quinta-feira, 19 de maio de 2011

TURRES VETERAS - XIV - História da Saúde e das Doenças - Torres Vedras, 20 e 21 de Maio


Encontro Internacional
TURRES VETERAS XIV
História da Saúde e das Doenças

Torres Vedras
20 e 21 de Maio de 2011
Auditório Paços do Concelho

PROGRAMA

Dia 20 de Maio de 2011
(Sexta-Feira)

09h.00 – Recepção dos Participantes
09h.30 - Cerimónia de Inauguração
10h.00 – Comunicação
História dos sistemas e das políticas de saúde
Constantino Sakellarides (ex-Director Geral da Saúde e actual Director da Escola Nacional de Saúde Pública)
10h.30 – Comunicação
História da medicina e do pensamento médico
Manuel Valente Alves
(Director do Museu de Medicina da Faculdade de Medicina de Lisboa)
11h.00 – Comunicação
Assistência aos doentes na Idade Média
José Varandas
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
11h.30 – Comunicação
A medicina castrense durante a Idade Média
Pedro Gomes Barbosa
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
12h.00 – Debate

13h.00 – Almoço

15h.00 – Comunicação
A Pneumónica de 1918 e o seu impacto no concelho de Torres Vedras
Venerando de Matos
15h.30 – Comunicação
A doença entre poderes paralelos: Câmara Municipal e Misericórdia
Célia Reis
16h.00 – Comunicação
A Mortalidade Infantil na Casa Real Portuguesa (séculos XII-XVIII)
Paulo Drumond Braga
(Instituto Almeida Garrett)
16h.30 – Debate
17h.00 – Intervalo
17h.30 – Comunicação
Salud, forma física y enfermedad en Lord Byron
Agustín Coletes
(Universidade de Oviedo)
18h.00 – Comunicação
Medicamentos e cosméticos em Portugal na primeira metade do século XX: do tratamento das doenças dos nervos à conservação da beleza
João Rui Pita; Joana Sá Ferreira
(Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra)
18h.30 – Comunicação
Medicina, Higiene e Cosmética na Publicidade do Badaladas: 1948-1958
Isabel Drumond Braga
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
19h.00 – Debate

Dia 21 de Maio de 2011
(Sábado)

10h.00 – Comunicação
Da Arte de Enfermeiro". Escola de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca (1881-2004): aspectos da sua história
Ana Isabel Pires da Silva
10h.30 – Comunicação
A deficiência é uma doença?
Francisco Carvalho
(Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
11h.00 – Debate
11h.15 - Intervalo
11h.30 – Comunicação
Consciência Sanitária em Portugal nos séculos XVIII e XIX
João Cosme
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
12h.00 – Comunicação
Política de implantação de escuelas para regeneração moral e social numa comarca do Norte da Extremadura espanhola nos sécs. XVIII e XIX
José Pablo Blanco Carrasco
(Universidade da Extremadura
Cáceres)
12h.30 - Debate

13h.00 – Almoço

15h.00 – Comunicação
A Alimentação dos Enfermos nos Hospitais de Coimbra: séculos XVIII e XIX
Maria Antónia Lopes
(Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
15h.30 – Comunicacao
Saúde, saúde pública e determinantes de saúde – no fio do tempo
Teodoro Briz
(Escola Nacional de Saúde Pública)
16h.00 - Intervalo
16h.30 – Comunicação
Doenças raras: uma visão contemporânea
Luís Nunes
(Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa)
17h.00 – Debate
17h.30 - Encerramento
Lançamento das Actas
Turres Veteras XIII: A vida quotidiana nas Linhas de Torres Vedras

COMISSÃO DE HONRA

O Presidente dos conselhos Directivo e Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
António Maria Maciel de Castro Feijó

O Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras
Carlos Manuel Soares Miguel

A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras
Ana Umbelino

O Presidente da Turismo Oeste
Dr. António Carneiro


COMISSÃO EXECUTIVA

Pedro Gomes Barbosa (Presidente)
António Balcão Vicente
Carlos Guardado da Silva
Cecília Travanca
Célia Reis
Isabel Drumond Braga
João Cosme
Maria Manuela Catarino
Pedro Marujo do Canto
Sandra Rodrigues Silva
Vasco Gil Mantas
Venerando Aspra de Matos

