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terça-feira, 2 de junho de 2015

A Conquista de Ceuta e o Conselho Régio de Torres Vedras em livro


Acaba de ser editado o 17º volume da colecção Turres Veteras, que tem vindo a reunir as comunicações dos encontros de história local que, sob essa designação, se realizam há quase vinte anos em Torres Vedras.

Cumprindo uma rara tradição portuguesa que é a de editar comunicações de encontros científicos de forma regular, a organização do evento, liderada por Carlos Guardado Silva, numa parceria entre a Câmara Municipal de Torres Vedras, o Instituto Alexandre Herculano da Universidade de Letras de Lisboa e as edições Colibri, esse volume foi lançado no encerramento dos Encontros Turres Veteras que decorreram em Maio, reunindo as comunicações apresentadas no ano anterior.

O tema do ano anterior teve como pretexto o 600º aniversário da realização do conselho régio em Torres Vedras, no verão de 1414, que decidiu a conquista de Ceuta no ano seguinte, acção que é apontado como o facto que "inaugurou" a expansão portuguesa e europeia.

Sendo um congresso de âmbito nacional e internacional, nem todas as comunicações se referem à história torriense, embora a temática local esteja sempre presente, quer na escolha dos temas, quer nalgumas das comunicações apresentadas.

Neste volume destacamos duas das comunicações publicadas, referentes à história de Torres Vedras:

A primeira é da autoria da Drª Manuela Catarino, e intitula-se "Torres Vedras nos inícios do séc. XV - uma vila do reino no caminho de Ceuta" (pp. 45 a 51), onde se descreve as vivências da antão vila nessa época;

A segunda é da autoria da Drª Judite A. Gonçalves de Freitas, e intitula-se "A reunião magna de Torres Vedras de 1414: um Conselho de Estado?" (pp. 53 a 64) e enquadra o conselho régio realizado na vila no contexto das reuniões do mesmo tipo realizadas na época, fazendo um descrição pormenorizada do que se passou em Torres Vedras e sobre as personalidades que estiveram presentes no conselho (bem como o significado das ausências).

A importância histórica da Conquista de Ceuta para a história nacional e internacional marcam as temáticas das restantes comunicações.

Mais uma iniciativa a destacar na divulgação e conhecimento da história local.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Baquero Moreno e a História Torriense -1 - Os itinerários de D. João I e o Conselho de Ceuta


Recentemente falecido, Humberto Baquero Moreno foi um dos mais inovadores historiadores portugueses, especializado no estudo do início da Dinastia de Aviz.

Duas das sua obras fundamentais, “Os Itenerários de El-Rei Dom João I” (ed. Instituto de Cultura Portuguesa,Lx, 1988) e “A Batalha de Alfarrobeira” (2 volumes editados pela Universidade de Coimbra, em 1979 e 1980) deram um contributo importante não só para o conhecimento da História Portuguesa mas, para o caso que nos interessa, para o esclarecimento de alguns aspectos da história local torriense.

Hoje escrevemos sobre o primeiro caso, a presença de D. João I em Torres Vedras.

Baquero Moreno esclareceu,  quase em definitivo, um erro persistente na historiografia torriense durante os três primeiros quartéis do século XX, o da data da realização do célebre conselho de Ceuta que teve lugar em Torres Vedras.

Zurara não indicava com precisão a data daquele evento e, por cá, foi avançado o ano de 1413 como o da sua realização, erro que foi repetido até à exaustão, inclusive numa placa que, durante décadas, ainda neste século,  invocava, no presumível local desse conselho, tal facto, marcante na memória histórica local.

Não teria sido necessário esperar pela edição da obra de Baquero Moreno para corrigir o erro, bastava uma leitura atenta da obra de Zurara para se perceber que esse evento nunca poderia ter tido lugar em 1413, mas sim em 1414, como o diz a lógica cronológica dos acontecimento nacionais relatados na célebre crónica.

De qualquer maneira, com a precisão documental que lhe é conhecida, ficámos em definitivo esclarecidos sobre a realização desse conselho.

