transformado nas mós encontradas no Zambujal, foi obtido por uma população agrícola que habitava fora do povoado” (UERPMANN, Margarethe, , 1987, p.41).
As condições do vale frente ao castro não seriam na época favoráveis à agricultura, por ser alagadiço. Quanto aos declives acima do Zambujal, embora não se lhes possa negar “um certo potencial agrícola, a zona, no seu conjunto, não pode ser considerada excelente para a agricultura”, pelo que “o potencial agrícola local não pode ter sido muito importante para o desenvolvimento do povoado” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.48).
Quanto à alimentação dos seus habitantes, além da que tinha origem na agricultura e pecuária, foram encontrados vestígios de que os seus habitantes se alimentavam igualmente da caça (carne de veado, de auroque, de javali, de cavalo, de coelho, aves) e também de peixe, moluscos, caracóis e, com menos frequência, de corço, lebre e baleia.
Com a farinha dos cereais (trigo e cevada), produziam farinha, papas e pão. Encontraram-se ainda vestígios de favas, sementes de linho, azeitonas e videiras.
“No que diz respeito ao sector animal da economia de subsistência do Zambujal, a alta proporção de porcos nos vestígios ósseos encontrados indica um uso extensivo das florestas de carvalho, que devem ter coberto grandes áreas da Estremadura, durante o Calcólitico. O mesmo nicho ecológico terá sido utilizado para a criação de gado bovino, que constituiu o recurso mais importante de carne no castro”( UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.50).
Embora menos significativa, a criação de ovelhas e cabras era usada para obter leite e, no caso das ovelhas, também, provavelmente, para a obtenção de lã.
“Deve ser dada uma atenção especial ao facto de terem sido encontrados no Zambujal esqueletos de cavalo”, (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.50). não se sabendo se eram selvagens ou domésticos.
“No que se refere à localização do Zambujal, o sector animal da sua economia não foi factor de pressão para a escolha do local.
“O único sector de uma economia de subsistência de base animal, que depende até certo grau da localização, é a pesca e a recolha de moluscos. A razoável quantidade de vestígios de animais marinhos encontrados no Zambujal é surpreendente, num local que fica, pelo menos, a duas horas a pé da costa actual. Contudo, com um estuário a invadir a zona inferior do Vale do Sizandro até à área da Ponte do Rol e, talvez mesmo, até à confluência com a Ribeira de Pedrulhos, o Zambujal torna-se um povoado costeiro. Este facto é de extrema importância para a ecologia do castro, embora não em termos da sua subsistência” (UERPMANN, Hans-Peter, 1987, p.50).
Existem vestígios que nos permitem retractar com alguma fidelidade qual seria o meio ambiente envolvente do castro: “Encontraram-se ossos de pequenos mamíferos (toupeiras de água, rato cabrera), indicadores de um meio-ambiente mais húmido do que o de hoje (...).
“Como o indicam determinados ossos de animais selvagens, restos carbonizados de madeira e cortiça e sementes de plantas, a vegetação que rodeava o Zambujal devia ser principalmente uma floresta composta por pinheiros e árvores como o carvalho e o sobreiro, ainda existentes na mata do Convento do Varatojo. “Restos de madeira de freixos, lodão e , sobretudo, de amieiro e choupo, indicam a presença destas espécies nas margens dos rios.
“Estas matas abrigavam um grande número de animais para caça, como o auroque, a corça, o veado e o javali, e ainda animais predadores, como o lince, o gato bravo, o urso, o lobo, a raposa, a doninha e o texugo.
“Nas escarpas rochosas havia mato rasteiro, como o que ainda existe hoje nas áreas não cultivadas à volta do Zambujal, indicado pelos achados de pistácia, espinheiro alvar, Sistus spec. (provavelmente roselha) e pelos ossos de pequenos pássaros, perdizes, lebres e coelhos.
“As tetrazes e abetardas habitavam em pradarias ou estepes, sendo ambas as espécies bons indicadores de que naquela época já havia grandes planícies de campo aberto nos locais mais elevados” (KUNST,1992, p.25).

