domingo, 11 de outubro de 2009

Carlos Miguel renova mandato em Torres Vedras com maioria absoluta



Carlos Miguel viu renovado o seu mandato como presidente da Câmara, com maioria absoluta.




Parece evidente, comparando a votação já conhecida entre a obtida para a Câmara e a obtida para a Assembleia Municipal, que Carlos Miguel vale mais do que o próprio PS.



Foram estes os resultados finaisl no concelho de Torres Vedras:


Para a Câmara:

PS -23 095 votos (61,7%), 6 vereadores eleitos (maioria absoluta) (+1).

PSD/CDS – 10917 votos (28,87%), 3 vereadores eleitos.

CDU – 2824 votos (7,47%), perde o único vereador que tinha, pela primeira vez desde 1976.

Para a Assembleia Municipal.

PS – 20 833 votos (52,22%), elege 16 deputados (+3),

PSD/CDS – 12027 votos (31,8%), elege 9 deputados (-2);

CDU – 3719 votos (9,83%), elege 2 deputados (-1).

Nas freguesias o resultado foi o seguinte:

A-Dos-Cunhados – PS – 7; PSD/CDS - 6

Campelos – PS – 7 (+2) ; PSD/CDS – 2 (-2).

Carmões – PS – 5 ; CDU - 1 (+1) ; PSD/CDS -1 (-1).

Carvoeira – CDU – 5; PS – 2 (+1) ; PSD/CDS – 2 (-1).

Dois Portos – PS – 6 (-1); PSD/CDS – 2 (+1) ; CDU 1

Freiria – PSD/CDS - 5 ; PS - 4

Maceira – PS - 7 (+1); PSD/CDS – 2 (-1)

Matacães – PS- 7 (+1) ; CDU - 1 ; PSD/CDS -1 (-1) ;

Maxial – PS – 7 (+3); PSD/CDS – 2 (-2); CDU- 0 (-1).

Monte Redondo – PS – 4 (+1); PSD/CDS – 3; CDU – 0 (-1).

Outeiro da Cabeça – PS – 4 (-1) ; PSD/CDS – 3 (+2); CDU – 0 (-1).

Ponte do Rol – Lista Independente -7 (-1); PS – 2 (+1).

Ramalhal – PS - 6 (+1) ; PSD/CDS- 2 (-1) ; CDU- 1.

Runa – PSD/CDS – 3 (-1); CDU – 2; PS – 2 (+1).

Stª Maria e s. Miguel – PS – 5; PSD/CDS – 3; CDU – 1.

S.Pedro da Cadeira – PS – 5 (-1) ; PSD/CDS- 4 (+1).

S. Pedro e Santiago – PS – 7 (+2) ; PSD/CDS – 5 (-2), CDU - 1

Silveira – PS – 8; PSD/CDS – 5 .

Turcifal – PS -6 ; PSD/CDS -2 ; CDU – 1.

Ventosa – PS - 5 ; PSD/CDS – 4.

No Aniversário da fundação da Associação de Bombeiros de Torres Vedras


Hoje, 11 de Outubro, comemora-se mais um aniversário sobre a fundação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, acto que teve lugar no meio de grandes festejos (documentados pela fotografia de cima) que tiveram lugar nesse ano distante de 1903.

Aqui registamos as origens dessa associação:

Algumas notas sobre a origem e a evolução da Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras -

1

Entre o final do século XIX e o princípio do século XX assiste-se ao nascimento e desenvolvimento de um movimento de associativismo laico que, não só correspondeu a uma crescente afirmação da sociedade civil, como a uma notória descentralização dos poderes do Estado, fruto da expansão das ideias liberais e democráticas e ainda de um acentuado crescimento urbano, com todas as consequências urbanísticas, culturais, sanitárias e sociais que daí resultaram .
Em Torres Vedras, os serviços que hoje atribuímos aos Bombeiros competiam, em última instância, até à criação daquela associação, à Câmara Municipal.
Isso se pode deduzir quando, por ocasião da fundação da ABVTV, em sessão camarária, se refere a solicitação do “seu [ da Câmara] material d’ incêndios para uso d’ aquelle corpo [de Bombeiros]” (1).
A organização de um serviço oficial de socorro a incêndios está documentada em Portugal desde o tempo de D. João I, quando este expediu uma carta régia sobre o assunto em 25 de Agosto de 1395, dirigida à cidade de Lisboa.
Em Torres Vedras só temos conhecimento de preocupação idêntica em pleno século XIX quando, em sessão camarária de 8 de Agosto de 1872, o Administrador do Concelho, Dr. Manuel António da Costa, presente na mesma, requer da câmara a adopção de “algumas providências para a extinção de incêndios”. Dando seguimento a esse requerimento, a Câmara “deliberou nomear uma commissão para obter donativos, a fim de se levar a effeito a compra de uma bomba e mais utensílios necessários para acudir aos incêndios”.
Para fazerem parte dessa comissão foram nomeados o Dr. Luís António Martins, o prior António Joaquim d’Abreu Castello Branco, José Avelino Nunes de Carvalho e Francisco José de Bastos , ficando a aguardar-se que os mesmos fossem oficiados dessas funções e pedindo-lhes que “se dignassem acceitar por bem do serviço publico” (2).
Se essa comissão chegou a funcionar ou se tomou algumas medidas é assunto que as nossas fontes não permitem esclarecer.
Contudo, não deixa de ser significativo que essa preocupação manifestada pelo administrador do concelho, de nomeação governamental e geralmente em contacto permanente com a capital, seja contemporânea de uma profunda reforma e modernização dos serviços de incêndio em Lisboa, levadas a cabo por Calos José Barreiros, nomeado inspector em 21 de Abril de 1868 e reformado em 1899.
As medidas então tomadas não devem ter passado despercebidas ao dito administrador que as terá procurado implementar em Torres Vedras.
A primeira vez que se manifestou publicamente a necessidade da criação de uma associação de bombeiros neste concelho foi em Junho de 1887, nas páginas do jornal “A Voz de Torres Vedras”.
O motivo foi um incêndio que se registou na madrugada de 2 de Junho desse ano, “na viela chamada de Luís Cardoso, a mais estreita desta vila, onde se achava estabelecido n’ uma casa de proporções muito acanhadas o Restaurant Torreense”, e a dificuldade que os populares enfrentaram para combater o sinistro, com mangueiras em mau estado de conservação.
Após a extinção do incêndio, o Administrador do Concelho reuniu-se com algumas das pessoas que tinham combatido aquele incêndio e “assentou (...) na formação de uma associação de bombeiros, ideia utilíssima e altamente humanitária que estimam ver realizada em breve espaço” (3).
A ideia de criar um corpo local de bombeiros voluntários voltou a ser ventilada pela direcção do Grémio Artístico e Comercial por duas vezes, numa reunião em 18 de Janeiro de 1892 e numa outra, efectuada em 3 de Março de 1898 (4).
Uma nova tentativa teve lugar no ano seguinte, quando Filippe Nery Bally [?] , então a residir na vila, se apresentou na sessão camarária de 13 de Julho de 1899 para dar “as necessárias explicações acerca de um officio que dirigiu à Câmara em 6 deste mês, no qual expunha que desejando formar nesta mesma villa um companhia de bombeiros voluntários, pedia lhe fosse cedido o material de incêndios, pertencente ao Município; ficando a Câmara sem encargo algum, tanto para a installação da alludida companhia de bombeiros, como para reparação do material. A Câmara resolveu encarregar os srns. Presidente e Vice-presidente, de resolverem o assumpto como melhor entendessem”(5).
A tal iniciativa não deve ter sido estranho o facto de, poucos meses antes, se terem dado dois dos maiores incêndios registados em Torres Vedras, um, fogo posto, na “madrugada de 15 de Maio de 1899 na fabrica de gasosas de Cruz & Paiol, instalado no ultimo prédio à saída da vila próximo à ponte da Mentira “ e outro, a 30 de Junho, “no prédio da Viuva Miranda & Filho” (6)
Tais iniciativas não passaram das boas intenções, embora se estivesse cada vez mais próximo do momento decisivo para a concretização de tão premente necessidade.

