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domingo, 3 de janeiro de 2021

PARA A HISTÓRIA DO LARGO DA GRAÇA


A propósito das obras de requalificação a decorrer no velho Largo da Graça, aqui recordamos um pouco da história desse espaço.

Na sua origem esteve a parte norte da antiga cerca do Convento da Graça.

Neste local existiu a antiga  Gafaria de Stº André, já documentada em 1309 e, segundo Madeira Torres rodeada de uma “larga cêrca” (1).

Quando a gafaria foi doada aos eremitas de Stº Agostinho em 1544, que para aí se mudaram em 30 de Novembro desse ano, retirando-se do antigo convento na “Várzea Grande”, herdaram também a referida “cerca”.

A  primeira pedra do novo convento foi colocada em 7 de Setembro de 1578, e a obra foi concluída por volta de 1580 (2).

 “O edifício estava rodeado a norte, poente e sul pela sua cerca, onde os agostinhos tinham uma vinha, muitas árvores de fruto, oliveiras, parreiras, uma horta e um poço” (3).

 A parte norte dessa “cerca”, devido à proximidade em relação ao centro da vila, foi muitas vezes palco de desentendimentos entre a Câmara e os eremitas.

Em 1736 a Câmara tentou mudar o mercado semanal, que se realizava às 3ªs feiras, para o Largo da Graça, mas sem êxito, por oposição dos frades.

Anos depois, em 1794, a Câmara contactou os frades para se colocar um chafariz a construir pelo município no “Largo do Convento”. “O chafariz de facto se construiu em forma de repuxo, mas nunca serviu, porque nunca se encanou a água “, tendo sido, “não há muitos annos[por volta de 1863]” demolido por inútil, e estorvar o tráfego do mercado que ali se faz mensalmente” (4).

Gravura Inglesa dos tempos da Guerra Peninsular, vendo-se o Convento a partir da Várzea(poente)

Em 1815 a Câmara voltou a designar o Largo da Graça para a realização do mercado mensal, por acórdão de 20 de Maio, “mandando também fazer barracas encostadas ao muro da Cerca do Convento e intimar todos os logistas para ali pôrem as suas lojas (…). As barracas chegaram com efeito a fazer-se mas n’ellas apenas os tendeiros, ou vendilhões  avulsos, hião por suas fazendas, e por fim foram mandados demolir por sentença, que os padres da Graça lançarão contra a Câmara, por serem feitas em terreno seu, e sem licença sua” (5).

Segundo Paula Silva os frades ainda chegaram a aceitar esse pedido da Câmara, mas na condição de as barracas se sustentarem por si “para evitar que o seu peso e balanço destruíssem o muro”, ao mesmo tempo que exigiram “que ficasse registado que aquele terreno lhes pertencia”. Ao que parece a Câmara não cumpriu o contrato e em 1824 os frades instauraram um processo contra a Câmara (6).

Em 20 de Março de 1832 a cerca foi arrendada por um período de 3 anos a Francisco de Assis e Silva e, depois da extinção do Convento em 1834, foi novamente arrendada em 21 de Julho deste ano, sendo finalmente vendida em hasta pública, juntamente com o Convento, em 1842, a Inácio Ferreira Campelo, pela quantia de 4 433$500 réis (7).

Gravura do Século XIX, vendo-se o sitio onde nasceu o jardim. Nota-se à esquerda, um aqueduto que transportava àgua a partir da "Fonte Nova" para o Convento e uma figura, no lado direito, junto de um poço.

Por deliberação de 1 de Abril de 1857, decidiu a Câmara expropriar a área norte da antiga cerca do Convento da Graça, com a finalidade de alargar o espaço do mercado mensal, decidindo que esse lugar servisse também de passeio público, plantando para isso algumas árvores nesse local.

Em 1863 a  Câmara deliberou e efectuou vários melhoramentos no Largo da Graça “na parte que faz frente para aquella rua [da Olaria] , e a parte que encabeça com a estrada de Lisboa, e dá entrada para a entrada para a Igreja da mesma Graça, aterrando-se de novo a parte maior do Largo, que não hé calçado, e ficando assim mais livres de lama, que por ocasião do Mercado ali se formava, e tirando-lhe as agoas por meio de grandes valetas calçadas do lado do Nascente e Poente” (8).

Em 1885 foi nesse largo instalado um coreto para a primeira actuação pública da “Fanfarra 24 de Julho” que ocorreu em 24 de Junho de 1885.Este coreto nada teve a haver com aquele que é mais conhecido, inaugurado em 1892 e que existiu até meados da década de 40 do século passado (9).

