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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Há 430 anos, em 1589 - D. António Prior do Crato na Região de Torres Vedras


(D. António, Prior do Crato)


Em 29 de Maio de 1589, um exército anglo-luso, onde se encontrava D. António Prior do Crato, entrava em Torres Vedras, dirigindo-se a caminho de Lisboa, com o objectivo de restaurar o trono português.

A História deste episódio está bem documentada num manuscrito da autoria de André Falcão de Resende, existente na Torre do Tombo.

O conhecido poeta quinhentista tinha sido “juiz de fora” em Torres Vedras desde finais de 1576, onde estabeleceu amizade com o alcaide D. Martinho Soares de Alarcão, já não exercendo esse cargo, pelo menos desde o início de 1586.

Antes, em 18 de Abril de 1589, saiu de Plymouth, na Inglaterra, uma armada, a bordo da qual seguia D. António Prior do Crato com a sua “corte”, com o objectivo de conquistar o reino de Portugal.

Era uma armada de “cento e setenta navios grandes e pequenos”, com “perto de vinte mil homens”, ingleses, escoceses, “gente  vadia  de França” e da Flandres, alguns espanhóis “portugueses e castelhanos”, isto é, composta por mercenários.

A armada era comandada pelo “General do mar”, Francis Drake,  acompanhado pelo “General de terra” Henrique Norris,”capitão escocês muito conhecido”, conde de Norwich.

Atacando, sem êxito,  a Corunha, na Galiza, dirigiu-se então para território português.

Tomando-se conhecimento da sua aproximação, entre Lisboa e Cascais foram tomadas várias medidas para a defender a capital de um desembarque e ataque dos ingleses, apesar de os armazéns da cidade estarem “muito faltos de armas e de munições, por se gastar muito na armada do ano passado” (refere-se ao desgaste da armada portuguesa, motivada pela derrota luso-castelhana da Armada Invencível, cerca de um ano antes).

No dia 23 de Maio de 1589, uma sexta-feira , a Armada Inglesa chegou a Peniche, entrando no porto da vila, que tomou, e a praia em frente, a praia de Nª Senhora da Consolação.

As tropas estacionadas para defender o local e a fortificação, perante a dimensão da armada, fugiram ou renderam-se de imediato.

A facilidade com que os ingleses entraram em Peniche, está na origem do dito popular dos “amigos de Peniche”.

O alcaide local, João Gonçalves de Ataíde , de imediato mandou enviar recado a “Sua Alteza” e ao alcaide-mor de Torres Vedras, Dom Martinho Soares de Alarcão e Melo, acerca do sucedido.

Em Torres Vedras estavam  estacionadas  12 “companhias” comandadas por Martinho Soares, que logo na noite desse dia partiu com elas na direcção de Peniche, acompanhado por  Gaspar de Alarcão, morador nesta vila, com cento e dez “ginetes” de que era capitão.

Este Gaspar Ruiz de Alarcão tinha vindo para Portugal em 1587, com quatro companhias a cavalo, para apoiar o Vice-rei, Cardeal D. Alberto.

Do Turcifal saiu Pero Correia, filho de Lourenço Correia, com três “homens seus” a cavalo, e quatro a pé com “espingardas” e outra gente a pé, para se juntar ao alcaide de Torres.

No Sábado seguinte, dia 24, Dom Martinho Soares juntou-se  às tropas comandadas por Pedro de Gusmão, num local a meia légua de Peniche, “sobre hum alto que chamão o Coymbram”, avistando daí os inimigos.

Sobre estes “discorreram” os “Ginetes de Gaspar de Alarcon”, fazendo prisioneiro um soldado do exército inglês que tinha sido ferido, e que disse ser francês, tendo por missão entregar uma mensagem de D. António para “hu Mosteiro de frades ahy vezinhos” , revelando o número de tropas inglesas, 20 mil “infantes”, e informando que já tinham desembarcado em Peniche seiscentos cavalos.

Impressionados com esses números, os “nossos” “aballarão dalli para outro lugar mais alto, e mais afastado do inimigo”, enquanto que “os de Torres Vedras e seu termo que erão todos até trezentos, os mais delles gente rústica”, fugiram para Torres Vedras, as tropas de Dom Martinho e de João Gonçalves de Atayde.

No dia seguinte, Domingo vinte e oito de Maio, juntaram-se a estes, em Torres Vedras, onde já estavam Pedro de Gusmão e Gaspar de Alarcão, duas companhias de “arcabuzeiros a cavalo” comandadas por D. Sancho Bravo (ou Branco) e outras duas de “infantaria do terço”, comandadas por Dom Francisco de Toledo, alojando-se “esta gente toda” no Castelo de Torres Vedras, que consideravam “forte e defençável, principalmente vindo o I[n]imigo sem artilharia e com poucos cavallos”.

Contudo, dando-se rebate, por volta da meia noite, que os inimigos vinham marchando da Lourinhã para esta vila, que distava duas léguas, “partirão todos logo com muita pressa” para Enxara dos Cavaleiros, ficando apenas Gaspar de Alarcan, como os seus “ginetes”, “sempre” à vista do inimigo.


(Percurso das tropas luso-inglesas, de Peniche a Cascais (Fonte-João Pedro Vaz, ob. cit.)

