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terça-feira, 15 de outubro de 2024

Os primeiros “torrienses”

(Trindade e Paço, 1964)

Foi há 60 anos que Leonel Trindade e Afonso do Paço elaboraram a primeira síntese sobre o que então se sabia àcerca dos primeiros habitantes da região deste concelho. Trata-se da publicação, na revista Arquivo de Beja, do estudo intitulado “Subsídios para uma carta arqueológica do concelho de Torres Vedras – I – Algumas estações paleolíticas”, publicado como separata em 1964 com a data de Abril desse ano.

Fazendo um breve historial sobre os primeiros trabalhos arqueológicos onde se fizeram descobertas sobre a ocupação paleolítica nesta região, em especial junto ao litoral de Santa Cruz, trabalhos esses iniciados em 1934, os autores fazem o levantamento desses primeiros achados, acompanhados por ilustrações da autoria de Maria João Lopes do Paço e por um mapa com a sua localização neste concelho (mapa que ilustra este artigo).

Os primeiros objectos desse período, cerca de um milhar, foram recolhidos na costa de Santa Cruz, na Ponta da Vigía, a norte de Santa Cruz, no chamado lugar de “A Mina”, a este daquela localidade e perto do “Porto Escada”, a sul.

A maior parte desses materiais líticos datavam, uns do paleolítico inferior, em pequeno número, e a maior parte do paleolítico superior.

Anos depois, Leonel Trindade descobriu outras estações arqueológicas e vestígios do Paleolítico Superior, “uma na zona de Cambelas e outra no Rossio do Cabo”, esta situada na freguesia de A-Dos-Cunhados, e numa estação “a W. do Casalinho”.

Do mesmo período existiam à época, no Museu Municipal, alguns utensílios desse período, um biface recolhido por outro importante arqueólogo local, Aurélio Ricardo Belo, no “Vale de Carros”, no Maxial, outro recolhido por Leonel Trindade junto ao cemitério da então vila de Torres Vedras.

Na freguesia da Silveira tinham também sido recolhidos vestígios líticos desse período no Casal da Portela e no Casal das Pedrosas.

A partir de então o conhecimento sobre esse período, o mais antigo com ocupação humana na região, conheceu um grande desenvolvimento, com novas descobertas e publicações que actualizaram o esse conhecimento, com destaque para a nova síntese sobre a pré-história torriense da autoria de Cecília Travanca (ver bibliografia) e para a monumental obra de João Zilhão em dois volumes, O Paleolítico Superior da Estremadura Portuguesa, de 1997.

Com base nessas obras e noutras indicadas na bibliografia publicada em baixo, é possível fazer um breve levantamento sobre as estações paleolíticas e o tipo de vestígios recolhidos que documentam a primeira ocupação humana deste território.

Chama-se contudo a atenção que este é um tema sempre em evolução, não só em relação a novas descobertas, como em relação à datação para cada período, pelo que alguns dados referidos podem já estardesactualizados:

1 – Paleolítico Inferior ( 3 milhões de anos a 300 000 aC) (Na região europeia a ocupação humana só aconteceu há cerca de 800 mil anos atrás).

1– 1 –  Acheulense (400 000 a 300 000 aC) – Bifaces como vestígios mais frequentes, usados pelo Atlantropo

1– 1 – 1 – Pré – Acheulense:  Santa Cruz ( Corresponde a três sítios ao longo do litoral desse sítio .Ponta da Vigia, a norte, “a Mina”, a Este e perto do “Porto da Escada”, a Sul); perto da fonte da Água do seixo, Santa Cruz; e Seixosa (?).

1– 1 – 2 – Acheulense Médio: Casal das Pedrosas, Silveira; Casal da Portela, Silveira; Torres Vedras, área do mercado municipal; Vale de Carros, Maxial

1 – 1 – 3 – Acheulense Superior:  Seixo, Santa Cruz.

1 – 1 – 4 – Outros sítios com vestígios do Paleolítico Inferior: Ponte do Rol; Galegueira, Ponte do Rol; A-Dos-Cunhados; Carrascais, A-Dos-Cunhados; Sobreiro Curvo, A-Dos-Cunhados; Gruta de  Lapa da Rainha, Maceira.

2 –Paleolítico Médio (300 000 a 35 000 aC, última glaciação (Wurm), ocupação Neanderthal):

Penafirme, A -Dos- Cunhados;  Casal do Soito, Ponte do Rol; Casal do Calvo, Ponto do Rol.

3 - Paleolítico Superior (35 000 aC – 10 000 aC) – Homo Sapiens Sapiens.

3 – 1 – Aurinhacense (28 000 aC  – 26 000 aC) (Cro-Magnon) (Primeiras manifestações de arte figurativa: figuras de animais muito esquemática e signos gravados em blocos de calcário):Santa Cruz; achado isolado, em lugar desconhecido.