Castro do Zambujal

(Mapa, da autoria do Instituto Arqueológico Alemão, reconstituindo as condições geográficas da zona de Torres Vedras no período Calcolítico, sendo bem visivel a "lagoa do Sizandro" que chegava até à zona do Castro do Zambujal)






Reconstituição das muralhas do Castro do Zambujal

Distribuição da Cultura do Vaso Campaniforme na Península de Lisboa,destacando-se o Castro do Zambujal

Roteiros torrienses - 4 - Calcolítico

4 – Calcolítico( 3000 aC- 1800 aC.)

4 – 1 – Povoados

a) – Castro da Achada, Monte da Achada, Monte Redondo.
Descoberto por Leonel Trindade em 1951.
Ocupado no início da Idade do cobre, podendo ter tido uma segunda ocupação durante a Idade do bronze.

b) – Castro da Fórnea, Matacães.
Castro contemporâneo do Castro do Zambujal, de cuja proximidade se pode especular sobre o tipo de relações existentes entre esses dois sítios. João Ludgero Gonçalves avançou a hipótese de a Fórnea poder ser “uma atalaia de defesa de uma boa via de comunicação (como é o vale do rio Sizandro) ou do limite fronteiriço de um teritório (...) ou o posto avançado para exploração de fontes de matéria-prima, de um território económico liderado por um lugar central” que podia ser o Zambujal. (GONÇALVES, 1995, p.139).
Datado de entre 2500 a 2200 aC.

c) – Póvoa do Penedo, Runa.
Descoberto por Ricardo Belo em 1933, tendo recolhido mais de 800 peças datadas do eneolítico.
“A construção pode ser considerada uma última variante das fortificações das colónias da Idade do Cobre, em território português, e apresenta uma superfície interior relativamente pequena” (RODRIGUES, 1999, p.70).
Datado de entre 2500 e 2200 aC.

d) – Pitagudo, A-Dos-Cunhados.

e) – Serra de Sarreira, Freiria.

f) – Castro do Zambujal.
Foi descoberto por Leonel Trindade em 1938, responsável pelas primeiras escavações em 1944, 1959 e 1960, acompanhando-o, nos dois últimos anos, o Dr. Aurélio Ricardo Belo. Foi então convidado o Instituto Arqueológico Alemão a continuar esse trabalho, o que aconteceu entre 1964 e 1973, período durante o qual se efectuaram sete campanhas de escavações orientadas por E. Sangmeister, H. Schubart e W. Huebener .
Nos anos seguintes foi estudado, por aquele Instituto, o espólio e o conjunto de informações obtidas naquelas escavações, distinguindo-se nesta fase o trabalho do arqueólogo Dr. Michael Kunst.
Foi declarado Monumento Nacional pelo Decreto 35817 de 20/8/1946.
(ver mais dados, em próximo texto)

g) – Castro do Cabêço do Jardo, junto ao Maxial.

h) – Castro do Monte de S. Mateus, junto à Lobagueira, Maxial.

i) – Castro do Outeiro da Cabeça.

j) – Castro do Casal da Passadeiras, Maxial.

k) – Varatojo, próximo do Convento.
Castro não fortificado, datado de 2500 aC.

l) - Quinta das Galhardas, a oeste da Ribaldeira.
Castro.

m) – Monte da Doutora, Sarreira, Freiria.
Castro.

n) – Castro da Boiaca.
Achado de superfície.

o) – Casal do Sobrigal, S. Domingos de Carmões.

p) - Castro da Portucheira (?), Matacães

4 – 2 – Necrópoles

a) – Borracheira, S. Pedro.
Achado de superfície.

b) – Lapas Grandes, Monte Redondo.
Duas grutas artificiais construídas entre 2700 e 2500 aC., talvez ainda no Neolítico final.
Uma das grutas foi novamente ocupada no Calcolítico Final (entre 2000 e 1500 aC.).
Ambas voltaram a Ter uma ocupação humana entre 1000 e 800 aC.(Bronze final ).

