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quarta-feira, 20 de maio de 2026

"Torreense" no Final da Taça em 1956 - 70 anos depois, a história repete-se


O “Torrense” volta a estar no final da Taça de Portugal, exactamente 70 anos depois da sua primeira participação numa final dessa prova.

Essa foi a época áurea da equipa de Torres Vedras, campeão da 2ª Divisão na época de 1954/1955 e presente pela primeira vez no campeonato nacional da 1ª Divisão na época de 1955/1956, tendo terminado no 7º lugar entre 14 equipas.

As equipas da 1ª Divisão só entraram na disputa da Taça nos 16 avos de final, prova que se disputava numa única mão, por eliminatórias.

Os jogos, a partir dessa eliminatória, realizaram-se todos ao longo do mês de Maio de 1956, depois de terminado o campeonato da 1ª Divisão, ganho nessa época pelo Futebol Clube do Porto.

Na realidade nos 16 avos de final apenas se realizaram 14 jogos, já que, nos quartos de final, seria incluída a equipa apurada numa fase de eliminatórias entre as equipas das ilhas, da qual o Marítimo foi o vencedor, com direito a disputar a Taça a partir dessa fase da prova.

Mas voltamos ao Torreense e à sua participação nessa prova.

A primeira eliminatória foi disputada pelo Torreense em casa, como ditou o concurso, batendo o Desportivo de Beja, da 2ª divisão, por 2-0 no jogo disputado em 2 de Maio.

Foi um jogo “algo difícil e enervante”, como intitulava Rui de Belchior nas páginas do “Jornal do Torreense” na sua edição nº 17 de Maio de 1956.

O único golo da equipa torriense foi marcado apenas aos 40 minutos: “na marcação dum canto, a bola é repelida para perto por um defesa contrário, permitindo a João Mendonça, com um toque subtil, encaminhá-la para a baliza”. João Mendonça era, então, uma das estrelas da equipa de Torres Vedras, tendo sido o 13º melhor marcador do campeonato da 1ª Divisão.

Aos 18 minutos do segundo-tempo o Torreense passou um mau bocado, quando sofreu a marcação de uma grande penalidade contra si, mas que foi desperdiçada pela equipa alentejana. Até que, a 3 minutos do fim, o “Torreense” viu confirmada a vitória na eliminatória com um golo de Carlos Alberto.


Nos oitavos de Final, disputados em 7 jogos, no dia 6 de Maio, aconteceu a primeira surpresa com o Torreense a eliminar, em jogo disputado em casa, o Sporting, por 1-0.

O primeiro tempo terminou com uma igualdade a zero, mas aos 10 minutos do recomeço, “Carlos Alberto quando corria pelo seu corredor foi carregado irregularmente” (relato de Fernando Monteiro nas mesmas páginas do jornal acima citado) por um jogador do Sporting e, na marcação do livre feita por aquele jogador a bola foi interceptada por Forneri que marcou de cabeça o golo decisivo para o Torreense fazer a surpresa e passar mais uma eliminatória.






Nos quartos de final, disputados agora por 8 equipas, com a entrada, como dissemos, do Marítimo, o Torreense voltou a jogar em casa, eliminando o Sporting de Braga por 2-0, em jogo realizado em 13 de Maio. O Braga não era ainda a equipa que é hoje, tinha ficado em último lugar no campeonato nacional da 1ª Divisão dessa época.

O jogo terminou empatado a zero golos no final do primeiro tempo. Foi no recomeço do jogo que o resultado funcionou a favor da equipa torriense, logo no primeiro minuto, com a marcação de um golo de cabeça pelo já citado João Mendonça. O Torreense consolidou o resultado aos 12 minutos com um novo golo de cabeça do mesmo João Mendonça, fixando o resultado final nos 2-0.




O Torreense chegou assim às meias-finais, o que, já por si, era um feito histórico. O jogo realizou-se em 20 de Maio no Estádio do Belenenses, que tinha sido o terceiro classificado do campeonato. Ao lado do Benfica, do Sporting e do Porto, o Belenenses era então um dos “grandes”. Para surpresa geral, a equipa de Torres Vedras obrigou o Belenenses, a jogar em casa, a ir a prolongamento e…venceu o jogo por 3-2, sendo apurado para o final no Jamor contra o “Porto”, campeão nacional.

O jogo não começou bem para a equipa de Torres Vedras, que sofreu um golo aos 24 minutos, marcado pelo célebre Matateu. Mas o Torreense não se ficou e, aos 32 minutos um “remate forte e bem colocado” de João Mendonça restabeleceu a igualdade (seguimos o relato de Rui Belchior no citado jornal).

