quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eleições Municipais - Uma ajuda para reflectir



Baseando-me naquelas que são as minhas preocupações como cidadão, já manifestadas em post anterior, nomeadamente na área da identidade cultural e histórica e na defesa do património e do ambiente, elaborai uma lista de dez “perguntas” que gostava de ver esclarecidas nos programas eleitorais dos três candidatos à Câmara de Torres Vedras.


Elaborei primeiro as perguntas, sem ler os programas eleitorais dos candidatos, para não ser influenciado por eles. Procurei depois a resposta nos programas que foram publicamente distribuídos e o resultado foi o seguinte:

1 . Quais as medidas de valorização do património histórico-cultural e natural torriense que se propõe desenvolver e apoiar?

Coligação Democrática Unitária – “Preservar a orla costeira: nomeadamente , mantendo a Praia Azul como área protegida de interesse público (…). Elaborar roteiros histórico-cultural-ambientais que promovam o conhecimento e a recuperação do património arqueológico, paisagístico, espeleológico e ambiental.”

Partido Social Democrata – “Requalificar o Castelo transformando-o num pólo de atracção histórico/turístico, dando-lhe vida própria na área do Comércio e da habitação jovem através da recuperação de casas devolutas e degradadas (…). Requalificar as praias da Assenta, Cambelas, Foz e Praia Azul; Executar o Programa Pólis – recuperação do Choupal, Matadouro e envolvente – há 8 anos estagnado na Câmara Municipal”

Partido Socialista –“ Na transacção de casas recuperadas no Centro Histórico de Torres Vedras, possibilidade de isenção de IMT (…); Remodelação do Centro Histórico de Torres Vedras, nomeadamente no Largo Morais Sarmento, no Largo Wellington, no Largo do Chafariz e no Pátio da Josefa, que será aberto à utilização pública (…); Requalificação urbana da Praia Azul e elaboração de projectos para a Foz, Cambelas e Assenta (…); Execução da Ecopista do Alcabrichel”

2 . O que pretende fazer em termos museológicos?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA].

Partido Social Democrata – “Desenvolver um Museu do Carnaval promovendo o turismo e as visitas a este espaço a nível nacional, em especial, as escolas”.

Partido Socialista – “Construção de um novo discurso para o Museu Municipal Leonel Trindade; Criação do Centro de Interpretação das Linhas de Torres, cujo projecto de construção no Monte da Forca se encontra em execução e queremos efectivar; Criação do Centro de Artes do Carnaval e do Centro de Interpretação do Castro do Zambujal (…); Construção de um centro museológico interactivo, especialmente dirigido aos mais jovens, onde, através da experimentação dos fenómenos mecânicos e químicos, se remete para o ciclo da uva ao vinho, o MUVVI – Museu da Vinha e do Vinho”

3 . Que novidades sugere em termos de animação cultural?

Coligação Democrática Unitária – “Criar um Conselho Municipal de Cultura, com autonomia , capacidade decisória e formas permanentes de consulta e participação”

Partido Social Democrata – “Instalar no Matadouro (há duas décadas abandonado) um Centro de Artes, funcionando como pólo de desenvolvimento de actividades culturais diversas, garantindo formação, divulgação e acolhimento dos participantes nestas actividades (…);“Apoiar os jovens artistas torrienses”.

Partido Socialista – “Criação de uma Bolsa de Espectáculos; Criação do Serviço Educativo do Teatro Cine, vocacionado (…) para [os alunos] dos 2º e 3º ciclos; Criação de espaço próprio para o Serviço Educativo pela Arte dos Paços do Concelho, no antigo posto da PSP; Implementação da Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino (…) onde os criadores terão oportunidade de construir uma história através dos objectos da casa onde jovens as poderão viver (…); Projectar (…) um equipamento de apoio à experimentação de arte contemporânea, funcionando como uma Oficina das Artes

4 . Que apoios pretende dar ao associativismo cultural local?

Coligação Democrática Unitária – “Apoiar processos de associativismo promovendo a inclusão digital dos seniores e valorizar a integração social e cultural dos imigrantes”

Partido Social Democrata – “Prestar apoio directo e activo às entidades de índole cultural já existentes no Concelho, projectando iniciativas por estas desenvolvidas”.

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

5 . Quais as propostas para comemorar o bicentenário da construção das Linhas de Torres?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA].

Partido Social Democrata – “Assegurar as comemorações dos 200 anos das Invasões Francesas de acordo com a importância que representam, historicamente, para Torres Vedras e para o País”.

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

6 . O que se propõe fazer em termos de transporte públicos urbanos?

Coligação Democrática Unitária – “Assegurar uma rede de transportes urbanos que corresponda de forma eficaz às necessidades da população e promover o uso regular dos mesmos, através do passe social para os mais idosos e estudantes”.

Partido Social Democrata – [NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

7 . ... e par desenvolver o uso da bicicleta entre os cidadãos torrienses?

Coligação Democrática Unitária – “Criar uma rede de ciclovias entre as freguesias e um sistema com bicicletas de utilização pública na cidade”.

Partido Social Democrata – [NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

8 . Que propostas novas apresenta para a valorização dos espaços verdes da cidade e do concelho?