O Convento, tendo passado por várias mãos após a sua extinção, veio a ser comparado pela Câmara em 21 de Abril de 1887, instalando aí vários serviços e repartições públicas, tendo incluído na compra parte da cerca, onde está o jardim actual (10), embora, como vimos anteriormente, parte dela já tivesse sido expropriada em 1857. O resto da cerca, a que rodeava o Convento a sul e a poente, conhecida por “cerca do Doutor Freire”, foi comprada em 16 de junho de 1926 pela Câmara aos herdeiros do Dr. Justino Freire para construir abegoarias, logradouros, novas ruas municipais e as novas cocheiras da Guarda Nacional Repúblicana”(11).

Fotografia de meados do Século XIX, do lugar onde foi construído o Jardim, vendo-se a cerca norte do Convento.


Em
Janeiro de 1886 o largo da Graça foi notícia por causa da decisão camarária de mandar “construir um jardim na parte expropriada contigua ao largo da Graça. A planta será confeccionada pelo distincto engenheiro e nosso amigo, o sr. Mendes de Almeida, que esteve aqui tratando de outos estudos e melhoramentos públicos”, objectivo que ao que se sabe, não foi concretizado (12).

Finalmente, em 1892, um particular, D. Diogo de Nápoles, tomou a iniciativa de tornar aquele espaço, então praticamente abandonado, num ”Passeio Público”, com um corêto, encabeçando uma comissão para adquirir esse espaço por subscrição pública, apoiada pelo jornal “A Semana”.


Terá sido aquele cidadão, de origem italiana e então a viver em Torres Vedras, falecido em São Tomé e Príncipe, que “a 29 de Junho (…) falou em que era bonito dar ao Largo da Graça o aspecto de um passeio público, terraplanando-o, colocando-lhe bancos e candeeiros, e pondo-lhe ao centro um coreto de alvenaria e ferro, para a musica ali se fazer ouvir”. Previa um gasto de 2:000$000 réis e por isso “dias depois, em começos de Julho, principiava a pôr em prática o seu plano com tenacidade, abrindo a subscrição pública, e andando de porta em porta a solicitar donativos para o melhoramento público”, contando com o apoio do semanário local “A Semana” (13).

A primeira pedra para a construção do jardim e do coreto teve lugar a 11 de Junho de 1892, sendo inaugurado em 21 de Agosto, com festa e Kermesse.

Excertos da planta do Coreto (AMTV)

Raphael Bordallo Pinheiro desenhou a “barraca” do jornal “A Semana” colocado nessa ocasião no recinto da Kermesse (14).

Esse espaço foi baptizado com o nome do monarca que então reinava, D. Carlos . Em 1818 era conhecido por Largo de Santana, por causa da ermida que aí existiu, situada no prédio onde funcionou a casa “Napoleão”, junto a uma das portas medievais da vila, com o mesmo nome. Essa ermida ficou arruinada pelas invasões francesas, nunca mais sendo recuperada. Popularmente já era conhecido por Largo da Graça, nome que tem sobrevivido a todas as mudanças toponímicas desse lugar, muito marcadas pela conjuntura política (foi rebaptizado como Largo da República em 1911 e chegou a ser proposta a designação de Largo Sidónio Pais em 1919, intenção que não vingou. Como veremos mais à frente, essas mudanças toponímicas não se ficaram por aqui.


Duas fotografias da Ermida de Santana.


Em 12 de Maio de 1902 este largo foi visitado pela rainha D. Amélia, que se fez deslocar de automóvel, talvez o primeiro a rodar em Torres Vedras.

visita da Rainha D. Amélia.


Várias vistas, em fotos e postais antigos, do Largo no tempo do Coreto

A decisão da Direcção Geral de Viação de instalar junto ao Jardim um posto fixo de fiscalização de trânsito, pelo ofício de 17 de Abril de 1934, (igual ao que hoje existe junto à capela de Nª Srª do Amial) provocou acesa polémica entre duas facções no seio da vereação camarária, alegando uns que aquele posto não ía colidir com o equilíbrio do Jardim, até porque, junto do mesmo, já existia um posto de abastecimento de gasolina (que aí esteve até há poucas décadas, como se recorda ainda o autor deste texto) e outros invocavam motivos estéticos para criticarem essa decisão, como foi o caso do Dr. Moura Guedes.

Esse posto acabaria mesmo por ser aí instalado, sendo visível nalguns postais de meio do século XX e foi retirado anos mais tarde (15).

postais onde se vê o posto de gasolina e o o posto da Direcção Geral de Trânsito.
O Largo da Graça visto a partir do sul, ainda com o cruzeiro que existiu junto à Igreja da Graça

A mais radical transformação daquele espaço, desde 1892, teve lugar em 1954.

Em 10 de Outubro de 1954, depois de grandes obras, que culminaram com a colocação no lugar do velho coreto de um obelisco comemorativo das Guerras Peninsulares, foi oficialmente inaugurado o novo jardim, sendo na mesma ocasião aquele largo rebaptizado com o nome de Praça do Império, mantendo o espaço a norte (“Outeirinho”) a designação de Praça da República (Com o 25 de Abril foi o Largo da Graça rebaptizada como Praça 25 de Abril).

