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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A História da Casa Hipólito em livro

No passado Sábado, 16 de Dezembro, foi feito o lançamento oficial da obra de Joaquim Moedas Duarte “Casa Hipólito – História, memórias e Património de uma fábrica torriense”.

A obra resultou do trabalho de dissertação de Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta, tese defendida por Moedas Duarte no passado dia 17 de Maio.

A história da Casa Hipólito confunde-se com a História de Torres Vedras no século XX, tal a sua importância do ponto de vista económico social e até cultural que teve para este concelho.

Raras serão as famílias torrienses que não tiveram um familiar ou amigo que trabalhou nessa empresa ou, pelo menos, adquiriu um produto dessa fábrica.

O texto de Moedas Duarte não aborda apenas a memória patrimonial da "Hipólito", mas analisa todos os aspectos relacionados com o impacto social e económico dessa empresa na região.

Recorrendo a todo o tipo de fontes, manuscritas, impressas,orais, fotográficas e iconográficas, dá-nos um muito bem documentado e aprofundado registo sobre as marcas que essa empresa deixou na memória colectiva torriense.

A obra divide-se em quatro capítulos.

No primeiro, intitulado “O Homem e a  circunstância”, traça a biografia de António Hipólito (1882-1954), enquadrada na conjuntura da vida torriense de então.

O segundo capítulo dedica-se à História da Empresa, que o autor divide em três grande fases: a primeira de 1902 a 1944, a fase de afirmação de “A Industrial”, nome de origem, fase em que assume grande importância uma figura como Vasco Parreira; a segunda fase, de 1944 a 1980, a fase áurea da empresa, marcada pela afirmação do nome a que passou para a história, a “Casa Hipólito”, e de afirmação nacional e internacional; a terceira fase, de 1980 a 1999, a fase de decadência, que acabaria na sua dramática falência.

O terceiro capítulo avança com a proposta e “projecto para um museu de memórias do trabalho em Torres Vedras", tendo em vista a preservação do valioso património associado à rica vida empresarial torriense.

O quarto e último capítulo faz a recolha de “memórias de quem trabalhou na fábrica”, um conjunto de 22 memórias pessoais de quem este, "por dentro", naquela empresa.

Uma bem elaborada cronologia, um levantamento bibliográfico  rigoroso para quem queira aprofundar o estudo sobre algumas temáticas abordadas no livro e um levantamento iconográfico e fotográfico sobre a Casa Hipólito, completam esta obra fundamental para quem queira conhecer ou estudar a vida torriense.

O livro de Joaquim Moedas Duarte foi editada em parceria entre a Associação para a Defes e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras e a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, iniciando o projecto daquela associação torriense de lançar uma linha editorial “com novos títulos de estudo de outras empresas, de biografias de torrienses notáveis ou de abordagem de temas culturais de carácter local".

A Casa Hipólito continua bem viva na memória dos torrienses, existindo mesmo alguma empresas, das mais importantes do concelho, herdeiras da dinâmica da “Hipólito”, como são os casos da Eugster & Frismag, ou da “Transportes Paulo Duarte”, esta última, aliás uma das patrocinadoras desta obra (juntamente com D. Ana Paula Hipólito Carreira Duarte, bisneta do fundador).

Joaquim Moedas Duarte, numa escrita quase poética, como a descrição inicial da saída da fábrica ao som da sirenes, deixa-nos assim uma obra que passa a ser  uma das obras de referência que testemunha uma época marcante na memória de grande parte dos torrienses.  

Em baixo deixamos um resumo da obra, retirado da página da Universidade Aberta:

 “Em 1902 António Hipólito, jovem migrante de Alcobaça para Torres Vedras, fundou uma empresa de metalomecânica ligeira, em nome individual, à qual chamou A Industrial.

“Latoeiro de folha branca, rapidamente se apercebeu das oportunidades facultadas por uma sociedade marcada pela ruralidade em que a vitivinicultura tinha lugar de destaque.

“Começando pelo fabrico de lanternas de acetileno, expandiu-se para os equipamentos necessários à lavoura: pulverizadores, prensas de lagar, bombas de trasfega, torpilhas, etc.