Coligação Democrática Unitária – “Promover mais espaços de fruição ambiental e lúdica, construindo e mantendo jardins devidamente equipados em todas as freguesias, criando um percurso pedestre que ligue a cidade ao bosque dos Cucos”

Partido Social Democrata – “Requalificar o Jardim da Graça desenvolvendo as potencialidades do espaço, mantendo a sua arquitectura de base e a sua componente histórica (…). Aumentar os espaços verdes e de lazer em todas as Freguesias”

Partido Socialista – “Requalificação do Choupal (…) Recuperação do Choupal onde será criado o Centro de Interpretação Ambiental do Sizandro, que se especializará na fauna e na flora dos rios”

9 . Quais as ideias que defende para incentivar a investigação histórica e cultural em Torres Vedras?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA]

Partido Social Democrata –[NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – “O encontro de História Turres Veteras (…) manter-se-á”

10 . Que propostas preconiza para reforçar a identidade rural do concelho?

Coligação Democrática Unitária – “Incentivar e apoiar o desenvolvimento cultural em todas as freguesias do concelho”

Partido Social Democrata – “descentralizar as iniciativas culturais às Freguesias do Concelho através de parcerias com as Juntas de Freguesia e as instituições locais (…); Criar uma marca “Turres Veteras” como símbolo de excelência e qualidade dos nossos produtos agrícolas”

Partido Socialista -[NÃO REFERE NADA].



Em relação aos temas que interessam a este blog, foram aquelas as respostas que encontrámos nos programas dos três partidos ás nossas questões.

O facto de se registarem espaços em branco, deve-se a não encontrarmos respostas directas nesses programas, o que não quer dizer que os partidos que não incluíram essas questões nos seus programas não tenham uma posição ou ideias sobre esses assuntos.

Esta é uma forma possível de compararmos os compromissos dos partidos que concorrem ao município torriense.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NO DIA NACIONAL DOS CASTELOS - Breves notas sobre o Castelo de Torres Vedras



Neste dia Nacional dos Castelos, deixamos aqui alguns “respigos” da história do Castelo de Torres Vedras, recolhidos ao longo de anos.

Não é uma monografia sobre esse importante monumento da cidade, apenas uns breves apontamentos de divulgação.

Embora com vestígios da época romana e existente na época muçulmana, provavelmente como mera torre defensiva, é a partir da sua integração no reino cristão de D. Afonso Henriques que se recolhem as informações mais pormenorizadas.

Sobre essa “conquista” várias “e desvairadas coisas hão sido escritas e ditas sobre esta velha fortaleza medieval, que o Fundador reduziu e trouxe ao senhorio das portucalesas gentes, entre os anos de 1148 e 1150, provavelmente no dia em que a Catolicidade festeja a Assunção da Virgem - 15 de Agosto- pois que ainda em princípios do século passado os párocos da igreja de Santa Maria, no dia 14 à noite, mandavam fazer grandes fogueiras, “não só no seu adro, mas também por entre todas as ameias do Castello”, seguindo remota tradição comemorativa do facto. Por outro lado, Madeira Torres, que escreve em 1819 e foi prior da dita igreja, afirma que o orago desta é Nossa Senhora da Assunção, o mesmo afirmando o padre António Ribeiro, que exercia o curato no ano de 1758 (...), escrevendo, ainda em reforço desta sua asserção: “...e por sima da simalha do mesmo retabolo se ve outra imagem da mesma Senhora em pintura no passo da sua Assunção a oleo e levada sobre os Anjos...”.

“Deve ter sido fero e cruento o ímpeto dos assaltantes e por igual heróica e contumaz a defesa dos sitiados; todavia o crescente foi definitivamente substituído pela Cruz, no altaneiro castelo(...).

“Dizem velhas crónicas que seus muros ficaram desmantelados e que Afonso Henriques houve de repara’los e repovoar o vetusto burgo ao qual concedeu foros e privilégios; que esta reparação foi executada com toda a ciência e solidez prova-o o facto dos moiros na sua retirada de Santarém, após a derrota que ali sofreram no verão de 1184, tendo destruído totalmente Arruda dos Vinhos e posto cerco a esta vila” (Torres Vedras) “, terem abandonado a empresa ao cabo de onze dias de baldados intentos de penetração, como conta Duarte Galvão”.(Rogério de Figueiroa Rêgo, “O Castelo de Torres Vedras”, in Estremadura-série II, nº20, 1949, pp.195 a 209).

A versão de Figueiroa Rêgo é uma versão algo romanceada e até desmentida pelos factos (Segundo a lenda, também Óbidos reivindicava essa data de 15 de Agosto de 1148, mais tarde desmentida por investigação mais cuidada. Nem que fosse pelo facto de D. Afonso Henriques não poder estar nos dois sítios ao mesmo tempo, tal versão parece pouco fundamentada).

O castelo sofreu grandes reparações nos reinados de D. Dinis e de D.Fernando

A 10 de Dezembro de 1384 o Mestre de Aviz iniciou o cerco ao castelo de Torres Vedras, onde chegou depois de ter conquistado Alenquer, vindo em perseguição do rei de Castela.

Este tinha levantado o cerco de Lisboa, devido à peste que atacou as suas tropas, vitimando a própria rainha D. Beatriz.

Torres Vedras pertencia então ao senhorio de Leonor Teles pelo que o seu alcaide-mor, o castelhano João Duque, vassalo da rainha, defendeu o seu castelo contra os partidários do Mestre.

Conta-nos Julio Vieira que as “hostes de D.João foram aposentadas nas casas em redor da vila, chamados do arrabaldes, estendendo-se o acampamento, segundo reza a tradição, pela varzea que delimita o perímetro de carcavelos e horta nova”.

Segundo a descrição do cronista Fernão Lopes, Torres Vedras era então “uma fortaleza assentada em cima de uma formosa mota, a qual natureza criou em tão ordenada igualdade como se à mão fosse feita artificialmente”.