O "novo" jardim, ainda sem o Obelisco

As festas de inauguração do Obelisco e desse espaço, totalmente remodelado,  foram revestidas da pompa característica da época, iniciando-se com “toque de alvorada, às oito horas, pelo terno de clarins da Legião Portuguesa, seguida de uma salva de vinte e um morteiros”. Às 10 horas teve lugar, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o descerramento do retrato do Presidente da República de então, Craveiro Lopes.

Depois desse acto, as “entidades oficias” dirigiram-se para a Freixofeira, limite norte do concelho para receber os “ilustres convidados” para a inauguração, com destaque para a “mais alta individualidade” a estar presente, o sub-secretário de Estado do Exército o tenente-coronel Sá Viana Rebelo, “que vinha presidir às cerimónias”.

O cortejo, com cerca de 200 automóveis, saiu então da Freixofeira a caminho da então vila onde chegou ao largo dos Paços do Concelho por volta das 12 horas. Aqui estavam formados “o Corpo dos Bombeiros Voluntários, com bandeira e banda de música, o Terço da Legião Portuguesa, a Banda Recreativa Torreense, a Mocidade Portuguesa, deputações das várias colectividades locais, com seus estandartes e grande concurso de povo que vitoriou os recém-chegados, enquanto o ilustre membro do Governo passava, em revista, a guarda de honra e as músicas faziam ouvir os acordes da “Maria da Fonte”.

Seguiu-se a cerimónia oficial, com os discursos das autoridades no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

A cerimónia prosseguiu com um “Te-Deum” na Igreja de S.Pedro, seguindo-se um almoço no salão da Tuna Comercial.

Ás 15 horas procedeu-se ao acto de inauguração do Obelisco “junto do qual formavam, em guarda de honra, uma companhia do regimento de infantaria nº1, e um grupo de soldados com os fardamentos usados na época das Guerras Peninsulares, vendo-se ainda, no local, uma peça de artilharia, que nessas guerras serviu, vindo expressamente do Buçaco”.

Foi então lido o auto de inauguração:

“Saibam quantos este público auto virem, que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil novecentos e cinquenta e quatro - Ano XXVIII da Revolução Nacional - pelas 15 horas, nesta mui nobre e antiga Vila de Torres Vedras, no Jardim da Graça, que doravante se passou a denominar Praça do Império, Sua Excelência o Tenente-Coronel Horácio de Sá Viana Rebelo, Ilustre Sub-Secretário do Estado do Exército, procedeu à inauguração solene deste monumento comemorativo das Campanhas da Guerra Peninsular -1808 a 1814- e especialmente das “Linhas de Torres Vedras” (...).

“A construção deste monumento teve a comparticipação dos ministérios das Obras Públicas e do Exército e a sua concepção foi do arquitecto Miguel Jacobety, e nele trabalharam o tenente coronel de Engenheiros Manuel Braz Martins, Engenheiro Altino Aldo Gromicho, o construtor civil José Pedro Lopes e os operários, Sebastião Pedro Henriques, Jaime Simões, Joaquim Miranda, José da Silva, José Correia, João Alves Carregueiro e António Chá. As cantarias foram fornecidas pela Firma Pardal Monteiro, Limitada, de Pero Pinheiro (...)”.

Seguiu-se um desfile militar junto à tribuna de honra montada numa das ruas próximas do jardim.

A cerimónia terminou com a inauguração no “Museu e Biblioteca Municipal” da exposição histórico-biblio-iconográfica dedicada às Linhas de Torres (16).




Cerimónias de inauguração do Obelisco

Vivendo-se em ditadura e em regime de censura, não se encontra registada qualquer crítica pública àquele que foi, ainda hoje, para uns, um atentado ao património, retirando o único corêto existente dentro da cidade, para outros, uma obra inovadora e de referência.

O silêncio sobre reacções criticas não quer dizer que não tivessem existido manifestações de desagrado.

António Augusto Sales, jovem nessa época, refere-se às criticas então manifestadas nas mesas dos cafés, a “rede social” da época:

“Quando José Figueiroa Rêgo, no último ciclo do seu mandato de quatorze anos como presidente da Câmara decidiu derrubar o velho coreto e arrasar o antigo jardim para construir o actual colocando no meio um enorme obelisco em memória da Guerra Peninsular e das Linhas de Torres, muito e apaixonadamente se discutiu a deliberação. Técnicos que por  o serem entendiam as suas opiniões acima de qualquer critica, idosos que sentiam o desaparecimento do velho jardim como perca da sua identidade geracional, intelectuais, que viam monumento uma manifestação da arquitectura fascista, estetas da ironia que lhe vislumbravam uma grandeza fálica, assanhados conservadores incapazes de aceitar o bulir de uma pedra, músicos das bandas que sem o coreto perdiam o mais simbólico palco para a exibição da sua arte, gente nova fazendo parte de uma geração voltada decididamente para um novo conceito de jardim que introduzia na vila modernidade, todos discutiam o assunto e lançavam “bocas de bancada” pelos cafés que naquele tempo, eram os templos por onde passava qualquer iniciativa, escândalo público ou privado. No meio de uma guerra de opiniões a obra foi em frente (…)” (17).