(1) Livro de actas de Sessões da Câmara Municipal de Torres Vedras (Lº ASCMTV), nº 36 (1901-1909), sessão de 14 de Maio de 1903, f.69, Arquivo Municipal de Torres Vedras (AMTV).
(2) Lº ASCMTV nº 30 (1864-1873), sessão de 8 de Agosto de 1872, f. 279, AMTV.
(3) A Voz de Torres Vedras, Junho de 1887.
(4) COSTA, Emílio Luís, “Emílio Maria da Costa – O Fundador dos Bombeiros de Torres Vedras”, in Torres Cultural, nº 5, 1992, pp.52 a 56.
(5) Lº ASCMTV nº 35 (1895-1901), sessão de 13 de Julho de 1899, f. 232 v, AMTV
(6) VIEIRA, Júlio, Torres Vedras Antiga e Moderna, ed. Livraria da Sociedade Progresso Industrial, Torres Vedras, 1926, pp. 228 e 229.
2

Deveu-se a Emílio Maria da Costa a iniciativa de sensibilizar as elites torrienses de então para a necessidade de se criar um corpo de bombeiros neste concelho.
Natural de Santarém, onde nasceu em 10 de Junho de 1865, e cabeleireiro de profissão, era proprietário em Torres Vedras de “uma barbearia na rua Paiva de Andrada, frente ao actual Café Império, sendo a sua clientela constituída por elementos da melhor sociedade da época”.
Emílio Costa tinha experiência como bombeiro, pois, antes de da sua vinda para Torres Vedras, pertenceu à Corporação dos Bombeiros Voluntários de Santarém(7).”Tanta propaganda fez sobre o assunto, tanto maçou o bichinho do ouvido dos seus clientes e amigos que organizou uma Comissão” para fundar uma associação de bombeiro (8).
Torna-se pela primeira vez pública a existência de tal comissão em 26 de Abril de 1903 quando, num artigo do jornal “Folha de Torres Vedras” é feita “referência a uma petição com grande número de assinaturas, destinada a ser entregue às companhias de seguros e cujo fim procuraria avaliar as possibilidades de comparticipação das mesmas, caso se formasse uma corporação de Bombeiros” (9).
No dia seguinte, 27 de Abril, é distribuído pela população torriense um aviso convocando para uma reunião, marcada para as “8 horas da noite no salão-theatro do Grémio Artístico-Commercial” (10).
Esse documento era subscrito por Theodoro da Cunha, José Maria de Miranda, João Guimarães Júnior, José Joaquim de Miranda e Júlio Vieira.
Theodoro da Cunha era notário da Comarca e tinha sido o primeiro director do jornal “Folha de Torres Vedras”, vivendo na vila e com a idade de 35 anos:

José Maria de Miranda era farmacêutico em Torres Vedras e tinha 44 anos.
João Guimarães Júnior era um conceituado comerciante da vila, então com 51 anos.
José Joaquim de Miranda era um proprietário agrícola da vila com 34 anos.
Júlio Vieira era o mais jovem e também, na actualidade, o mais conhecido de todos, então no início da sua vida social. Tinha apenas 27 anos, era comerciante e editor e administrador do jornal “Folha de Torres Vedras”(11).

Aquela assembleia, presidida por Joaquim José de Bastos, vice-presidente da Câmara, reuniu cerca de 150 pessoas e dela saíram três subcomissões destinadas a criar condições para a formação de um associação de bombeiros.
A cada uma foram atribuídas tarefas distintas: uma destinava-se à angariação de donativos (dr. Aleixo Cesário de Sousa Ferreira, António Agostinho da Silva Henriques, presidente da câmara, Manuel Francisco Marques, dr. Francisco de Carvalho Martins e Manuel José de Paula Guimarães) ; outra à elaboração dos estatutos (Theodoro da Cunha, Júlio Vieira e José Maria de Miranda); a terceira à “organização de festejos e diversões destinadas a criar receitas” (José Joaquim de Miranda, João Ferreira Guimarães Júnior, José Pedro Lopes, José Augusto Cabral, José Rodrigues, José Maria de Almeida Trigueiros e Emílio Maria da Costa)(12).
Dos 17 membros dessa “grande comissão”(13), 16 viviam na vila, 11 pertenciam ao sector terciário (5 comerciantes, 1 barbeiro, 1 escrivão de direito, 1 farmacêutico, 1 advogado, 1 conservador e 1funcionário público), 5 eram proprietários e 1 pertencia ao sector secundário ( 1 alfaiate ).
Pouco mais de metade, 9, tinham menos de 36 anos. As tradicionais elites políticas estavam aqui bem representadas, sendo significativa a presença de personalidades ligadas ao Partido Regenerador, em número de 6, contra apenas duas do Partido Progressista.
Era, contudo, esmagadora a presença de personalidades sem opção política até então conhecida, em número de 9. Destes, em breve, quase metade vai aderir à República.
Através da composição dessa comissão anuncia-se uma recomposição da elite local que tradicionalmente participava neste tipo de iniciativas, quer pela juventude da maior parte deles, quer pelo estatuto social urbano esmagadoramente dominante e renovado pela presença de profissões geralmente marginalizadas da vida social, como as de alfaiate e de barbeiro .
Se é verdade que nela encontramos as mais destacadas figuras que representavam as tradicionais tendências políticas, como o Dr. Aleixo Cesário de Sousa Ferreira, advogado, líder concelhio do Partido Regenerador, ou Manuel Francisco Marques, proprietário, líder local do Partido Progressista, também é verdade que encontramos duas das figuras que vão marcar as novas tendências políticas que se desenvolverão no princípio do século: Júlio Vieira, então apenas com 27 anos, que se destacará em breve como um dos mais dinâmicos propagandistas do ideário republicano e Mário Galrão, então também um jovem de 29 anos, que em breve vai liderar localmente o recém criado Partido Regenerador-Liberal (“Franquista”), e, futuramente, vai ser um dos mais destacados líderes monárquicos anti-republicanos.
Mas uma outra realidade que se afirma com a composição desta comissão é a forte componente regionalista que, ao longo da história local da primeira metade do século XX, se sobrepõe às clivagens políticas, sociais e geracionais quando se trata de construir algo para o bem da comunidade.
Foi este espírito que, desde o princípio, esteve presente nos destino da Associação de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras.

(7) COSTA, Emílio Luís, ob.cit.
(8) COSTA, Emílio Luís, ob.cit.; O Torreense, nº 30, 11 de Outubro de 1943.
(9) ROSA, António da Silva, “O Gérmen da Corporação de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, in “75º Aniversário dos Bombeiros Voluntários”, Suplemento especial do nº1188 do jornal Badaladas, 13 de Outubro de 1978.
(10) ROSA, António da Silva, ob.cit.; “Especial Bombeiros – Um Século de Coragem”, suplemento do jornal FrenteOeste, 30 de Janeiro de 2003.
(11) Dados elaborados a partir do cruzamento de vários cadernos eleitorais de 1908 a 1914, AMTV. Existe uma ligeira margem de erro no que diz respeito às idades de + 1 ano de idade.
(12) ROSA, António da Silva, ob.cit.; “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(13) ROSA, António da Silva, ob.cit; “Torres Vedras e os seus Bombeiros ...”, ob. cit.