Na segunda-feira, vinte e nove de Maio, pela manhã “entrou em Torres Vedras hum clérigo que era cura no lugar do Vimieiro [será Vimeiro ?], notificando aos que estavão na villa que se não fossem della, por que lhes não farão mal, prometendo lhes disto seguranças, por parte de Dom António”.

Tomando conhecimento dessa situação, os ginetes de Gaspar de Alarcão avançaram para Torres Vedras, com o objectivo de prenderem esse clérigo.

Com esse pretexto entraram “em muitas casa da villa e termo”, provocando a fuga dos seus habitantes para lugares altos.

Os abusos cometidos por algumas tropas de Gaspar de Alarcão e “outros soldados” castelhanos, provocaram o rumor segundo o qual os ginetes andavam a roubar e a matar, “e disto lançarão fama e causando com isto grande inquietação por esta comarca” de Torres Vedras, “e por  outras temendo se e escondendo se  a gente miúda e molheres, por montes e covas”, embora o narrador refira que os capitães e nobres não foram responsáveis por esses excessos.

Espalhando-se pela região a notícia dos saques, roubos e assassinatos feitos pelas topas luso-castelhanas, a população temia mais “destes nossos amigos e naturaes que dos Ingleses”, até porque estes, até então, não roubavam nem saqueavam, pelo que começaram a ter apoio popular, dando mantimentos e juntando-se às tropas anglo-lusas de Norris e D. António.

Nessa segunda-feira “já tarde”, entraram na vila de Torres Vedras o exército inglês e D. António, sob o comando de Norris, “onde alguns poucos e falhos de força e conselho o esperarão, não seguindo a muitos outros que o não quiserão esperar e se ausentarão”, isto é, a vila estava quase desabitada.

D. António aposentou-se nas casas do prior de Stª Maria do Castelo, “e a noite foy dormir no Castello, onde pousava Francisco de Seixas” Cabreira, natural da vila, que veio a ser preso mais tarde pelo governo filipino, por causa desta sua atitude de facilitar a aposentação de D. António em Torres Vedras.

“Sem mantimentos, e com tanta fome”, as tropas inglesas “comerão muitas imundices”, isto porque tinham ordens para não proceder a qualquer saque.

Contudo, muitos desses soldados “se embebedarão, por aver muito vinho nesta villa”. Beberam em tal excesso que muitos adoeceram e alguns chegaram mesmo a morrer.

Este incidente provocou um atraso no avanço dos Ingleses sobre Lisboa, dando tempo às tropas luso-castelhanas que defendiam a capital de se prepararem para a chegada dos apoiantes de D. António.

Só na quarta-feira seguinte, dia 30 de Maio, é que as tropas inglesas retomaram a sua marcha sobre Lisboa, avançando por Enxara dos Cavaleiros até Frielas.

Tendo chegado a informação aos castelhanos que as tropas inglesas estavam “tomadas” de vinho, avançaram sobre o acampamento inglês onde deram conta que, afinal, “estavão mais expertos do que cuidaram e bem entricheirados”, retirando-se para Lisboa com algumas baixas em confrontos esporádicos com os ingleses.

Entretanto, André Falcão de Resende, que, quando da tomada do Castelo por D. António, tinha escondido alguns livros numa casa a meia légua de Torres Vedras, voltou à vila assim que os ingleses se retiraram para avançarem sobre Lisboa.

Entrando em Torres Vedras, encontrou-a praticamente deserta, descobrindo, junto ao “pelourinho  da praça” uma carta, assinada por D. António, na qual com “graves penas e ameaças, assumindo-se nella como Rei, mandava que todos o fossem logo servir e acompanhar, dentro de vinte e quatro horas”.

A título de curiosidade, refira-se que esta é uma das mais antigas referências coevas ao Pelourinho quinhentista de Torres Vedras.

Dirigindo-se depois para um ponto alto perto da vila, Falcão de Resende avistou a marcha do inimigo, contando cerca de “doze mil homens, e sessenta cavallos somente”, sem artilharia, sem mantimentos e sem bagagens. De imediato enviou esta informação ao seu filho, Luís Falcão, que estava em Lisboa, para conhecimento dos defensores desta cidade.

No dia 1 de Junho, 5ª feira, o “inimigo” avançou sobre Lisboa até Alvalade “mea legoa” de Lisboa.

Eram as tropas inglesas abastecidas por Gaspar Campello, que tinha negociado com D. António a entrega de mantimentos às tropas luso-inglesas. Gaspar Campello tinha sido juiz em Torres Vedras e era “muito conhecido nesta comarca” e tinha forçado “a gente fraca, com nome de Almotacel moor para trazerem mantimentos aos Ingleses”.

A cavalaria luso-castelhano conseguiu, contudo, fazer “presas” desses mantimentos.

Durante este tempo ocorreram escaramuças esporádicas entre os dois exércitos.

No dia seguinte, sexta-feira 2 de Junho, os ingleses marcharam de Alvalade até “perto da cidade” entrando pelos arrabaldes e pelas ruas e travessas.

Do Castelo e das Galés estacionadas no Tejo receberam os ingleses muito fogo.

No dia seguinte os sitiados conseguiram receber mantimentos e vários reforços.