Várias vistas do Jardim após a inauguração do Obelisco.

É preciso esperar por 1970 e por alguma “abertura” da “Primavera marcelista” para encontrarmos a publicação pública de um texto crítico sobre o jardim:

“Se me perguntarem o que penso daquele mini-jardim, responderei que é o único local aprazível da parte urbanística da vila. Mas não posso deixar de dizer que tem ali verdadeiras aberrações (…).

“Já repararam que as árvores que o circundam escondem a fachada da Graça, ofuscando-lhe toda a graça e austeridade que são uma mensagem da fé dos nossos antepassados?

“Já repararam que essas mesmas árvores escondem também o belo obelisco (…)?

“Já repararam que, por sua vez, o referido obelisco não se enquadra bem no mini-espaço que o circunda e donde só é visível?

“Contudo, benditas sejam aquelas árvores que protegem com a sua sombra os que procuram aquele local porque outro não há onde se possa ter a sensação de frescura nos dias de calmaria ou onde se possa refazer o corpo das fadigas que o dia a dia acarreta.

“Quando um dia houver jardins com árvores (…) talvez possam ficar ali só arbustos que não ofusquem a graça da Graça que serve de fundo àquele largo.

“Talvez que o obelisco se apresente, então, com toda a sua beleza, e bem enquadrado (18). Nas décadas de 70 e 80, período em que a vila, tornada cidade em 1979, conheceu um grande crescimento urbano, o jardim perdeu importância e tornou-se quase um “saguão” gigante no meio de uma urbanização caótica que cresceu à sua volta, rompendo-se o diálogo visual entre a fachada do velho Convento e o Castelo, um equilíbrio que devia ter sido garantia de preservação da identidade da terra.

O próprio Obelisco, obra polémica, perdeu fulgor no meio do caos urbano à sua volta, atarracado pelo arvoredo cada vez mais denso.

Em 2002 gerou-se nova “ronda” polémica, devido à publicação de uma sugestão de requalificação defendida pelo então vereador do planeamento Carlos Miguel, propondo a retirada do Obelisco daquele espaço e substituir as árvores de grande porte por outras de dimensões mais reduzidas, com o objectivo de alargar a zona pedonal e realçar a fachada do velho Convento.

A ideia acabou por não ira para a frente, devido à reacção popular e da imprensa, ficando-se por alguns arranjos na parte norte do jardim(19).

Ficou-se também a saber que a remoção do Obelisco era tecnicamente impossível sem destruir por completo o monumento.

Hoje, as obras de requalificação que estão a decorrer, mantêm o Obelisco, passam pelo alargamento da zona pedonal à custa do estreitamento da faixa rodoviária, embora se tema pelo futuro do arvoredo.

Desta vez as reacções públicas tem sido moderadas, talvez devido às preocupações com a actual situação pandémica. Destaque-se, contudo, um dos raros textos críticos sobre essa obra, da autoria de Jorge Ralha(20).

Pela nossa parte…esperemos que o popular Largo da Graça volte a ganhar…alguma graça!

 

(1)    - TORRES, Madeira, parte histórica da sua conhecida monografia, 2ª edição, página 126;

(2)    - SILVA, Paula Correia da, O Convento da Graça de Torres Vedras, a comunidade eremítica e o património, Livro do Dia/CMTV, Abril 2007, capítulo “A segunda fundação”, pp.34 a 36.Esta é a melhor e mais completa e actualizada obra sobre o dito Convento;

(3)    – SILVA, Paula Correia, ob.cit., pág.38;

(4)    – anotadores de Madeira Torres, parte económica, manuscrita, 5º caderno, f.6, AMTV;

(5)    - anotadores de MT, parte económica, manuscrita, 8º caderno, f.7, AMTV;

(6)    – SILVA, Paula Correia, ob.cit., pág.65;

(7)    – SILVA, Paula Correia, ob.cit., pág.114;

(8)    - anotadores de MT, parte económica, manuscrita, 2º caderno f.6, AMTV;

(9)    – in  Jornal de Torres Vedras, 30 de Julho de 1885;

(10) – SILVA, Maria Manuela Gonçalves Silva, Convento da Graça - Torres Vedras, parte 1, tese na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1997, dactilografada;

(11)  – SILVA, Paula Correia, ob.cit.,, pág.115;

