domingo, 24 de janeiro de 2010

A8 - A "Auto-estrada da Morte"?


O jornal "Público" publicou hoje, no seu suplemento "Cidades" um interessante artigo sobre o estado da A8, a principal via que liga Torres Vedras e a região Oeste a Lisboa.
Pela pertinência desse artigo resovemos inclui-lo na nosa página.
Ainda ontem, ao regressar de Lisboa à noite e debaixo de chuva, pude comprovar mais uma vez os perigos a que essa reportagem se refere.
A visibilidade das faixas é práticamente nula, e o perigo espreita a cada "muro" protector que se aproxima do veículo:

"Os riscos da auto-estrada que colocou uma região no mapa Oeste


Bela e perigosa, a Auto-estrada 8 recebe nota negativa do Observatório de Segurança de Estradas e Cidades devido a violações de normas de construção, que colocam em perigo os automobilistas. Não deixa, porém, de ser uma ligação importante para a economia e a vida de milhares de pessoas e empresas do Oeste. PorLuís Filipe Sebastião(texto) e Daniel Rocha(fotos)


"A Auto-estrada 8 (A8) aproximou o Oeste de Lisboa. Há mesmo quem a prefira como alternativa à A1 para chegar ao Porto. Mas o Observatório de Segurança de Estradas e Cidades (OSEC) avaliou as condições de perigo rodoviário que subsistem nesta ligação entre a capital e Leiria e alerta para a necessidade de serem adoptadas medidas que atenuem o risco de acidentes provocados por hidroplanagem e reduzida visibilidade em curvas mais apertadas.
"Francisco Salpico, coordenador do levantamento realizado pelo OSEC, alerta que a auto-estrada do Oeste "está entre as mais perigosas do país". Este engenheiro, responsável pelo relatório preliminar da peritagem à A8, conclui que se impõe a execução de trabalhos "que reponham as condições de segurança rodoviária", que consistam na correcção do traçado, do pavimento e das ranhuras no piso para drenar com eficácia o excesso de água. E defende que devem ser desencadeadas intervenções urgentes "para modelar a velocidade de tráfego para níveis correctos".
"Instado há mais de uma semana a fornecer dados sobre acidentes na A8, e quais as zonas de maior acumulação de sinistros, o comando-geral da GNR prometeu disponibilizar as informações. Um dia depois, o gabinete de imprensa da força policial fez saber que não podia satisfazer o pedido, encaminhando para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Este organismo, que coordena a política do Governo em matéria de segurança rodoviária, também não respondeu. Como frisava recentemente o ex-ministro Luís Campos e Cunha, sempre que percorre a A8 e tem de pagar como se fosse uma auto-estrada, "gostaria de chamar o gerente, mas não há ninguém para responder, ninguém é responsável".

A caminho do Oeste

"O quilómetro zero da A8 nasce ao fundo da Calçada de Carriche, nos limites dos concelhos de Lisboa e de Odivelas. Os pouco mais de 132 quilómetros até Leiria estão devidamente sinalizados nos pórticos que orientam para o caminho do Oeste.
"Na travessia da várzea de Loures, logo ao quilómetro dois, o anúncio de obras impõe a limitação de circulação para 80 quilómetros por hora, com estreitamento das vias de rodagem. A entrada a partir do Eixo Norte-Sul (através do túnel do Grilo), entupida a qualquer hora do dia, despeja na faixa da A8 uma fila compacta de viaturas ao longo de umas centenas de metros até à saída para Frielas e Santo António dos Cavaleiros. De um lado da estrada, densas urbanizações encavalitam-se em altura nos montes, numa mancha contínua que se espalha desde o concelho de Odivelas. No lado oposto, impõe-se o mastodôntico Loureshopping, um dos muitos centros comerciais plantados em terrenos outrora destinados à agricultura.
"Os trabalhos em curso, a cargo da empresa Auto-estradas do Atlântico, participada pela Brisa e que detém a concessão da A8, fazem parte da empreitada de reabilitação e alargamento do lanço CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa)-Loures, numa extensão de 6,3 quilómetros. O investimento é de 34,1 milhões de euros, deve ficar concluído até ao final do ano.
"No traçado plano e com curvas pouco acentuadas até à saída para Loures e Bucelas, a generalidade dos automobilistas circula dezenas de quilómetros acima da velocidade permitida. Isto, apesar da redução da largura das vias e do mau estado do piso. E de existirem, segundo o tal estudo do OSEC às condições de segurança na A8, diversas zonas de risco de hidroplanagem (aquaplaning), ou seja, zonas de acumulação de água no pavimento, por deficiente escoamento, o que cria condições propícias a despistes.
"Só a aproximação à praça de portagem impõe algum abrandamento. Porém, mesmo aqui, há quem teime em quase colar-se ao carro da frente nos corredores da Via Verde.