Os ingleses, perante a resistência dos sitiados, resolveram, no Domingo 4 de Junho, retirar-se a caminho de Cascais., onde chegaram no dia seguinte, perseguidos pelas tropas luso-castelhanas, entre elas os “ginetes” de Gaspar Alarcão que prenderam e mataram muitos dos soldados luso-ingleses.

De sitiantes, os ingleses passaram, em Cascais, a sitiados.

Em 18 de Junho iniciaram a sua retirada, embarcando na armada inglesa.

Entretanto, no dia 6 de Junho, cerca de mil homens comandados por D. Martim Soares e pelo capitão António Pereira, reconquistaram, quase sem combate, o castelo de Torres Vedras.

Algumas fontes referem uma segunda tentativa das forças do Prior do Crato de conquistarem o Castelo, sem o êxito da primeira vez.

A ter acontecido, terá ocorrido entre essa data de 6 de Junho e o início da retirada inglesa do território português, que ocorreu entre 18 e 22 de Junho.

Segundo Vieira da Mota, deve-se a este episódio o facto de D. António apelidar esta localidade de “Torres Traidora”.

O mesmo Martim Soares, em 22 de Junho, marchou sobre Peniche, levando consigo “30 de cavallo”, com “gente de pé”. Chegado à Lourinhã, foi informado por uma espia que os inimigos estavam a embarcar em Peniche, levando consigo a artilharia da fortaleza, pelo que apressou o seu avanço sobre aquela vila, de onde grande parte dos ingleses já se tinham retirado.

Em definitivo, a região voltou a obedecer a D. Filipe II.

Retirando-se definitivamente de Portugal, D. António, faleceu na miséria em Paris em Agosto de 1595.

FONTE PRINCIPAL:
(Parte do Documento de André Falcão de Resende que refere a chegada de D. António a Torres Vedras).

FALCÃO de RESENDE, André, “Carta que o autor escreveo a hum Amigo em que se conta a vinda dos Ingleses a Lisboa com dom António Prior do Crato no Ano de mil quinhentos e oytente e nove annos”, in Manuscrito da Livraria, cota 1147,   Arquivo Nacional da Torres do Tombo.

PARA SABER MAIS (outras fontes consultadas):

AZEVEDO, Maria Antonieta Soares de, “D. Martinho Soares de Alarcão, alcaide-mor de Torres Vedras e avô do Padre Francisco Soares”, in Arquivo do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, vol.I,  Paris 1969, pp. 470-486.
BRAGA, Paulo Drumond, Torres Vedras no reinado de Filipe II, Câmara Municipal de Torres Vedras, Edições Colibri, Lisboa 2009.
MOTA, A. Vieira da Mota, “Memórias de Torres Vedras”, Capítulo IX,  in O Torrense, nº 52, 17 de Setembro de 1922.
RAMALHO, Américo da Costa, O Essencial sobre André Falcão de Resende, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1988.
RÊGO, Rogério de Figueirôa , “O Castelo de Torres Vedras”, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, nº 21, Série II, Maio/Agosto de 1949, pp. 195-209.
SERRÃO, Joaquim Veríssimo, O tempo dos Filipes em Portugal e no Brasil, ed. Colibri, Lisboa 2004.
VAZ, João Pedro, Campanhas do Prior do Crato – 1580-1589 – Entre Reis e Corsários pelo Trono de Portugal, ed Tribuna, sem data [séc. XXI].

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Torres Vedras e o Domínio Filipino


(Filipe IIº)

Em 13 de Setembro de 1598, há 420 anos, morria um dos monarcas mais poderosos do mundo, o rei Filipe IIº, rei de Espanha desde 1556 e de Portugal “e dos Algarves” desde 1581, governando no nosso país com o título de Filipe Iº.

O seu reinado deu inicio, em Portugal, à dinastia filipina, que só terminou em 1640.

A propósito dessa efeméride vamos tentar traçar, em poucas palavras, aquilo que foi o domínio filipino em Torres Vedras (1).

O domínio filipino foi bem aceite pelas famílias dominantes da região, com a do “Alarcões” à frente.

Esta família, de origem espanhola, dominava a alcaidaria da então vila desde o reinado de D. Manuel, quando D. João de Alarcão herdou do seu sogro, Gomes Soares, falecido em 12 de Janeiro de 1514, o cargo de alcaide-mor de Torres Vedras.

Terá sido também nessa altura que os alcaides-mores, que tradicionalmente habitavam os chamados “Paços do Patim”, passaram a ocupar o “palácio” do Castelo, restaurado no tempo de D. Manuel, como o atestam ainda hoje as esferas armilares aí existentes.

Quando da aclamação do rei espanhol em 1581, exercia o cargo da alcaide-mor de Torres Vedras D. Martim Soares de Alarcão, que foi um dos mais fiéis defensores da causa castelhana (2).

Esse alcaide teve um papel importante na repressão das revoltas locais que tiveram lugar nesse período.

Uma das mais conhecidas foi a chamada revolta do “Rei da Ericeira”, liderada por um tal Mateus Álvares, natural doa Açores, filho de um pedreiro, que se fez aclamar como rei pela  população da Ericeira em 1585 , mobilizando os camponeses da região contra o Castelo de Torres Vedras.