3 – 2 – Gravettense e Proto-Solutrense ( 26 000 aC – 21 000 aC).Período caracterizada pela indústria do buril de truncatura retocada. Na arte caracteriza-se pelas estatuetas  femininas em marfim (“Vénus”)

São deste período, neste concelho, espólio constituído por artefactos líticos, encontrados em Cova da Moura (Cambelas, S. Pedro da Cadeira) e em sítio ao ar livre localizado no Vale da Fonte ou Vale de Almoinha, a 500 metros da mina de água que lhe deu aquela designação.

 3 – 3 -  Solutrense (21 000 aC – 16 000 aC).Período caracterizado pela grande perfeição na técnica de talhe. A “folha-de-loureiro” e a raspadeira são dois dos instrumentos típicos deste período:

- Vale Almoinha, Cambelas, S. Pedro da Cadeira. A causa provável da escolha deste lugar como acampamento pré-histórico pode dever-se à existência, a 100 metros do lugar de uma nascente de água doce, já existente na época. A maioria do material lítico é constituído por peças em sílex (95% do total), algumas em quartzo, nomeadamente raspadeiras, “folhas de loureiro”, lascas, lamelas, lâminas, núcleos.

– Lapa da Rainha, Maceira. Gruta de abrigo esporádico, tendo servido fundamentalmente de toca de carnívoros. Para além de vestígios ósseos humanos fossilizados, foram encontrados ossos de animais já extintos na região, como o rinoceronte e a hiena.

3 – 4 – Magdalenense (16 000 aC – 10 000 aC). Caracteriza-se pelo importante desenvolvimento da indústria óssea e pela qualidade das obras de arte mobiliária ou parietal. Transição entre Paleolítico  e o Mesolítico:

- Baio ou Cerrado Novo ou W. do Casalinho, junto à foz do rio Sizandro, margem esquerda , Gentias do Meio, S. Pedro da Cadeira. Produção de lascas e lamelas. Data provavelmente de entre cerca 11000 e de 10500 aC. Os seus vestígios  prolongam-se pelo Neolítico;

-  Vale da Mata, na margem esquerda do rio Sizandro,Gentias, S. Pedro da Cadeira;

- Rossio do Cabo, Santa Cruz, no sítio onde se construiu o campo de tiro, 3 km. a NE. da praia de S.tª Cruz. Parece “ ter sido um acampamento de superfície, de pequena extensão, ocupado por caçadores durante um período de tempo relativamente curto” (RODRIGUES, 1999, p.60).

Esta estação arqueológica foi descoberta por Leonel Trindade em 1950.“A estação do Rossio do Cabo é um contributo importante para a arqueologia portuguesa: confirmando a influência europeia no ocidente da Península em pleno Paleolítico Superior, dá-nos elementos para verificarmos o estabelecimento no litoral estremenho de tribos aurinhacenses. Estas viveram, por certo em espaço de tempo reduzido, num acampamento ao ar livre, trabalhando com segurança material que iam buscar (...) a localidades distantes”, como Runa, Torres Vedras e, talvez, Rio Maior, Nazaré e Lisboa. (FREITAS, 1959, p.62).

– Pinhal da Fonte, Cambelas, S. Pedro da Cadeira.

3 – 5 – Outros lugares com vestígios do paleolítico superior: a SE de Casalinhos de Alfaiates; Escaravelheira (Vestígios líticos, do paleolítico superior final ou Epipaleolítico); Porto Escada, a sul de Santa Cruz; lugar da Mina Santa Cruz; Vale do Pizão, Santa Cruz; Vale do Cortiço, Santa Cruz; Ponta da Vigia, Santa Cruz; Póvoa de Penafirme; Varatojo; Fonte Grada;  Ponte do Rol; Casal do Calvo, Ponte do Rol.

Achados de superfície: Galegueira, Ponte do Rol; Casal da Portela, no vale do Sizandro; Vale do Covo, A-Dos-Cunhados; Cabeça Ruiva; Curral Velho, S. Pedro da Cadeira; Concheiro do Pinhal da Fonte, S. Pedro da Cadeira.

Em termos gerais, num período marcado pelo nomadismo dos grupos humanos, e tendo em conta as condições climatéricas, geográficas e naturais, muito diferentes das actuais, a maior parte dos vestígios desse período, encontrados neste concelho, concentram-se no litoral e ao longo do vale do Sizandro, que teriam também características diferentes das actuais geográficas (em relação à linha de costa, nível do mar e ao leito dos rios).

Não queremos terminar sem destacar o trabalho esforçado realizado aos longo dos anos pela equipa de arqueólogos torrienses ligados ao Museu Municipal Leonel Trindade.

