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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Estudo histórico-arquitectónico sobre a Casa Senhorial torriense

Esta obra foi lançada em Torres Vedras em Abril do corrente ano, mas só agora tomei conhecimento da sua edição.
Despertou-me a atenção a capa, uma fotografia da Quinta das Lapas, numa montra da livraria Ferin, em Lisboa.
 
A obra foi editada em Novembro do ano passado pela editora Caleidoscópio e analisa um tema raramente investigado neste concelho, a não ser de forma isolada e meramente descritiva, que é a interpretação arquitectónica e histórica das casa senhoriais da região.
 
O concelho é rico nesse tipo de património, situação que não passou despercebida a uma das autoras, Ana Feliciano, nascida em Torres Vedras e que trabalhou na Câmara de Torres Vedras, leccionando actualmente na Faculdade de Arquitectura, onde leciona igualmente o outro autor do livro, António Miguel Leite (ler biografias no final).
 
O livro faz a contextualização artística, arquitectónica e histórica das casas senhoriais deste concelho, incluindo várias dezenas de fotografias e gravuras para ilustrar o tema.
 
Relativamente ao concelho torriense encontramos referências à Quinta de Santa Margarida no Varatojo, que merece atenção em dois capítulos deste livro, a Quinta da Cadriceira e a Quinta Da Conceição, ambas estudadas mais em pormenor em capítulo próprio, a Quinta de A-Da-Rainha,  a Quinta do Calvel, as Quintas Nova e do Juncal, a Quinta das Lapas, também com capítulo próprio, e um capítulo próprio sobre as várias Quintas existentes junto à localidade do Turcifal.
Para aguçar o interesse dos interessados, em baixo transcrevemos as notas de apresentação publicadas na página da Câmara Municipal de Torres Vedras, por ocasião do lançamento do livro nesta cidade em Abril passado:
“A síntese que agora se publica, “A Casa Senhorial como Matriz da Territorialidade; A Região de Torres Vedras entre o Tempo Medieval e o Final do Antigo Regime”, que enquadra o enorme período que abrange desde o Tempo Medieval até ao final do Antigo Regime, destaca como expressão principal da investigação o significado específico da Casa Senhorial como matriz identitária estruturadora do habitar e do território.
 
“Deste modo, a investigação fez emergir desde o seu início a ideia totalizadora e simbiótica que integra a casa senhorial, paradigmática da construção e organização de uma primária territorialidade, como um todo amplo e contínuo, um todo culturalmente orgânico que tende apenas a poder explicar-se pelas suas múltiplas permeabilidades fácticas e funcionais, realidades essas marcadas pelas inevitáveis circunstancialidades e pragmatismos próprios de uma adaptação contínua às mudanças de tempos e à ausência de uma estrita linearidade racional dos percursos da História.
 
“Assim, constata-se hoje a importância da compreensão destas ‘casas’ para o entendimento da caracterização dos territórios e das paisagens que tenderam a estruturar, realidade que se revela no presente, seja num entendimento historiográfico, seja num mais amplo contexto cultural, fundamental para preservar e potenciar o efectivo capital de memória e identidade que lhes está matricialmente implícito. Na verdade, num tempo em que se valorizam cada vez mais as diferenças e as identidades culturais, a compreensão do significado matricial das casas senhoriais como realidades estruturadoras do território, abre-nos um maior conhecimento sobre o seu significado, realidade que poderá contribuir para uma reflexão mais profunda e para o apontar de caminhos mais operativos para uma efectiva valorização do património, realidade que é hoje, indiscutivelmente, um dos temas centrais de uma qualquer política cultural e um dos modos mais sustentáveis de construir um verdadeiro futuro. 
“Nota Biográfica dos autores
“ANTÓNIO MIGUEL NEVES DA SILVA SANTOS LEITE, Lisboa 1966
Arquitecto, Professor Doutor da FAUL
“Licenciado em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa em 1995, colaborou com o Arq. Victor Figueiredo entre 1993 e 1997 exercendo também, desde 1995, actividade profissional, sendo responsável por diversos projectos de Arquitectura e Urbanismo e por participações premiadas em concursos de arquitectura nacionais e estrangeiros.
“Em 2001 obteve na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa o grau de Mestre em Arquitectura de Habitação, com a Tese “A Influência do Romantismo Alemão no Espaço Arquitectónico, Procura de um Entendimento Crítico de uma Casa Romântica nos seus Múltiplos Significados” e entre 2003 e 2007 foi Bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, obtendo em 2008 o grau de ‘Doutor Europeu’ conferido pela Universidad Politecnica de Madrid, com a defesa da tese “La Casa Romántica; de la Matriz Romántica a un Concepto Acrónico y Operativo en la Contemporaneidad”.
 