3

Reuniu aquela comissão no dia 30 de Abril para tomar algumas das decisões fundamentais para a concretização do projecto.
Uma delas foi a formação de uma direcção provisória presidida pelo Dr. Aleixo Cesário de Sousa Ferreira e assessorada pelo Dr. Francisco Martins, como 1º secretário, por António Augusto Cabral, como 2º secretário, e por Manuel de Paula Guimarães, como tesoureiro (14).
Outra decisão foi a de abrir uma subscrição pública, tendo-se, com essa finalidade, enviado mensagens a várias empresas e personalidades, destacando-se a que se enviou “a Sua Majestade El-Rei D. Carlos (...) solicitando qualquer donativo para tal fim” (15) pedido a que este acedeu doando 20 mil réis (16).
Um dos apoios mais significativos veio do executivo municipal que, em sessão de 15 de Maio, tomou oficialmente conhecimento da solicitação, por parte do “presidente da Commissão que n’esta villa se organisou para promover a creação d’um corpo de bombeiros, n’esta villa, e dotál-o com o material necessario”, da cedência do material de incêndio da Câmara “para uso d’aquelle corpo quando esteja devidamente organisado” e de um “donativo para a compra do que é necessário adquirir e a concessão d’um subsidio annual para as despesas a fazer com a guarda e conservação do mesmo material” .
O executivo municipal “resolveu de bom grado que o material d’incendio que possue fique junto ao que a Commissão vae adquirir, podendo o corpo de bombeiros que aqui se venha a organisar d’elle fazer uso”, decidindo igualmente inscrever “no seu primeiro orçamento” uma verba “não inferior a 60.000 réis annuaes para ser gratificado ou subsidiado o encarregado a quem ficar o encargo da guarda e limpesa do material, aguardando a formação do corpo de bombeiros voluntarios e a approvação dos seus respectivos estatuto para ponderar um assumpto que lhe parece altamente justo e humanitario”(17).
No dia 25 de Junho reuniu-se nova assembleia, presidida por Joaquim José de Bastos onde se aprovaram os estatutos e se autorizou a compra de material necessário (18).
Em sessão camarária de 30 de Julho era lido um ofício do Administrador do Concelho, datado de 27 “do corrente mez, acompanhado do projecto de estatutos d’ Associação de Bombeiros Voluntários que se pretende estabelecer n’esta vila, pedindo à Câmara para infomar o que lhe ofercesse sobre o assumpto”, ao qual o executivo respondeu achar “de toda a vantagem a constituição da referida Associação e muito bem elaborados os seus estatutos” (19).
Os estatutos foram aprovados por alvará de 23 de Outubro de 1903. Eram compostos por 8 capítulos e 44 artigos. O artigo 2o definia como objectivo da recém criada Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras “prestar socorros aos habitantes da villa e outras localidades do concelho, até onde o seu auxílio fôr possível, quer e principalmente nos casos de incendio, quer nas calamidades publicas, taes como innundações, desabamentos, etc.” (20).
Anote-se, a título de curiosidade e como sinal dos tempos que, embora admitindo como associados indivíduos, “sem distincção de sexo ou edade”[Artigo 4º], as “senhoras casadas (...) só poderão ser admitidas como socios, com previa auctorisação por escripto, dada pelos maridos (...)”[Artigo 5º], não lhes sendo permitido participar nas assembleias (Artigo 16º : “A assembleia geral é constituída pelos socios do sexo masculino (...)”) (21).
Entretanto tinha-se encerrado a subscrição pública, que contou com 268 subscritores e um total de 1 247$950 réis de donativos recolhidos (22).
Ainda antes dos estatutos oficialmente aprovados, marcou-se uma grande cerimónia pública para o dia 11 de Outubro de 1903, um Domingo, “solemnisando a chegada e installação, no quartel provisório na rua de S. Thiago, do material já adquirido para Corporação de Bombeiros Voluntários” (23) data que passou a ser considerada como a da fundação desta associação.
Nesse dia “num grande ambiente de festa a que concorreu a Fanfarra União Torreense, chegou à estação de caminho de ferro o material adquirido com a verba” obtida com a subscrição pública. “Choveu todo o dia, mas apezar de tudo, pelas 5 horas da tarde, organizou-se o grande cortejo que conduziu o material para o quartel provisório situado próximo da rua de S. Tiago, seguindo-se pelas ruas Mouzinho de Albuquerque, Dias Neiva, S. Pedro, Serpa Pinto, Paiva de Andrada e S. Tiago”(24).
“Chegado que foi o material ao quartel, onde estavam o sr. Joaquim José de Bastos, vice-presidente da Câmara Municipal, alguns membros da commissão e outras pessoas, a Fanfarra União Torreense tocou o hymno nacional, e por essa ocasião foram levantados vivas à Câmara Municipal de Torres Vedras, Corporação de Bombeiros, povo de Torres Vedras, Dr. Aleixo de Sousa, presidente da commissão, Júlio Cardoso [chefe da contabilidade da Inspecção Geral de Incêndios, que veio propositadamente de Lisboa para assistir a este evento], José Maria de Miranda, etc. Recolhido o material um dos membros da commissão, o Senhor Theodoro da Cunha, proferiu algumas palavras allusivas ao acto, depois do que novos vivas se ouviram”(25) .
Seguiu-se um jantar onde se fizeram “muitos e afectuosos brindes”, organizando-se à noite “uma marcha “aux flambeaux”” acompanhada pela Fanfara União Torreense e pela Filarmónica Torrense (26).
Do primeiro corpo de bombeiros faziam parte Emílio Maria da Costa, este como sócio nº1, Januário Pinto dos Santos, José Augusto Cabral, António Baptista da Costa, João Franco, Francisco Germano Alves, Joaquim Miguel, António Pedro, Miguel da Silva Marques, Casimiro Dimas, José da Costa, Sebastião Menau, José Maria do Espírito Santo, Ubaldo dos Santos, Manuel Ferreira, João Henriques dos Santos, José Miranda, Cândido Ferreira dos Santos, Laurentino da Conceição Santos. Manuel Maria Thomé, João Hypólito Rosa, António da Silva, Ernesto Albino, António Correia dos Santos, Severino António, Joaquim Moleiro, José António, Augusto dos Santos e Oliveira, este como 1º corneteiro, e Joaquim Jeronymo Rosa, encarregado da ambulância (27).
José Maria de Miranda e José Joaquim de Miranda foram eleitos provisoriamente como primeiro e segundo comandantes do corpo de bombeiros no dia 18 do mesmo mês, cargos para os quais foram eleitos em definitivo no dia 7 de Dezembro. Nesta mesma data eram igualmente nomeados “para chefe ajudante o sr. Emílio Maria da Costa, para secretário do comando o sr. António Bastos e para capelão do Corpo de Bombeiros, o cónego prior António Francisco da Silva”(28).
No dia 9 de Novembro é formada a lista para a primeira direcção eleita: Direcção - Joaquim José de Bastos, Theodoro da Cunha, João Ferreira Guimarães Júnior e João Chrysóstomo da Costa; Suplentes da Direcção – José Rodrigues, José Maria d’ Almeida Trigueiros, João Maria Castanho e Manuel Coelho Cláudio Graça; Mesa da Assembleia Geral – Presidente, Dr. Aleixo Cesário de Sousa Ferreira, Vice-presidente, Manuel José de Paula Guimarães, 1º Secretário, António Augusto Cabral, 2º Secretário, Júlio do Nascimento Vieira; Conselho Fiscal – Dr. Francisco de Carvalho Martins, Mário Galrão e Cândido Sousa Nascimento Vieira; Suplentes – Joaquim José Rodrigues da Silva, Caetano Augusto de Figueiredo e Henrique Reis Pereira (29).
No dia 28 de Fevereiro de 1904, por ocasião da Procissão dos Passos, a corporação apresentou-se ao público com o seu uniforme de gala.
Finalmente, para encerrar este primeiro capítulo da história desta associação só faltava instalá-la em lugar condigno.

(14) ROSA, António da Silva, ob.cit.
(15) CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, Contributo para o historial da vida da Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, aquando da inauguração do Novo Quartel, ed. ABVTV, Torres Vedras, 11 de Novembro de 1984, p. 9.
(16) COSTA, Emílio Luís, ob.cit.
(17) Lº ASCMTV nº 36 (1901-1909), sessão de 14 de Maio de 1903, f. 69, AMTV; acta integralmente transcrita em CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.9 , e em ROSA, António da Silva, ob.cit.
(18) CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.10 ; ROSA, António da Silva, ob.cit.
(19) Lº ASCMTV nº 36 (1901-1909), sessão de 30 de Julho de 1903, f. 78, AMTV.
(20) Estatutos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras aprovados por Alvará de 23 de Outubro de 1903, 1º ed., s/d, p.5.
(21) Estatutos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras aprovados por Alvará de 23 de Outubro de 1903, 1º ed., s/d, pp.5, 6 e 8.
(22) ROSA, António da Silva, ob.cit.
(23) Folha de Torres Vedras, 18 de Outubro de 1903; CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.10; ROSA, António da Silva, ob.cit.
(24) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(25) Folha de Torres Vedras, 18 de Outubro de 1903; ROSA, António da Silva, ob.cit.; CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.10 .
(26) CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.10.
(27) ROSA, António da Silva, ob.cit ; CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.10.
(28) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(29) CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.11.

