Mostrar mensagens com a etiqueta Livro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Homenagem a António Augusto Sales


No próximo Sábado, 30 de Maio, pelas 16 horas, nos Paços do Concelho, terá lugar uma sessão de homenagem a António Augusto Sales, que inclui o lançamento de uma nova obra da sua autorias

António Augusto Sales completou 90 anos de vida no passado dia 29 de Abril.

Nascido em Torres Vedras em 1936,  António Augusto Sales “estudou e viveu na sua terra natal até 1964. Exerceu a sua atividade profissional nas áreas da comunicação, marketing e publicidade. Foi fundador do Cineclube de Torres Vedras (1956) e do Suplemento Cultural do jornal «Badaladas» (1961). Escreveu contos, novelas e romances”. Em 1964 foi viver para Algueirão, onde vive actualmente, mas mantendo-se sempre ligado à sua terra natal

Foi autor  da biografia de António Botto, e de obras como “A Primeira Manhã”, contos, (1964;) “Uma longa e estranha pausa” romance, (1970) “Barcelona, cidade na Catalunha” crónicas, (1972), “Requiem pelos fieis defuntos”(1976) e “Corpo Enigmático”(1993), entre outros,

Publicou textos nos blogues «A Viagem dos Argonautas» e «Estrolábio». “Exerceu durante bastante tempo o papel de crítico de cinema em revistas da especialidade. Tem colaboração espalhada por diversos órgãos da imprensa nacional e regional, sobretudo crónicas de carácter político e social”.

Segundo o próprio, cometeu “um erro na juventude que infelizmente nunca mais o largou:levar a vida a sério.

Em sua homenagem, aqui recordamos o que na altura escrevemos sobre uma das suas obras mais emblemáticas, “Os Guardadores do Tempo”, as crónicas contemporâneas da cidade de Torres Vedras contadas à boa maneira de um Fernão Lopes

 


“OS GUARDADORES DO TEMPO”, de António Augusto Sales é uma daquelas obras que se lê de um fôlego, como se de um romance histórico se tratasse, cruzando personagens inventadas (ou talvez não), com personagens reais, enquadrando devidamente acontecimentos locais nas tendências sociais e culturais que marcaram o País e o mundo nos últimos cem anos.

Torres Vedras e a sua cultura, ao longo de um século, serve de fio condutor a este livro que é muito mais que um livro de História Local, que um Livro de Memórias ou um Romance Histórico, mas é tudo isto no seu melhor.

Historicamente o autor revela um exaustivo e rigoroso levantamento de fontes, cruzando fontes tradicionais com fontes menos ortodoxas como o são as notícias publicadas na imprensa, as fontes orais e a própria memória do autor.

O autor fez um levantamento exaustivo de tudo o que nesta terra marcou a cultura ao longo do último século, não esquecendo mesmo os acontecimentos aparentemente mais insignificantes, mas marcantes naquilo que revelaram de inovador e criativo, ou de fundamental para traçar a identidade desta cidade, fosse de forma meramente  conjuntural ou a um nível mais estrutural.

Tendo o livro nascido do interesse do autor em escrever a história do teatro torriense, acabou por ultrapassar esse âmbito, abordando todos os campos da cultura, das artes e das ideias que marcaram a realidade contemporânea de T. Vedras. Deixa mesmo algumas pistas incontornáveis para quem, por exemplo, tencione fazer a história da rádio, a história da fotografia ou das páginas culturais desta localidade, temáticas ainda pouco exploradas na historiografia local.

Enquanto memória, esta obra está mais próxima da memória colectiva desta cidade do que da mera autobiografia.

A memória, para António Augusto Sales, é, neste livro, mais um instrumento de trabalho, literariamente esculpida ao estilo vivo, divertido e impressionista que caracteriza a sua obra.

Esse mesmo estilo impressionista da escrita de Augusto Sales dispensa qualquer ilustração ou fotografia porque, ao lê-la, conseguimos “ver”, “ouvir” e “cheirar” cada um dos  momento da vida torriense ao longo de um século.

O autor, nesta obra, veste o papel clássico do cronista que, numa linguagem elegante, historicamente bem documentado, não disfarça a sua própria subjectividade, dando-nos, a nós torrienses, o raro privilégio de desfrutar um magnífico fresco histórico sobre esta nossa cidade.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

As memórias do Carnaval de António Carneiro

                                               

Se há acontecimento que une todas as gerações torrienses vivas, ele é o Carnaval de Torres.

Toda a gente que tenha nascido ou vivido em Torres Vedras tem histórias da sua vida relacionadas com esse evento.

Se essa memória for a de alguém que esteve por dentro da organização e da expansão que o Carnaval de Torres conheceu nas últimas décadas, estão reunidas as condições para que essas memórias se tornem um documento fundamental para conhecer a evolução, a transformações e o espírito desse acontecimento único que é o Carnaval de Torres.

É o que acontece com António Carneiro, que acaba de nos brindar com um surpreendente livro de memórias sobre o Carnaval de Torres: “Aconteceu assim…memórias e …outras histórias”.

Este livro, tratado graficamente pelo Antero Valério e ilustrado com um conjunto de fotografias ,  muitas da autoria de Carlos Miguel (cronista visual do nosso carnaval das últimas décadas, como se revela pela extraordinária fotografia que foi escolhida para capa do livro), é já uma obra fundamental para se conhecer como é que o Carnaval de Torres atingiu a sua actual dimensão e notoriedade.

Como responsável activo pela fase moderna do nosso Carnaval, António Carneiro dá-nos uma obra fundamental para quem queira construir, para memória futura, uma História do Carnaval de Torres.

O memorialismo não é um género muito cultivado por estas bandas, muito menos na forma despretensiosa, mas bem documentada e experienciada, como o faz o nosso amigo “Toni” Carneiro.

Para além de António Carneiro, temos, felizmente, João Maria Brandão de Melo que nos vai deliciando, nas páginas do jornal  Badaladas, de forma irregular, com as suas memórias carnavalescas, trabalho que também merecia ser reunido em livro.

Pena temos nós que não houvesse outras figuras históricas do nosso Carnaval que publicassem as suas memórias (lembramo-nos de um Amílcar, de um Luís Faria, de um Jaime Alves, de um Levy dos Santos, de um Verino, de  um Renato Valente…e tantos outos que construíram o nosso Carnaval).

O livro de António Carneiro lê-se de um trago. Lê-lo, para além do grande prazer que nos deu, é um forma de penetrarmos  no espírito do centenário Carnaval de Torres, pois as saborosas histórias que ele nos  revela não são as  de um mero observador exterior, mas muitas delas tiveram a cumplicidade activa do autor e foram “estruturantes”  para a identidade actual do nosso Carnaval.

Este é um livro fundamental na estante de qualquer torriense, goste-se ou não do Carnaval.

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Vitor Alves, um “capitão” de Abril em Torres Vedras


Ainda está por fazer um levantamento dos militares nascidos ou criados em Torres Vedras que participaram no “25 de Abril”.

Um há, contudo, que foi decisivo, não só para a concretização desse golpe militar, que pôs fim a 48 anos de ditadura, como para o rumo democrático dessa revolução.

