De forma simbólica, comemora-se este ano o centenário da “invenção” do moderno Carnaval de Torres, uma “tradição inventada” e, com tal, necessitando de uma data de “inauguração”, sendo geralmente pacífico datar essa fundação no primeiro desfile com um rei e uma corte de Carnaval, o que aconteceu em 1923.
Claro que essa opção merece
algum cuidado e até algumas vozes divergentes.
A minha opinião sobre esse
centenário foi por mim publicada nas páginas do jornal “Badaladas”, na minha
secção mensal “Vedrografias”, em 20 de Janeiro último, e que reproduzimos em
baixo.
Esse texto mereceu um simpático reparo,
por parte do meu amigo André, responsável pelo site “Torres Vedras Antiga”, que
nas páginas dessa publicação tem vindo a fazer um excelente trabalho de divulgação
sobre a História e os problemas de Torres Vedras, discordando da minha
abordagem e da própria idéia de centenário, apresentando argumentos pertinentes
e bem documentados, mas que não alteram a minha opinião sobre o assunto.
Trocámos alguns mail esgrimindo
os nossos argumentos, em tom cordial, debate que me parece de todo o interesse
trazer a público, para que cada um possa tirara as suas conclusões sobre o
tema.
Com a autorização do amigo
André, da página “Torres Vedras Antiga”, aqui publico o meu artigo, que esteve
na base do debate, e a troca de argumentos entre mim e o responsável por aquela
página.
Tenho por objectivo que a publicação
desse debate permita que cada um tire as
suas conclusões sobre o tema.
Venerando Aspra de Matos:
1 -
Vedrografias in “Badaladas” de 20 de Janeiro de 2023
Carnaval de Torres –… que
centenário?
O ano que agora se inicia vai
ser marcado pelas comemorações do centenário do Carnaval de Torres Vedras.
A data foi escolhida tendo
como critério o primeiro Carnaval que se realizou, com a coroação do primeiro
“rei” do Carnaval de Torres, que teve lugar em 1923, facto que unificou ao
longo do século, as várias fases pelas quais passou o carnaval torriense.
Nos últimos cem anos sempre
foi pacifico e assumido considerar-se aquela data como a data fundadora do
moderno e urbano Carnaval de Torres, e foi ela que serviu para as comemorações
do cinquentenário e do 75º aniversário.
Contudo, recentemente tem
surgido alguma polémica, questionando essa opção, argumentando-se que o
Carnaval se festeja em Torre Vedras desde longa data, apontando a sua
“fundação” em 1574, data do primeiro documento registando uma tradicional
brincadeira de carnaval, realizada por crianças, nas ruas da então vila.
Obviamente que o “carnaval” ou
“entrudo” (outra polémica …mas não vamos por aí!) já se “festejava” desde
tempos imemoriais, em Torres Vedras e por todo o “reino”, e até um pouco por
toda a Europa cristã, desde, pelo menos, a Idade Média, isto para não recuar às
festas romanas ou pré-romanas que assinalavam o fim do Inverno e o início da
Primavera, ligadas a primordiais culto agrícolas e que estiveram na origem das
comemorações do entrudo, apropriadas e “organizadas” pelo cristianismo.
Ou seja, aquela data naquele
documento não marca o início de nada, é apenas o mais antigo documento
conhecido, relatando a existência de uma tradição do entrudo neste concelho,
igual a tantas outras realizadas pelo reino e pela Europa cristã de então (1).
Outros evidenciam o facto de o
Carnaval já se comemorar em Torres no século XIX, como se prova pela leitura de
correspondências locais e jornais locais.
Só que, mais uma vez, estamos
a falar de “outro” Carnaval, que se dividia, praticamente sem se “comunicar”,
entre o Carnaval burguês nos salões das colectividades locais, o carnaval de
rua, mal visto, “sensaborão” e “sem graça”, para usar as palavras frequentes da
imprensa local quando a este se referem, e o carnaval rural, menos referido,
mas que se assemelhava muito ao tradicional de origem medieval, palco da
intervenção das autoridades locais que se insurgiam, em especial, contra as
tradicionais “pulhas” (2).
Em 1904 o jornal “A Vinha de
Torres Vedras” referia-se ao entrudo das ruas como “o mesmo sensaborão” de
sempre, com muitos “pós, caqueiradas, alguma água à mistura e as costumadas
mascaradas que aproveitam a ocasião para estenderam a mão à caridade pública”, registando
apenas, como digno de registo a realização, já no final da tarde de Domingo,
por alguns “empregados do commercio d’esta villa”, que “fizeram uma espécie da
cavalhadas no Largo da Graça, que chamaram a atenção de muitos curiosos que
riram a bom rir”(3), uma rara excepção à monotonia habitual das ruas por essa
época, situação que levou aquele jornal, dez anos depois, em 1914, a vaticinar
que “o carnaval, (…) nas ruas, pode dizer-se, morreu de todo”(4).
Ao contrário do que se passava
no século XIX e nos inícios do século XX, o Carnaval “actual”, cujo centenário
se comemora este ano, não separa aquelas três realidades, carnaval de salão,
carnaval das ruas e carnaval rural, antes se caracteriza por as fundir e
sintetizar numa única realização.
De facto, a novidade do carnaval de 1923 foi o de se
organizar a partir das colectividades para integrar e “ocupar” a rua e, a
partir daí, criar uma “dinastia”, integrando e sintetizando, de forma diversa e
por vezes irregular, as características dos “três carnavais” (o de “salão”, o
da rua urbana e o rural), transformação que se completou em 1931 com a
organização da primeira “batalha de flores” , em recinto fechado e pago. Esses
anos 30 do século passado foram mesmo os de afirmação nacional do Carnaval de
Torres.
Claro que a ideia de um rei,
e, a partir de 1924, de uma “rainha” representada por um homem, e de um “corso”
carnavalesco, foi influenciada pelo Carnaval de rua de Lisboa, que na década de
1920 tinha exactamente essas características, como se pode ler na imprensa da
época ou comprovar observando as fotografias do arquivo de “O Século”,
visitáveis no site da Torre do Tombo, que registaram a ocasião.
Há também que recordar que, no
ano anterior, em 1922, já se tinha ensaiado algo parecido, mas sem reis, quando
um grupo de mascarados, saindo da Tuna, percorreu as ruas e as várias
colectividades da vila.
Uma das características do
Carnaval de Torres, mais do que a originalidade, foi saber fazer a síntese de
vários carnavais, no espaço e no tempo, integrando e mantendo o que outros
foram abandonando.
O “Carnaval de Torres”, como
passou a ser conhecido por todo o lado a partir de então, com momentos em que
ganhou maior dimensão nacional (os anos de 1930, os anos de 1960 e na fase
actual, a partir de 1985), é esse carnaval, iniciado em 1923, e do qual o
Carnaval de Torres do século XXI é herdeiro.
Claro que houve momentos em
que já se “ensaiavam” as características do actual carnaval torriense, como
aconteceu em 1908, o primeiro grande Carnaval de rua, com grande animação,
realizando-se poucos dias após o assassinato de D. Carlos, ou o carnaval de
1912, aquele de que se conhece a fotografia mais antiga, publicada na
“Ilustração Portuguesa” e reproduzida nesta página, mas estes foram iniciativas
esporádicas, fruto da conjuntura, nada a ver, a não ser nas influências e como
ensaio para futuro, com o carnaval organizado, à volta de uma “corte”, ligando
as colectividades e o corso de rua, o tal iniciado em 1923 e do qual se
comemora o centenário.
Resumindo e concluindo, o
Carnaval de Torres tornou-se uma “tradição inventada” há exactamente cem anos,
em 1923.