4

Na sessão camarária de 25 de Fevereiro de 1904 foi “lido um officio da Direcção da Associação dos bombeiros voluntários d’esta villa, fazendo sentir que não tendo aquella Associação casa apropriada onde installar o respectivo material d’incêndio e havendo no edifício municipal dependencias que a Camara não utilisa, lembrava e pedia para alli collocar o seu material”. Dando provimento a esse pedido o executivo municipal “concedeu auctorisação para que na loja e 1º andar onde antigamente foi cadeia e de que a Câmara se não serve, fosse, conjunctamente com o seu material d’incêndios, collocado o d’aquella Associação” (30).
Finalmente, em 26 de Junho, aquela associação instala o seu material naquele que foi o seu Quartel até à inauguração de novas instalações em 1934.
Compunha-se então o seu material “de uma bomba Jank, uma Guiot, uma bomba estanca-rios, um carro de material sistema Guilherme Gomes Fernandes, além de cintos, pás, achotes, baldes, espias, machados, picaretas, etc.”(31).
O primeiro serviço oficial em que o corpo de bombeiros torriense interveio “foi num incêndio ocorrido num prédio da rua Portela (ao Castelo) em 27 de Janeiro de 1905” (32).
Fora da vila, o primeiro serviço de socorro prestado teve lugar em Runa, em 28 de Novembro de 1908, “na casa do sr. Figueirôa Rêgo” (33).
O primeiro serviço registado fora do concelho teve lugar no Bombarral, num grande incêndio em 30 de Agosto de 1925.
Na década de 30 a Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras conheceu um assinalável crescimento qualitativo e quantitativo.
Pela primeira vez o número de ocorrências ultrapassou as 10 anuais (em 1938) .
Por outro lado participou activamente nos grandes Congressos dos Bombeiros Voluntários (Estoril, em 1930, Setúbal, em 1931 e 1935, e Covilhã, em 1932) .
Na actividade destes congressos tiveram participação activa e de destaque os representantes da associação torriense, o inspector José Maria de Miranda, os comandantes José Joaquim de Miranda e Joaquim Paulino Pereira , os directores dr. Justino de Moura Guedes e Dr. Alberto Coelho Graça, e o tenente França Borges.
Mercê de tão meritória colaboração nesses congressos, o tenente França Borges foi nomeado para primeiro presidente da Liga dos Bombeiros Portuguesas e o comandante Paulino Pereira para o Conselho Administrativo e Técnico da mesma Liga. A Corporação de Torres Vedras tornou-se ainda o sócio nº1 da Liga.
O mesmo comandante Paulino Pereira teve ainda um papel determinante na organização de várias associações de bombeiros na região, tendo “prestado instrução a todas as Corporações das seguintes localidades: Alcobaça, S. Martinho do Porto, Sobral de Monte Agraço, Bombarral, Nazaré e Peniche”(34).
Também nessa década se introduziu uma novidade, a criação de postos rurais, com base numa ideia lançada pelo Tenente França Borges na comunicação que apresentou no congresso de Setúbal de 1935, intitulada “Bombeiros Voluntários, Agentes de Educação Social nos Concelhos Rurais”.
Defendia-se “que o material antigo da nossa Corporação fosse distribuído pelas freguesias rurais mais distantes”, (35) inaugurando-se em 1936, na Ribaldeira, o Posto Rural nº1 e, posteriormente, no Maxial em 1942, o Posto Rural nº2.
Mas o momento mais importante dessa década foi a inauguração do novo Quartel.
Em 17 de Maio de 1930, o executivo municipal deliberou “construir um edifício próprio para o Quartel dos Bombeiros de Torres Vedras” para cujo fim concedeu um empréstimo de 120.000$00 réis, subscrito por 6 anos sem juros “pelos srs. José António Vieira, Dr. Júlio César Lucas, José Eduardo César, Filipe de Vilhena, João Maria Castanho, José Anjos da Fonseca e José António Lisboa” (36).
Em 1931 estava concluída a planta do quartel (37). Iniciadas as obras as verbas do empréstimo revelaram-se insuficientes, pelo que “a Câmara Municipal foi reforçando sucessivamente as verbas para que o edifício se concluísse. Para ele contribuiu ainda o sr. Governador Civil com a verba de 10.000$00 réis”(38). O novo Quartel foi inaugurado em 1934, sendo baptizado por ocasião do 32º aniversário da corporação, “tendo como patronos respectivamente o sr. António Vitorino França Borges e o sr. Emílio Maria da Costa” (39).
Neste novo Quartel , além “dum excelente balneário e duma espaçosa e higiénica camarata,” existia “uma bem montada rede de alarmes anexa à cabina telefónica que permite, em caso de sinistro, chamar rapidamente ao quartel todos os bombeiros sem que a população da vila seja alarmada ou perturbada no seu descanso nocturno”. Possuía ainda “o mais moderno e eficaz sistema de arrumação dos equipamentos de combate em armários separados mas que se abrem simultaneamente”(40).
Foi no seio desse Quartel, até à inauguração do actual em 11 de Novembro de 1984, que os bombeiros torrienses mais tempo viveram a sua história e é a ele que está ligada a memória romântica que muitas gerações desta cidade guardam dos seus bombeiros.
Dessa memória não resistimos a transcrever uma saborosa descrição de alguém que viveu bem de perto essa realidade, o filho do comandante Paulino Pereira: “Quando pela noite dentro, a campainha retinia no quarto dos meus pais e se acendia uma luz vermelha, intermitente, todos nós ficávamos em sobressalto. Era chamada urgente vinda do Quartel. Se era durante o dia, alguém mais expedito corria à Igreja de S. Pedro ou da Graça para tocar a rebate, espalhando-se o som dos sinos por toda a vila: “Há fogo, há fogo!”... gritava-se. E sentia-se uma certa agitação entre as pessoas que, até aí, circulavam calmamente (...). O velho pronto-socorro “Fiat”, preenchidos os bancos com os primeiros bombeiros chegados ao Quartel, arrancava sem demora. (...) A sirene não se calava, E lá seguiam dispostos a tudo. No regresso, comentava-se então nas ruas, cafés e casas particulares a sua acção meritória” (41).
Da história desta centenária instituição e do muito que Torres Vedras lhe deve, muito ficou por dizer: os inúmeros louvores que recebeu; as muitas visitas ilustres que a homenagearam com a sua presença; a sua importante acção cultural, nomeadamente mantendo uma das mais prestigiadas bandas do país; os muitos torrienses, uns mais ilustres outros mais anónimos, que contribuíram para o seu engrandecimento; as grandes e pequenas histórias de heroísmo e abnegação que se viveram à sua volta.

(30) Lº ASCMTV nº 36 (1901-1909), sessão de 25 de Fevereiro de 1904, f. 94, AMTV.
(31) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(32) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(33) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(34) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(35) CARVALHO, Adão de, PAULO, Joaquim, ob. cit., p.24.
(36) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(37) ROSA, Dr. António da Silva (síntese factual pelo), “Subsídios para a história dos 75 anos da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, in “75º Aniversário dos Bombeiros Voluntários”, Suplemento especial do nº1188 do jornal Badaladas, 13 de Outubro de 1978.
(38) “Torres Vedras e os seus Bombeiros Voluntários – Passa amanhã o 30º aniversário da sua fundação – A sua vida e os seus serviços”, in Alta Extremadura, 10 de Outubro de 1933, p.2 (autor anónimo).
(39) ROSA, Dr. António da Silva (síntese factual pelo), “Subsídios para a história dos 75 anos da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, ob. cit.
(40) GRAÇA, Alberto, “Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, in A Hora, nº 42, Lisboa 1936, pp.28 e 29.
(41) PEREIRA, J. Paulino, “Bombeiros: a corporação que eu conheci”, in Badaladas, 26 de Fevereiro de 1999, p. 18.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eleições Municipais - Uma ajuda para reflectir



Baseando-me naquelas que são as minhas preocupações como cidadão, já manifestadas em post anterior, nomeadamente na área da identidade cultural e histórica e na defesa do património e do ambiente, elaborai uma lista de dez “perguntas” que gostava de ver esclarecidas nos programas eleitorais dos três candidatos à Câmara de Torres Vedras.


Elaborei primeiro as perguntas, sem ler os programas eleitorais dos candidatos, para não ser influenciado por eles. Procurei depois a resposta nos programas que foram publicamente distribuídos e o resultado foi o seguinte:

1 . Quais as medidas de valorização do património histórico-cultural e natural torriense que se propõe desenvolver e apoiar?

Coligação Democrática Unitária – “Preservar a orla costeira: nomeadamente , mantendo a Praia Azul como área protegida de interesse público (…). Elaborar roteiros histórico-cultural-ambientais que promovam o conhecimento e a recuperação do património arqueológico, paisagístico, espeleológico e ambiental.”