“Apostando na qualidade e em preços acessíveis, ao mesmo tempo que dava atenção especial à divulgação dos seus fabricos através de publicidade na imprensa e participação em mostras e exposições, conquistou paulatinamente mercado local e nacional.

“De tal modo se notabilizou que o Governo Português o distinguiu em 1930 com a Comenda da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

“Quando, por motivos de saúde, o Comendador António Hipólito, em 1944, entregou a gerência da fábrica aos filhos e ao genro, a empresa passou a sociedade por quotas com a designação de Casa Hipólito.

“Nessa altura já fabricava fogões e lanternas a petróleo, equipamentos domésticos que viriam a torná-la famosa em Portugal e no estrangeiro para onde passou a exportar parte significativa da sua produção.

“Nos anos 50 a 70 atingiu o auge da sua actividade e expansão através da licença exclusiva de fabrico da marca alemã Petromax e alargando a gama de produtos ao sector de gás em parceria com a Cidla, primeiro e a Shell depois.

“Construindo novas instalações e empregando centenas de trabalhadores, tornou-se a maior empresa do concelho de Torres Vedras e uma das principais do país no seu ramo.

“Em 1972 passou a Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. Todavia, o impacto do ano de 1974 com a Revolução de Abril veio pôr a nu as deficiências estruturais de que já padecia: progressiva incapacidade de autofinanciamento, obsolescência do parque de máquinas e dos produtos fabricados, dificuldade em enfrentar a concorrência no sector vinícola, dificuldades em substituir o modelo de gestão familiar por outro mais adaptado ao crescimento da empresa.

“Nos anos 80 acentuou-se o percurso descendente. Em 1987 os credores impuseram um plano de recuperação e o controlo da gestão por via judicial. Iniciou-se um processo imparável de decadência que só terminou com a declaração de falência em Abril de 1999.

“Do que foi a actividade fabril da Casa Hipólito restam as memórias de quem lá trabalhou, os numerosos e variados testemunhos da imprensa local e um Fundo Documental à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade de Torres Vedras.


“Este trabalho que ora se apresenta resulta de uma investigação realizada sobre estas fontes informativas com uma dupla finalidade: preservar a memória social da Casa Hipólito, descrevendo o seu percurso de quase cem anos e registando as memórias de alguns que nela trabalharam; e propor formas concretas de tratamento museológico do património que dela foi possível salvar (texto/resumo da defesa de mestrado de Joaquim Moedas Duarte, feita na Universidade Aberta em 17 de Maio de 2017, publicado na página da internet desta Universidade)”.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Joaquim Moedas Duarte publica livro sobre a Casa Hipólito.

Vai ser lançado no próximo Sábado o livro "Casa Hipólito - História, Memória e Património de uma Fábrica Torriense" da autoria de Joaquim Moedas Duarte e que resulta da sua tese de mestrado.

A sessão de lançamento terá lugar no próximo Sábado, dia 16 de Dezembro, pelas 15 horas, nos Paços do Concelho.

A Casa Hipólito foi a empresa torriense mais importante do século XX, tendo sido, durante anos, a principal empregadora do concelho e aquela que mais dinamizou a economia local.

Podem encontrar mais informações sobre a Casa Hipólito AQUI.

Joaquim Moedas Duarte é um dos mais dinâmicos investigadores da história do nosso património, principalmente na liderança da Associação local de Defesa do Património.

O seu livro é assim um importante contributo para aprofundar a história local de Torres Vedras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Hoje e Amanhã : VISITAS GUIADAS À MOSTRA EXPOSITIVA DA CASA HIPÓLITO


Esta mostra está patente ao público no Museu Municipal de Torres Vedras (Convento da Graça) até 30 de Dezembro deste ano.
Visitas guiadas pelo prof. Moedas Duarte, um dos responsáveis pela Mostra:
Dia 5 de Dezembro (Sábado) - 15H30 às 16H30
Dia 6 de Dezembro (Domingo) - 10H30 às 11H30

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Torres Vedras em 1940, numa edição especial da "Gazeta dos Caminhos de Ferro"

A revista "Gazeta dos Caminhos de Ferro" foi uma das publicações que mais longa duração conheceu em Portugal.