Diz Baquero Moreno, no capítulo dedicado ao itinerário de D. João I no ano de 1414, e passamos a citar, que, de “acordo com o testemunho de Zurara o rei deliberou “pera o Sam Joham [24 de Junho] a Deos prazemdo fazer ajumtamento de comsselhos em Torres Vedras homde emtendeo propoer este feito e determinar o termo certo em que com a graça de Deos ajamos de partir” [in Gomes Eannes de Zurara, “Crónica da Tomada de Ceuta…”, Lisboa 1915, cap. XXV, p.75]. Contudo, e continuando a citá-lo, Baquero Moreno questiona essa data: “Deve haver, no entanto, engano do cronista na medida em que o conselho apenas terá reunido por Santiago, 24 de Julho”, já que, e segundo os itinerários, o rei chegou a Sintra a 22 de Junho e aqui continuava em 21 de Julho, antes de vir para Torres Vedras, como refere a crónica. Sendo assim, o dito conselho terá terminado “por volta de 24 de Julho” de 1414. [Baquero Moreno, ob.cit, pág. 141].

Aliás, no levantamento que o autor fez nesta obra dos itinerários de D. João I, este só tinha estado em Torres Vedras, ainda enquanto Mestre de Aviz, por ocasião do cerco posto ao castelo de Torres Vedras, tendo assinado documentos neste sítio entre 18 de Dezembro de 1384 e 13 de Fevereiro de 1385. Como se sabe o mestre de Aviz deixou o cerco ao castelo de Torres Vedras , sem o ter tomado aos partidários de Castela, para se deslocar às Cortes de Coimbra que o aclamaram rei.

Como já vimos, na recolha feita por Baquero Moreno, onde é possível reconstituir os itinerários do primeiro monarca da segunda dinastia, só se sabe da presença do rei na então vila de Torres Vedras para a realização do Conselho referido através da crónica de Zurara, não surgindo mais nenhum documento que refira a presença do rei neste lugar, onde a sua presença só aparece documentada  em 10 e 11 de Janeiro de 1417, e novamente em 25 de Janeiro e 6 de Fevereiro desse ano, mas só depois de permanecer cerca de um mês num outro lugar pertencente ao concelho, no Turcifal, entre 6 de Dezembro de 1416 e 9 de Janeiro de 1417 (com uma deslocação a Belas pelo meio). A estadia no Turcifal deve estar relacionada com a Quinta régia do Manjapão, localizada nessa freguesia do concelho.

A presença do rei em Torres Vedras só volta a estar documentada já nos últimos anos do seu reinado, em 25 de Março, 26 e 29 de Abril , 1 e 31 de Maio de 1432 e, duas últimas vezes, no ano seguinte, em 24 de Março e 26 de Abril.

Pode-se especular, como justificação para a longa ausência do rei por estas bandas, sobre o facto de Torres Vedras se ter mantido fiel à causa de castenhana durante a crise de 1384-85, e  a perda de influência deste concelho que se seguiu  durante o reinado D.JoãoI.

Em próxima ocasião recordaremos o outro contributo dos estudos de Baquero Moreno sobre a história torriense, desta vez sobre o período da regência de D. Pedro, quase a meio do século XV.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

TURRES VETERAS XVII - Encontro de História em 16 maio 2014


Realiza-se no final desta semana, 6ª feira e Sábado, mais uma edição,a 17ª,  de "Turres Veteras", otganizada conjuntamente pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pelo Arquivos Municipal de Torres Vedras.

A edição deste ano é dedicada a "Ceuta e a expansão portuguesa", já que se comemoram 600 sobre  anos a realização do célebre conselho régio de D. João I, realizado em Torres Vedra em Junho de 1414, e onde se decidiu a conquista, no ano seguinte,  daquela importante cidade do norte de África, dando-se assim início à expansão portuguesa .

O primeiro dia de sessões tem inicio pelas 10 horas da manhã de 6ª feira, 16 de Maio, no auditório dos Paços do Concelho, onde serão apresentadas 7 comunicações até ao encerramento deste primeiro dia previsto para o final da tarde.

No dia seguinte serão apresentadas 4 comunicações durante a manhã, culminando com a apresentaçãodas actas do encontro do ano passado, sob o título "O Imaginário Medieval".

Na tarde desse dia 17 de Maio,  a partir das 16 horas,terá lugar uma reconstituição histórica do Concelho régio, nos Paços do Concelho e na "Casa de Ceuta", local da realização do conselho de 1414.

Duas das comunicações previstas vão interessar especialmente os torrienses, ambas durante a manhã de Sábado, uma da autoria de Maria Manuela Catarino intitulada "Torres Vedras: a vila e o termo no início de Quatrocentos", às 10.30, e outra, da autoria de Judite de Freitas, intulada "O Concelho Régio de Torres Vedras", prevista para as 11 horas dessa mesma manhã.