segunda-feira, 2 de novembro de 2009

...Em Dia de Finados, recordar a instalação do Cemitério Público em T. Vedras


Torres Vedras e a Criação de seu Cemitério Público

(excerto do trabalho, da nossa autoria, apresentado no Congresso de História Local em 2003, intitulado “Elementos para o estudo da Saúde Pública e da Criação dos Cemitérios Públicos em Torres Vedras no século XIX”)

A primeira proibição de enterramentos junto dos lugares de culto na Europa foi promulgada em França por Napoleão, por decreto de 12 de Junho de 1804.
Em Portugal a primeira vez que se ordenou a criação de cemitérios públicos foi através dos alvarás de 27 de Março de 1805 e 18 de Outubro de 1806, mas essas ordens não se cumpriram.
Só após a vitória do regime liberal e com a publicação do Decreto de 22 de Setembro de 1835, da autoria do Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca Magalhães, se legalizou em definitivo a criação de cemitérios públicos em todas as povoações.
Mas a legislação mais completa ficou a dever-se a Costa Cabral, ao promulgar o decreto de 18 de Setembro de 1844 que proibia expressamente o enterramento dos “mortos dentro de qualquer igreja, ou capela da Freguesia, ou Concelho, onde houver cemitério público” (TORRES, Ruy de Abreu, “Enterramentos”, in Dicionário de História de Portugal, (Dir. de Joel Serrão), Vol. II, ed. Livraria Figueirinha, Porto, 1985, pp. 402-403.
Como se sabe, este decreto foi um dos motivos da “Revolta da Maria da Fonte” em 1846, mas, apesar desse contratempo, aquela decisão acabou por se cumprir nos anos seguintes, implantando-se mais ou menos rapidamente conforme a região do país.
O Norte foi a região que mais resistiu àquela medida. Em Lisboa os primeiros cemitérios públicos, o do Alto de S. João e o “Dos Prazeres”, já tinham sido inaugurados em 1835.

Em Torres Vedras a inauguração do primeiro cemitério público levou algum tempo, mas sem que se tivesse registado a resistência de outros lugares.
Aqui, a construção de cemitérios fora dos adros das igrejas era esporádica e andava associada a crises epidémicas, como sucedeu em 1810, solução geralmente aceite sem contestação conhecida.
Sabe-se contudo que, nos finais do século XVIII, em 1795, quando, por ocasião de uma peste que se declarou com especial violência na localidade da Ponte do Rol e se procurou evitar os enterramentos na igreja paroquial, houve alguma resistência da população.
Em 11 de Fevereiro desse ano o médico do partido da Câmara Manoel Tavares de Macedo, considerando que “hera tal o cheiro de corrupção que exhalava a Egreja da Ponte do Rol por cauza dos cadaveres dos fallecidos da epidemia ali enterrados, mas sem a profundidade necessária”, requeria a proibição de se “sepultar outros cadaveres dahi em diante na dita Egreja”.
Os cadáveres das vítimas daquela epidemia acabaram por ser sepultados na Ermida de Nª Sª da Nazareth de Fonte Grada, “porque o cemiterio, que se pretendeo fazer no sítio das Faias junto ao lugar, não pôde hir avante por causa do povo” (Anotadores de Madeira Torres – parte económica, manuscrita, 4º caderno, folhas 2 e 3).
Na vila de Torres Vedras o único local de enterramento fora das igrejas paroquiais era junto de outra Igreja dentro da vila, a Igreja da Misericórdia, chamado de cemitério da Misericórdia situado entre a Igreja e a rua da Misericórdia. Nele se enterravam os pobres falecidos no Hospital,.

A primeira tentativa de estabelecer um cemitério público em Torres Vedras data de 1805 quando, por alvará de 23 de Agosto, se concedeu à Ordem Terceira, até aí instalada na Igreja de S. Tiago, a Ermida dedicada a S. João Baptista e as casas contíguas, então em ruínas, para aí se instalar na condição de estabelecer junto da ermida, no “pequeno Quintal das casas e no bocado de terreno público” aí existente “um cemitério para as quatro Freguezias e Hospital da villa”( Madeira Torres e anotadores – parte histórica, pp. 161 a 166).
Logo em 1807 a cerca dessa ermida serviu de cemitério às tropas francesas falecidas no hospital que se tinha estabelecido no Convento da Graça e, mais tarde, em 1811, aí foram sepultados soldados e oficiais ingleses (Madeira Torres– parte histórica, p. 163.
Contudo, em 1837 ainda não se tinha estabelecido naquele local o cemitério público para os habitantes da vila, motivo pelo qual o administrador do concelho enviou nesse ano um ofício ao executivo municipal para que ordenasse à “Ordem 3º desta villa para fazer cemitério publico junto da Irmida de S. João” e designasse um dia para se reunirem com o representante daquela corporação (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 18 de Março de 1837 AHMTV).
Essa reunião realizou-se no dia 1 de Abril de 1837, com a presença do administrador do concelho, dos vereadores e do “Ministro da (...) veneravel ordem como representante da mesma Jorge Lourenço Nunes da Cunha” para , na conformidade do alvará de 26 de Agosto de 1805, se escolher o dia para “proceder a verificação do terreno mencionado no ditto Alvará”.
Marcou-se o dia 4 ou o dia 5 de Abril para esse efeito (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 1 de Abril de 1837 AHMTV), mas, em 26 de Maio, o administrador do concelho voltou a oficiar a câmara para que esta o informasse “circonstancialmente do local destenado para cemitério, sua extenção, as obras nelle feito, e quaes os obstaculos que impediam a sua execução” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 31 de Maio de 1837 AHMTV).
Na vereação de 17 de Junho o executivo tomou conhecimento de um ofício “do Ministro da Ordem 3ª desta villa” participando “não poder continuar com a obra do cemitério no citio de S. João emquanto se não colherem as novidades pendentes por não ser praticavel a condução de pedra e do cal que ainda se está cozendo”( Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 17 de Junho de 1837 AHMTV).
No princípio do ano seguinte as obras estavam interrompidas “por causa de hum requerimento de alguns moradores” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 24 de Janeiro de 1838 AHMTV), cujo teor desconhecemos, mas dias depois o executivo deliberava, após examinar “todos os papeis constantes de representaçoens e auttos de vestoria a que procedeu”, oficiar a mesa administrativa da “veneravel ordem terceira” para levar a efeito a “faetura do cemitério do citio de S. João”( Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 31 de Janeiro de 1838 AHMTV).
Contudo, em Agosto de 1839 encontrava-se aquela obra suspensa, desta vez devido a um parecer da Junta de Saúde, desaprovando o local de S. João para a construção do cemitério, pelo que a Câmara, procurando um lugar alternativo, propunha a escolha do sítio do “extinto Convento da Graça, podendo construir-se em huma parte da serca do mesmo convento, que hoje pertence à Fazenda Nacional”( Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 7 de Agosto de 1839 AHMTV).
Ainda na sequência deste novo projecto, o executivo deliberou “que se fisesse huma representação a Sua Majestade a Raynha pedindo lhe queira dignar-se mandar dar-lhe o claustro do extinto Convento da Graça para cemitério de pessoas que falecerem nas quatro freguesias e Hospital desta villa por alli se encontrarem todas as proporçoens que se requerem para tal fim sem despesa do Municipio” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 28 de Agosto de 1839 AHMTV).
Mas também esta alternativa se gorou, retomando-se o projecto inicial de construir o cemitério público no lugar de S. João.
Contudo, em 1845 ainda se continuava a arrastar o processo de construção do cemitério, pois nesse ano a vereação da altura voltava a ordenar que “se oficiasse ao Ministro e mais Irmãos da Veneravel Ordem Terceira desta villa pedindo-lhe hajão de declarar com a maior brevidade qual tem sido o obstaculo que até hoje se lhe tem offerecido (...) para levar a effeito a construção do cemitério que são obrigados a fazer junto à Irmida de S. João”(Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 8 de Janeiro de 1845 AHMTV). Ao que parece a situação continuou a arrastar-se ao longo desse ano, sem solução à vista, notando-se na linguagem usada num acórdão dirigido ao “Ministro e mais mesários da Venerável Ordem 3ª”, em Julho desse ano, um tom quase ameaçador, mandando oficiar os representantes daquela corporação que “até 15 do mês próximo” deviam “continuar na construção do cemitério até sua conclusão, e não cumprindo se daria conta ao Governo de Sua Majestade e se usaria dos meios competentes a fim de se levar a effeito a começada obra” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 12 de Julho de 1845 AHMTV).
Tal intimação não produziu resultados já que a vereação, em sessão realizada em 25 de Outubro desse ano, resolveu remeter “ao Governo Civil todos os papeis que dizem respeito ao cemiterio publico desta villa de onde vinha a obrigação em que se acha a Ordem Terceira de fazer cemitério à sua custa” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 25 de Outubro de 1845 AHMTV).
Só depois do período politicamente turbulento de 1846 – 1847 é que se registam alguns progressos que conduziram à conclusão daquele projecto.