Tinha “bom e gracioso termo junto consigo, e arredor de pães e vinhos e outros mantimentos, que naquele tempo, por azo da guerra, de todo o ponto eram gastados”.

A vila tinha “uma cerca arredor do monte e na maior alteza dele está o castelo; e entre a vila e o castelo moravam tão poucos que não é fazer conta; e toda a sua povoação era em um grande arravalde de muitas e boas casas de bem ordenadas ruas, ao pé do monte”.

Quando o Mestre chegou a Torres Vedras, o cerco ao castelo já tinha sido iniciado pelo seu partidário João Fernandes Pacheco “com gentes darmas e besteiros e homens de pé”.

Com o objectivo de conquistar a fortaleza defendida por João Duque, mandou o Mestre abrir um fosso sob a muralha. Contudo os seus defensores, avisados por espiões infiltrados entre os partidários portugueses, conseguiram anular o efeito surpresa da construção desse túnel, tapando-o e inutilizando-o.

Faltado entretanto a água nas cisternas do castelo, bem como a comida, pediu João Duque ao Mestre que lhe mandasse alguma carne fresca e “que este não levasse a mal ele defender o lugar, porque o fazia como leal vassalo de seu senhor” (D.Leonor Teles) “que lhe deixou esse cargo”, pedido que o Mestre aceitou, enviando carne para um dia aos seus inimigos defensores do castelo.

Houve ainda um encontro entre o Mestre e João Duque para que este se rendesse, mas sem resultados, retomando-se as hostilidades.

Foi então descoberta uma conspiração para assassinar o Mestre de Aviz, à frente da qual estava D.Gonçalo Teles, irmão da rainha , e Ayres Gonçalves, que se tinham feito passar por partidários do Mestre. Presos os conspiradores, um deles, Garcia Gonçalves, foi condenado à morte e queimado vivo à vista dos defensores do castelo.

Como vingança João Duque mandou cortar as mãos e os narizes de alguns prisioneiros pondo tudo ao colo de um deles, mandando-o assim ao Mestre.

Este, para se desforrar dessa crueldade mandou “lançar na funda do engenho dentro à vila os prisioneiros que tinha”, acabando contudo por não cumprir esta ameaça por “piedade” de última hora.

A conselho de Nuno Alvares Pereira, entretanto chegado a Torres Vedras, que temia pela vida do Mestre, e também porque se íam realizar brevemente as cortes de Coimbra, que aclamariam o Mestre de Aviz como rei de Portugal, este acabou por levantar o cerco ao castelo de Torres Vedras em 15 de Fevereiro de 1385, sem o ter conseguido conquistar.

Muitos habitantes de Torres Vedras, temendo pela vingança dos castelhanos, acompanharam o mestre na sua retirada.

Até “um cego que morava no arravalde ouvindo como o Mestre partia deste feito com aquelas gentes, começou a bradar grande brados, rogando por deus que o levasse consigo, não ficasse em poder de tão má gente”. Nuno Alvares Pereira, com dó do cego, mandou que o colocassem nas ancas da mula em que já estava, seguindo este com o exército português.

Data de 1514 a edificação do Palácio dos Alcaides, mandado por João Soares de Alarcão edificação acompanhada pela reconstrução do castelo efectuado a mando de D. Manuel, dois anos depois, em 1516.

Esta situação está testemunhada pela porta gótica ogival, com aquela data, encimada por esferas armilares manuelinas. Estas obras ainda continuavam em 1519.

O castelo volta a ter um papel militar importante quando as tropas do prior do Crato aqui chegam, ocupando-o sem resistência em 29 de Maio de 1589, para ser reconquistado para os castelhanos, após o fracasso da expedição daquele a Lisboa, por D. Martim Soares de Alarcão, o alcaide partidário de Filipe II.

Em 1749, um acordão da câmara alertava para a ruína de parte da muralha do castelo.

Já em parte arruinado, mas ainda habitado, o Castelo e a Igreja de Stª Maria sofreram graves danos no terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Na Memória Paroquial de 1758 descreve-se o Castelo com estando “sobre um elevado monte, que lhe fica a parte do norte; tem no mesmo hum pateo com sua sisterna, a roda do qual em quadro tinha muntas, e boas salas, todas primorozamente pintadas, a que se sobia por duas destinctas escadas de pedraria lavrada, edeficio o mais nobre desta villa. He cercado todo a roda de huã forte muralha, e por fora desta outra antemuralha mais pequena; porem no terramoto de mil, sette centos, e sincoenta e sinco, as salas, que apezar do tempo ainda se achavão habitadas, neste destroço geral vierão seus tectos todos iteiramente abaixo, os remates das muralhas quazi em todo o circuito cahirão, fazendo em muntas partes varias aberturas, e sentimentos: Aqui se dis havia huas Torres Velhas, que derão nome à villa; e nesta conformidade se acha de prezente dezabitado, e so fica servindo a terra, que medea entre o dicto castello, e sua Muralha, e desta athe a antemuralha para se cultivar e semear.” (Memória Paroquial de 1758, resposta do pároco de Stª Maria).

Em 1810 o Castelo é integrado no conjunto de fortificações que formaram a primeira linha de defesa de Lisboa, como reduto nº27, sendo então reparado e guarnecido com várias peças de artilharia.

Em 1830 procedeu-se à reparação das suas muralhas, trabalho dirigido pelo coronel de engenheiros Lourenço Homem da Cunha de Eça.