 

BIBLIOGRAFIA:

CARVALHO, Emmanuel e outros, “More Data for na archeological map os the county of Torres Vedras” (paleolítico), in Arqueologia, nº 19, Junho de 1989, Porto 1989, pp. 16 a 33.

FREITAS, Cândido Manuel Varela de , A Arqueologia do Concelho de Torres Vedras (Contribuição para o seu estudo até à época Lusitano-Romana), Dissertação de licenciatura no Curso de Ciências Históricas e Filosóficas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  2 volumes, Lisboa 1959,

“Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.

LEEUWAARDEN, Wim Van e QUEIRÓZ, Paula Fernanda, “Estudo de Arqueobotânica no sítio da Ponta da Vigia (Torres Vedras)”, in Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol.6, nº1, 2003, pp. 79 a 81;

LOURENÇO, Sandra, e ZAMBUJO, Gertrudes, “Duas novas datações absolutas para a Ponta da Vigia (Torres Vedras)”, Revista Portuguesa de Arqueologia, Volume 6, nº 1, 2003, pp. 69-78;

LUNA, Isabel de, “Investigação arqueológica em Runa”, in “Freguesias” (Runa), suplemento nº 13 do jornal Badaladas, 15-10-1999.

PAÇO, Afonso do e TRINDADE, Leonel, Subsídios para uma carta arqueológica do concelho de Torres Vedras, separata do “Arquivo de Beja”, vol.XX-XXI, 1963-1964, ed. Minerva Comercial, Beja, 1964.

ROCHE, J. e TRINDADE, L., La Station Prehistorique de Rossio do Cabo (Santa Cruz – Estremadura), Porto 1951, separata do Boletim da Sociedade de Geológica de Portugal, Vol. IX (pg. 219-228), 1951;

RODRIGUES, Cecília Travanca, “O Passado Longínquo: da Pré-História à Romanização”, in Torres Vedras – Passado e Presente, vol I, pp. 35 a 60, C.M.T.V., 1996.

RODRIGUES, Cecília Travanca, Reconhecer Leonel Trindade, Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, 1999 (publica uma vasta bibliografia sobre a arqueologia torriense, com autoria ou coautoria de Leonel Trindade).

VIANA, A. E ZBYSZEWSKI, G., Gruta da Maceira (Vimeiro), Porto 1949, Instituto para a Alta Cultura-Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, Porto, separata do fascículo 1-2, vol XII de Trabalhos de Antropologia e Etnologia;

ZILHÃO, João, O Paleolítico Superior da Estremadura Portuguesa, 2 vol., ed. Colibri, Lisboa 1997.

ZILHÃO, João, O Solutrense da Estremadura Portuguesa – uma proposta de interpretação paleoantropológica, IPPC, Lisboa 1987.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Recordar Leonel Trindade, “revisitando” o Castro do Zambujal


Passam este ano vinte cinco anos sobre o falecimento de Leonel Trindade.

Foi a 4 de Janeiro de 1992 que essa figura incontornável da vida cultural torriense nos deixou, aos 88 anos.

Leonel Trindade ficou especialmente conhecido pelas suas importantes descobertas arqueológicas na região, sendo uma das grandes referências da arqueologia portuguesa.

Devemos a Cecília Travanca a mais completa biografia daquela personalidade torriense, pelo que aconselhamos vivamente a leitura desta obra (1).
 
Não é nossa intenção traçar aqui o perfil de Leonel Trindade mas, em sua homenagem, revisitar aqui um dos seus contributos mais importantes para a história e a arqueologia nacional, a descoberta e exploração arqueológica do Castro do Zambujal, sendo o arqueólogo torriense coautor de sete textos fundamentais sobre esse lugar (num conjunto de vinte e duas obras que publicou, em coautoria com alguns dos mais importantes arqueólogos portugueses e estrangeiro que por cá trabalharam, sobre a arqueologia da região) .

Esta importante estação arqueológica foi descoberto por Leonel Trindade em 1938,  responsável pelas primeiras escavações em 1944, às quais se seguiram outras em 1959 e 1960, acompanhando-o, nos dois últimos anos, o Dr. Aurélio Ricardo Belo. Foi então convidado o Instituto Arqueológico Alemão a continuar esse trabalho, o que aconteceu entre 1964 e 1973, período durante o qual se efectuaram sete campanhas de escavações orientadas por E. Sangmeister, H. Schubart e W. Huebener .

Nos anos seguintes foi estudado, por aquele Instituto, o espólio e o conjunto de informações obtidas naquelas escavações, distinguindo-se nesta fase o trabalho do arqueólogo Dr. Michael Kunst, que tem liderado as escavações mais recentes.

 
O Castro do Zambujal foi declarado Monumento Nacional pelo Decreto 35817 de 20/8/1946.