As obras de Loures

"As três vias de circulação vão escoando o tráfego até à saída para a A9 (Circular Regional Exterior de Lisboa). Na subida íngreme, muitos sinais das obras de alargamento estão tombados. Presume-se que devido ao mau tempo. Neste lanço entre Loures e a Malveira, a concessionária está a investir 35 milhões de euros no alargamento para três vias (também no sentido norte-sul, onde agora só tem duas vias) ao longo de cerca de dez quilómetros. A empreitada, que deve ficar pronta durante 2010, inclui o aumento de mais uma via para lá da área de serviço de Loures (onde actualmente passa a duas), no sentido sul-norte, até à saída para Ericeira/Mafra/Malveira. A necessidade do alargamento é ditada pelo facto de o tráfego médio diário anual entre Loures e a Malveira já ultrapassar os 35 mil veículos.
"O piso irregular em betão, em notório mau estado, será substituído por uma mistura betuminosa modificada a partir de borracha reciclada de pneus. Esta solução permite reduzir o barulho provocado pela circulação de tráfego - além de aumentar o conforto para os utilizadores e, espera-se, assegurar também melhores condições da drenagem transversal e longitudinal à auto-estrada.
"A este nível, Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, é taxativo: "É urgente acabar rapidamente com o alargamento, porque aquilo é um perigo assim." Barbosa admite utilizar a A8 como alternativa à A1 em deslocações ao Porto - através da ligação à A17 e à A29 "fica a 500 metros da Ponte da Arrábida". Reconhece, contudo, que o traçado inicial, "como foi feito à pressa", não reúne as condições de segurança para uma auto-estrada. No troço entre Loures e Torres Vedras, nota, "há sítios onde para se fazer a 120 [quilómetros por hora] é preciso ter-se cuidado".
"Nesta zona, o estudo do OSEC, organismo não governamental composto por magistrados, técnicos e autoridades de segurança, salienta a violação das normas técnicas relativas à inclinação excessiva da via, com descidas em distâncias muito superiores ao estabelecido. Além disso, há inúmeros pontos de risco de hidroplanagem, incumprimento dos raios para as curvas verticais (lombas) o que reduz "de forma grave" as distâncias de visibilidade e de paragem. Mais problemas detectados por aquele organismo: curvas em planta muito apertadas, geradoras de elevadas acelerações centrífugas, que potenciam a perda de controlo da direcção do veículo.
"Francisco Salpico destaca um caso entre as inúmeras situações de violação: uma curva, pouco antes do quilómetro 19, com um raio de 430 metros, onde a velocidade específica (factor que define até onde estão asseguradas condições mínimas de segurança) é de apenas 97 quilómetros/hora. Este valor é muito inferior à velocidade de tráfego (que se admite ser praticada por 85 por cento dos condutores) e que ronda os 145 quilómetros por hora. Mesmo circulando à velocidade máxima permitida na auto-estrada, o automobilista corre perigo de acidente muito acima do valor limite de segurança do traçado da via.

Torres queixa-se do preço

"Um condutor atento à estrada só de relance pode contemplar a paisagem que se estende desde o cabeço vulcânico de Montachique, ainda no concelho de Loures, até para lá de Torres Vedras. Isto porque a auto-estrada serpenteante possui apenas duas vias até à saída para Sobral de Monte Agraço, o que dificulta a vida a quem queira apreciar o contraste entre as encostas bucólicas pintalgadas com moinhos em ruínas e, do lado contrário, as modernas e gigantescas hélices de ferro das torres eólicas. Mais adiante, ainda se pode aproveitar durante uns quantos quilómetros o alargamento para três vias e deixar para trás os camiões de mercadorias. Isto, se toda a faixa de rodagem não ficar ocupada com pesados a ultrapassarem outros - como acontece frequente. Em Portugal, parece ser assim: quando não é a via que complica, são os condutores que insistem em colocar em risco a sua segurança e a dos outros...
"Em Torres Vedras, que conta com duas saídas (sul e centro), a auto-estrada motiva elogios e críticas. O presidente da câmara, Carlos Miguel (PS), disse ao Cidades, através de um assessor, "que não tem nada a dizer sobre o assunto [A8]". Fica por se saber se o autarca socialista mantém a opinião, expressa num relatório elaborado pela sua própria assembleia municipal e apresentado ao executivo em Março de 2009, de que, "subtraindo questões técnicas como a má qualidade do piso, partes do traçado com curvas demasiado pronunciadas e locais com mau escoamento de águas pluviais, a A8 tem servido muitíssimo bem Torres Vedras e o Oeste".
"Com a auto-estrada, a região ficou a meia hora da distânciade Lisboa, atraiu investimento estrangeiro, traduzido nomeadamente em empreendimentos turísticos.
"O que se passa na A8 é uma vergonha, quer ao nível da qualidade do piso, quer dos preços praticados", contrapõe, em declarações ao Cidades, o vereador Paulo Bento (PSD), da oposição em Torres Vedras. Este autarca apoia-se no relatório de avaliação das portagens para salientar que se trata da "mais cara" do país.
"A comissão da assembleia municipal concluiu que o troço Malveira-Torres Vedras Sul (17,9 km/1,45 euros), comparado com o troço Loures-Malveira (11,4 km/0,75 euros), "tem um valor de portagem substancialmente mais caro". A diferença resulta de contratos de concessão assinados em épocas distintas. Essa foi, aliás, a explicação avançada pelo presidente da Auto-estradas do Atlântico, José Costa Braga. Num ofício remetido à câmara, o responsável sustenta que "os sublanços com mais anos de serviço têm uma tarifa (euro/km) mais baixa, devido a coeficientes de actualização inferiores". O presidente da câmara recorreu da diferença de preços para a associação de defesa do consumidor Deco, mas em Torres desconhece-se o resultado dessa diligência.
"O recente temporal deixou marcas nas áreas de serviço de Torres Vedras. Os ventos dobraram os grossos ferros de uma protecção do parque de estacionamento (sentido norte) e deixaram meio tombada a placa informativa do acesso na direcção sul. A via nesta zona, para o OSCE, apresenta sobretudo deficientes condições de visibilidade, devido a curvas verticais e algumas planas e riscos de hidroplanagem, em diferentes pontos nos dois sentidos. O troço entre a saída para o Bombarral e Óbidos padece dos mesmos problemas. Esta última vila, cujo casario muralhado se avista da auto-estrada, tem sabido tirar partido desta ligação. O presidente da câmara, Telmo Faria (PSD), já lhe chamou mesmo "a coluna vertebral do Oeste".