(1) – esse documento foi revelado pela primeira vez por Pedro
Azevedo, em 1912, num estudo publicado na Revista Lusitana desse ano,
intitulado “Costumes e festas populares dos séculos XV e XVI”, por nós
divulgado e transcrito pela primeira vez para o publico torriense no nosso
livro “Carnaval de Torres – uma história com tradição”, editado em 1998;
(2) – podem ler, de forma mais detalhado, algumas das situações
aqui resumidas no nosso citado livro sobre o carnaval torriense;
(3) – A Vinha de Torres Vedras de 18 de Fevereiro de 1904;
(4) – A Vinha de Torres Vedras de 26 de Fevereiro de 1914.
2 –
"Centenário do Carnaval
de Torres Vedras"
Torres Vedras Antiga 24 de janeiro de 2023 às 10:31
Bom dia Sr. Professor
Venerando Aspra de Matos.
Li o seu artigo publicado no Jornal Badaladas.
Este ano não é o “Centenário
do Carnaval de Torres Vedras”. Mas sim o centenário da paródia da receção ao
“Rei Carnaval” ou o Centenário do Carnaval com Rei. Isto não é uma opinião
pessoal. É o que está escrito nos registos originais de época sobre este
Carnaval. Uma celebração com mais de 450 anos de história (documental).
Como deve saber, as “edições”/
“dinastias” da paródia da “Receção ao Rei Carnaval” foram numeradas, de 1923 a
1926, existiu uma paragem de 1927 a 1929 (mas a celebração do Carnaval existiu
na mesma na rua e nas coletividades). E a numeração da paródia regressa em 1930
até 1946, mesmo com paragens, a numeração é contínua. Numeração da paródia e
não da celebração do Carnaval em Torres. Depois desta data não existe uma
normal numeração da paródia. Segundo o que está registado.
Em 1972 é celebrado o
cinquentenário do Carnaval. Que seria as 50 “edições” (sem pausas de
1923-1972), da paródia da receção ao Rei Carnaval.
Em 1980 é celebrado os 55
anos. Que seria as 55 “edições” (onde só foram contabilizadas 3 pausas,
possivelmente 1923-1926 e 1930-1980), desta paródia.
Em 1998 é celebrado os 75 anos
do Carnaval de Torres Vedras (1923-1998). Que são os 75 anos desta paródia.
Tal como este ano, 2023, é os
100 anos desta paródia.
Paródia que inicialmente era
celebrada durante um dia e a celebração do Carnaval em Torres Vedras tinha a
duração de três dias (entre a rua e as coletividades). É o que está registado.
Junto envio uma tabela que
ajuda a compreender essas datas comemorativas desta paródia.
Realmente, em outros tempos, o
Carnaval “sujo” de rua e as “paródias”, não eram muito bem vistos pelas classes
altas, religiosas e políticas. Achando essas brincadeiras de Carnaval “sem
graça” ou algo não “digno de menção”. Mas é descrito algumas das celebrações de
Carnaval de rua. As paródias realizadas na rua. Paródias que tinham que ser
autorizadas pelas autoridades para serem realizadas. Os grupos/ “foliões” que
percorriam as ruas. Um grupo de artistas de uma associação que celebravam o
Carnaval na rua. As visitas que faziam junto das principais casas de Torres
Vedras. Como por exemplo, em 1889, existiu uma paródia/mascarada sobre a
construção da praça de touros de Torres Vedras, que foi anunciada previamente e
organizada nas ruas de Torres Vedras. Existia sátira política e assuntos locais
na rua. O cortejo (de 1912), foi organizado pelas direções do Casino, Grémio e
Tuna, que em conjunto, percorreram as ruas de Torres Vedras, acompanhados da
filarmónica, para a recolha de donativos para os pobres. O enterro do entrudo
que era uma ofensa aos católicos, mas era realizado na mesma. E etc. Isto muito
antes de 1923. Da paródia da receção ao “Rei Carnaval” e cortejo a visitar as
tais coletividades.
Tal como em 1908 e 1912 não
existiram só paródias políticas de/para políticos. Existiram outras paródias
nas ruas de Torres Vedras.
Junto envio um texto síntese
com referências recolhidas até agora. Onde os textos originais e completos
estão disponíveis online. (Tendo em nota que deverá existir muitas mais
informações, documentais, sobre a história da celebração do “Carnaval em Torres
Vedras”.)
Em 1574:
A primeira referência
conhecida, até agora, data de 1574. Referência que é uma queixa relativa a uma
“briga” nas ruas de Torres Vedras, de uns moços «trazendo rodelas, espadas,
paus como costumam o tal dia.» O «tal
dia» eram as festividades do Entrudo, com a morte do galo, e «passatempos e
brincos (brincadeiras) de brigas sobre o galo como sempre ouve». Uma queixa que
só existiu, porque nessa época, era proibido o atirar de qualquer coisa pelas
ruas, ou janelas, em tempo de Carnaval, para as autoridades tentarem evitar as
brigas e as desordens nas ruas por esta altura.
O texto original está
disponível aqui: https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/07/30/a-primeira-referencia-conhecida-a-comemoracao-do-carnaval-nas-ruas-de-torres-vedras-em-1574/
Nos séculos XVII e XVIII :
Nestes séculos, até agora, não
existem referências à celebração do Carnaval em Torres Vedras. Tendo em nota,
que em 1744, o Arquivo da Câmara de Torres Vedras ardeu, que levou à destruição
quase total da documentação medieval e moderna do Concelho. Mas no Reino de
Portugal, nestes séculos, também era proibido o atirar de qualquer coisa pelas
ruas e os jogos de entrudo, para tentarem evitar as brigas e as desordens nas
ruas por esta altura.
Em 1865:
O “Domingo Gordo”1 de
Carnaval, a 26 de Fevereiro de 1865, num teatro de curiosos em Torres Vedras,
se ia realizar “uma comédia inocente“1, “para fazer rir e passar tempo às
pessoas do campo, nos dias destinados a estes folguedos nacionais“1. Mas o
pequeno teatro acabou por sofrer um ataque.
1. Relato pelo deputado
torriense João Gualberto Barros e Cunha, em Lisboa, na Câmara dos senhores
deputados, a 1 de Março de 1865.
Os acontecimentos foram
noticiados no Jornal mensal “Archivo Pittoresco“, de Março de 1865, com a
versão dos frades. E foi noticiado no Jornal brasileiro “Correio Mercantil” a 4
de Abril de 1865.
Estão disponíveis aqui https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2020/07/30/representacao-de-carnaval/
Em 1866:
Em Torres Vedras: «Estão
próximos os três dias das “doidices”, que no oferecem a imitação». «Nesta vila,
como em quase todo o nosso país, vão fenecendo pouco a pouco as brincadeiras
carnavalescas. O prazer nada perde com isto, mas a moral tem ganho muito.» 1
Em Mafra, tal como em Torres
Vedras certamente, existiam as «Danças, mascaras, galhofa, alegria. Das janelas
os projectis, nas salas os papelinhos e as pulhas. Por felicidade caíram em
desuso as laranjas, os ovos, a água, os pós, a farinha e a areia com que
noutros anos se agrediam os inofensivos viandantes. Ficaram as mascaradas, as danças,
os rabos de papel, as pulhas e mil seringações juvenis, que agradam e de que
não se ofendem os mais rabugentos.
Mais ou menos, nas grandes
cidades, como nas pequenas aldeias do campo, celebra-se por toda a parte o
carnaval, como a festa mais desenvolta e mais universal no mundo conhecido.