Chamou-se Vitor Manuel Rodrigues Alves, nascido em Mafra em 30 de Setembro de 1935, mas que viveu parte da sua infância e juventude em Torres Vedras.

O major Vitor Alves foi uma das figuras cruciais para o êxito do “25 de Abril”, mas, muitas vezes, o seu papel nesse acontecimento e na evolução dessa revolução não tem sido devidamente valorizado, em grande parte devido à sua personalidade discreta e sóbria.

Contudo, como se revela na excelente biografia que Carlos Ademar lhe dedicou (1), a sua acção foi crucial, quer para o êxito do golpe de estado que pôs fim ao regime salazarista, quer para o rumo democrático e liberal do regime saído do “25 de Abril”.

Formado na Escola do Exército, participou na Guerra Colonial, onde combateu durante mais de uma década nos mais difíceis cenários de guerra, apercebendo-se da incapacidade do regime para encontrar uma saída política para esse conflito, o que o levou a ser um dos pioneiros na formação do que veio a ser o MFA e um dos principais responsáveis pela elaboração do programa político desse movimento.

Depois do movimento vitorioso, integrou cargos em várias estruturas, como o Conselho de Estado, o Conselho dos Vinte e, mais tarde, o Conselho da Revolução, foi ministro sem pasta,exercendo também várias funções diplomáticas. Foi um dos fundadores do Grupo dos Nove, sendo um dos “vencedores “ do 25 de Novembro e ministro da educação no IV Governo Provisório, liderado por Pinheiro de Azevedo. Foi mais tarde conselheiro presidencial de Ramalho Eanes, candidato pelo PRD nas eleições de 1985, 1986 e 1989, e fundador da Associação 25 de Abril, entre muitas outras actividades cívicas em prol da defesa da comunidade portuguesa no mundo, de um bom relacionamento com as antigas colónias e em defesa dos Direitos Humanos.

Toda esta acção está bem documentada na referida biografia, uma obra que é também um fiel retrato da vida política e social de Portugal entre o final da década de 1960 e da década de 1980, durante as quais Vitor Alves foi uma figura decisiva

Neste artigo não pretendemos fazer uma história dessa importante personalidade, mas referir as suas ligações a Torres Vedras.

Nascido em Mafra, a sua família, depois se uma curta passagem por Vila Franca de Xira, mudou-se para Torres Vedras na década de 1940, vivendo na Rua Conde Tarouca, nº 28, 1º andar. “Era num prédio de três pisos. A família Alves residia no 1º andar e a senhoria no 2º. Teresa, a mulher de Vítor Alves durante 50 anos (…) refere-se-lhe como a “casa do risco ao meio”, por ter um corredor longo e muitas divisões de um e outro lado”. Nessa casa existia uma grande biblioteca, propriedade do avô paterno Alexandre, figura tutelar de Vitor Alves, com quem conviveu de perto durante os 4 ou 5 anos que este viveu na casa paterna em Torres Vedras. “O seu ingresso na Escola do Exército, em 1954, ocorreu dois ou três anos após a morte dessa figura tutelar” (2).

O pai de Vitor Alves, Eduardo, era escriturário da Junta Nacional dos Vinhos, falecendo em 1968. A mãe, Maria Palmira, “foi o grande motor da família”, exercendo “funções de telefonista nos CTT e passou posteriormente para o apoio à secretaria”.

Os pais de Vitor Alves tiveram 11 filhos, dos quais cinco morreram à nascença. Os dois mais novos, dos 6 sobreviventes, José Manuel e Carlos António, foram os únicos a nascer em Torres Vedras. Após a morte do pai, a mãe e os irmãos mudaram-se para Oeiras.

Vitor Alves conclui os estudos primários e secundários em Torres Vedras (3), recordando, numa entrevista concedida a Manuela Cruzeiro em 2004, a sua passagem pelo Liceu de Torres Vedra e a memória com que ficou de alguns professores: “O professor Mesquita, de Português, era extraordinário, bem como o de Matemática. Ambos eram de esquerda”. Referia-se ao professor José Carvalho Mesquita, que conheceu a prisão e foi saneado. O “professor de matemática” era o Dr. Albarran Grilo. Na mesma entrevista o “capitão de Abril” recordou igualmente com simpatia o professor de ginástica Carlos Dieguez. Já em relação ao director do liceu, o Dr. João Carlos Cunha, a sua opinião não era tão simpática. Para além da sua ligação à Legião Portuguesa, Alves desconfiava que ele era informador da PIDE, opinião que não é verdadeira (4).

A causa da desconfiança de Vitor Alves em relação ao Dr. Cunha prende-se com o facto de ter conhecimento, depois do 25 de Abril, da existência, nos arquivos da PIDE, de uma denuncia anónima contra si e um amigo do liceu, João Antunes, descrevendo as conversas entre ambos. “João Antunes tinha três ou quatro anos a mais do que Vitor Alves e ambos eram colegas do liceu. Morava na mesma rua, quase em frente da casa do Dr. Cunha. Os dois ficavam a conversar até altas horas da noite, à porta de um e do outro, o que não passaria despercebido ao director” (5), nascendo desta situação a infundada desconfiança em relação ao Dr. Cunha.

Como vimos, Vitor Alves deixou Torres Vedras em 1954, para ingressar na Escola do Exército, e a sua família deixou esta localidade em 1968, após a morte do pai.

Vitor Alves faleceu no dia 9 de Janeiro de 2011.

Em vésperas do cinquentenário do 25 de Abril, seria interessante, no mínimo, colocar uma placa evocativa da sua passagem por Torres Vedras na casa onde viveu.

(1)    – ADEMAR, Carlos, Vitor Alves – o Homem, o Militar, O Político, ed. Parsifal, 2015 (com o apoio, entre outros, da Câmara Municipal de Torres Vedras;

(2)    – ADEMAR, pág.40;

(3)    – ADEMAR, pág. 41;

(4)    - o autor desta rubrica teve oportunidade de consultar os arquivos da PIDE, onde, pelo contrário, o Dr. Cunha era alvo das desconfianças da policia politica e dos seus informadores torrienses, apesar de ser um apoiante do regime. Também sei, de boa fonte, que o mesmo Dr. Cunha, amigo de alguns oposicionistas, lhes indicou quem eram os informadores da PIDE em Torres Vedras, para eles se poderem defender melhor da perseguição dessa polícia;

(5)    – ADEMAR, pág.44

 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Para a História da Indústria Torriense – “Casa Damião/Tomix"


Foi hoje colocado à venda em duas livrarias torrienses, a “Gráfica” e a “União”, o livro “Casa Damião/Tomix – Memórias da Indústria Torriense – Diálogos com Francisco Paulo Damião”, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, uma edição da Associação para a Defesa  e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras.

O livro conta a História de uma das empresas industrias pioneira de Torres Vedras, a Casa Damião, através das memórias de um dos filhos do fundador, Francisco P. Damião, recolhidas e devidamente contextualizadas por Joaquim Moedas Duarte.

Esta é a segunda incursão de Moedas Duarte pela história daqueles que ele apelida como “os latoeiros prodigiosos” que introduziram no concelho a industria metalomecânica, que revolucionou, no século XX, a economia de Torres Vedras.

Os outros “latoeiros prodigiosos” foram António Hipólito  e Francisco António da Silva.