Na segunda parte da partida o Belenenses voltou a aumentar a vantagem com  um golo de Di Pace. Foi já perto do final da partida que a equipa torriense voltou a igualar a partida com um golo de cabeça marcado por Fernandes, na sequência de um canto bem marcado por José da Costa.

Terminado empatado tempo regulamentar, procedeu-se a um prolongamento de meia-hora. Quando tudo parecia apontar para a manutenção do empate e para necessidade de se repetir o jogo, a 2 minutos do fim o jogador torriense Gonçalves marcou o golo da vitória que colocou a equipa de Torres Vedras no final da Taça.



A final realizou-se no Estádio Nacional no dia 27 de Maio. O Porto marcou cedo e, no inicio da segunda parte, foi marcado um penalti, muito duvidoso, contra o Torrense, encerrando cedo as hipóteses para a equipa de Torres Vedras, que perdeu por 2-0. Para o Porto foi a primeira Taça de Portugal conquistada e também a primeira dobradinha.

O Porto marcou logo aos 3 minutos após o início : o jogador portista Perdigão “num lançamento de linha lateral” enviou “a bola para Jaburu que, por sua vez, a lança para a frente da baliza de Gama. A nossa defesa ficou parada, consentindo que Hernani cabeceasse com êxito” (seguimos o relato de Fernando Monteiro no citado jornal)”.

Foi aos 12 minutos do segundo tempo que “tudo terminou” para as ambições do Torreense com a marcação de um contestado penalti a favor do Porto, convertido por Hernani, fixando o resultado final de 2-0 a favor da equipa do norte.

Um acontecimento curioso desta final foi a iniciativa dos adeptos do Torreense que espalharam pelas bancadas “milhares de barretes de papel – encarnados e azuis”.

O Torreense teve de esperar mais 70 anos para repetir a proeza, desta vez a jogar uma nova final da Taça de Portugal contra o Sporting, equipa que, naquele ano distante de 1956, foi eliminada pelo “pequeno” Torreense.

A final disputa-se no próximo dia 24 de Maio.













Venerando Aspra de Matos

segunda-feira, 27 de junho de 2016

1955 /1956 – Recordar os anos de glória do “Torreense”


Há 60 anos atrás o “Torreense” viveu um momento de grande euforia, iniciado em Maio de 1955, com a primeira subida do clube à “primeira divisão” nacional de futebol, e que atingiu o seu auge como finalista da Taça de Portugal em Maio de 1956.
Após duas épocas em que esteve à beira de subir de divisão, finalmente o sonho concretizou-se em Maio de 1955.
 
(equipa vencedora da 2ª Divisão na época de 1954/1955)
Não se pense, contudo, que as coisas foram fáceis. A duas jornadas do fim da fase final da zona sul da 2ª divisão, o Torrense encontrava-se mais uma vez em segundo lugar, depois de, na jornada anterior, ter sido derrotado pelo seu rival de sempre , o “Caldas”.
 
Mas nessa jornada o Torreense conseguiu derrotar outro forte concorrente à liderança, o Oriental, batendo-o por 3-1, e,  beneficiando da escorregadela do Caldas contra o Montijo, chegou à última jornada na liderança.
Na véspera dessa jornada, marcada par Domingo dia 29 de Maio, o jornal “Diário Popular”, num artigo justamente intitulado “Na Derradeira Jornada os três primeiros lugares por decidir”, descrevia o que estava em jogo:
“Este Campeonato Nacional da II ª Divisão parece destinado a resolver-se nos últimos minutos. Quando tudo parecia resolvido com o Caldas S.C na Iª Divisão [depois de ter derrotado o Torreense], a jornada de domingo [passado] deu uma volta à classificação (…).
“Em vésperas da última jornada, três clubes estão interessados nos dois primeiros lugares: Torreense, Caldas S.C e Oriental (…).
 