Durante a guerra civil de 1846, a chamada “Patuleia”, foi ocupado pelas forças do Conde de Bonfim, que se opunham à Rainha, sendo por isso palco dos encarniçados confrontos que opuseram os dois exércitos em 22 de Dezembro desse ano, sendo o exército da rainha comandado pelo Duque de Saldanha.

Nessa ocasião foi ferido no Castelo Luís Mousinho de Albuquerque, que agonizou até falecer no dia 27, já depois da vitória de Saldanha sobre as forças “patuleias”.

Em finais do século XIX, o velho castelo de Torres Vedras começou a perder a sua importância militar e a sua manutenção tornou-se um problema para as autoridades militares.

Num ofício, datado de 18 de Julho de 1874, o administrador do concelho de Torres Vedras alertava a Direcção Geral de Engenharia para a urgente necessidade de se reconstruir as muralhas do Castelo, cujo estado ameaçava ruir e danificar as habitações próximas.

Aquela Direcção, na sua resposta ao dito ofício, afirmou não merecer a pena reconstruir as referidas muralhas, justificando essa afirmação com o facto do castelo de Torres Vedras não ter importância militar, propondo que a medida mais conveniente a adoptar fosse vender, por arrematação, a pedra de alvenaria e de cantaria das muralhas do castelo.

Felizmente para o nosso património, a Direcção Geral da Secretaria da Guerra, a quem coube a decisão final sobre o assunto, por carta de 6 de Novembro de 1874, tomou posição em defesa da salvaguarda dessas muralhas, "com quanto reconheça que o castelo perdeu muito da sua importância primitiva, não pode contudo concordar em absoluto com a opinião da engenharia; porque e até mesmo quando se admitia que o castelo é completamente inútil por não ter hoje valor algum como fortificação, não pode negar-se-lhe a importância histórica que na realidade tem este posto militar(...)" (Arquivo Histórico Militar, Lisboa).

O bom senso prevaleceu e o nosso Castelo é hoje o importante símbolo de que os torrienses se orgulham. Que lição para os dias de hoje!

NO DIA NACIONAL DOS CASTELOS - Vistas antigas do Castelo de Torres Vedras














































































segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O 5 de Outubro em Torres Vedras


Paços do Concelho. Com a implantanção da República, o Poder Local ganhou uma nova dinâmica.

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Ao contrário de muitas localidades do país, onde a República "chegou por telégrafo", Torres Vedras foi uma das localidades que desempenhou um papel activo no "5 de Outubro", tendo sido importante a acção dos republicanos torrienses, ao destruírem a linha férrea, impedido a chegada a Lisboa de tropas do Norte: "Pela manhã ( do 5 de Outubro) havia estacionado na villa o regimento de infanteria 15, de Thomar e tres destacamentos de lanceiros 2 e cavallaria 4, que vinham do norte, pela via ferrea, mas que não puderam seguir para Lisboa em virtude de grupos armados, d'esta villa, terem destruido as linhas, afim dos comboios que por ventura quizessem marchar com reforços sobre Lisboa, não pudessem transitar.

"O regimento bivacou no campo de S.João, proximo à estação, tendo durante o dia feito a sua adhesão á Republica, foi á noite muito acclamado pela multidão que percorria as ruas da villa, em marcha à "aux flambeaux ( com archotes)"(1).

Seguindo a descrição feita pela "Folha...", esse dia 5 de Outubro foi vivido com grande intensidade pela população da vila :

"Á mesma hora a que foi proclamada a Republica na camara Municipal de Lisboa, era desfraldada a bandeira republicana, do Centro Republicano, d'esta villa, nos Paços do concelho de Torres Vedras, ao som da "Portugueza".

"O enthusiasmo do povo, n'esse momento, tocou as raias do delirio, sendo ao mesmo tempo acclamado administrador do concelho o cidadão David Simões.

"Em seguida o povo percorreu as ruas da villa, com uma banda de musica á frente e foi á administração do concelho onde se lavrou o auto de posse"(2).

Por ironia do destino, "A Vinha de Torres Vedras" foi o primeiro órgão de imprensa local a noticiar os acontecimentos do 5 de Outubro, na sua edição do dia 6, publicando a composição do novo governo e o nome dos governadores civis, e dando conta do destino da família real, dedicando algum espaço àquilo que apelidou como "os destroços da contenda", assinalando os "desastres pessoais, tanto em vidas, como em ferimentos, que causaram horror" e publicando a lista de "prejuzos materiaes, occasionados pelos canhões de terra e mar" em Lisboa. Referindo-se à situação em Torres Vedras, destacava, em título, a "prisão dos professores e seminaristas do Barro", na manhã desse mesmo dia 6, por "uma força de cento e tantos praças de infantaria 15, e outro de quarenta praças de cavallaria" que, apresentando-se "inesperadamente no Collegio do Barro (...) intimaram os professores e seminaristas, a que por ordem do governo os acompanhassem.

"A intimação foi rigorosamente cumprida, e os moradores, em numero de 82, condusidos para esta villa, onde a população os recebeu com respeito, foram horas depois condusidos para Lisboa, no comboio, acompanhados pela força de infantaria 15.

"No collegio do Barro ficou uma força commandada por um alferes, guardando o edificio, onde se encontram dois moradores doentes e as pessoas que d'elles tratam"(3).

Em notícia divulgada na mesma edição, o até então porta-voz do Partido Progressista, referia o assassinato de um camponês da Serra da Vila, localidade vizinha daquele convento pelo guarda do Colégio do Barro, não lhe dando qualquer carácter político, ao contrário da "Folha.." que , na sua descrição dos acontecimentos de 5 e 6 de Outubro, se referia ao facto de se ter tido conhecimento, no dia 6 de "que um empregado do convento dos Jesuitas assassinara com um tiro um pobre homem do campo" (4), associando esse facto com a ordem para aprisionar os Jesuítas do Barro.