Surgiu em 1888 com o título de "Gazeta dos Caminhos de Ferro de Portugal e Espanha", tendo retirado a referência ibérica em 1899.

Publicou-se até 1971.

Editou na década de 40 algumas edições monográficas dedicadas a localidades onde existia caminho-de-ferro, com aconteceu com Torres Vedras, na edição de 16 de Abril de 1940 (nº1256)que hoje aqui divulgamos.

Ao longo da sua história, cujo início que coincide com os primeiros anos do caminho-de-ferro da linha do Oeste, é possível encontrar muitas notícias sobre esse tema relacionadas com Torres Vedras.

Nesta edição destacamos a entrevista com o presidente da Câmara de então, o Conde Tarouca, e as referências ao Museu, à Biblioteca, ao Carnaval e à Casa Hipólito. Chamamos ainda a atenção para os anuncios comercias de várias empresas torrienses.

A maior parte das edições da "Gazeta..." estão disponíveis online através do site da hemeroteca de Lisboa, de onde retirámos as páginas dessa edição especial que em baixo divulgamos:











(Clicar sobre as imagens para as ler em ponto grande)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Memória da Casa Hipólito - exposição a inaugurar no próximo Sábado no Museu Municipal LeonelTtrindade


de 19 de setembro a 31 de dezembro 2015

Local: Museu Municipal Leonel Trindade 
"A CASA HIPÓLITO marcou todo o século XX de Torres Vedras. Teve origem na pequena oficina de latoaria de António Hipólito  e ao longo do século cresceu, passou por uma fase de esplendor, entrou em decadência e extinguiu-se em 1999.
"Milhares de braços lá trabalharam, tornando próspera a empresa que, pouco a pouco, se firmou no mercado nacional e, a partir da Segunda Guerra Mundial, saíu para o mercado externo com um significativo volume de exportações.
Especializou-se em equipamentos de adega e maquinaria ligeira para a lavoura vitivinícola – o grande sector produtivo do concelho torriense – e em material de queima como fogareiros a petróleo e, mais tarde, candeeiros portáteis “Petromax” e aparelhos de gás.
"Esta mostra expositiva dá a ver um conjunto de objectos, fotografias e documentos que recordam o que foi aquela unidade fabril, - e que fazem parte do Fundo Casa Hipólito que, por iniciativa da Câmara Municipal de Torres Vedras, se encontra à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade". 

Museu Municipal Leonel Trindade
Terça a domingo das 10h00 às 18h00
Praça 25 de abril, Convento de Nossa Senhora da Graça
2560 Torres Vedras

261310485

quarta-feira, 6 de maio de 2015

PROJECTO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE A CASA HIPÓLITO de Joaquim Moedas Duarte


A história do século XX de Torres Vedras está profundamente ligada à História de Casa Hipólito.

Nos últimos dois anos Joaquim Moedas Duarte tem-se dedicado à elaboração da sua tese de mestrado sobre património local, tendo escolhido como tema a importância da Casa Hipólito nessa àrea, estudo alargado igualmente à contextualização histórica dessa empresa industrial.

Moedas Duarte publicou há um ano o seu projecto de tese de mestrado (ESTUDOS DO PATRIMÓNIO : PROJECTO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: (clicar para ler)), onde explica o que pretende com esse estudo.

Esse texto não é uma mera explicação sobre a dissertação, analisando em profundidade o tema da sus tese.

Mesmo que não estivesse prestes a concluir a sua tese, esse texto de divulgação é já de disse uma importante base de informação sobre a importância patrimonial, histórica e social daquela empresa.

A leitura da apresentação do projecto deixa-nos bastante expectante sobre o trabalho final de Moedas Duarte, desejando-lhe um bom trabalho e prometendo voltar ao assunto quando tivermos mais novidades sobre esse importante trabalho de investigação.

Até lá, aqui deixamos alguns documento visuais sobre a Casa Hipólito, uns disponíveis e acessíveis na internet, outros  da nossa colecção particular: