sábado, 30 de maio de 2009

30 de Maio de 1834 . decreto de extinção das Ordens Religiosas - Recordando os Conventos Torrienses - Convento da Graça


O primeiro convento da Graça de Torres Vedras, que já não existe, situava-se na chamada Varzea Grande, em frente à Igreja de Santiago.
A primeira autorização para a sua construção foi dada por D. Afonso III em 1228. Não foi contudo utilizada, pelo que voltou a ser solicitada a D. Pedro I que a concedeu em 14 de Março de 1328.
Só a partir de 1383 existe documentação comprovativa da sua construção, que ainda prosseguia em 1405.
Pouco tempo antes da autorização de D. Pedro, concedeu o papa Urbano V uma bula, datada de 29 de Março de 1364, autorizando a transferência dos eremitas de S.tº Agostinho do convento de Penafirme para o convento a fundar na vila de Torres Vedras.
É a esse desaparecido convento que está ligada a vida de Gonçalo de Lagos, beato, erradamente designado como santo, que foi seu prior entre 1412 e 1422.
A construção do actual convento da Graça teve lugar ao longo do século XVI para substituir o velho convento dos eremitas calçados de S.tº Agostinho.
No lugar onde foi construído o segundo mosteiro existia a gafaria de St.º André, cujo terreno foi doado à ordem agostiniana de Torres Vedras por alvará de D. João III, datado de 26 de Setembro de 1542, para aí se construir o novo convento.
A primeira escritura dessa doação teve lugar a 20 de Outubro de 1544, sabendo-se que em 1566 ainda estava em construção.
Em 1554 os frades ainda viviam no convento velho, como se refere num dos painéis de azulejos que relata a vida de S. Gonçalo.
Talvez tenha sido oficialmente inaugurado em 1559, pois foi neste ano que foi trasladado, do velho convento para o novo, o corpo de S. Gonçalo de Lagos.
Já era habitado nos finais do século XVI, como se comprova pelo facto de existir uma referência à morte de todos os seus frades na chamada “peste pequena” de 1579.
Funcionaram várias escolas no convento: uma de ensino de teologia moral, instituída em 1723 e uma escola pública a cargo dos eremitas fundada em 1780.
Em 1807 foi estabelecido na Igreja um Hospital para as tropas francesas
Por decreto de 30 de Maio de 1834 foi extinto o convento da Graça.
Em 21 de Abril de 1887, a Câmara Municipal comprou parte do edifício da Graça, na posse de um particular, instalando aí vários serviços municipais, a escola primária e a cadeia.
Pelo decreto nº 42007 de 6 de Dezembro de 1958, a Igreja e o Convento da Graça foram classificados como Imóveis de Interesse Público.
A partir de 1983 iniciou-se um movimento para o restauro do edifício. Desde 1992 aí funciona o Museu Municipal e o GAT.

Descrição do conteúdo (elaborado em 1998)

Entra-se para a Igreja por uma uma galilé, aberta em 3 arcos para norte e 2 arcos para nascente, com um Silhar de azulejos de albarrada do século XVIII, com motivos simétricos, com flores e cabeças de anjos.
A Igreja é de uma nave com abóboda de berço, nela existindo 4 capelas laterais de cada lado mais a capela mor. Logo à entrada, na parte superior da parede nascente pode apreciar-se uma bonita mísula barroca do orgão, recentemente restaurada.
Comecemos por descrever as capelas do lado nascente (à esquerda de quem entra), chamado o lado do evangelho:
- na primeira podemos observar o altar com imagem de S. Gonçalo de Lagos e no qual se encontram os restos mortais desse santo, num cofre mandado construir pelo príncipe D. Pedro, marido de D. Maria Iª, em agradecimento pela cura de uma ferida na sua perna, motivando a última trasladação dos restos mortais do santo, efectuada em 1784 ;
- na segunda o altar em talha com o Santíssimo Sacramento, dito do Menino Jesus do Bom Pastor, cuja imagem em marfim se encontra exposta no Museu Municipal;
- a terceira capela é a do Senhor dos Passos, construída em 1668, com altar de mármore embutido e azulejos do séc. XVIII com cenas da paixão ( 2 painéis narrativos da subida para o calvário). Nela existe, na parede da esquerda , uma sepultura dos finais do século XIX de Luiz de Abreu Bulhões (1810-1875) e de Maria da Conceição Bulhões (1816- 1872), antiga família de Trás-os-Montes, para aí trasladados pelos filhos em Março de 1890;
- a quarta é a capela de António Godinho da Cunha e sua mulher, brasonada, datada de 16 de Julho de 1626, com um altar em talha, dedicado a S. Nicolau Tolentino.
Eis-nos agora junto à capela-mor. No altar-mór existem dois espaços vazios onde deviam estar as imagens de Santo Agostinho e de Santa Mónica. No centro deste há uma imagem barroca, estofada, seiscentista, da padroeira da Igreja, N.ª Sr.ª da Graça e no cimo do altar um Crucifixo . Em baixo, ladeiam o coro duas esculturas em madeira, uma de S.tª Gertrudes Magna e outra de Santa Francisca Romana, ambas do séc. XVII, beneditinas, provenientes do convento de S. Bento de Coimbra, obra de Frei Cipriano da Cruz.
Na parede poente da capela-mor está o nicho com o túmulo medieval de S. Gonçalo de Lagos, construído em 1518, para aqui trasladado em 1559. O túmulo é em pedra calcária com estátua jacente num nicho.
Nessa mesma parede existe uma porta de ligação para a ante-sacristial, para a sacristia e para os lavabos, sítios com interessantes painéis de azulejos do século XVIII, narrativos, referentes a frades agostinianos beatificados, um deles datado de 1725.
Voltando à Igreja, falta-nos percorrer as capelas do lado poente, dito da epístola, na direcção da saída para o claustro:
- a mais próxima da capela-mor é a capela de Maria Cabreira e Maria Fróis, filhas de André Cabreira e de Margarida Preto, com brasão, mandada construir a 10 de Junho de 1638 e onde está o altar de Cristo cruxificado;
- segue-se a capela de Mª Serrão Borges e Bartolomeu Pacheco Sande, com brasão, mandada edificar em 20 de Maio de 1644, um dos mais antigos altares da igreja, ainda com traços renascentistas;
- podemos, depois, apreciar a capela de N.ª Sr.ª da Correia, com altar em talha;
- finalmente observamos a capela de N.ª Sr.ª das Dores, com imagem, ladeada, à sua direita por Stª Catarina e à sua esquerda por S. Pedro de Alcantara.
Podemos então sair para o claustro por uma porta lateral. Nele podem ser apreciados os painéis narrativos da vida de Frei Aleixo de Menezes, prior deste convento em 1588, que foi arcebispo de Goa e de Braga, homem de letras e frequentador da côrte de Filipe II. Parte destes azulejos foram retirados do claustro, talvez em 1834, estiveram algum tempo depositados no convento do Varatojo e acabaram no antigo convento franciscano de S. Bernardino, de onde foram recuperados a partir de 1991, para voltarem ao seu lugar de origem.
Será ainda interessante entrar na sala da portaria, que faz ligação entre o claustro e a galilé, com as paredes cobertas por 8 painéis de azulejos, do século XVIII, narrativos da vida de S. Gonçalo de Lagos.

Os Sinos

O som dos sinos da Igreja da Graça, colocados na sua torre, é hoje um dos momentos mais característicos desta cidade.
Em 1962, nela estavam colocados o sino “Santa Rita de Cássia, datado de 1737, o maior de Torres Vedras, com 1 metro de diâmetro, e a imagem da santa gravada, o qual, depois de restaurado, aí se mantém.
Durante anos esteve acompanhado por um outro sino, o “São Nicolau”, datado de 1725, com 0,76 m. de diâmetro, o terceiro maior de Torres, que já estava retirado em 1962.
Existiam mais dois, datados de 1822, mais pequenos. Um destes está actualmente no corredor de ligação à biblioteca do museu.
Actualmente, fazem companhia ao “Santa Rita de Cássia” três novos sinos, aí colocados em 1998, todos datados de 1997.
No exterior da torre sineira está instalado um relógio, que, desde o passado dia 14 de Julho de 1999, voltou a dar horas aos torrienses.

Informação mais aprofundada e actualizada pode ser consultada na seguinte obra:
SILVA, Paula Correia da, O Convento da Graça de Torres Vedras – a comunidade eremítica e o património, ed. CMTV e Livro do Dia, Torres Vedras, 2007, 171 páginas.

30 de Maio de 1834 . decreto de extinção das Ordens Religiosas - Recordando os Conventos Torrienses - Convento do Barro

Foi fundado em 1570 pela infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel, donatária da vila de T. Vedras.
Foram seus primeiros ocupantes os religiosos arrábidos, até 1834.
A sua Igreja é dedicada a N.ª Srª dos Anjos.
No século XIX foi ocupado pelos Jesuítas, que aí instalaram um colégio. Quando da implantação da República em 1910, foram presos e expulsos deste convento.
Hoje está aí instalado um hospital especializado em doenças contagiosas.
Do velho edifício quinhentista resta apenas a capela do Senhor dos Passos.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

29 de Maio de 1589 - O Prior do Crato em Torres Vedras

(D. António, Prior do Crato)

Em 29 de Maio de 1589, um exército anglo-luso, onde se encontrava D. António Prior do Crato, entrava em Torres Vedras, dirigindo-se a caminho de Lisboa, com o objectivo de restaurar o trono português.
A História deste episódio está bem documentada num manuscrito da autoria de André Falcão de Resende, existente na Torre do Tombo.
O conhecido poeta quinhentista tinha sido “juiz de fora” em Torres Vedras desde finais de 1576, onde estabeleceu amizade com o alcaide D. Martinho Soares de Alarcão, já não exercendo esse cargo, pelo menos desde o início de 1586.


