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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

É JÁ NO PRÓXIMO SÁBADO : INAUGURAÇÃO OFICIAL DO FORUM DE ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE TORRES VEDRAS

Numa iniciativa rara em Torres Vedras, um conjunto de associações culturais torrienses resolveram juntar-se e iniciar uma caminhada colectiva, que dura já há vários anos, para criarem uma sede conjunta, onde mantêm a identidade de cada uma delas, com espaços próprios e colectivos.

Ainda por cima conseguiram recuperar um espaço único no centro histórico de Torres Vedras, sem esquecer a sua animação com a abertura de um bar, o Quebra Costas Bar.

A Inauguração oficial desse espaço vai decorrer ao longo do próximo dia 25, Sábado, ao longo do dia e da noite.

A programação e outras informações sobre o projecto podem ser lidas em baixo, no blog "Património de Torres Vedras".

PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS: INAUGURAÇÃO OFICIAL DO FORUM DE ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE TORRES VEDRAS (clicar para ver mais informações)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Joaquim Moedas Duarte apresenta comunicação sobre a Quinta das Lapas na próxima sessão de Chás de Pedra

O Jardim e mata da Quinta das Lapas será o tema do próximo CHÁS DE PEDRA, em Santa Cruz, na Azenha, pelas 21H30. Inscrições prévias no Arquivo Municipal.

Em baixo divulgamos algumas fotografias dos jardins e da mata da Quinta, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, datadas de 2012.









(Fotos J. Moedas Duarte, 2012)

Outras fotografias da mesma Quinta, foram por mim publicadas há alguns anos no blogue Pedras Rolantes, e podem ser vistas AQUI e AQUI

Transcrevo também em baixo um pequeno artigo de divulgação por mim editado nos anos 90 do século passado e transcrito em 2008 nesse mesmo blogue:


QUINTA DAS LAPAS - Torres Vedras

Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Duas rampas dão acesso ao portão de entrada da casa solarenga, encimado pelo brasão da família fundadora.

Junto dessas rampas situa-se, em plano inferior, a capela dedicada a Nª Senhora do Rosário, com fachada em colunatas neoclássicas, mandada edificar por D. Nuno da Silva Telles, filho do 2º Marquês do Alegrete. O seu interior é forrado com um silhar de azulejos setecentistas com símbolos das ladainhas.

Existe nesta capela um cofre com as relíquias de S. frei Gil de Santarém, da ordem dos Pregadores.

A Quinta das Lapas foi comprada por D. Mariana de Menezes, casada com Fernão Telles, conde de Vila Maior, um dos 40 fidalgos que aclamaram D. João IV na restauração de 1640. Aquela condessa constituiu vínculo nesta propriedade, composta de extensos pinhais, terras de pão, olivais e vinhas.

A casa nobre foi erguida em finais do século XVII por Manuel Telles da Silva, conde de Vila Maior e 1º Marquês do Alegrete, título recebido em 19 de Agosto de 1687 pelo rei D. Pedro II.

A sua construção prolongou-se pelo reinado de D. João V, ficando prejudicada pelas obras do Convento de Mafra, pois aquele monarca requisitou todos os trabalhadores da região, tendo pedido pessoalmente ao Marquês do Alegrete para dispensar os que andavam a trabalhar nas obras desta Quinta, com a promessa de o compensar dessa dispensa. Mas a única recompensa foi a oferta dos dois leões em mármore que coroam os pilares do portão da Quinta.

Entra-se para o palácio depois de se passar a porta brasonada e um grande pátio quadrangular e subindo-se por uma imponente escadaria de pedra.

No interior do palácio todas as divisões se distribuem sem um único corredor a separá-las. Os tectos são em madeira e os rodapés são revestidos de azulejo português, dando para o jardim as janelas da sala de jantar.

No jardim destacam-se os azulejos do principio do século XVIII que forram as paredes do Lago da Sereia.

Um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer nesta Quinta é à sua grande mata, cortada em várias direcções por ruas largas, arborizada no início do século XIX com ulmeiros, pinheiros mansos, medronheiros e sobreiros. De entre estes destaca-se o chamado “sobreiro das quatro irmãs”, porque o seu tronco rente ao chão se divide em quatro de grande grossura e altura.

À entrada da mata existe a Ermida de Santa Maria Madalena, construída pelo último marquês de Penalva para substituir uma outra mais antiga aí existente, destruída pelos franceses em 1808.