Aceitemos o facto e vamos com
ele. Não contrariemos hábitos de séculos, mas esforcemo-nos por acomoda-los as
condições da moralidade e da civilização.
Haja folguedo, divertimento e
brincadeiras em larga escala. Mas presida-lhes a decência.» 1
1
Texto da “Gazeta do Campo” a 11 de
fevereiro 1866.
Está disponível
aqui https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/12/30/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1866/
Em 1868:
Os “tumultos”1 em Torres
Vedras.
1.Texto do “Diário de
Pernambuco”, Brasil, 16 de Março de 1868.
Está disponível aqui https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/20/o-carnaval-em-lisboa-e-os-tumultos-em-torres-vedras-um-artigo-de-1865/
Em 1880:
O Carnaval de Torres Vedras em
1880, com o temporal, foi “tristonho e insipido”1 sem “mascaradas e
divertimentos”1. “Nestes dias de entrudo fizeram-se as 40 horas na igreja de S.
Pedro, havendo prédicas”1.
1. Texto do “Jornal da Noite”,
2 de março de 1880.
Está disponível aqui https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2021/02/10/a-procissao-dos-passos-e-o-carnaval-de-torres-vedras-em-1880/
Em 1885:
Nas paródias carnavalescas é
brincado com a temática atual da época em Torres Vedras e na região. O estado
das ruas, os espaços de divertimentos, pessoas conhecidas, aos trabalhos
atrasados da “linha do oeste”, a reconstrução do Castelo e do Forte de São
Vicente, e a criação de uma nova comarca.1 Na rua destacou-se “um grupo de
mascarados, muito bem vestidos, em carruagem, fazendo visitas.”2 E um
“cavalheiro da terra reuniu em sua casa (…) muitas pessoas” 2, e assim
proporcionou “a todos umas horas agradáveis.”2
1. “Jornal de Torres Vedras” a
12 de fevereiro de 1885.
2. Textos do “Jornal de Torres
Vedras” a 19 de fevereiro de 1885.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/11/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1885/
Em 1886:
É publicitado a venda de
artigos e brincadeiras de Carnaval. Nas paródias carnavalescas é brincado com a
temática que estava a ser atual na época em Torres Vedras e na região. Com as
pessoas conhecidas, a construção de “um teatro lírico no alto do Varatojo”1, a
construção de um “ascensor mecânico”1 no Varatojo, a construção de um
“observatório astronómico meteorológico”1 no forte de São Vicente, a greve
d’“as serventes da vila de Torres Vedras, reclamando aumento da ração diária
de… vinho”1. Na rua “apareceu uma mascara notável, representado um bom tipo da
localidade”2, um “carro descoberto uma bem vestida mascarada politica,
representando vários vultos notáveis da política”2 local, uma “Estudantina de
emigrantes espanhóis, vestidos muito bem a caracter”2, e também “apareceu um
carro de mascarados com engraçados costumes”2. Na igreja de São Pedro
celebrou-se o “lausperene da 40 horas”2. E no teatro infantil tinha em
representação “várias comédias, dramas, e mágicas”2.
Neste ano, de 1886, também é
descrito que «(…) na loja d’um dos mais simpáticos negociantes d’esta villa,
meia dúzia de caraças (máscaras), algumas retratando alguns vultos notáveis da
nossa politica, exibem tristemente, penduradas por um barbante (cordão) que
lhes atravessa os olhos, uma careta, sempre a mesma, que por demasiada
constância chega a tornar má a caricatura dos prestantes cidadãos.»3
1.Textos do “Jornal de Torres
Vedras” a 4 de março de 1886.
2.Textos do “Jornal de Torres
Vedras” a 11 de março de 1886.
3.Texto do “Correio da Manhã”
de 3 de março de 1886.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/22/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1886/
Em 1887:
Nas paródias carnavalescas é
brincado com a temática que estava a ser atual na época em Torres Vedras e na
região1. Com o que se podia comer. Com os “cães” de Matacães que teriam zangado
com as últimas providências da extinção da sua “raça”. Com a “Porta da Várzea”
fechada. Com as pessoas conhecidas e com os barbeiros de Casal de Barbas que
cortaram as “Barbas ao Casal”1. O Carnaval “em algumas casas da vila, de Dois
Portos, Feliteira, e outras terras do concelho, houve reuniões de família, e
dançou-se muito”2.
1. Texto da “Voz de Torres
Vedras” a 19 de fevereiro de 1887.
2.Texto da “Voz de Torres
Vedras” a 26 de fevereiro de 1887.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/22/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1887/
Em 1888:
Percorreu as ruas de Torres
Vedras “um grupo de artistas da Associação 24 de Julho”1 num “sol e dó”1. Nas
paródias carnavalescas é brincado com a temática que estava a ser atual na
época em Torres Vedras e na região. Com um “incêndio na Carvoeira”. Com a sessão
de Camara Municipal. Com Matacães. Com os nomes das terras. Brincadeiras e
versos. 2
Na casa do Sr. Augusto dos
Santos Ferreira, nas salas do Club Torreense, nas salas dos srs. Palyart,
Joaquim Gomes, em Dois Portos, e nas salas do sr. José Noberto Correia Lopes,
em Feliteira, existiram programas de espetáculos e de divertimentos
carnavalescos. 3
Neste ano também é
descrito «(…) o que mais nos despertou a
atenção foi um grupo de rapazes da associação 24 de Julho (Associação de
Socorros Mútuos 24 de Julho de 1884), constituído n’um sol e dó que no domingo
gordo percorreu as ruas desta villa, tocando diversas peças do seu reportório.
(…) Também na segunda-feira percorreu as ruas um trem (veiculo) com 5 mascaras,
uma dellas imitando o Francisco da Graça, e com isto assim se foi passando o
carnaval deste ano, havendo brinquedos (de Carnaval) das janelas em alguns
ponto da villa. (…)» 4
1. Texto d’“A Semana” a 16 de
fevereiro de 1888.
2.Textos da “Voz de Torres
Vedras” a 11 de fevereiro de 1888.
3.Texto d’“A Semana” a 9 de
fevereiro de 1888.
4. Texto do “Diário
Illustrado” de 19 de Fevereiro de 1888.
Estão disponíveis aqui https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/20/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1888/
Em 1889:
Nas paródias carnavalescas é
brincado com a temática que estava a ser atual na época em Torres Vedras e na
região. Com a lei de caçar na Coutada. A não “construção de dois ascensores”
entre a estação, Varatojo e o forte de São Vicente. Com as previsões da mulher
do lavrador. Com as árvores para a Ribeira de Pedrulhos. Com a queixa dos
“povos da Fonte Grada”, por a fonte não estar grada. Com a idade dos animais e
o sermão de um padre. As modas durante o Carnaval.1 Nas ruas, “o tempo protegeu
os foliões”2, existindo só alguns chuviscos que apagaram “o pó das ruas”2.
Existiu uma paródia/“mascarada alusiva ao projeto de construção da praça de
touros”2, que foi anunciado nas ruas e num cartaz previamente. A paródia
percorreu as ruas, existindo os mascarados de “toureiros, cavaleiros, os
bandarilheiros, os moços de curro, os campinos, e até a pretalhada”2. Onde o
rufar de um tambor despertou a atenção. Que depois “rufando em funeral”2 seguia
o cortejo com a paródia. Que foi uma “alusão inofensiva e engraçada, cujas
honras recolherá o seu promotor”2. Nas ruas de Torres Vedras também existiu
carros com mascarados e algumas pessoas que estavam a assistir tinham “trajes
grotescos”2. Houve baile em Dois Portos. No Club existiu espetáculo dos
amadores dramáticos. E foi noticiado que existiu um ferimento resultado de uma
brincadeira.2
1.Textos da “Voz de Torres
Vedras” a 2 de março de 1889.