“É docente e investigador da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa desde o ano lectivo de 1996/1997, onde tem leccionado disciplinas teórico-práticas de Projecto de Arquitectura tendo orientado em Portugal e no estrangeiro seminários e workshops de projecto de Urbanismo e Arquitectura.
“Escreve para publicações de Arte e Arquitectura, das quais se destaca a publicação em 2014 do Livro “A Casa Romântica; uma Matriz para a Contemporaneidade”.
 
“É actualmente investigador do Centro de Investigação em Arquitectura Urbanismo e Design e tem como principais temas de investigação a Arquitectura Experimental, a Habitação e a Casa Individual, bem como se interessa especificamente sobre os processos e metodologias de Reabilitação Urbana e Arquitectónica como processo de valorização do Património, condição que assume como desencadeante de uma efectiva sustentabilidade sociocultural.
“ANA MARTA DAS NEVES SANTOS FELICIANO, Torres Vedras 1971

Arquitecta, Professora Doutora da FAUTL
“Natural de Torres Vedras, licenciou-se em 1995 em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), trabalhou na Camara Municipal de Torres Vedras entre 1996 e 1997, exercendo também actividade profissional tendo sido responsável por projectos de Arquitectura e Urbanismo e por participações premiadas em concursos de arquitectura nacionais e estrangeiros.
“Em 2001 obteve o grau de mestre no 2º Curso de Mestrado em Arquitectura da Habitação da FAUTL, com a defesa da dissertação “Habitação e Utopia nos Anos Sessenta; As Propostas do Grupo Archigram no Contexto de uma Década de Rupturas”.
“Entre 2003 e 2007 foi bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia e frequentou o Curso de Doutoramento Teoría y Practica del Proyecto do Departamento de Proyectos Arquitectónicos da Escuela Técnica Superior de Arquitectura da Universidad Politécnica de Madrid, onde obteve o Doutoramento Europeu em Arquitectura com a defesa da tese “La Metáfora del Organismo en las Arquitecturas Visionarias de los Años Sessenta; La Obra del Grupo Archigram como Reinvención de un Nuevo Habitar”.
“Desde o ano lectivo de 1997 é docente e investigadora da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa onde lecciona disciplinas de Projecto de Arquitectura, publicando regularmente em revistas e livros de Arquitectura e Urbanismo, bem como tem orientado em Portugal e no estrangeiro seminários e workshops de projecto de arquitectura.
“Entre as suas publicações destaca-se a publicação em 2014 do Livro “A Metáfora do Organismo nas Arquitecturas dos Anos Sessenta; a Obra dos ‘Archigram’ como Manifesto de um Novo Habitar”.
“A autora é igualmente investigadora efectiva do Centro de Investigação em Arquitectura Urbanismo e Design e tem como actuais interesses de investigação a Reabilitação Urbana e Arquitectónica, a Arquitectura Experimental e a Casa e a Habitação num contexto culturalmente alargado.”

quinta-feira, 19 de março de 2015

Edifício da Escola Secundária Henriques Nogueira entre os 52 Finalistas do 3º Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.



Ao longo deste mês estão a ser divulgados os 52 finalistas da 3ª edição do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.

Na edição do suplemento "Imobiliário" do jornal Público de 18 de Março começaram a ser apresentados todos os 52 finalistas, entre os quais está a obra de requalificação da Escola Secundária Henriques Nogueira na categoria "impacto social".

Esta obra de requalificação teve lugar no âmbito do Programa  de Modernização do Parque Escolar, obra concluída em 2013, com projecto de Sousa Santos Arquitectos e construção do consórcio MRG/JJ Tomé/Tecniarte.

Segundo a apresentação da sua candidatura ao prémio, "a reabilitação pretendeu intervir sobre os edifícios existentes, além de introduzir novas valências".


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cassiano Branco em Torres Vedras


Cassiano Branco (1897-1970) foi um dos mais importantes arquitectos portugueses da primeira metade do século XX, ligado ao chamado "Modernismo Português".

Foi autor dos projectos de Cinema Éden, nos restauradores (o original e não o mamarracho actual), do Hotel Vitória (sede do PCP), do Cinema Império ou de vários edifícios na Praça de Londres, tudo em Lisboa, para além do Portugal dos Pequeninos em Coimbra, do grande Hotel do Luso ou do Coliseu do Porto, entre tantos outros projectos.

Facto talvez menos conhecido foi a sua autoria em projectos em Torres Vedras, alguns de caracteristicas discutíveis, como a do edifício "Reinaldo" junto ao Chafariz dos Canos.

O seu edificio mais importante em Torres Vedras foi o do Grémio de Torres Vedras.

A sua colaboração para marcar o urbanismo torriense da década de 60 do século passado concentrou-se no ano de 1963, resultado num conjunto de documentos existentes no Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa e disponíveis na internet, bem como algumas fotografias da sua autoria da Igreja de S. Pedro ou uma foto do largo da Graça.

Estas fotografias, apesar de estarem classificadas junto de documentos de Cassiano Branco, datam, contudo, de anos anteriores. A do Largo da Graça é anterior ao do inauguração do Obelisco (que teve lugar em 1954) e as da Igreja de S. Pedro devem ser ainda mais antigas.

