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quinta-feira, 28 de março de 2019

As Árvores da Avenida da Várzea



Está a levantar alguma polémica a retirada dos freixos da Avenida junto à Várzea.

Inicialmente chegou a falar-se em arranque dessas árvores, importantes, não só do ponto de vista ornamental, mas também para atenuar o calor daqueles passeios no Verão, numa  extensão de mais de 600 metros virada a poente.





Agora os cartazes colocados nessas árvores falam e “transplantação e substituição de árvores”, prometendo-se que os freixos serão podadas e posteriormente transplantadas para a envolvente do Rio Sizandro, “entre o acesso da variante poente e a ponte de S.Miguel.


O motivo apresentado é o  impacto das árvores no pavimento e nas infraestruturas subterrâneas, sendo substituídas pelas chamadas  “árvores de Jupiter”.
("árvore-de-jupiter")

Fomos procurar na Wikipédia e ficámos a saber que esta árvore no “Brasil, é utilizada amplamente em arborização urbana. Por tratar-se de um arbusto conduzido facilmente reproduzido através de estaqueamento, foi tida como panacéia para o plantio em ruas com fiação elétrica. Como resultado, em algumas cidades esta espécie sozinha representa mais de 20 por cento das árvores em via pública”.

Contudo, no mesmo artigo consultado, e confirmado por outros artigos sobre essa árvore, são-lhe apontadas várias desvantagens:

·         “grande quantidade de brotações emitidas em resposta a danos pequenos, como os causados por choques em roçada, formando "moitas";
·         “grande suscetibilidade à infestação por ervas-de-passarinho (Loranthaceae) (se cultivada próxima a outras árvores de grande porte suscetíveis, pode atuar como fonte de infestação, aumentando os riscos de acúmulo de ervas em galhos grandes e conseqüentemente facilitando sua queda);
·         “massa foliar reduzida, especialmente quando encontrada com epífitas;
·         “infestação por oídio e facilidade da disseminação do patógeno devido à alta freqüência populacional da planta hospedeira;
·         “necessidade de sucessivas podas drásticas para manutenção do equilíbrio devido à natureza das raízes;
·         “baixa eficiência como equipamento urbano, pois devido à massa foliar reduzida fica restrita à função ornamental””.

Referem também alguns desse artigos a necessidade de grandes quantidades de água  e trabalhos continuados de controle para se obterem bons resultados, para além de atrair grandes quantidades de abelhas (o que tem vantagens para a reprodução desta espécie ameaçada, mas pode ter inconvenientes por ficar numa zona de passagem de muita gente).

Uma questão que sobre a qual desconhecemos resposta, é se, em termos de controle da temperatura média numa avenida larga e virada à “chapa do sol”, como é o caso, não seria mais aconselhável outro tipo de árvore do que aquela árvore ornamental.

Aguardamos, com alguma expectativa e preocupação o resultado desta mudança, até porque o “histórico” da arborização urbana neste conselho não é muito famoso, entre o puro arranque de árvores, retirando sombras a avenidas e largos e aumentando a temperatura ambiente destes, numa época de alterações climatéricas graves como aquelas em que vivemos, ou opções erradas na escolha das espécies mais adequadas.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Esclarecimento acerca da remoção de árvores na Praça Machado Santos

O prometido é devido:

Divulgámos a nota do BE sobre a remoção de àrvores da Praça Machado dos Santos;

Agora aqui mostramos o esclarecimento da Câmara sobre os assunto, embora se mantenham algumas dúvidas sobre o real estado das àrvores (onde está o parecer científico).

Vamos ficar atentos à promessa de reposição e de recuperação daquele espaço para depois do Carnaval:

Esclarecimento acerca da remoção de árvores na Praça Machado Santos: A Câmara Municipal vem esclarecer a população acerca da remoção de árvores na cidade, nomeadamente na Praça Machado Santos.

Surpresa na Praça da Batata; atentado, brincadeira de Carnaval ou "renovação"?