A obra agora editada tem características diferentes da anterior dedicada à Casa Hipólito, considerando o autor que este novo livro “não é um estudo académico nem ensaístico”, mas uma “recolha de memórias e recriação ficcional sustentada em relatos orais”.

Seguindo, de forma organizada e estruturada, a entrevista com o filho do fundador da Casa Damião, esta é entrecortada com memórias ficcionais do próprio autor, onde se retrata uma época e se relaciona a evolução daquela empresa com a própria memória histórica de Torres Vedras ao longo do último século.

A obra inclui ainda um vasto reportório fotográfico, iconográfico e documental relacionado com a história da Casa Damião e a muitas personalidades a ela ligados, trabalhadores ou empresário.

Surgindo, por infeliz coincidência, numa semana marcada pela tragédia no seio da família Damião, esta é uma obra que nos remete para a memória do legado positivo deixado por essa família torriense.

A História de Torres Vedras sai mais enriquecida com a obra de Moedas Duarte.

 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sábado, na Biblioteca municipal, às 18.30 - Lançamento do Livro “Em Sentido Contrário” – uma biografia de Venerando Ferreira de Matos.



Amanhã, Sábado, 15 de Fevereiro, vai realizar-se, pelas 18.30, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, o lançamento do livro “Em Sentido Contrário – Venerando Ferreira de Matos (1926-1975) – Um oposicionista na província”.

Venerando Ferreira de Matos foi um dos mais activos colaboradores do jornal “Badaladas” nos anos de 1960 e no início dos anos de 1970 , assim como na vida cultural e associativa torriense desse período.

Nas páginas do “Badaladas”, com o apoio do padre Joaquim Maria de Sousa, defendeu projectos locais, denunciou os abusos do poder, defendeu a liberdade e a democracia, divulgou e participou em projectos culturais, tendo de enfrentar muitas vezes o lápis azul da censura.

Esta biografia revela muito daquilo que era a realidade do Estado Novo, tendo o biografado sentido na pele uma pena de prisão, cumprida em Peniche durante dois anos, e a vigilância permanente da PIDE.

Também se revela nesta biografia a realidade cultural da então vila de Torres Vedras, tendo o biografado participado activamente nalguns dos projectos mais marcantes das duas últimas décadas da ditadura, desde os debates animados nas páginas do “Badaladas” sobre a cultura local, à sua colaboração num dos projectos mais dinâmicos de então, o “Pelouro Cultural da Física”.

Para apresentarem esse livro vão estar presentes o Dr. José Pacheco Pereira, responsável pelas edições “Ephemera” que produziu esse livro, o Dr. Fernando Pereira Marques, antigo preso político, antigo deputado e professor universitário, e os Drs. José e Cecília Travanca Rodrigues, que apresentarão o livro no contexto da vida cultural e política torriense da época.

O livro “Em Sentido Contrário” é o terceiro publicado nos “Cadernos do Ephemera”, publicação a Associação Cultural Ephemera, uma colecção destinada a divulgar ensaios originais que se enquadram no trabalho deste Arquivo/Biblioteca.

Esta biografia é a primeira que os Cadernos Ephemera dedicam aos chamados “oposicionistas na província”, “aqueles que  são mais facilmente esquecidos porque não viveram nos centros do poder, mas que deram dimensão nacional à resistência ao Estado Novo” (do prefácio, assinado por José Pacheco Pereira).

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Hoje, ás 19 horas, na Biblioteca de Torres Vedras : - lançamento do livro "A República Possível" de Fernando Pereira Marques e apresentação de José Pacheco Pereira


É hoje apresentado em Torres Vedras o livro “A República Possível” da autoria do Dr. Fernando Pereira Marques, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, em sessão aberta ao público que terá início às 19 horas.
Essa sessão contará com a presença do autor e do Dr. José Pacheco Pereira que o apresentará.
A obra tem muitas referências à situação torriense nesse período em “não pretende fazer (mais) uma história de 1ª República”, apresentando um novo olhar crítico sobre esse período curto, mas fundamental, da nossa história recente.
“A situação em Portugal entre 1910 e 1926 não foi muito diferente da generalidade de situações coetâneas noutras sociedades europeias, do ponto de vista da radicalização da conflitualidade social e da instabilidade política.

“É, pois, redutor atribuir a queda da I República a erros, a faltas, a desvios - segundo as versões benignas de tipo historicista -, ou à perversidade jacobina, anticlerical, ou até autoritária dos políticos republicanos, segundo as versões de outros historiadores.

“Em termos mais simples, não foi a balbúrdia de que falam alguns textos referindo-se a esse período, o caos ou a catástrofe que a propaganda salazarista descrevia ou que ainda vários sustentam, nem foi uma Cousa Santa traída por militares e por um ditador perverso.
Foi a República possível no contexto da sociedade portuguesa com as suas características e problemáticas específicas, um processo complexo mas modernizador que a ditadura militar e o salazarismo travaram eficazmente”.
O autor, Fernando Pereira Marques nasceu em Coruche a 16 de abril de 1948. É diplomado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris e Doutor de Estado em Sociologia pela Universidade de Picardie – Amiens (França), professor catedrático convidado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa), onde dirigiu o 2.º Ciclo de Ciência Política, e investigador integrado no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. 
Entre outros cargos, foi deputado à Assembleia da República, dirigente nacional do Partido Socialista, presidente da Subcomissão Parlamentar de Cultura e membro da delegação portuguesa na União da Europa Ocidental (UEO) e na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. É autor de várias obras nas áreas do ensaísmo e da investigação, colaborador em publicações periódicas e diretor-adjunto da revista Finisterra.
Algumas obras do autor: Exército e Sociedade em Portugal, 1991 (1981, 1.ª ed.); O Elogio da Inquietude, 1985; Um Golpe de Estado – Contributo para a Questão Militar no Portugal de Oitocentos, 1989; De que Falamos quando Falamos de Cultura?, 1995; Exército, Mudança e Modernização na Primeira Metade do Século XIX, 1999; A Praia sob a Calçada – Maio de 68 e a «Geração de 60», 2005; Esboço de um Programa para os Trabalhos das Novas Gerações, 2007; Sobre as Causas do Atraso Nacional, 2010; Cultura e Política(s), 2014; Uma Nova Conceção de Luta, Materiais para história da LUAR e da resistência armada em Portugal, 2


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Contra a demagogia: em Defesa de Carlos Miguel



A notícia do Público desta semana não prefigura qualquer indício de ilegalidade, nem sequer de falta de ética.

A edição de 22 de Maio daquele diário publicava uma notícia intitulada  “Torres Vedras compra metade da edição dolivro de ex-autarca e secretário de Estado” (clicar para ler), condicionando logo à partida uma opinião sobre o tema.

Numa época em que somos bombardeados diariamente na comunicação social e nas redes sociais como a mais demagógica campanha anti-politica, com o objectivo de, internamente, mostra que um governo de  esquerda não é diferente de um governo troikista de direita e que, se “todos os políticos são corruptos”, logo a ditadura é que era boa, porque “não havia corrupção”, ou, votem na extrema-direita populista “impoluta” ou, sendo tudo igual, vamos abster-nos ou votar no “centrão tradicional”, aquele título não foi escolhido inocentemente.