Um dos primeiros actos do novo poder neste concelho foi encerrar os dois conventos deste concelho e arrolar os seus bens, motivo de uma das primeiras comunicações do novo administrador do concelho para o governo, dirigida ao Ministério dos Negócios da Justiça, datada de 13 de Outubro:

"Em cumprimento das ordens de Vª Exª tenho a honra de informar que estão fechadas 5 casas das ordens religiosas neste concelho, que são as seguintes:

"1º O Convento do Barro, que se compõe de tres grandes edificios, tendo todo o mobiliario que se encontrou á sahida dos Jesuitas, 4 vacas leiteiras, 2 mullas, 4 porcos e algumas galinhas. Está situado longe de povoações e guardado por uma força militar d'Infantaria 7.

"2º Pertencendo ha (sic) mesma ordem á (sic) outro edificio denominado a quinta da Cadriceira, freguesia do Turcifal, o qual já está fechado e lacrado, tendo todo o mobiliario, 3 vaccas pequenas, 1 porco e 35 galinhas, ficando depositario Angelo Custodio Botelho da Cadriceira.

"3º O convento do Varatojo, quando o fui fechar e lacrar só lá estava um padre, parte do mobiliario já ali se não encontrava e animaes só lá existiam 1 porco e algumas galinhas, andando já o juiz desta camara fazendo arrolamento. Este padre ficou em casa particular esperando pela resposta de um abaixo assignado do povo d'aquelle lugar que junto envio a v. Ex.ª para os effeitos que tiver por convenientes.

"4º No mesmo logar do Varatojo existe uma casa de religiosos habitada por irmãos de caridade, que encontrei fechado e com pouco mobiliario, ficando depositario desta casa e do convento Jose Eduardo Cezar do Varatojo.

"5º Na Praia de Santa Cruz ficou fechado e lacrado e com pouco mobiliario uma casa pertencente ao convento das freiras, onde vinham tomar banho de mar.

"N'esta villa ha duas irmandades, as quaes cada uma dava 200.000 reis annuaes e dois padres que vinham dizer missa, e estes padres pertenciam ao convento do Varatojo, os quaes me mandaram pedir se puderiam continuar a dizer as missas e ficaram rezidindo n'esta villa"(5).
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(1) Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de1910.

(2)Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de 1910.

(3) A Vinha de Torres Vedras, 6 de Outubro de1910.

(4) Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de1910.

(5) Livro de Correspondência Externa (do Administrador do Concelho),(1908-1912), nº 304 de 13 de Outubro de1910, AMTV.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lançamento do Livro "Freguesia de Carvoeira - A História e seu Património" de Fernando Sá.




Este Domingo , pelas 16 horas, vai ser lançado publicamente, na Carvoeira, o livro “Freguesia de Carvoeira –A História e o seu Património” da autoria de Fernando Pereira Sá.


Esta é a quarta obra desse autor autodidacta sobre as freguesias do Concelho de Torres Vedras.

Anteriormente já tinha dado à estampa o levantamento histórico, cultural e iconográfico das freguesias do Turcifal, de Monte Redondo e de Dois Portos. O autor já iniciou o levantamento para a sua próxima obra, desta vez dedicada à Freguesia de S. Domingos de Carmões.

A sua obra, tendo por base um exaustivo levantamento fotográfico aldeia a aldeia, tem o mérito de registar para a posteridade a imagem dos lugares mais recônditos, e por vezes mais esquecidos, do nosso concelho.

Outra vantagem é que a facilidade de comunicação do autor com os populares, leva a que estes lhe confiem muitos dados da tradição oral da sua família ou do seu lugar que podem ser uma boa base de partida para futuros trabalhos de investigação no campo da etnografia e da história da cultura popular e rural.

Quem, estudando outras épocas remotas, não lamenta que não tenha havido um “Fernando Sá” na Idade Média ou no século XIX, que nos tivesse deixado o registo de tantos mundos perdidos?

Parte do mérito da obra de Fernando Sá só poderá ser devidamente avaliada no futuro, depois de muitas das histórias e imagens que recolheu voltarem ao esquecimento. Nessa altura, os historiadores do futuro têm aqui uma boa base para conhecerem essa ruralidade perdida.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Reabilitação do centro Histórico de Torres Vedras




A notícia foi esta tarde divulgada pela Agência Lusa:


“Torres Vedras investe 6 milhões para reabilitar centro histórico

“Aquisição e recuperação de edifícios devolutos por parte da autarquia é uma das medidas previstas para reabilitar e combater a desertificação no centro histórico da cidade.

“A câmara de Torres Vedras aprovou hoje a revisão ao Plano de Reabilitação do Centro Histórico, dez anos depois da primeira versão ter entrado em vigor, com alterações que visam combater a desertificação populacional nesta zona da cidade.

"Este plano dá respostas para no futuro termos mais habitantes e comerciantes no centro histórico, porque está dotado de mecanismos que permitem adaptar as construções às novas exigências de vida", afirmou o presidente da câmara, Carlos Miguel.

“Segundo o autarca, as alterações inseridas no documento vão no sentido de autorizar pequenas obras nos mais de quatrocentos imóveis existentes.

“A possibilidade de os cidadãos abrirem uma porta para garagem ou terem um sótão para habitação, mantendo as fachadas das habitações, são algumas das alterações trazidas por este plano, facilitando a vida aos cidadãos que queiram fixar residência no centro histórico.

“O Plano de Reabilitação do Centro Histórico, que deverá entrar em vigor só em 2010, privilegia a salvaguarda e valorização do património existente com o objectivo de "dotar todos os edifícios de boas condições de habitabilidade".

“Além das normas que vêm estipular o tipo de obras que os proprietários de habitações no centro histórico estão autorizados a efectuar, o plano prevê um conjunto de intervenções no espaço público, como obras de requalificação urbanística, alterações no mobiliário urbano e iluminação e criação de estacionamento e interdição de vias ao trânsito.

“As intervenções públicas previstas no plano estão estimadas em 6,1 milhões de euros e contemplam a aquisição e recuperação habitacional de edifícios devolutos.

“Com o objectivo de intervir na reabilitação social do centro histórico, estão também previstas medidas, que passam pelo apoio ao arrendamento destes imóveis para realojar famílias carenciadas, a projectos de urbanismo comercial e fixação da população e animação cultural.

“Nas últimas décadas e com o crescimento da cidade de Torres Vedras, muitos residentes optaram por abandonar o centro histórico, tendo-se registado um decréscimo populacional de 63 por cento entre 1980 e 2002.

“Entre os motivos apontados pelo diagnóstico do plano, destacam-se a falta de espaço das habitações e das ruas e as fracas condições de habitabilidade de muitos edifícios, tendo em conta o "preocupante estado de conservação", havendo situações de "iminente derrocada".

“Assim, o centro histórico passou a ser habitado por uma população maioritariamente envelhecida.” In Lusa 15:56 Terça-feira, 29 de Setembro de 2009 .

Em época de campanha eleitoral - Dez Sugestões para Debater a Cidade



Ao ter hoje início a campanha eleitoral para as eleições municipais, gostava de dar o meu contributo para este tempo de debate, apresentando Dez temas que gostaria que entrassem na campanha (a ordem dos mesmos é arbitrária):


1 – Torres Vedras, cidade respirável – desenvolver uma rede de ciclo vias, ligando vários pontos da cidade e, principalmente, a cidade e vários pontos do concelho, melhorando as já existente (que precisam de ser revistas nalguns troços) e aproveitando as condições dos vários vales do concelho, nomeadamente o vale da cidade, o percurso dos rios Sizandro e Alcabrichel e o vale de Runa.

2-Torres Vedras, cidade da Fotografia – a fotografia e os fotógrafos estão presente na cidade desde os primeiros tempos da sua existência. Seria fundamental criar um ARQUIVO FOTOGRÁFICO MUNICIPAL, que recolhesse o máximo de espólio existente em instituições ou que fosse doado por profissionais do sector e por particulares, dinamizando um espaço de divulgação dos artistas desta arte, do presente e do passado.

3 – Torres Vedras, cidade da imprensa – Criação, quanto a mim urgente, de uma Hemeroteca, independente do Arquivo Municipal e da Biblioteca, reunindo, divulgando e preservando não só a já longa lista de publicações periódicas do concelho, como um vasto espólio, existente na Biblioteca Municipal, mas com pouco uso, de jornais e publicações periódicas nacionais.

4- Torres Vedras, terra da Contemporaneidade – A criação, prevista, de um centro de interpretação histórica das Linhas de Torres Vedras e de um Museu do Carnaval, devem apostar num objectivo mais abrangente já que, no primeiro caso, foi com a Guerra Peninsular que Torres Vedras entrou na época Contemporânea e, no segundo caso, foi com o Carnaval que se revelaram muitos dos artistas torriense contemporâneos. Por isso aqueles espaços não podem ser pensados estritamente para o tema que está na sua origem, mas devem desenvolver outras valências. (podiam integrar o Arquivo Fotográfico e a Hemeroteca acima referidos).

5-Torres Vedras, cidade do Cinema – criação de um festival, anual ou bianual, de cinema, explorando uma temática ainda rara em festivais de cinema portugueses. Em tempos cheguei a propor que essa temática fosse O CINEMA E A HISTÓRIA. Para além de uma longa tradição de interesse pelo cinema, Torres Vedras tem actualmente espaços, públicos e privados, preparados para receber uma tal iniciativa.

6 – Torres Vedras, cidade da Arqueologia – o concelho é rico em vestígios arqueológicos das mais variadas épocas, desde a pré-história á Idade Média, passando pela época romana. Nas últimas décadas têm-se dado grande avanços no conhecimento arqueológico do concelho, mas, muitas vezes, não se dá a devida visibilidade a essas descobertas. Por outro lado, parte dessas novidades restringe-se a locais há muito explorados e conhecidos, como o Castro do Zambujal. Seria importante pegar nos registos de Aurélio Ricardo Belo e Leonel Trindade e começar a fazer um levantamento sistemáticos das muitas centenas de sítios que eles referem, sem que, depois deles, se tivesse voltado a estudá-los, e desenvolver novas e sistemáticas campanhas arqueológicas. Seria importante também alargar essas campanhas à Idade Média, nomeadamente à época muçulmana, tão ignorada neste concelho.

7 – Torres Vedras, cidade dos Transportes Públicos – É necessário incentivar o uso de transportes públicos, para isso é necessário melhorar os horários, os percursos e as informações . Dentro da cidade só se consegue convencer os cidadãos a recorrerem aos transportes públicos se não tiverem de ficar mais de 15 minutos à sua espera.