Em finais de 1848 ficou finalmente edificado o cemitério público junto à ermida de S. João, “em virtude d’ordens do Governo dirigidas à Câmara obrigando-se a fazel-o” Anotadores de Madeira Torres – parte Histórica, p. 160).
Foi necessário ainda ultrapassar um último obstáculo, este de ordem religioso.
Como no terreno do cemitério público tinham sido enterrados “protestantes”, isto é, soldados ingleses da guerra peninsular, a Câmara teve de recorrer às entidades eclesiásticas para desbloquear o impedimento que esta situação provocou entre os cidadãos de aceitarem a realização de funerais para o novo cemitério.
Só uma ordem do Cardeal Patriarca, autorizando o reverendo “vigário da vara do Arciprestado de Torres Vedras” a proceder “à Benção de Reconciliação do terreno destinado para o cemiterio ecclesiastico commum” desta vila, permitiu que a sua utilização fosse aceite pelos habitantes de Torres Vedras (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão extraordinária de 14 de Novembro de 1848 AHMTV).
Ainda antes da sua inauguração decidiu-se alargar a área prevista para o cemitério público, ajustando-se com Aleixo José Bernardes a compra de um pedaço de terreno, “ pelo lado nascente e norte” e “pela quantia de cinco mil réis” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão 17 de Novembro de 1848 AHMTV).
O primeiro enterramento no novo cemitério público teve lugar no dia 30 de Junho de 1849 (Anotadores de Madeira Torres – Parte histórica – pp. 166 e 167.
A abertura do novo cemitério provocou um conflito com a Santa Casa da Misericórdia, que pretendia continuar a sepultar os falecidos no hospital no seu cemitério privado, pelo que, por denuncia do município, o Ministério do Reino ordenou ao Governador Civil de Lisboa, por ofício de 7 de Outubro de 1849 que expedisse “as ordens que tiver por conveniente para que” cessassem “no cemitério da Misericórdia quaisquer enterramentos, porque todos se devem effectuar d’ora em diante no Cemitério Público” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 26 de Outubro de 1849 AHMTV.).
A entrega da administração do Cemitério Público à Ordem Terceira foi oficializada por ordem do Ministério do reino de 13 de Outubro de 1849 (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 11 de Dezembro de 1849 AHMTV).

Tendo-se arrastando durante tanto tempo a concretização do estabelecimento de um cemitério público na vila, desconhecemos quase por inteiro o que, sobre esse assunto, se passou nas freguesias rurais do concelho.
Uma primeira ordem para estabelecer cemitérios em todas as paróquias do concelho data de finais de 1838 (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27 (1834– 1842), sessão de 24 de Janeiro de 1839 AHMTV).
Marcando-se várias datas para se examinar os terrenos desses cemitérios elas foram sucessivamente proteladas e só em Setembro de 1839 se realizaram as primeiras vistorias aos terrenos onde se deviam construir os cemitérios das freguesias rurais do concelho(Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27(1834– 1842), sessão de 28 de Agosto de 1839 AHMTV).
É preciso esperar pelo ano de 1842 para se encontrar de novo referência a este assunto, quando se mandou “examinar os trabalhos dos cemitérios nas várias paróquias”(Lº de Acórdãos da Câmara, nº 27(1834– 1842), sessão de 3 de Fevereiro de 1842 AHMTV).
Em 1855 ainda não estavam construídos os cemitérios públicos na maior parte das freguesias, como se conclui do conteúdo de um ofício do Governo Civil mandando estabelecer, para prevenir da possibilidade da chegada da epidemia de cólera, “um cemitério em, pelo menos cada uma das freguesias rurais” (Lº de Acórdãos da Câmara, nº 28 (1842– 1856), sessão de 29 de Agosto de 1855 AHMTV).
Contudo, quando em 1869 se publicou o primeiro mapa estatístico nacional sobre as condições de enterramento no país, com dados de 1862,( Ministério da Justiça e dos Negócios Eclesiásticos, Mappas Estatísticos dos Baptismos, Casamentos e Óbitos que houve no Reino de Portugal durante o Anno de 1862, Lisboa, Imprensa Nacional, 1869)
neste concelho já não se efectuavam enterramentos fora de Cemitérios Públicos, ao contrário, aliás, do que ainda acontecia nalgumas regiões do país.

Os distritos de Lisboa e Leiria eram ainda um excepção no país. No primeiro, 98 % dos enterramentos eram feitos em cemitérios públicos e no segundo essa percentagem era de 96,3. Contudo, em 7 distritos, essa percentagem não chegava aos 60%, sendo os casos mais graves os dos distritos de Braga, onde essa prática apenas se aplicava em 6% dos enterramentos, de Viana do Castelo, com 17,6%, de Viseu , com 44,6% , de Vila Real, com 44,6% e do Porto com 46,7% (CABRAL, João de Pina, e FEIJÓ, Rui G., “ A Questão dos cemitérios no Portugal Contemporâneo”, in A Morte no Portugal Contemporâneo, ed. Querco, Lx. 1985, pp.175 a 208).

domingo, 1 de novembro de 2009

O Teremoto de 1 de Novembro de 1755 em Torres Vedras


(ruinas do antigo Convento de Penafirme)


Rezam as crónicas que aquele Sábado, dia 1 de Novembro de 1755, amanheceu sereno e soalheiro.
Era dia de Todos os Santos e muitas igrejas estavam cheias de fiéis desde as 9 da manhã.
Nessa manhã o padre António Duarte, pároco de A dos Cunhados, entregava-se às cerimónias litúrgicas do dia, quando, pelas 9 horas e meia dessa manhã começou a sentir um forte abalo. Na realidade o abalo iniciou-se às 9h40.
A ele devemos um dos mais completos relatos sobre a forma como o terramoto foi sentido na região.
Afirma o pároco que este durou cerca de um quarto de hora. Segundo outras testemunhas, referindo-se à forma com foi sentido em Lisboa, o abalo durou 9 minutos, divididos por três abalos. Outros ainda referem que a terra tremeu por três vezes durante 17 minutos, tendo o mais forte durado 7 minutos.
António Duarte descreve o momento nos seguintes termos: pulsava “a terra para cima e ao mesmo tempo balanceava para as quatro partes, norte, sul, oriente e poente, e sendo maiores os balanços que dava do oriente para poente”.
Um dos maiores impulsos deu-se nessa direcção, “a meio do terramoto”. Nessa altura o padre António Duarte estava no interior da Igreja de A-dos-Cunhados, “de joelhos junto ao altar-mor capitulando as preces que nesse acto se fazem” e viu “a tribuna da capela-mor” sobre ele, “o que tão bem viram as mais pessoas que estavam no corpo da Igreja e além disso viram o coro e porta principal ir submergindo para o fundo”. Quando o abalo terminou, os paroquianos, vendo a sua igreja ilesa, em reconhecimento de tal facto, prometeram “à Senhora de mais se não apagar a sua lâmpada, nem de noite, nem de dia”, mantendo a cera acesa nos oito dias seguintes.
No lugar de A-dos-Cunhados não caiu qualquer casa, “só duas moradas de casas ficaram somente com sinais do que foi e as mais delas totalmente ilesas”, situação atribuída a milagre “de Maria Santíssima Senhora da Luz”.

Os estragos do terramoto no concelho de T. Vedras

Nem todos os lugares do concelho tiveram a mesma sorte de A-dos-Cunhados. Nas proximidades, no “lugar da Póvoa (…) e seus arrabaldes (…) ficaram assolados por terra e de todo destruídas seis moradas de casas; outras ainda que em pé, inabitáveis e todas padeceram mais ou menos ruínas”. Na Maceira “ficaram inabitáveis, e em muita parte destruídas, cinco moradas de casas e todas as mais, ainda que habitáveis, com mais ou menos ruína”. Noutros casais da freguesia “não houve ruína que obrigasse aos seus moradores a mudar sua morada, porém em todas se vê ou méis ou menos sinais do que foi”.
Ainda na freguesia, o Convento de Penafirme, o de segunda fundação, ficou em ruínas e o novo, que estava em construção, junto à actual escola de Penafirme, “ficou tão arruinado que é preciso tornar dos fundamentos”.
Nas respostas ao inquérito paroquial de 1758 é possível perceber o impacto do terramoto nas outras freguesias do concelho:
Na Carvoeira a capela-mor da Igreja paroquial padeceu de ruína, bem como a torre sineira, e em toda a freguesia arruinaram-se sete casas.
Em Dois Portos caiu um sino e a abobada da capela-mor ficou gravemente danificada, sendo necessário deitá-la abaixo para a reparar. Nesta freguesia os edifícios das localidades da Maceira e do Mato da Granja ficaram fortemente danificados, ficando por terra a totalidade das habitações deste último lugar, vendo-se os seus habitantes obrigados a viver algum tempo fora desses lugares. Só a Caixaria não registou qualquer prejuízo.
A vizinha freguesia de Runa sofreu igualmente “grande ruína”, desconhecendo-se mais pormenores.
Em Carmões “padeceram as habitações todas da freguesia, umas com maior ruína por se demolirem paredes e pedaços delas, por isso inabitáveis, e outras com menor, mas fendidas e abertas de sorte que causavam medo para se habitarem”. A igreja paroquial foi parcialmente destruída, tendo caído dois pedaços da abóbada, “um sobre o coro que todo o abateu e outro junto ao arco do cruzeiro, e toda a abóbada ficou fendida pelo meio e a da capela-mor mais traçada e moída, e as paredes laterais da mesma sorte: o arco do cruzeiro desuniu-se em várias partes e a tribuna da capela-mor”. A torre sineira “ficou com muitas aberturas e fendas, mas não caiu, talvez por estar presa na parte superior com linhas de ferro”.
O pároco da Freiria limitou-se a referir ter padecido “esta Igreja” e toda a freguesia “tanto o terramoto, tanto, que se conta pela mais destruída de todas”.
A freguesia da Ventosa sofreu igualmente grandes estragos. A Igreja paroquial sofreu estragos nas colunas que sustentavam as naves e em todo o corpo. Igualmente arruinada ficou a Ermida de Nª Srª da Piedade, no Cadouço.
A abobada e uma torre que “se achava feita havia poucos anos” na Igreja de Ponte do Rol foi o principal estrago registado nesta freguesia, embora “quase todas as habitações desta terra” tivessem “padecido” com o terramoto.
Ao contrário das anteriores freguesias, a do Ramalhal foi das que menos sofreu com o terramoto: a “ruína que padeceu do terramoto não foi muito grande nem fez muita destruição”.
Desconhece-se o que se passou nas freguesias de Matacães, Monte Redondo e Maxial, S. Pedro da Cadeira e Turcifal, devido à escassez de informações sobre este tema referidas na resposta ao inquérito de 1758. As freguesias de Campelos, Silveira, Outeiro da Cabeça e Maceira, não existiam então como tal, pertencendo, respectivamente, a Stª Maria, a S. Pedro da Cadeira, ao Maxial e A-dos-Cunhados.