Antes, em 18 de Abril de 1589, saia de Plymouth, na Inglaterra, uma armada, a bordo da qual seguia D. António Prior do Crato com a sua “corte”, com o objectivo de conquistar o reino de Portugal.
Era uma armada de “cento e setenta navios grandes e pequenos”, com “perto de vinte mil homens”, ingleses, escoceses, “gente vadia de França” e da Flandres, alguns espanhóis “portugueses e castelhanos”, isto é, composta por mercenários.
A armada era comandada pelo “General do mar”, Francis Drake, acompanhado pelo “General de terra” Henrique Norris,”capitão escocês muito conhecido”, conde de Norwich.
Atacando,sem êxito, a Corunha, na Galiza, dirigiu-se então para território português.
Tomando-se conhecimento da sua aproximação, entre Lisboa e Cascais foram tomadas várias medidas para a defender a capital de um desembarque e ataque dos ingleses, apesar de os armazéns da cidade estarem “muito faltos de armas e de munições, por se gastar muito na armada do ano passado” (refere-se ao desgaste da armada portuguesa, motivada pela derrota luso-castelhana da Armada Invencível, cerca de um ano antes).
No dia 23 de Maio de 1589, uma sexta-feira , a Armada Inglesa chegou a Peniche, entrando no porto da vila, que tomou, e a praia em frente, a praia de Nª Senhora da Consolação.
As tropas estacionada para defender o local e a fortificação, perante a dimensão da armada, fugiram ou renderam-se de imediato.
A facilidade com que os ingleses entraram em Peniche, está na origem do dito popular dos “amigos de Peniche”.
O alcaide local, João Gonçalves de Ataíde , de imediato mandou enviar recado a “Sua Alteza” e ao alcaide-mor de Torres Vedras, Dom Martinho Soares de Alarcão e Melo, acerca do sucedido.
Em Torres Vedras estavam estacionadas 12 “companhias” comandadas por Martinho Soares, que logo na noite desse dia partiu com elas na direcção de Peniche, acompanhado por Gaspar de Alarcão, morador nesta vila, com cento e dez “ginetes” de que era capitão.
Este Gaspar Ruiz de Alarcão tinha vindo para Portugal em 1587, com quatro companhias a cavalo, para apoiar o Vice-rei, Cardeal D. Alberto (AZEVEDO, Maria Antonieta Soares de, “D. Martinho Soares de Alarcão, alcaide-mor de Torres Vedras e avô do Padre Francisco Soares”, in Arquivo do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, vol.I, Paris 1969, pp. 470-486).

Do Turcifal saiu Pero Correia, filho de Lourenço Correia, com três “homens seus” a cavalo, e quatro a pé com “espingardas” e outra gente a pé, para se juntar ao alcaide de Torres.
No Sábado seguinte, dia 24, Dom Martinho Soares juntava-se às tropas comandadas por Pedro de Gusmão, num local a meia légua de Peniche, “sobre hum alto que chamão o Coymbram”, avistando daí os inimigos.
Sobre estes “discorreram” os “Ginetes de Gaspar de Alarcon”, fazendo prisioneiro um soldado do exército inglês que tinha sido ferido, e que disse ser francês, tendo por missão entregar uma mensagem de D. António para “hu Mosteiro de frades ahy vezinhos” , revelando o número de tropas inglesas, 20 mil “infantes”, e informando que já tinham desembarcado em Peniche seiscentos cavalos.
Impressionados com esses números, os “nossos” “aballarão dalli para outro lugar mais alto, e mais afastado do inimigo”, enquanto que “os de Torres Vedras e seu termo que erão todos até trezentos, os mais delles gente rústica”, fugiram para Torres Vedras, as tropas de Dom Martinho e de João Gonçalves de Atayde.
No dia seguinte, Domingo vinte e oito de Maio, juntaram-se a estes, em Torres Vedras, onde já estavam Pedro de Gusmão e Gaspar de Alarcão, duas companhias de “arcabuzeiros a cavalo” comandadas por D. Sancho Bravo (ou Branco) e outras duas de “infantaria do terço”, comandadas por Dom Francisco de Toledo, alojando-se “esta gente toda” no Castelo de Torres Vedras, que consideravam “forte e defençável, principalmente vindo o I[n]imigo sem artilharia e com poucos cavallos”.
Contudo, dando-se rebate, por volta da meia noite, que os inimigos vinham marchando da Lourinhã para esta vila, que distava duas léguas, “partirão todos logo com muita pressa” para Enxara dos Cavaleiros, ficando apenas Gaspar de Alarcan, como os seus “ginetes”, “sempre” à vista do inimigo.
Na segunda-feira, vinte e nove de Maio, pela manhã “entrou em Torres Vedras hum clérigo que era cura no lugar do Vimieiro [será Vimeiro ?], notificando aos que estavão na villa que se não fossem della, por que lhes não farão mal, prometendo lhes disto seguranças, por parte de Dom António”.
Tomando conhecimento dessa situação, os ginetes de Gaspar de Alarcão avançaram para Torres Vedras, com o objectivo de prenderem esse clérigo.
Com esse pretexto entraram “em muitas casa da villa e termo”, provocando a fuga dos seus habitantes para lugares altos.
Os abusos cometidos por algumas tropas de Gaspar de Alarcão e “outros soldados” castelhanos, provocaram o rumor segundo o qual os ginetes andavam a roubar e a matar, “e disto lançarão fama e causando com isto grande inquietação por esta comarca” de Torres Vedras, “e por outras temendo se e escondendo se a gente miúda e molheres, por montes e covas”, embora o narrador refira que os capitães e nobres não foram responsáveis por esses excessos.
Espalhando-se pela região a notícia dos saques, roubos e assassinatos feitos pelas topas luso-castelhanas, a população temia mais “destes nossos amigos e naturaes que dos Ingleses”, até porque estes, até então, não roubavam nem saqueavam, pelo que começaram a ter apoio popular, dando mantimentos e juntando-se às tropas anglo-lusas de Norris e D. António.
Nessa segunda-feira “já tarde”, entraram na vila de Torres Vedras o exército inglês e D. António, sob o comando de Norris, “onde alguns poucos e falhos de força e conselho o esperarão, não seguindo a muitos outros que o não quiserão esperar e se ausentarão”, isto é, a vila estava quase desabitada.
D. António aposentou-se nas casas do prior de Stª Maria do Castelo, “e a noite foy dormir no Castello, onde pousava Francisco de Seixas” Cabreira, natural da vila, que veio a ser preso mais tarde pelo governo filipino, por causa desta sua atitude de facilitar a aposentação de D. António em Torres Vedras.
“Sem mantimentos, e com tanta fome”, as tropas inglesas “comerão muitas imundices”, isto porque tinham ordens para não proceder a qualquer saque.
Contudo, muitos desses soldados “se embebedarão, por aver muito vinho nesta villa”. Beberam em tal excesso que muitos adoeceram e alguns chegaram mesmo a morrer.
Este incidente provocou um atraso no avanço dos Ingleses sobre Lisboa, dando tempo às tropas luso-castelhanas que defendiam a capital de se prepararem para a chegada dos apoiantes de D. António.
Só na quarta-feira seguinte, dia 30 de Maio, é que as tropas inglesas retomaram a sua marcha sobre Lisboa, avançando por Enxara dos Cavaleiros até Frielas.
Tendo chegado a informação aos castelhanos que as tropas inglesas estavam “tomadas” de vinho, avançaram sobre o acampamento inglês onde deram conta que, afinal, “estavão mais expertos do que cuidaram e bem entricheirados”, retirando-se para Lisboa com algumas baixas em confrontos esporádicos com os ingleses.
Entretanto, André Falcão de Resende, que, quando da tomada do Castelo por D. António, tinha escondido alguns livros numa casa a meia légua de Torres Vedras, voltou à vila assim que os ingleses se retiraram para avançarem sobre Lisboa.
Entrando em Torres Vedras, encontrou-a praticamente deserta, descobrindo, junto ao “pelourinho da praça” uma carta, assinada por D. António, na qual com “graves penas e ameaças, assumindo-se nella como Rei, mandava que todos o fossem logo servir e acompanhar, dentro de vinte e quatro horas”.
A título de curiosidade, refira-se que esta é uma das mais antigas referências coevas ao Pelourinho quinhentista de Torres Vedras
Dirigindo-se depois para um ponto alto perto da vila, Falcão de Resende avistou a marcha do inimigo, contando cerca de “doze mil homens, e sessenta cavallos somente”, sem artilharia, sem mantimentos e sem bagagens. De imediato enviou esta informação ao seu filho, Luís Falcão, que estava em Lisboa, para conhecimento dos defensores desta cidade.
No dia 1 de Junho, 5ª feira, o “inimigo” avançou sobre Lisboa até Alvalade “mea legoa” de Lisboa.
Eram as tropas inglesas abastecidas por Gaspar Campello, que tinha negociado com D. António a entrega de mantimentos às tropas luso-inglesas. Gaspar Campello tinha sido juiz em Torres Vedras e era “muito conhecido nesta comarca” e tinha forçado “a gente fraca, com nome de Almotacel moor para trazerem mantimentos aos Ingleses”.
A cavalaria luso-castelhano conseguiu contudo fazer “presas” desses mantimentos.
Durante este tempo ocorreram escaramuças esporádicas entre os dois exércitos.
No dia seguinte, sexta-feira 2 de Junho, os ingleses marcharam de Alvalade até “perto da cidade” entrando pelos arrabaldes e pelas ruas e travessas.
Do Castelo e das Galés estacionadas no Tejo receberam os ingleses muito fogo.
No dia seguinte os sitiados conseguiram receber mantimentos e vários reforços.
Os ingleses, perante a resistência dos sitiados, resolveram, no Domingo 4 de Junho, retirar-se a caminho de Cascais., onde chegaram no dia seguinte, perseguidos pelas tropas luso-castelhanas, entre elas os “ginetes” de Gaspar Alarcão que prenderam e mataram muitos dos soldados luso-ingleses.
De sitiantes, os ingleses passaram, em Cascais, a sitiados.
Em 18 de Junho iniciaram a sua retirada, embarcando na armada inglesa.
Entretanto, no dia 6 de Junho, cerca de mil homens comandados por D. Martim Soares e pelo capitão António Pereira, reconquistaram, quase sem combate, o castelo de Torres Vedras.
Algumas fontes referem uma segunda tentativa das forças do Prior do Crato de conquistarem o Castelo, sem o êxito da primeira vez.
A ter acontecido, terá ocorrido entre essa data de 6 de Junho e o início da retirada inglesa do território português, que ocorreu entre 18 e 22 de Junho (A. Vieira da Mota, “Memórias de Torres Vedras”,Capítulo IX, in O Torrense, nº 52, 17 de Setembro de 1922).
Segundo Vieira da Mota, deve-se a este episódio o facto de D. António apelidar esta localidade de “Torres Traidora”.
O mesmo Martim Soares, em 22 de Junho, marchou sobre Peniche, levando consigo “30 de cavallo”, com “gente de pé”. Chegado à Lourinhã, foi informado por uma espia que os inimigos estavam a embarcar em Peniche, levando consigo a artilharia da fortaleza, pelo que apressou o seu avanço sobre aquela vila, de onde grande parte dos ingleses já se tinham retirado.
Em definitivo, a região voltou a obedecer a D. Filipe II.
Retirando-se definitivamente de Portugal, D. António, faleceu na miséria em Paris em Agosto de 1595.