No interior da mata existe uma capela incompleta dedicada a Santo André Avelino, mandada construir em 1778 pelo conde de Tarouca, Fernando Telles da Silva.

No jardim e na mata existem várias fontes, destacando-se a do “Frei João”, , a da “Água férrea” e a do “Leão”. Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Até ao passado dia 18 de Novembro de 2008, a chamada "Fonte do Veado", onde se mistura o estilo barroco com o neoclássico, devia o seu nome ao facto de ser decorada com uma curiosa escultura em mármore de dois galgos segurando um veado pelas orelhas. Infelizmente a Quinta foi nessa data alvo de um assalto e essas estátuas roubadas, conforme anuncia a imprensa local.

Vários monarcas visitaram esta Quinta, entre eles D. João V e D. Carlos, bem como outros membros ilustres da família real portuguesa, tais como as rainhas D. Carlota Joaquina e Dª Maria Amélia, o príncipe D. Luís Filipe, a princesa D. Maria Francisca Benedita, a infanta D. Isabel Maria e o infante D. Manuel.

Também o famoso poeta Nicolau Tolentino passou alguns dias nesta Quinta e a ela lhe dedicou um dos seus poemas.

A conhecida cantora Teresa Tarouca, descendente dos condes de Tarouca, e Vila Maior e marqueses de Penalva e Alegrete, foi uma das últimas proprietárias desta Quinta.

Em 1986 foi a Quinta adquirida pela Associação “Le Patriarche”, funcionndo hoje como centro de recuperação de jovens toxicodependentes da Dianova, mas podendo ser visitada por quem o solicitar.


Venerando Aspra de Matos

terça-feira, 8 de abril de 2014

Homenageando o Projecto "Livro do Dia"...ou um contributo para a história das livrarias torrienses...


No final do passado mês de Março, 6ª feira 28, encerrou definitivamente um dos projectos livreiros mais originais deste concelho, o “Livro do Dia”.

Nascido em 2005, o projecto “Livro do Dia” começou por abrir num pequeno espaço do cruzamento entre o final da rua Henriques Nogueira e a Avenida Humberto Delgado, para adquirir em 2007 o espaço mais central, junto à Igreja de Santiago, antiga “Praça da batata”, praça Machado dos Santos, da antiga livraria Index.

A Livro do dia realizou várias actividades culturais no seu espaço, com uma pequena cafetaria, distinguindo-se igualmente pela actividade editorial.

A “Livro do Dia” tornou-se uma livraria de referência na região, nomeadamente nas áreas da literatura e da poesia.

Infelizmente acabou por ser mais uma das vitimas da actual crise financeira, que muito tem atingido o comércio local, nomeadamente aquele que se dedica ao livro.

Ficam a restar a velha “Gráfica Torriana”, na rua 9 de Abril, que sobrevive mais da sua ligação à Igreja e aos materiais do culto do que da venda de livros, e a “União”, com sete lojas espalhadas pela cidade, mas que sobrevive principalmente como papelaria e tabacaria.

Sobra a loja mais recente, a secção local da Livraria Bertrand, no Centro Comercial Arena.

Com o encerramento do Livro do Dia, a cultura torriense fica mais pobre e o centro histórico ainda mais desertificado.






Em homenagem a este projecto e aos seus responsáveis, recuperamos aqui um pequeno estudo de divulgação, da nossa autoria, sobre as livrarias históricas de Torres Vedras, trabalhado publicado num suplemento que nós dirigimos, com o grafismo do Aurelindo Ceia, coordenado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura, que fazia parte do jornal Badaladas, e que conheceu quatro edições entre 1993 e 1994.

Um desses Suplementos, o nº4, integrado na edição nº 1990 do jornal “Badaladas”, de Fevereiro de 1994, com o título genérico “Recordações da Casa dos Livros”, foi dedicado  à história das livrarias torrienses .

Para além da minha síntese histórica, abaixo transcrita, escreveram nessa edição Ana Mourão, prefaciando o tema, Maria Helena Aspra de Matos, Cristina Lopes e Maria Hermínia Guilherme, familiares dos donos de algumas das livrarias históricas (respectivamente da Papelaria Escolar de António Ferreira Aspra, Galeria 70 de António Pedro Lopes, e  Papelaria 9 de Abril, de Raul Guilherme), descrevend de memória as suas vivências nesses espaços.