“A partida do dia é jogada em Santarém, onde os “Leões” recebem o Torreense que entra em campo…na Iª Divisão” (1).
Apesar da pressão,  e do facto de jogar fora, o Torreense conseguiu vencer os “Leões” de Santarém por duas bolas a zero, golos marcados, respectivamente, por Carlos Alberto, aos 30 minutos da primeira parte, e por Mendonça, aos 35 minutos da segunda parte(2).
Com essa vitória o Torreense alcançava o primeiro lugar e o acesso directo à 1ª Divisão, facto até então inédito na sua história.
(Página do Diário Popular de 29 de Maio de 1955)
Assim que se soube em Torres Vedras da vitória em Santarém, de imediato o entusiasmo apossou-se das ruas da antão vila:
“Nas janelas surgiram, num ápice, colchas e colgaduras, enquanto nas ruas já mal se pode romper – que as dezenas de camionetas e automóveis regressados de Santarém ou provenientes de localidades do concelho despejavam, quase sem cessar, gente e mais gente, que parecia tomada de loucura colectiva e desfilava de um lado para o outro atrás de charangas surgidas não se sabe donde…
“Nos “cafés” e nas tabernas as “rodadas” sucediam-se para “lubrificar” as gargantas enrouquecidas de tanto gritar, enquanto se aguardava a chegada dos “heróis” da jornada (…).
“Finalmente, incorporados num cortejo automóvel, com 5 quilómetros (!) de extensão e no qual figuravam 400 veículos, surgiram na vila os jogadores do Torreense empoleirados numa furgoneta descoberta sobre a qual se destacou uma grande bandeira da colectividade. Então é que foi o “fim do mundo” (…) no ar rebentavam mais foguetes e morteiros (…) sendo, às tantas, os “ídolos” sacados em ombros até à sede da Associação de Educação Física e Desportiva, onde se improvisou uma sessão de recepção.
“Usou da palavra o presidente do Torreense, Dr. José António Neiva Vieira (…) encerrando-se a sessão com o hino da vila, executado pela banda dos Bombeiros locais (…)” (3).
(reportagem do jornal "Diário Popular" de 29 de Maio de 1955 sobre os festejos em Torres Vedras pela subida do Torreense à 1ª Divisão)
 
Os festejos continuaram por toda a semana, destacando-se uma “marcha luminosa” de 3 mil balões no dia seguinte e as danças nas ruas “em animados bailaricos”.
Chegou mesmo a anunciar-se um jogo comemorativo com o Celta de Vigo (4), o qual, pelo que sabemos, não se chegou a efectuar.
Treinada por um argentino, Oscar Tellechea, a equipa contou com alguns jogadores argentino no seu plantel, os médios Juan Forneri e Américo Belen.
O plantel, para disputar o campeonato, contou com 23 jogadores, os guarda-redes Serrano e António Gama, os defesas António Augusto, Mergulho, Amílcar Silva e Joaquim Fernandes, os médios Aragão, António Bernardes, Forneri, António Manuel, Carapinha, Inácio (angolano), José da Costa, Belen e Carlos Alberto, e os avançados Martins, Pina, Fernando Mendonça, João Morais, Rui André, Matos, José Gonçalves e João Mendonça (5).
O Torreense estreou-se na 1ª Divisão com três vitórias consecutivas, respectivamente sobre o Lusitano de Évora, por 2-0, o Sporting, batido surpreendentemente por 1-0 em Alvalade e a Académica, por 2-0. No final da 1ª jornada da época o Torreense estava na 4ª posição do campeonato. A segunda época não correu tão bem, mas mesmo assim conseguiu terminar o campeonato na 7ª posição, com 22 pontos, 7 vitórias, 8 empates e 11 derrotas.
O campeonato desse ano foi vencido pelo Futebol Clube do Porto, que quebrou nessa época um jejum de 15 anos sem ganhar um campeonato.
 
(Equipa do Torreense que disputou o campeonato da 1ª Divisão na época de 1955/1956)
 
A balizar esta época de glória, a equipa de Torres Vedras acabou por voltar a surpreender, chegando ao final da Taça de Portugal.
Os jogos da Taça realizavam-se numa curta jornada de eliminação , ao longo do mês de Maio.
Depois de eliminar o Desportivo de Beja nos dezasseis avos de final, canhou-lhe pela frente o poderoso Sporting, mas, a jogar em casa, para surpresa de muitos, o Torreense conseguiu eliminar a equipa de Alvalade com um golo isolado, na segunda parte, aos 12 minutos, na sequência de um livre marcado por Carlos Alberto que “endossou a bola a  Forneri que, com um golpe de cabeça fez a bola entrar na baliza de Carlos Gomes”(6).
Nos quartos de final canhou o Braga, e, pela terceira vez, o Torreense jogava em casa. Com um empate a zero golos no final da primeira parte, foi mais uma vez no segundo tempo que a equipa da casa acabou por vencer, por 2-0, golos marcados por Frernando Mendonça da mesma maneira, na sequência de “um centro de José da Costa” (7).
O Torreense chegava assim às meias finais e encontrou pela frente outra equipa, então das mais poderosas, o Belenenses, que terminara o campeonato na terceira posição, com a agravante de ter calhado em sorteio que o jogo se disputasse na “tapadinha”, em Lisboa.
 