FONTE PRINCIPAL:
FALCÃO de RESENDE, André, “Carta que o autor escreveo a hum Amigo em que se conta a vinda dos Ingleses a Lisboa com dom António Prior do Crato no Ano de mil quinhentos e oytente e nove annos”, in Manuscrito da Livraria, cota 1147, Arquivo Nacional da Torres do Tombo


PARA SABER MAIS (outras fontes consultadas):


BRAGA, Paulo Drumond, Torres Vedras no reinado de Filipe II, Câmara Municipal de Torres Vedras, Edições Colibri, Lisboa 2009.

RAMALHO, Américo da Costa, O Essencial sobre André Falcão de Resende, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1988.

RÊGO, Rogério de Figueirôa , “O Castelo de Torres Vedras”, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, nº 21, Série II, Maio/Agosto de 1949, pp. 195-209.

SERRÃO, Joaquim Veríssimo, O tempo dos Filipes em Portugal e no Brasil, ed. Colibri, Lisboa 2004.

VAZ, João Pedro, Campanhas do Prior do Crato – 1580-1589 – Entre Reis e Corsários pelo Trono de Portugal, ed Tribuna, sem data [séc. XXI].

29 de Maio de 1589 - O Prior do Crato em Torres Vedras


Mapa elaborado por João Pedro Vaz, obra citada, pág. 83 (clicar nas imagens para ver em formato maior)

A Parte do documento citado, da autoria de André falcão de Resende, onde se relata a presença de D. António em Torres Vedras
(clicar na imagem para ver am tamanho maior)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Torres Vedras no 28 de Maio de 1926


Quando se deu o golpe militar do 28 de Maio, a câmara de Torres Vedras era dominada pelos monárquicos.
Publicavam-se então dois periódicos locais, "A Nossa Terra" e "O Correio de Torres".
"A Nossa Terra", fundado em 1924 como órgão da Associação Regionalista de Torres Vedras, alterou esse objectivo em 31 de Janeiro de 1926, passando a designar-se "Semanário Republicano do Concelho de Torres Vedras", sendo dirigido por Justino de Moura Guedes. Essa mudança parece estar relacionada com divergências no interior daquela associação, que se acentuaram após as eleições municipais de 1925, quando essa associação e o jornal apoiaram uma "lista do concelho" contra a lista monárquica. Monárquicos e republicanos entraram então em ruptura no interior da Associação, com reflexos no próprio jornal, como se comprova numa carta assinada pelo monárquico António Teixeira de Figueiredo, colaborador desse periódico, assumindo a sua ruptura com "A Nossa Terra" , devido ao facto de ter tomado parte numa lista ( a monárquica) "combatida pelo jornal onde eu escrevia", pelo que "nem mais um momento posso continuar nesse jornal, por solidariedade com os meus colegas candidatos da mesma lista e por solidariedade para comigo mesmo" (1).
Progressivamente, ao longo de 1926, esse periódico aproximou-se das teses políticas da recém criada União Liberal Republicana, surgida de uma cisão no Partido Nacionalista, dirigida por Cunha Leal, o que parece indicar a adesão do director do jornal, Moura Guedes, àquela corrente política.
Entretanto, a 10 de Janeiro de 1926, iniciava a sua publicação um novo periódico regional, o primeiro a assumir-se como monárquico durante a 1ª República, intitulado "O Correio de Torres", dirigido por António Teixeira de Figueiredo, dissidente d' "A Nossa Terra". As frequentes citações e referências às opiniões da Acção Realista Portuguesa, organização partidária de D. Manuel II, mas divergindo do liberalismo monárquico, parecem indicar a sua proximidade a esta organização, dirigida por Alfredo Pimenta.
É através das páginas destes dois periódicos que podemos conhecer as posições de parte da elite política local em relação à instauração da ditadura militar a 28 de Maio de 1926, sendo significativo que os dois únicos periódicos que então se publicavam em Torres Vedras representassem duas das tendências mais conservadoras, então existentes, quer entre republicanos quer entre monárquicos.
Ambos os jornais apoiaram com entusiasmo o golpe militar do 28 de Maio.
"O Correio de Torres", pela pena de Teixeira de Figueiredo, num artigo intitulado "Atitude Clara", congratulava-se com "o Exercito" que "acordou, emfim, do seu longo letargo". E acrescentava: "Incarnando a alma da nação, O Exercito, repositario das energias viris da Raça, levantou-se digna e pundonorosamente, e dispõe-se a fazer entrar nos eixos a desconjuntada nau do Estado"(2) .
Por sua vez "A Nossa Terra", num texto intitulado "Pela Pátria! Pela Republica!", saudava o movimento militar, "fazendo justiça ás nobres intenções do sr. comandante Mendes Cabeçadas", que saudava como "o grande patriota e o ilustre republicano, ao qual "fora dos partidos, mas respeitando os que honradamente se teem batido no campo da politica pelo resurgimento da sua Patria", assistia "o dever de repelir as baixas intrigas dos pescadores d'aguas turvas"(3).
O mesmo periódico, nessa sua primeira edição após o 28 de Maio, fazendo desde logo frente à tentativa de aproveitamento político desse movimento militar por parte dos monárquicos, publicava um artigo de opinião de Justino de Moura Guedes, intitulado "Distingamos", no qual se podia ler:
"Um grande numero de individuos que teem passado a vida a fazer política, movendo uma guerra de morte a tudo quanto não esteja pintalgado de azul e branco, verificando mais uma vez a impossibilidade de uma restauração monarquica, lança aos ventos incertos da hora que passa este brado na aparencia tão sincero: guerra a todos os políticos!
"Como se não fossem tambem politicos, no limite das forças que lhes é talhado pela cobardia reles de sempre, esses hipocritas puritanos de pacotilha.(...) Ha apenas que distinguir entre homens honrados e homens que o não são. Mais nada. Políticos são todos aqueles que se interessam e tentam intervir na marcha dos destinos da sua Patria".
E num tom que parece denotar um certo desejo de ver limitado o papel político do exército, concluía:
"(...) Aprovamos a intervenção do exercito em momentos de crise como a que atravessamos. Aprovámo-la e louvámo-la. mas nem por isso lhe reconhecemos o direito de lançar sobre todos os que não vestem uma farda, o labeu de malandros" (4).
À data do 28 de Maio, mais do que o dilema "democracia – ditadura", era o dilema "república - monarquia" que mais preocupava os republicanos torrienses, pois este concelho vivia há quase 4 anos sob domínio administrativo dos monárquicos, o que levou muitos republicanos de vários quadrantes políticos a receber de braços abertos a nova situação política, que viam como uma solução que, em termos locais, podia contribuir para acabar com o domínio local dos monárquicos.
É neste sentido que se podem interpretar algumas preocupações manifestadas nas páginas d' "A Nossa Terra", acerca da formação de uma nova comissão administrativa para gerir os destinos do município neste novo momento político.
Assim aquele periódico alertava para o facto de constar "que varias facções trabalham activamente para que os seus apaniguados tenham assento na Camara Municipal, como membros da proxima futura Comissão Administrativa. Assim, dizem-nos que já há uma lista composta por nacionalistas e monarquicos, e outra por esquerdistas e monarquicos tambem.
"Que os nacionalistas se liguem aos monarquicos, banindo do seu contacto os demais republicanos, está certo.Teriamos pura e simplesmente a continuação da regedoria monarquica na Camara Municipal, atenta a maviosidade inconsistente das convicções nacionalistas.
"(...) Porém (...) não entendemos como os monarquicos se possam ligar aos esquerdistas, à massa mais irrequieta, irreverente e revolucionaria da Republica.
"(...) Já a quando das ultimas eleições camararias, se verificou o deshonesto conubio entre monarquicos e esquerdistas (...)" (5).
Movimentavam-se assim as várias forças políticas locais com vista a pressionarem e influenciarem a constituição da nova câmara.
A 5 de Julho de 1926 era dada posse ao novo administrador do concelho, o tenente da "Infantaria 5" António Victorino França Borges (6), nomeado por circular do Governo Civil de 1 de Julho (7) substituindo o último administrador da 1ª República, o capitão- médico Aurélio Ricardo Belo.
Coube a França Borges a responsabilidade de nomear a nova comissão administrativa, a primeira do novo regime.
No acto de posse, realizado a 30 de Julho, usaram da palavra Justino Freire de Moura Guedes, da União Republicana Liberal, e Victor Cesário da Fonseca, do Partido Nacionalista.
Presidindo a essa comissão Silvério Botelho Moniz de Sequeira, entre os nomeados, 7 efectivos e 7 suplentes, não se incluía nenhum monárquico. Grande parte desses nomeados tinha em comum terem pertencido à Associação Regionalista (6 dos 7 efectivos e 4 dos 7 suplentes).
O presidente desta comissão tinha sido escolhido para presidir ao senado eleito em 1925, representando a "Lista do Concelho" .À "Lista do Concelho" eleita em 1925 tinham pertencido também dois dos suplentes desta comissão, enquanto dois dos efectivos tinham feito parte da comissão de apoio a essa lista .
Entre os efectivos, apenas três tinham um passado político marcante:
- Silvério Botelho de Sequeira ,"viticultor- proprietário" de 60 anos, da Feliteira - Dois Portos, "Secretário Geral da Associação Central da Agriculrura Portuguesa e Director da União dos Vinicultores de Portugal"(8). Teve uma intensa actividade jornalística, anterior à República. Ex-director da "Folha de Torres Vedras", quando este estava próximo dos "franquistas", ex-redactor do periódico "franquista" "O Português" até ao 5 de Outubro, colaborando ainda activamente em jornais como o "Ecos de Torres", próximo dos "democráticos" e do regionalista "A Nossa Terra". Politicamente parece ter estado próximo do "franquismo" nos finais da monarquia, e do PRP em 1917, tendo, como já vimos, sido eleito presidente do senado em 1925, pela "Lista do Concelho", numa coligação de "democráticos", "nacionalistas" e monárquicos moderados. Manteve-se como vereador e Presidente da Câmara até 1931;
- João dos Santos Ghira, engenheiro e "viticultor-proprietário"(8) de 35 anos, da Carvoeira , mas vivendo na vila. Tinha sido eleito para o senado em 1922 pela lista de "conjunção republicana", uma coligação entre "reconstituintes" e "democráticos", embora o seu nome constasse igualmente da lista "liberal" concorrente às mesmas eleições administrativas. Eleito 1º secretário, manteve-se como vereador até finais de 1928;
Mas a figura com maior experiência política nesta comissão era José Anjos da Fonseca. Este comerciante e proprietário de Torres Vedras, então com 54 anos, era um republicano histórico que tinha pertencido ao PRP entre 1907 e 1912. Aderiu então ao Centro Republicano Torreense, ligando-se depois ao Partido Evolucionista. Em 1915 foi nomeado para fazer parte da efémera administração nomeada pela ditadura de Pimenta de Castro, ocupando novamente posição de destaque no município como presidente da primeira comissão administrativa "sidonista", voltando a exercer funções de vereador nas duas comissões administrativas nomeadas após a morte de Sidónio Pais e durante o episódio da "Monarquia do Norte". Em 1919, então como representante do Partido Unionista, pertenceu ao Comité de Defesa da República, aderindo nesse mesmo ano ao Partido Liberal. Desconhecemos qual era a sua posição política em 1926, mas tinha apoiado a "Lista do Concelho" em 1925.No início dos anos 30 veio a aderir à "União Nacional", tendo-se mantido como vereador da câmara até 1933.
Com uma actividade política menos conhecida, faziam ainda parte desta comissão:
- Como vice-presidente, o Dr. António Manuel Figueira Freire, médico e "viticultor-proprietário"(8) de Torres Vedras. Pertencia em 1924 à Associação Regional, fazendo parte da comissão de apoio à "Lista do Concelho de 1925".Abandonaria as suas funções municipais em Agosto de 1930, aderindo então à Liga Republicana, movimento de oposição à ditadura militar;
- Como 2º secretário, João Germano Alves, "viticultor-proprietário"(8) de Torres Vedras, de 42 anos. Tinha sido sócio fundador do Sindicato Agrícola, apoiante das candidaturas agrícolas de Tiago Sales em 1919 e 1921, membro da comissão local do Partido Regionalista em 1922 e da Associação Regionalista de T.Vedras em 1924, foi vereador até 1933 ,
- António Rodrigues Venâncio, farmacêutico e "viticultor-proprietário"(8), da Ribaldeira - Dois Portos, com 42 anos, de quem apenas se conhece a sua ligação, em 1924, à Associação Regionalista, vindo a aderir nos anos 30 à "União Nacional", exercendo funções executivas até Janeiro de 1929.
- Dr. Artur de Castilho, "engenheiro-agrónomo, director do Posto Agrário de Dois-Portos (...) deixou de tomar posse, por motivos que não foram comunicados, tendo sido já tarde preenchida a sua vaga pelo Sr. José Augusto de Almeida Trigueiros, comerciante e industrial, sob nomeação do Sr. Governador Civil"(8).
Este José Trigueiros, que tomou posse a 8 de Abril de 1927, tinha sido candidato à câmara na lista "democrática" nas eleições de 1917, tendo pertencido também à Associação Regionalista, mantendo-se como vereador até finais de 1931, apesar de ter pertencido à Liga Republicana em 1930.
Em 1928 os membros desta comissão referiam-se a si próprios como "o grupo de homens que, integrados, sem hesitações nem desfalecimentos, nas aspirações da Ditadura Militar moralisadora da administração pública e dos costumes, assumiu com sacrifício, com dedicação e com fé, as responsabilidades administrativas do seu Concelho."
E prosseguindo o seu auto-elogio, acrescentavam:
"Todos êsses homens compreenderam que, tendo falido estrondosamente os bons intuitos do Constitucionalismo, falseado por uma libertinagem inepta, e o parlamentarismo dessorado numa vacuidade estéril, só feita de colmilhos vorazes da riqueza pública, chegára o momento de esmagar os interêsses partidários para robustecer o desinterêsse patriótico".
E concluíam:
"Todos êsses homens formaram decididos e aprumados ao lado da disciplina, donde nasce a ordem, que está bafejando o mapa da Europa, numa reacção vigorosa e firme contra a defecção social, e que tem o seu mais alto simbolo no brioso General Carmona, em Portugal, no General Rivera, em Espanha, em Mussolini na Itália e em Baldwin na Inglaterra (primeiro-ministro e líder do Partido Conservador britânico) "(8).
Refira-se que, quanto aos suplentes dessa comissão administrativa, três pertenciam ao Partido Nacionalista, um era ex -"sidonista " outro ex-"democrático", e os restantes dois não tinham filiação política anteriormente conhecida. Apesar de terem sido nomeados suplentes, nenhum deles assumiu funções efectivas. Sempre que foi necessário recorrer à substituição de vereadores, nomearam-se outros indivíduos não pertencentes à lista de suplentes.
Num questionário dactilografado não datado nem assinado, mas que estava junto do exemplar do acima citado relatório da comissão administrativa, existente no AMTV, encontrámos duas interessantes respostas a um inquérito confidencial, que retractava o modo como se implantou a nova Câmara.
Questionando-se na primeira pergunta sobre o estado em que "se encontrava o concelho antes da Revolução Nacional", os autores da resposta (que tudo leva a crer terem sido os membros da comissão administrativa) responderam:
"Atravessou o Concelho alguns períodos agitados.
"Entretanto, o Concelho, inegavelmente, de estrutura nacionalista, fazia vingar em 1923 o seu rumo para as direitas. Assim, a vigorosa mentalidade de Alvaro Galrão, presidindo à Camara, gisou as fecundas directrizes que, em muitos aspectos, ainda hoje são seguidas(..)".
Questionando-se no mesmo inquérito sobre "as dificuldades que se levantaram, para dar inicio à nova politica de realizações", respondiam:
"Nos primeiros tempos da actual Situação, é natural que alguns movimentos de Lisboa tivessem ligação com alguns elementos do concelho.
"Entretanto, o elemento nacionalista conseguiu dominar o meio, fazendo retomar a obra da Revolução Nacional".
Note-se que o tom da resposta escamoteia o facto da primeira comissão administrativa ter sido elaborada contra os interesses monárquicos, representando uma vitória dos republicanos conservadores (ou "nacionalistas") sobre aqueles. Pelo contrário os seus autores parecem não renegar, em termos municipais, a nova situação saída da "revolução nacional" como sendo herdeira da câmara monárquica eleita em 1923, que estava em funções a 28 de Maio. Talvez porque então já não se colocasse a questão do regime ou porque, citando um artigo publicado anos depois no porta-voz local da "União Nacional", "Hoje os homens dividem-se não já em republicanos e monarquicos, mas em nacionalistas e internacionalistas"(10).
---------
(1) A Nossa Terra, 6 de Dezembro de 1925.
(2) O Correio de Torres, 1 de Junho de 1926.
(3) A Nossa Terra, 3 de Junho de 1926.
(4) A Nossa Terra, 3 de Junho de 1926.
(5) A Nossa Terra, 8 de Julho de 1926.
(6) O Correio de Torres, 11 de Julho de 1926.
(7) Livro de Actas da Câmara , nº40(1920-1928), sessão de 7 de Julho de 1926,AMTV.
(8) Relatório da Comissão Administrativa Municipal relativo à sua gerência de 30 de Julho de 1926 (sua posse) a 31 de Março de 1928
(9) Caixa de da Correspondência Antiga, 1926-1928, AMTV.
(10) Alta Extremadura, 10 de Abril de 1933.

terça-feira, 26 de maio de 2009

FICHAS DE BIBLIOGRAFIA VEDROGRÁFICA - "Descripção do Real Asylo de Inválidos Militares em Runa..."


TÍTULO : Descripção do Real Asylo de Invalidos Militares em Runa – Importancia d’este estabelecimento devido á esclarecida munificiencia e piedade de uma illustre princeza – dedicado a Sua Alteza o Ser.mo Senhor Infante D. Affonso Henriques por Augusto Carlos de Souza Escrivanis.