Aquele título foi escolhido para ser, inconscientemente, lido, pela mentalidade do “povão”, condicionada pela demagogia da comunicação social e da maior parte dos seus comentadores e pelas redes sociais, como:  “Uma câmara do PS, desbaratou uns milhares de euros a pagar a edição de um qualquer livro do anterior presidente da Câmara e actual secretário de estado do governo socialista da geringonça que enriqueceu deste modo”.

Lendo a notícia, contudo, nada permite tirar esse tipo de conclusão.

Afinal o livro não foi publicado porque era da autoria de um ex-autarca e de um actual secretário de estado, mas porque foi feito por alguém que se dedica à fotografia há mais tempo do que aquele de dedica à politica, com provas dadas nesse meio, que dedica uma parte importante do seu tempo a uma das temáticas que mais o entusiasma, o Carnaval de Torres, goste-se ou não um dos principais ex-libris da cidade e uma das mais importantes fontes de rendimento local.

Afinal o livro não foi editado pela Câmara, com fundos municipais, mas foi editado e pago pelo autor que depois colocou o livro à venda e a Câmara, como costuma fazer com muitas obras de interesse local, comprou metade da edição. Esta é uma prática corrente e é uma forma, pouco dispendiosa, de apoiar os autores locais. Neste caso comprou, por cerca de 9 mil euros, metade da edição do livro, uma obra de grande qualidade para ser distribuída em actos de promoção do município, nomeadamente de promoção do Carnaval.

Num país de salários e pensões miseráveis, lançar para o ar “9 mil euros” parece muito dinheiro, mas olhando para o orçamento desta Câmara, ou comparando com as centenas de milhares e os milhões desbaratados em fugas ao fisco, em criara situações fiscais de excepção, a perdoara dívidas de milhões, a pagar centenas de milhares por pareceres de escritórios de advogados, a encher gabinetes ministeriais de assessores pagos principescamente, a pagar e a salvar empresas falidas e bancos, aquele valor é uma migalha, ainda por cima com um retorno que pode ser muito maior no contributo que aquela obra pode dar para prestigiar o município e divulgar o Carnaval de Torres.

As perguntas que devia ter feito, antes de lançar qualquer fumo de suspeita, eram as seguintes:

- A obra não tem qualidade? – Claro que tem qualidade, até muito superior a outras obras do género publicadas e apoiadas por câmaras por esse país fora.

- A obra não se enquadra na identidade do Município? – Claro que, goste-se ou não do Carnaval, a obra se enquadra-se na identidade do município.

- Houve uma situação de excepção no apoio do município a esta obra? – Claro que não houve, é uma prática normal de apoio a autores com obras de interesse local e já o fez em relação a outras obras sobre o mesmo tema.

- O autor enriqueceu ilicitamente graças a esta obra? – Claro que não enriqueceu, pagou a edição do seu bolso, pagara ao fisco o que é obrigado e, quanto muito, talvez tenha conseguido recuperar o que gastou na edição, mas sem que tivesse contabilizado as horas de trabalho na recolha de fotografias, os gastos com material fotográfico, o tempo gasto a editar a obra.

- O tempo para o lançamento da obra foi o adequado ( já que o visado é secretário de estado de um governo do mesmo partido a que pertence o município)? – Esta questão pode ser aquela que se presta a maiores duvidas, mas o tempo do lançamento, durante os festejos do Carnaval, parece adequado.

Ou seja, estamos perante uma não questão, que visa apenas ser usada pela argumentação de uma demagogia barata ao serviço do populismo mais reles.

Pela minha parte, divergi e continuo a divergir em relação a  muitas iniciativas desta Câmara, como é público e notório, nem devo nada ao Dr. Carlos Miguel, mas penso que, desta vez, a comunicação social falhou mais uma vez o alvo.

terça-feira, 8 de maio de 2018

TURRES VETERAS XXI - 11 a 12 de Maio de 2018.

Tem início na próxima 6ª feira, a partir das 14 horas, a 21ª edição dos encontros de História Turres Veteras.

Os encontros encerram no dia seguinte, pelas 17.30, com o lançamento de "Torres Vedras - Nova História Local", uma obra colectiva que inclui as comunicações do ano passado, que percorreu a História Torriense ao longo dos séculos.

Este Turres Veteras XXI tem lugar no auditório dos Paços do Concelho e o programa pode ser consultado em baixo.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Lançamento do Livro "O Socialismo e o PS em Portugal", na Biblioteca Municipal, Sábado pelas 18 .30:


Sinopse do livro
“Apesar da incipiente industrialização, as ideias socialistas chegaram ao nosso país nos anos 50 do século XIX quando ainda se viviam as sequelas da Patuleia, guerra civil que contribuiu para abalar os alicerces da monarquia. Viriam a surgir, assim, as primeiras associações visando “os melhoramentos das classes laboriosas”, os primeiros periódicos e textos doutrinários. Em 1875, mesmo antes de que isso acontecesse noutros países mais desenvolvidos, foi fundado o Partido Socialista. Figuras como Antero de Quental e José Fontana fariam com que o socialismo entre nós tivesse, desde logo, características muito especiais no que concerne à sua componente libertária e ética. Isto não impediria que também aqui se repercutissem as divisões programáticas em curso no resto da Europa o que, no contexto da sociedade portuguesa, ajudaria à hegemonia das ideias republicanas e do anarco-sindicalismo no movimento operário. Durante a I República os socialistas tiveram expressão modesta a nível sindical e parlamentar, apesar de chegarem a estar presentes em governos e terem contribuído para reformas significativas.
 “Não admira, pois, que durante o Estado Novo o socialismo se tivesse amalgamado com a oposição democrática republicana, apesar de sempre existirem tentativas no sentido de afirmar a sua identidade. Até que, em 1964, Mário Soares, Tito de Morais, Ramos da Costa, entre outros, criaram a Acção Socialista Portuguesa, embrião do actual Partido Socialista fundado em 1973. Este, após o derrube da ditadura a 25 de Abril de 1974, tornar-se-ia a força decisiva para a construção do Portugal democrático dos dias de hoje e continua a desempenhar o papel fulcral que é conhecido. Recorrendo a vários autores de diversas formações académicas, pretende-se com este livro recordar o passado do socialismo português, para melhor analisar o seu presente e perspectivar o futuro”.
 Participam nesta edição: Ângela Montalvão Machado; António Campos; Antonio Muñoz Sánchez; António Reis; Fernando Pereira Marques (coordenador); Joaquim Palminha Silva; Paulo Ferreira da Cunha; Miguel Coelho; Nuno Miguel Jesus.