(12)   – in Jornal de Torres Vedras, 22 de Janeiro de 1886;

(13) - in A Semana, número comemorativo da Kermesse de abertura do novo jardim,  Domingo 21 de Agosto de 1892. Ver também o suplemento do nº 46 de  “Toitorres Notícias” de Maio/Junho de 1998, coordenado por António Rodrigues e Adão de Carvalho;

(14)  CARVALHO, Adão de e PAULO, Joaquim, “Ontem e Hoje – Rafael Bordallo Pinheiro e o Coreto da Graça”, in Badaladas de 27 de Março de 1992;

(15) – leia-se, sobre o tema,  o texto assinado por Moura Guedes, “O Jardim do Largo da Graça – uma “nota” oficiosa”, in Alta Extremadura, 20 de Março de 1935;

(16)– CUNHA, Augusto M. Lopes da, Memória das Festas da inauguração do obelisco comemorativo da guerra peninsular e Catálogo da exposição hiistórico-biblio-iconográfica, ed. Biblioteca Municipal de Torres Vedras, 10 de Outubro de 1954;

(17) – SALES, António Augusto, “Um referendo para o Jardim da Graça e o seu Obelisco”, in Frente Oeste de 2 de Maio de 2002;

(18)  – DIOGO, A., “As tarimbas do mini-jardim da Praça do Império”, in Badaladas de 27 de Junho de 1970;

(19)   – ver Badaladas de 12 de Abril de 2002 e Torres Vedras em Revista, nº1, Março de 2002;

(20)   – RALHA, Jorge, “A desgraça da Graça”, in Badaladas de 20 de Novembro de 2020.

quarta-feira, 7 de março de 2018

A Vida Torriense nos Caracteres da Imprensa Local (finais do Século XIX) (1885-1890) - Março de 1888.


Março 1888

“Foram-se !

“Andorinhas da arte, não poderam suportar as neves de Fevereiro e o frio da indiferença publica.

“Embrulhados nos mantos reaes de paninho bordado a lantejoulas, pozeram-se ao caminho com uma bagagem de dramas e uma perspectiva de miséria, seguindo a estrella dos bohemios, para irem levar ao seio das multidões a malícia da Nitouche e o surdo ranger de dentes de D. Afonso IV” (1).

Com estas palavras metafóricas começava a crónica de Carlos Velloso nas páginas de “A Semana”, nesse distante mês de Março de 1888, referindo-se à retirada de Torres Vedras da companhia teatral que aqui havia permanecido alguns meses.

Carlos Velloso, curioso cronista, de estilo muito peculiar na Torres Vedras oitocentista, prosseguia essa crónica com estas palavras:

“A brazeira voltou ao centro da sala, a chinela forrada, com bordados, tem na meia escuridão, por baixo da secretária, uns brandos fulgores de missangas: o “Diário de Notícias” retomou o seu império, e na leitura dos versos do sr. Luís d’ Araujo faz-se tranquilla a digestão das torradas, livre já da peste dos maus hábitos, lançada a despeza com theatro na coluna dos ganhos e perdas.

“O Convento da Graça vae perdendo o feitio pavoroso da Bastilha, já não se lhe suppõe  dentro um Minotauro que devora tostões e – quem poderia crer ? – já olhos humanos contemplam, sem estremecer, as taboas desunidas, meio enterradas, que eram ponte oscillante e perigosa n’aquelle patíbulo da riqueza (…)” (2).

O citado Convento da Graça, que serviu de sombra às noites de teatro, era o centro de outras realidades da época, como se pode ler noutra notícia publicada no mesmo jornal:

“Vae ser provisoriamente mudado o hospício dos expostos, n’esta villa, da antiga casa que se vendeu, para um edifício mais amplo e confortável, até que se realizem as obras no convento da Graça, onde ficará definitivamente instalado” (3).

O mês de Março de 1888 foi mês de temporais que se fizeram sentir principalmente no estado em que deixaram os velhos caminhos que ligavam Torres Vedras aos concelhos vizinhos e as ruas da villa:

 “A pouca àgua que caiu nos últimos dias da semana passada bastou para tornar intransitáveis os caminhos, convertendo-se em verdadeiros lamaçaes, onde os carros se enterram até aos eixos (…).

“Só quem anda na estrada conhece os dannos que provém de similhante desmazelo, demais na presente ocasião, quando se procede às tiradas do vinho.

“Aqui mesmo na villa temos um espelho à nossa frente.

“O caminho da estação, aquelle decantado caminho a que tantas vezes nos temos referido, está n’um estado tal, que bem demonstra a forma porque se zomba do interesse publico, mangando com as povoações.

“Aquilo não é um caminho, principalmente apenas caem algumas gotas de chuva: - é um mar de lama, um precipício, incapaz de servir para o trânsito geral.