AUTOR: Augusto Carlos de Souza Escrivanis, 1º sargento do regimento d’Infanteria nº 7, servindo de quartel mestre no Real Asylo de Runa.

ANO: 1882.
EDIÇÃO: Lallemant Frères, Typ.
LOCAL: Lisboa.
PREÇO: 200 réis.
Nº de PÁGINAS: 32.

GRAVURAS: 3: - “A Princeza D. Maria Francisca Benedicta (segundo um retrato da época); -“Real Asylo dos Invalidos Militares em Runa”; “Custódia do Real Asylo dos Invalidos Militares em Runa”.
FOTOGRAFIAS: Nenhuma.
GRÁFICOS: 1 : -“Mappa dos inválidos admittidos, falecidos e sahidos desde o anno da abertura do asylo, até 31 de Agosto de 1882”.
MAPAS: Nenhum.

TEMAS: Princesa Maria Francisca Benedita; Asilo Militar de Runa (Actual CAS de Runa); Arquitectura neo-clássica; Beneficência; Runa.

CAPÍTULOS: I – Fundação do Real Asylo de Invalidos Militares; II –Descripção do estabelecimento e differentes esclarecimentos; III – Descripção da custodia e de algumas alfaias e paramentos; IV – Rendimentos do Asylo; V – Melhoramentos que tem tido o estabelecimento depois da sua abertura; VI – Resumo das principaes prescripções concernente ao regímen do asylo; VII – Governadores que tem havido desde a abertura do asylo e a primeira e actual administração; VIII - Mappa dos inválidos admittidos, falecidos e sahidos desde o anno da abertura do asylo, até 31 de Agosto de 1882; IX – Bens e lembranças legados ao asylo; X – Monumento a D. Pedro V; XI – Empregados no asylo e pessoas das visinhanças que conheceram a Serenissima Princeza a Senhora D. Maria Francisca Benedicta; XII – Biographia do actual commandante do asylo; CONCLUSÃO.

FICHAS DE BIBLIOGRAFIA VEDROGRÁFICA - "Descripção do Real Asylo de Inválidos Militares em Runa..."




segunda-feira, 25 de maio de 2009

Para a História Urbana de Torres Vedras -"Largo da Graça"

Este Largo era chamado, já em 1818, de Largo de Santana, por causa da ermida que aí existiu, situada no prédio onde actualmente funciona a casa “Napoleão”, junto a uma das portas medievais da vila, com o mesmo nome.
Essa ermida ficou arruinada pelas invasões francesas, nunca mais sendo recuperada.
Por deliberação de 1 de Abril de 1857, decidiu a Câmara expropriar a área da antiga cerca do Convento da Graça, encerrado em1834, com a finalidade de alargar o espaço do mercado mensal, decidindo que esse lugar servisse também de passeio público, plantando para isso algumas árvores nesse local.
Em 1885 foi aí instalado um coreto para a primeira actuação pública da “Fanfarra 24 de Julho” que ocorreu em 24 de Junho de 1885[1].
Esse coreto nada teve a haver com aquele que é mais conhecido, inaugurado em 1892 e que existiu até meados da década de 40 do século passado
Em 1892, um particular, D. Diogo de Nápoles, tomou a iniciativa de tornar aquele espaço, então praticamente abandonado, num ”Passeio Público”, com um corêto, encabeçando uma comissão para adquirir esse espaço por subscrição pública, apoiada pelo jornal “A Semana”.
A primeira pedra para a construção do jardim e do coreto teve lugar a 11 de Julho de 1892, sendo inaugurado a 21 de Agosto, com festa e Kermesse
Transformado em jardim público com coreto no final do século XIX, ocupando o antigo espaço murado do jardim do Convento da Graça, adoptou o nome do monarca que então reinava, D. Carlos .
A 12 de Maio de 1902 este lugar foi visitado pela rainha D. Amélia, que se fez deslocar de automóvel, talvez o primeiro a rodar em Torres Vedras.
Com a República o largo foi rebaptizado com o nome de Largo da República, tendo-se proposto alterar o seu nome para Largo Sidónio Pais em 1919, proposta nunca concretizada.
Em 10 de Outubro de 1954, no lugar do velho coreto, foi inaugurado o obelisco comemorativo das Guerras Peninsulares, sendo na mesma ocasião aquele largo rebaptizado com o nome de Praça do Império, mantendo o espaço a norte a designação de Praça da República.
“A construção deste monumento teve a comparticipação dos ministérios das Obras Públicas e do Exército e a sua concepção foi do arquitecto Miguel Jacobety, e nele trabalharam o tenente coronel de Engenheiros Manuel Braz Martins, Engenheiro Altino Aldo Gromicho, o construtor civil José Pedro Lopes e os operários, Sebastião Pedro Henriques, Jaime Simões, Joaquim Miranda, José da Silva, José Correia, João Alves Carregueiro e António Chá. As cantarias foram fornecidas pela Firma Pardal Monteiro, Limitada, de Pero Pinheiro”.[2]
Com o 25 de Abril foi novamente rebaptizada como Praça 25 de Abril.
Contudo, popularmente continua a ser conhecida por Largo da Graça.

[1] Jornal de Torres Vedras, 30 de Julho de 1885
[2] Segundo Augusto M. Lopes da Cunha em Memória das Festas da inauguração do obelisco comemorativo da guerra penissular e Catálogo da exposição hiistórico-biblio-iconográfica, ed. Biblioteca Municipal de Torres Vedras, 10 de Outubro de 1954.

Para a História Urbana de Torres Vedras -"Largo da Graça"

Uma das imagens mais antigas o Convento da Graça, do início do Século XIX.

Fotografia do final do século XIX, sendo possível ver a cerca que delimitava os domínios do convento, no sítio onde foi implantado o futuro jardim da Graça.


Ruínas da antiga Ermida de Santana


Edição do Jornal "A Semana",comemorativa da inauguração do Largo D. Carlos, com a imagem do seu benemérito D. Diogo de Nápoles, em 1892

domingo, 24 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Torres Vedras e o Dia Mundial da Biodiversidade


Praia Azul

Convento do Varatojo

Quinta das Lapas

Torres Vedras e o Dia Mundial da Biodiversidade




Parque da Várzea

Torres Vedras e o Dia Mundial da Biodiversidade

Hoje é o Dia Mundial da Biodiversidade.
Será possível, num meio densamente povoado, como o é o Concelho de Torres Vedras, sujeito a muitas pressões sobre o seu ambiente natural, falar-se em biodiversidade?.
Fomos à procura de algumas referências, no nosso património histórico-cultural, a “nichos” de biodiversidade ainda existentes.
Não procuramos ser exaustivos, e exploramos mais a perspectiva histórico-patrimonial desse roteiro do que a perspectiva biológica, até porque esta é uma área que não dominamos.
A intenção é apenas alertar para zonas naturais a preservar e a respeitar.

ARRIBAS DE Stª CRUZ
Da prais da Amoeira à praia do Seixo, é visível a variedade de formações geológicas das arribas de Stª Cruz, em frente às quais se espraiam extensos areais. Destacam-se entre elas o Penedo do Guincho com os seus 30 metros de altura.
Na velha aldeia de pescadores, sargaceiros e moleiros, ainda são visíveis alguns traços do seu velho património, como a Ermida de Stª Helena, ou a mal reconstruída Azenha.
Ao longo das arribas e das dunas, principalmente a norte, foram descobertos vestígios arqueológicos de várias épocas.

PRAIA AZUL
Neste sítio desagua o Rio Sizandro. Em épocas recuadas, no século XIII, existiu próximo deste lugar a povoação de Rendide, talvez com origem em colonizadores germânicos do tempo da reconquista, que exploravam as ricas margens agrícolas do Sizandro.
A Praia Azul faz parte da Reserva Ecológica Nacional, integrando igualmente a Rede Natura 2000, uma rede ecológica de âmbito europeu.
Um dos motivos que mais contribuiu para a importante classificação deste lugar está relacionado com o seu sistema dunar, conservando um habitat característico que é necessário preservar.

MATA DO CONVENTO DO VARATOJO
“A cerca do Convento é espaçosa, e comprehende uma boa mata, horta, e vinha povoada de muitas arvores das milhores castas de peras, maças, ameixas, ginjas, e pêcegos, e tambem comprehende diversos taboleiros de pomares d’espinho, sendo bastante conhecidas, e estimadas as limas, que d’elles se colhem” (P. Manoel Agostinho Madeira Torres, Descripção Historica (...) de Torres Vedras, 2ª ed., Coimbra, 1862, p.139)
Nela existem duas capelinhas, uma no sítio do primitivo forno de cal, que funcionou para a construção do convento no século XV, a gruta do “Ecce Homo”, forrada a azulejos, e a primitiva capela da Senhora do Sobreiro, adornada com quatro pequenos painéis que figuram monges em estudo e em contemplação, onde, segundo a lenda, foi descoberta a Imagem de Maria Santíssima com o menino, na cavidade de um centenário sobreiro, escondida aí desde o tempo de D. Afonso Henriques, para escapar á perseguição dos mouros.
“Reconhece-se que não foi plantada esta matazinha, mas fôra um pedaço de monte, cujo mato e arbustos cresceram á mercê da sua natureza, formaram selva, mais ao diante aproveitada para uso dos animais domésticos do primeiro colono, que na encosta daquele monte arroteou e semeou; e mais tarde transformada em recreio do primeiro senhor que ali instituiu Quinta para sua morada” (Frei Bartolomeu Ribeiro, “Os Franciscanos em Torres Vedras”, in Badaladas, 1953e 1954, ed. Fac-similada).
Comprava-se aqui a antiguidade desta mata, muito provavelmente originária da flora que dominava a região desde a época medieval, uma cápsula do tempo que chegou quase intacta aos nossos dias.