O comunicado que aqui transcrevemos foi divulgado pela secção torriense do Bloco de Esquerda, datado de 29 de Janeiro.
Pensamos que o seu conteúdo pode ser subscrito por qualquer pessoa, da direita à esquerda, que preza a natureza e o ambiente ou por qualquer cidadão torriense que se espantou por mais um atentado ao cada vez mais raro património natural que ainda existe no centro urbano e que só encontra, por parte dos responsáveis, respostas esfarrapadas.
Se viermos a conhecer uma resposta credível a este comunicado, reservamos um espaço neste blog para a sua divulgação.
Por agora o único comunicado credível é este que em baixo transcrevemos:

“COMUNICADO OFICIAL DO BLOCO DE ESQUERDA DE TORRES VEDRAS SOBRE A REMOÇÃO DAS ÁRVORES NA PRAÇA DA BATATA
“O Bloco de Esquerda de Torres Vedras indigna-se perante a remoção radical das árvores da Praça Machado Santos (Praça da Batata) cujos canteiros foram substituídos por cimento na passada sexta-feira, dia 26 de Janeiro de 2018. 
Deste modo e através de um só golpe, a Câmara Municipal resolveu transformar uma praça ainda com alguma vida (árvores, gatos, pássaros) num espaço vazio entre prédios em ruínas.
“O Bloco conclui que a devastação infligida ao património arbóreo na cidade de Torres Vedras e extensível a todo o concelho, é aplicada pela antiga e profunda ignorância e irresponsabilidade das designadas "podas camarárias" (podas radicais ou rolagem).
“Apesar de ser um tema há muito trazido para o debate público pelo Bloco de Esquerda em Torres Vedras, a política florestal da CMTV representa um desrespeito absoluto pelas árvores e pelos munícipes, como, por exemplo, se verificou no que foi feito às árvores no Paúl, designadamente em 2011 e 2016.
“O facto do referido "Diagnóstico Fitossanitário" mencionado pela CMTV - em comunicado publicado no website do município a menos de 24h da remoção das seis árvores (da espécie Robinia Pseudoacacia) - revelar que as árvores estavam debilitadas, tal não significa que devam ser automática e levianamente removidas.
“O Bloco de Esquerda exige, para além do fim imediato das podas radicais em árvores ornamentais (urbanas), a procura de medidas alternativas que possibilitem a recuperação do tratamento de árvores, designadamente através da "dendrocirurgia", técnica especializada em estabilizar e recuperar árvores muito danificadas a fim de se estagnar e estimular a recuperação dos danos.
“No caso concreto das árvores arrancadas à Praça da Batata, para além da falta de cuidado com a qualidade do exíguo terreno onde estavam plantadas nunca os serviços sequer as regaram com água.
“Tudo poderia ser sido evitado se a CMTV tivesse a nobre ideia de ter no seu gabinete florestal uma equipa de técnicos cuidadores de árvores, um diagnóstico e um mapeamento das árvores danificadas. Neste aspecto o BE já tomou há alguns meses a iniciativa de organizar um mapeamento de árvores danificadas em Torres Vedras, aberto a todos os cidadãos e disponível num grupo público do Facebook intitulado por "Mapeamento de árvores danificadas e tratamento, em Torres Vedras” (https://www.facebook.com/groups/2007130399517683/).
“Sem uma mudança de política ambiental e sem a inclusão democrática dos cidadãos na defesa dos espaços verdes e do ambiente, continuaremos a não ter uma cidade, cidadania e consciência ecológica dignas do século XXI.
“É importante referir que o comunicado da Câmara Municipal de Torres Vedras:
“• não menciona a empresa que fez o estudo que indicou que as árvores fossem removidas;
“• não disponibiliza o relatório para consulta popular;
“• não apura as responsabilidades pelo facto das árvores terem chegado àquele estado;
“• não revela quais as alternativas que podiam ter sido tomadas nos últimos anos para que não existisse esta medida drástica na Praça da Batata que contribui para a destruição do património arbóreo do concelho.
“A Câmara Municipal refere que serão plantadas 12 árvores nos espaços verdes de Torres Vedras e o Bloco de Esquerda exige as seguintes respostas: onde, quando e quais as espécies a plantar e qual a sua origem, e se chegarão já amputadas, à semelhança das árvores novas no Pátio Alfazema e Choupal, algumas delas transplantadas já mortas, e a maioria estrangulada por braçadeiras, considerando que a resposta a estas questões devem ser feitas a curto prazo pela dignificação do ambiente e dos espaços verdes da cidade.
“Por fim, e dado ao insólito ocorrido na Praça da Batata o Bloco exige que a CMTV comunique o plano futuro para a Praça da Batata que se encontra neste momento com os “canteiros” acimentados”.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011