Na vila de Torres Vedras

A então vila de Torres Vedras foi “das mais bem livradas do terramoto”, segundo o relato do pároco de Stª Maria, o padre António Ribeiro. Contudo conheceu alguns estragos consideráveis nas suas casas e monumentos.
A igreja de Stª Maria do Castelo viu as suas duas torres caírem.
A torre do relógio “caiu para dentro sobre o coro”, quebrando “as grades e a imagem do Santo Cristo que nelas estava”. Uma estante de livros “levou abaixo uma linha de ferro que estava correspondente ao órgão, o qual pegando por ele o botou abaixo a igreja”.
A torre sineira caiu para fora “quebrando os dois sinos que tinha” e a sineta.
Quanto aos edifícios particulares “padecerão muitas ruínas (…), uns totalmente caídos, os mais todos ficaram vários sentimentos, principalmente nas paredes da rua, que sobre ela ficarão pendentes”.
Sabe-se também que o Castelo, embora não habitado e já em parte arruinado, sofreu graves estragos, ainda hoje visíveis.

O maremoto no litoral torriense

Dos fenómenos associado ao terramoto que mais impressionaram os homens daquele tempo, o maremoto que se seguiu ao abalo de terra, atingindo toda a costa portuguesa, foi sem dúvida o mais assustador de todos.
Deve-se mais uma vez ao pároco de A-dos-Cunhados a única descrição conhecida desse fenómeno no nosso litoral
Quando se deu o terramoto, o “mar estava acabando de encher”. O maremoto deu-se nesta costa cerca de 1 hora e 1/4 depois do abalo, por volta das 11 da manhã.
A descrição daquele padre confirma as descrições do que por essa altura se passou em Lisboa, registando-se três grandes fluxos de subida e descida da água: “o fluxo e refluxo extraordinário só foi por três vezes (…) porém, toda aquela tarde continuou enchendo e vazando, recolhendo as águas com tanta velocidade que ficava tudo enchuto até à distância em que se tinha levantado e mandando-as com a mesma velocidade para terras”, ou seja, para além daquelas três grandes ondas, outras ondas mais pequenos tiveram lugar nesse dia, calculando-se actualmente que se registaram ao todo 16 ondas de grandes dimensões, destacando-se, contudo, aqueles três momentos.
Observada a partir de Penafirme e Porto Novo, “a novidade que se viu do mar (…) foi o levantar-se esta coisa de meia légua
cerca de 2 quilómetros e meio
distante da terra em um grande monte em que algumas pessoas divisaram diversas cores nas águas, pondo esta novidade em tão grande pasmo e temor a toda aquela vizinhança, que quase toda, imaginando era chegado o tremendo dia do juízo, da mesma sorte que estavam, ou bem ou mal compostos, sem fecharem suas casas e sem cuidarem de seus bens, fugiram para este lugar e igreja”.
Continuando a relatar-nos o tsunami, refere o cura António Duarte: “esse grande monte de mar veio discorrendo com voracidade para terra e combateu as arribas na altura de nove ou dez braças (…) Em um vale que corre do Sul para o norte e desagua na praia de Porto Novo, passando-se naquele tempo a pé enchuto correu tão cheio de água que por algum tempo se não pôde passar, cuja enchente lhe procedeu dos muitos olhos de água que circunvizinhos rebentaram (…). Os palmos que cresceu mais do ordinário se pode conjecturar pela altura das nove ou dez braças
algures entre os 16 e 20 metros de altura
em que combateu as arribas (…) chegando pela terra dentro a distancia que não há tradição chegasse em tempo algum
de facto, terá entrado, na zona de Porto Novo, pelo menos até às proximidades da actual “fonte dos frades".
Hoje pensa-se que a onda maior, que pode não ter sido a primeira, a atingir, em impacto directo, a costa portuguesa tinha um altura de cerca de 15 metros, com uma velocidade junto ao litoral de cerca de 60 Km por hora, embora a que atingiu Lisboa tenha sido mais pequena, talvez com uns 6 metros, devido ao factor atenuante da menor profundidade do rio Tejo.

Consequências na vida das pessoas

No concelho de Torres Vedras não existe qualquer registo conhecido sobre mortos ou feridos. A lenda refere apenas o caso de um frade de Penafirme que, ao subir ao monte em frente ao convento para fugir ao maremoto, teria falecido de ataque cardíaco.
Pior foi o agravamento das condições de vida das populações, como revela o pároco de Carmões: “Padeceram todos a falta de condutos para a sustentação costumada por ficarem destroçados os engenhos de moer pão, nas lojas ou tendas faltaram coisas comestíveis, e isto por tempo de mês e meio (…): houve também falta de materiais para a reedificação das casas”. E, à laia de conclusão, rematava o pároco Baltazar Freire da Costa: “esta freguesia é pequena e pobre (…) e no tempo presente estão mais necessitados pela falta e custo do pão, por cuja causa estão mais aptos para pedirem esmola” do que para ajudar a reconstruir a igreja paroquial.
No inquérito realizado dois anos depois daquele evento, vários párocos referem o atraso na reconstrução das igrejas paroquiais e habitações mais atingidas, bem como das dificuldades por que passavam os seus paroquianos desde aquela data.
Embora Torres Vedras não tenha sofrido o que sofreram outras localidades do país, com destaque para o que sucedeu em Lisboa, este trágico acontecimento ficou bem marcado no inconsciente colectivo de gerações de torrienses.

Fontes : Cópia do manuscrito do Padre António Duarte, existente nos registos paroquiais de A-Dos-Cunhados original de 1756, cópia de 1908 ; Dicionário Geográfico memórias Paroquiais de 1758, depositadas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Torres Vedras Há 120 anos, na Imprensa da Região - Outubro de 1889



Esse mês de Outubro de 1889 foi marcado pela morte do rei D. Luís, falecido no dia 19, sucedendo-lhe D. Carlos.

A notícia mereceu destaque nas páginas da imprensa local, A Semana, na sua edição nº 140 de 24 de Outubro e A Vinha de Torres Vedras , na sua edição de dia 26.
O mês foi igualmente marcado pelas eleições para o Parlamento, destacando a imprensa local os resultados do círculo de Torres Vedras, que elegia um representante:

Dr . Ignacio Emauz do Casal Ribeiro – 5783 votos;
Luciano Cordeiro – 740 votos;
José Abreu do Couto de Amorim Novaes - 131;
Caetano Pereira Sanches de Castro – 130;
Alberto António Moraes de Carvalho – 129;
Sebastião de Sousa Dantas Baracho – 97;
Dr. António Henriques da Silva – 52;
António Sousa Pinto Magalhães – 50;
Latino Coelho – 4;
Fuschini – 2.
(Fontes: A Semana nº 140 de 24 de Outubro de 1889 e Vinha de Torres Vedras, nº 143, de 26 de Outubro)