ORGANIZAÇÃO

Câmara Municipal de Torres Vedras
&
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa




sábado, 14 de maio de 2011

Iniciativa Legislativa de Cidadãos - Lei contra a Precariedade

No âmbito da Iniciativa  Legislativa de Cidadãos, promovida pelos grupos cívicos M12M, Ferve, Precários Inflexíveis, Geração à Rasca - Porto e Plataforma dos Intermitentes dos Espectáculo e do Audiovisual, um grupo de cidadãos do Oeste (Geração à Rasca - Oeste) vai no próximo dia 21 em Torres Vedras recolhar assinaturas para levar à discussão e aprovação na  Assembleia da República a  " Lei Contra a Precariedade ".  Para mais informações ver http://www.leicontraaprecariedade.net/.

Saiba o que é, como se forma, e como pode ser aplicada a Iniciativa Legislativa de Cidadãos em http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/LeiIniciativaLegislativaCidadaos.aspx.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

É HOJE LANÇADA A SEGUNDA EDIÇÃO DE "TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA"

´
É HOJE O LANÇAMENTO DA SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO DE JÚLIO VIEIRA, "TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA".
ESTA OBRA FUNDAMENTAL DA HISTORIOGRAFIA TORRIENSE FOI EDITADA PELA PRIMEIRA VEZ EM 1926 E DESDE HÁ MUITO QUE SE ENCONTRAVA ESGOTADA.
JULIO VIEIRA, UMA DAS FIGURAS MAIS ACTIVAS DA VIDA JORNALÍSTICA, POLÍTICA, ECONÓMICA E CULTURAL DO PRIMEIRO QUARTEL DO SÉCULO XX, FALECEU POUCO DEPOIS DA EDIÇÃO DESTA OBRA QUE, JUNTAMENTE COM A OBRA DE MADEIRA TORRES, ESCRITA CERCA DE CEM ANOS ANTES, COM UMA REEDIÇÃO ANOTADA NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX , CONTRIBUIU PARA A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO HISTÓRICO DA IDENTIDADE TORRIENSE.
ESTA SEGUNDA EDIÇÃO FOI ANOTADA POR CARLOS GUARDADO SILVA E POR OUTRO AUTOR TORRIENSE, E O SEU LANÇAMENTO VAI CONTAR COM A PRESENÇA, PARA A APRESENTAR, DE D. MANUEL CLEMENTE.
ESSA SESSÃO TERÁ LUGAR LOGO PELAS 18 HORAS NOS PAÇOS DO CONCELHO.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ensemble de Arcos actuam 6ª feira no Teatro-Cine



Do Amor e do Diabo
Concerto com projeção de imagem

Sexta-feira, 6 de Maio de 2011, ás 21.30h, no Teatro Cine de Torres Vedras:

programa:

I. Stravinsky (1882-1971)
Suite História do Soldado (redução de I.Stravinsky para Clarinete, Violino e Piano)
I. Marcha do Soldado
II. O Violino do Soldado
III. Pequeno Concerto
IV. Tango - Valsa
V. A Dança do Diabo

N. Côrte-Real (1971-)
Largo Intimíssimo, op.29

J. Brahms (1833-1897)
Quarteto para piano e cordas nº2 em Lá Maior, op.26
I. Allegro non troppo
II. Poco adagio
III. Scherzo. Poco allegro
IV. Finale. Allegro

Os Ensemble Darcos são:
Fausto Corneo – clarinete
Gaël Rassaert – violino
Reyes Gallardo – viola
Filipe Quaresma – violoncelo
Helder Marques – piano

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Torres Vedras também está na "Legislação Régia".

Está disponível, a partir de hoje, no site do Parlamento, toda a legislação régia portuguesa publicada entre 1603 e 1910.

Basta clicar em : Legislação Régia.

Colocando depois a palavra "Torres Vedras" na pesquisa podemos aceder a uma série de documentação oficial relacionada com esta cidade.