MATA DA QUINTA DAS LAPAS
Um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer nesta Quinta é à sua grande mata, cortada em várias direcções por ruas largas, arborizada no início do século XIX com ulmeiros, pinheiros mansos, medronheiros e sobreiros. De entre estes destaca-se o chamado “sobreiro das quatro irmãs”, porque o seu tronco rente ao chão se divide em quatro de grande grossura e altura.
Existem aí, desde longa data, veados e outra fauna selvagem.
À entrada da mata existe a Ermida de Santa Maria Madalena, construída pelo último marquês de Penalva para substituir uma outra mais antiga aí existente, destruída pelos franceses em 1808.
No interior da mata existe uma capela incompleta dedicada a Santo André Avelino, mandada construir em 1778 pelo conde de Tarouca Fernando Telles da Silva
No jardim e na mata existem várias fontes, destacando-se a do “Frei João”, a do “Veado”, esta com uma curiosa escultura em mármore de dois galgos segurando um veado pelas orelhas, a da “Água férrea” e a do “Leão”.

MATA DE RUNA
Obra da iniciativa da princesa D. Maria Francisca Benedita que, em 1790, comprou a Quinta de Alcobaça, junto àquele lugar, com o objecivo de aí fundar um Hospital Real de Inválidos Militares, cuja construção foi concluída em 1827.
O edifício é de estilo neoclássico da autoria do arquitecto de José da Costa e Silva.
Possui uma capela com cúpula monumental, revestida com mármore de Carrara.
No seu museu de arte sacra, entre outras peças de interesse, existe a celebre custódia da princesa, revestida com pedras preciosas do Brasil.
No seu exterior existe um extenso jardim com uma flora variada e variadas esp~ecies de aves.
Destaca-se o seu cedro com cerca de duzentos anos, um dos maiores e mais antigos do mundo.

TERMAS DOS CUCOS
Foram inauguradas em15 de Maio de 1893, mas datam do século XVIII as primeiras referências conhecidas às qualidades terapêuticas das suas águas.
Deve-se à iniciativa do seu proprietário de então, José Gonçalves Dias Neiva, as obras de valorização desta estância termal iniciadas em 26 de Novembro de 1890.
António Jorge Freire foi encarregue de elaborar o plano que incluia 40 moradias. O Casino foi construído em 1896 .
Das 40 moradias previstas, apenas se concluíram duas vivendas:"D. Feliciana" (1895) e "D.Maria"(1896).
À sua volta situa-se uma das mais extensas, variadas e ricas zonas naturais da cidade de Torres Vedras, infelizmente mal tratada e em risco de se perder na voragem do crescimento urbano e viário.

CHOUPAL
As primeiras árvores implantadas nas proximidades do sítio do Choupal eram anteriores a 1789. Aí jantou o príncipe regente, o futuro D. João IV, em 1806, quando regressava de uma viagem a Peniche.Para a construção das Linhas de Torres tiveram de ser cortadas as suas árvores, sendo replantadas em 1814.
Em 1926 aí se realizou a 1ª Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial de Torres Vedras.
O seu êxito fez nascer a ideia de aí instalar um parque aprazível, que acabou por se inaugurar na década de 30 com a forma actual. Encontra-se em processo de requalificação, no âmbito do Programa POLIS.
Possui um arvoredo antigo e variado.

PARQUE VERDE DA VÁRZEA
Foi oficialmente inaugurado em 23 de Abril de 2004 .
Com uma extensão de 9 hectares, foi rapidamente adoptado pela população de Torres Vedras, preenchendo uma lacuna sentida há longos anos.
São muitas as actividades que nesse parque se realizam ao longo do ano, sendo de destacar as acções realizadas pelo Centro de Educação Ambiental aí instalado e a existência de um parque infantil.
Projectaram este espaço os arquitectos paisagistas Miguel Velho da Palma e Eduardo Tomás.
Embora artificial, este parque e o seu ribeiro permitem o regresso de uma fauna, que, devido à poluição do Rio Sizandro, estava praticamente extinta, como os sapos e várias espécies de insectos e aves.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Piratas na Costa


A costa junto ao velho convento de Penafirme, hoje em ruínas, foi por várias vezes assaltada por piratas “mouros” , principalmente no verão e ao longo do século XVII.
O facto de nesse local existirem várias fontes de água e de se situar longe de povoações que pudessem rapidamente defender a costa, terá motivado esses assaltos.
Segundo a opinião de frei Agostinho de Santa Maria, os corsários que frequentavam esta costa “vinhão muitas vezes a fazer nella água em suas lanchas, e a furtar o gado que podião, e também a cativar alguns pescadores, que fugindo delles se hião recolher no Porto Novo, ou estavão naquella praza reparando seus barcos & redes & por vezes intentarão acometer o Convento, para roubar, & cativar os religiosos”(1).
Por causa desses assaltos os frades de Penafirme tomaram várias iniciativas para se protegerem : reforçaram as portas do convento com trancas de ferro, armaram-se e passaram a vigiar a costa de dia e de noite.
Se avistassem os piratas durante o dia, faziam tocar a rebate o sino da torre da Igreja. Se os avistassem durante a noite, usavam como sinal um facho que acendiam, colocado na mesma torre.
No caso de ataques de maior gravidade usava-se um sistema de sinalização luminosa, com fachos que eram acesos nos locais mais altos, desde a costa até Torres Vedras. Daí os nomes ainda hoje conhecidos, de “ponta da Vigia”, em Vale de Janelas, “Alto da Vela”, em Santa Cruz, ou “Casal do facho”, no Varatojo.
Nesses tempos, os habitantes de Penafirme estavam isentos da prestação do serviço militar, para ocorrerem à defesa da costa.
Data dessa época o episódio que imortalizou o frade Roque da Gama. Ajudado por quatro lavradores, defendeu o convento de um ataque de 14 piratas, em 30 de Junho de 1620, conseguindo aprisioná-los.
Terá sido em resultado desse acontecimento que o rei Filipe III decretou “que ouvesse no Convento hua (...) praça de armas (...) & assim mandou dessem para o convento hus tantos mosquetes, & lanças, hum tambor, & frascos, que alli se conservão para esse fim; & ordem para cobrarem em Lisboa cada hum anno certa quantidade de polvora & balas” (2).
Perante a continuação e frequencia dos actos de pirataria naquele local, D. Afonso VI mandou construir uma fortaleza junto de Porto Novo, o forte de Nossa Senhora da Graça, cuja construção se iniciou em 1662.
____
(1)SANTA MARIA, frei Agostinho de, Santuário Mariano, tomo II, ed. 1707, p.74.
(2)SANTA MARIA, ob. cit., p.75.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Brazões da "vila" de Torres Vedras

(CHAFARIZ DOS CANOS)

Não sendo esta uma área da minha especialidade, deixo aqui algumas pistas sobre os brasões relacionados com o poder municipal de Torres Vedras.
Baseio-me num artigo de Salinas Calado, publicado em 1934, onde ele faz uma listagem dos vestígios existentes, relacionados com o Brasão da “vila” de Torres Vedras.(CALADO, Rafael Salinas, “O brazão de Torres Vedras eo ex-libris da sua Biblioteca Municipal”, in De Portugal, nº 1, Maio de 1934, p. 10).
Não é o único estudo sobre esse tema, mas é aquele que apresenta uma das listagens mais abrangentes, e por isso um bom ponto de partida para quem queira estudar o tema.
A listagem é ordenada por datas:

1 – Séc. XIII – num selo autenticando um documento no ANTT (existem alguns estudos sobre este selo, um deles no Boletim da Junta Distrital de Lisboa. O Arquivo Municipal possui informações sobre o mesmo, nomeadamente o Dr. Carlos Guardado);

2 – Séc. XV – o que está no Chafariz dos Canos (também referido por Gabriel Pereira, na sua célebre descrição de Torres Vedras);

3 – o da Porta do Patim, já desaparecido;

4 – Séc. XVI – 1518 – esteve num prédio da Porta de Santana, “hoje [1934] está nas escadas da Câmara [Paços do Concelho]”;

5 – Séc. XVI – 1529 – “Na Fonte Nova” (o que lá está actualmente é uma reprodução);

6 – Séc. XVI – sem data – Estava no antigo Chafariz de S. Miguel, no “Choupal”, “hoje[1934] no Museu Municipal”;

7 – Séc. XVIII – 1776 – Na fachada dos Paços do Concelho;

8 – Séc. XVIII – 1786 – “sobre a face sul do Arco do Aqueduto, sobre a estrada de Runa, completamente deteriorado [1934]”;

9 – Séc. XIX – no “sinete da Câmara”;

10 – Séc. XIX – no estandarte da Câmara;

11- Séc. XIX – “Timbre usado pela Câmara na sua correspondência [1934]”;

Já anteriormente, em 1926, na sua edição de 8 de Julho, o semanário “A Nossa Tera”, tinha publicado uma correspondência entre Júlio Vieira e Afonso de Dornelas, este último como responsável pela secção de heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, acerca das “Armas de Torres Vedras”.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Museu Municipal Leonel Trindade no Dia Internacional dos Museus


Comemorando-se hoje o dia Intenacional dos Museus, realizam-se hoje, ao longo de todo o dia, diversas actividades no espaço do Museu Municipal Leonel Trindade, com a colaboração da Escola Secundária Henriques Nogueira.
A Escrita e a Poesia dão o mote a esse conjunto de actividades, com uma oficina pedagógica, "Era uma vez...a escrita", dedicada à história da escrita,da placa de argila ao computador, visitas guiadas ao Barroco do Convento da Graça e à sala da Guerra Peninsular, acompanhadas com leituras de poesia e textos da época, Teatro, Leitura Gestual de Poesia, "Chá e Poesia", entre muitas outras iniciativas.
Este conjunto de actividades decorre desde as 10 da manhã até às 8 da noite.
A não perder.