Um dos seus principais seguidores foi um vinhateiro de Torres Vedras, Pedo Afonso, nomeado pelo falso rei estribeiro mor e marquês de Torres Vedras e que casou com a filha daquele, “coroada” rainha.

O movimento acabou afogado em sangue, quando o exército do “Rei da Ericeira” foi travado na estrada de Lisboa pelos bem organizados batalhões filipinos.

O falso rei e o seu genro foram enforcados em Junho de 1585 (3).

Outra ocasião difícil para o alcaide-mor de Torres Vedras foi quando  D. António Prior do Crato, em 1589, apoiado por forças inglesas, atacou e ocupou Torres Vedras, depois de desembarcar em Peniche e antes de se dirigir para Lisboa.
(D. António Prior do Crato)


Existem várias versões sobre este acontecimento, mas a mais credível é a descrição de um manuscrito da Torre do Tombo, da autoria de André Falcão de Resende.

A armada inglesa era comandada pelo “General do mar”, Francis Drake,  acompanhado pelo “General de terra” Henrique Norris,”capitão escocês muito conhecido”, conde de Norwich.

No dia 23 de Maio de 1589 a Armada Inglesa chegou a Peniche, entrando no porto da vila, que tomou, e a praia em frente, a praia de Nª Senhora da Consolação.

O alcaide local, João Gonçalves de Ataíde , de imediato mandou enviar recado a “Sua Alteza” e ao alcaide-mor de Torres Vedras, Dom Martinho Soares de Alarcão e Melo, acerca do sucedido.
Em Torres Vedras estavam  estacionadas  12 “companhias” comandadas por Martinho Soares, que logo na noite desse dia partiu com elas na direcção de Peniche, acompanhado por  Gaspar de Alarcão, morador nesta vila, com cento e dez “ginetes” de que era capitão.

Impressionados com o número de tropas inglesas, as tropas fiéis a Castela regressaram a Torres Vedras, de onde se retiraram quando, por volta da meia-noite do Domingo 28 de Maios, quando se soube que a tropas de D. António vinham marchando da Lourinhã para esta vila.

No dia 29 de Maio “já tarde”, entraram na vila de Torres Vedras o exército inglês e D. António, sob o comando de Norris.

D. António aposentou-se nas casas do prior de Stª Maria do Castelo, “e a noite foy dormir no Castello, onde pousava Francisco de Seixas” Cabreira, natural da vila, que veio a ser preso mais tarde pelo governo filipino, por causa desta sua atitude de facilitar a aposentação de D. António em Torres Vedras.

Contudo, muitos dos soldados ingleses “se embebedarão, por haver muito vinho nesta villa”. Beberam em tal excesso que muitos adoeceram e alguns chegaram mesmo a morrer.

Este incidente provocou um atraso no avanço dos Ingleses sobre Lisboa, dando tempo às tropas luso-castelhanas que defendiam a capital, de se prepararem para a chegada dos apoiantes de D. António.

Chegados próximo de Lisboa, os ingleses, perante a resistência dos sitiados, resolveram, no Domingo 4 de Junho, retirar-se a caminho de Cascais., onde chegaram no dia seguinte, perseguidos pelas tropas luso-castelhanas.

Em 18 de Junho iniciaram a sua retirada, embarcando na armada estacionada em Peniche .

Entretanto, no dia 6 de Junho, cerca de mil homens comandados por D. Martim Soares e pelo capitão António Pereira, reconquistaram, quase sem combate, o castelo de Torres Vedras(4).


Em definitivo, a região voltou a obedecer a D. Filipe II.

Depois desses dois episódios de resistência local inicial ao domínio filipino, não se voltaram a assinalar episódios político-militares  significativos até à Restauração.

Apenas um ano antes da Restauração, num documento enviado ao alcaide de então, D. João Soares de Alarcão, se revela alguma preocupação em defender a região de um possível ataque da armada francesa em apoio de uma possível insurreição no Reino.

Nesse documento, datado de 26 de Junho de 1639, já no reinado de D. Filipe IV (IIIº de Portugal), o monarca encarrega o alcaide de Torres Vedras de levantar a gente de armas da região.

Por esse documento, que refere números relativos ao total da Comarca de Torres Vedras (muito mais extensa que os limites do concelho), ficamos a saber que, na comarca, existiam 9 743 homens capazes de pegar em armas, dos quais 5722 tinham espingardas e arcabuzes e 991 “piques”.

Por ordem do mesmo monarca foram escolhidos 1 200 homens para se reunirem na vila de Torres Vedras, prontos a resistir a um ataque da armada francesa à costa portuguesa, um reflexo local da chamada “Guerra dos 30 anos”(5).

Durante esse período, a vila de Torres Vedras adquiriu uma considerável importância politica e económica, patentes no prestígio da família dos Alarcões junto da coroa espanhola e na concretização da Comarca de Torres Vedras, criada anos antes mas que só passou a ser efectiva em 1617 (6).

Sem procuramos ser exaustivos, aqui pretendemos deixar uma breve síntese sobre os episódios mais marcantes da história torriense durante o domínio filipino.