(1ª página do Diário Popular de 20 de Maio de 1956, anunciando os finalistas da Taça de Portugal)
 
O jogo foi um dos mais emocionantes da taça, com um empate a uma bola no final da primeira parte e um empate a duas bolas, conseguido por Fernando Mendonça, ao 43 minutos, obrigando ao prolongamento.
A dois minutos do final do prolongamento Gonçalves marcou o golo que o colocou o Torreense na final:
“A vitória do Torreense aceita-se bem, até porque foi a equipa que menos se ressentiu na altura decisiva “ (8).
Um ano depois de ascender pela primeira vez à primeira divisão, o Torreense garantia a presença na final da Taça de Portugal, onde ía enfrentar o vencedor do campeonato, o Futebol Clube do Porto.
O “Diário de Lisboa” anunciava que na final, disputada no dia 27 de Maio de 1956 a partir das 17 horas, e arbitrada por  Hermínio Soares, iam estar “duas equipas a lutar de igual para igual”, desmentindo a idéia de um embate entre Davis e Golias. (9).
Disputada no Jamor, o Porto marcou logo no ínicio, aos 3 minutos, numa jogara fortuita, mas o Torreense bateu-se sempre de igual para igual, tendo, por várias vezes, estado à beira de igualar a partida.
O Porto só conseguiu consolidar a vitória no segundo tempo, através da marcação, aos 12 minutos, de uma grande penalidade, muito duvidosa e contestada. Num violento ataque à arbitragem do jogo, o jornal “República” referiu que não se descortinou “a mais leve falta”, opinião dada por outros órgãos de imprensa da época. Mas mesmo a perder por essa diferença, o Torreense bateu-se até ao último minuto, falhando desafortunadamente várias oportunidades de golo.
Longe “de se entregarem os torreenses imediatamente desceram no meio campo do adversário”, insistindo o Torreense nas jogadas de ataque, falhando várias oportunidades de golo, perdendo “golos em série” (10).
A imprensa da época elogiou a atitude dos jogadores do Torreense: “À turma torreense deve ter causado espanto, primeiro a impressão, a rondar pela má sina; depois, o facto de nas primeiras jogadas do encontro não ter marcado, como merecia, dado a boa urdidura de dois ou três lances, traídos somente pelo golpe final.
“(…) O Torreense, com a sua presença na “final”, em que compareceu por mérito próprio (…) não ficou diminuído” (11).
A desforra com o Porto surgiu quase cinquenta anos depois, no dia 16 de Fevereiro de 1999, quando, à 5ª eliminatória da taça, a jogar no estádio das Antes, frente a um poderoso Porto, então liderado por Fernando Santos, o Torreense marcou um golo isolado, a cinco minutos do fim, eliminando o Porto. A data coincidiu com a terça feira de Carnaval, e a festa prolongou-se por vários dias.
Nunca o Torreense voltou a viver momentos de tanta euforia como nesse período entre 1955 e 1956.
Claro que ainda se conseguiu manter na Primeira divisão por mais duas épocas, voltando a descer de divisão no final da época de 1958/59, regressando à divisão maior efemeramente na época de 1964/1965. Foi necessário esperar mais de trinta anos para voltar a estar entre os primeiros na época de 1991/1992.
Na taça de Portugal nunca voltou a repetir a façanha, apesar de ter chegado aos quartos de final na época de 1983/1984 (12).
 
Mas estas são outras histórias que, em boa hora, têm vindo a ser regularmente recordada nas páginas do jornal “Badaladas” por Rui Santos, quando nos aproximamos, em Maio de 2017, do primeiro centenário do clube de Torres Vedras.
(1)    Diário Popular, 28 de Maio de 1955;
(2)    Diário Poular,30 de Maios de 1955;
(3)    Diário Popular, 30 de Maios de 1955;
(4)    Diário Popular, 31 de Maio de 1955;
(5)    Site www.zerozero.pt;
(6)    Diário Popular, 6 de Maio de 1956;
(7)    Diário Popular,13 de Maios de 1956;
(8)    República, 21 de Maio de 1956;
(9)    Diário de Lisboa, 26 de Maio de 1956;
(10)Diário Popular, 27 de Maios de 1956;
(11)República, 28 de Maio de 1956;
(12)MATOS, Vivian e Sandra, Passado Presente (monografia sobre o SCUT), ed. 1998.
(nota: uma versão resumida deste texto foi publicada nas páginas do jornal "Badaladas" de 17 de Junho de 2016)

sábado, 23 de maio de 2015

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Recordar Joaquim Agostinho no dia do início de mais uma edição do Troféu que se realiza em sua homenagem


Tem Hoje início mais uma edição do Troféu Joaquim Agostinho (clicando aí terá acesso à página oficial e ao historial da prova).

A propósito desse evento, AQUI  recordamos a figura de Joaquim Agostinho, através de uma série de videos históricos disponibilizados pelo Arquivo da RTP, graças também ao trabalho junto dessa instituição de Paula Silva, a responsável pelo projecto de criação de um museu dedicado a essa grande figura do desporto nacional.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Torrienses Homenageiam o rei Eusébio:

Os Torrienses homenageiam o "rei" Eusébio (Fotografia de Alexandre Cardana).