"Sete mil estão contra aterro em Torres Vedras

"Um grupo de cidadãos de Torres Vedras entrega hoje na câmara local uma petição com sete mil assinaturas contra a instalação de um aterro de resíduos industriais não perigosos na freguesia de A-dos-Cunhados.
"No texto que acompanha o abaixo- -assinado, os subscritores alertam que existem habitações a 500 metros do local para onde está previsto o aterro.

"Os peticionários lembram ainda que a infra-estrutura vai situar-se sobrea «falha sísmica Torres Vedras/Montejunto» e «sobre o sistema aquífero de Torres Vedras»".

(Fonte “DESTAK”, 12 de Setembro de 2011)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Torres Vedras vai ter bicicletas para uso gratuito dos habitantes

A Câmara de Torres Vedras decidiu hoje abrir um concurso para a compra de mais de 200 bicicletas que, em 2012, pretende colocar em onze locais diferentes da cidade para uso gratuito dos habitantes.
O executivo municipal aprovou hoje em sessão de câmara abrir um concurso no valor de 380 mil euros destinado à aquisição de bicicletas e de estações de aluguer de bicicletas, as chamadas “bike stations”.

“Queremos promover a mobilidade sustentável e vamos avançar com a aquisição de bicicletas para que as pessoas se possam deslocar nelas e reduzir o uso do automóvel dentro da cidade”, afirmou o vereador do Ambiente, Carlos Bernardes.

A câmara pretende implementar na cidade um conceito idêntico ao adoptado na Holanda, em que os cidadãos podem levantar e estacionar as bicicletas nas “bike stations”, depois de as usar.

A medida insere-se no Plano da Rede de Ciclovias Urbanas da autarquia, que anunciou em Setembro um investimento de 200 mil euros na construção de seis novas ciclovias na cidade até 2013.

A promoção do uso da bicicleta está prevista na Agenda 21 local, documento cujo objectivo é promover o desenvolvimento sustentável do concelho e melhorar a qualidade de vida da população.


in: http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1505856

quinta-feira, 2 de junho de 2011

TORRES VEDRAS, um Concelho com boas praias: Quercus Portugal tem 286 praias com qualidade de ouro


Quercus Portugal tem 286 praias com qualidade de ouro - Expresso.pt (clicar para ler notícia e ver a lista das praias premiadas).

Torres Vedras está entre os 10 concelhos do país com melhores praias, segundo a Quercus.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Céu de Torres Vedras

Se há espaço que muda todos os dia, o Céu é um deles.

Os “céus” nunca são iguais e apresentam muitas diferenças se nos deslocarmos entre terras diferentes. O céu de uma vila alentejana é diferente do céu de Lisboa, ou, neste caso, de Torres Vedras.

Estas fotografias foram tiradas a partir do Parque Verde da Várzea de Torres Vedras, num fim de tarde de Setembro último.

…É preciso mais tempo para olhar o céu que nos envolve diariamente.





quinta-feira, 29 de abril de 2010

O "ruivaco-do-oeste" nos rios torrienses.

A edição de hoje do Público, integra uma reportagem sobre o perigo de estinção em que se encontra uma das poucas espécies ainda existentes nos rios torrienses, alertando também para o estado ambiental do Sizandro e do Alcabrichel.
Já noutra ocasião aqui divulgámos um outro trabalho sobre as espécies ameaçadas dos rios do Oeste, que pode ser revista AQUI
Será ainda interessante consultar a lista de espécies de àgua doce que ainda vivem nos rios portugueses AQUI.
Sobre o que se pode fazer ou está a ser feito para salvar o ruivaco-do-oeste aconselhamos ainda a consulta deste site AQUI.
reproduzimos em baixo o artigo do Público:

"Quatro tanques separam o ruivaco-do-oeste da extinção

Por Nicolau Ferreira

In “Público” de 29 de Abril de 2010

O ruivaco-do-oeste integra um projecto para a conservação de peixes fluviais que estão a desaparecer. Nos tanques, a reprodução em cativeiro está a ser um sucesso, só falta poder trazê-los de volta para os rios.