  • (1)   Existem duas obras fundamentais sobre esse período em Torres Vedras: BRAGA, Paulo Drumond, Torres Vedras no reinado de Filipe II – Crime, Castigo e Perdão, ed. Câmara Municipal de Torres Vedras/Edições Colibri, Lisboa 2009; VEIGA, Carlos Margaça e SILVA, Carlos Guardado da, O Livro de Acordãos do Município de Torres Vedras – 1596-1599, ed. CMTV, 2003.
  • (2)   RÊGO, Rogério de Figueirôa , “O Castelo de Torres Vedras”, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, nº 21, Série II, Maio/Agosto de 1949, pp. 195-209.
  • (3)   Existe muita bibliografia e muitas referências a esse episódio. Recentemente, nas páginas do “Badaladas”, foi publicada uma excelente síntese sobre esse episódio, da autoria de GRANADA, Manuel Novais, “Revista de Lisboa garantia em 1932 – Última batalha entre as tropas castelhanas e as milícias do “rei da Ericeira” deu-se no castelo de Torres Vedras”, edição de 27 de Julho de 2018; e “Justiça de Filipe I abateu-se de modo implacável sobre os revoltosos de “D. Sebastião da Ericeira” (conclusão), edição de 17 de Agosto de 2018.
  • (4)   FALCÃO de RESENDE, André, “Carta que o autor escreveo a hum Amigo em que se conta a vinda dos Ingleses a Lisboa com dom António Prior do Crato no Ano de mil quinhentos e oytente e nove annos”, in Manuscrito da Livraria, cota 1147,   Arquivo Nacional da Torres do Tombo. Voltaremos a este tema, com mais pormenor, no próximo ano, por ocasião da comemoração da efeméride deste episódio.
  • (5)   “Menção Histórica”, in A Semana de 23/6/1892.
  • (6)   SERRÂO, Joaquim Veríssimo, O Surto Regional na legislação dos Filipes (1581-1625), ed. 1975 e O tempo dos Filipes em Portugal e no Brasil, ed. Colibri, Lisboa.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A Vida Torriense nos caracteres da Imprensa Local (Finais do Século XIX) - (1885-1890) - Fevereiro de 1888