No total entraram 7 118 votos, pertencentes aos concelhos de Torres Vedras, onde votaram 5 047 eleitores, e do Sobral de Monte Agraço, onde votaram 2 071 eleitores, que formavam este círculo eleitoral.
Refere a Vinha… que a “opposição obteve votos: Na assembleia de Arruda e Cardosas 610, não dando nenhum voto ao dr. Casal Ribeiro; na de S. Thiago,da villa,251; no da Carvoeira, 171; na de S. Pedro da Cadeira, 91; no Maxial, 88; no Sobral e Arranhó, 79; no de S.Pedro, da villa, 35”
“Nas assembleias da Ribaldeira e Turcifal não houve opposição” ( Vinha de Torres Vedras, nº 143, de 26 de Outubro de 1889)
Comentava “A Semana” que a “votação do sr. Luciano Cordeiro, sobresae porque as assembleias da Arruda e Cardosas votaram de chapa esta lista, em número de 604” (A Semana, nº 140 de 24 de Outubro de 1889).
Luciano Cordeiro era o candidato pelo Partido Regenerador, então na oposição, enquanto Casal Ribeiro representava o Partido Progressista. Note-se ainda a votação em Latino Coelho, então representando os republicanos.
Num dos primeiros dias desse mês, no dia 8 de Outubro, abria o segundo ano de aulas da “Escola Pratica de Viticultura de Torres Vedras, instituída na Quinta da Viscondessa (Turcifal)” (A Semana, nº 138, 10 de Outubro de 1889).
A meio do mês as vindimas prosseguiam “ activamente em todo o nosso Concelho”, calculando-se “que a colheita é muito inferior à do anno passado, differença que se attribue não somente aos estragos produzidos pela phylloxera, mas a varias doenças, como o mildiú e outras, que atacaram as vinhas, e também às irregularidades do tempo” (Vinha de Torres Vedras, nº 141 de 12 de Outubro de 1889).
No Domingo 13 de Outubro teve lugar a “Festa de Nª Snrª do Rosário. Realizando-se na Igreja Matriz de S. Pedro, do seu programa constava, pelas “11 horas da manhã: missa e sermão, sendo orador o ver. Duarte do Rosário”. Pelas “4 horas da tarde” sermão e “Te-Deum”, sendo em seguida “ conduzida em procissão para a sua capella a Imagem de Nossa Senhora do Rosário”.
Para o efeito actuou um “Côro composto dos mais distinctos amadores da villa, e alguns d’outras localdades, é coadjuvado por artistas da capital, tendo por vozes os primeiros cantores da Sé, os sr.s Silva, Reis e Lisboa”.
À noite houve “illuminação com seis centos lumes e tijelinhas na fachada da Ermida do Rosário”, situada na “Praça Nova” “e o recinto da praça com balões à veneziana, executando a Fanfarra Recreativa Torreense, das 8 horas em diante” . (A Semana, nº 138 e nº 139, dos dias 10 e 17 de Outubro de 1889 e a Vinha de Torres Vedras de 12 e 19 de Outubro).

Na sua edição de 31 de Outubro de 1889, anunciava “A Semana” o regresso a Torres Vedras do “nosso hábil” fotografo Martinez Pozzal, que esperava “que lhe visitem o seu attelier” (A Semana, nº 141, de 31 de Outubro de 1889).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ORDENS DO DIA DE BERESFORD

Ver o 6º texto AQUI, no blogue PEDRAS ROLANTES

Há 40 anos - Torres Vedras e as eleiçõe "marcelistas" de 26 de Outubro de 1969



(fonte: Badaladas, 25 de Outubro de 1969)


Pouco mais de um ano depois de tomar posse como primeiro-ministro, ou, como se dizia então, como “Presidente do Conselho”, na sequência do agravamento da saúde de Salazar, Marcelo Caetano convocava eleições para a “Assembleia Nacional”.


Estas decorreram no dia 26 d Outubro de 1969. Vivia-se então em pleno clima de esperança de mudança no regime, a chama “Primavera Marcelista”. Contudo, até então as mudanças pouco mais eram que uma mudança de retórica ou de fachada.

A importância dessas eleições residiu principalmente numa tentativa d legitimação do “marcelismo” face à desconfiança dos “ultras” do regime. Uma das novidades foi a inclusão de um grupo de candidatos independentes nas listas da União Nacional, como Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Miller Guerra, Pinto Leite, Magalhães Mota e Mota Amaral, entre outros, aquilo que se veio a tornar a chamada “ala liberal”.

Par Vasco Rato, “este acto eleitoral foi, seguramente, o mais livre realizado ao longo da história do Estado Novo. Assistiu-se à extensão limitada do sufrágio, inclusive às mulheres alfabetizadas, mas não se estava perante eleições verdadeiramente competitivas, genuinamente expressivas da vontade dos cidadãos. Apenas 10% da população constava dos cadernos eleitorais”, e destes, quase 40% não compareceram ao acto eleitoral. Além disso, “vedando o acesso à televisão, dificultando a consulta dos cadernos eleitorais, e tomando outras medidas que efectivamente não eram propícias ao estabelecimento de condições de igualdade, o regime não proporcionou à oposição uma possibilidade real d conquistar o poder” (RATO, Vasco, “marcelismo” in Dicionário de História de Portugal, vol. 8, ed. Figueirinhas, 1999, pp.421 a 427). Além disso, o sistema eleitoral não era proporcional, o vencedor do círculo eleitoral ficava com toda a representação.

A própria oposição, ao surgir dividida, facilitou a tarefa ao regime. De facto, para além do partido do regime, a oposição apareceu dividida em três dos distritos mais importantes, Lisboa, Porto e Braga.

No círculo eleitoral de Lisboa, onde se incluía o concelho de Torres Vedras, concorreram, patra além da União Nacional (UN), a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), conotada com a ala moderada da oposição (republicanos, socialistas e outros), a Comissão Democrática Eleitoral (CDE), conotada com a oposição comunista e parte da socialista e ainda a Comissão Eleitoral Monárquica (CEM), que representava a facção democrática dos monárquicos.

A nível nacional, a União Nacional obteve cerca de 86% dos votos (menos de 1 milhão de votos) e a oposição, no seu conjunto, não conseguiu obter mais de 12% dos votos (pouco mais de cem mil votos)(Fonte: “Badaladas”, 1 de Novembro de 1969).

Dos partidos da oposição, aquele que obteve mais votos foi o CDE, que concorreu em 19 distritos, obtendo quase todos os cem mil votos do conjunto da oposição. A CEUD, concorrendo apenas em três distritos, obteve cerca de vinte mil votos, e os monárquicos, que concorreram apenas no distrito de Lisboa, obtiveram pouco mais de mil votos.

A principal consequência destas eleições foi o reforço da legitimidade junto do regime de Marcelo Caetano, que a aproveitou para remodelar profundamente o governo em Janeiro do ano seguinte, apostando num conjunto de jovens tecnocratas , defensores da modernização da economia.

Contudo, em breve, muitas das esperanças depositadas no “marcelismo” acabariam por se revelar um logro.

Em Torres Vedras, reflexo da “abertura” marcelista foi a criação do Pelouro Cultural da Física, nesse anos de 1969, onde pontificavam figuras da oposição local, como Andrade Santos, António Augusto Sales, Ruy de Moura Guedes e Venerando Ferreira de Matos, entre outros, responsáveis pela edição, no jornal “Badaladas” do “Oeste-Cultural”, e pela organização de exposições e debates sobre vários temas.

Durante a campanha eleitoral realizaram-se comícios da CDE e da UN.

A sessão de “propaganda eleitoral” promovida pela CDE teve lugar no dia 18 de Outubro, um Sábado no Teatro-Cine Ferreira da Silva, que foi “demasiado pequeno para acolher as centenas de pessoas interessadas m assistir”.

O público, “enchia literalmente a sala, decorada com o cartaz da C.D.E. e dísticos”, e “aplaudiu frequentemente e com grande entusiasmo os candidatos oposicionistas que proferiram as suas alocuções num elevado ambiente de fervor patriótico e de civismo”.

A mesa, “que tinha por fundo a bandeira nacional”, era presidida pela Drª Maria Lucília Miranda Santos, ladeada pelos candidatos pelo círculo “Dr. Francisco Pereira de Moura e Engº Gomes da Silva”. Outros convidados , homens da oposição local e membros da comissão de apoio, ocupavam o palco: António Leal da Ascensão, Joaquim Augusto de Oliveira, João de Oliveira, Miguel Simões, Helder dos Santos Chá e Leonel Pereira Ferreira.

Foram oradores os dois candidatos, realizando-se apenas um pequeno intervalo, durante o qual “Fernando Teles leu a Declaração Universal dos Direitos do Homem”. A situação económico-social e a necessidade de uma reforma agrária foram os principais temas das intervenções. (in “Badaladas” de 25 de Outubro de 1969.

No dia 22 foi a vez da UN “promover uma sessão de propaganda eleitoral para apresentação dos seus candidatos ao círculo”.

Anunciava-se que usariam da palavra a Srª “D. Raquel Ribeiro” o”Dr. Ulisses Cortez”, o “Dr. Ricardo Horta” e “dois oradores locais”, assistindo ao mesmo comício o candidato Franco Nogueira. (in “Badaladas”, 18 de Outubro de 1969).

A comissão concelhia da UN tinha sido empossada em Maio desse ano, era presidida por Fernando Barros Leal, sendo vice-presidente o Engº Agrónomo Raul dos Santos, e tendo por vogais António Maria de Almeida Fernandes Vilela, António Maria de Sousa e António Gabriel Gomes. (in “Badaladas”, 31 de Maio de 1969).

Como se pode ver no quadro seguinte, com os resultados eleitorais registados neste concelho de Torres Vedras, publicado pelo jornal “Badaladas” de 1 de Novembro de 1969, é de salientar a abstenção que atingiu quase os 50%. Houve muitas freguesias onde essa abstenção ultrapassou bastante os 50%: em A-dos-Cunhados; em Campelos; na Carvoeira; no Ramalhal; em Stª Maria e S. Miguel; em S. Pedro e Santiago; no Turcifal.