O nome de Zambujal “deriva sem dúvida, de uma mata de zambujos (...) uma espécie de oliveira silvestre, que existia em tempos no local e dos quais alguns exemplares ainda se vêem vegetando nos arredores, sendo outros aproveitados para neles se enxertarem oliveiras, tal como ainda hoje se pode observar num centenário olival que existe no sopé do monte onde está situado o castro”  (2) .

O “Castro” terá sido ocupado entre 2500 aC. e 1700 aC e o local terá sido escolhido por razões estratégicas:

”Não sendo a maior elevação da cadeia montanhosa a Este da Ribeira de Pedrulhos, ficam-lhe por trás os pontos mais altos, encobrindo-a de quem se aproxima vindo de Oeste. Ao escolherem este local relativamente afastado da costa (...), os seus habitantes tinham a vantagem de avistarem o mar e a desembocadura do Rio Sizandro sem que pudessem ser observados” (3).

Sabe-se também pelas “ datações de C14 efectuadas em conchas provenientes dos sedimentos marinhos (…) que, durante o Calcolítico, se estendia um braço de mar até à actual aldeia de Ribeira de Pedrulhos. No entanto, ainda é desconhecida a amplitude total deste braço de mar, principalmente no vale do rio Sizandro. A distância que separava o Zambujal  desta baía era somente de cerca de 1 Km, mantendo-se assim até à fase 4 da construção. Uma rápida sedimentação, provocada por uma forte erosão, provocou o desaparecimento gradual deste braço de mar. Provavelmente, a diminuição da área do povoado, referente à fase 5 da construção, teve a ver com este fenómeno.”(4).

Os vestígios de fortificações revelam-nos uma das principais características deste “castro”:

Os  “construtores  da fortificação desconheciam o método de travar muros, encostando as novas muralhas contra as anteriores. Do mesmo modo, eram os muros assentes no solo original, por vezes sobre rocha viva, mas também em camadas formadas por anteriores derrubes de muros ou mesmo adobe de casas.” (5).

Quando foi abandonado, por volta de 1700 aC., era um gigantesco e complexo conjunto, composto por quatro linhas de defesa ( esta quarta linha só recentemente foi descoberta (6)).

“O núcleo deste conjunto é uma fortificação circular com aproximadamente 40 metros de diâmetro interior, cujos muros chegam a atingir a espessura de 15 metros. Aparentemente, o topo destes muros serviria de plataforma sobre a qual os defensores se moviam livremente, aproveitando as vantagens da linha defensiva interior.

“Da muralha sobressaem bastiões semi-circulares, pouco distanciados e cobertos por cúpulas, a cujo interior as plataformas dariam acesso. Supomos que estas dispunham de seteiras, de modo a ser possível atirar sobre o inimigo de uma posição perfeitamente protegida. Um corredor, de apenas um metro de largura, conduz ao núcleo fortificado, atravessando a muralha num ponto em que esta atinge o 13 metros.

“Para oriente, a uma distância de 8 a 10 metros da fortificação central, corre uma segunda linha defensiva com uns dois metros de espessura e reforçada igualmente com bastiões semi-circulares

“A Este, e a cerca de 30 metros da Segunda linha, numa zona mais alta do terreno, encontra-se a terceira linha defensiva (...)” (7).

Conhecendo-se bem o sistema defensivo do Castro pouco se sabe sobre o seu povoado, devido à construção do Casal do Zambujal, “que veio a destruir o espaço interior da fortificação central até à rocha: todas as pedras utilizadas na construção do casal procedem da fortaleza”(8).

Actualmente já se comprovou a existência de cinco sistemas de construção:

“Os “sistemas de construção” resultaram de conceitos estratégicos diferentes (...). Todos os sistemas têm em comum o seguinte: uma cidadela central (...) que se encontra num esporão rochoso, é rodeado por cinturas amuralhadas mais ou menos concêntricas e possivelmente abertas para a escarpa do esporão” (9).

São as seguintes as principais características dessas fases de ocupação:

Fase de construção 1 – “Defesa em compartimentos (“labirinto). A fortaleza era dividida em pátios rodeados por muros autonomamente defendidos, para assim dividir o inimigo em pequenos grupos”;

Fase de construção 2 – “Defesa tipo “Causeweyed Camps”. Este sistema, completamente diferente do anterior, baseava-se em pátios com seteiras que defendiam portas do muro em frente, por onde podia passar uma só pessoa de cada vez”;

Fase de construção 3 – “Defesa com movimento sobre plataformas elevadas. Caracterizado pelo fecho e enchimento dos pátios anteriores, com grandes pedras e terra, de forma a constituirem-se plataformas elevadas onde os defensores se podiam movimentar com facilidade e melhor visualizar os movimentos do inimigo. Este sistema dava grande mobilidade à defesa, permitindo acorrer rapidamente onde ela fosse necessária”;

Fase de construção 4 – “Defesa com cobertura de flancos com torres ocas, elevadas, mas acrescido por torres ocas no exterior dos muros, de forma a permitir melhor cobertura dos flancos”;

Fase de construção 5 – “Possivelmente  abandonou-se a terceira linha da fortificação. As duas linhas mais interiores foram de novo reforçadas. Na linha II são visíveis pequenas entradas num nível mais elevado. Está-se, agora, em plena Idade do Bronze.” (10).

Correspondendo à fase 2, um dos poucos vestígios actualmente visíveis é o chamado “Barbacã”: “Na campanha de escavações de 1968 foi encontrado um pátio semi - circular, que continha ainda conservadas algumas paredes até uma altura de cerca de 4 metros (...). Na época da sua escavação chamou-se ao pátio “barbacã”. A sua parede a Leste contém aberturas que se interpretaram como uma pequena porta e seteiras, pois a elas correspondem pequenas portas na Segunda linha  de defesa (...). Estas portas são tão estreitas que só permitiam a entrada a um agressor de cada vez (...); no entanto este podia ser alvejado pelas setas dos guerreiros que se encontravam no interior da barbacã (...).

“Assim, fica claro que não se trata na verdade de uma barbacã, mas sim de um sistema  de defesa do tipo das construções neolíticas, chamadas “Causewyed Camps” por G. Childe (...)” (11).  

Não se prova “ a hipótese de terem sido navegantes do mediterrâneo Oriental que construiram estas fortificações, com o fim de as usar como feitorias, para assim dominarem as áreas adjacentes e controlarem as prospecções, produção e comércio do cobre, assumindo o poder. Também poderia ter acontecido que relações comerciais marítimas (directas ou indirectas) fizessem com que uma população indígena iniciasse a extracção do cobre, acumulando assim  uma riqueza, que a levasse a construir fortificações e a evoluir para novas formas de vida urbana e social. Ambas as soluções são possíveis, a partir de idênticas fontes tal como a possibilidade de terem existido outras formas intermediárias, diferentes de lugar para lugar. Não se podem negar, porém, as inovações que surgem com o Zambujal e estruturas aparentadas, a par de semelhanças de certos elementos com outros existentes no mediterrâneo Oriental.”(12).

“A sua localização pode (...) depender de factores antropogeográficas, mais do que de condições naturais” (13).

Para  Sangmeister e para Schubart, a posição do “Castro” é principalmente estratégica. Existem, contudo, “num círculo de cerca de 10 Km à volta do local “ onde se situa o Castro “vários locais que teriam sido igualmente favoráveis, ou até mesmo mais, em termos estratégicos”, como a área do vale do Sizandro entre Torres Vedras e Runa, com importantes recursos minerais e elevado potencial agrícola. Nesta área existem zonas que foram povoadas no tempo do Castro do Zambujal, como o Castro da Fórnea, o povoado do Penedo e a gruta sepulcral de Cova da Moura, denotando contudo povoados menos importantes que o Zambujal.

“Há evidência indirecta de que o comércio deve ter sido a fonte de riqueza óbvia do Zambujal (...)”. Nem “ os recursos locais de minerais, nem o potencial agrícola dos seus arredores podem ter sido a razão do poder económico do Zambujal. Há apenas um aspecto do seu meio circundante que é único nesta parte do Centro da Estremadura: o castro encontrava-se muito perto de um perfeito porto natural.

“Partindo do principio de que  a proximidade deste porto natural foi o factor macro-ambiental decisivo para a localização do povoado, os factores micro-ambientais para a sua fixação específica são mais fáceis de compreender. Há vários contrafortes de montanha de localização estratégica comparável, ainda mais próximos do antigo estuário, mas nenhum deles oferece um recurso local de pedra sólida pronta para usar como matéria prima de construção. As lajes de calcário arenoso, com que o castro foi construído, surge apenas numa estreita  faixa que se estende desde Torres Vedras, passando pelo Varatojo, até ao Zambujal, onde se aproxima ao máximo do antigo estuário do Sizandro. Mais próxima do rio, esta pedra calcária é revestida por uma pedra macia, quase arenosa, que não é boa para uso em alvenaria. O único outro local de onde as lajes, para edificar uma fortificação, poderiam ser extraídas junto à foz do Sizandro, nas arribas da costa.

“Uma localização na própria costa teria tido um grande número de desvantagens”, de entre elas, a exposição a piratas e inimigos vindos do mar e razões climatéricas.

Mas a “maior desvantagem de um local na costa actual seria (...) também antropogeográfica. Um porto é sempre um entreposto entre diferentes tipos de transporte. Num porto comercial florescente os transportes marítimos devem estar em conexão com estradas eficientes, que conduzam às áreas de produção ou consumo das mercadorias embarcadas. Um lugar da costa actual  teria sido marginal a qualquer das áreas descritas anteriormente como favoráveis”(14).

Existem vestígios que comprovam a importância da metalurgia para a economia do castro. “O cobre deve ter constituído o factor mais importante da economia  deste lugar” .

As casas de planta oval “apresentam um socalco de pedra sobre o qual se elevava uma cúpula feita de adobe (...). No interior das casas foram encontradas fogueiras não apenas para cozinhar.”

“São dois os casos em que várias fogueiras se agrupam em círculo, ao redor de uma estrutura plana, de barro, com os bordos elevados, tendo sido recolhidas nestas mais de 200 gotas de cobre fundido e, a redor das fogueiras, minúsculas gotas (tal como as que saltam quando se verte metal fundido) foram igualmente detectadas” (15).Nessas mesmas fogueiras surgiram também grãos de trigo carbonizados, o que parece indicar a sua utilização para fins culinários, pelo que se pode concluir que o cobre era fundido em indústrias caseiras.

“Para todo o período de ocupação do povoado (...) está documentada a metalurgia por vestígios de instalações destinadas à fundição do cobre” (16).

O cobre era importado, trazido de longe, “pois na zona não há notícia de jazidas de cobre. Supõe-se que o minério era fundido em pequenas quantidades, com carvão vegetal, procedendo-se logo à conversão do metal recém-obtido em barras e outros objectos.

“Há apenas um recurso destes [ minério de cobre] próximo do Zambujal. Trata-se de uma jazida de malaquite (...) que vêem à superfície próximo de Matacães, a pouco menos de duas horas a pé do Zambujal, seguindo o vale do Sizandro. A área é precisamente a Norte da bacia de Runa”, onde existia uma fonte de sílex. “Não existem ainda indicações de que tenha sido feito qualquer uso, durante o calcolítico, do minério de cobre de Matacães, mas a sua simples existência é um factor importante para a compreensão da paleo-economia da área.

“Devido à concentração de diversos minerais de uso potencial, a área à volta de Runa e Matacães, no vale médio do Sizandro, constituiu uma região privilegiada no que se refere a recursos abióticos. Não obstante, o Zambujal como o maior povoado calcolítico nesta região estava situado ainda a uma certa distância daquela área, num meio que não possuía nenhuns minérios úteis no seu limite de alcance imediato”(17).

A proximidade de jazidas de cobre do local do castro pode ter sido importante na determinação da sua localização.

Por outro lado, a utilização de outros recursos minerais, como o sílex, o basalto e o grés, não teria sido determinante, segundo UERPMANN. Estes minérios terão sido obtidos a alguma distância do castro:

“A bacia de Runa, que fica a 7 Km. em linha recta, ou a duas horas de caminho a pé do Zambujal, foi utilizado pelos habitantes do calcólitico como uma área de recurso. Há apenas um outro recurso de sílex a uma distância mais próxima do local: os depósitos plistocenicos de praia, os declives a Norte  do vale inferior do Sizandro, que contêm seixos de quartzito de granulação fina, de má qualidade para talhe, mas que foram usados no Zambujal como percutores (...).

“Entre os minerais mais frequentes usados para o fabrico de instrumentos no Zambujal, o basalto é o mais acessível, situando-se a uma distância de cerca de 30 minutos a pé (...) ( surgem em vales tifónicos e noutros locais a Sul do Sizandro, entre a costa próxima da Praia de Assenta, a ocidente, e a bacia de Runa a Oriente).

“Os grés do Cretácio Inferior, usados no castro para o fabrico de algumas mós, poderiam ser  quase considerados “locais”, embora tivessem sido trazidos de uma distância de pelo menos 3 Km, dos montes a Norte do Sizandro”(18) .

Foram encontrados vários objectos que revelam os contactos comercias do Castro do Zambujal: objectos em marfim, cuja matéria-prima era importada do Norte de África; “os cilindros e agulhas de osso poderão ter  sido produzidos no povoado, mas apresentam uma assombrosa semelhança com os correspondentes objectos egípcios e do Mar Egeu; as vasilhas de pedra calcárea e de alabastro são muito semelhantes às que se conhecem do Próximo Oriente” ” (19).

Outro “artigo exótico pode ter sido o diorito, utilizado no fabrico de contas, e as grandes quantidades de rocha anfibolítica importada para o fabrico de instrumentos”, esta, provavelmente, importada do rio Sado. Também o vinho pode ter sido importado

Com base no levantamento arqueológico do lugar podemos indicar como actividades existentes no castro: cerâmica, metalurgia, moagem, tecelagem, agricultura, criação de gado (vacas, cabras, porcos e ovelhas), comércio, caça, pesca, actividade militar.