Dados Biográficos 
Fernando Alberto Pereira Marques , nascido 16 de abril de 1948.  Professor Universitário. 
Foi líder da LUAR antes do 25 de Abril, tendo conhecido a prisão politica e o exílio.
Depois do 25 de Abril continuou nessa organização até à sua extinção, aderindo posteriormente ao PS, tendo sido deputado.
Cargos que desempenha: 
  Coordenador-adjunto
  Membro do Conselho Diretivo
  Diretor-adjunto da revista a "Finisterra" 
Cargos exercidos: 
  Membro do Conselho de Informação para a Imprensa
  Dirigente Partidário
Obras Publicadas: 
  "Contrapoder e revolução" 
  "Exercito e Sociedade em Portugal" 
  "Um Golpe de Estado -Contributos - Estudo da Questão Militar" 
  "O elogia da enquietude" 
  "A outra guerra" 
“A Praia sob a Calçada – Maio de 68 e a Geração de 60”
“Uma Nova Concepção de Luta”

Títulos académicos e científicos 
DOCTORAT D'ETAT EM SOCIOLOGIA (UNIV. DE AMIENS - FRANÇA) 
DIPLOMA DA ECOLE DES HAUTES ETUDES EN CIENCES SOCIALES 
(Dados recolhidos do site da Biblioteca Municipal de Torres Vedras)´









segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A História da Casa Hipólito em livro

No passado Sábado, 16 de Dezembro, foi feito o lançamento oficial da obra de Joaquim Moedas Duarte “Casa Hipólito – História, memórias e Património de uma fábrica torriense”.

A obra resultou do trabalho de dissertação de Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta, tese defendida por Moedas Duarte no passado dia 17 de Maio.

A história da Casa Hipólito confunde-se com a História de Torres Vedras no século XX, tal a sua importância do ponto de vista económico social e até cultural que teve para este concelho.

Raras serão as famílias torrienses que não tiveram um familiar ou amigo que trabalhou nessa empresa ou, pelo menos, adquiriu um produto dessa fábrica.

O texto de Moedas Duarte não aborda apenas a memória patrimonial da "Hipólito", mas analisa todos os aspectos relacionados com o impacto social e económico dessa empresa na região.

Recorrendo a todo o tipo de fontes, manuscritas, impressas,orais, fotográficas e iconográficas, dá-nos um muito bem documentado e aprofundado registo sobre as marcas que essa empresa deixou na memória colectiva torriense.

A obra divide-se em quatro capítulos.

No primeiro, intitulado “O Homem e a  circunstância”, traça a biografia de António Hipólito (1882-1954), enquadrada na conjuntura da vida torriense de então.

O segundo capítulo dedica-se à História da Empresa, que o autor divide em três grande fases: a primeira de 1902 a 1944, a fase de afirmação de “A Industrial”, nome de origem, fase em que assume grande importância uma figura como Vasco Parreira; a segunda fase, de 1944 a 1980, a fase áurea da empresa, marcada pela afirmação do nome a que passou para a história, a “Casa Hipólito”, e de afirmação nacional e internacional; a terceira fase, de 1980 a 1999, a fase de decadência, que acabaria na sua dramática falência.

O terceiro capítulo avança com a proposta e “projecto para um museu de memórias do trabalho em Torres Vedras", tendo em vista a preservação do valioso património associado à rica vida empresarial torriense.

O quarto e último capítulo faz a recolha de “memórias de quem trabalhou na fábrica”, um conjunto de 22 memórias pessoais de quem este, "por dentro", naquela empresa.

Uma bem elaborada cronologia, um levantamento bibliográfico  rigoroso para quem queira aprofundar o estudo sobre algumas temáticas abordadas no livro e um levantamento iconográfico e fotográfico sobre a Casa Hipólito, completam esta obra fundamental para quem queira conhecer ou estudar a vida torriense.

O livro de Joaquim Moedas Duarte foi editada em parceria entre a Associação para a Defes e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras e a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, iniciando o projecto daquela associação torriense de lançar uma linha editorial “com novos títulos de estudo de outras empresas, de biografias de torrienses notáveis ou de abordagem de temas culturais de carácter local".

A Casa Hipólito continua bem viva na memória dos torrienses, existindo mesmo alguma empresas, das mais importantes do concelho, herdeiras da dinâmica da “Hipólito”, como são os casos da Eugster & Frismag, ou da “Transportes Paulo Duarte”, esta última, aliás uma das patrocinadoras desta obra (juntamente com D. Ana Paula Hipólito Carreira Duarte, bisneta do fundador).

Joaquim Moedas Duarte, numa escrita quase poética, como a descrição inicial da saída da fábrica ao som da sirenes, deixa-nos assim uma obra que passa a ser  uma das obras de referência que testemunha uma época marcante na memória de grande parte dos torrienses.  

Em baixo deixamos um resumo da obra, retirado da página da Universidade Aberta:

 “Em 1902 António Hipólito, jovem migrante de Alcobaça para Torres Vedras, fundou uma empresa de metalomecânica ligeira, em nome individual, à qual chamou A Industrial.

“Latoeiro de folha branca, rapidamente se apercebeu das oportunidades facultadas por uma sociedade marcada pela ruralidade em que a vitivinicultura tinha lugar de destaque.

“Começando pelo fabrico de lanternas de acetileno, expandiu-se para os equipamentos necessários à lavoura: pulverizadores, prensas de lagar, bombas de trasfega, torpilhas, etc.

“Apostando na qualidade e em preços acessíveis, ao mesmo tempo que dava atenção especial à divulgação dos seus fabricos através de publicidade na imprensa e participação em mostras e exposições, conquistou paulatinamente mercado local e nacional.

“De tal modo se notabilizou que o Governo Português o distinguiu em 1930 com a Comenda da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

“Quando, por motivos de saúde, o Comendador António Hipólito, em 1944, entregou a gerência da fábrica aos filhos e ao genro, a empresa passou a sociedade por quotas com a designação de Casa Hipólito.

“Nessa altura já fabricava fogões e lanternas a petróleo, equipamentos domésticos que viriam a torná-la famosa em Portugal e no estrangeiro para onde passou a exportar parte significativa da sua produção.

“Nos anos 50 a 70 atingiu o auge da sua actividade e expansão através da licença exclusiva de fabrico da marca alemã Petromax e alargando a gama de produtos ao sector de gás em parceria com a Cidla, primeiro e a Shell depois.

“Construindo novas instalações e empregando centenas de trabalhadores, tornou-se a maior empresa do concelho de Torres Vedras e uma das principais do país no seu ramo.

“Em 1972 passou a Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. Todavia, o impacto do ano de 1974 com a Revolução de Abril veio pôr a nu as deficiências estruturais de que já padecia: progressiva incapacidade de autofinanciamento, obsolescência do parque de máquinas e dos produtos fabricados, dificuldade em enfrentar a concorrência no sector vinícola, dificuldades em substituir o modelo de gestão familiar por outro mais adaptado ao crescimento da empresa.

“Nos anos 80 acentuou-se o percurso descendente. Em 1987 os credores impuseram um plano de recuperação e o controlo da gestão por via judicial. Iniciou-se um processo imparável de decadência que só terminou com a declaração de falência em Abril de 1999.

“Do que foi a actividade fabril da Casa Hipólito restam as memórias de quem lá trabalhou, os numerosos e variados testemunhos da imprensa local e um Fundo Documental à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade de Torres Vedras.


“Este trabalho que ora se apresenta resulta de uma investigação realizada sobre estas fontes informativas com uma dupla finalidade: preservar a memória social da Casa Hipólito, descrevendo o seu percurso de quase cem anos e registando as memórias de alguns que nela trabalharam; e propor formas concretas de tratamento museológico do património que dela foi possível salvar (texto/resumo da defesa de mestrado de Joaquim Moedas Duarte, feita na Universidade Aberta em 17 de Maio de 2017, publicado na página da internet desta Universidade)”.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sábado às 17 horas, na Feira do Livro de Lisboa, lançamento das actas do XIX Turres Vedras, sobre a 1ª Guerra.