Apesar de todos os condicionalismos, a oposição, principalmente a CDE, obteve bons resultados na principal freguesia urbana de Torres Vedras, S. Pedro e Santiago, chegando quas aos 30% dos votos expressos, obtendo ainda um resultado muito significativo em Monte Redondo e em Runa.



(Fonte: Badaladas, 1 de Novembro de 1969)

(clicar no quadro para ampliar)

domingo, 25 de outubro de 2009

Há 140 anos o Governo concedia autorização para instalar o Larmanjat




Passando hoje 140 sobre a concessão ao Duque de Saldanha para a instalação em Portugal do sistema Larmanjata, aproveitamos o pretexto para recordar aqui o primeiro projecto de caminho-de-ferro concretizado nesta região:


A primeira tentativa de introduzir de modernizar os transportes nesta região teve lugar em 1873, com a inauguração da ligação entre Torres Vedras e Lisboa em caminho de ferro monocarril, o chamado "Larmanjat".
Este tipo de transporte foi inventado pelo engenheiro francês Joseph Larmanjat, aparecendo pela primeira vez nas estradas francesas em 1868 e a cujas experiências assistiu o Duque de Saldanha que resolveu pedir o estabelecimento desse sistema de transporte para ligar Lisboa a Torres Vedras, com posterior ligação a Caldas da Rainha e Leiria, pedido autorizado por diploma governamental de 25 de Outubro de 1869, publicado em Diário do Governo de 29 desse mês (CASTRO, António Pais de Sande e, “O Caminho de Ferro Larmanjat”, in Arqueologia e História, 8ª série, volume III, Lisboa 1955, pp.77 a 97). Ironizava Angelina Vidal que trouxe “para Lisboa esta prenda o duque de Saldanha, que, não podendo já fazer bernardas, arranjou assim um meio indirecto para partir cabeças” (VIDAL, Angelina, Lisboa Antiga e Lisboa Moderna, 2ª edição, Vega, Lisboa (1ª ed. em 1900), p.290).
O "Larmanjat" foi visto como um caminho-de-ferro económico "pois circularia pelas estradas, não necessitando, por consequência, de caminho próprio. Tratava-se dum caminho de ferro monocarril, sendo a via constituída por carril central, ladeado por duas passadeiras de madeira, estando todo o conjunto pregado a travessas por cavilhas de ferro. As locomotivas e as carruagens tinham rodas centrais, que rodavam pelo carril, e rodas laterais, que rodavam pelas passadeiras" (CALLIXTO, Vasco, "O Lármanjat e a sua atribulada existência", in Boletim da C.P., nº 145, Janeiro de 1964, pp. 18-20, p.18).
Em 13 de Março de 1870 foi inaugurada em Portugal a primeira linha deste tipo, ligando Lisboa ao Lumiar. A 27 de Fevereiro 1872 a sua exploração foi concedida à inglesa "Companhia lisbonense a vapor por trilhos, limitada", que, aumentando o seu capital, construiu duas novas linhas, uma para Sintra e outra para Torres Vedras, sendo esta ultima inaugurada a 4 de Setembro de 1873.
Esta viagem iniciou-se às 6 horas e 25 minutos, num comboio formado por 4 carruagens de 1ª classe que chegou a Torres Vedras às 10 horas e 45 minutos, “tendo efectuado uma longa paragem em Freixofeira, onde um dos mais abastados lavradores da região ofereceu uma lauta merenda a todos os passageiros” (RODRIGUES, António (com Adão de CARVALHO), “Os primórdios dos Caminhos de Ferro em Portugal e o 1º Caminho de Ferro em Torres Vedras – O “Larmanjat”, in Toitorres Notícias, Janeiro/Fevereiro de 1996, pp.16 a 21, p. 20).
O serviço regular de passageiros nesta linha teve lugar dois dias depois, a 6 de Setembro.
A linha de Torres tinha as seguintes estações: Lisboa (nas portas do Rego (VIDAL, Angelina, ob. cit. p.290), Campo Pequeno, Campo Grande, Lumiar, Nova Sintra, Santo Adrião, Loures, Pinheiro de Loures, Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vila Franca do Rosário, Barras, Freixofeira, Turcifal, e Torres Vedras, localizando-se a estação terminal desta vila no pátio por detrás da “taberna Venceslau” .
A viagem de “Lisboa a Torres custava 9 tostões em primeira e 7 em terceira; a havia somente um comboio em cada sentido” (CASTRO, António Pais de Sande e, ob.cit., p.96).
A primeira viagem neste percurso demorou 4 horas e 20 minutos, reduzindo imenso a distância entre Lisboa e Torres Vedras, que em diligência rondava as 6 -7 horas.
O administrador do concelho de Torres Vedras presenciou, menos de 15 dias após a inauguração deste transporte, dois incidentes, o primeiro ocorrido no dia 16 de Setembro de 1873, quando dois machos que puxavam uma carroça com vinho, assustando-se com a passagem do Larmanjat, antes de Vila Franca do Rosário, arrastaram a carroça e o carroceiro por uma ribanceira. Os donos da carroça aguardaram pelo comboio na estação daquela localidade juntamente com muito povo, não deixando o comboio seguir, ameaçando de morte o maquinista e o fogueiro e lançando pedras contra as carruagens.
Valeu-lhes a protecção do referido administrador, conseguindo acalmar os ânimos da multidão enfurecida, prometendo interceder perante a empresa para indemnizar o carroceiro pelos prejuízos.
Chegados a Torres Vedras, o maquinista só aceitou fazer a viagem de regresso a Lisboa, programada para o dia seguinte, se fosse acompanhado pelo administrador, o que este acedeu, “attendendo ao mau effeito que produsiria a falta de um comboio com que toda a gente contava”.
Contudo, nessa viagem iniciada por volta das 6 da manhã do dia 17 de Setembro, um novo incidente marcaria a viagem, quando, passando perto da Quinta do Calvel, o comboio descarrilou, caindo “todas as carruagens em um barranco”, ferindo ligeiramente três passageiros, entre os quais o próprio administrador do concelho, tendo-se temido que esse descarrilamento tivesse sido provocado, devido ao incidente do dia anterior, por sabotagem. Contudo, o mesmo administrador desmentiu tal hipótese, atribuindo este acidente ao facto de o maquinista, pouco experiente, “para ganhar o tempo que tinha perdido com uma subida”, ter levado “o comboio a grande velocidade para uma grande descida aonde há uma curva. A machina, apezar da sua grande velocidade poude descer a curva, a por isso não descarrilou, outro tanto (...) não aconteceu às carruagens que, não podendo operar o mesmo movimento” se precipitaram no aterro. Por essa razão só no dia seguinte se realizou a viagem de regresso a Lisboa, não se registando, como se temia, qualquer incidente à passagem por Villa Franca do Rosário (Correspondência expedida pelo administrador do concelho de Torres Vedras para o Governador Civil de Lisboa (Livros de registos e copiadores), Livro nº 2, sem data [19 de Setembro de 1873], in Arquivo Histórico de Torres Vedras, Caixa 12 (1868 a 1883) ).
Muitas vezes, quando o percurso era mais íngreme, os passageiros tinham de empurrar as carruagens para ajudar o "Larmanjat" a subir a ladeira (IVO, Carlos com José Brito Paulo, "Quando o Comboio chegou a Sintra", in História, nº 135, Dezembro de 1990, pp.68 a 75, p.71).
Essas situações, assim como os sucessivos descarrilamentos e avarias, provocaram o descrédito desse transporte, pelo que os passageiros preferiam continuar a viajar em diligência, que se revelava mais segura e mesmo mais rápida, situação descrita, de forma pitoresca, em notícia evocativa daquele transporte, transcrita por um jornal torriense do princípio do século XX:
“(...) Quem, em Torres, se mettia na diligencia, puxada a tres muares bem lustrosas, guiadas pelo Zé das Meninas, tinha a certeza de que, volvidas cinco horas, se apeava mais ou menos derreado á porta do Neves do Rocio.
“A gente sahia d’aquella caixa muito tropego, com um pé dormente e uma caimbra levada da bréca; mas constava, deliciosamente, a integridade do seu systema osteologico e esta venturosa coisa de se Ter chegado a tempo.
“Quem se mettia no Larmanjat não gosava d’estas vantagens. Em primeiro logar tanto se podia chegar, ao Arco do Cego, quatro horas depois da sahida de Torres, como oito, como doze, como ... não chegar, ao menos de Larmanjat.
“E isto porque uma rampa, uma curva, um modesto calhau o fazia descarrilar. Parte do trajecto, mesmo, era feito sobre a porção do leito da estrada que lhe era defezo. A machina, por alguns metros, riscava no macadam como se fosse um arado em terras de cultura. Depois estacava.
“As portas das carruagens abriam-se e sahiam poeirentos, cabisbaixos, rogando pragas, os corajosos passageiros que se tinham abalançado áquella aventura. O comboio já lançára desenfreadamente o convencionalismo dos tres apitos que, pelas quebradas da serra se repercutiam a pedir auxilio aos trabalhadores do campo. Mas emquanto elles não chegavam?!
“ O machinista, o fogueiro, o revisor poderiam lá nunca, elles sós, pôr aquelle monstro no seu logar! E então os passageiros, maldizendo a sua sorte e o duque de Saldanha, despiam as suas quinzenas, os seus fracks e um por outro a sua sobrecasaca (porque vinham tratar de eleições com o governador civil) e todos se arvoravam em troço de operarios, de assalariados d’essa Companhia que lhes tinha cobrado bilhete, que se esforçava por quebrar-lhes as costellas e tratavam de encarrilar, com a pressa possivel, aquella bugiganga.
“É justo dizer-se que um certo amor proprio, ou antes, uma pungente vergonha lhes insuflava alentos. Era o espectro escarninho, a insolente casquinada da diligencia obsoleta mas triumphante, demais a mais munida de guiseiras alacres e trocistas que os esforçava n’aquelle mister de retirar comboios manhosos da via publica. Ella, a diligencia, ia passar, guiada pelo Zé das Meninas, o mão-de-redea eximio, que se haveria de rir a bom rir depois de ter sahido do mesmo ponto, seis horas depois, de mais a mais bem jantado na Venda do Pinheiro ... E depois de os vêr, a elles – os do Larmanjat- a trabalharem como servos de gleba, elle continuaria em seu caminho a dizer facecias aos passageiros da imperial e a lançar chuvas ás lavadeiras de Lousa (...)” (ARANTES, Hemiterio, “O Larmanjat”, transcrito do “Popular” em A Vinha de Torres Vedras, nº 667, 1 de Novembro de 1906)..
Também uma escritora coeva, Angelina Vidal, afirmava, àcerca do Larmanjat, que era raro “o dia em que não acontecia ficar gente ou gado atropelado. Os veículos saíam da linha, o povo queixava-se por essas aldeias fora e a empresa não lucrava vintém. O certo é que os carros das carreiras antigas, um momento abandonados pelo público amador das novidades, voltaram a ser utilizados pelos passageiros que desejavam chegar inteirinhos ao seu destino” (VIDAL, Angelina, ob. cit., p.291).
Com tantas contrariedades a Companhia responsável pela exploração deste transporte acabou por abrir falência, terminando a sua curta vida em 1877.
Em Torres Vedras foi logo em 1875 que cessou o serviço daquele meio de transporte, como se comprova pela seguinte passagem da acta camarária da sessão extraordinária de 24 de Maio de 1875:
"N'esta sessão deliberou a Camara derigir uma representação ao Governo de Sua Majestade, pedindo-lhe promptas e urgentes providencias para que sejam reparados os estragos causados na estrada de Lisboa a esta vila, pelo caminho de ferro Larmanjat, mandando-se levantar os carris e longrinas "(vigas sobre as quais se pregam as travessas dos carris)"que nella assentam e que, visto haver cessado o serviço d'aquelle caminho, de nada servem agora se não para embaraçarem e difficultarem o transito, e para apressarem a completa ruina da mesma estrada(...)" (Actas da Câmara Municipal de Torres Vedras, Livro nº31,sessão extraordinária de 24 de Maio de 1875, f. 88 verso).
A verdadeira "revolução dos transportes" do século XIX em Torres Vedras deu-se apenas em 1886, com o caminho-de-ferro de duplo carril.