Partido Social Democrata – “Requalificar o Castelo transformando-o num pólo de atracção histórico/turístico, dando-lhe vida própria na área do Comércio e da habitação jovem através da recuperação de casas devolutas e degradadas (…). Requalificar as praias da Assenta, Cambelas, Foz e Praia Azul; Executar o Programa Pólis – recuperação do Choupal, Matadouro e envolvente – há 8 anos estagnado na Câmara Municipal”

Partido Socialista –“ Na transacção de casas recuperadas no Centro Histórico de Torres Vedras, possibilidade de isenção de IMT (…); Remodelação do Centro Histórico de Torres Vedras, nomeadamente no Largo Morais Sarmento, no Largo Wellington, no Largo do Chafariz e no Pátio da Josefa, que será aberto à utilização pública (…); Requalificação urbana da Praia Azul e elaboração de projectos para a Foz, Cambelas e Assenta (…); Execução da Ecopista do Alcabrichel”

2 . O que pretende fazer em termos museológicos?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA].

Partido Social Democrata – “Desenvolver um Museu do Carnaval promovendo o turismo e as visitas a este espaço a nível nacional, em especial, as escolas”.

Partido Socialista – “Construção de um novo discurso para o Museu Municipal Leonel Trindade; Criação do Centro de Interpretação das Linhas de Torres, cujo projecto de construção no Monte da Forca se encontra em execução e queremos efectivar; Criação do Centro de Artes do Carnaval e do Centro de Interpretação do Castro do Zambujal (…); Construção de um centro museológico interactivo, especialmente dirigido aos mais jovens, onde, através da experimentação dos fenómenos mecânicos e químicos, se remete para o ciclo da uva ao vinho, o MUVVI – Museu da Vinha e do Vinho”

3 . Que novidades sugere em termos de animação cultural?

Coligação Democrática Unitária – “Criar um Conselho Municipal de Cultura, com autonomia , capacidade decisória e formas permanentes de consulta e participação”

Partido Social Democrata – “Instalar no Matadouro (há duas décadas abandonado) um Centro de Artes, funcionando como pólo de desenvolvimento de actividades culturais diversas, garantindo formação, divulgação e acolhimento dos participantes nestas actividades (…);“Apoiar os jovens artistas torrienses”.

Partido Socialista – “Criação de uma Bolsa de Espectáculos; Criação do Serviço Educativo do Teatro Cine, vocacionado (…) para [os alunos] dos 2º e 3º ciclos; Criação de espaço próprio para o Serviço Educativo pela Arte dos Paços do Concelho, no antigo posto da PSP; Implementação da Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino (…) onde os criadores terão oportunidade de construir uma história através dos objectos da casa onde jovens as poderão viver (…); Projectar (…) um equipamento de apoio à experimentação de arte contemporânea, funcionando como uma Oficina das Artes

4 . Que apoios pretende dar ao associativismo cultural local?

Coligação Democrática Unitária – “Apoiar processos de associativismo promovendo a inclusão digital dos seniores e valorizar a integração social e cultural dos imigrantes”

Partido Social Democrata – “Prestar apoio directo e activo às entidades de índole cultural já existentes no Concelho, projectando iniciativas por estas desenvolvidas”.

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

5 . Quais as propostas para comemorar o bicentenário da construção das Linhas de Torres?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA].

Partido Social Democrata – “Assegurar as comemorações dos 200 anos das Invasões Francesas de acordo com a importância que representam, historicamente, para Torres Vedras e para o País”.

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

6 . O que se propõe fazer em termos de transporte públicos urbanos?

Coligação Democrática Unitária – “Assegurar uma rede de transportes urbanos que corresponda de forma eficaz às necessidades da população e promover o uso regular dos mesmos, através do passe social para os mais idosos e estudantes”.

Partido Social Democrata – [NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

7 . ... e par desenvolver o uso da bicicleta entre os cidadãos torrienses?

Coligação Democrática Unitária – “Criar uma rede de ciclovias entre as freguesias e um sistema com bicicletas de utilização pública na cidade”.

Partido Social Democrata – [NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – [NÃO REFERE NADA]

8 . Que propostas novas apresenta para a valorização dos espaços verdes da cidade e do concelho?

Coligação Democrática Unitária – “Promover mais espaços de fruição ambiental e lúdica, construindo e mantendo jardins devidamente equipados em todas as freguesias, criando um percurso pedestre que ligue a cidade ao bosque dos Cucos”

Partido Social Democrata – “Requalificar o Jardim da Graça desenvolvendo as potencialidades do espaço, mantendo a sua arquitectura de base e a sua componente histórica (…). Aumentar os espaços verdes e de lazer em todas as Freguesias”

Partido Socialista – “Requalificação do Choupal (…) Recuperação do Choupal onde será criado o Centro de Interpretação Ambiental do Sizandro, que se especializará na fauna e na flora dos rios”

9 . Quais as ideias que defende para incentivar a investigação histórica e cultural em Torres Vedras?

Coligação Democrática Unitária – [NÃO REFERE NADA]

Partido Social Democrata –[NÃO REFERE NADA]

Partido Socialista – “O encontro de História Turres Veteras (…) manter-se-á”

10 . Que propostas preconiza para reforçar a identidade rural do concelho?

Coligação Democrática Unitária – “Incentivar e apoiar o desenvolvimento cultural em todas as freguesias do concelho”

Partido Social Democrata – “descentralizar as iniciativas culturais às Freguesias do Concelho através de parcerias com as Juntas de Freguesia e as instituições locais (…); Criar uma marca “Turres Veteras” como símbolo de excelência e qualidade dos nossos produtos agrícolas”

Partido Socialista -[NÃO REFERE NADA].



Em relação aos temas que interessam a este blog, foram aquelas as respostas que encontrámos nos programas dos três partidos ás nossas questões.

O facto de se registarem espaços em branco, deve-se a não encontrarmos respostas directas nesses programas, o que não quer dizer que os partidos que não incluíram essas questões nos seus programas não tenham uma posição ou ideias sobre esses assuntos.

Esta é uma forma possível de compararmos os compromissos dos partidos que concorrem ao município torriense.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NO DIA NACIONAL DOS CASTELOS - Breves notas sobre o Castelo de Torres Vedras



Neste dia Nacional dos Castelos, deixamos aqui alguns “respigos” da história do Castelo de Torres Vedras, recolhidos ao longo de anos.

Não é uma monografia sobre esse importante monumento da cidade, apenas uns breves apontamentos de divulgação.

Embora com vestígios da época romana e existente na época muçulmana, provavelmente como mera torre defensiva, é a partir da sua integração no reino cristão de D. Afonso Henriques que se recolhem as informações mais pormenorizadas.

Sobre essa “conquista” várias “e desvairadas coisas hão sido escritas e ditas sobre esta velha fortaleza medieval, que o Fundador reduziu e trouxe ao senhorio das portucalesas gentes, entre os anos de 1148 e 1150, provavelmente no dia em que a Catolicidade festeja a Assunção da Virgem - 15 de Agosto- pois que ainda em princípios do século passado os párocos da igreja de Santa Maria, no dia 14 à noite, mandavam fazer grandes fogueiras, “não só no seu adro, mas também por entre todas as ameias do Castello”, seguindo remota tradição comemorativa do facto. Por outro lado, Madeira Torres, que escreve em 1819 e foi prior da dita igreja, afirma que o orago desta é Nossa Senhora da Assunção, o mesmo afirmando o padre António Ribeiro, que exercia o curato no ano de 1758 (...), escrevendo, ainda em reforço desta sua asserção: “...e por sima da simalha do mesmo retabolo se ve outra imagem da mesma Senhora em pintura no passo da sua Assunção a oleo e levada sobre os Anjos...”.

“Deve ter sido fero e cruento o ímpeto dos assaltantes e por igual heróica e contumaz a defesa dos sitiados; todavia o crescente foi definitivamente substituído pela Cruz, no altaneiro castelo(...).

“Dizem velhas crónicas que seus muros ficaram desmantelados e que Afonso Henriques houve de repara’los e repovoar o vetusto burgo ao qual concedeu foros e privilégios; que esta reparação foi executada com toda a ciência e solidez prova-o o facto dos moiros na sua retirada de Santarém, após a derrota que ali sofreram no verão de 1184, tendo destruído totalmente Arruda dos Vinhos e posto cerco a esta vila” (Torres Vedras) “, terem abandonado a empresa ao cabo de onze dias de baldados intentos de penetração, como conta Duarte Galvão”.(Rogério de Figueiroa Rêgo, “O Castelo de Torres Vedras”, in Estremadura-série II, nº20, 1949, pp.195 a 209).