8 – Torres Vedras cidade ferroviária – Muito deve esta cidade ao transporte ferroviário. Mas, infelizmente, nas últimas décadas muito pouco se tem feito para pressionar a CP a respeitar os habitantes desta região. Hoje, quando se prevê que o caminho-de-ferro vai ser o transporte do futuro e o seu desenvolvimento venha a ser cada vez mais um sinal de modernidade, a Linha do Oeste continua com horários, percursos e velocidades que, em muitos casos, são piores que há trinta anos atrás. É necessário que Torres Vedras, juntamente com todos os concelhos servidos pela Linha do Oeste, contribuam para a sua modernização.

9 – Torres Vedras, cidade pedonal – Hoje é cada vez mais evidente que a degradação das cidades se deve muito à dificuldade dos seus habitantes em se deslocarem a pé. Os automóveis invadem todos os espaços e impedem uma vivência saudável da cidade. Ao contrário do que alguns comerciantes ainda defendem, a criação de áreas pedonais incentiva a frequência do comércio local. A sua decadência prende-se com outras situações, como a proliferação de grandes superfícies e a falta de modernização de muito desse comércio local. Incentivar e aumentar as ruas de exclusividade pedonal, coma excepção de ciclo vias, é uma maneira de incentivar a vivência de uma cidadania saudável.

10 – Torres Vedras, cidade da Música – Nos últimos anos a cidade tem conhecido uma dinâmica assinalável nesta área, com escolas de música e espectáculos dos mais variados géneros musicais. O que falta é reforçar e divulgar melhor algumas dessas iniciativa e, principalmente, manter a continuidade dessas actividades, pois só assim se consolida um público e se conquista qualidade.



Nos tempos que correm, as cidade só podem garantir o seu desenvolvimento económico e social se reforçarem a sua identidade e a melhoria da sua qualidade de vida.

Em Torres Vedras alguma coisa tem melhorado nesse sentido, mas há ainda muito a fazer, e as nossas sugestões visam apenas incentivar o debate sobre o caminho e a identidade que esta cidade quer para si.

domingo, 27 de setembro de 2009

Vindimas em Torres Vedras nos postais de António Passaporte (anos 40/50)


António Passaporte foi um dos mais conceituados fotógrafos portugueses da primeira metade do século XX.

Pertencendo a uma família de fotógrafos, nasceu em Évora em 24 de Fevereiro de 1901, falecendo em Lisboa em 1983.

Combateu na Guerra Civil de Espanha, ao lado das forças republicanas, onde integrou as Brigadas Internacionais como fotógrafo do 5º regimento.

Terminada a guerra regressa a Portugal, iniciando em 1940 a produção de postais ilustrados com vistas de vários pontos do país, assinando por vezes como “Loty”.

A maior parte do seu espólio está no Arquivo Fotográfico Municipal de Évora.

Lemos, há poucos anos, que também a Câmara Municipal de Mafra tinha adquirido parte do seu espólio, o referente à região deste concelho.

Tendo Torres Vedras uma longa tradição de fotógrafos, talvez fosse uma boa ideia criar-se um Arquivo Municipal Fotográfico, para o qual se conseguisse obter o espólio de Passaporte e outros fotógrafos.

Até lá apreciem as seguintes imagens referentes às vindimas no concelho de Torres Vedras da autoria de António Passaporte, editadas em postal.






(não sendo uma cena de vindimas, mostra uma figura popular de Torres Vedras)








(atribuo a autoria deste postal a Passaporte, com algumas reservas)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

FICHA DE BIBLIOGRAFIA VEDROGRÁFICA: "Jubileu do Collegio do Barro - 1860-1910"

Ficha bibliográfica





Título: Jubileu do Collegio do Barro – 1860-1910 – Noticia Historica de Sua Fundação e Ministerios Até o Anno Presente

Autor: CORDEIRO, P. Antonio Costa



Ano: 1910.

Edição:Typ. a vapor de Augusto Costa & Mattos.

Local: Braga.

Preço: não indica.

Nº de páginas: 242.

Tiragem: não indica.





Gravuras: “O Collegio do Barro em 1860”.

Fotografias: 22, do sítio do Barro, do interior do edifício e dos padres do convento.

Gráficos: 2, “Indicação numérica e comparativa dos que entram e perseveraram, relativamente a cada um dos 50 annos que vão de 1859 a 1909”, e “Quadro das entradas, repartida pelas províncias do Reino e por outras províncias”.





Tema: Este livro foi editado para comemorar o jubileu da instalação de um colégio de noviciados da Companhia de Jesus no antigo Convento do Barro, ocorrida em 14 de Agosto de 1860. Descrevendo em breves traços a História do antigo convento dos arrábidos, daqui expulsos em 1834, bem como o seu património, a obra debruça-se especialmente sobre os últimos cinquenta de história do convento, dirigido pelos Jesuítas assim como sobre as missões em que participaram por quase todo o país. Por ironia do destino, menos de dois meses depois desse jubileu era proclamada a República e os Jesuítas do Barro foram das primeiras vítimas do anti-clericalismo do novo regime.