(Garvuras Eduardo Frutuoso Gaio, Apontamentos da História dos Caminhos de Ferro em Portugal.; mapaVAZ, Fonseca, Caminho de Ferro em Portugal- História e Técnica de exploração, Lisboa s/d)

Há 140 anos o Governo autorizava o Larmanjat




A Linha do Larmanjat.


Lista dos preços e das estações.


A casa, por detrás do "Venceslau", onde se situava a estação de T. Vedras do Larmanjat.

A porta, por detrás da antiga taberna do "venceslau", da garagem onde ficava o Larmanjat.

4 GRAVURAS e UMA FOTOGRAFIA,  ONDE APARECE O LARMANJAT:






(fotografia)





(ver bibliografia na texto de cima)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cavaco Silva em Torres Vedras para inaugurar as comemorações do bicentenário das Linhas de Torres



O site da Câmara Municipal de Torres Vedras divulgou esta semana o programa comemorativo do bicentenário das Linhas de Torres.

Uma das grandes novidades é a presença do Presidente da República Cavaco Silva , no dia 11 de Novembro, para a abertura solene dessas comemorações.

O programa é o seguinte:

Novembro 2009 a Novembro 2010
Torres Vedras e as Memórias de uma Invasão: Um "Olhar" Entre Linhas e Fortes
Concurso Fotográfico
Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras
Destinatários: Fotógrafos
Concurso que procura evidenciar o impacto das Invasões Francesas e das comemorações num outro tempo, num outro espaço. Uma abordagem livre baseada nas lógicas de reportagem. No final realizar-se-á uma instalação fotográfica referente ao trabalho de campo realizado.
Info e Inscrições: Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, TLF.: 261 338 931/2 ou email: geral@ccctv.org


11 Novembro » Quarta » 16h00 às 19h00
Bicentenário das Linhas de Torres Vedras
Inauguração das Comemorações
Praça 25 de Abril e Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras

Programa
16h00 » Chegada de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva, seguida de Cerimónia Militar, com as respectivas Honras Militares e Homenagem aos Mortos
Praça 25 de Abril » Torres Vedras

17h00 » Sessão Solene de abertura das Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras, com a presença de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva
Praça 25 de Abril » Torres Vedras

17h30 » Inauguração da Exposição "Guerra Peninsular (1807-1814)"
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras

11 Novembro 09 a 30 Novembro 2010 » Terça a Domingo » 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Guerra Peninsular (1807-1814)
Exposição
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras
O Município de Torres Vedras inaugura no Museu Municipal Leonel Trindade a exposição dedicada ao tema da Guerra Peninsular, renovando o olhar sobre esse assunto com especial enfoque para as Linhas de Torres Vedras.

14 Novembro » Sábado » 22h00
Homens e Armas da Guerra Peninsular
Recriação Nocturna
Bares do centro histórico da Cidade de Torres Vedras
Pequenas recriações nocturnas, junto aos bares do centro histórico, com demonstrações do traje e do armamento.
Info pelo TLF: 261 320 749
Organização: Associação Leonel Trindade


29 Novembro » Domingo » 10h00 às 21h00
1.ª Feira da Memória
Recriação Histórica
Salão da Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta » S. Pedro da Cadeira
Feira reportada à época oitocentista com a qual se pretende demonstrar a vivência da época no que respeita a costumes, tradições, gastronomia e vestuário. Poderá ainda visitar pequenas bancas com venda de produtos gastronómicos.
Organização: Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta

Imagens do Forte de S. Vicente
































Imagens do Forte de S. Vicente











terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nos Duzentos Anos do "Memorando Fletcher" (20 de Outubro de 1809)


Em Outubro de 1809, estando o exército anglo-luso acantonado nas margens do Guadina, Wellington deslocou-se a Lisboa e, na companhia do coronel Murray e do tenente-coronel Fletcher, percorreu durante alguns dias os terrenos a norte de Lisboa (1), deixando instruções para este último, num documento datado de 20 de Outubro de 1809, documento que ficou conhecido pelo “Memorando Fletcher”.

Do seu conteúdo constava o seguinte:

“O grande objectivo em Portugal é a posse de Lisboa e do rio Tejo e todas as medidas terão de ser dirigidas com este objecto em vista. Existe um outro, ligado igualmente com este primeiro objectivo para o qual devemos também prestar atenção, e que é o embarque das tropas britânicas em caso de revés.
“Qualquer que seja a época do ano em que o inimigo possa entrar em Portugal ele fará o seu ataque provavelmente por duas linhas distintas, uma a norte do Tejo e outra a sul; e o sistema de defesa adoptado terá que levar em conta este facto.
“(...) O objectivo dos aliados deverá ser o de obrigar o inimigo, tanto quanto possível a realizar o seu ataque com o corpo do exército concentrado: Eles deverão ficar em todas as posições que o terreno possa permitir, o tempo necessário para permitir que a população rural local evacue as vilas e aldeias levando consigo ou destruindo todos os meios de subsistencia e meios de transporte que não forem necessários aos exércitos aliados; cada corpo do exército deve ter o cuidado de manter as suas comunicações com os outros e a sua distância relativa do lugar de junção”(2).