c) – Lapa da Rainha II, Maceira.

d) – Gruta do Sapateiro, vertente SO do “Cabeço do Castelo”, Maceira.

e) – Portucheira I, Matacães.

f) – Cova da Moura, S. Pedro.
Gruta natural, na margm esquerda do Sizandro, entre Torres Vedras e as termas dos Cucos, junto à linha de caminho de ferro, na Boiaca.
Nela foram encontrados 90 esqueletos.
Próximo dela existem várias grutas naturais, mas só numa delas, a chamada “Cucos II”, foi encontrado material arqueológico, um machado em pedra polida.
Datado de entre 2500 e 1400 aC.

g) – Monte da Pena, “Tholos” do Barro, S. Pedro.
Monumento Nacional desde 1940
Descoberto em 1909 pelo Pe Paul Bovier-Lapierre.
A maior parte do espólio aí encontrado está no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia.
O espólio encontrado nas imediações daquele monumento por Leonel Trindade encontra-se no Museu de Torres Vedras e é datado, quer do calcólítico quer o Bronze final.
“É provável a existência de sepulturas do Bronze Final nas imediações do monumento do Barro. A hipótese de um povoado (...) não tem de ser necessariamente posta de parte: alguns elementos deixam ainda supor a existência de um horizonte de ocupação mais antigo no local, que não a tholos (...)” (MADEIRA e Cols, 1972).
Os objectos encontrados no monumento funerário são típicos da cultura do vaso campaniforme.
Datado de entre 2500 e 2200 aC.

h) – Casal Charrino, perto do castro do Varatojo, S. Pedro.
“Tholoi”. Completamente destruído.
Data de aproximadamente 2500 e 2200 aC.

i) – Bolores, S. Maria.

j) – Cabeço da Arruda, Freiria.
Conjunto de três sepulturas do calcolítico, duas colectivas e uma de tipo “tholos.
A mais antiga data de, aproximadamente, 2000 aC.

k) – Serra das Mutelas, perto da Quinta de Charniche, S. Mamede da Ventosa.
“Tholoi”. Completamente destruída.
Datava de entre 2500 e 2200 aC.

l) – Serra da Vila, Stª Maria.
Sepultura megalítica, tipo “tholos”.
Foi completamente destruida.

m) – Junto a Vila Seca, Maxial.
Monumento megalítico.

n) - Quinta de Entre Campos, Ermegeira, Maxial.
Gruta artificial
Entre os objectos aí encontrados, destaca-se um par de brincos em ouro e quatro pequenos tubos de folha enrolada do mesmo metal.
Data de aproximadamente 2500 a 2200 aC.

o) – Abrigo da Carrasca, perto da Macheia, Matacães.
Abrigo sob rocha de grandes dimensões, datado de entre 2500 e 2200 aC.

p) – Lapa do Paio Correia ou Lapa do Preto, junto à Vala do Pisão, Vila Facaia, Ramalhal.
Gruta artificial. Datação desconhecida, provavelmente de entre o IIIº e IIº milénio aC.

q) – Moinho da Lapa, Stª Maria.

4 – 3 – Achados isolados

a) – Vespeiro, S.Pedro
Achado de superfície.
b) – Barrigudo, Runa.
Achado de superfície.
c) – Cucos II, S. Pedro.
d) – Casal da Serra, S. Mamede da Ventosa
Achado se superfície.
e) – Fonte Grada, Stª Maria.
Achado de superfície.
f) – Sequeira, Silveira.
Achado de superfície.
g) - Forte do Canudo, Stª Maria.
Achado de superfície.
h) – Charnais, Serra da Vila.
Achado de superfície.
i) – Casal da Amoreira, S. Pedro da Cadeira.
Achado de superfície.

Calcolítico - Tholos do Barro