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“À saída de Torres Vedras o rio Sizandro já está morto. É um canal de cor acastanhada que se precipita para o oceano Atlântico com rapidez.

Tínhamos sido avisados por Carla Santos-Sousa, uma bióloga de 32 anos. Vinte minutos antes, na estrada que serpenteia o Sizandro a caminho da cidade, entre a passagem de vilarejos, suiniculturas, campos verdes e cooperativas de vinho, a investigadora foi directa: "Querem ver o rio antes ou depois de Torres Vedras? Mau ou mesmo mau?" Mesmo mau.

Não é só o rio poluído, a paisagem é desoladora porque estéril de ideias. É estéril o declive artificial das margens com uma vegetação rudimentar, são inconsequentes as pedras que tentam segurar as margens do rio por baixo de uma ponte. A imaginação dos homens que não consegue fazer melhor.

"É ridículo. Já temos as ferramentas, conhecimento académico e há experiências feitas noutras partes do mundo que se podem aplicar na reabilitação deste rio", desabafa a investigadora do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), que estuda há quase dez anos peixes fluviais, enquanto olha para a água incessante a passar. Carla Santos-Sousa é uma das muitas pessoas envolvidas no Projecto de Conservação Ex-situ de Organismos Fluviais em risco de extinção. O ruivaco-do-oeste, das cinco espécies de peixes que estão criticamente em perigo escolhidas para este projecto, é o caso mais preocupante.

O peixe só existe em Portugal, em três rios do Oeste: o Alcabrichel, o Sizandro e o Safarujo. Só em 2005 é que a equipa do ISPA, liderada pelo professor Vítor Almada, compreendeu com ajuda da genética que estas três populações pertenciam a uma espécie que está individualizada do outro ruivaco que existe mais a norte.

Mais cedo no mesmo dia, a montante de Torres Vedras, perto da aldeia Dois Portos, quando Carla nos mostra um Achondrostoma occidentale nas suas mãos, o que ela vê é "uma linhagem independente com cinco milhões de anos de evolução". E tudo se perderá se não for feita a reabilitação dos rios.

O Sizandro que passa em Dois Portos ainda é outro - mais calmo, selvagem e mais limpo, apesar dos canos de esgotos vindos das habitações. A paragem reservou boas surpresas à bióloga, que repete a técnica que já aplicou em dezenas de rios portugueses, de norte a sul. Da bagageira do carro saem umas jardineiras de borracha com botas incorporadas e uma mochila com uma bateria de carro ligada a um aparelho eléctrico. A investigadora vai à caça.


Liga o aparelho a um camaroeiro e solta um fio directamente para a água. Escolhe um fundão à esquerda para fazer a primeira tentativa. "Ninguém toca na água", avisa. Descarga eléctrica. Salta uma enguia para a rede que acaba num balde preto com água. Mais descargas. No fundão, onde normalmente os peixes se protegem no Inverno contra a velocidade do rio e sobrevivem no Verão às secas, nada. "Não há peixes", diz a bióloga, enquanto se ouve uma ovelha a balir para os lados do amieiro que está do outro lado da margem.

Mas não desiste, anda uns metros para baixo e instala-se a seguir a uns mini-rápidos para voltar a fazer uso dos 16 quilos que leva às costas na mochila. Desta vez é diferente e quando olhamos já Carla tem vários ruivacos-do-oeste na rede. "Quando dei o primeiro choque, vieram logo uns 50!" No balde contamos 13, três não aguentaram a descarga e morreram.

A bióloga segura um exemplar e faz-nos uma descrição física da espécie: um adulto alcança uns nove centímetros, tem nas costas um padrão oliváceo que é muito diferente da barriga branca e manchas laranjas na base de todas as barbatanas.

Abril é época de reprodução e só agora é possível distinguir os machos das fêmeas. Carla diz-nos para passarmos o dedo pela cabeça do macho e confirmamos a existência de tubérculos: pontos rijos que aparecem agora e servem para estimular a fêmea. "Aqui está outra fêmea bastante cheia", mostra-nos a bióloga, acrescentando que largam centenas de ovos.