No próximo Sábado, 10 de Junho, pelas 17 horas, tem lugar o lançamento do livro "Os Portugueses na Grande Guerra - História e Memória" com a presença do coordenador da obra, Carlos Guardado da Silva e dos autores dos textos.
 
O lançamento do livro  tem lugar na "Praça Verde" e é promovido pela editora do livro, as  | Edições Colibri.
 
Sobre o livro, retirámos os seguintes dados do site da editora Colibri:
 
Sinopse:
"O ano de 1914 ficará para sempre marcado, na história europeia e mundial, com a declaração de guerra da França ao império Austro-húngaro, vindo a proporcionar alterações significativas na conjuntura mundial, culminando com o declínio da Europa e a elevação dos Estados Unidos à condição de principal potência mundial.
"Estava em curso a Grande Guerra!
" Garantir a continuidade das colónias em Africa, o compromisso de aliança com Inglaterra e a crença de que era imperativo entrar na guerra pelo progresso nacional, ao lado das democracias, foram os motivos que levaram Portugal, em 1916, na 2.ª fase da Grande Guerra, a integrar as forças aliadas, combatendo em África contra a Alemanha e as potências da Europa Central.
"Também neste processo, Torres Vedras teve influência significativa, vendo partir mais de três centenas de seus concidadãos para combater em França e cerca de duas dezenas integraram as expedições que partiram para África.
"Foram tempos difíceis, com fracos recursos materiais e económicos, mas foram tempos em que os nossos homens, Portugueses em geral e Torrienses em particular, estiveram na linha da frente a lutar pelos seus territórios e por aquilo em que acreditavam.
"Em nome da Câmara Municipal de Torres Vedras, presto-lhes a justa e sentida homenagem, na certeza de que essa resiliência e capacidade de enfrentar “olhos nos olhos” as grandes dificuldades constituíram o maior legado que nos poderiam deixar. (texto lido durante os encontros por Carlos Bernardes (Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras)"                   
 

Índice da Obra:

Apresentação
Carlos Bernardes

A morte e seu lugar: breve ensaio sobre a participação de Portugal na I Guerra Mundial
Sílvia Correia

Batalhas em letra de forma: imprensa e economia em tempo de Guerra (1914-1918)
Ana Paula Pires

Paris, 1914: Dizeres de João Chagas e Aquilino Ribeiro
Serafina Martins

A Primeira Guerra Mundial em África
Manuel F. V. Gouveia Mourão

Sofrer a guerra longe da Europa: efeitos da guerra nas colónias portuguesas do Oriente
Célia Reis

La 2.e division portugaise dans la bataille de la Lys
Yves Buffetaut

A 2.ª Divisão portuguesa na batalha do Lys
Yves Buffetaut

Vítor Manuel Rita: um Mutilado de Arroios
Margarida Portela

Sousa Lopes e a experiência de uma nova pintura da guerra
Carlos Silveira

Ecos da Grande Guerra em Torres Vedras
Venerando Aspra de Matos

A participação de torrienses na Grande Guerra: identificação e percursos de vida
Hélder Ramos
          
 
 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O texto "esquecido" de "Carnaval de Torres - Uma História com Tradição"


No princípio da década de 90, na sequência de uma primeira tentativa de sintetizar a História do Carnaval de Torres para um número especial da revista Zona Oeste de 1992, dedicada a esse evento, fui convidado pelo então vereador da cultura, Dr. António Carneiro, a completar aquele primeiro estudo, com o objectivo da publicação de um livro sobre o tema.

Tendo entregue o texto final em meados de 1995, demorou algum tempo até existirem condições para publicação do livro.

Entretanto, a obra começava a desatualizar-se, em especial na parte dedicada ao “Carnaval actual”, pelo que, já em 1998, o mesmo vereador me entregou um texto alternativo a essa parte para eu adaptar ao que tinha escrito, acabando o capítulo por ser  intitulado  “O Carnaval na Actualidade” (pp.65 a 70), incluído por mim no texto final com a condição de se indicar que “este capítulo  foi escrito tendo por base um depoimento escrito que nos foi facultado pelo Dr. António Carneiro”, como se pode ler na página 77 da referida obra.

Criaram-se então as condições para a 1ª edição da obra, com uma tiragem de 2000 exemplares, em co-autoria, na parte gráfica com o meu amigo Antero Valério, editada em 1998.

Fiquei a aguardar uma 2ª edição onde pudesse rever  e incluir novos dados e lacunas de investigação, bem como actualizar o último capítulo, muito em especial a parte referente ao carnaval de Torres pós-25 de Abril, que era a parte mais "frágil" do livro.

Tal não foi possível, mas o texto que foi substituido, datado de 1994, continuou guardado no meu computador, até, depois de muitas voltas por muitos computadores (que podia servir de base para a minha história pessoal de relação com a informática, iniciada em 1991), o consegui finalmente recuperar, e é o que hoje aqui, pela primeira vez, divulgo, lembrando que não foi corrigido e foi escrito tendo em conta a realidade do carnaval de Torres em 1994.

Não se confunda a situação descrita com qualquer acto de censura. A alteração, concorde-se ou não com ela, deveu-se àquilo que se pode chamar "opção editorial", a que eu acedi para desbloquear uma situação que já se arrastava demasiado no tempo e que punha em risco um trabalho de dois ou três ano. Hoje teria agido de modo diferente. Erros de "juventude"!.  Por outro lado, como podem ler aí em baixo, pelas indicações bibliográficas do texto "esquecido", quase tudo o que estava nele foi baseado no tal número especial do Zona Oeste de 1992 sobre o carnaval, situações aí descritas até com mais desenvolvimento e pormenor do que no meu texto, edição que foi pública e na qual eu fui co-autor com o Jorge Humberto e o Daniel Abreu.

Esta não foi, aliás, a primeira vez que, por opção editorial, tive de encurtar textos ou eliminar capítulos inteiros. Quem já escreveu livros sabe que tem de deixar muita coisa de fora. Por exemplo, na Monografia de Torres Vedras, na qual fui co-autor, tive de deixar de fora, voluntariamente, um capítulo inteiro, situação que terá acontecido também aos meus colegas. Muitas vezes, quando colaboro em jornais ou revistas, tenho de escrever vários textos até o "reduzir" ao espaço que tenho disponível.

Mesmo que o texto que abaixo reproduzo tivesse sido incluído no livro do Carnaval, teria de ter sido revisto. O que divulgo não é mais que um rascunho.

O que não quer dizer que não concorde com o que  disse, certeiramente, um amigo meu com alguma graça, quando do lançamento público do livro do Carnaval,  criticando-me por,nesse capítulo discutível, ter despido a máscara de Fernão Lopes e vestido a de Gomes Eanes de Zurara.

Desde então muito aconteceu, e, de facto, toda a verdadeira  história do Carnaval de Torres dos últimos 25 anos continua por fazer.

“CARNAVAL EM LIBERDADE

Tendo sido o  Carnaval um dos raros espaços de liberdade no período anterior ao 25 de Abril , tendo de enfrentar por vezes a incompreensão das próprias autoridades , paradoxalmente no primeiro carnaval em liberdade , o de 1975,  não foi organizado qualquer desfile em Torres Vedras , situação que se manteria nos anos seguintes.