Nas escavações efectuadas foram recolhidos cerca de 160 000 fragmentos de cerâmica. Existem  três grupos característicos dessa cerâmica : Campaniforme, decoração do tipo “folhas entalhadas” e “copos cilíndricos” (20).

É “seguramente correcto relacionar as pontas de projéctil com uma componente militar, nas indústrias de pedra das fortiicações calcolíticas. Isto terá tido também os seus reflexos no estilo de vida dos habitantes. A ideia de uma forte componente militar no campo sócio-económico das fortificações calcolíticas não é nova e é ainda favorecida pelo esforço bem visível despendido na fortificação dos povoados (...).

“Com base na ausência de instrumentos para a ceifa, devemos assumir que a maior parte do grão transformado nas mós encontradas no Zambujal, foi obtido por uma população agrícola  que habitava fora do povoado”(21).

As condições do vale frente ao castro não seriam na época favoráveis à agricultura, por ser alagadiço. Quanto aos declives acima do Zambujal, embora não se lhes possa negar “um certo potencial agrícola, a zona, no seu conjunto, não pode ser considerada excelente para a agricultura”, pelo que “o potencial agrícola local não pode ter sido muito importante para o desenvolvimento do povoado”(22).

Quanto à alimentação dos seus habitantes, além da que tinha origem na agricultura e pecuária, foram encontrados vestígios de que os seus habitantes se alimentavam igualmente da caça (carne de veado, de auroque, de javali, de cavalo, de coelho, aves) e também de peixe, moluscos, caracóis e, com menos frequência, de corço, lebre e baleia.

Com a farinha dos cereais (trigo e cevada), produziam farinha, papas e pão. Encontraram-se ainda vestígios de favas, sementes de linho, azeitonas e videiras.

“No que diz respeito ao sector animal da economia de subsistência do Zambujal, a alta proporção de porcos nos vestígios ósseos encontrados indica um uso extensivo das florestas de carvalho, que devem ter coberto grandes áreas da Estremadura, durante o Calcólitico. O mesmo nicho ecológico terá sido utilizado para a criação de gado bovino, que constituiu o recurso mais importante de carne no castro”(23) .

Embora menos significativa, a criação de ovelhas e cabras era usada para obter leite e, no caso das ovelhas, também, provavelmente, para a obtenção de lã.

“Deve ser dada uma atenção especial ao facto de terem sido encontrados no Zambujal esqueletos de cavalo” não se sabendo se eram selvagens ou domésticos.

“No que se refere à localização do Zambujal, o sector animal da sua economia não foi factor de pressão para a escolha do local.

“O único sector de uma economia de subsistência de base animal, que depende até certo grau da localização, é a pesca e a recolha de moluscos. A razoável quantidade de vestígios de animais marinhos encontrados no Zambujal é surpreendente, num local que fica, pelo menos, a duas horas a pé da costa actual. Contudo, com um estuário a invadir a zona inferior do Vale do Sizandro até à área da Ponte do Rol e, talvez mesmo, até à confluência com a Ribeira de Pedrulhos, o Zambujal torna-se um povoado costeiro. Este facto é de extrema importância para a ecologia do castro, embora não em termos da sua subsistência” (24).

Existem vestígios que nos permitem descrever com alguma fidelidade qual seria o meio ambiente envolvente do castro: “Encontraram-se ossos de pequenos mamíferos (toupeiras de água, rato cabrera), indicadores de um meio-ambiente mais húmido do que o de hoje (...).

“Como o indicam determinados ossos de animais selvagens, restos carbonizados de madeira e cortiça e sementes de plantas, a vegetação que rodeava o Zambujal devia ser principalmente uma floresta composta por pinheiros e árvores como o carvalho e o sobreiro, ainda existentes na mata do Convento do Varatojo. “Restos de madeira de freixos, lodão e , sobretudo, de amieiro e choupo, indicam a presença destas espécies nas margens dos rios.

“Estas matas abrigavam um grande número de animais para caça, como o auroque, a corça, o veado e o javali, e ainda animais predadores, como o lince, o gato bravo, o urso, o lobo, a raposa, a doninha e o texugo.

“Nas escarpas rochosas havia mato rasteiro, como o que ainda existe hoje nas áreas não cultivadas  à volta do Zambujal, indicado pelos achados de pistácia, espinheiro alvar, Sistus spec. (provavelmente roselha) e pelos ossos de pequenos pássaros, perdizes, lebres e coelhos.

“As tetrazes e abetardas habitavam em pradarias ou estepes, sendo ambas as espécies  bons indicadores de que naquela época já havia grandes planícies de campo aberto nos locais mais elevados”(25).

Por razões de segurança e preservação do lugar, penas uma pequena  parte dessa extensa povoação é visível aos que queiram visitar o lugar.