Perguntamos se está contente com o número de peixes que encontrou: "É muito bom, não estava à espera."

Cada curso tem um ecossistema próprio e vive em isolamento. Do ponto de vista biológico, mesmo falando da mesma espécie, quando se perde uma população de um rio, perde-se uma riqueza genética única, que teve uma evolução distinta de tudo o resto.

Projecto com quatro anos

"Cada rio é uma ilha, os princípios biológicos que se aplicam a uma ilha aplicam-se aqui a um rio", explica a investigadora, enquanto devolve ao rio os ruivacos-do-oeste, a enguia e a água do balde e depois de ter medido o oxigénio, o pH, a temperatura, a condutividade e a concentração de oxigénio no rio. Os parâmetros estão bons. "Temos grande disponibilidade de água, daqui a um mês as condições mudam radicalmente." E é tempo de deixar o Sizandro.

Além da poluição, a seca é outro problema que afecta estes rios e a sobrevivência deste peixe. Desde a seca de 2005 que não se encontra o ruivaco no rio Safarujo, que com os seus 20 quilómetros é o mais pequeno dos três cursos de água onde vive a espécie.

Vítor Almada arrancou com a ideia do projecto na sequência da famosa seca de 2005. "O projecto surgiu porque havia espécies que estavam muito em perigo", explica Vítor Almada por telefone, que reuniu à equipa do ISPA o Aquário Vasco da Gama e a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza.

O primeiro passo era garantir a conservação das espécies através da reprodução em cativeiro e garantir a reintrodução no habitat natural, depois de os rios serem recuperados. Além do ruivaco-do-oeste, a boga- portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum), a boga- do-sudoeste (Iberochondrostoma almacai) e duas espécies de escalo que só existem em Portugal, o Squalius torgalensis e o Squalius aradensis.

O primeiro protocolo foi feito em 2006. Às três instituições juntaram-se a Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, a Câmara de Figueiró dos Vinhos e a EDP - a empresa termina a sua ligação com o projecto a 1 de Junho depois de um apoio de três anos. "Temos dinheiro até ao final do ano", disse Paulo Lucas, da Quercus; a partir daí continuam com fundos próprios da associação. "Uma eventual extensão do projecto está dependente de uma candidatura ao Fundo EDP para a Biodiversidade", disse por email Gilda Sousa, do departamento de comunicação da EDP.

Luz no cativeiro

No Aquário Vasco da Gama, subimos até ao terraço do edifício que recicla a água salgada, de onde se avista o Tejo e ao fundo Lisboa. Às 10h30 da manhã, o sol aquece a água dos vários tanques cheios de peixinhos.

Onde é que está o ruivaco-do-oeste? Do lado do rio, no tanque mais à direita, 265 indivíduos nadam num espaço com plantas que filtram a água, lugares para se esconderem feitos de rede e tijolos, vasos cheios de seixos para as fêmeas colocarem os ovos. O habitat mais natural possível dentro de um tanque rectangular com cerca de três metros quadrados.

Fátima Gil está colada ao tanque e remexe as pedrinhas dos vasos. "Uma forma de se dar com os ovos do ruivaco-do-oeste é apalpar as coisas", explica a bióloga, que trabalha no museu há 22 anos. Encontra primeiro um ovo com um aspecto envelhecido, já morto. Procura mais e anos de experiência com a reprodução de peixes em cativeiro não a deixam ficar mal. Colado a um seixo está um ovo pequenino, de um branco translúcido, com um ar decididamente vivo. "Vêem-se dois pontos pretos brilhantes que são os olhos do embrião. Se utilizássemos uma lupa, até se conseguia ver o coração a bater."

O Aquário Vasco da Gama também serviu para Alexandrina Pipa aprender as bases da reprodução em cativeiro, durante o mês que esteve em Lisboa, antes de voltar à aldeia de Campelo, perto de Figueiró dos Vinhos. É aí que ficam as instalações onde se fará a reprodução a longo prazo do ruivaco-do-oeste. Com a ajuda da câmara, que cedeu as instalações, o projecto investiu 35 mil euros para recuperar os tanques da Estação Aquícola de Campelo.