domingo, 17 de maio de 2009

Um Documento (A Propósito do tema dos XII Turres Veteras)- Agradecimento a Wellington pelos habitantes do Vimeiro


“Illm.º e Exm.º Sr.
“Depois que V.Exª fez ir d’escantilhão para França o fanfarrão Junot, tendo-o posto em papos de aranha nos campos do Vimeiro; depois que V. Ex.ª fez sair com vento de baixo o ladino Soult, da cidade do Porto, obrigando-o a fazer vispere e ir com as calças na mão para Castela; depois que V. Ex.ª disse ao Zanaga Massena: alto lá, sr. Macário!, e jogando o jogo dos sisudos lhe mostrou as linhas com que se cosia, fazendo-o dar às trancas e apanhar pés de burro, por ter dado com as ventas num sedeiro; depois que V. Ex.ª fez ir de catrambias a Berrier” ( Brennier ?) “da cidade de Rodrigo e ao caxola Philippon limpar as mãos à parede em Badajoz, como quem diz faça que não me viu, e tendo-o tem-te Maria não caias; depois que V.Ex.ª finalmente, nos campos de Arapiles, zás traz no cego, desazou o macambúzio Marmont e o obrigou a contar a sua derrota p a pa Santa Justa, tim tim por tim tim; foi então, Exm.º Senhor, que nós, os pés de boi, Portugueses velhos, dissemos: este não é general de cá ca rá cá; tem amoras; não faz cancaburradas, nem deixa fazer o ninho atrás da orelha; e, como prudente, umas vezes acomete e outras põe-se de conserva. Agora podemos dormir a sono solto; o nosso sono está nas malvas; a vinda do inimigo será no dia de S. Nunca à tarde.
“Portanto, só resta agradecer a V. EX.ª a visita que nos fez, que desejamos não seja de médico, nem com o pé no estribo, devendo saber V. Ex.ª que estes desejos não são bazófias, nem parolas que leva o vento, mas sim ingénuos votos de corações agradecidos e leais, em os quais tem V. Ex.ª erguido, com tanta justiça, um trono de amor e respeito.
“ De V. Ex.ª etc.
“ Os Habitantes do Vimeiro “.


(carta dirigida pelos habitantes do Vimeiro ao duque de Wellington, em reconhecimento pela sua vitória, citada por vários autores. Transcrevemos a versão incluida por Pedro Garcia Anacleto em “Fastos da História de Portugal - A Batalha do Vimeiro”, in Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa, IIª série, nº 61/62, 1964, pp. 151-152).



quarta-feira, 13 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - Anexo - Vestígios no concelho

ANEXO

Vestígios de ocupação romana no concelho de Torres Vedras


“Entre Dois Portos e Sobral” - “Estatueta da Fortuna”, séc.I, desaparecida.

Junto a Dois Portos - “pontes romanas” (tradição oral (TO))

Numa vinha da Quinta de Ribeira de Maria Afonso (Dois Portos) - 1 moeda

Próximo do Figueiredo (Runa) - Um denário de prata do século I

Casal Bucículos, próximo do Figueiredo (Runa) - Necrópole romana de inumação;

Quinta da Pederneira (Runa) - Sepulturas e “cápos” de pedra com inscrições (1739);

Encontrado em trabalhos agrícolas, próximo de Runa - Um “medalhão” de Bronze do século II

Runa - Um denário de prata do século II descoberto por Manuel Rosindo

Monte Rei (Runa) - “chafariz antigo”, “fonte de cantaria” e “outros objectos” de “origem romana” (1758).

Terra ou sítio de Maravila (Runa) - Duas moedas de bronze, uma dos finais do século III, princípio do IV e outra do século IV.

Perto da Quinta da Granja (Runa) - Uma moeda de bronze do século IV ; “ponte romana” (TO).

Penedo (Runa) - Uma sepultura sem tampo e duas lápides funerárias; 50 moedas em bronze. Uma do século I, três do século II, vinte e seis do século III, e vinte do século IV; Oito moedas de bilhão (liga de cobre e prata), todas do século III; Duas Lucernas em barro, uma em barro cinzento, com uma figura gravada, outra em barro vermelho claro; Fuste de uma coluna de tronco cónico; Dois capitéis, um deles coríntio; Mosaicos; Vários objectos em cerâmica; Ânforas; Pesos de tear; Tijoleiras e alicerces de casas; Vasos em terra sigillata; Vidros; Vários objectos em diversos tipos de metal; Bilhas de barro.

Perto do Casal da Almagreira, perto da Louriceira ? (Runa ou Matacães?))- Uma moeda em bronze do século I

Ermida da Serra de S. Julião (Carvoeira) - Uma tampa de arca cinerária de calcário lioz, dedicada aos deuses Manes, com inscrição, onde se refere a tribo Galéria, pertencente a um edil de Lisboa, datada da primeira metade do século II; Um Sarcófago, desaparecido. Uma lápide com inscrição, da 1º metade do século I; Cinco moedas, duas datadas do século I aC, outra do século I, outra do século II e outra de entre os finais do século IV, príncipio do V; Fragmentos de ânforas e vidros; Parte lateral de uma ara.

Quinta da Rainha – A da Rainha (Carvoeira) - Uma lápide com inscrição (outra aí descoberta pertencia a S. Julião);

Carreiras (Carvoeira) - Uma sepultura, “ talvez romana”.

Filha Boa (Carvoeira) - “Fonte ou Chafariz romano” (por debaixo do coreto) (TO).

Terra de Francisco Pereira na Louriceira -Estela funerária de calcário, com inscrição, da segunda metade do século I, relacionada com culto lunar pré-romano

Próximo da Louriceira - Uma moeda de bronze do século II; Fornos e pedaços de telha.

Quinta do Juncal (Matacães), próximo da casa de habitação - lápide funerária, em calcário lioz, com inscrição da 2ª metade do século II, com referência à tribo Galéria, consagrada aos deuses Manes; Uma “tampa de sarcófago onde se guardavam cinzas de incineração” (Belo).

Moirinha (Matacães), terra próximo da Cruz de Prata, a menos de 200 metros para poente da Igreja de Matacães - Várias sepulturas, com talhas de barro contendo cinzas e restos de ossos queimados; Moeda romana de cobre; Garrafas de vidro

Igreja de Matacães (Matacães) - Inscrição em calcário lioz, datada do século I, de invocação aos deuses Manes. Será talvez proveniente de “um dos vizinhoa cemitérios lusitano-romanos do Juncal, da Moirinha (cruz da prata), da Portucheira, da Macheia, ou de qualquer outro ainda desconhecido” (Vária Epigráfica).

Um pouco a sul do Monte do Calvário (Matacães) - Uma moeda de bronze do século I.

A uma centena de metros da Quinta da Macheia (Matacães)- Um pedestal de calcário lioz com inscrição, datada da primeira metade do século I, onde se referencia a Tribo Galéria. Foi mais tarde reutilizada como peso de lagar, ainda na época romana. Outras sepulturas; Provável “villa” romana; cerâmicas.

Quinta da Portucheira (Matacães)- Duas estelas funerárias com inscrições da primeira metade do século I, uma dela com onomástico índigena, com símbolo astral; Outras sepulturas de inumação; Duas moedas em bronze do século IV; Outras moedas; Quatro Lucernas. Uma delas tem a figura de Diana em relevo; Fragmentos de cerâmica, um vaso de barro e tijolos; Tigela em terra sigillata.

Ordasqueira (Matacães) - Uma moeda romana em ouro.

Nas proximidades do Casal da Lameira (hoje Quinta), situado à direita do caminho que da Sevilheira segue para a Zurrigueira - Uma moeda em bronze do século III

Sevilheira (Matacães) - Necrópole romana.

Frente à capela de Santo António, Quinta das Lapas (Monte Redondo) - “ponte romana”(TO);

Guarita militar, junto à Quinta das Lapas (Monte Redondo) - “inscrição romana”?(TO)

Monte Redondo - “Fonte romana” – é assim popularmente designada uma das fontes mais antigas do lugar, de construção setecentista, mas provavelmente feita sobre uma fonte muito antiga (“romana”?).

S. Martinho, a nascente de Aldeia Grande (Maxial) - Três moedas em bronze, duas delas do século III e outra do século I aC; “Antiqualhas” romanas (Belo)

Terra de Manuel Camarete, próximo de um forno de tijolo, a poente e próxima do Maxial - Uma moeda de bronze; Fragmentos de telha romana, pesos de tear e “pondus”.

Na proximidade do Casal de Stº António (Maxial) - Um denário de prata do século II aC.

Amoreira (Casal de Amoreira-Casal da Capela), (Maxial) - Uma moeda; Vários achados de superfície da responsabilidade do sr. Nuno Franco, do Maxial; Tijolos e tijoleiras; Pesos de tear; Contas de colar em pasta de vidro.

Ferrarias, junto ao cemitério de Vila Facaia, a norte do Ramalhal - Lápides com inscrições; 95 moedas, uma delas em bronze do século IV; Uma lucerna ?; Escória de fundição de ferro, numa área de 0,5 há, telhas romanas, fornos, cerâmica, barras de ferro.

Vila Facaia (Ramalhal) - Provável topónimo de origem romana; Duas “pontes romanas”(TO);

Estrada para a Melroeira (Turcifal) - Uma “ponte romana” (TO), já desaparecida
Turcifal

Fonte do Cabido - “fonte romana”(TO).

Serra do Socorro (Turcifal) - Um castro romanizado, cerâmica e terra sigilata.

Torres Vedras, local desconhecido - Uma moeda de prata.

Torres Vedras, junto à capela de S. João (cemitério) - Grande pedestal de calcário lioz, com inscrição da primeira metade do século I, com referência à tribo Galéria; Túmulos incineração (pré-romanos); Uma lucerna em bronze.