FEVEREIRO 1888 
Em 1888 já se festejava o Carnaval em Torres Vedras, embora sem o brilho dos nossos dias. 
Alguns mascarados percorrendo as ruas e uma ou outra festa particular eram, então, os únicos sinais desses festejos. 
Carlos Velloso, que então assinava uma crónica semanal no jornal “A Semana”, fazia um balanço desse Carnaval de 1888: 
“O que houve de mais notável no nosso Carnaval sensaborão, foi uma mascarada de fina ideia, verdadeira de costumes, e agradável por mil motivos. Uma estudantina composta de rapazes músicos e d’excellente voz, de magnífica apresentação e espirituosa phrase, trouxeram-nos a notícia de que estávamos em pleno Entrudo (…). 
“Eu disse-vos que as ruas estavam vazias de máscaras, mas não vos contei que as salas estiveram cheias de valsistas. O Carnaval, que este anno aqui sentiu umas veleidades d’elegância, não quis magiar os pés nas pedras pontiagudas das calçadas, e foi para os salões romper as botas de polimento n’um voltejar vertiginoso, ao som das notas languidas das valsas de Metrà (…)” (1). 
Os dois jornais que então se publicavam na vila, “Voz de Torres Vedras” e “A Semana”, referiram alguns dos locais onde decorreram essas festas : na casa do sr. Augusto Santos Ferreira “onde uma encantadora diversão se proporcionou a deliciar o grande número de convidados que enchiam as suas salas”  e “n’um teatrinho improvisado”, onde se realizou uma “soirée” com “recita”, em “que apenas tomaram parte senhoras, que revelaram um grande talento artístico e uma boa educação literária. Alguns cavalheiros recitaram poesias e dançou-se até às duas horas da manhã” (2). 
Por sua vez, na Terça-feira de Carnaval “reuniram-se nas salas do club torreense as principais famílias da localidade, as quaes (…) passaram uma noite deliciosa. Dançou-se muito”, realizando-se igualmente um baile “nas salas do sr. José Norberto Correia Lopes da Feliteira” (3). 
Na época de Carnaval o acontecimento mais importante que então se realizou terá sido a tradicional procissão das cinzas, como se pode concluir da seguinte notícia:“Realizou-se hontem [15 de Fevereiro] a procissão que a venerável ordem terceira de S. Francisco é obrigada a fazer por compromisso declarado no Breve da sua instituição, datado de 21 de Novembro de 1676. 
“Levava 9 andores, e muitos irmãos, sendo acompanhada pela filarmónica torreense e por grande concurso de povo da villa e dos arredores (…).“Esta irmandade da Ordem Terceira faz durante o anno muitas esmolas a pobres desta villa, e dá também morada a pessoas necessitadas nas casas contiguas à ermida de S. João. 
“Tem a sua capella e casa de despacho na egreja de S. Thiago, por concessão que obteve de um bocado de chão contíguo àquella egreja, onde edificou aposentos próprios. 
“Os fundos d’esta irmandade resultantes de esmolas, legadas e annuaes, são avultadas, e da boa administração resultam as suas prosperidades. O primeiro capital que deu a juros foi de 60$000 réis, há mais de século e meio” (4). 
Outras festas tiveram lugar, nesse mês de Fevereiro, noutras freguesias do concelho.Foi o caso dos festejos em honra da Senhora da Purificação, em 2 de Fevereiro, no Sirol, freguesia de Dois Portos, e em Runa, que contaram, respectivamente, com a presença da Filarmónica da Ribaldeira e da Filarmónica Torrense. 
Em 3 de Fevereiro realizou-se a Festa dedicada a S. Brás, em Monte Redondo, “com música, arraial e procissão”, que deu “volta ao largo onde foi collocada uma cruz de pedra em substituição d’uma de madeira que ali existia” (5). 
Em Torres Vedras também teve lugar nesse mês uma importante reunião, convocada pelos cidadãos Dr. Aleixo Ferreira, Augusto dos Santos Ferreira, Caetano de Figueiredo e João de Guimarães, com o objectivo de discutir a idéia de contruir um Teatro em Torres Vedras “para que a população fluctuante não se veja obrigada a deitar-se ao sol posto, para que a população indígena não faça consistir o seu passatempo na sublime diversão da manilha e da bica sueca (…)” (6). 
Vários actos de agressão e desordem pública tiveram lugar nesse mês de Fevereiro, quer na vila quer nas aldeias do concelho, talvez reflectindo, não só a situação social da época, mas também a falta de policiamento, uma das preocupações de então. 
Nos últimos dias desse mês esta situação era finalmente resolvida: 
“Depois do que escrevemos com relação à falta de policia n’esta localidade, é-nos grato noticiar que as reclamações da imprensa (…) foram attendidas pela autoridade superior do districto, junto do qual o sr. administrador do concelho (…) conseguiu que voltassem para esta localidade os dois guardas de policia que em tempo aqui estiveram, acompanhados de um outro, que junto com os três antigos formaram uma esquadra” (7). 
De referir que, nesse mês surgiu o primeiro jornal cultural editado em Torres Vedras, “O Bocage”, jornal de curta duração. 
No dia 14 de Fevereiro faleceu Francisco Rodrigues Peixoto, “sócio fundador da Fanfarra 24 de Julho” e que “foi dos membros d’essa sociedade o que mais instou (…) a organização da Associação 24 de Julho de 1884”, associação mutualista (8). 
Terminamos esta crónica dedicada a Fevereiro de 1888, com uma curiosa referência ao Castelo de Torres Vedras, escrita por Carlos Velloso na imprensa local desse mês: 
“Em Torres Vedras há o quer que seja, alguma cousa de sombrio, que se impõe ao viajante, que o domina, que lhe faz experimentar uma sensação de frio. O estudo da sua vida commercial, activa e muda, do sussurro que se pressente, vindos dos centros do trabalho; a contemplação de um Castello histórico, aos pés do qual ella dorme, sonhamdo voluptuosamente o seu passado glorioso, immergem o caminhante na medição abstracta de quem fita um monumento. 
“Quando, há anos já, passámos aqui pela primeira vez, em gozo d’umas férias, joeirado n’uma diligência, em uma jornada “à-la-diable”, que tinha feito uma alliança tenebrosa com umas bellas rezões que trazíamos  como recordação da nossa província, um companheiro indígena apontava-nos o Castello arruinado, theatro  de dramas sanguinolentos. Fallava-me do Bonfim e do Saldanha, e indicando-me uma oliveira, que me parece já ter sido sacrificada – vê?, além morreu o Mousinho, um homem às direitas! 
“Isto define um povo – trabalho e glória, que são duas glórias juntas, mas que teem um pezo enorme que immergem o caminhante na meditação abstracta de quem fita um monumento” (9). 

(1)    – in A Semana de 16 de Fevereiro de 1888;
(2)    – in A Semana de 9 de Fevereiro de 1888;
(3)    – in Voz de Torres Vedras de 18 de Fevereiro de 1888;
(4)    – In A Semana de 16 de Fevereiro de 1888;
(5)    – in A Semana de 2 de Fevereiro de 1888;
(6)    - in A Semana de 9 de Fevereiro de 1888;
(7)    – in Voz de Torres Vedras de 25 de Fevereiro de 1888;
(8)    - in Voz de Torres Vedras de 18 de Fevereiro de 1888;
(9)    – in A Semana de 9 de Fevereiro de 1888.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Torres Vedras - Um castelo em imagens (EB São Domingos de Carmões)

A História local tem sido um precioso auxiliar de aprendizagem usado nas escolas para o ensino da História.

A história local aproxima muito os jovens estudantes da realidade histórica, pela proximidade com os vestígios dessa realidade conhecidos de todos.

Em Torres Vedras e no seu concelho não faltam exemplos e vestígios do passado histórico.

O Castelo de Torres Vedras é sem dúvida um dos objectos históricos mais conhecidos e mais explorados.

As escolas do concelho, ao longo dos tempos, têm desenvolvido um grande trabalho de divulgação e investigação em torno da história local, um trabalho muitas vezes injustamente desconhecido e valioso.

É o caso deste trabalho realizado pela Escola Básica de São Domingos de Carmões, disponibilizado na internet e que merece ser conhecido e divulgado:

quinta-feira, 5 de março de 2015

Castelo de Torres Vedras - Nos Alvores da Idade Moderna








Conhecer o Castelo de Torres e os mais recentes conhecimentos sobre a sua origem e evolução é o objectivo deste excelente video, produzido para o Centro Interpretativo localizado naquele monumento, à volta do qual cresceu e viveu a actual cidade de Torres Vedras.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Bang Awards - um fim de semana torriense com cinema de animação.