“Apenas ali se chega logo se adivinha o serviço de uma via férrea, que tem os aterros especados com madeira, onde os wagons, velhos e ameaçando desconjuntar-se, andam à aposta, no que se refere a velocidade, com os carros dos almocreves!

“Realmente, estamos abaixo das povoações mais insignificantes, pelo abandono a que somos votados (4)”.

Então, como hoje, a linha do Oeste parecia condenada a prestar um mau serviço aos seus utentes (embora fosse então um dos mais prometedores e modernos meios de transporte), situação que não impedia a companhia de obter lucros significativos para a época:

“Reunindo as receitas d’este novo caminho de ferro, desde 1 de Janeiro até 12 do corrente [ mês de Março] , vemos que o seu produto monta a 25:901$010, pertencendo à Linha de Cintra a Torres 18:424$010 e à de Torres a Leiria 7:477$000.

“Com tão boas receitas bem podia a companhia mandar esphaltar o recinto da estação d’esta villa, ou mac- adamisar os caminhos que conduzem não só a esta, mas a outra estações da linha, os quaes estão intransitáveis, a ponto de terem já causado alguns desastres (5).

Mas nem tudo era criticável em relação àquela companhia, pois, entretanto, anunciava-se o ajardinamento da estação do caminho de ferro de Torres Vedras “no espaço que medeia entre o edifício e as arrecadações de material circulante”.

A recente inauguração do caminho de ferro não impediu o surgimento de um novo estabelecimento de trens de aluguer, propriedade de Januário Vieira, “habil cocheiro muito conhecido em todo o Concelho de Torres” (6).

O saneamento básico era outra das preocupações da época:

“A mudança da estação faz-nos ocorrer a necessidade de abastecer de água a nossa villa, evitando as dificuldades dos annos anteriores.

“A água que temos não é boa, nem sufficiente, todos o sabem (…).

“E já agora lembramos à Câmara a conveniência, de proceder ao saneamento da povoação, fazendo com que se observem os preceitos salutares da hygiene.

“Actualamente, a nossa villa, com as montureiras, os canos rotos, as ruas sujas, não peca por aceiada, nem attraente  (…)” (7).

Um dos melhoramentos então recentemente inaugurado, a iluminação a gaz, atravessava algumas dificuldades, que acabaram por levar ao regresso `da velha iluminação a petróleo, só abandonada em 1912 com a inauguração da iluminação eléctica:

“Desde terça-feira [6 de Março] que a villa é iluminada a petróleo. A naphta foi por algum tempo posta de parte “ (8).

Outro melhoramento então anunciado para o concelho foi a instalação de uma linha telefónica particular, ainda não inaugurada por razões burocráticas:

“Está prompta há mais de um mez o telefone que deverá funcionar entre S. Domingos de Carmões e o Sobral de Mont’ Agraço, sem que ainda chegasse ordem official para a sua abertura ao público, que ainda não poude utilizar este melhoramento com que foi contemplado” (9).

Uma última nota sobre este mês de Março de 1888 para referir que se anunciava para o primeiro dia de Abril o encerramento dominical dos estabelecimento comerciais, a partir das 4 horas da tarde, iniciativa que muito contribui para alargar os tempos livres dos torrienses, alterando muitos hábitos dos seus habitantes no final do século XIX.

( a partir de texto por nós publicado no jornal Badaladas em 25 de Março de 1988).

  • (1)    – in A Semana de 1 de Março de 1888;
  • (2)    – idem, idem;
  • (3)    –idem, idem;
  • (4)    – in Voz de Torres Vedras de 3 de Março de 1888;
  • (5)    –idem. Idem;
  • (6)    – in Voz de Torres Vedras de 24 de Março de 1888;
  • (7)    – idem, idem;
  • (8)    – in Voz de Torres Vedras de 10 de Março de 1888;
  • (9)    – in A Semana de 22 de Março de 1888.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Céu do Convento...

Na semana passada, num dos primeiros dias do ano com núvens...





segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma recensão crítica de uma obra fundamental: O Convento da Graça de Torres Vedras de Paula Silva.

Através de uma amizade recente no facebook, tive acesso a uma interessante recensão crítica à obra de Paula Silva sobre o Convento da Graça de Torres Vedras. Pelo interesse da mesma, da autoria de Jorge Gonçalves Guimarães, aqui a transcrevo:


SILVA, Paula Correia da, O Convento da Graça de Torres Vedras. A comunidade eremítica e o património. Torres Vedras: Câmara Municipal/Livro do Dia, 2007 ¬ 172 pp.