Mais de 500

Encontramos Alexandrina, que é voluntária da Quercus há 12 anos, na estação de comboio da Caxarias. No caminho até Campelo, vai explicando as espécies vegetais da paisagem. Vêem-se muitos Quercus faginea, o carvalho-português que nos últimos 20 anos tem vindo a substituir antigas zonas de cultivo. Mas existem também azinheiras, medronheiros, pilriteiros, além do tradicional pinhal e das manchas de eucalipto, onde Alexandrina diz que já viu veados e javalis.

A ribeira do Alge, que passa por Campelo, uma aldeia com menos de 30 habitantes, alimenta continuamente os viveiros. Na estação, só se ouve a água a correr. "Apostámos mais na recuperação dos tanques do que no edifício", explica a técnica.

Cá fora, há vários tanques muito maiores do que os do Aquário Vasco da Gama. Um deles, com cerca de nove metros de comprimento e três de largura, está pronto para receber a boga-portuguesa que vem do aquário de Lisboa. Só falta a temperatura da água subir mais um pouco.

Os moradores de dois dos nove tanques são ruivacos-do-oeste, um com exemplares do rio Sizandro, o outro do Alcabrichel, que chegaram a 31 de Março de 2009. Já desovaram no ano passado. Há 400 jovens de Alcabrichel e entre 150 e 200 do Sizandro, que ainda não se conseguiram contar. "Eu espero que, se não for este ano, seja para o próximo que se faça a reintrodução destes peixes na natureza", explica Alexandrina Pipa. "Não faz sentido fazer reintrodução, se o local ficar com as mesmas condições que existiam", defende.

À espera do Alcabrichel

Voltámos para o concelho de Torres Vedras, mas agora estamos a torrar ao sol, junto à margem do rio Alcabrichel, um calor insuportável. À nossa frente está parte do troço de 1500 metros do rio que corre por baixo da ponte do Ramalhal, a norte de Torres Vedras, até à ponte da A8.

Paulo Lucas, o responsável da Quercus pelo projecto, aponta para o cano do esgoto de onde corre um risco viscoso e castanho, tira fotografias e desabafa: "Isto é inacreditável."

O projecto da Quercus para a reabilitação do rio Alcabrichel ainda tem que ser aprovado pela Administração da Região Hidrográfica do Tejo, mas deverá avançar.

O futuro do ruivaco-do-oeste vai começar aqui - é esta fatia de 300 metros do rio que vai sofrer uma intervenção de reabilitação.

Mas o líquido castanho que corre constantemente do esgoto e se dissolve no ribeiro, com o cheiro indiscutível de uma suinicultura, compromete tudo. "Há alguma decantação dos materiais sólidos, mas a carga poluente é elevadíssima", explica o ambientalista de 41 anos que trabalha na Câmara Municipal de Ourém. O esgoto é uma fonte de matéria orgânica, faz explodir o crescimento de microrganismos que consomem o oxigénio e tornam inviável a existência do ruivaco. "Já pedimos uma solução para esta suinicultura. Só colocamos aqui os peixes quando o problema estiver resolvido."

Antes disso, contudo, há muito trabalho a fazer. O Alcabrichel é mais um exemplo de um rio encanado. O início dos trabalhos será em Junho: alargar as margens entre seis a sete metros para cada lado; retirar o canavial com cinco metros de altura; plantar salgueiros, choupos-negros, espécies autóctones que criam raízes, filtram o rio e dão sombra aos fundões, que no Verão são a salvação das populações de peixes. No final de Novembro, Paulo Lucas espera ter a primeira fase terminada. Os 300 metros de reabilitação vão custar 50 mil euros e o ambientalista calcula que vão ser necessários mais cinco anos de trabalho e 200 mil euros por ano para o Alcabrichel voltar ao que era, quando se podia tomar banho no rio.