As intenções de Wellington, com essa recomendação, foram resumidas por Teixeira Botelho, na obra citada, como a necessidade de “escolher uma posição suficientemente ampla para abrigar todas as tropas, quer da primeira, quer da segunda linha, das duas nações, que lhes permitisse ocupar uma situação vantajosa para cobrir Lisboa, séde dos recursos do país, e que não pudesse ser torneada nos seus flancos pelo inimigo, devendo ter uma comunicação segura com o mar, para permitir o embarque das tropas inglesas no caso de revezes sucessivos as obrigarem a êsse extremo”.
Tomada a decisão, Wellington enviou uma carta para o Rio de Janeiro, dirigida ao príncipe regente onde considerava que “o unico corpo organisado, que na peninsula podia manter o campo contra o inimigo commum, era o exercito alliado do seu commando e que sendo por outro lado indispensavel manter a comunicação com o referido principe e com a Gran-Bretanha, tomou por ponto capital do seu plano a conservação da cidade de Lisboa e a do Tejo, cuja posse tão importante era igualmente para o inimigo”. Considerava ainda “que o plano mais seguro, no meio das circumstancias em que se achava, era o da guerra defensiva, que com tanta rasão a prudencia lhe aconselhava como cousa mais salutar por então. Taes foram pois as causas que com tanto acerto o levaram a escolher uma posição em que se podesse com toda a segurança manter. Esta posição não podia deixar de ser effectivamente Lisboa, por ser esta cidade a chave de todos os recursos do reino, por não poder ser torneada pela retaguarda pelo inimigo, e finalmente por ser por meio d’ella, e do seu magnifico porto, que estava em segura e constante communicação com o mar, tanto porque d’elle lhe vinham os recursos de que precisava, como porque por meio d’ella podia effeituar uma retirada para o seu paiz, se porventura algum grande desastre a isto o obrigasse. Alem do exposto, esta posição dava-lhe de mais a mais a vantagem de dominar todas as estradas e caminhos, que a ella se dirigiam; de poder n’ella fortemente intrincheirar-se, e por modo tal, que podesse formar uma praça de armas, onde concentrasse todas as forças defensivas do reino, o exercito, as milicias e as mais tropas irregulares, e onde conjunctamente com os inglezes, estas forças estivessem aprovisionadas de viveres e munições por cero espaço de tempo, entretanto que elle ocuparia o campo de batalha que julgasse mais favoravel para decidir, quando lhe aprouvesse, n’uma acção geral a sorte da capital e do reino, e talvez mesmo que da Europa (3)”.

Uma interpretação mais recente questiona a opinião perfilhada pela “maior parte dos autores”, que defendiam “a opinião errada de serem as linhas de Torres Vedras destinadas a proteger Lisboa. Ora a verdade é que o fim das linhas que Wellington mandou levantar só subsidiariamente era esse. O seu projecto de campanha (...) era tornar praticamente impossível a vida de um exército invasor, destruindo ou transportando para outro ponto todas as produções utilizáveis do País. Assim a região escolhida pelos Franceses para seguirem a sua marcha em Portugal tornar-se-ia numa espécie de deserto, em que o invasor não poderia subsistir”. (...) O Governo Português procurou transportar para fora das suas residências os habitantes da zona em que operavam as tropas francesas, mas (...) a evacuação dessas regiões não foi total (…). Por outro lado, como as tropas inglesas tinham, em regra, mostrado fraca capacidade combativa no continente, Wellington procurava evitar uma acção que pudesse tornar-se geral, comprometendo a existência do seu exército, não só por motivos exclusivamente militares, mas também por causa da política interna da Inglaterra, onde existia um forte partido de oposição ao Governo e favorável à retirada das tropas expedicionárias para a sua Ilha.”.
Esta opinião é corroborada por Norris e Bremner (5), afirmando que em “Outubro de 1809 o plano de Wellington tinha incluído não mais do que uma linha contínua de obras desde Alhandra, no Tejo, até à foz de S. Lourenço (agora chamado Safarujo), no Atântico, com certos redutos e acampamentos fortificados colocados em frente de Torres Vedras, Monte Agraço, Arruda e outros pontos. Não era intenção ocupar estes reductos permanentemente”, mas apenas “deter e estorvar o ataque do inimigo na linha principal na retaguarda”.
Seja como for, Fletcher, depois de receber aquelas ordens por escrito em 20 de Outubro, dirigiu o início da construção das linhas que se iniciaram em 3 de Novembro de 1809 pela construção dos fortes de S. Julião, Sobral e Torres Vedras.

(1) J.J. Teixeira Botelho, História Popular da Guerra da Península, Porto, 1915, pp. 341-342
(2) Excerto do memorando do duque de Wellington para o tenente coronel Fletcher, datado de Lisboa , a 20 de Outubro de 1809, citado por A.H.Norris e R.W. Bremner, The Lines of Torres Vedras, Lisboa 1986, pp.20-21, segundo tradução de Thomas Croft de Moura.
(3) Simão José da Luz Soriano, Historia da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal- segunda epocha- guerra peninsular, tomo II, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871, pp. 535-536.
(4) Gastão de Mello de Mattos, “Torres Vedras, Linhas de (1810)”, in Dicionário de História de Portugal, vol. VI, 2ª ed. , pp.180 a 182.
(5) A.H.Norris e R.W. Bremner, The Lines of Torres Vedras, Lisboa 1986, pp.14-15, segundo tradução de Thomas Croft de Moura.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No 30º Aniversário da Cooperativa de Comunicação e Cultura


Estão a decorrer este mês várias actividades comemorativas do 30º aniversário da Cooperativa de Comunicação e Cultura (CCC), uma das associações culturalmente mais inovadoras e dinâmicas da região.
Tendo sido um dos fundadores dessa associação, sou o seu sócio nº 2, recordo aqui um texto,  por mim escrito por ocasião do 20º aniversário dessa associação, e onde se descrevia, em breves palavras, a história da CCC. Algumas partes foram actualizadas.É um ponto de vista.
Outros terão outras histórias para contar, esperando que aproveitem a ocasião para o fazerem.

Tudo começou porque um grupo de então jovens irreverentes de Torres Vedras, que ainda não tinham “arrefecido” do calor da “revolução”, resolveu tornar visível as suas preocupações culturais e sociais, discutidas horas a fio à mesa dos cafés, na casa de uns e de outros, na sede do cine-clube, ou no festival da Figueira. Foi de facto na Figueira da Foz, no intervalo dos filmes, que o “núcleo torriense” de espectadores desse festival, em Setembro de 1978 , começou a delinear esse novo projecto, aprofundado em incontáveis reuniões em casa do Fernando Mouro, mais tarde nas velhas instalações do Convento da Graça, alargando o número de participantes caçados ao nosso círculos de amigos do “liceu”, do “cine-clube”, do “café”, do “Impulso”,...

A construção do jornal “Área” congregou uma geração, hoje entre os “qurenta e muitos” e os “sessenta”, os mais novos então a acabar o Liceu e os mais velhos recém licenciados em início de carreira docente, que tinham em comum um passado recente de activa vivência política e cultural durante os anos quentes de 74-75 e chegaram aos finais dessa década politicamente desalinhados à esquerda.
Editado pela primeira vez em Novembro de 1979, o seu conteúdo e o seu inovador grafismo, que muito deve ao Aurelindo Ceia, representaram uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama editorial e cultural local, e mesmo nacional, de então.
Se um dia se fizer uma história rigorosa da inovação do jornalismo nacional após o 25 de Abril, de certeza que o “Área” irá figurar num lugar de destaque.
De publicação mensal, entre Novembro de 1979 e Junho de 1981, editaram-se treze números, sob a direcção do José Eduardo Miranda Santos.
Em 1979, no ano em que surgiu o “Área”, vivia-se um momento de viragem em Torres Vedras, simbolicamente representado pela mudança do título de vila para o de cidade.
Começavam a surgir novas preocupações, reflectidas em muitas reportagens do “Área”, como o ambiente, a expansão dos “mamarrachos”, o desordenamento territorial, a invasão do automóvel, o desenvolvimento da cibernética, temas tratados por este jornal, também nisso pioneiro a nível local, sem esquecer que este foi dos primeiros jornais a nível nacional a alertar para a situação em Timor Leste.
Contudo a realidade acabou por se revelar mais complicada que o sonho. Iniciaram-se as primeiras rupturas pessoais no interior do projecto, inevitáveis quando a paixão era o motor que mantinha a chama do “Área”. A “Cooperativa de Comunicação e Cultura”, que sustentava a estrutura legal do jornal, deparando-se com essa realidade, ganhava um peso crescente, ambicionando outros caminhos, deixando o “Área” de ser o seu objectivo principal.
Duas faces da mesma moeda, “Área” e “Cooperativa...” representaram então duas visões para um mesmo projecto que, infelizmente , se revelaram inconciliáveis.
O “Área” conheceu então uma nova reestruturação, deixando de ser um regular e irreverente órgão de informação local, para se transformar ele próprio num objecto cultural, integrado num projecto mais vasto e ambicioso que apostou num outro tipo de intervenção .
A Cooperativa de Comunicação e Cultura apostou então em actividades mais viradas para o meio, como os célebres e inovadores passeios culturais. Revolucionou o panorama das artes plásticas a nível regional com as actividades desenvolvidas à volta da primeira galeria de arte em Torres Vedras, realizou eventos de grande impacto, como a inesquecível “Performarte”, organizou uma das primeiras exposições nacionais de Banda Desenhada, lançou livros e divulgou ciclos de cinema.
Hoje num novo espaço, com novos projectos, com uma direcção de gente mais nova, a Cooperativa de Comunicação e Cultura, na senda dos seus fundadores, é uma das raras associações que continua a renovar-se, quem em gente, quer em projectos.
Enfrentando hoje novos desafios, saradas feridas passadas, mesmo que à custa de novas feridas, o 30º aniversário da Cooperativa de Comunicação e Cultura deve reflectir sobre os caminhos trilhados no passado para melhor se consolidar como espaço cultural alternativo e inovador no panorama cultural da região.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A "BATALHA" DE DOIS PORTOS (13 de Outubro de 1810)

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Cena de uma Batalha não identificada durante a Guerrs Peninsular