A sorte das Caldas

"A saída da zona industrial é perigosa." Quem o admite é o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Fernando Costa (PSD), esclarecendo, por seu lado, que se trata de um acesso à A8 que foi projectado inicialmente para servir uma variante à cidade e que acabou por ser transformado em auto-estrada. O social-democrata não poupa nos elogios pelo que a via representa para a região. Os motivos para sorrir também se devem ao facto de os oito quilómetros (sem portagem), com quatro acessos à volta das Caldas, terem retirado "cerca de 60 por cento do trânsito do centro da cidade". E sublinha que a auto-estrada, além de aproximar o concelho de Lisboa e de Santarém, constitui uma alternativa a ter em conta na ligação ao Porto.
"O perfil a partir das Caldas da Rainha torna-se menos acidentado, para benefício do conforto.
"Jorge Barroso, presidente da Câmara da Nazaré, independente eleito pelo PSD, também aprova a infra-estrutura rodoviária, apesar de a vila piscatória não ficar logo à beira da A8. "As auto-estradas são boas para trazer, mas também levam mais facilmente", salienta o autarca numa alusão à necessidade de os municípios saberem tirar partido do dinamismo económico proporcionado pela melhoria das acessibilidades. "Não podemos dizer que não queremos pagar portagens e depois ter a estrada alcatifada. A A8 de hoje não é igual à de anteontem", afirma Jorge Barroso. Tal não o impede de lamentar que os valores praticados no troço após as Caldas da Rainha e a ligação ao seu município sejam dos "mais caros do país". Por isso, defende que, se "o preço fosse igual para todos, o pagamento seria mais justo". Em termos de segurança, o autarca destaca que "o traçado é bastante melhor", apesar dos riscos acrescidos de hidroplanagem na zona de Alfeizerão. Problema que também é assinalado pelo estudo do OSEC.
"A ligação à Marinha Grande é garantida através da A17, a via que depois permite continuar pela A29 até ao Porto. O socialista Raul Castro, presidente da Câmara de Leiria, onde termina a A8, realça que a via proporciona um "acesso mais rápido ao litoral do Oeste". O autarca da cidade do Lis salienta que esta acessibilidade tem sido um dos principais motores para a produtividade industrial da cidade, uma vez que "facilita muito a vida das empresas". Em termos de segurança, Raul Castro chama a atenção para "alguns pontos de maior acumulação de água", que aumentam o risco de acidentes provocados por aquaplaning, mas garante que "a própria concessionária tem mostrado preocupação em melhorar o pavimento e resolver estes problemas".

Observatório quer rever normas

Concessionária garante que o alargamento vai tornar a A8 "mais amigável"

"A segurança rodoviária, para Nuno Salpico, presidente do Observatório de Segurança de Estradas e Cidades, "é sobretudo um problema de engenharia de transportes". O responsável deste organismo não governamental, criado em 2004, salienta sobre a A8 que, "na construção rodoviária em Portugal, com demasiada frequência a segurança é escandalosamente descurada".
"O relatório do OSEC defende a revisão da Norma de Traçado portuguesa, como aconselha o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, de forma a estimar correctamente a velocidade de tráfego, para evitar que se permita, "ilicitamente, a construção de estradas mais baratas à custa da insegurança". Nuno Salpico (na foto) sublinha que o levantamento efectuado na A8 detectou "elevados factores de risco proibido a que se sujeitam os condutores", perante uma "gama de violações técnicas muito graves" do traçado. As curvas de raio reduzido (dos 430 aos 600 metros), que deviam ultrapassar os mil metros, associadas à perda de atrito com pavimento molhado, "potenciam o despiste", para além de a introdução de diferenças de velocidade aumentarem o risco de colisões - o que acontece também na violação das normas para as lombas. O OSEC recomenda, por isso, a correcção dos defeitos estruturais da via e "medidas de redução da velocidade de tráfego nos locais mais perigosos" onde não seja possível avançar já com obras.
"A Auto-estradas do Atlântico explicou que a A8 foi construída em diversas épocas e que todos os projectos "tiveram de ser previamente aprovados pelas entidades fiscalizadoras". A empresa garante que o troço inicial, Loures-Torres Vedras, "cumpre todas as normas aplicáveis em termos de perfil exigido para as auto-estradas". O traçado resulta da orografia e as obras em curso entre Loures e a Venda do Pinheiro "irão nalguns casos corrigir o eixo da auto-estrada". No entanto, segundo a empresa, "essas correcções serão praticamente imperceptíveis aos condutores" e com o alargamento, apesar de condicionado pelo atravessamento de zonas urbanas, o traçado "parecerá mais amigável". Os sublanços com maior número de utilizadores situam-se na proximidade de Lisboa". L.F.S.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

THE FOX - A estreia de um grupo de musica rock de Torres Vedras


Os The Fox é um projecto de musica rock que se tem faz uma brilhante fusão entre o uso das novas tecnologias e o trabalho quase artesanal.
Além disso é um grupo de Torres Vedras, onde este tipo de projectos tem sido raro.

Este Natal fui surpreendido pela oferta que me foi feita por um dos membros desse grupo, amigo de longa data, e sempre ligado ao mundo da divulgação e produção musical, o Mário Fernandes (aliás “Neco” para os amigos), via Ana Isa, do primeiro CD dos The Fox.
Esse CD foi produzido pelo Tiago Gomes e remisturado em Londres. Além disso é uma pequena obra de arte, com cartões individuais, onde se reproduzem as letras do grupo, graficamente elaborados pela Catarina Sobreiro.

Conforme noticiam agora, é já amanhã, Sábado à noite, dia 16 de Janeiro, pelas 22 horas, que o grupo se revela ao público, na Tuna de Torres:
 “The Fox em parceria com a Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras têm o prazer de vos convidar para um momento muito especial: O lançamento do primeiro álbum da banda, "Hunting Grounds".
“O nosso desejo agora é fazer uma grande festa com todos os nossos amigos! Temos rock'n'roll, temos convidados especiais e temos uma grande vontade de fazer desta noite uma noite inesquecível para todos nós”.
Quem quiser conhecer melhor o grupo pode consultar o seu espaço de divulgação no Myspace AQUI.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mais uma "CHEIA GRANDE"



Depois do tremor de terra, do ciclone, do frio, hoje foi dia de chuva.

A estrada de Torres Vedras a Santa Cruz tem estado encerrada em vários troços por causa do Rio Sizandro que saltou das margens em muitos sítios.
Nesta fotografia, tirada esta tarde do Varatojo, pode-se ver o efeito das cheias junto ao lugar do Paúl, fazendo assim jus ao seu nome.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UM FIM-DE-SEMANA CULTURAL EM TORRES VEDRAS

Este vai ser um fim-de-semana em cheio em Torres Vedras, no que respeita a eventos culturais.

Assim logo à noite a dificuldade vai ser de escolha.

Quando foram 21.30, nesta sexta-feira 8 de Janeiro, a dificuldade vai ser escolher entre a apresentação pública do GRUPO CORAL GAUDEMIS, que terá lugar na Igreja da Misericórdia para um concerto com “Canções Tradicionais de Natal e Janeiras” e a primeira sessão de “Imagens em Discussão”- CINEFORUM, organizado na sede do Académico de Torres Vedras (Largo frei Eugénio Trigueiros nº 7), que inclui “uma sessão, um tema, um filme”.


Amanhã, Sábado dia 9, a escolha volta a ser difícil, com a inauguração em simultâneo e em locais próximos, pelas 18 horas, de duas exposições, uma, “DIÁRIOS GRÁFICOS, DESENHOS EM CADERNOS”, na Galeria Municipal dos Paços do Concelho, comissariada por Eduardo Salavisa e Carlos Mendes, outra, uma exposição de pintura e Design de EVA GATO MOURA GUEDES e INÊS GATO, na Cooperativa de Comunicação e Cultura.



Finalmente, Domingo dia 10 decorrerá o já tradicional concerto de ano novo organizada pelo ENSEMBLE D’ARCOS, com vários convidados, destacando-se a Camarata du Rhone, que terá lugar no Teatro-Cine de Torres Vedras a partir das 18 horas.



É caso para dizer que não há fome que não dê em fartura.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um "Postal" Para Desejar Um BOM ANO NOVO

Com esta imagem, do Largo de S. Pedro, da autoria de Eduardo Salavisa, publicada no seu blog "Desenhador do Quotidiano", nos despedimos de 2009, desejando a todos um BOM ANO NOVO de 2010.
(Segundo o próprio autor, vai ser inaugurada no dia 9 de Janeiro em Torres Vedras uma exposição desse artista).



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA PARA O TEMPORAL DO DIA 23


O Instituto de Meteorologia divulgou hoje a descrição científica daquilo que se passou em Torres Vedras e na região Oeste no passado dia 23:

“Na madrugada do dia 23 de Dezembro de 2009, a região do Oeste de Portugal Continental foi atravessada por uma depressão muito cavada, tendo sido registado um valor mínimo da pressão ao nível médio do mar de 969.4 hPa às 04:20 horas locais na estação do Cabo Carvoeiro.


De acordo com uma análise preliminar, no presente episódio e considerando a rede de estações do IM (cuja distância média entre estações é inferior a 30 km), verificou-se que foi também na mesma estação que se registaram os valores mais elevados da intensidade do vento. Em particular, o vento médio atingiu cerca de 90 km/h às 4:40 e a rajada 140 km/h às 4:50 de dia 23.

O cavamento da depressão, ou seja, a diminuição da pressão no seu centro, foi muito acentuado, em particular no momento da passagem sobre o território. Uma análise preliminar permite estimar um cavamento de cerca de 20 hPa num período de 24 horas, o que à latitude de Portugal Continental permite classificar este evento como um episódio extremo.

As observações efectuadas pelo sistema de radar Doppler de Coruche permitiram identificar e seguir o referido núcleo depressionário, à aproximação e passagem pela referida região. Na animação do produto MAXZ (ver Enciclopédia METEO.PT/Observação Remota/Radar) o núcleo depressionário começa a ser identificado pelas 3:10 UTC ainda sobre o mar, a sudoeste do Cabo Carvoeiro; pelas 4:20 UTC, no seu deslocamento para nordeste, o núcleo da depressão encontra-se já sobre o mesmo cabo, à hora a que foi observado na referida estação o valor mínimo de pressão atmosférica. Ao prosseguir o seu movimento para nordeste, para o interior do território, o núcleo depressionário foi enchendo (aumentando a presão no seu centro) e os ventos associados diminuíndo de intensidade.

O presente episódio é semelhante a outros que ocorreram em Portugal Continental no passado, como são exemplos os temporais de 5 a 6 de Novembro de 1997 no Alentejo e de 6 a 7 de Dezembro de 2000 no litoral Norte e Centro.

É importante clarificar que este fenómeno não se enquadra na classe de ciclones tropicais, cuja natureza é distinta da do fenómeno actual. Por exemplo, é de notar, que um ciclone tropical de categoria 1 apresenta vento médio superior a cerca de 120 km/h, valor que não foi registado em nenhuma das estações da rede do IM.”


ORDENS DO DIA DE BERESFORD


VER NO NOSSO BLOGUE PEDRAS ROLANTES MAIS UM RESUMO DAS ORDENS DO DIA DE BERESFORD, REFERENTES A DEZEMBRO DE 1809

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

22 de Dezembro de 1846 - O dia da Batalha de Torres Vedras


“Batalha de Torres Vedros(sic)” Reprodução de uma estampa existente no Arquivo Municipal de Torres Vedras. Sabemos existir uma gravura igual na Biblioteca Nacinal de Lisboa. Desconhecemos qual delas é a original. Note-se a figura da rainha, as cabras (os “cabralistas”) e a figura por elas transportada numa maca (Mouzinho?).“Quando a rainha soube da morte e aprisionamento dos bravos, saiu às janelas do palácio e como uma bacante gritou para a sua guarda: “Vitória! Vitória !Vitória” (Espectro, citado por Oliveira Martins).




Há 163 anos, no dia 22 de Dezembro de 1846 teve lugar a chamada “Batalha de Torres Vedras”, um dos episódios mais dramáticos da Patuleia.

Recordamo-la aqui através de uma descrição feita por alguém que assistiu àquele acontecimento e que o registou por escrito apenas uma semana depois, em jeito de rascunho, daí o mau português do texto.
O seu autor é anónimo, mas a comparação da grafia do mesmo com outros documentos da época assinados por José Eduardo César leva-nos a atribuir a sua autoria a este ilustre torriense do século passado.
Aliás, quem ler a descrição daquele acontecimento na obra histórica de Madeira Torres, anotada pelo mesmo J.E.César, poderá, ao ler a nota (a) da página 76, encontrar algumas similitudes entre o conteúdo da mesma e o documento que vamos transcrever.
Para um melhor enquadramento histórico da Batalha de Torres Vedras recomendamos a leitura do artigo de José Travanca Rodrigues "A restauração do cartismo.Os dramas da Maria da Fonte e da Patuleia" publicado na monografia TORRES VEDRAS - Passado e Presente, páginas 216 a 224, que inclui igualmente uma reprodução fotográfica do documento que vamos transcrever.
Podem também consultar um trabalho da minha autoria sobre o mesmo assunto, publicado pela Revista Militar em 2006, consultável na net AQUI.


"No dia 22 de Dezembro de 1846 - Se deu em Torres Vedras huma renhida e sanguinolenta Batalha entre Portugueses (!!!!!!) de diferentes partidos (todos constitucionais) huns do partido chamado Setembrista, ou popular comandados pelo Conde de Bonfim, e os outros chamados Cartistas, ou Cabralistas, ou da Rainha, comandados pelo Marechal Saldanha, ficando este vencedor, com a perda total da Divisão do Conde de Bomfim, q no fim da tarde se meteu com os restos da tropa no castello, onde esteve athe ao dia seguinte (23) em que se entregou prizioneiro de guerra, com esses restos ditos. O conde de Bonfim tinha chegado no Sabado -19- a Torres Vedras, com a sua Devisão q dizião ser huns cento e quarenta cavallos; na infantaria entravão alguas guerrilhas -batalhões organisados do povo, q, no meu parecer, pouco valião, mas trazia então alguns batalhões de linha m.to bons. No Domingo (20) descançou na villa, e acabou de chegar o resto da sua força. Na 2º feira (Dia de S.Thome) logo se conheceu q elle sentia o inimigo perto porq principiou a tomar posições no castello, forte de S.Vicente, forte da Forca, S.João e a colocar a peça e o obuz em posição, tomando m.tas disposições. Na terça feira -22- amanheceu m.to chuvoso tendo chovido toda a Noite de sorte q o rio Cizandro estava cheio e em algumas partes a deitar fora, não deichando com tudo a chuva, q era hum nevoeiro molhado m.to cerrado, a ver cousa algua, de modo q a vinte passos já se não conhecia hum indeviduo.

"Serião onze horas, pouco antes, entrei a sentir alguns tiros dispersos, pª o lado do Forte de S. Vicente e Amiaes, fui colocar me em St. António, ponto de onde podia ver tudo m.to bem, e sem o menor perigo; porem o nevoeiro fechado e molhado não deichava ver cousa algua, ouvido-se comtudo destinctamente as cornetas e os seus toques de avançar de fogo por filas, e as vozes dos officiaes e hum fogo exasperado e conheci q o exercito do Saldanha tinha tomado o Forte de S.Vicente, por vivas á Carta e outras vozes, isto seria meio dia, o q logo sube por gente q chegou da villa, continuamdo a sentir-se m.to fogo, mesmo de artelharia pª o outro lado da villa, parecendo pª o Forte da Forca, Sarges, Fontainhas, e naquella direcção.E vim jantar algua cousa e antes das tres horas voltei pª sima, continuando sempre o fogo vivissimo, e o nevoeiro q nada deichava ver, sendo só por tres horas e meia, q o nevoeiro principiou a abrir, e a deichar ver o campo da peleija, q se extendia por todas as iminencias, principiando pouco depois a ver se q se aproximavão das pontes, e avançavão, pª a villa debaicho de hum fogo q horrorijava, vendo-se destinctamente cahir cavallos, e cavaleiros, e choverem as ballas em todas as direcções, e assim aturou athe noite fechada, ficando eu e os mais que estavamos, na incerteza de que lado ficou o vencimento, supondo mesmo q o Saldanha sim tinha tomado S.Vicente, e os Fortes, e posições à direita do Cizandro, mas q a vila, e toda a esquerda do rio estava ainda occupada pelo Bomfim, com o Castello, o q não admira, porq d'essa mesma opinião estavão, como depois se soube, os mesmos moradores da maior parte da villa, e as mesmas tropas do Saldanha, e talvez ali mesmo, foi necessario mandarem-nas chamar, dizendo-lhe q a vila ou parte d'ella, estava tomada, q podião vir, da sorte q estiverão a entrar toda a noite, noite de horroroza recordação pª os moradores da villa, todas as portas erão arrombadas indestinctamente, todas as cazas roubadas; o saque não foi positivamente mandado, mas foi m.to de proposito convertido. tropa mais indesciplinada, mais ladrões, nunca em epoca algua aqui aparecerão, tendo nós já aqui visto Francezes, Inglezes, Hespanhoes e em m.to maior numero, e nem se podem disculpar com a Batalha, porq antes d'ella, e depois, na marcha pª sima, na volta pª baicho, sempre ladroes desaforados tudo lhe servia!!! Em abono da verdade, porq esta he quem sempre nos derige, o Saldanha conduzio-se na sua victoria com moderação, tratou com moderação os prezioneiros, a maior parte consta terem fugido, e todos deverão ter feito, porq, ao menos os officiaes, consta terem sido em Lisboa m.to mal tratados, alguns, os principaes, athe dizem terem sido mandados pª Angola.

"O Forte da Forca nunca se rendeu, foi de noite abandonado, quando souberão q'a villa estava occupada pelo Saldanha, e a Acção perdida. A artilharia do Saldanha esteve colocada, no dia da acção, na Sera da Almofalla, d'onde deitou hum sem numero de projecteis sobre a villa, principalmente bombas, e foguetes de Conggreave, d'estes mais de 60 - com tanta felecidade pª a villa q poucos, ou nenhuns estragos produsirão, como se os não deitassem.No dia 23 vierão colocar 4 bocas de fogo em o moinho por sima do nicho de Stº Antonio de Varatojo, pª ameaçarem os do Castello pª se renderem mas não chegarão a fazer fogo. A artilharia do Bomfim, pouca, apenas 2 bocas de 6 fogos, causou terriveis estragos na devisão do Saldanha, por mais bem colocado, e optimamente deregida (pelo Mouzinho)
Mouzinho de Albuquerque, falecido nesta mesma Batalha
. A perda do Saldanha foi m.to grande em mortos e feridos.A batalha so foi perdida, por culpa do general, faltou-lhe a presença de esppirito e sangue frio indispensaveis; os soldados, quse sós, abandonados baterão-se athe à noite como leões, o Bonfim no meio da tarde os abandonou, indo meter-se no Castello, e dizem q athé em hum confessionario = estamos perdidos,estamos perdidos - sem dar mais providencias alguas, nem se lembrar do artº 5º dos da guerra.Com soldados taes como elle tinha, ainda q em m.to menor numero, e com taes posições, e o rio cheio, a deitar por fora, como estava naquelle dia, he opinião de todos q prezenciarão a acção, q nunca a perderia; o ir-se meter no Castello, onde nada tinha, nem pão, nem agoa, podendo athe ainda dali sahir de noite, ou ao menos a Cavallaria, pª o lado da ponte do Alpilhão, em direitura a Varatojo, lado q lhe ficou todo aberto athe ao dia seguinte, tanto q os moradores da villa q estavão proximos á porta do Castello, e de todo o lado dito só no seguinte dia he q souberão q o outro lado da villa estava occupado pelo Saldanha."
....
"Lavrei estes apontamentos no dia 29 de Dezbº de 1846 - com tenção de continuar, addicionar-lhe factos q depois se forão sabendo, e apurando, passado depois tudo pª limpo; corregido, e melhor organisado, porem não tive occasião pª isso - ".


sábado, 19 de dezembro de 2009

Visita Presidencial às Instalações da APECI em Runa

Ontem, sexta-feira 18 de Dezembro, as instalações da APECI  em Runa receberam a visita do Sr.Presidente Cavaco Silva.
Publicamos aqui algumas das fotografias dessa visita, seleccionadas de um conjunto de trinta fotografias divulgadas no site da Presidência da República.






























sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Aclamação de D. João IV em Torres Vedras

No adro da Igreja de Stª Maria foi aclamado D. João IV, no dia 18 de Dezembro de 1640


Após ser aclamado como rei, com o título de D. João IV, o 8º duque de Bragança chegava a Lisboa no dia 6 de Dezembro de 1640.

Uma das primeiras tarefas do seu reinado foi enviar uma ordem a todas as sedes de concelho no sentido de ser proclamado nas respectivas terras.
A carta enviada para Torres Vedras data do dia 10 de Dezembro e encontra-se registada no “Livro de Registos da Câmara Municipal de Torres Vedras” nº5, folhas 51 verso e 52.
Nela, dirigindo-se ao juiz, vereadores e procurador do concelho “da Villa de torres uedras” e referindo ter “por serto q em Conformidade do que esta sidade de Lisboa comesou me auereis chamado e leuantado por uosso Rey e senhor natural”, ordenando que fosse aclamado “na forma custumada”.

A solenidade da aclamação teve lugar no dia 18 de Dezembro de 1640, existindo um relato da mesma no mesmo livro de registos .
O teor desse relato é bastante interessante e mereceu a atenção de Rogério de Figueiroa Rêgo que a publicou (“Reflexos da Restauração na Vila de Tôrres Vedras”, in Revista dos Centenários, Outubro de 1940, pp. 23 a 26), sendo essa leitura que, pelo seu interesse, aqui transcrevemos:

“E pêra se dar comprimento a ditta cartta na forma q sua mg.de manda na carta asima seordenou nesta villa q em dozoito deste mês de desembro de 1640 se fisece hua prosição em a qual se aiuntou o clero desta villa e a nobreza della a q o juis euereadores madaraõ uir os juises das uintenas deste termo e assim iunto todo o ditto pouo em a igreia de nosa snorª do castello e adro della sendo ahi também hua companhia de arcabuzeiros de ordenamsa desta villa em q foy por capittaõ bertolameu anriques e Joaõ machado por alferes com a bamdeira na maõ chegou a porta prinsipal da dita igreia aomde estauaõ iuntos os uereadores frescisco do rego goriaõ uereador mais uellho q seruia de juis pella ordenasaõ Belchior homem de carvalhossa Bartolomeu bareiros baracho e fr.co Botelho machado escriuaõ da câmara semdo também presente o doutor Miguel pinheiro de brito corregedor desta comarca o ditto Juis tomou a ditta bamdeira da maõ do alferes e a vista do ditto pouo se apelidou a elRey Dom Joaõ o quarto o ditto Juis que disse as palauras seguimtes
“Nobres e caualeiros desta villa de torres uedras e omrado pouo della sabei que temos Rey português por mercê de Deos chamado Dom Joaõ o quarto deste nome aclamaiio todos comiguo por uosso Rey e senhor dizendo
“Viua, Viua, Viua
“Nobres e caualeiros e omRado pouo desta Villa de ttores uedras Prometeis de defemder esta bamdeira del Rey dom Joaõ o quarto com uosas pessoas e as de uossos filhos e com uosas fasemdas, Prometemos.
“Real Real por el Rey de portugal Dom Joaõ o quarto
“e todos diraõ o mesmo e semdo assim aclamado o ditto Rey e senhor de todo o pouo q presente estaua en uos alta sahio da ditta igreiia hua solene prosição cõ os folgares q a terá deu de sim e acbouse a ditta prosiçaõ em mosteiro de nosa snorº da grasa desta villa aonde se dise misa camtada e pregaçaõ.”

O “entusiasmo” dos poderosos e do povo de Torres Vedras em relação à aclamação de D. João IV não nos pode fazer esquecer que o domínio filipino tinha sido bem aceite pelas famílias poderosas da região, com os Alarcões à frente, apesar de alguma resistência popular, bem patente na revolta do "Rei da Ericeira" em 1585, que comandou uma malograda guerrilha, de algumas centenas de camponeses da região, tendo acabado na forca, quando era "juiz de fora" de Torres Vedras o conhecido poeta André Falcão de Resende, amigo e contemporâneo de Luís de Camões, cargo para o qual tinha sido nomeado ainda no tempo de D. Sebastião, e no qual se manteve até cerca de 1586.
Durante o domínio filipino Torres Vedras tinha adquirido uma considerável importância política e económica, patente no prestígio dos Alarcões junto da coroa espanhola mesmo após a restauração.
De facto, só sob domínio filpino, em 1617, é que entrou em vigor a decisão de D. João III, de 18 de Julho de 1533, de tornar Torres Vedras cabeça de comarca .
A influência das poderosas famílias do concelho, fiéis apoiantes do domínio filipino, não terá sido estranha ao desbloqueamento daquela decisão que tinha a oposição de Alenquer, até então sede da comarca onde se incluía Torres Vedras.
Também em termos económicos, durante o período filipino a produção vinícola terá igualmente conhecido grande expansão, situação que pode justificar o facto de ter sido Torres Vedras uma das comarcas que mais contribuiu, pelo menos entre 1628 e 1633, para a organização da "Companhia Portuguesa das Índias".

Mas esta é outra “história”.

A Região de Torres Vedras e os Sismos Históricos


(Fontes: Expresso on-line)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

D. Manuel Clemente recebe o Prémio Pessoa de 2009.


Após vários dias reunido no Palácio de Seteais, em Sintra, o júri do prestigiado Prémio Pessoa decidiu atribui-lo este ano a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, natural de Torres Vedras.



"Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", declarou o júri do prémio, presidido por Francisco Pinto Balsemão, acrescentando que a “sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, do combate à exclusão e da intervenção social da Igreja”.


O Prémio distingue a intervenção "na vida cultural e científica do país" já tendo distinguido o historiador José Mattoso (primeira edição, em1987), a pianista Maria João Pires (1989), o escritor José Cardoso Pires (1997), o arquitecto Souto Moura (1998), o investigador Sobrinho Simões (2002) e o constitucionalista Gomes Canotilho (2003).


Em 22 anos de História desse Prémio é a primeira vez que ele é atribuído a um membro da Igreja Portuguesa.


Para quem, como o autor destas linhas e muitos outros torrienses, conhece o percurso humano, intelectual e religioso de D. Manuel Clemente não se surpreende com a justiça da atribuição desse prémio.


D. Manuel Clemente está muito ligado a Torres Vedras, não apenas porque aqui nasceu no dia 16 de Julho de 1948, mas porque sempre revelou um apreço muito grande pelos habitantes deste concelho.


Uma faceta talvez menos conhecida por parte de quem apenas o conhece da vida pastoral é a sua importante obra historiográfica, tendo marcado uma ruptura na historiografia regional torriense com o seu estudo, que foi a sua tese de licenciatura em História na Faculdade de Letras de Lisboa em 1974, intitulado “Torres Vedras e o seu termo no primeiro quartel do século XIV”.


Tendo posteriormente publicado muitas outras obras fundamentais e inovadoras para a História da Igreja em Portugal, continuou sempre, com regularidade, a publicar ou a conferenciar sobre a história local de Torres Vedras.


Deste seu trabalho de investigação sobre história local resultou a edição da obra “História e Religião em Torres Vedras” editada pela Grifo em 2004, onde se reúnem esse seu trabalho de três décadas.


A sua humildade e o seu amor pela terra natal levaram-no a oferecer os lucros com a venda desta obra para ajudar ao restauro da Igreja da Graça, “grande e belo símbolo, plástico e pastoral, da tradição cristã da cidade e seu concelho”.


Para quem o não o conhece e fique surpreendido com o Prémio que agora lhe foi atribuído, posso garantir que D. Manuel Clemente ainda nos vais surpreender mais vezes.