A versão de Figueiroa Rêgo é uma versão algo romanceada e até desmentida pelos factos (Segundo a lenda, também Óbidos reivindicava essa data de 15 de Agosto de 1148, mais tarde desmentida por investigação mais cuidada. Nem que fosse pelo facto de D. Afonso Henriques não poder estar nos dois sítios ao mesmo tempo, tal versão parece pouco fundamentada).

O castelo sofreu grandes reparações nos reinados de D. Dinis e de D.Fernando

A 10 de Dezembro de 1384 o Mestre de Aviz iniciou o cerco ao castelo de Torres Vedras, onde chegou depois de ter conquistado Alenquer, vindo em perseguição do rei de Castela.

Este tinha levantado o cerco de Lisboa, devido à peste que atacou as suas tropas, vitimando a própria rainha D. Beatriz.

Torres Vedras pertencia então ao senhorio de Leonor Teles pelo que o seu alcaide-mor, o castelhano João Duque, vassalo da rainha, defendeu o seu castelo contra os partidários do Mestre.

Conta-nos Julio Vieira que as “hostes de D.João foram aposentadas nas casas em redor da vila, chamados do arrabaldes, estendendo-se o acampamento, segundo reza a tradição, pela varzea que delimita o perímetro de carcavelos e horta nova”.

Segundo a descrição do cronista Fernão Lopes, Torres Vedras era então “uma fortaleza assentada em cima de uma formosa mota, a qual natureza criou em tão ordenada igualdade como se à mão fosse feita artificialmente”.

Tinha “bom e gracioso termo junto consigo, e arredor de pães e vinhos e outros mantimentos, que naquele tempo, por azo da guerra, de todo o ponto eram gastados”.

A vila tinha “uma cerca arredor do monte e na maior alteza dele está o castelo; e entre a vila e o castelo moravam tão poucos que não é fazer conta; e toda a sua povoação era em um grande arravalde de muitas e boas casas de bem ordenadas ruas, ao pé do monte”.

Quando o Mestre chegou a Torres Vedras, o cerco ao castelo já tinha sido iniciado pelo seu partidário João Fernandes Pacheco “com gentes darmas e besteiros e homens de pé”.

Com o objectivo de conquistar a fortaleza defendida por João Duque, mandou o Mestre abrir um fosso sob a muralha. Contudo os seus defensores, avisados por espiões infiltrados entre os partidários portugueses, conseguiram anular o efeito surpresa da construção desse túnel, tapando-o e inutilizando-o.

Faltado entretanto a água nas cisternas do castelo, bem como a comida, pediu João Duque ao Mestre que lhe mandasse alguma carne fresca e “que este não levasse a mal ele defender o lugar, porque o fazia como leal vassalo de seu senhor” (D.Leonor Teles) “que lhe deixou esse cargo”, pedido que o Mestre aceitou, enviando carne para um dia aos seus inimigos defensores do castelo.

Houve ainda um encontro entre o Mestre e João Duque para que este se rendesse, mas sem resultados, retomando-se as hostilidades.

Foi então descoberta uma conspiração para assassinar o Mestre de Aviz, à frente da qual estava D.Gonçalo Teles, irmão da rainha , e Ayres Gonçalves, que se tinham feito passar por partidários do Mestre. Presos os conspiradores, um deles, Garcia Gonçalves, foi condenado à morte e queimado vivo à vista dos defensores do castelo.

Como vingança João Duque mandou cortar as mãos e os narizes de alguns prisioneiros pondo tudo ao colo de um deles, mandando-o assim ao Mestre.

Este, para se desforrar dessa crueldade mandou “lançar na funda do engenho dentro à vila os prisioneiros que tinha”, acabando contudo por não cumprir esta ameaça por “piedade” de última hora.

A conselho de Nuno Alvares Pereira, entretanto chegado a Torres Vedras, que temia pela vida do Mestre, e também porque se íam realizar brevemente as cortes de Coimbra, que aclamariam o Mestre de Aviz como rei de Portugal, este acabou por levantar o cerco ao castelo de Torres Vedras em 15 de Fevereiro de 1385, sem o ter conseguido conquistar.

Muitos habitantes de Torres Vedras, temendo pela vingança dos castelhanos, acompanharam o mestre na sua retirada.

Até “um cego que morava no arravalde ouvindo como o Mestre partia deste feito com aquelas gentes, começou a bradar grande brados, rogando por deus que o levasse consigo, não ficasse em poder de tão má gente”. Nuno Alvares Pereira, com dó do cego, mandou que o colocassem nas ancas da mula em que já estava, seguindo este com o exército português.

Data de 1514 a edificação do Palácio dos Alcaides, mandado por João Soares de Alarcão edificação acompanhada pela reconstrução do castelo efectuado a mando de D. Manuel, dois anos depois, em 1516.

Esta situação está testemunhada pela porta gótica ogival, com aquela data, encimada por esferas armilares manuelinas. Estas obras ainda continuavam em 1519.

O castelo volta a ter um papel militar importante quando as tropas do prior do Crato aqui chegam, ocupando-o sem resistência em 29 de Maio de 1589, para ser reconquistado para os castelhanos, após o fracasso da expedição daquele a Lisboa, por D. Martim Soares de Alarcão, o alcaide partidário de Filipe II.

Em 1749, um acordão da câmara alertava para a ruína de parte da muralha do castelo.

Já em parte arruinado, mas ainda habitado, o Castelo e a Igreja de Stª Maria sofreram graves danos no terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Na Memória Paroquial de 1758 descreve-se o Castelo com estando “sobre um elevado monte, que lhe fica a parte do norte; tem no mesmo hum pateo com sua sisterna, a roda do qual em quadro tinha muntas, e boas salas, todas primorozamente pintadas, a que se sobia por duas destinctas escadas de pedraria lavrada, edeficio o mais nobre desta villa. He cercado todo a roda de huã forte muralha, e por fora desta outra antemuralha mais pequena; porem no terramoto de mil, sette centos, e sincoenta e sinco, as salas, que apezar do tempo ainda se achavão habitadas, neste destroço geral vierão seus tectos todos iteiramente abaixo, os remates das muralhas quazi em todo o circuito cahirão, fazendo em muntas partes varias aberturas, e sentimentos: Aqui se dis havia huas Torres Velhas, que derão nome à villa; e nesta conformidade se acha de prezente dezabitado, e so fica servindo a terra, que medea entre o dicto castello, e sua Muralha, e desta athe a antemuralha para se cultivar e semear.” (Memória Paroquial de 1758, resposta do pároco de Stª Maria).

Em 1810 o Castelo é integrado no conjunto de fortificações que formaram a primeira linha de defesa de Lisboa, como reduto nº27, sendo então reparado e guarnecido com várias peças de artilharia.

Em 1830 procedeu-se à reparação das suas muralhas, trabalho dirigido pelo coronel de engenheiros Lourenço Homem da Cunha de Eça.

Durante a guerra civil de 1846, a chamada “Patuleia”, foi ocupado pelas forças do Conde de Bonfim, que se opunham à Rainha, sendo por isso palco dos encarniçados confrontos que opuseram os dois exércitos em 22 de Dezembro desse ano, sendo o exército da rainha comandado pelo Duque de Saldanha.

Nessa ocasião foi ferido no Castelo Luís Mousinho de Albuquerque, que agonizou até falecer no dia 27, já depois da vitória de Saldanha sobre as forças “patuleias”.

Em finais do século XIX, o velho castelo de Torres Vedras começou a perder a sua importância militar e a sua manutenção tornou-se um problema para as autoridades militares.

Num ofício, datado de 18 de Julho de 1874, o administrador do concelho de Torres Vedras alertava a Direcção Geral de Engenharia para a urgente necessidade de se reconstruir as muralhas do Castelo, cujo estado ameaçava ruir e danificar as habitações próximas.

Aquela Direcção, na sua resposta ao dito ofício, afirmou não merecer a pena reconstruir as referidas muralhas, justificando essa afirmação com o facto do castelo de Torres Vedras não ter importância militar, propondo que a medida mais conveniente a adoptar fosse vender, por arrematação, a pedra de alvenaria e de cantaria das muralhas do castelo.

Felizmente para o nosso património, a Direcção Geral da Secretaria da Guerra, a quem coube a decisão final sobre o assunto, por carta de 6 de Novembro de 1874, tomou posição em defesa da salvaguarda dessas muralhas, "com quanto reconheça que o castelo perdeu muito da sua importância primitiva, não pode contudo concordar em absoluto com a opinião da engenharia; porque e até mesmo quando se admitia que o castelo é completamente inútil por não ter hoje valor algum como fortificação, não pode negar-se-lhe a importância histórica que na realidade tem este posto militar(...)" (Arquivo Histórico Militar, Lisboa).