Tem hoje início, prolongando-se até Domingo, a mostra de cinema de animação Banga Award, com actividades em vários locais da cidade, principalmente no Castelo, e cuja programação pode ser consultada AQUI.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Recordar José Saramago em Torres Vedras

Faleceu hoje José Saramago, um dos maiores escritores portugueses de sempre e o único consagrado com o Prémio Nobel, em 8 de Outubro de 1998.

Foram várias as ocasiões em que José Saramago visitou Torres Vedras, mas talvez poucos conheçam o que ele escreveu sobre este concelho na sua obra “Viagem a Portugal”.

Como homenagem e recordação desse grande vulto da cultura portuguesa, transcrevemos aqui alguns excertos dessa visita, nomeadamente na parte relativa ao Chafariz dos Canos, ao Castelo de Torres Vedras e ao Turcifal:

Saramago no Chafariz dos Canos:



“Em Torres Vedras, o viajante começou por ver a Fonte dos Canos.Estava mesmo no caminho, mal parecia desprezá-la. Muito estimavam a água os construtores do século XIV para desta maneira a preitearem, arcos ogivais de bom desenho e talhe, capitéis que não são mera fórmula estrutural, gárgulas imaginosas. Não corria hoje a água, esgotou-se talvez o caudal, ou, tendo sido integrado no abastecimento público, não cuidaram de o reencaminhar para a secular saída. Lastima o viajante : fonte que não corre, é mais triste que ruína.”
( José Saramago, Viagem a Portugal, ed. Caminho, 10ª edição, 1995, p.256)

Saramago no Castelo e na Igreja de Stª Maria do Castelo



“Como a tarde vai chegando ao fim, o viajante quer dar uma última vista de olhos à paisagem donde veio. Sobe ao castelo, admira até onde os olhos alcançam, e, estando ali a Igreja de Santa Maria do Castelo, erro seria não aproveitar (...). No alto da vila, e metida entre as muralhas, a igreja está silenciosa, não zumbe mosca, nem os pássaros se ouvem lá fora. O viajante repara numa porta que ali há, empurra-a e encontra-se numa pequena divisão nua de móveis ou outra decoração. Dá três passos e quando, movendo ao mesmo tempo o corpo, passa os olhos em redor, tem um violento sobressalto : julgou ter visto uma enorme cara a espreitá-lo pela frincha doutra porta. Confessa antes que lhe perguntem: teve medo. Mas enfim, um viajante é um homem: se não há ali ninguém que lhe admire a coragem, prove-a a si próprio.
“Aproximou-se da porta misteriosa e abriu-a de repelão. Ajoelhado no pavimento de tijoleira, estava um enorme S.José de pasta, já esfarrapadas as vestimentas, todo ele papelão moldado, velhinho mais que o natural na brancura de cabelo, barba, bigode e sobrancelhas, mas muito jovem de pele. Era uma figura de presépio, claro está”.
(In José Saramago, Viagem a Portugal,ed. Caminho, 10º edição, 1995,p.257).

Saramago no Turcifal



Por último, da mesma edição, a visita ao Turcifal
“Foi o caso de no Turcifal ter visto o viajante uma altíssima igreja erguida sobre um terreiro a que por tesos lances de escadaria se chegaria, havendo boa perna. Buliu o avantajado edifício com a curiosidade do viajante, que se lançou ao habitual jogo da chave. (...) O viajante bateu uma vez, bateu duas vezes, e depois de bater três vezes entreabriu-se uma frincha zelosa, e uma cara de mulher velha apareceu, severa: “Que deseja?” Dá o viajante o seu habitual recado, veio de longe, anda a visitar, seria um grande favor, etc. Responde a frincha da porta: “Não estou autorizada. Não dou a chave. Vá pedir ao padre.” (...) Já pensa que no limiar da povoação fará o teatral gesto de sacudir a poeira das botas, mas então lembra-se do bom modo da primeira mulher, e vai ao padre. Pasmemos todos. A velha já lá está, em grandes demonstrações explicativas, de palavra e gesto, com a ama do padre, ou talvez parente. (...) E tudo vem a explicar-se. Esta pobre mulher, mostrando a igreja a visitantes, foi por duas vezes vítima de ataques. Uma das vezes até lhe deitaram as mãos ao pescoço, um horror. O viajante fora confundido.”

domingo, 18 de abril de 2010

Um roteiro por "monumentos e sítios" da cidade de Torres Vedras

Hoje, Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, deixamos aqui uma sugestão de um roteiro pelos mais emblemáticos monumentos e sítios da cidade de Torres Vedras:

TORRES VEDRAS  - PROPOSTA PARA UM ROTEIRO URBANO HISTÓRICO

CASTELO

À sombra da sua muralha nasceu e cresceu o burgo medieval de Torres Vedras. Conquistado (ou negociado) aos mouros por volta de 1148 por D. Afonso Henriques, foi palco de vários episódios da nossa história .

No século XIV, segundo a descrição do cronista Fernão Lopes, Torres Vedras era então “uma fortaleza assentada em cima de uma formosa mota, a qual natureza criou em tão ordenada igualdade como se à mão fosse feita artificialmente” . A vila tinha “uma cerca arredor do monte e na maior alteza dele está o castelo”.

