Mostrar mensagens com a etiqueta Quinta das Lapas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Quinta das Lapas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de julho de 2014

Joaquim Moedas Duarte apresenta comunicação sobre a Quinta das Lapas na próxima sessão de Chás de Pedra

O Jardim e mata da Quinta das Lapas será o tema do próximo CHÁS DE PEDRA, em Santa Cruz, na Azenha, pelas 21H30. Inscrições prévias no Arquivo Municipal.

Em baixo divulgamos algumas fotografias dos jardins e da mata da Quinta, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, datadas de 2012.









(Fotos J. Moedas Duarte, 2012)

Outras fotografias da mesma Quinta, foram por mim publicadas há alguns anos no blogue Pedras Rolantes, e podem ser vistas AQUI e AQUI

Transcrevo também em baixo um pequeno artigo de divulgação por mim editado nos anos 90 do século passado e transcrito em 2008 nesse mesmo blogue:


QUINTA DAS LAPAS - Torres Vedras

Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Duas rampas dão acesso ao portão de entrada da casa solarenga, encimado pelo brasão da família fundadora.

Junto dessas rampas situa-se, em plano inferior, a capela dedicada a Nª Senhora do Rosário, com fachada em colunatas neoclássicas, mandada edificar por D. Nuno da Silva Telles, filho do 2º Marquês do Alegrete. O seu interior é forrado com um silhar de azulejos setecentistas com símbolos das ladainhas.

Existe nesta capela um cofre com as relíquias de S. frei Gil de Santarém, da ordem dos Pregadores.

A Quinta das Lapas foi comprada por D. Mariana de Menezes, casada com Fernão Telles, conde de Vila Maior, um dos 40 fidalgos que aclamaram D. João IV na restauração de 1640. Aquela condessa constituiu vínculo nesta propriedade, composta de extensos pinhais, terras de pão, olivais e vinhas.

A casa nobre foi erguida em finais do século XVII por Manuel Telles da Silva, conde de Vila Maior e 1º Marquês do Alegrete, título recebido em 19 de Agosto de 1687 pelo rei D. Pedro II.

A sua construção prolongou-se pelo reinado de D. João V, ficando prejudicada pelas obras do Convento de Mafra, pois aquele monarca requisitou todos os trabalhadores da região, tendo pedido pessoalmente ao Marquês do Alegrete para dispensar os que andavam a trabalhar nas obras desta Quinta, com a promessa de o compensar dessa dispensa. Mas a única recompensa foi a oferta dos dois leões em mármore que coroam os pilares do portão da Quinta.

Entra-se para o palácio depois de se passar a porta brasonada e um grande pátio quadrangular e subindo-se por uma imponente escadaria de pedra.

No interior do palácio todas as divisões se distribuem sem um único corredor a separá-las. Os tectos são em madeira e os rodapés são revestidos de azulejo português, dando para o jardim as janelas da sala de jantar.

No jardim destacam-se os azulejos do principio do século XVIII que forram as paredes do Lago da Sereia.

Um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer nesta Quinta é à sua grande mata, cortada em várias direcções por ruas largas, arborizada no início do século XIX com ulmeiros, pinheiros mansos, medronheiros e sobreiros. De entre estes destaca-se o chamado “sobreiro das quatro irmãs”, porque o seu tronco rente ao chão se divide em quatro de grande grossura e altura.

À entrada da mata existe a Ermida de Santa Maria Madalena, construída pelo último marquês de Penalva para substituir uma outra mais antiga aí existente, destruída pelos franceses em 1808.

No interior da mata existe uma capela incompleta dedicada a Santo André Avelino, mandada construir em 1778 pelo conde de Tarouca, Fernando Telles da Silva.

No jardim e na mata existem várias fontes, destacando-se a do “Frei João”, , a da “Água férrea” e a do “Leão”. Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Até ao passado dia 18 de Novembro de 2008, a chamada "Fonte do Veado", onde se mistura o estilo barroco com o neoclássico, devia o seu nome ao facto de ser decorada com uma curiosa escultura em mármore de dois galgos segurando um veado pelas orelhas. Infelizmente a Quinta foi nessa data alvo de um assalto e essas estátuas roubadas, conforme anuncia a imprensa local.

Vários monarcas visitaram esta Quinta, entre eles D. João V e D. Carlos, bem como outros membros ilustres da família real portuguesa, tais como as rainhas D. Carlota Joaquina e Dª Maria Amélia, o príncipe D. Luís Filipe, a princesa D. Maria Francisca Benedita, a infanta D. Isabel Maria e o infante D. Manuel.

Também o famoso poeta Nicolau Tolentino passou alguns dias nesta Quinta e a ela lhe dedicou um dos seus poemas.

A conhecida cantora Teresa Tarouca, descendente dos condes de Tarouca, e Vila Maior e marqueses de Penalva e Alegrete, foi uma das últimas proprietárias desta Quinta.

Em 1986 foi a Quinta adquirida pela Associação “Le Patriarche”, funcionndo hoje como centro de recuperação de jovens toxicodependentes da Dianova, mas podendo ser visitada por quem o solicitar.


Venerando Aspra de Matos

terça-feira, 1 de julho de 2014

5º edição dos "Chás de Pedra".


 O Tema das "Quintas" torrienses foi escolhido este ano para preencher as edições de "Sopa de Pedra" e "Chás de Pedra".

As "Sopas..." realizaram-se me Março com a apresentação de três comunicações, a primeira da autoria de Carlos Margaça da Veiga sobre "As Quintas [das comendas] das ordens militares e religiosas em Torres Vedras: séculos XVI e XVII", a segunda da autoria de Maria Natália da Silva sobre "A Quinta da Conceição, cabeça de um morgado Torriense: séculos XVI a XIX", e a terceira, da autoria de Cecília Travanca Rodrigues sobre "A Quinta do Infesto: um olhar no tempo...da inquirição de 1309 à actualidade".

Na próxima sexta-feira dia 6 de Julho tem início o segundo ciclo de conferências, integradas agora na edição dos "Chás de Pedra", sobre Quintas Torrienses.

Essa primeira comunicação terá por tema "As Quintas do Juncal e Nova de Matacães: um património dos Falcão Trigoso", e terá início pelas 21.30, na Azenha de Santa Cruz, com entrada livre.

Seguirse-ão mais duas conferências nos próximos dias 11 e 18 de Julho, outras duas sextas-feiras, no mesmo sítio e horário.

No dia 11 Joaquim Moedas Duarte falará da "Quinta das Lapas: da casa construida pelo 1º Marquês do Alegrete ao Jardim romântico/neoclássico do século XIX".

O ciclo de conferências sobre Quintas torrienses termina a 18 de Julho com a comunicação de Cacilda Costa sobre "A Granja de José Félix Henriques Nogueira".

Em baixo deixo algumas fotografias das Quintas ligadas às famílias Trigoso e Falcão, tema da minha conferência de 6ª feira:

QUINTA DO BELO JARDIM - Carmões (da família Trigoso)




QUINTA NOVA - Ordasqueira, Matacães (dos Aragão, depois deo Trigoso e finalmente dos Falcão Trigoso)





QUINTA DO JUNCAL - Matacães (dos Falcão e depois dos Falcão Trigoso)





ERMIDA DO SENHOR JESUS DO CALVÁRIO ( Pertencia aos Trigoso da Quinta Nova que a mandaram reedificar)



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Torres Vedras e o Dia Mundial da Biodiversidade

Hoje é o Dia Mundial da Biodiversidade.
Será possível, num meio densamente povoado, como o é o Concelho de Torres Vedras, sujeito a muitas pressões sobre o seu ambiente natural, falar-se em biodiversidade?.
Fomos à procura de algumas referências, no nosso património histórico-cultural, a “nichos” de biodiversidade ainda existentes.
Não procuramos ser exaustivos, e exploramos mais a perspectiva histórico-patrimonial desse roteiro do que a perspectiva biológica, até porque esta é uma área que não dominamos.
A intenção é apenas alertar para zonas naturais a preservar e a respeitar.

ARRIBAS DE Stª CRUZ
Da prais da Amoeira à praia do Seixo, é visível a variedade de formações geológicas das arribas de Stª Cruz, em frente às quais se espraiam extensos areais. Destacam-se entre elas o Penedo do Guincho com os seus 30 metros de altura.
Na velha aldeia de pescadores, sargaceiros e moleiros, ainda são visíveis alguns traços do seu velho património, como a Ermida de Stª Helena, ou a mal reconstruída Azenha.
Ao longo das arribas e das dunas, principalmente a norte, foram descobertos vestígios arqueológicos de várias épocas.

PRAIA AZUL
Neste sítio desagua o Rio Sizandro. Em épocas recuadas, no século XIII, existiu próximo deste lugar a povoação de Rendide, talvez com origem em colonizadores germânicos do tempo da reconquista, que exploravam as ricas margens agrícolas do Sizandro.
A Praia Azul faz parte da Reserva Ecológica Nacional, integrando igualmente a Rede Natura 2000, uma rede ecológica de âmbito europeu.
Um dos motivos que mais contribuiu para a importante classificação deste lugar está relacionado com o seu sistema dunar, conservando um habitat característico que é necessário preservar.

MATA DO CONVENTO DO VARATOJO
“A cerca do Convento é espaçosa, e comprehende uma boa mata, horta, e vinha povoada de muitas arvores das milhores castas de peras, maças, ameixas, ginjas, e pêcegos, e tambem comprehende diversos taboleiros de pomares d’espinho, sendo bastante conhecidas, e estimadas as limas, que d’elles se colhem” (P. Manoel Agostinho Madeira Torres, Descripção Historica (...) de Torres Vedras, 2ª ed., Coimbra, 1862, p.139)
Nela existem duas capelinhas, uma no sítio do primitivo forno de cal, que funcionou para a construção do convento no século XV, a gruta do “Ecce Homo”, forrada a azulejos, e a primitiva capela da Senhora do Sobreiro, adornada com quatro pequenos painéis que figuram monges em estudo e em contemplação, onde, segundo a lenda, foi descoberta a Imagem de Maria Santíssima com o menino, na cavidade de um centenário sobreiro, escondida aí desde o tempo de D. Afonso Henriques, para escapar á perseguição dos mouros.
“Reconhece-se que não foi plantada esta matazinha, mas fôra um pedaço de monte, cujo mato e arbustos cresceram á mercê da sua natureza, formaram selva, mais ao diante aproveitada para uso dos animais domésticos do primeiro colono, que na encosta daquele monte arroteou e semeou; e mais tarde transformada em recreio do primeiro senhor que ali instituiu Quinta para sua morada” (Frei Bartolomeu Ribeiro, “Os Franciscanos em Torres Vedras”, in Badaladas, 1953e 1954, ed. Fac-similada).
Comprava-se aqui a antiguidade desta mata, muito provavelmente originária da flora que dominava a região desde a época medieval, uma cápsula do tempo que chegou quase intacta aos nossos dias.

MATA DA QUINTA DAS LAPAS
Um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer nesta Quinta é à sua grande mata, cortada em várias direcções por ruas largas, arborizada no início do século XIX com ulmeiros, pinheiros mansos, medronheiros e sobreiros. De entre estes destaca-se o chamado “sobreiro das quatro irmãs”, porque o seu tronco rente ao chão se divide em quatro de grande grossura e altura.
Existem aí, desde longa data, veados e outra fauna selvagem.
À entrada da mata existe a Ermida de Santa Maria Madalena, construída pelo último marquês de Penalva para substituir uma outra mais antiga aí existente, destruída pelos franceses em 1808.
No interior da mata existe uma capela incompleta dedicada a Santo André Avelino, mandada construir em 1778 pelo conde de Tarouca Fernando Telles da Silva
No jardim e na mata existem várias fontes, destacando-se a do “Frei João”, a do “Veado”, esta com uma curiosa escultura em mármore de dois galgos segurando um veado pelas orelhas, a da “Água férrea” e a do “Leão”.

MATA DE RUNA
Obra da iniciativa da princesa D. Maria Francisca Benedita que, em 1790, comprou a Quinta de Alcobaça, junto àquele lugar, com o objecivo de aí fundar um Hospital Real de Inválidos Militares, cuja construção foi concluída em 1827.
O edifício é de estilo neoclássico da autoria do arquitecto de José da Costa e Silva.
Possui uma capela com cúpula monumental, revestida com mármore de Carrara.
No seu museu de arte sacra, entre outras peças de interesse, existe a celebre custódia da princesa, revestida com pedras preciosas do Brasil.
No seu exterior existe um extenso jardim com uma flora variada e variadas esp~ecies de aves.
Destaca-se o seu cedro com cerca de duzentos anos, um dos maiores e mais antigos do mundo.

TERMAS DOS CUCOS
Foram inauguradas em15 de Maio de 1893, mas datam do século XVIII as primeiras referências conhecidas às qualidades terapêuticas das suas águas.
Deve-se à iniciativa do seu proprietário de então, José Gonçalves Dias Neiva, as obras de valorização desta estância termal iniciadas em 26 de Novembro de 1890.
António Jorge Freire foi encarregue de elaborar o plano que incluia 40 moradias. O Casino foi construído em 1896 .
Das 40 moradias previstas, apenas se concluíram duas vivendas:"D. Feliciana" (1895) e "D.Maria"(1896).
À sua volta situa-se uma das mais extensas, variadas e ricas zonas naturais da cidade de Torres Vedras, infelizmente mal tratada e em risco de se perder na voragem do crescimento urbano e viário.

CHOUPAL
As primeiras árvores implantadas nas proximidades do sítio do Choupal eram anteriores a 1789. Aí jantou o príncipe regente, o futuro D. João IV, em 1806, quando regressava de uma viagem a Peniche.Para a construção das Linhas de Torres tiveram de ser cortadas as suas árvores, sendo replantadas em 1814.
Em 1926 aí se realizou a 1ª Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial de Torres Vedras.
O seu êxito fez nascer a ideia de aí instalar um parque aprazível, que acabou por se inaugurar na década de 30 com a forma actual. Encontra-se em processo de requalificação, no âmbito do Programa POLIS.
Possui um arvoredo antigo e variado.

PARQUE VERDE DA VÁRZEA
Foi oficialmente inaugurado em 23 de Abril de 2004 .
Com uma extensão de 9 hectares, foi rapidamente adoptado pela população de Torres Vedras, preenchendo uma lacuna sentida há longos anos.
São muitas as actividades que nesse parque se realizam ao longo do ano, sendo de destacar as acções realizadas pelo Centro de Educação Ambiental aí instalado e a existência de um parque infantil.
Projectaram este espaço os arquitectos paisagistas Miguel Velho da Palma e Eduardo Tomás.
Embora artificial, este parque e o seu ribeiro permitem o regresso de uma fauna, que, devido à poluição do Rio Sizandro, estava praticamente extinta, como os sapos e várias espécies de insectos e aves.