Para nós, esta é uma pequena forma de homenagear mais um projecto cultural que morre em Torres Vedras.

Tintas e Papéis

Por Venerando Aspra de Matos

Pertenço a uma família que há várias gerações se encontra, de algum modo, ligada aos papéis e às tintas: trisavô e bisavô tipógrafos, avô livreiro e pai ligado à arte da escrita. Esta circunstância despertou a minha curiosidade para a procura de dados sobre as antigas livrarias de Torres Vedras.

A história dos livreiros torrienses anda associada à história das tipografias desta cidade, isto porque as mais antigas livrarias eram também tipografias.

Desconhece-se a data exacta da fundação da primeira tipografia em Torres Vedras. Júlio Vieira (1) dá-nos a mais antiga referência conhecida, a “Torreense", de Manoel do Nascimento Aspra, existente em 1887, que , teria surgido para apoiar o jornal “Voz de Torres Vedras”, editado pela primeira vez a 5 de Fevereiro desse ano. Os Anuários Comerciais editados na época (2) confirmam Manoel do Nascimento Aspra como o mais antigo responsável por uma tipografia neste concelho.

As primeiras tipografias surgiram e desenvolveram-se nesta terra, quase sempre ligadas à imprensa local. Curiosamente, o primeiro periódico torriense, o “JORNAL DE TORRES VEDRAS” fundado em 1885, não indica o local de impressão, situação igualmente confirmada na obra citada de Júlio Vieira. Provavelmente terá sido editado fora de Torres Vedras.

As primeiras tipografias locais não se dedicavam, contudo, exclusivamente à edição de jornais. Editavam, também, folhetos, relatórios, e estatutos de várias associações instituições locais. Já a edição de livros era rara.

O jornal “A Semana” anunciava em 14 de Maio de 1895 uma nova edição, a terceira, da “Descripção histórica e económica da Villa e termo de Torres Vedras”, de Manoel Agostinho Madeira Torres, obra a editar por “Cabral & Irmão", e informava sobre as condições de assinatura para aquisição dessa obra, a tratar na “Tabacaria Havaneza Torreense’’. Pelo que sabemos, aquela obra nunca conheceu a anunciada terceira edição, a não ser a que saiu há pouco mais de dez anos, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras.

O primeiro livro comprovadamente editado em Torres Vedras foi a obra de Júlio Vieira, “Torres Vedras Antiga ê Moderna”, editada em 1926 pela Livraria da Sociedade Progresso Industrial - Victor Fonseca & Almeida, Limitada”.

No Arquivo Municipal (3), a primeira tipografia registada que encontrámos foi a de António Augusto Cabral, em 17 de Fevereiro de 1900, como “tipografia com venda de papel”, e “papelaria” a partir do ano seguinte. Com base noutros documentos, nomeadamente fotografias antigas e anúncios publicitários publicados na imprensa local, podemos afirmar, com alguma segurança, que a “Typografia e Papelaria Cabral” foi o primeiro estabelecimento a funcionar como livraria em Torres Vedras, a partir de 1893, data exacta da fundação dessa loja.

Com base na bibliografia citada, em anúncio de jornais, na indicação dois editores de vários folhetos (4), em folhas de recibo e mesmo em recolha oral, foi-nos possível elaborar o Quadro I, evidentemente incompleto, mas que pode servir como esboço de um primeiro registo histórico da actividade tipográfica e livreira em Torres Vedras. Limitámos esse quadro ao período anterior ao 25 de Abril. A História mais recente, bem como o importante papel desempenhado peias livrarias de Torres Vedras, será abordado em futuro Suplemento.

Venerando Aspra de Matos



(1) VIEIRA, Júlio. Torres Vedras, Antiga e Moderna, T. Vedras, 1926.
(2)ANNUÁRIO DO COMÉRCIO - PROVÍNCIA, 1891 ANNUÁRIO - ALMANACH COMERCIAL E INDUSTRIAL PARA... 1893,1895, 1896.
(3)“REGISTO DE LICENÇAS DE ESTABELECIMENTOS CONCEDIDAS PELA CÂMARA” (VÁRIOS VOLUMES), Arquivo Municipal deT.V.
(4)ALMANACH DA “FOLHA DE TORRES VEDRAS" PARA-1904,1906            
   —
- ANNUÁRIO DA REGIÁO DE TORRES VEDRAS. 1907

- “A União”, nº único 1968