Capítulos: Algumas palavras d’introdução; CAPÍTULO I – Breve noticia da casa e noviciado do Barro - § 1º - Notícia geral do convento até o anno de 1860; § 2º Como o convento do Barro passou a ser propriedade da Companhia; § 3º - Abertura do noviciado no Collegio do Barro; CAPÍTULO II – A Casa do Barro e as suas officinas; Adro da Egreja; Sacristia e claustro; Capella domestica; Refeitório; Infermaria; Novciado e Estudantado actuaes; Mata e telheiro; Monumento a Nª Sª de Lourdes; ECHOS – o Monumento do Barro [poema da autoria de José Maria Gomes Ribeiro, professor do colégio]; CAPÍTULO III – A casa do Barro e seus labores apostolicos (desde o anno de 1861 a 1866); §1º - A Idéa geral das missões – Estado moral em que os nossos operários vieram encontrar o povo do reino, quando começaram com as missões volantes; ceremonial que é costume guardar-se nas missões; ceremonial da 1ª communhão das crianças; ceremonia da communhão geral; § 2º - Ministerios dos operários do Barro no termo de Torres-Vedras – Estreia no púlpito do P. Luiz Prosperi; Missão (novena) em Serra da Villa; Missões do Carvalhal, Orjariça, Figueiredo e Matacães; Erecção das primeiras Congregações na nossa Egreja; Primeira communhão geral das crianças na Egreja do Barro; Missão do Ramalhal; Missão em S. Pedro da Cadeira; Missões em Nª Sª do Amparo, Incarnação e Ponte do Rol; Missão em S. Mamede; Missão da Ericeira; Missão da Lourinhã; § 3º - Ministerios dos operários do Barro fora do termo de Torres – Missão de Cintra; Missão em S. João das Lampas; Missão em Monte Lavar; Missão de Peniche; Missão do Almargem do Bispo; Missão d’Olho Marinho; Missão em Serra d’El-rei; Missão d’Obidos; Missão em Porto de Mós; Missão de Leiria; Missão da Marinha Grande; Missão em Vieira; Missão em Merciana;Missão em Carvalhal de Obidos; Missão do Sanguinhal; Missão do Cadaval; Missão na Vermelha; CAPÍTULO IV – Trabalhos apostolicos ou missões dos operários do Barro (desde o anno de 1866 a 1910); § 1º - Abrangendo as missões, que tiveram logar desde princípios de 1866 até á morte do P. Prosperi – Missão da Pederneira; Missão em Santa Quiteria de Meca; Missão na Sapataria; Missão na Diocese de Coimbra; Missão na Diocese da Guarda – Guarda e Covilhã; Missão em Idanha-a-Nova; Missão em Pinhel; Missão de Cezimbra; Missões em algumas povoações do Districto de Beja; Missão no Cartaxo; Missão em Chaves; Ministerios apostólicos no Funchal; Missões na Diocese de Coimbra; § 2º - Ministerios apostólicos dos operários do Barro que se seguiram ao P. L. Prosperi; § 3º - Alguns ministérios dos PP. Terceiranistas no presente anno de 1910; APPENDICES: APPENDICE I – Breve noticia histórica dos Reitores e Mestres de Noviços d’esta casa, já fallecidos – P. João Meloni; P. José Catani; P. Domingos Moscatelli; O Collegio do Barro em 1860 [desenho do P. Rademaker]; APENDICE II – Relação dos que na casa do Barro (ou em Sarnache do Bom Jardim) começaram ou concluíram o noviciado desde 1860 a 1909 [quadros com listas de nomes ] : Agosto de 1860-Outubro de 1863; Outubro de 1863-Abril de 1866; Abril de 1866-Outubro de 1869; Outubro de 1869-Dezembro de 1881; Dezembro de 1881-Julho de 1888; Julho de 1888-Fevereiro de 1895; Fevereiro de 1895 – Maio de 1907; Maio de 1907; SCHEMA 1º - Indicação numérica e comparativa dos que entram e perseveraram, relativamente a cada um dos 50 annos que vão de 1859 a 1909 [gráfico]; SCHEMA 2º - Quadro das entradas, repartida pelas províncias do Reino e por outras províncias; APPENDICE III – Breve descripção dos festejos [do jubileu] do dia 2 d’Agosto [de 1910] – Programma dos Festejos; ERRATAS; INDICE



O Convento do Barro, visto do interior (1910)


Brazão de Armas de António de Teive, por cima de uma inscrição que lhe é dedicada  (Igreja do Convento do Barro, lado do evangelho)


Brazão de Armas dos Froes, por cima de uma inscrição dedicada a Leonardo Froes, aqui sepultado, pela sua filha D. Isabel Perestrella (Igreja do Convento do barro, lado da epístola)


Vista parcial da Igreja do Convento do Barro


Painel de Azulejos da capela mor da Igreja do Convento do Barro (lado da Epístola).




Painel de Azulejos da Capela mor da Igreja do Convento do Barro (lado do evangelho).



Capela Interior do Convento do Barro


Sala de Estudo do "escolasticado" do Convento do Barro


Iconografia do Barro (1910)


Cruzeiro do adro da Igreja do Convento do Barro, datado de 1673.



Monumento dedicado a Nª Sª de Lurdes, colocado no monte do Barro em 1908 (visto de nascente).



Imagem de Nª Sª dos Anjos, venerada no Barro (1910)



Monumento de Nª Sª de Lurdes, visto a partir da escadaria.

Fotografias e Gravura relacionados com o antigo Convento do Barro


Barro - Procissão com o andor de Nª Sª dos Anjos (principio do séc. XX)


Convento do Barro - vista do "coberto" e do terraço (1910)


Gravura do Padre Rademaker, representando o Convento do Barro em 1860



Padre Carlos Rademaker - 1910 - Fotografia de F. de S. Borges Grainha. "Phototypia" de E. Biel

Vista do Convento e Vale do Barro - 1910


O "Colégio" do Barro visto de Poente - vista da Enfermaria (1910)

o "Colégio" visto do Nascente


O "Colégio" visto de Sudeste


O "Colégio" visto de Sudoeste


O "Colégio" visto do Norte