No dia 9 de Outubro de 1810 o exército aliado chegava às Linhas de Torres, sempre seguido de perto pela cavalaria francesa que o seguia à distância e à vista.
Alguns oficiais e soldados da guarnição das Linhas, a cavalo, aguardavam pelas diferentes unidades para as guiarem para as obras ou localidades que lhes eram destinadas.
Desde o dia 7 ou 8, conforme as fontes, que chovia copiosamente, obrigando as tropas anglo-lusas recém chegadas “a buscar arrebatadamente o abrigo das casas, que pela maior parte estavam abandonadas; então se perderam, e foram preza dos soldados nacionaes, e alliados, os fructos não só pendentes, e mal começados a colher, como vinho e azeite, mas os mesmos recolhidos nos celleiros publicos e particulares, que não eram guardados immediatamente por seus donos, e munidos de sentinellas, chegando o excesso a serem a maior parte das casas despejadas dos seus moveis, quasi todos os cartorios publicos, e particulares parcialmente roubados, o do Escrivão das Sizas, e de um da Correição totalmente destruídos” (1).
Com a chuva, encheu-se rapidamente o lado direito do rio Sizandro “tornando-se pelo lado de Torres Vedras n’um formidavel obstaculo defensivo sobre o flanco esquerdo da citada linha, não lhe restando então em toda ella, desde o Oceano até ao Tejo, mais do que um intervallo de duas leguas e meia, pouco mais ou menos, não fortificado, ao sul do valle de Runa, entre a villa de Torres Vedras e Monte Agraço” (2) .
Entretanto, fustigados pelo mau tempo, as tropas francesas iam-se aproximando lentamente das Linhas, cuja existência desconheciam. “Vinha á frente, comandando a cavalaria de reserva, o general Montbrun, que na manhã de 11, depois de na véspera á tarde ter repelido as últimas fracções do exército anglo-luso, sob o comando de Craufurd (…), mandára reconhecer a estrada em direcção de Vila Franca. O encarregado desta missão, o brigadeiro Pedro Soult, veio imnformá-lo dos fortes entricheiramentos que vira em Alhandra. A exploração feita na direcção do Sobral, Arruda e Zibreira trouxe-lhe notícias análogas, o que levou o aludido general, por sua vez, a informar o comandante chefe, então ainda longe, á rectaguarda, de que tinha na sua frente uma linha contínua de fortes entricheiramentos e estendendo-se até um ponto, para oeste, que não podia ainda precisar.
“Os reconhecimentos continuaram nos dias 12 e 13, ocasionando escaramuças, algumas de certa importância, como a que se travou na vila do Sobral (…)” (3).
No dia 12 de Outubro marchou a vanguarda do exercito francês para Vila Franca de Xira, “tomando lá as posições que julgou convenientes, distribuindo as tropas pela dita villa, por Povos e Castanheira”. O oitavo corpo marchou de Alenquer para o Sobral, apoderando-se desta vila onde, durante a noite, construiu algumas trincheiras para defesa própria, sendo no Sobral que Massena estabeleceu o seu quartel general.
“Para alem de Runa a serra do Barregudo e os fortes que se tinham levantado em Torres Vedras não permittiam ao marechal Massena movimento algum de flanco por aquelle lado, não lhe restando portanto mais que a possibilidade de dispor as suas tropas entre Villa Franca e o Sobral, com a vantagem de que emquanto a testa das suas columas ameaçava as partes mais fracas da linha, podia elle em poucas horas concentrarmtodo o seu exercito no ponto que mais lhe conviesse atacar entre o Tejo e a citada serra do Barregudo. O segundo corpo, continuando a occupar as serras fronteiras da Alhandra, estendia a sua direita até á villa da Arruda, sobre um terreno bastante aberto. Um forte posto de cavallaria, collocado na dita villa, cobria a extremidade da sua direita, ligando-a com o oitavo corpo, cuja frente se achava para diante do Sobral, occupando as menores alturas da citada serra do Barregudo, e guarnecendo tambem as duas margens do rio Sizandro até ás Duas Portas” (sic) “, sobre a estrada de Runa” (4).
É na sequência deste posicionamento que tem lugar, em 13 de Outubro, a chamada “batalha de Dois Portos”.
O combate foi travado entre as tropas de um dos postos avançados das Linhas Torres Vedras, e uma “considerável força inimiga”, que, na tarde do dia 13, avançando sobre o mesmo posto, provocou a batalha. Nela participaram, pela parte aliada, duas companhias do regimento n.ºs 11 e 23 (5). Sabe-se que a posição definida para esses regimentos era, respectivamente, a Portela e a Patameira, entre as posições da Ribaldeira e do Sobral (6).
O registo dessa batalha deve-se à memória anónima de um oficial português que a ela assistiu:
“ Por ordem anterior fomos de madrugada formar para o outro lado da ponte de Dois Portos, a qual, assim como outra que ha do lado direito, estão já minadas para saltarem em caso de necessidade. Sendo já dia claro [13 de Outubro] retirámo-nos para os quarteis. - Pelas duas horas da tarde, tendo-se percebido já que os francezes tentavam algum reconhecimento pelo lado do Sobral, para onde tinhamos as nossas avançadas, principiou-se a ouvir fogo, entre elles e uma avançada ingleza que havia á nossa esquerda: viu-se que um forte corpo de tropas francezas, tomava uma altura junto a um moinho. Eu que tinha sido mandado em observação, dei d’isto parte ao general e ao brigadeiro, e quando elles chegaram era já respeitavel a força inimiga, que se apresentava contra as nossas avançadas. A poucos minutos principiou o fogo com os nossos, pois que os estrangeiros se tinham retirado; e tanto valor mostravam as nossas tropas, que obrigaram os francezes a desistir da tentativa depois de bem destroçados. - Não tive eu a fortuna de tomar parte no calor da acção, porque tinha sido mandado pelo general encaminhar a brigada ao alto da outra parte, pelo caminho que no dia 12 tinha reconhecido para retirada, receiando elle que a isso fossemos depois obrigados. Tivemos a sensivel perda do coronel Harvey commandante da brigada, que na acção ficou ferido, a ponto de lhe ser necessario ir tratar de si com todo o cuidado. Esta perda é geralmente sentida por toda a brigada e mesmo pelos officiaes generaes do exercito. - Á noite tornou o inimigo para as suas antigas guardas; nós não baixámos: fizemos saltar as pontes.” (7).
Ao mesmo acontecimento referiu-se o duque de Wellington nos seguintes termos: “O inimigo atacou hoje [13 de Outbro] os piquetes da divisão do general Cole, ao pé do Sobral, porém não teve muito effeito este seu ataque. Tenho sabido com maior satisfação, que as tropas portuguezas da brigada do coronel Harvey, composta dos regimentos 11 e 23, outra vez se hão distinguido n’esta occasião; o coronel Harvey ha infelizmente ficado ferido, porém espero que o haja sido levemente (...)” (8).
No dia seguinte ainda se registaram alguns recontros esporádicos à volta do Sobral, chegando nesse mesmo dia o grosso do exército francês.
Depressa os franceses se aperceberam da impossibildade de se movimentarem mais para sul, lutando desesperadamente contra a falta de mantimentos.
A situação era descrita por Wellington nos seguintes termos: “As difficuldades que o inimigo experimenta em procurar subsistencias, o que é devido a elle por haver invadido este paiz sem o apoio de depositos, e sem que adoptasse medidas para segurar a sua retaguarda, ou as suas communicações com Hespanha, o tem posto na necessidade de que os seus soldados se extraviem com o fim de procurarem com que se mantenham, e por isto mesmo não passa dia sem que venham desertores e prisioneiros” (9).
Rotos, esfomeados, acossados pela guerrilha, Massena iniciva a 15 de Novembro iniciaram a sua retirada da frente das linhas.

NOTAS:

(1) Manuel Agostinho Madeira Torres, Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras, 2ª edição anotada, 1862, (1º edição em 1819), p. 178.

(2) Simão José da Luz Soriano, Historia da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal- segunda epocha- guerra peninsular, tomo III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1874, pp. 217-218
(3) J.J. Teixeira Botelho, História Popular da Guerra da Península, Porto, 1915, pp. 415-416

(4) Simão José da Luz Soriano, Historia da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal- segunda epocha- guerra peninsular, tomo III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1874, pp. 236 e 237
(5) Claudio de Chaby, Excertos Historicos e Collecção de Documentos relativos á Guerra Denominada da Peninsula (...), Lx. Imprensa Nacional, 1871, vol.III, pp.237-238

(6) Simão José da Luz Soriano, Historia da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal- segunda epocha- guerra peninsular, tomo III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1874, p. 222
(7) do diário de um oficial do exército português, iniciado a 31 de Outubro de 1807 e citado por Claudio de Chaby nos Excertos Historicos e Collecção de Documentos relativos á Guerra Denominada da Peninsula (...), Lx. Imprensa Nacional, 1871, vol.III, pp.245-246

(8) Claudio de Chaby, Excertos Historicos e Collecção de Documentos relativos á Guerra Denominada da Peninsula (...), Lx. Imprensa Nacional, 1871, vol.III, pp.237-238

(9) “officio do marechal general lord Wellington a D. Miguel Pereira Forjaz”, de 20 de Outubro, in Claudio de Chaby, Excerptos Historicos e Collecção de Documentos relativos á Guerra denominada da Peninsula (...), Vol. VI, Lisboa, Imprensa Nacional, 1882, Documento nº74, pp.190 a192.