O bom senso prevaleceu e o nosso Castelo é hoje o importante símbolo de que os torrienses se orgulham. Que lição para os dias de hoje!

NO DIA NACIONAL DOS CASTELOS - Vistas antigas do Castelo de Torres Vedras














































































segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O 5 de Outubro em Torres Vedras


Paços do Concelho. Com a implantanção da República, o Poder Local ganhou uma nova dinâmica.

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Ao contrário de muitas localidades do país, onde a República "chegou por telégrafo", Torres Vedras foi uma das localidades que desempenhou um papel activo no "5 de Outubro", tendo sido importante a acção dos republicanos torrienses, ao destruírem a linha férrea, impedido a chegada a Lisboa de tropas do Norte: "Pela manhã ( do 5 de Outubro) havia estacionado na villa o regimento de infanteria 15, de Thomar e tres destacamentos de lanceiros 2 e cavallaria 4, que vinham do norte, pela via ferrea, mas que não puderam seguir para Lisboa em virtude de grupos armados, d'esta villa, terem destruido as linhas, afim dos comboios que por ventura quizessem marchar com reforços sobre Lisboa, não pudessem transitar.

"O regimento bivacou no campo de S.João, proximo à estação, tendo durante o dia feito a sua adhesão á Republica, foi á noite muito acclamado pela multidão que percorria as ruas da villa, em marcha à "aux flambeaux ( com archotes)"(1).

Seguindo a descrição feita pela "Folha...", esse dia 5 de Outubro foi vivido com grande intensidade pela população da vila :

"Á mesma hora a que foi proclamada a Republica na camara Municipal de Lisboa, era desfraldada a bandeira republicana, do Centro Republicano, d'esta villa, nos Paços do concelho de Torres Vedras, ao som da "Portugueza".

"O enthusiasmo do povo, n'esse momento, tocou as raias do delirio, sendo ao mesmo tempo acclamado administrador do concelho o cidadão David Simões.

"Em seguida o povo percorreu as ruas da villa, com uma banda de musica á frente e foi á administração do concelho onde se lavrou o auto de posse"(2).

Por ironia do destino, "A Vinha de Torres Vedras" foi o primeiro órgão de imprensa local a noticiar os acontecimentos do 5 de Outubro, na sua edição do dia 6, publicando a composição do novo governo e o nome dos governadores civis, e dando conta do destino da família real, dedicando algum espaço àquilo que apelidou como "os destroços da contenda", assinalando os "desastres pessoais, tanto em vidas, como em ferimentos, que causaram horror" e publicando a lista de "prejuzos materiaes, occasionados pelos canhões de terra e mar" em Lisboa. Referindo-se à situação em Torres Vedras, destacava, em título, a "prisão dos professores e seminaristas do Barro", na manhã desse mesmo dia 6, por "uma força de cento e tantos praças de infantaria 15, e outro de quarenta praças de cavallaria" que, apresentando-se "inesperadamente no Collegio do Barro (...) intimaram os professores e seminaristas, a que por ordem do governo os acompanhassem.

"A intimação foi rigorosamente cumprida, e os moradores, em numero de 82, condusidos para esta villa, onde a população os recebeu com respeito, foram horas depois condusidos para Lisboa, no comboio, acompanhados pela força de infantaria 15.

"No collegio do Barro ficou uma força commandada por um alferes, guardando o edificio, onde se encontram dois moradores doentes e as pessoas que d'elles tratam"(3).

Em notícia divulgada na mesma edição, o até então porta-voz do Partido Progressista, referia o assassinato de um camponês da Serra da Vila, localidade vizinha daquele convento pelo guarda do Colégio do Barro, não lhe dando qualquer carácter político, ao contrário da "Folha.." que , na sua descrição dos acontecimentos de 5 e 6 de Outubro, se referia ao facto de se ter tido conhecimento, no dia 6 de "que um empregado do convento dos Jesuitas assassinara com um tiro um pobre homem do campo" (4), associando esse facto com a ordem para aprisionar os Jesuítas do Barro.

Um dos primeiros actos do novo poder neste concelho foi encerrar os dois conventos deste concelho e arrolar os seus bens, motivo de uma das primeiras comunicações do novo administrador do concelho para o governo, dirigida ao Ministério dos Negócios da Justiça, datada de 13 de Outubro:

"Em cumprimento das ordens de Vª Exª tenho a honra de informar que estão fechadas 5 casas das ordens religiosas neste concelho, que são as seguintes:

"1º O Convento do Barro, que se compõe de tres grandes edificios, tendo todo o mobiliario que se encontrou á sahida dos Jesuitas, 4 vacas leiteiras, 2 mullas, 4 porcos e algumas galinhas. Está situado longe de povoações e guardado por uma força militar d'Infantaria 7.

"2º Pertencendo ha (sic) mesma ordem á (sic) outro edificio denominado a quinta da Cadriceira, freguesia do Turcifal, o qual já está fechado e lacrado, tendo todo o mobiliario, 3 vaccas pequenas, 1 porco e 35 galinhas, ficando depositario Angelo Custodio Botelho da Cadriceira.

"3º O convento do Varatojo, quando o fui fechar e lacrar só lá estava um padre, parte do mobiliario já ali se não encontrava e animaes só lá existiam 1 porco e algumas galinhas, andando já o juiz desta camara fazendo arrolamento. Este padre ficou em casa particular esperando pela resposta de um abaixo assignado do povo d'aquelle lugar que junto envio a v. Ex.ª para os effeitos que tiver por convenientes.

"4º No mesmo logar do Varatojo existe uma casa de religiosos habitada por irmãos de caridade, que encontrei fechado e com pouco mobiliario, ficando depositario desta casa e do convento Jose Eduardo Cezar do Varatojo.

"5º Na Praia de Santa Cruz ficou fechado e lacrado e com pouco mobiliario uma casa pertencente ao convento das freiras, onde vinham tomar banho de mar.

"N'esta villa ha duas irmandades, as quaes cada uma dava 200.000 reis annuaes e dois padres que vinham dizer missa, e estes padres pertenciam ao convento do Varatojo, os quaes me mandaram pedir se puderiam continuar a dizer as missas e ficaram rezidindo n'esta villa"(5).
__________________________________________________________________________________

(1) Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de1910.

(2)Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de 1910.

(3) A Vinha de Torres Vedras, 6 de Outubro de1910.

(4) Folha de Torres Vedras, 9 de Outubro de1910.

(5) Livro de Correspondência Externa (do Administrador do Concelho),(1908-1912), nº 304 de 13 de Outubro de1910, AMTV.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lançamento do Livro "Freguesia de Carvoeira - A História e seu Património" de Fernando Sá.




Este Domingo , pelas 16 horas, vai ser lançado publicamente, na Carvoeira, o livro “Freguesia de Carvoeira –A História e o seu Património” da autoria de Fernando Pereira Sá.


Esta é a quarta obra desse autor autodidacta sobre as freguesias do Concelho de Torres Vedras.

Anteriormente já tinha dado à estampa o levantamento histórico, cultural e iconográfico das freguesias do Turcifal, de Monte Redondo e de Dois Portos. O autor já iniciou o levantamento para a sua próxima obra, desta vez dedicada à Freguesia de S. Domingos de Carmões.

A sua obra, tendo por base um exaustivo levantamento fotográfico aldeia a aldeia, tem o mérito de registar para a posteridade a imagem dos lugares mais recônditos, e por vezes mais esquecidos, do nosso concelho.

Outra vantagem é que a facilidade de comunicação do autor com os populares, leva a que estes lhe confiem muitos dados da tradição oral da sua família ou do seu lugar que podem ser uma boa base de partida para futuros trabalhos de investigação no campo da etnografia e da história da cultura popular e rural.

Quem, estudando outras épocas remotas, não lamenta que não tenha havido um “Fernando Sá” na Idade Média ou no século XIX, que nos tivesse deixado o registo de tantos mundos perdidos?

Parte do mérito da obra de Fernando Sá só poderá ser devidamente avaliada no futuro, depois de muitas das histórias e imagens que recolheu voltarem ao esquecimento. Nessa altura, os historiadores do futuro têm aqui uma boa base para conhecerem essa ruralidade perdida.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Reabilitação do centro Histórico de Torres Vedras




A notícia foi esta tarde divulgada pela Agência Lusa:


“Torres Vedras investe 6 milhões para reabilitar centro histórico

“Aquisição e recuperação de edifícios devolutos por parte da autarquia é uma das medidas previstas para reabilitar e combater a desertificação no centro histórico da cidade.