Para o amigo Manuel Clemente um abraço de felicitações.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Documentos Para a História de Torres Vedras - Cadeira de braçoa do Varatojo


Apresentamos hoje o documento/relatório publicado pelo Museu de Arte Antiga de Lisboa
 sobre a célebre "Cadeira de Braços" que pertenceu ao Convento do Varatojo, e que se encontra actualmente nas instalações desse museu:


"CADEIRA DE BRAÇOS

Cadeira de braços (Estadela)
Portugal, 2ª metade do séculoXV
Carvalho
A 180 x L 68 x P 52,5 cm

Convento do Varatojo, 1913
MNAA inv. 51 Mov

Piso 1, sala 36
__________

"Cadeira de estado, ou estadela, que terá sido usada por D. Afonso V (1438-81) quando se recolhia no Convento do Varatojo que fundou em 1470.
É uma peça de grande raridade, não só por ser sobrevivente de uma época em que os móveis eram escassos, como pela carga simbólica que a sua proveniência comporta.
A rigidez ortogonal da construção é compensada pela delicadeza da decoração entalhada, que estruturada no arco ogival remete para a arquitectura gótica.
Este tipo de móvel de assento é, ainda, frequentemente revestido de ricos têxteis, por vezes formando dossel, reforçando pela cor e brilho do ouro o seu aparato e distinção".
_________

"Esta cadeira, proveniente do convento franciscano de Santo António do Varatojo (Torres Vedras), fundado em 1470 pelo rei D. Afonso V (1438-1481), constitui-se como um dos mais antigos espécimes de mobiliário nacional.
Vários testemunhos associam este móvel ao monarca português. De facto, nos textos dos cronistas da Ordem, a alusão à existência no convento da cadeira de D. Afonso V é recorrente e a sua conservação por sucessivas gerações de frades deverá ser entendida como preservação da fundação régia do convento, pois mais do que um simples objecto pessoal, a “cadeira de estado” revestia-se de uma forte carga simbólica associada ao poder real.
A análise estilística e formal do exemplar permite enquadrar a execução deste móvel de assento na produção europeia do final do século XV. Uma observação atenta de peças congéneres e, sobretudo, a análise de testemunhos visuais de interiores norte europeus que nos são dados quer pela pintura, quer pela iluminura de produção francesa e flamenga, permite constatar estarmos perante um modelo em tudo semelhante. Assim, há que questionar a sua eventual produção em território nacional, eventualmente por artífices estrangeiros, ou a sua produção além-Pirinéus, o que só poderá vir a ser comprovado por documentos.
Diversos desenhos e fotografias antigos da cadeira permitem recuperar as diversas intervenções de restauro do móvel desde a época em que ainda se conservava no convento até à intervenção levada a cabo pelo Conselho de Arte e Arqueologia, antes da sua definitiva incorporação no Museu Nacional de Arte Antiga, em 1913. Em 1977, nova intervenção rectificou esse restauro, eliminando o que então lhe fora acrescentado de acordo com um critério revivalista, responsável pela introdução de elementos não originais".

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A "Praça"




Inaugurado em 1931, o mercado municipal foi reportório de recordações de várias gerações de torrienses.
Deitado recentemente abaixo esse edifício, no seu lugar vai nascer um novo e moderno edifício para abrigar o novo mercado, prevendo-se a inauguração do seu estacionamento para o próximo dia 27.
Entretanto, e segundo a notícia do "Badaladas" abaixo transcrito, a vida do antigo mercado pode voltar a ser recordada, apartir de hoje à noite, numa exposição da Cooperativa de Comunicação e Cultura:

"Exposição sobre “A Praça”


"A propósito do Mercado Municipal, vulgarmente conhecido como Praça, Badaladas pôde apurar que a partir de hoje, dia 20, e até ao próximo dia 2 de Janeiro vai estar patente, na Galeria Municipal de Torres Vedras (piso 0), na Galeria Dois Paços e nas instalações da Cooperativa de Comunicação e Cultura e da associação Transforma uma exposição colectiva de fotografia intitulada “A Praça”. A mostra tem a sua génese num convite formulado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura a um grupo de fotógrafos para que estes registassem momentos, rotinas, gentes e espaços do antigo Mercado Municipal de Torres Vedras, que já foi demolido.
Desse trabalho surgiram imagens de singular valor documental e artístico que serão apresentadas da cidade poucos meses antes da abertura do novo Mercado Municipal, que está a ser construído no espaço do antigo.
Os fotógrafos que participam na mostra são: Ana Bastos, Aguinaldo Vera Cruz, Maria João Arcanjo, Luís Farrolas, Jorge Carocinho, Nuno Moura, João Paulo Barrinha, Fernando Correia, Rita Mourão, Manuel Luís Cochofel, Nanã Sousa Dias, Ricardo Barata Salgueiro, Venerando Matos e Rodrigo Ferreira.
A inauguração da exposição “A Praça” está marcada para as 21h30".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ainda o Terramoto de 1755 e os seus efeitos em Torres Vedras



(Fonte não identificada)

O meu amigo João Flores Cunha enviou-me recentemente um interessantíssimo documento sobre os efeitos do Terramoto de 1755 em Torres Vedras.

Trata-se de uma informação por ele recolhida do livro de registo de óbitos nº 2 da Paróquia de Santa Maria do Castelo, de Torres Vedras, e que ele me autorizou a divulgar.
Nele pode ler-se:

"Ao primeiro dia do mês de Novembro de 1755 faleceu nesta vila e freguesia na rua da Cruz um menino por nome Manuel filho de Francisco Moreira e de sua mulher Maria Teresa, o qual faleceu no terramoto grande, que neste dia houve e por eleição de seu pai a quem competia eleger-lhe sepultura, por esta igreja ficar ameaçando ruína foi sepultado no cemitério da Misericórdia desta vila. De que fiz este assento por comissão ut supra.
o padre António Ribeiro".

Esta é a primeira confirmação da existência de mortos em Torres Vedras, já que nas memórias paroquiais de 1758 o não referiam.
Desejamos ao João Flores da Cunha um bom trabalho, que sabemos estar a fazer, de forma quase anónima, recolhendo informações em fontes primárias referentes a Torres Vedras, muitas delas inéditas.