A sua estrutura actual data em grande parte das obras de reconstrução ordenadas pelo rei D. Manuel, situação testemunhada pela porta gótica ogival, datada de 1516, encimada por esferas armilares manuelinas

Já em parte arruinado, mas ainda habitado, o castelo sofreu graves danos com o terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Apesar da ruína, voltaria o velho castelo a recuperar a sua importância militar quando, em 1810, foi integrado no sistema defensivo das “Linhas de Torres”.

IGREJA DE STª MARIA DO CASTELO

Sede da mais antiga paróquia da vila, edificada no século XII. Assenta sobre ruínas romanas e visigóticas, sucedendo a uma mesquita .

Da antiga fundação podem ver-se as colunas com capitéis românicos, com símbolos do “cântico dos cânticos”.

Toda a actual estrutura da igreja remonta a obras de restauro de 1662. Tem duas torres de traça seiscentista. Antigamente uma era municipal ( a do relógio) e outra era paroquial (a sineira). Ruiram durante o terramoto de 1755.

PAÇOS DA RAINHA

Foi mandado edificar pela a rainha D. Beatriz, esposa de D. Afonso III, no século XIII. Nele teve lugar do conselho régio de 1414 (24 Julho 1414 ?) onde se decidiu a Conquista de Ceuta que iniciou a expansão marítima portuguesa.

TRAVESSA DO QUEBRA COSTAS

Rua de características medievais, destacando-se o “arco” que une uma casa aos dois lados da rua.

JUDIARIA

Em Portugal D. Dinis, (século XIII), no seguimento dos seus conflitos com o clero, comprometeu-se a obrigar os judeus a morar “apartadamente”.

Em Torres Vedras tal promessa ter-se-á realizado já no reinado do seu sucessor, D. Afonso IV. Os judeus foram expulsos de Torres Vedras em 1499.

IGREJA DE S.TIAGO

Foi reconstruída nos séculos XVI e XVII.

Tem pórtico Manuelino.

Pensa-se que esteve ligada às peregrinações a Santiago de Compostela

IGREJA DE S. PEDRO

Sede de paróquia desde a fundação da nacionalidade foi reconstruída no séc. XVI, datando desta época a sua traça actual.

O seu pórtico manuelino, encimado pelas armas reais (armas com símbolos de Portugal e Castela) atribuídas à rainha D. Maria (2ª mulher de D. Manuel entre 1510 e 1517), é um dos ex-libris de Torres Vedras.

No seu interior merece destaque o túmulo quinhentista de João Lopes Perestrelo e esposa, D.ª Filipa (vinculou a Quinta do Espanhol em 1542, acompanhou Vasco da Gama na sua segunda viagem à Índia em 1502, comandando um navio, e era primo da mulher de Cristovão Colombo).

De destacar ainda o seu rico e variado património de azulejos

Anexa à igreja existe a Casa da Irmandade dos Clérigos Pobres construída entre 1737 e 1769. No seu tecto podem ver-se 4 telas dos Evangelistas (S. Marcos, S. Mateus, S. Lucas e S. João) da autoria de Bernardo de Oliveira Góis e silhar de azulejos do século XVIII, com assuntos tirados da gravuras de Cláudio Coelho .

CHAFARIZ DOS CANOS

Situava-se à entrada da mais importante porta da vila. Dessedentava as montadas, pelo que aí se concentravam várias actividades profissionais como as de ferrador, correeiro e albardeiro.

Data de 1322 o primeiro documento que se refere à sua existência.

Este Chafariz foi reconstruído em 1561 pela infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel.

Esta fonte é um monumento onde se encontram elementos de diferentes épocas, mas onde domina a arte gótica.

Existem nas faces das colunas do monumento um conjunto de quatro escudos: “ os da frente ostentando o brasão real que remonta ao século XIII, sendo com toda a probabilidade do reinado de D. Afonso III, e os dois laterais da mesma época, representando em três castelos de linhas severas, sóbrias de atavios, o velho brasão da antiga Turribus Veteribus.” ( SALINAS CALADO).


Destaque ainda para o interessante conjunto de gárgulas góticas que decoram este monumento.


CONVENTO E IGREJA DA GRAÇA

A sua construção teve lugar ao longo do século XVI para substituir o velho convento dos eremitas calçados de S. tº Agostinho.

No lugar onde foi construído este segundo mosteiro existia a gafaria de St.º André, cujo terreno foi doado à ordem agostiniana de Torres Vedras, por alvará de D. João III, datado de 26 de Setembro de 1542, para aí se construir este novo convento.

Em 1588 foi prior deste convento Frei Aleixo de Menezes, cuja vida está documentada nos azulejos do século XVIII do claustro.

Por decreto de 30 de Maio de 1834 foi extinto o convento da Graça e os seus frades foram expulsos.

De estilo renascentista, existem no seu interior várias capelas

Na parede da Capela-mor existe um nicho com o primitivo túmulo de S. Gonçalo de Lagos, padroeiro de T: Vedras, que foi prior do primitivo convento desde 1412 e falecido em T. Vedras em Outubro de 1422.


... um Bom Passeio!