Peixes no lago

O Sizandro vai ter que esperar. Apesar da melhoria da cobertura da rede de esgotos domésticos que passou de cerca de 50 por cento em 2000 para 75 por cento em 2010, só no final de 2011 o vereador Carlos Bernardes, vice-presidente da Câmara de Torres Vedras, espera ter 90 por cento das casas do concelho com os esgotos tratados. Mesmo assim, o tratamento dos resíduos da indústria agro-pecuária continua a léguas do necessário e em 2009 o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos lançou um relatório onde o Sizandro, com leituras feitas já perto da foz, era dos rios mais poluídos do país.

Junto à entrada do rio em Torres Vedras, onde o leito está cimentado, há quem diga que o Sizandro está mais limpo do que era, depois do encerramento da destilaria de Runa, há uns anos. José Anselmo Gregório, um ferroviário de 59 anos, lembra-se de outro rio: "Dantes não estava cimentado, havia fundões onde a malta apanhava peixe. Tomava-se banho no rio." Já voltou a ver peixes na cidade, diz sentado num banco da estação de comboios.

Mostra-nos um pequeno lago ao lado do muro da estação. A água tem uma película de algas verdes. Com uma mangueira afasta as algas e aponta. Um peixe-vermelho grande passa. Ao lado, mais pequenos, com uma cor escura no dorso e brancos na barriga, ruivacos-do-oeste. Estão lá.”

domingo, 8 de novembro de 2009

Ainda existem peixes nos rios torrienses



BOGAS NO RIO ALCABRICHEL E NO RIO SIZANDRO...

A notícia foi hoje divulgada pela LUSA:


“Bancários limparam ribeira para evitar extinção de boga do Oeste

“Meia centena de trabalhadores de uma empresa que gere cartões bancários estiveram ontem a limpar as margens de um troço do rio Alcabrichel, no concelho de Torres Vedras, para evitarem a extinção da boga do Oeste, uma espécie de peixe característica da região.
"Estivemos a fazer o corte de um conjunto de canas que abrangem as margens desta ribeira e as canas que foram retiradas vão depois cobrir parte das margens para garantir que ficam estabilizadas, em vez de se utilizar o habitual betão", explicou Francisco Ferreira, dirigente da associação ambientalista Quercus, que promoveu a iniciativa. Praticamente extinta nos rios da região devido à poluição provocada pelos esgotos domésticos e pelas suiniculturas, a boga do Oeste continua apenas a existir - ainda que de forma escassa - nos rios Alcabrichel e Sizandro, ambos no concelho de Torres Vedras.
A acção marcou o arranque de uma parceria de cinco anos entre a Quercus e a Unicre, a primeira empresa de capitais privados em Portugal a aderir ao compromisso de redução da chamada "pegada ecológica". "Temos um conjunto de iniciativas como a redução do papel e a redução [do consumo de] energia nos edifícios", afirmou o administrador da empresa, António Ramalho.
"O objectivo neste tipo de acções é que fora da actividade profissional e em conjunto com uma associação de defesa do ambiente os esforços se juntem no sentido de salvaguardar determinadas zonas naturais e, neste caso, recuperar a boga do Oeste", esclareceu Francisco Ferreira. A Quercus põe a hipótese de vir a desenvolver outras acções de limpeza e despoluição do rio Alcabrichel e de vir a plantar nas suas margens vegetação característica na zona, de modo a combater a erosão”.

É um motivo de orgulho para Torres Vedras que detenha nos seus domínios os dois únicos rios do Oeste ainda habitável por peixes. Mas é também motivo de maior responsabilidade por parte das autoridades para preservação dessas espécies e da qualidade desses rios, que nos últimos anos já foram vitmas de muitas acções criminosas.

Note-se, a título de curiosidade, que nas Memórias Paroquias de 1758 eram referidas outras duas espécies existentes nesses rios, os “Ruivacos” e as “Enguias”. Aliás, ainda sou do tempo em que era possível pescar enguias no Rio Sizandro, ali para os lados das Termas dos Cucos.
Segundo essas Memórias, os Ruivacos, e “outros semelhantes” [resposta do pároco de A-Dos-Cunhados] existiam no Alcabrichel, embora em pouca quantidade [resposta do pároco do Ramalhal]. Mesmo assim referia-se a existência de alguma pesca nesse rio.
Já no Sizandro existia “peixe míudo” [resposta do pároco de Runa], identificado como Ruivacos e enguias [resposta do pároco de S. Miguel], sendo habitual a sua pesca no Inverno [resposta do pároco da Ponte do Rol].