Torres Vedras, Quinta das Covas, perto da estação do caminho-de-ferro - Uma moeda romana.

Torres Vedras, perto da estação do caminho-de-ferro – “Uma peça”?

Torres Vedras, frente à estação, onde está a recauchutagem “do Matias” - Várias moedas ? ; Quando se edificou o prédio da recauchutagem, onde funcionou a escola de condução, “foi descoberto um caixote cheio de moedas romanas”, nunca declarado publicamente devido às consequências que essa descoberta podia provocar na continuação dessa construção (TO).

Torres Vedras, avenida Tenente Valadim - Uma moeda, já desaparecida

Torres Vedras, Mercado Municipal - Um denário , século I aC; Uma lucerna do século II, em barro branco, ornamentada com um javali atacando um cão.

Torres Vedras, Castelo - Uma placa funerária, de calcário lioz, datada do final do século I, com referência à tribo Galéria, descoberta junto às cisternas; Uma árula funerária de calcário lióz, datada dos finais do século II, retirada do muro esquerdo da escadaria de acesso à Igreja; Uma moeda do Baixo Império, século III; Duas cisternas, provavelmente romanas, fragmentos de vidro, travessa de cinturão em bronze.

Convento da Graça- Um colunel com uma mão segurando um cacho de uvas, suporte de mesa ou consola.

Casal da Broeira, junto ao caminho de Torres Vedras para poente, a meia légua de distância - Uma moeda de prata

Numa vinha pertencente à Quinta da Meirinha, encosta do Varatojo, na “barreira do çapateiro”, à parte esquerda, logo que se passa a ponte de Madeira sobre o rio Sizandro (anotadores) - Ossadas humanas romanas (?)

S. Gião d’Entre Vinhas, antes da Fonte Grada - Cupa de calcário lioz, com inscrição datada da transição entre o século I e o século II; Dois Cipos funerários em calcário lioz, com inscrições datadas da 2ª metade do século II, um deles com referência à tribo Galéria; Uma lápide funerária que foi para França (museu do Louvre), datada do século I; Talhas de barro com cinzas; Três lápides funerárias do século I; Uma lápide sepulcral do século III ou IV; Outras lápides e sepulturas; Uma moeda romana do século IV; Outra moeda suevo-lusitana do século V ou VI; Outras moedas; Duas lucernas em bronze; “villa” romana; Pedras aparelhadas; Fornos de cozer pão; Tijolos; Várias peças em ferro; Parte superior de um altar; Armelas; Base de coroamento de uma grande ara.

Numa casa da Fonte Grada - Olaria com forma circular, vasos de barro liso e moldado e vidrados, datados do período romano.

Ermida da Srª da Catedra, actual paroquial de ( S. Pedro da Cadeira) - Duas lápides epigrafadas.

Frente à Ermida da Srº da Catedra, junto à estrada que vai de S. Pedro da Cadeira para a Coutada, num sítio que era no século XIX terra de pão do Casal do Formigal - Ossadas humanas; 6 moedas romanas; “ruínas”.

Casal do Outeiro, Azinhaga (S. Mamede da Ventosa) - Fonte do casal do Outeiro, junto à via pública, cuja origem é popularmente atribuída aos romanos. Foi reconstruída posteriormente, encontrando-se actualmente em mau estado.

Bordinheira (S. Mamede da Ventosa) - No largo das Palmeiras, uma fonte popularmente designada como de origem romana.

Casal da Fonte, Bonabal (S. Mamede da Ventosa) - “Fonte romana”, em mau estado de conservação (TO).

Moutelas (S. Mamede da Ventosa) - “fonte romana” na cerca da Rua do Vilão (TO).

Serpejeira (S. Mamede da Ventosa) - “fonte romana” (TO).

Num campo de S. Mamede da Ventosa - Uma moeda do Imperador António Pio, século II

Chãos (Freiria) - Achado não identificado.

Quinta da Areia, foz do Sizandro (Silveira) - Uma lápide romana

Ermida de Stª Helena, Stª Cruz (Silveira) - Cupa com inscrição, datada da 2ª metade do século I ou principio do século II, dedicada a um cidadão com nome de origem celta.
Lápide funerária, de uma sepultura de um escravo, datada do século II, mais tarde levada para o convento de Penafirme; Várias sepulturas na arriba frente à Ermida, ainda visíveis no princípio do século XX.

Maceira - Uma moeda romano-visigótica do século VI

terça-feira, 12 de maio de 2009

Torres Vedras no Tempo dos Romanos - Bibliografia

  • ALARCÃO, O Domínio Romano em Portugal, Publicações Europa-América, 1988.
  • ALARCÃO, Jorge de (coord.), Portugal – Das Origens à Romanização, Nova História de Portugal, Vol.1, ed. Presença, 1990.
  • ALMEIDA, Justino Mendes de, e FERREIRA, Fernando Bandeira, “O Epitáfio da Igreja de Matacães”, “Varia Epigraphica”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXVI, nº 1-2, Jan.-Jun. 1966, pp. 23 a 37.
  • ALMEIDA, Justino Mendes de, e FERREIRA, Fernando Bandeira, “O Monumento funerário da Quinta da Macheia (Torres Vedras)”, “Varia Epigraphica”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXVI, nº 3-4, Jul.- Dez., 1966, pp. 341 a 343.
  • ARRUDA, Ana Maria, “O comércio fenício”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.17 a 34, Ediclube, 1993.
  • BARBOSA, Pedro Gomes, Povoamento e Estrutura Agrícola na Estremadura Central, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1991.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Nótula sobre quatro lucernas romanas de barro, inéditas”, Estremadura, 2ª série, nº 50-51, 1959, pp. 97 a 112.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Nótulas sobre arqueologia de Torres Vedras e seu termo”, conjunto de 55 estudos publicados entre 1952 e 1959, nas páginas do jornal Badaladas.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Símbolos astrais das lápides Luso-Romanas”, in Estremadura, 2ª série, nº 44-45-46, 1957, pp. 143 a 168, e nº 47-49, 1958, pp. 39 a 75.
  • BELO, Aurélio Ricardo, “Um enigma epigráfico”, in Boletim da Junta Distrital da Estremadura, 2ª série, nº 41-42-43, 1956, pp. 127 a 134.
  • BELO, Aurélio Ricardo, FEREIRA, O da Veiga, TRINDADE, Leonel, “Lucerna polimyxos do Museu de Torres Vedras”, in Revista de Guimarães, Vol. LXXIII, nº 3-4, Jul.- Dez., 1963, pp. 315 a 317.
  • BYRNE, Inês Nadal de Sousa, “A Rede Viária da Zona Oeste do Município Olisiponense (Mafra e Sintra)”, in AL-Madam, IIª série, nº2, Julho de 1993, Centro Arqueológico de Almada, pp. 41 a 47.
  • CAETANO, José Carlos, “A iluminação no Portugal romano”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp. 346 a 350, Ediclube, 1993.
  • CARDOSO, José, A Geografia da Ibéria segundo Estrabão, APPACDM Distrital de Braga, 1994.
  • O Correio de Torres Vedras, nº 24, 25-7-1926.
  • “De como do reinado de Ramsés II se fala da deusa Fortuna do Museu de Torres Vedras”, in Oeste Democrático, T. Vedras, de 19-9-1975.
  • FABIÃO, Carlos, “Felicitas Iulia Olisipo”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.260 a 263, Ediclube, 1993.
  • FERREIRA, O . da Veiga, e TRINDADE, Leonel, “Objectos Inéditos Lusitano-Romanos do Museu de Torres Vedras”, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, 2ª série, nº61/62, 1964, pp. 265 a 278.
  • “Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.
  • HUMBERTO, Jorge, “ Quo Vadis IC1 ? - Obras do IC1 ameaçam cemitério romano nos Cucos”, in Frente Oeste, 16-3-1995.
  • LUNA, Isabel de, “Uma terra de ferreiros”, in “Freguesias” (Ramalhal), suplemento nº12 do jornal Badaladas, 28-5-1999.
  • MANTAS, Vasco Gil , “Comércio marítimo e sociedade nos portos romanos do Tejo e do Sado”, in Ocupação Romana dos Estuários do Tejo e Sado, coord. de Graça Filipe e Jorge Manuel C. Raposo, Publicações Dom Quixote, 1996.
  • MANTAS, Vasco Gil, Inscrições Romanas do Museu Municipal de Torres Vedras, Universidade de Coimbra, 1982.
  • MANTAS, Vasco Gil ,“A rede viária romana do território português”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.213 a 230, Ediclube, 1993.
  • MARTIN, Jean-Pierre, As Províncias Romanas da Europa Ocidental e Central, Publicações Europa-América, 1999.
  • RIBEIRO, “Uma cidade aos pés de Óbidos”, in Público, 12 de Outubro de 1997.
  • RODRIGUES, Adriano Vasco, “As Guerras Lusitanas”, in Revista de História, Universidade Livre do Porto, vol.I, 1984, pp. 113 a 146.
  • RODRIGUES, Cecília Travanca, “O Passado Longínquo: da Pré-História à Romanização”, in Torres Vedras – Passado e Presente, vol I, pp. 35 a 60, C.M.T.V., 1996.
  • RODRIGUES, Cecília Travanca, Reconhecer Leonel Trindade, Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, 1999.
  • SAA, Mario, As Grandes Vias da Lusitania, tomo III, Lisboa 1960.
  • TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, 2ª edição anotada, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1862 (ed. “fac-simile” , ed. Stª Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 1988).
  • TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, - parte económica, 2ª edição anotada, (1865?) , manuscrito inédito no Arquivo Municipal de Torres Vedras.
  • VEIGA, Estácio da, Antiguidades de Mafra, ed. fac-símile, (1º ed.1879), Mar de Letras, 1996.
  • VIEIRA, Julio, Torres Vedras Antiga e Moderna, Sociedade Progresso Industrial, T. Vedras, 1926.