recensão por Jorge Gonçalves Guimarães

"Em Portugal, após a extinção das ordens religiosas, em 1834, só no ano de 1973 se assistiria ao regresso dos Agostinhos. Um retorno demorado e com fraca expressão que, de alguma forma, poderá esclarecer a pouca atenção que a historiografia portuguesa têm dedicado ao estudo desta ordem religiosa que contou entre os seus membros com figuras tão referencialmente importantes como Frei Gaspar do Casal e Frei João Soares, ambos participantes no Concílio de Trento, Frei Aleixo de Meneses, Arcebispo de Goa e de Braga, chegando mesmo a ser vice-rei de Portugal, Frei Sebastião Toscano, autor da célebre Mística Teologia, Frei Tomé de Jesus, confessor de D. Sebastião, que escreveu os não menos conhecidos Trabalhos de Jesus, ou o Beato Gonçalo de Lagos, personagem em torno da qual se organizam elementos fundamentais das identidades locais de Lagos e Torres Vedras.

"Este inaugural e promissor trabalho de Paula Correia da Silva - cuja publicação os interessados e estudiosos não podem deixar de saudar com especial entusiasmo, não só pelo valoroso conteúdo no que diz respeito à história daquela ordem religiosa, como também, particularmente, pelo preenchimento de uma lacuna no magro universo dos estudos relativos do património religioso edificado da actual cidade da Estremadura oestina portuguesa ¬ assume especial interesse se tivermos em conta que no século XVI o convento em questão chegou a ser, no que pode ser designado como hierarquia das casas conventuais, o sexto da Província Portuguesa. Se outro motivo faltasse, bastaria ainda recordar que o Convento da Graça, em Torres Vedras, foi residência dos já citados Frei Aleixo de Meneses, entre 1588 e 1590, altura em que no exercício do seu priorado deu significativo impulso aos trabalhos de construção, e de Frei Gonçalo de Lagos, um religioso medieval cuja fama de santidade tardiamente vazada em sucessivos textos hagiográficos mereceria, já no século XVIII, a sua beatificação.

"A tudo isto soma-se a valorização - numa altura em que se nos afiguram como cada vez mais importantes o (re)despertar dos sentimentos de pertença a um espaço e a consolidação das identidades regionais - de um importantíssimo património religioso local.

"Centremos finalmente a atenção na obra de Paula Correia da Silva, um trabalho difícil porquanto - como será certamente consabido por todos quantos se dedicam ao estudo da história desta ordem religiosa - para o caso da Província de Portugal dos Eremitas de Santo Agostinho a documentação que sobreviveu às vicissitudes do tempo e da história, além de dispersa por diversos arquivos, não é abundante, situação que, neste trabalho esclarece um menor grau de desenvolvimento para o período anterior ao século XVIII, mas que de forma alguma diminui o seu interesse e importância. Com efeito, apoiada em abundante bibliografia e numa multiplicidade de fontes documentais, algumas das quais, com meticuloso critério de selecção, são transcritas no final do volume, a autora, ao longo de dez capítulos, cuja apresentação exaustiva não cumpre fazer neste espaço, apresenta, numa economia textual cuidadosamente organizada, dois grandes temários. O primeiro, correspondendo aos três primeiros capítulos, desenvolve noções fundamentais em torno da espiritualidade agostiniana e apresenta uma notável síntese história da ordem em Portugal desde a Idade Média. Num segundo andamento, já centrado no convento, frequenta-se uma qualificada e abrangente investigação que do arquitectónico ao económico, do biográfico ao cultural, transforma este interessante livro numa obra de consulta obrigatória.

"A encerrar, embora não menos importante, uma justíssima nota de louvor para a Câmara Municipal de Torres Vedras que nos últimos anos, ininterruptamente, tem vindo a editar valorosos estudos cujo interesse ultrapassa as fronteiras do local".

domingo, 18 de abril de 2010

Um roteiro por "monumentos e sítios" da cidade de Torres Vedras

Hoje, Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, deixamos aqui uma sugestão de um roteiro pelos mais emblemáticos monumentos e sítios da cidade de Torres Vedras:

TORRES VEDRAS  - PROPOSTA PARA UM ROTEIRO URBANO HISTÓRICO

CASTELO

À sombra da sua muralha nasceu e cresceu o burgo medieval de Torres Vedras. Conquistado (ou negociado) aos mouros por volta de 1148 por D. Afonso Henriques, foi palco de vários episódios da nossa história .

No século XIV, segundo a descrição do cronista Fernão Lopes, Torres Vedras era então “uma fortaleza assentada em cima de uma formosa mota, a qual natureza criou em tão ordenada igualdade como se à mão fosse feita artificialmente” . A vila tinha “uma cerca arredor do monte e na maior alteza dele está o castelo”.

A sua estrutura actual data em grande parte das obras de reconstrução ordenadas pelo rei D. Manuel, situação testemunhada pela porta gótica ogival, datada de 1516, encimada por esferas armilares manuelinas

Já em parte arruinado, mas ainda habitado, o castelo sofreu graves danos com o terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Apesar da ruína, voltaria o velho castelo a recuperar a sua importância militar quando, em 1810, foi integrado no sistema defensivo das “Linhas de Torres”.