Tendo ainda por base o amadorismo de outros tempos , seguiram-se várias tentativas de relançar o carnaval .Em 1978 seria avançada uma proposta para que fossem os "Bombeiros" a organizar o carnaval , mas as exigências económicas  de um tal projecto tornavam incomportável  para aquela associação um tal  risco financeiro :

 “Quando a Física de Torres Vedras deixou de ser a entidade responsável pela organização do Carnaval este ficou moribundo, perdendo assim as tradições que ao longo dos anos angariaria em todo o País. (...)

 “A organização e a realização do Carnaval de 1978 foi oferecida aos bombeiros, cuja direcção e comando estudou demoradamente o assunto, tendo chegado à triste realidade de, nas condições actuais, se tornar impossivel realizar tal festa dado que não reuniam, para o efeito,  as condições exigidas.(...).

“Mas os homens fazem tudo e dentro deste simples pensamento poder-se-á fazer o Carnaval de 1978, basta que a nossa Câmara Municipal seja a entidade responsável pela sua organização e assim poderemos talvez adiantar que os Bombeiros Voluntários ajudarão e até as demais colectividades da vila, em tal capítulo , estarão presentes. (...)”.  (editorial não assinado -Manuel Candeias ?- do OESTE DEMOCRÁTICO , intitulado “O Carnaval de Torres Vedras”, nº118 de 23-9-1977).

De qualquer  modo esse ano de 1978 terá marcado o arranque para esta nova etapa do carnaval torriense:

“(...) formou-se com o patrocínio da Câmara Municipal e respectiva Comissão de Turismo, a Comissão de Carnaval 1978, para a realização destes festejos a favor do Asilo de S.José.(...)

“Pela primeira vez este teve a participação directa de muitas terras do concelho, que se fizeram representar com carros alegóricos (..)” (F.Jaime Valadas “Carnaval de Torres 1978 " in OESTE DEMOCRÁTICO nº138 de 10-2-1978).

Até 1983 o carnaval manter-se-ía nestes moldes. No de 1982 estiveram presentes cerca de 40.000 pessoas e em 1983 desfilavam 13 carros com temas variados.

No Outono Desse ano , Torres Vedras sofre uma das maiores tragédias deste século, com inundação de grande parta da cidade e concelho ,o que provoca imensos prejuízos , levando à suspensão da organização do Carnaval de 1984.

 “Depois dos 1500 contos de prejuizo do carnaval de 83 e da anulação do de 84 por causa das cheias do ano anterior, houve quem pensasse que era desta que o carnaval de Torres desaparecia. (...).

“É então que surge António Carneiro propondo que a Câmara tutelasse a organização do Carnaval, ideia que agradou a todos pelas perspectivas de continuidade que assegurava(...).

“Uma pequena revolução na estrutura da Câmara iniciou-se também nessa altura, com a criação de serviços de Cultura e Turismo (...). Esta nova estrutura operacional, com pessoal administrativo e operários em permanência, que já tinha organizado a Feira de S.Pedro de 83 , veio trazer ao carnaval o fôlego que necessitava (...)” ( ZONA OESTE ,   Nº13, FEV. 1992 ,  Daniel Abreu e Jorge Humberto “carnaval de Torres Vedras-o tele-Carnaval mais tele -Português de Portugal” pp.25-26).

É assim que se dá início à fase mais recente da sua história. Para organizar o carnaval de 1985 o vereador  António Carneiro nomeia  uma comissão por si presidida e formada por Afonso Umbelino, José Ramos,  Gilberto Pedro Lopes, Luís Alberto P. Novas ,  Justino Moura Guedes , João Maria Brandão de Melo,  Carlos Alberto Bernardes, João Fernando Marques  e  João Romão Ferreira.

A partir daí o carnaval conhece um assinalável  crescimento tornando-se um dos mais importantes do país, com direito à transmissão directa pela televisão do seu desfile de Domingo. Dos 37 mil bilhetes vendidos em 1985 , chega aos 52 mil de 1988. (Boletim  Municipal  nº5, 2º  trimestre  de  1988).

Desde 1988  o Carnaval de Torres passa a obedecer a um  temática comum na decoração dos 13 carros  da comissão . 1988 teve por tema "os  descobrimentos" -  “à descoberta da alegria” ,  em 1989 a "história de Torres Vedras", em 1990 a "CEE" , em 1991  as  "histórias da carochinha"  , em 1992 "as  olímpiada"  , em 1993 "Portugal de lés a lés" ,em 1994  "o mundo  da  fantasia"  e em 1995 "a história do cinema". Desde 1993 foi  autorizado  o desfile de um 14º carro , independente da comissão e patrocionado pale Associação de Defesa do Património e EspeleoClube de Torres Vedras , presença que tem envolvido alguma polémica ,pela irreverência crítica deste carro.

Polémico foi também o carnaval  de 1993 , quando o primeiro-ministro Cavaco Silva  se recusou a assinar o decreto  que , tradicionalmente, desde Salazar, dava  feriado  , tolerância de ponto,  ou a tarde, na terça- feira de carnaval.

Vários concelhos com carnaval , entre eles o de Torres Vedras,  decretaram  feriado municipal e quase todo o país aderiu a uma espécie de desobediência civil. Cavaco  Silva foi alvo de chacota geral,  que incluiu uma manifestação de cabeçudos e mascarados do carnaval de Torres à porta da sua residência oficial. Nas sondagens Cavaco Silva  entrou em queda descontrolada, da qual  nunca mais  recuperou , pelo menos até ao  momento em que escrevo (Novembro de 1994) .

Apesar da crescente profissionalização da sua organização,  tem-se mantido a tradição de fazer reverter os lucros da iniciativa para  o apoio a associações de utilidade pública , entre as  quais, os Bombeiros Voluntários , a APECI (apoio a crianças  deficientes) ou o Asilo de S.José.

Contudo os anos de 1993 e 1994 foram anos de crises, provocada por condições climatéricas adversas , um risco em qualquer  manifestação de rua , principalmente quando o carnaval coincide com o início do mês de Fevereiro, como foi  o  caso.

“O CARNAVAL DE TORRES  HOJE [1994]- ORGANIZAÇÃO E RITUAIS

Cada ano, em meados de Agosto,    os  preparativos  do  carnaval   seguinte começam   com   uma  reunião  do  vereador com   a  comissão  ,para  uma  primeira  apresentação  de  idéias   -tema ,carros ,decorações ,cabeçudos .

Em  Setembro  tem  lugar  uma  segunda reunião, desta  vez  para  tratar  de  problemas  de  administração  e  secretariado.

O   trabalho   intensivo  inicia-se  em   meados   de  Dezembro   , dois  meses   antes  da  data   prevista   com   dois  turnos  de   trabalho, a  funcionar  24  horas  por   dia  até  à  véspera  do  corso.

Os  carros  alegóricos  são  fabricados  nos  estaleiros  de  "Arenes"  desde  1981   .