Pelo seu interesse documental, aqui deixamos alguns desses documentos:











quinta-feira, 7 de março de 2013

Morreu o artista plástico Eduardo Nery, com um trabalho seu em Torres Vedras



Falecido no passado dia 2 de Março, o pintor Eduardo Nery tem uma obra da sua autoria em Torres Vedras.

Trata-se do conjunto de azulejos que decora o exterior da antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, hoje um balcão da Caixa Geral de Depósitos, situada na rua 9 de Abril.

Se o edifício, construído nos inícios da década de 70 do século passado, foi um dos primeiros mamarrachos que marcaram a construção urbana em Torres Vedras nas décadas de 70 e 80, situação ainda mais marcante pela inadequada localização do edifício, destruindo o equilíbrio urbano daquela rua, salvou-se essa decoração da autoria de Nery.

Nascido  na Figueira da Foz, o pintor  Eduardo Nery distinguiu-se pela elaboração de decorações de espaços arquitectónicos, usando o azulejo, como no caso torriense, mas também a tapeçaria e o vitral.

Uma referência mais aprofundada à sua obra pode ser lida acedendo, em baixo, ao site da notícia que o jornal Público dedicou em memória desse artista.

Aqui divulgamos também algumas das imagens da intervenção artística de Nery no referido edifício torriense.
 

Morreu o artista plástico Eduardo Nery - PÚBLICO(clicar para ler) .





 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ciclo de Debates - Mais Vida No Centro Histórico :



Reproduzimos aqui a nota à imprensa da Associação de Defesa do Património sobre esta iniciativa por si organizada, e que tem início no próximo Sábado:

"Mais Vida no Centro Histórico
"A Associação do Património de Torres Vedras vai realizar no auditório municipal (Av. 5 de Outubro), durante os meses de Março, Abril e Maio, um CICLO DE DEBATES em torno da revitalização do Centro Histórico. Os debates estão agendados aos Sábados pelas 16h, nas seguintes datas e temas:

"• 10 Março
"O papel dos cidadãos na revitalização dos Centros Históricos

"• 24 Março
Espaços devoluto, novos usos culturais e criativos

"• 14 Abril
Memórias do Centro Histórico

"• 28 Abril
Arquitetura e Urbanismo

"• 12 Maio
Economia e Inovação Social

"A Associação do Património de Torres Vedras vê com preocupação a crescente crise que atinge o Centro Histórico da nossa cidade e tem procurado intervir na procura de soluções. Com esta iniciativa a ADDPCTV pretende atrair o contributo dos cidadãos interessados na revitalização do Centro Histórico, que como se sabe passa atualmente por um processo de requalificação através do programa “Torres ao Centro”.

"O ciclo de debates contará igualmente com o suporte de um conjunto alargado de reflexões que vêm sendo publicadas no jornal Badaladas, na coluna “Patrimónios”, e cujo teor importa trazer para discussão pública. Partindo da esfera das ideias é também nosso objetivo a apresentação de soluções exequíveis tendo em conta as dificuldades atuais em que se encontra o país e os municípios.

"No final do Ciclo de Debates 2012 Mais Vida no Centro Histórico será editada uma monografia contendo os principais resultados e conclusões, a qual será enviada posteriormente aos órgãos autárquicos, comunicação social e demais partes interessadas.

"10 Março
"O papel dos cidadãos na revitalização dos Centros Históricos

"Nesta que é a sessão inaugural do ciclo de debates, contaremos com a presença da Eng.ª Carmen Quaresma (Coordenação da Estrutura de Gestão e Implementação do Torres ao Centro - Unidade de Apoio Técnico) que fará o ponto de situação relativo ao programa, bem como nos dará conta dos resultados do 2º Fórum de Participação Pública do Torres ao Centro.

"24 Março
"Espaços devolutos, novos usos culturais e criativos

"O uso socialmente diverso destes espaços pode originar oportunidades tais como: arrendamento habitacional a preços acessíveis; projetos no âmbito da economia social; espaços destinados a práticas artísticas, culturais e criativas emergentes; oficinas/loja de artesanato local; locais de ensaio para projetos musicais; acolhimento de novas associações ou grupos informais; projetos temporários...Os convidados desta sessão trazem a sua experiência para em conjunto refletirmos acerca de estratégias coletivas que contribuam para a revitalização do Centro Histórico. O Arqº José Manuel Lopes (Gabinete do Centro Histórico de Torres Vedras) dará conta do trabalho efetuado por este gabinete na identificação e caracterização de imóveis devolutos. Carlos Heinrich, artista e ativista, tem uma longa experiência em ocupação artística de edifícios devolutos, sendo por isso um importante contributo neste debate.

"Serão também convidados a uma participação mais ativa no debate, movimentos cívicos e cidadãos empenhados na revitalização do Centro Histórico".