2.Textos d’ “A semana” a 8 de
março de 1889.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/17/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1889/
Em 1890:
Na rua existiu uma paródia aos
“caricatos candeeiros da Avenida”1. “Dois candeeiros ambulantes (…) vagueavam
pelas ruas (…) nos vidros figuravam as alusões aos ridículos da terra (…)”1. E
existiu música a percorrer as ruas “seguida do rapazio”1. Nas noites de
Carnaval existiu um programa de espetáculos e de divertimentos no Grémio de
Torres Vedras 2.
1.Texto publicado n’”A Semana”
de 20 de fevereiro de 1890.
2.Informações d’”A Semana” de
13 de fevereiro de 1890.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/04/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1890/
Em 1891:
Existiu publicidade aos
artigos e brinquedos de Carnaval 1. E é referido a existência de uma “récita”
no Grémio Torreense 2.
1.Publicado n’ “A Semana” a 22
de janeiro de 1891.
2.Texto d’ “A Semana” a 5 de
fevereiro de 1891.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/24/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1891/
Em 1892:
Na rua, com a chuva, as
mascaradas foram escassas, existindo “apenas dois ou três grupos que exibiram,
e se sujeitaram a boas molhadelas”1. No Grémio existiram programas de
espetáculos e de divertimentos carnavalescos 2.
1.Texto d’ “A semana” a 5 de
março de 1892.
2.Texto d’ “A semana” a 25 de
fevereiro de 1892.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1892/
Em 1893:
Na rua existiu a exibição de
mascaras1. No Grémio de Torres Vedras existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1 e 2.
1.Noticia d’ “A semana” a 19
de fevereiro de 1893.
2.Noticia d’ “A semana” a 12
de fevereiro de 1893.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/28/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1893/
Em 1894:
Foi publicitado os artigos e
brinquedos carnavalescos das casas de Januário Miranda e de Cândido Vieira 1. É
descrito os costumes do Carnaval antigo e o da época 2 . Na rua existiu a
exibição de mascaras “muito mal feitas” 2 e costumes do antigo Carnaval que era
um “gaiato traquina”2. No Grémio de Torres Vedras existiram programas de
espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1 e 2.
1.Publicitado n’ “A Semana” a
4 de fevereiro de 1894.
2. Descrito n’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 8 de fevereiro de 1894.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/28/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1894/
Em 1895:
É pedido a colocação de
editais a proibir “certos brinquedos carnavalescos”1 em Torres Vedras, como era
feito em Lisboa. Na rua existiu uma “mascarada alusiva a um grupo de boémios,
acompanhados do respetivo urso, macaco e mais comitiva, (…) alguns trens, com
conhecidos “habitués” irrequietos, semeando por onde passavam, a confusão, as
cocotes, as serpenteias, e o tradicional tremoço.” 2 Nas noites de Carnaval existiu programas de
espetáculos e de divertimentos no Grémio de Torres Vedras e no recente Grémio
Artístico-Comercial 2,3e 4. Na freguesia de Dois Portos, na localidade
“A-dos-Carvalhos”, num teatro, também existiu um programa de animação, onde o
teatro ficou “completamente cheio por damas e cavalheiros de A-dos-Carvalhos,
Granja, Ribaldeira, Dois Portos, etc, etc”.2
1.Texto d’ “A Semana” a 12 de
fevereiro de 1895.
2.Texto d’ “A Semana” a 3 de
março de 1895.
3.Texto d’ “A Semana” a 17 de
fevereiro de 1895.
4.Texto d’ “A VINHA DE TORRES
VEDRAS” a 28 de fevereiro de 1895.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/07/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1895/
Em 1896:
Na rua existiu “uma mascara ou
outra”1 e “um ou outro cartucho de pós”1. No Grémio Artístico – Comercial e no
Grémio de Torres Vedras existiram programas de espetáculos e de divertimentos
carnavalescos 1 e 2. Houve as “quarenta horas” na Igreja de S.Pedro 2. E
existiu a procissão de cinzas nas ruas de Torres Vedras 2 .
1.Texto d’ “A VINHA DE TORRES
VEDRAS” a 20 de fevereiro de 1896.
2.Texto d’ “A VINHA DE TORRES
VEDRAS” a 13 de fevereiro de 1896.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/03/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1896/
Em 1897:
Na rua, “de Runa veio uma
paródia”1, mas “teve de voltar para trás”1. Uns diziam “por não ter pedido
“ordes” à autoridade”1, outros “que não dera a licença pedida”1 e outros que
“se tinha dado “ordes” para poder apresentar-se, mas como andava fazendo
“política””1 tinham de se retirar. Houve dois peditórios na “segunda e
terça-feira de entrudo”1. E no Grémio Artístico-Comercial existiram programas
de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1.
1.Textos d’ “A VINHA DE TORRES
VEDRAS” a 4 de março de 1897.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/21/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1897/
Em 1900:
Existiu publicidade aos
artigos e brinquedos de Carnaval 1. Na rua houve “uma paródia ao automóvel do
(…) sr. Joaquim Pedro Marques” 2, na época gerente do Jornal “A Vinha de Torres
Vedras”. E “a exibição de uma dança vinda de Runa e em que figuravam em
“travesti” de bailarinas uns perfeitos mocetões” 1,2 e 3. Nas noites de
Carnaval existiu programas de espetáculos e de divertimentos no Grémio
Artístico-Comercial e no Casino 1,. E foi distribuído em Torres Vedras “um
número carnavalesco, cheio de boa laracha” 2, com o título “O Photoooooras”
1.Publicado na “Folha de
Torres Vedras” a 11 de fevereiro de 1900.
2.Texto da “Folha de Torres
Vedras” a 4 de março de 1900.
3.Texto da “Folha de Torres
Vedras” a 25 de fevereiro de 1900.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/14/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1900/
Em 1901:
É caracterizado o Carnaval,
uma época que era para rir 1.
1.Informação publicada n’ “A
vinha de Torres Vedras” a 14 de fevereiro de 1901.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/06/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1901/
Em 1902:
“Apesar do tempo chuvoso”1
existiram as pulhas, as caqueiradas e os bailes 1. A chegada do Carnaval
maganão (brincalhão), com “idêntico nariz ao do Tamanhão, pés como os do
Almeida Maduro, uma fisionomia à Coruja. Vem “todo ralado”, por se demorar só 3
dias.” 1 E estava previsto, se o tempo estivesse bom e se tivessem a licença,
um grupo musical de Lisboa tocar no Coreto do Largo da Graça.1 No Grémio
Artístico – Comercial e no Casino existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1 e 2.
1.Textos e informações n’ “A
Vinha de Torres Vedras” a 6 fevereiro de 1902.
2.Informações n’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 13 de fevereiro de 1902.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/07/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1902/
Em 1905:
No Grémio Artístico –
Comercial e no Casino de Torres Vedras existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1 e 2. Onde a Tuna Comercial Torreense também
participou nos intervalos do Grémio 2.
1.Informações da “Folha de
Torres Vedras” a 5 de março de 1905.
2.Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 12 de maro de 1905.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/06/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1905/
Em 1906:
É publicitado os artigos e
brinquedos carnavalescos da Papelaria Júlio Vieira 1. No Grémio Artístico –
Comercial e a Tuna Comercial Torreense, no salão do Hotel Natividade, existiram
programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 2 e 3.
1.Publicitado na “Folha de
Torres Vedras” a 11 de fevereiro de 1906.