Em  1991  eram  responsáveis  pelo  fabrico  dos  carros  Pedro  Sobreiro  e  Travanca  da  Costa, o primeiro  por  7  carros  e  o  segundo  por  6, chefiando  um  grupo  de  12  operários  em  permanência  durante  os  dois  meses  de  trabalho. Noutros anos a autoria dos carros tem sido da exclusiva responsabilidade de José Pedro Sobreiro , ligado ao carnaval  desde  1980 . Actualmente , e desde 1994 , a orientação artística está a cargo do mestre António Trindade.

Os  carros  têm  por  base  desenhos  à escala. Alguns  dos  13  carros  mantêm  a  sua  estrutura      inalterável ,de   ano para ano. O  material  de  base , para  construção  dos carros ,  é  constituido  por  madeira  de  pinho, esferovite  , gesso , aglomerados  e  tinta. 

Antigamente   a  estrutura  dos  carros assentava   em   galeras de rodado de madeira. Actualmente e desde 1987,   assentam  em  chassis  feitos  de  propósito .”Hoje os chassis vão aos  9 mts de comprimento , 3 de largo com rodados de borracha e subiram para 7,5 mts de altura”,lembra-se Armindo, o funcionário de ligação com os operários e artistas (...)” ( ZONA OESTE, p.26, Nº13, FEV.92, OB.CIT.).

Para além das temáticas, os carros são sobretudo projectados em termos do seu impacto visual, que é o que verdadeiramente conta como espectáculo uma vez que nem todas as idéias se prestam a ser tratadas  sob a forma de carro alegórico.

“Assim, os carros de motivação crítica, são muitas vezes os mais difíceis de conseguir, pois que estão mais condicionados por referentes concretos” (texto, supostamente da autoria de José Pedro Sobreiro, publicado no folheto do carnaval de 1983).

A mesma equipa projecta e fabrica os cabeçudos que irão desfilar nos dias de carnaval. Aqueles são   modelados  em  escultura  de  barro. Depois  tira-se  o  molde  com  gesso  por  cima (ficando o   negativo), dividido  pela  parte  de traz  e  da  frente. De seguida sâo  elaborados  sobre  o  concavo   com  parte   contrária , com  fibra  de  vidro   e  resina  (até  1987   era  com   jornais)   e  finalmente  são  pintados. Os  moldes  antigos  são   aproveitados. A  estrutura  é   em  ferro. 

Quanto à temática dessas figuras tradicionais  do carnaval torriense , tem havido a preocupação de abranger um leque  variado de temas desde a fantasia pura e simples à crítica social  e política,  passando pelos temas clássicos (mitologia).

Os “homens sem sono”, a cujo trabalho nos bastidores se deve a realização do carnaval de Torres, vivem esta quadra de forma diferente: uns nem entram no côrso para ver os carros desfilar e tudo o que desejam é poder descansar; outros transferem-se da última madrugada de trabalho para o próprio corso, como figuras de destaque. Aconteceu em 1991 com o novo rei de carnaval. Todos esses artistas ,  a quem se deve o anual desfile carnavalesco deTorres  Vedras , ganham o seu salário por esse trabalho, mas , sem o grande amor que dedicam a esta tarefa, o Carnaval de Torres não seria o mesmo.

O carnaval nas ruas começa semanas antes da data marcada, geralmente em meados Janeiro,  com as brincadeiras de carnaval , principalmente agitadas nas escolas, com os "asssaltos" de mascarados a casa de amigos, e as festas em discotecas da região.

Oficialmente, o Carnaval de Torres  costuma começar no  penultimo  sábado anterior  ao domingo  gordo, com uma embaixada dos  reis e a sua côrte de" ministros " , matrafonas e cabeçudos,  que se desloca a Lisboa em missão de propaganda .No mesmo dia realiza-se normalmente o raly trapalhão, tradição retomada em 1988.

Na sexta-feira seguinte , de manhã,  tem lugar um desfile de máscaras  pelas ruas da cidade, com a participação de milhares de alunos das escolas e jardins de infância do concelho, costume que se iniciou em 1991 , quando  a Escola Secundária Madeira Torres promoveu um concurso de máscaras por turmas, para desfilarem pelas  ruas da cidade naquele dia da semana.

À  noite tem lugar , no largo da estação , a recepção aos "Zés Pereiras" que , acompanhando , com os seus bombos , cabeçudos e gigantones , iniciam o seu desfile pelas ruas da cidade , tarefa que executarão incansávelmente até ao início da noite da Terça-Feira Gorda.

Pelas colectividades e discotecas do concelho começam nessa noite os animados bailes de carnaval.

Sábado é dia de recepção real. Tradicionalmente esta tinha lugar na manhã desse dia ou de Domingo , no largo da estação. Segue-se um discurso de boas-vindas proferido pelo "primeiro- ministro" do Carnaval e a entrega , pelo Presidente da Câmara, da chave da cidade à comitiva real.

Em 1993 essa cerimónia teve lugar à noite, seguindo-se um cortejo nocturno em honra de "Suas Majestades " , prefigurando aquilo que desde longa data era preconizado por muitos e que ,  pela adesão popular obtida ,deverá ter continuidade em anos futuros.

Bruno Brandão de Melo é, desde 1991 , rei do carnaval , representando o primeiro caso de sucesão dentro da mesma família. António Manuel  dos Reis  (Mima)  é também "a" mais jovem "rainha" do carnaval. Por tradição , o rei é "armado" pela "rainha". Em Torres Vedras, resistindo-se à "onda brasileira" ,mantém-se o costume de " a rainha" ser um homem.

O corso carnavalesco , com entradas pagas  e desfile dos carros alegóricos , sempre bastante animado ,tem lugar durante as tardes de Domingo e Terça-Feira.

Cerimónia tradicional nestes dias é a homenagem prestada aos decendentes da Francisco e Jaime Alves ,  na residência  desses pioneiros do Carnaval de Torres  .Principal responsável por se manter esta tradição  , o sr. António dos Santos Verino  " prepara a festa e acolhe os foliões  desde há muitos anos e sempre com o mesmo entusiasmo e preocupaçaõ : não deixar morrer esta tradição , apesar do trabalho e custos qu isso implica" .

"(...)É uma cerimónia com todos os ingredientes de um verdadeiro ritual , onde não falta um formal discurso de agradecimento aos proprietários que sempre os recebem com uma mesa farta . Nesses  dois dias a casa  enche-se de dezenas de foliões que , para além do copo e diversas iguarias gentilmente oferecidas , pretendem exprimir a sua admiração e respeito . A perticipação e adesão a este ritual é de tal modo grande que hoje já existem outros grupos de foliões a rivalizar com os "Ministros e Matrafonas" nesta romagem .(...) Depois da confraternização , "Ministros e Matrafonas" despedem-se com a família Alves na varanda a assistir a mais uma praxe desta preciosa característica do nosso carnaval : dispostos em círculo em plena Rua Henriques Nogueira , os foliões  ajoelham-se  para uma peculiar reza final  e com um sonoro obrigado lançam-se na noite". ( Zona Oeste , nº13 , ob. cit. , p.30 ).

A noite é das colectividades e discotecas , sendo a segunda-feira a mais animada , principalmente pelos numerosos e animados grupos de mascarados que invadem as ruas e os bailes nessa noite.

A festa termina a altas horas da madrugada , já em quarta-feira de cinzas”.