Quem quiser aprofundar o conhecimento sobre a importância desse povoado pode faze-lo, não só consultando alguma da bibliografia aqui referida, como visitando a excelente exposição que está patente no Museu Municipal Leonel Trindade até o final do próximo mês de Junho.

 

BIBLIOGRAFIA

(1)    – TRAVANCA, Cecília, Reconhecer Leonel Trindade, ed. Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, Outubro de 1999;

(2)    – in SCHUBART, Hermanfrid, e SANGMEISTER, Edward, TRINDADE, Leonel Escavações no Castro Eneolítico do Zambujal (Torres Vedras – Portugal) 1964, ed. CMTV, T. Vedras, 1966, pág 3;

(3)    – in SCHUBART, Hermanfrid, e SANGMEISTER, Edward, Zambujal – povoado fortificado da Idade do Cobre, ed. CMTV, T. Vedras, 1987;

(4)    –in  KUNST, Michael (org. e textos), Zambujal – Exposição comemorativa dos 20 anos do Instituto Arqueológico Alemão em Portugal – catálogo da exposição, CMTV, Torres Vedras 1992, pág. 27;

(5)    –in  SCHUBART e SANGMEISTER, ob. Cit., (1987);

(6)    –KUNTS, Michael, “Zambujal (Torres Vedras, Lisboa) – ralatório das escavações de 2001”, in Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol. 10, nº 1, 2007, pp.95-118;

(7)    – in SCHUBART e SANGMEISTER, ob. Cit, (1987);

(8)    –in SCHUBART e SANGMEISTER, ob. Cit. (1987);

(9)    – in KUNST, Michael, As cerâmicas decoradas do Zambujal e o faseamento do Calcolítico da Estremadura Portuguesa, separata de  Estudos Arqueológico de Oeiras, nº 6, pp.257-286, Ed. C.M. Oeiras, 1996, págs. 257 e 258;

(10)                       –in KUNTS, Michael, ob.cit.  (1992), pp. 22 e 23;

(11)                       -in KUNST, ob. Cit. (1992), pág.23;

(12)                       – in pág. 20 de  SCHUBART, Hermanfrid, “As Escavações do Zambujal – Retrospectiva e planificação” in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp. 17 –20;

(13)                       – in pág. 51 de UERPMANN. Hans-Peter, “Observações sobre a ecologia e economia do Castro do Zambujal”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp. 47-53:

(14)                       –in UERPMANN,  Hans-Peter,ob. Cit. (1987), pp.51-52);

(15)                       – in SCHUBART e SANGMEISTER, ob. Cit., (1987);

(16)                       – in  KUNST, ob. Cit. (1996), p.258;

(17)                       -  in UERPMANN, Hans-Peter, ob. Cit. (1987), p. 48;

(18)                       – in UERPMANN,Hans-Peter,  ob. Cit., (1987), p.47);

(19)                       – in  SCHUBART e SANGMEISTER, ob.Cit. (1987);

(20)                       – in KUNST, Michael, “Cerâmica do Zambujal – Novos resultados para a cronologia da cerâmica calcolítica”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.21-30;

(21)                       – in pág. 41,  UERPMANN, Margarethe, “A indústria da pedra lascada do Zambujal”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.37-44;

(22)                       – in UERPMANN, Hans-Peter, ob. Cit., (1987), p.48);

(23)                       - in UERPMANN, Hans-Peter, ob. Cit. (1987), p.50);

(24)                       – in UERPMANN, Hans-Peter, ob. Cit. (1987), p.50):

(25)                       – in KUNST, ob. Cit. (1992), p.25.

Ler Também:

-              FERREIRA, Octávio da Veiga, La culture du vase campaniforme au Portugal,  tese de doutoramento apresentada  à Faculté des Sciences de l’Université de Paris, Lisboa  1966.

-              GONÇALVES, João Ludgero Marques, “O Castro da Fórnea (Matacães-Torres Vedras)”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.123-140.

-              HOFFMANN, GERD e SCHULZ, Horst, “Cambio de situación de la línea costera y estratigrafía del holoceno en el valle del río Sizandro/Portugal”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.45-46.

-              JIMÉNEZ GÓMEZ, María de la Cruz, “Los amuletos en el Eneolítico portugués: Zambujal”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.31-36.

-              KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995.

-              KUNST, Michal, und TRINDADE, Leonel Joaquim, Zur Besiedlungsgeschichte des Sizandrotals,  Madid, 1990.

-              PAÇO, Afonso do e TRINDADE, Leonel, Subsídios para uma carta arqueológica do concelho de Torres Vedras, separata do “Arquivo de Beja”, vol.XX-XXI, 1963-1964, ed. Minerva Comercial, Beja, 1964.
(um resumo deste texto foi publicado na secção Vedrografias do Jornal Badaladas, na edição de 27 de Janeiro de 2017)