RUIVACO...



E ENGUIA.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Outro lado da moeda...



(os porcos estragaram a fotografia...)


Depois de ontem termos divulgado, uma notícia abonatória para as medidas ambientais da Câmara de Torres Vedras, leitor anónimo fez-nos chegar parte de outra notícia, que é a outra face das medidas ambientais do município, mostrando que ainda há muito caminho a percorrer.
A notícia integral, editada pela LUSA com a data de 4 de Novembro é a seguinte:

Ministério e Câmara de Torres Vedras condenados em caso de maus cheiros de suinicultura

04.11.2009
Lusa

"O Tribunal Administrativo de Lisboa deu razão a dois moradores do concelho de Torres Vedras, que se queixavam de maus cheiros vindos de uma suinicultura local, condenando o Ministério do Ambiente e a câmara por responsabilidades no licenciamento da exploração.
De acordo com a sentença a que a Agência Lusa teve acesso, o tribunal condenou as duas entidades a obrigarem a exploração agro-pecuária, com perto de 4500 suínos, localizada no Casal do Brejo, freguesia de Campelos, a efectuar melhorias de funcionamento para minimizar os impactos ambientais provocados pelos maus cheiros e pela contaminação de águas nas proximidades da unidade. O tribunal reconheceu que existe um “dano ecológico” que “afecta o ar, o solo e a água envolventes” da localidade.
A acção contra ambas as entidades foi colocada pelos moradores, depois de o Tribunal de Torres Vedras ter absolvido os proprietários da exploração por considerar que a suinicultura estava devidamente licenciada, numa primeira acção colocada em 1998 pelos lesados. Descontentes com a decisão, os dois moradores decidiram pôr um novo processo em tribunal, desta vez contra o Ministério do Ambiente e Câmara de Torres Vedras.
Nesta segunda acção judicial e após uma perícia técnica realizada na unidade, a juíza Dora Lucas Neto entendeu que o ministério “não pode vir a invocar a sucessiva renovação das licenças de descargas” para afastar a responsabilidade ambiental, quando existem maus cheiros e águas contaminadas.
Em relação à Câmara de Torres Vedras, o tribunal concluiu que a autarquia não assegurou a qualidade do ambiente, ao licenciar habitações perto de uma suinicultura ou o inverso, no caso de as moradias serem anteriores à exploração.
Seguindo as orientações da perícia efectuada, o tribunal decidiu condenar as duas entidades no sentido de obrigar a suinicultura a adoptar novas técnicas nas lagoas da respectiva estação de tratamento para minimizar os maus cheiros, como a incorporação de bactérias que auxiliam no processo de digestão da matéria orgânica ou a separação de efluentes sólidos e líquidos. Outra das medidas impostas passa por melhor impermeabilizar as lagoas, face às características do solo, para prevenir a sua contaminação e, por conseguinte, das águas.
O tribunal socorreu-se também da Lei de Bases do Ambiente, segundo a qual a localização de uma actividade industrial só deve ser aprovada quando não interfira com o ordenamento do território e a qualidade do ambiente, tendo em conta que o dever de prevenção compete às entidades fiscalizadoras e licenciadoras".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Torres Vedras, município com boas práticas ambientais.


Santa Cruz, na vanguarda das preocupações ambientais


Na edição de hoje da revista "VISÃO", uma "edição verde", dedicada ao ambiente e ao papel das cidades na sua preservação, Torres Vedras surge como um dos trinta  municípios portugueses com boas práticas ambientais.
O exemplo apontado refere-se ao uso de painéis foltovoltaicos na Praia de  Santra Cruz :
"Na Praia de Santa Cruz existe um abrigo de passageiros, numa paragem de autocarro, que é auto-suficiente, a nível da sua iluminação, devido a painéis foltovoltaicos que encaminham a energia para LED. Na mesma localidade, também o mercado municipal e a escola do 1º ciclo e jardim-de-infância dispõem de um sistema de microgeração composto por painéis solares fotovoltaicos".
É caso para dizer, um pequeno passo para Torres Vedras, um grande passo para a defesa do ambiente.