2.Informação d’ “A vinha de
Torres Vedras” a 22 de fevereiro de 1906.
3. Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 25 de fevereiro de 1906.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/07/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1906/
Em 1907:
No Grémio Artístico – Comercial,
no Casino e na Tuna Comercial Torreense existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1,2 e 4. Houve as “40 horas” na igreja de S. Pedro
3. E a decorar o Salão do Grémio estavam colocadas “as caricaturas dos 25
tunos”, elaboradas por Francisco Peres 4.
1. Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 10 de fevereiro de 1907.
2.Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 17 de fevereiro de 1907.
3.Texto d’ “A Vinha de Torres
Vedras” a 7 de fevereiro de 1907.
4. Texto e informação d’ “A Vinha
de Torres Vedras” a 14 de fevereiro de 1907.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/10/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1907/
Em 1908:
Na rua existiu “algumas
mascaradas que, parodiando grupos políticos e assuntos tipicamente locais”1,
que encheu “o ventre de riso ao torreense”1. Trazendo a população à rua para
ver as animações1. A mascarada, de “um grupo político, representado vários tipos
locais nacionalistas”1. Os carros com mascarados, existindo em “alguns pontos
verdadeiras “batalhas” de grã e de “confetti””1. A paródia sobre a canalização
das águas de Torres Vedras, onde os mascarados de cantoneiros, apontadores,
engenheiro e as mulheres com as bilhas de água faziam esta paródia nas ruas. E
também existiu um “outro grupo político representado o franquismo local”1.
Houve o “enterro do entrudo”1, que percorreu as principais ruas, com a música
da marcha fúnebre, “levando num esquife a figura do “Carnaval” que terminou (…)
numa fogueira acesa no largo da Graça”1.
Também existiram programas de
espetáculos e de divertimentos no Grémio Artístico-Comercial, Casino e na Tuna
Comercial Torreense 2.
1.Texto e informação da “Folha
de Torres Vedras” a 8 de março de 1908.
2.Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 1 março de 1908.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/21/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1908/
Em 1909:
Na rua existiu uma mascarada,
composta pelos empregados da tanoaria do Sr. António da Silva 1. No Grémio
Artístico – Comercial, no Casino de Torres Vedras e na Tuna Comercial Torreense
existiram programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1 e 2. Onde
o “distinto ator transformista Silva Carvalho” esteve 1. E houve as “40 horas”
na igreja de S. Pedro 1.
1.Informação d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 25 de fevereiro de 1909.
2.Informações da “Folha de
Torres Vedras” a 21 de fevereiro de 1909.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/10/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1909/
Em 1910:
No Grémio Artístico –
Comercial, no Casino de Torres Vedras e na Tuna Comercial Torreense (que
inaugurou a sua nova sede) existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1 e 2. E
houve as “40 horas” na igreja de S. Pedro 1.
1.Informação d’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 3 de fevereiro de 1910.
2.Informação d’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 10 de fevereiro de 1910.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/14/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1910/
Em 1911:
Na rua não existiu nenhuma
mascarada “de bom gosto”1. No Grémio Artístico – Comercial, no Casino de Torres
Vedras e na Tuna Comercial Torreense existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1,2 e 3.
1.Texto da “Folha de Torres
Vedras” a 26 de fevereiro de 1911.
2.Informações da “Folha de
Torres Vedras” a 5 de março de 1911.
3.Informações d’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 23 de fevereiro de 1911.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/14/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1911/
Em 1912:
Na rua existiu “uma aparatosa
mascarada, organizada pela classe dos tanoeiros, executando graciosas danças”
1. Houve cegadas “como nos anos anteriores”1. No Grémio Artístico – Comercial,
no Casino de Torres Vedras, na Tuna Comercial Torreense e no Salão Avenida
existiram programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1,2 e 4.
As direções do Casino, Grémio
e Tuna, em conjunto, organizarão uma recolha de donativos para os pobres. Em
cortejo, percorreram as ruas de Torres Vedras, acompanhados da filarmónica e
levaram o barco pertencente à corporação dos bombeiros voluntários 2.
E este ano é marcado pelo
primeiro registo conhecido em fotografia do Carnaval de Torres Vedras. Um
registo da “Parodia carnavalesca «Invasão dos Paivantes». O Exercito afugentado
pelo «Zé Povinho», que lhe atira uma bomba de 5 kilos” 3.
1.Texto da “Folha de Torres
Vedras” a 18 de fevereiro de 1912.
2. Informação da “Folha de
Torres Vedras” a 11 de fevereiro de 1912.
3.Texto da “Illustração
Portuguesa” de 4 de março de 1912.
4.Informação d’ “A Vinha de
Torres Vedras” a 22 de fevereiro de 1912.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/18/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1912/
Em 1913:
Nas ruas de Torres Vedras
existiu “uma dança de rapazes e raparigas de Monte Redondo”1. Nas “sociedades
recreativas locais”1 existiram programas de espetáculos e de divertimentos
carnavalescos.
1.Texto da “Folha de Torres
Vedras” a 9 de fevereiro de 1913.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/18/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1913/
Em 1914:
Nas ruas, na opinião de quem
escreveu, o Carnaval “morreu de todo”1. Existiu a publicidade ao aluguer de
fatos de mascarados, da “companhia dramática Constantino de Matos” 2, uma
companhia que esteve a ajudar nas animações no Grémio Artístico-Comercial 2. Na
Tuna Comercial Torreense, no Casino e no Grémio Artístico-Comercial existiram
programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1 e 2.
1.Texto d’ “A VINHA DE TORRES
VEDRAS” a 26 de fevereiro de 1914.
2. Informação d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 19 de fevereiro de 1914.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/19/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1914/
Em 1915:
No Casino de Torres Vedras
existiram programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1.
1.Informação d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 18 de fevereiro de 1915.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/22/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1915/
Em 1916:
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino e no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de espetáculos e
de divertimentos carnavalescos 1. E existiu o “Bodo aos pobres”1, “por
iniciativa dos Srs. José da Silva Carnide e António Batista da Costa”1.
1.Texto e informação d’ “A
VINHA DE TORRES VEDRAS” a 9 de março de 1916.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/22/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1916/
Em 1917:
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino e no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de espetáculos e
de divertimentos carnavalescos1.
1.Informações d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 15 de fevereiro de 1917.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1917/
Em 1918:
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino e no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de espetáculos e
de divertimentos carnavalescos 1. E na Ribaldeira também existiram programas de
espetáculos e de divertimentos 1.
1.Informações d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 7 de fevereiro de 1918.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1918/
Em 1919:
Na Tuna Comercial Torreense e
no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos 1.
1.Informações d’ “A VINHA DE
TORRES VEDRAS” a 27 de fevereiro de 1919.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1919/
Em 1920:
Na rua, como “os tempos não
vão propícios para divertimentos e manifestações de alegria”1, o Carnaval de
rua, “manteve-se completa indiferença”1. “Os felizes que neste país ainda teem
vontade de se divertir e brincar, apenas poderão dar largas ao seu espirito
folgazão dentro de salões (…)”2.
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino e no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de espetáculos e
de divertimentos carnavalescos 2.
1.Texto d’ “O torreense”
(órgão do partido republicano liberal) a 22 de fevereiro de 1920.
2.Texto d’ “O torreense” (órgão
do partido republicano liberal) a 15 de fevereiro de 1920.
Estão disponíveis em
https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1920/
Em 1921:
Nas ruas de Torres Vedras
existiu uma apresentação de uma “dança de Runa” 1, que os “intérpretes são
indivíduos que se dedicam ao trabalho rural”1. Na Tuna Comercial Torreense, no
Casino, no Grémio e no Grémio Artístico-Comercial existiram programas de
espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1 e 2. De salientar que no Casino
existiu um baile infantil com “crianças muito bem vestidas” 2. No Grémio e na
Tuna os bailes “prolongaram até altas horas da madrugada” 2. Ainda no Grémio,
“os amadores inverteram os papéis”1 numa comédia, quem representava não era do mesmo
sexo da personagem 1. E a Tuna realizou “nas ruas da vila o enterro do entrudo,
que não foi das ideias mais felizes, mas como era o último arranco do Carnaval,
passou sem protestos de maior.” 2
1.Texto e informação de “Ecos
de Torres” a 17 de fevereiro de 1921.
2.Texto d’“O Torreense” (órgão
do partido republicano liberal) a 13 de fevereiro de 1921.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/02/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1921/
Em 1922:
Foi caracterizado o Carnaval.
Foi publicitado as “Quentes e Boas”1. Na rua, foi descrito, que “foram raros os
mascarados que as percorreram” 2 e que no enterro do Entrudo o cortejo fúnebre
foi “ofensivo para os católicos”2, por ser uma paródia às cerimónias
religiosas. Nos 3 dias e noites de Carnaval existiu programas de espetáculos e
de divertimentos no Grémio Artístico-Comercial, na Tuna Comercial Torreense e
no Casino de Torres Vedras 1 e 2. Neste último existiu uma “matinée infantil”1
com “crianças mascaradas”1.
1.Texto e informação d’ “O
Torreense” (órgão do partido republicano liberal) a 26 de fevereiro de 1922.
2.Texto d’ “O Torreense”
(órgão do partido republicano liberal) a 5 de março de 1922.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/16/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1922/
Em 1923:
A realização de “um engraçado
divertimento carnavalesco”1 a “receção ao Rei Carnaval”1. Onde “Sua Majestade”1
iria percorrer as ruas “acompanhado dum luzido cortejo”1.
1.Texto d’ “O Torreense”
(órgão do partido republicano liberal) a 4 de fevereiro de 1923.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/16/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1923/
Em 1924:
É noticiado a abertura de uma
casa de artigos de Carnaval nesta localidade.
Existiu a receção a “Sua
Majestade D. Carnaval II, rei da Folia e da Gargalhada e imperador dos Estados
Unidos de todas as encabadelas em uso nesta temporada”1, e à sua espera, na
estação de comboios, aguardava (mascarados) os membros do ministério, o
comandante de polícia, o esquadrão de cavalaria e burraria, o batalhão de
marinheiros de “água doce”1, as forças militares, o cardeal, o bispo, cónego,
acólito e outros elementos1. Que depois foram acompanhar o rei, em cortejo, na
sua visita às sociedades de recreio, com a Filarmónica Torreense a tocar1. A
primeira a ser visitada foi o Casino, depois o Grémio Artístico Comercial e por
fim a Tuna Comercial Torreense1. O cortejo terminou no Largo da Republica 1. Houve
um banquete de gala no salão de festas do Hotel Natividade 1. O Rei, já com
“excessivo «calor»”1 do banquete, só assistiu a uma parte do desafio de futebol
no Campo da Várzea 1. Existiu o batismo do príncipe real no Grémio Artístico,
onde assistiu à cerimónia a “Rainha”1. Em seguida houve baile até de madrugada.
Também existiu programas de
espetáculos e de divertimentos no Grémio Artístico-Comercial e na Tuna
Comercial Torreense 1.
1.Texto d’ “O Torreense” a 2
de março de 1924.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/17/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1924/
Em 1925:
Existiu a receção a “S. M.
El-Rei D. Carnaval III e S. Augusto Filho o Príncipe Real D. Lamurias”1, e à
sua espera, na estação de comboios, aguardava a “S. M. a Rainha”1, o corpo
diplomático, o povo e “todas as forças de terra e mar”1. Antes da sua chegada
existiu uma alvorada pela “charanga da armada do mar do Curvel”1. Quando chega
à estação é feito a “entrega das chaves da vila”1. Que de seguida em cortejo,
percorreram as principais ruas e visitaram a C. G. T (Casino, Grémio e Tuna)1.
Nesse dia também existiu o casamento de sua “Alteza o Príncipe Real D.
Lamurias”2 com “D. Micaela, Duquesa da Porcalhota”2 na “Sala do Real Paço” do
Grémio Artístico ou na Praça da Republica2.
Houve o “bodo aos pobres”4,
este ano, realizado pela Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras
e acompanhado pela Filarmónica Torreense. Que desfilaram pelas ruas de Torres
Vedras na colheita de donativos para os pobres 3 e 4. Nota: no ano 1895 também
existiu o “bodo aos pobres..
Existiram programas de
espetáculos e de divertimentos no Grémio Artístico-Comercial, na Tuna Comercial
Torreense e no Cine-Teatro 1 e 5.
E é noticiado os perdidos e
achados, da noite de terça-feira de Carnaval, na Tuna Comercial Torreense 4.
1.Texto d’ “A Nossa Terra” a
22 de fevereiro de 1925.
2.Texto d’ “O Torreense” a 12
de fevereiro de 1925.
3.Texto e informações d’ “A
Nossa Terra” a 1 de março de 1925.
4.Texto e informações d’ “O
Torreense” a 5 de março de 1925.
5.Informaões d’ “O Torreense”
a 19 de fevereiro de 1925.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/10/17/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1925/
Em 1926:
Existiu a paródia da receção a
“S. M. El-Rei D. Carnaval e S. A. o Príncipe Real”1, e à sua espera, na estação
de comboios, existia uma guarda de honra e o policiamento do cortejo. Onde
“SS.MM”1 fizeram a “entrega de diversas condecorações a altas personalidades da
“burricracia””1, e foram entregues aos reais Senhores pastéis de feijão1. E de
seguida foi o cortejo pelas ruas de Torres Vedras, “com paragens de
“ferra-o-bico” e de “molha-a-guela” nas associações que constituem a C.G.T.
(Casino, Grémio e Tuna)”1. Cortejo que segui para o “Palácio da Graça, onde se
efetuou o enlace “antinupcial” do príncipe real com a duquesa da Porcalhota”1.
E terminou com um baile1.
“Apareceram em casa do cidadão
Luiz Nunes da Cunha, uns mascarados, simulando terem fugido dum incêndio e duma
agressão”1, onde existiu dança familiar e particular.
Existiu “algumas «cegadas» com
graça”2 e uma “«batalha» com as damas que se encontravam pelas janelas,
distribuindo algum confetti e muita farinha, a ponto de ficarem diversas ruas
completamente brancas, fazendo lembrar uma grande nevada.” 2
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino, no Grémio Artístico-Comercial, no Salão dos Cucos e no Teatro-Cine
existiram programas de espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1 e 3.
1.Texto e informações d’ “A
Nossa Terra” a 7 de fevereiro de 1926.
2.Texto d’ “A Nossa Terra” a
21 de fevereiro de 1926.
3. Informações d’ “O Correio
de Torres” a 21 de fevereiro de 1926.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1926/
Em 1929:
Na rua “como mascaras
interessantes apenas se destacou o “Policia Sinaleiro” e os B. V. P (Bombeiros
Voluntários do Porto) três enviados especiais que vieram pagar aos bombeiros
torreenses a visita que estes fizeram (?) aos seus colegas tripeiros.”1
Também foi escrito que de “dia
se notou grande desanimação nas ruas”1, porque a “malta já se não aguenta em
«serviço permanente» durante todo o Carnaval, tem que descansar de dia para a
folia da noite.”1
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino, no Grémio Artístico-Comercial e Teatro-Cine existiram programas de
espetáculos e de divertimentos carnavalescos 1.
1.Texto da “Gazeta de Torres”
a 17 de fevereiro de 1929.
Está disponível em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1929/
Em 1930:
Este ano é marcado pelo
registo do primeiro filme sobre o Carnaval de Torres Vedras.
Na rua regressou a paródia da
receção a S. M. El-Rei D. Carnaval V. Organizado pela juventude torreense1 . A
esperar pela chegada do Rei Carnaval, na estação de comboios, estava “toda a
casta de ministros de países conhecidos e não conhecidos”1. Que depois da
chegada foram em cortejo 1. Na frente ia “um esquadrão de autênticos burros…
napoleónicos”1, depois os automóveis com “toda a oficialidade esquisita
indispensável nestas festas”1, seguidamente “Abd-el-Krin I e o seu séquito.
Damas de honor, miss Koirão, etc. E no fim, num artístico trono, SS. Magestade
o Rei e a Rainha com o endiabrado Bôbo à frente, fechavam o interessante cortejo.
E atrás, muita gente, imensa gente.”1 Esta paródia foi filmada pela
“Torres-Film”1.
Existiram outras mascaradas
carnavalescas nas ruas. E a “folia de três gordos dias”2 terminou na fogueira
2.
Na Tuna Comercial Torreense,
no Casino, no Grémio Artístico-Comercial e Teatro-Cine existiram programas de
espetáculos e de divertimentos carnavalescos. De salientar que na Tuna existiu
o baile da “Mi-Carême”1.
1.Texto e informações do
“Jornal de Torres Vedras” a 15 de março de 1930.
2.Texto e informações da
“Gazeta de Torres” a 9 de março de 1930.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/11/25/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1930/
Em 1931:
Neste ano, existiu uma grande
organização para renovar e publicitar a celebração da mascarada/paródia da
receção de “S. M. D. Carnaval VI” e cortejo em sua honra. Existindo pela
primeira vez um corso de “Batalha de Flores”, participando “carros alegóricos e
de reclame”, muito bem trabalhados, onde a entrada tinha uma “portagem” paga,
“produto” que era destinado à Colónia Balnear Infantil da Praia de Santa Cruz.
Antes das festividades, foi pedido para as pessoas participarem no cortejo da
receção do “Rei Carnaval” e no corso de “Batalha de Flores”. E as pessoas,
locais e de fora, participaram em peso. Mais de 3 mil pessoas. Estas “festas
carnavalescas em honra de S. Majestade D. Carnaval VI” de rua, que só duraram
um dia, foram publicitadas num cartaz em Lisboa, “numa das montras dos
estabelecimentos Jerónimo Martins e Filho”. Para o cortejo da receção do “Rei
Carnaval” a “casa Citroen, de Lisboa,” cedeu uma camionete para carro de Suas
Majestades.
Na “segunda-feira gorda”
existiu a receção a “S. M. D. Carnaval VI”. Aguardar pela chegada do Rei
Carnaval, na estação de comboios, estava “perto de 50 carros, entre automóveis
e camionetes, com ministros, embaixadores, oficiais, generais, toda a casta de
gente conhecida e desconhecida, admiradora acérrima do Rei da Paródia”. Depois foi
o cortejo. Com paragem no Largo da Graça, para discursos. E o cortejo segui “em
marcha para visitar as coletividades de recreio”, o Grémio e a Tuna. De tarde,
na Avenida 5 de Outubro, existiu a abertura do corso, com a Batalha das Flores
e o cortejo dos “carros alegóricos e de reclame”. Onde as Majestades, Rei e
Rainha, assistiram ao corso. Corso com entrada paga, que era destinado à
Colónia Balnear Infantil da Praia de Santa Cruz. “Brincou-se até às 5 horas,
num constante batalhar fenético e aguerrido”, “finalizando a esta hora as
festas carnavalescas em honra de S. Majestade D. Carnaval VI”.
A celebração do Carnaval
continuou, de forma espontânea nas ruas, com mascaradas que visitaram as
coletividades e uma ou outra cegada.
Nas coletividades manteve-se a
tradicional animação. Na Tuna Comercial Torreense, no Grémio
Artístico-Comercial e Teatro-Cine existiram programas de espetáculos e de
divertimentos carnavalescos. No Casino só existiu uma “matinée infantil de
terça-feira”, com muitos trajes.
Texto e informações que foram
partilhadas:
na “Gazeta de Torres” a 25 de
janeiro de 1931,
n’ “O Jornal de Torres Vedras”
a 27 de janeiro de 1931,
n’ “O Jornal de Torres Vedras”
a 1 de fevereiro de 1931,
n’ “O Jornal de Torres Vedras”
a 8 de fevereiro de 1931,
n’ “O Jornal de Torres Vedras”
a 22 de fevereiro de 1931 e
na “Gazeta de Torres” a 22 de
fevereiro de 1931.
Estão disponíveis em https://torresvedrasantiga.wordpress.com/2022/12/02/a-celebracao-do-carnaval-em-torres-vedras-no-ano-1931/
Estou disponível para qualquer
esclarecimento.
Com os melhores cumprimentos,
André
Blog Torres Vedras Antiga.
3 -
"Centenário do Carnaval
de Torres Vedras"
Venerando António Aspra de
Matos 24
de janeiro de 2023 às 12:08
Para: Torres Vedras Antiga
Caro Sr. André-
Agradeço a atenção que prestou
ao meu texto no Badaladas.
Começo por enaltecer o seu
trabalho em prol da história de Torres Vedras.
Todos os factos que refere são
verdadeiros e são do meu conhecimento há décadas, a maior parte deles está
referido no meu livro "Carnaval de Torres - uma História com
tradição".
Apenas discordo de duas
interpretações que faz, embora sejam pertinentes e interessantes do ponto de
vista teórico e retórico.
A primeira é atribuir ao
documento de 1574 uma espécie de "data de fundação" do Carnaval de
Torres. Esse documento, sendo a primeira referência conhecida à realização,
neste concelho, de uma brincadeira típica do entrudo, não quer dizer que a
mesma brincadeira, ou outras, não se realizasse por estas bandas em épocas
muito mais recuadas, pelo menos desde que o calendário cristão foi imposto no
território português. É provável que, esquecidos nos arquivos nacionais,
existam outros documentos, desse período ou até mais antigos, referentes ao
mesmo tema, pois as notícias mais antigas da realização de brincadeiras típicas
do entrudo em Portugal datam do século XIII. Esse documento não prova nenhuma
especificidade nas comemorações do entrudo nesta região. Era o mesmo que
datarmos as comemorações do Natal em Torres Vedras com base num documento
medieval que as referisse em Torres Vedras.
Quanto ao centenário, penso
que, sendo o Carnaval de Torres uma "tradição inventada", se socorra
de um acto "fundador" e "unificador" para o
"consolidar" e "comemorar" e esse acto, apesar de não ser
original, mas que manteve alguma continuidade, apesar das interrupções que
refere, sempre foi a coroação do 1º rei do Carnaval de Torres em 1923. A
existência de um rei não é original de Torres (existe referência na imprensa
torriense à coroação de um rei no Bombarral na década anterior, sem esquecer
que o mesmo se passava, quer no Carnaval de Lisboa dessa época, quer no
Carnaval de Nice, que foi o modelo para a maior parte dos carnavais
portugueses dos "loucos anos
20").
Foi à volta desse acto e dessa
data simbólica que se foi acrescentando, ao longo das décadas, muitas das
iniciativas que hoje fazem parte do calendário e da identidade do Carnaval de
Torres.