IGREJA DE STª MARIA DO CASTELO

Sede da mais antiga paróquia da vila, edificada no século XII. Assenta sobre ruínas romanas e visigóticas, sucedendo a uma mesquita .

Da antiga fundação podem ver-se as colunas com capitéis românicos, com símbolos do “cântico dos cânticos”.

Toda a actual estrutura da igreja remonta a obras de restauro de 1662. Tem duas torres de traça seiscentista. Antigamente uma era municipal ( a do relógio) e outra era paroquial (a sineira). Ruiram durante o terramoto de 1755.

PAÇOS DA RAINHA

Foi mandado edificar pela a rainha D. Beatriz, esposa de D. Afonso III, no século XIII. Nele teve lugar do conselho régio de 1414 (24 Julho 1414 ?) onde se decidiu a Conquista de Ceuta que iniciou a expansão marítima portuguesa.

TRAVESSA DO QUEBRA COSTAS

Rua de características medievais, destacando-se o “arco” que une uma casa aos dois lados da rua.

JUDIARIA

Em Portugal D. Dinis, (século XIII), no seguimento dos seus conflitos com o clero, comprometeu-se a obrigar os judeus a morar “apartadamente”.

Em Torres Vedras tal promessa ter-se-á realizado já no reinado do seu sucessor, D. Afonso IV. Os judeus foram expulsos de Torres Vedras em 1499.

IGREJA DE S.TIAGO

Foi reconstruída nos séculos XVI e XVII.

Tem pórtico Manuelino.

Pensa-se que esteve ligada às peregrinações a Santiago de Compostela

IGREJA DE S. PEDRO

Sede de paróquia desde a fundação da nacionalidade foi reconstruída no séc. XVI, datando desta época a sua traça actual.

O seu pórtico manuelino, encimado pelas armas reais (armas com símbolos de Portugal e Castela) atribuídas à rainha D. Maria (2ª mulher de D. Manuel entre 1510 e 1517), é um dos ex-libris de Torres Vedras.

No seu interior merece destaque o túmulo quinhentista de João Lopes Perestrelo e esposa, D.ª Filipa (vinculou a Quinta do Espanhol em 1542, acompanhou Vasco da Gama na sua segunda viagem à Índia em 1502, comandando um navio, e era primo da mulher de Cristovão Colombo).

De destacar ainda o seu rico e variado património de azulejos

Anexa à igreja existe a Casa da Irmandade dos Clérigos Pobres construída entre 1737 e 1769. No seu tecto podem ver-se 4 telas dos Evangelistas (S. Marcos, S. Mateus, S. Lucas e S. João) da autoria de Bernardo de Oliveira Góis e silhar de azulejos do século XVIII, com assuntos tirados da gravuras de Cláudio Coelho .

CHAFARIZ DOS CANOS

Situava-se à entrada da mais importante porta da vila. Dessedentava as montadas, pelo que aí se concentravam várias actividades profissionais como as de ferrador, correeiro e albardeiro.

Data de 1322 o primeiro documento que se refere à sua existência.

Este Chafariz foi reconstruído em 1561 pela infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel.

Esta fonte é um monumento onde se encontram elementos de diferentes épocas, mas onde domina a arte gótica.

Existem nas faces das colunas do monumento um conjunto de quatro escudos: “ os da frente ostentando o brasão real que remonta ao século XIII, sendo com toda a probabilidade do reinado de D. Afonso III, e os dois laterais da mesma época, representando em três castelos de linhas severas, sóbrias de atavios, o velho brasão da antiga Turribus Veteribus.” ( SALINAS CALADO).


Destaque ainda para o interessante conjunto de gárgulas góticas que decoram este monumento.


CONVENTO E IGREJA DA GRAÇA

A sua construção teve lugar ao longo do século XVI para substituir o velho convento dos eremitas calçados de S. tº Agostinho.

No lugar onde foi construído este segundo mosteiro existia a gafaria de St.º André, cujo terreno foi doado à ordem agostiniana de Torres Vedras, por alvará de D. João III, datado de 26 de Setembro de 1542, para aí se construir este novo convento.

Em 1588 foi prior deste convento Frei Aleixo de Menezes, cuja vida está documentada nos azulejos do século XVIII do claustro.

Por decreto de 30 de Maio de 1834 foi extinto o convento da Graça e os seus frades foram expulsos.

De estilo renascentista, existem no seu interior várias capelas

Na parede da Capela-mor existe um nicho com o primitivo túmulo de S. Gonçalo de Lagos, padroeiro de T: Vedras, que foi prior do primitivo convento desde 1412 e falecido em T. Vedras em Outubro de 1422.


... um Bom Passeio!