“A câmara de Torres Vedras aprovou hoje a revisão ao Plano de Reabilitação do Centro Histórico, dez anos depois da primeira versão ter entrado em vigor, com alterações que visam combater a desertificação populacional nesta zona da cidade.

"Este plano dá respostas para no futuro termos mais habitantes e comerciantes no centro histórico, porque está dotado de mecanismos que permitem adaptar as construções às novas exigências de vida", afirmou o presidente da câmara, Carlos Miguel.

“Segundo o autarca, as alterações inseridas no documento vão no sentido de autorizar pequenas obras nos mais de quatrocentos imóveis existentes.

“A possibilidade de os cidadãos abrirem uma porta para garagem ou terem um sótão para habitação, mantendo as fachadas das habitações, são algumas das alterações trazidas por este plano, facilitando a vida aos cidadãos que queiram fixar residência no centro histórico.

“O Plano de Reabilitação do Centro Histórico, que deverá entrar em vigor só em 2010, privilegia a salvaguarda e valorização do património existente com o objectivo de "dotar todos os edifícios de boas condições de habitabilidade".

“Além das normas que vêm estipular o tipo de obras que os proprietários de habitações no centro histórico estão autorizados a efectuar, o plano prevê um conjunto de intervenções no espaço público, como obras de requalificação urbanística, alterações no mobiliário urbano e iluminação e criação de estacionamento e interdição de vias ao trânsito.

“As intervenções públicas previstas no plano estão estimadas em 6,1 milhões de euros e contemplam a aquisição e recuperação habitacional de edifícios devolutos.

“Com o objectivo de intervir na reabilitação social do centro histórico, estão também previstas medidas, que passam pelo apoio ao arrendamento destes imóveis para realojar famílias carenciadas, a projectos de urbanismo comercial e fixação da população e animação cultural.

“Nas últimas décadas e com o crescimento da cidade de Torres Vedras, muitos residentes optaram por abandonar o centro histórico, tendo-se registado um decréscimo populacional de 63 por cento entre 1980 e 2002.

“Entre os motivos apontados pelo diagnóstico do plano, destacam-se a falta de espaço das habitações e das ruas e as fracas condições de habitabilidade de muitos edifícios, tendo em conta o "preocupante estado de conservação", havendo situações de "iminente derrocada".

“Assim, o centro histórico passou a ser habitado por uma população maioritariamente envelhecida.” In Lusa 15:56 Terça-feira, 29 de Setembro de 2009 .

Em época de campanha eleitoral - Dez Sugestões para Debater a Cidade



Ao ter hoje início a campanha eleitoral para as eleições municipais, gostava de dar o meu contributo para este tempo de debate, apresentando Dez temas que gostaria que entrassem na campanha (a ordem dos mesmos é arbitrária):


1 – Torres Vedras, cidade respirável – desenvolver uma rede de ciclo vias, ligando vários pontos da cidade e, principalmente, a cidade e vários pontos do concelho, melhorando as já existente (que precisam de ser revistas nalguns troços) e aproveitando as condições dos vários vales do concelho, nomeadamente o vale da cidade, o percurso dos rios Sizandro e Alcabrichel e o vale de Runa.

2-Torres Vedras, cidade da Fotografia – a fotografia e os fotógrafos estão presente na cidade desde os primeiros tempos da sua existência. Seria fundamental criar um ARQUIVO FOTOGRÁFICO MUNICIPAL, que recolhesse o máximo de espólio existente em instituições ou que fosse doado por profissionais do sector e por particulares, dinamizando um espaço de divulgação dos artistas desta arte, do presente e do passado.

3 – Torres Vedras, cidade da imprensa – Criação, quanto a mim urgente, de uma Hemeroteca, independente do Arquivo Municipal e da Biblioteca, reunindo, divulgando e preservando não só a já longa lista de publicações periódicas do concelho, como um vasto espólio, existente na Biblioteca Municipal, mas com pouco uso, de jornais e publicações periódicas nacionais.

4- Torres Vedras, terra da Contemporaneidade – A criação, prevista, de um centro de interpretação histórica das Linhas de Torres Vedras e de um Museu do Carnaval, devem apostar num objectivo mais abrangente já que, no primeiro caso, foi com a Guerra Peninsular que Torres Vedras entrou na época Contemporânea e, no segundo caso, foi com o Carnaval que se revelaram muitos dos artistas torriense contemporâneos. Por isso aqueles espaços não podem ser pensados estritamente para o tema que está na sua origem, mas devem desenvolver outras valências. (podiam integrar o Arquivo Fotográfico e a Hemeroteca acima referidos).

5-Torres Vedras, cidade do Cinema – criação de um festival, anual ou bianual, de cinema, explorando uma temática ainda rara em festivais de cinema portugueses. Em tempos cheguei a propor que essa temática fosse O CINEMA E A HISTÓRIA. Para além de uma longa tradição de interesse pelo cinema, Torres Vedras tem actualmente espaços, públicos e privados, preparados para receber uma tal iniciativa.

6 – Torres Vedras, cidade da Arqueologia – o concelho é rico em vestígios arqueológicos das mais variadas épocas, desde a pré-história á Idade Média, passando pela época romana. Nas últimas décadas têm-se dado grande avanços no conhecimento arqueológico do concelho, mas, muitas vezes, não se dá a devida visibilidade a essas descobertas. Por outro lado, parte dessas novidades restringe-se a locais há muito explorados e conhecidos, como o Castro do Zambujal. Seria importante pegar nos registos de Aurélio Ricardo Belo e Leonel Trindade e começar a fazer um levantamento sistemáticos das muitas centenas de sítios que eles referem, sem que, depois deles, se tivesse voltado a estudá-los, e desenvolver novas e sistemáticas campanhas arqueológicas. Seria importante também alargar essas campanhas à Idade Média, nomeadamente à época muçulmana, tão ignorada neste concelho.

7 – Torres Vedras, cidade dos Transportes Públicos – É necessário incentivar o uso de transportes públicos, para isso é necessário melhorar os horários, os percursos e as informações . Dentro da cidade só se consegue convencer os cidadãos a recorrerem aos transportes públicos se não tiverem de ficar mais de 15 minutos à sua espera.

8 – Torres Vedras cidade ferroviária – Muito deve esta cidade ao transporte ferroviário. Mas, infelizmente, nas últimas décadas muito pouco se tem feito para pressionar a CP a respeitar os habitantes desta região. Hoje, quando se prevê que o caminho-de-ferro vai ser o transporte do futuro e o seu desenvolvimento venha a ser cada vez mais um sinal de modernidade, a Linha do Oeste continua com horários, percursos e velocidades que, em muitos casos, são piores que há trinta anos atrás. É necessário que Torres Vedras, juntamente com todos os concelhos servidos pela Linha do Oeste, contribuam para a sua modernização.

9 – Torres Vedras, cidade pedonal – Hoje é cada vez mais evidente que a degradação das cidades se deve muito à dificuldade dos seus habitantes em se deslocarem a pé. Os automóveis invadem todos os espaços e impedem uma vivência saudável da cidade. Ao contrário do que alguns comerciantes ainda defendem, a criação de áreas pedonais incentiva a frequência do comércio local. A sua decadência prende-se com outras situações, como a proliferação de grandes superfícies e a falta de modernização de muito desse comércio local. Incentivar e aumentar as ruas de exclusividade pedonal, coma excepção de ciclo vias, é uma maneira de incentivar a vivência de uma cidadania saudável.

10 – Torres Vedras, cidade da Música – Nos últimos anos a cidade tem conhecido uma dinâmica assinalável nesta área, com escolas de música e espectáculos dos mais variados géneros musicais. O que falta é reforçar e divulgar melhor algumas dessas iniciativa e, principalmente, manter a continuidade dessas actividades, pois só assim se consolida um público e se conquista qualidade.



Nos tempos que correm, as cidade só podem garantir o seu desenvolvimento económico e social se reforçarem a sua identidade e a melhoria da sua qualidade de vida.

Em Torres Vedras alguma coisa tem melhorado nesse sentido, mas há ainda muito a fazer, e as nossas sugestões visam apenas incentivar o debate sobre o caminho e a identidade que esta cidade quer para si.