Foi também à volta desse novo
tipo de Carnaval, "inaugurado" em 1923, que o Carnaval de Torres
ganhou fama e dimensão, distinguindo-se das meras "paródias" e
construindo a sua identidade. principalmente na década dos anos 30 do século
passado, despertando a atenção da imprensa e da cinematografia nacional, fama
que se aprofunda na década de 60 e princípio da de 70, e, em dimensões muito
maiores, a partir de 1985.
Á volta do Carnaval
"fundado" em 1923 ( e quem funda alguma coisa, por vezes não tem a
percepção daquilo que está a "inventar" e da dimensão que vai ganhar
no futuro), fez-se a fusão de três dimensões que existiam anteriormente, mas
"de costas voltadas", daí também a importância da nova etapa
"fundada" há cem anos:- a dimensão dos "bailes de salão",
realizado em casas particulares e nas colectividades; - a dimensão do carnaval
rural, que mantinha muitas das características do entrudo medieval; - e a
dimensão do carnaval urbano, que se vai construindo ao longo do século XIX e
que vai integrar, além das tradicionais cegadas, o modelo dos já referidos
Carnaval de Nice e Carnaval de Lisboa.
Não me parece, assim, haver
qualquer problema, a não ser de tipo retórico, em considerar a comemoração do
centenário do Carnaval de Torres neste ano de 2023.
Só não percebo bem a diferença
que faz entre "paródia" no carnaval e o próprio "carnaval".
Espero que não leve a mal a
minha opinião.
Cordialmente
Venerando Matos`
4 -
"Centenário do Carnaval
de Torres Vedras"
Torres Vedras Antiga 24
de janeiro de 2023 às 21:31
Para: Venerando António Aspra
de Matos
Boa noite,
Agradeço a suas palavras e
resposta,
Eu sou um mero curioso e
pesquiso para saber mais.
Referente ao documento/queixa
existente em 1574. Sei perfeitamente que esse documento não é a data da
fundação do Carnaval. Como eu refiro, esse documento é a primeira referência
documental, conhecida até agora, sobre a celebração do Carnaval/ entrudo nas
ruas de Torres Vedras. Uma celebração «como sempre ouve», assim refere o
documento. Queixa que existe, porque na época existia proibições para evitar as
brigas e as desordens nas ruas em tempo de Carnaval. Tendo em nota, que nessa
época, também existem outras queixas, como por exemplo, com o preço da carne em
tempo de Carnaval. E acredito que existem mais documentos antigos, “perdidos”
em arquivos nacionais e pelo mundo.
Como a primeira imagem
conhecida do Carnaval, até agora, é de 1912.
Referente ao centenário. Na
época a paródia da receção ao “Rei Carnaval” e seu cortejo, foram ganhando
grande popularidade e foi bem detalhado pelo Jornal “O Torreense” («órgão do
partido republicano liberal»). Em 1931, existiu uma grande organização para
renovar e publicitar a celebração da paródia da receção de “S. M. D. Carnaval
VI”. E tal como diz, foi crescendo até aos dias de hoje com várias influências.
Mas o cortejo de rua, as
paródias, as mascaradas, as filarmónicas a tocar na rua, a sátira política e
local, o folião na rua, os "macetões" com trajes femininos, o
lançamento de cocotes, a recolha de fundos para ajudar os mais pobres, e etc, é
algo que já existia antes de 1923 em Torres Vedras. E depois desta data, em
1931, surgiram os carros alegóricos, o corso da batalha das flores e etc. É um
Carnaval que progrediu ao longo dos tempos e que ainda tem essas raízes antigas
iniciadas muito antes de 1923.
Como já tinha escrito, a
paródia tinha a duração de um dia (inicialmente) e o “Carnaval em Torres
Vedras” tinha a duração de três dias (na rua e nas coletividades). A paródia do
“Rei Carnaval” fazia parte do “programa” do “Carnaval em Torres Vedras”, mas
essa paródia não era a única celebração do Carnaval em Torres Vedras. Ganhou
popularidade, sim, mas existiam outras celebrações de Carnaval.
No meu entender, os 100 anos
estão relacionados com esta paródia, da receção ao “Rei Carnaval”, ou a
celebração do Carnaval com Rei. E não aos 100 anos de celebração do Carnaval em
Torres Vedras. Inicialmente esta paródia teve “edições”(1923-1946), depois existe
a mistura de “edições” com anos (1972-1981) e depois existem os anos
(1998-2023). “Edições” e anos que estão relacionados com a receção ao “Rei
Carnaval”, iniciado em 1923, e não com a celebração do Carnaval em Torres
Vedras ou com uma nova celebração de Carnaval. Sabendo que a celebração do
Carnaval, em Torres Vedras, tem várias centenas de anos, e ao longo dos tempos
evoluiu, ganhou e perdeu “tradições” de celebração de Carnaval nesta
localidade.
Este ano os Carnavais
temáticos ou o Carnaval com Carnavais temáticos fazem 35 anos. Os 35 anos são
dos Carnavais temáticos e não da celebração do Carnaval em Torres Vedras. E
podemos fazer o mesmo exercício com outras “tradições”, umas com mais de 100
anos e outras mais recentes.
Penso que ao dizer que este
ano é o “Centenário do Carnaval de Torres Vedras” desvaloriza a sua história
com várias centenas de anos e as suas raízes ainda existentes. Ao dizer que é o
Centenário do Carnaval de Torres Vedras com Rei, ou o Centenário da paródia da
receção ao “Rei Carnaval” é bem diferente e é realmente o que foi iniciado em
1923, a paródia da receção ao “Rei Carnaval” ou o Rei fazer parte da celebração
do Carnaval em Torres Vedras. Foi isso que foi iniciado em 1923 e as “edições”
eram referentes a isso. E nunca foi relacionado com a celebração do Carnaval em
Torres Vedras ou de um novo Carnaval. Pelo menos é isso que me dá a entender ao
ler as referências da época.
Referente à última questão.
Nos anos 30, do século XX, esta “cerimónia” da receção ao “Rei Carnaval” foi
designada por “paródia” da receção ao “Rei Carnaval”. Uma paródia carnavalesca
que fazia parte da celebração do Carnaval em Torres Vedras.
Estou disponível para qualquer
questão.
Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
André
Blog Torres Vedras Antiga.
5 -
"Centenário do Carnaval
de Torres Vedras"
Venerando António Aspra de
Matos 25
de janeiro de 2023 às 10:58
Para: Torres Vedras Antiga
Caro amigo
Penso que as nossas
"divergências" não se prendem como os factos ou com a sua datação,
mas são uma mera diferença de interpretação.
Penso que atribuir o
centenário ao primeiro desfile com o "rei " tem um mero sentido
simbólico, que me parece pertinente e é um pretexto, não para
"desvalorizar a sua história", mas para reflectir sobre a sua
importância. O simples facto de estarmos a debater este assunto, nos termos em
que o fazemos, já me parece um bom contributo para esse debate.
Continuo a pensar, contudo,
que foi esse Carnaval de 1923 que deu inicio a um caminho que nos levou até ao
Carnaval actual, para além de contribuir para a "fusão" e
"síntese" de várias caracteristicas do Carnaval, o mais antigo, o
rural, o urbano, o de salão e o que se fazia em muitos sítios, de Nice a Lisboa
ou Coimbra e até no Brasil
(curiosamente, este último foi influenciado pelo Carnaval português,
fundindo-se com as origens africanas de grande parte do seu povo). É ter
contribuído para o início de uma caminhada, com interrupções, que me parece ser
importante em 1923.
Obviamente uma mera
interpretação pessoal.
Abraço
Venerando Matos
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