OBRAS PARADAS NA HENRIQUES NOGUEIRA: Novopca entra em processo de insolvência

(Fotografia de Ana Isabel Miguel)

Novopca entra em processo de insolvência Económico (clicar para ler a notícia).

domingo, 24 de abril de 2011

TORRES VEDRAS E O 25 de ABRIL

O 25 de Abril em Torres Vedras – O Regresso ao Futuro


“TORRES VEDRAS: 15 000 habitantes na vila e 60 000 no concelho (…) 412 km de rede de comunicações; 68 000 000 de litros de produção vinícola, 10 000 000 kg de trigo; 14 000 000 kg de batata; um comércio poderoso e uma indústria em desenvolvimento” (só a Casa Hipólito empregava então 1028 pessoas), “4 000 alunos diariamente nas escolas da vila” (1).

Estes eram alguns dos índices que caracterizavam a então vila de Torres Vedras, em vésperas do 25 de Abril, o comunidade a quem faltava “o golpe de asa que torna perenes ou inesquecíveis as iniciativas. Aquele tipo de vontade colectiva que ergueu uma Colónia Balnear Infantil, uma Física, um Cineclube e que, ainda hoje, realiza um Carnaval. O que acontece para lá da rotina é fruto de vontades isoladas e surge como sucesso do acaso. A carcaça está vazia de humanismo e de interioridade. Onde está o rasgo, a lucidez, a alegria, a juventude que transforma as pequenas coisas oferecendo-lhe um significado social duradoiro? Onde está o futuro e que futuro?”, interrogava-se o articulista António Augusto Sales sobre Torres Vedras, uma terra para quem “até os jovens abdicam à nascença” (2).

No início de 1974 eram mais as dúvidas que as certezas, perante a evidente derrocada da chamada “primavera marcelista”, o arrastar, sem solução, da guerra ultramarina e o ainda quente, mas frustrante, processo eleitoral de 1973.

Num ano marcado pela crise económica, evidente nas restrições impostas ao uso da gasolina e no seu aumento de preço, notava-se um crescente mal-estar na sociedade portuguesa. Nem a censura conseguia disfarçar a falência do regime.

O debate sobre o IV Plano de Fomento, para vigorar de 1974 a 1979, permitia alguma intervenção crítica que deixava transparecer algum descontentamento sobre a realidade torriense. O Dr. Afonso de Moura Guedes, num artigo intitulado “Torres Vedras – o desenvolvimento que não se fez” (3), interrogava-se sobre a razão pela qual o desenvolvimento de Torres Vedras tinha sido marginalizado naquele Plano, concluindo:

“Administrar, nos tempos que correm, exige largueza de perspectivas, imaginação, capacidade criadora, ia a dizer audácia (…).

“Em relação ao nosso meio local, creio que, tudo isso, teria exigido a realização prioritária de três políticas globais: uma política urbanística e de solo; uma política rodoviária; uma política industrial.

“Uma política urbanística e de solos que, corajosamente, pusesse cobro ao que há de sufocante e de caótico no desordenado crescimento da vila e a essa vergonhosa especulação de terrenos, que aqui ocorre, sacrificando toda a população ao proveito de muitos poucos.

“Uma política rodoviária que estabelecendo toda uma rede efectiva de ligações, no espaço inter-regional, permitisse uma cómoda e rápida circulação interna, de pessoas e de mercadorias, assegurando, deste modo, a Torres Vedras, a posição, a que tem direito, de pólo de desenvolvimento do Oeste.

“Uma política industrial que, começando por definir uma zona industrial, soubesse ordenar, depois, toda a estratégia conjugada de acções, susceptíveis de criarem condições favoráveis à implantação de novas indústrias, no nosso meio (…).

“Pois foi tudo isso que não se fez, como reflecte o Plano de Fomento. O desenvolvimento que não se fez. Que não se soube construir como projecto de futuro. O comboio que mais uma vez se perdeu”.

As animadas sessões da campanha eleitoral de 1973 foram para muitos dos jovens torrienses de então, o primeiro contacto com a realidade política desse tempo. Para muitos foi a primeira vez que se depararam com a acção repressiva do regime, com a presença e actuação em Torres Vedras da célebre Polícia de Choque. O encontro coma Polícia de Choque voltar-se-ia a repetir em 20 de Janeiro de 1974, em frente do cemitério de S. João, por ocasião da romagem convocada pela oposição, muito dominada pelo PCP, à campa do antifascista torriense, natural do Pául, Fernando Vicente. Surpreendentemente o convite para a população participar nessa romagem foi publicado nas páginas do jornal Badaladas, escapando assim às atenções da censura, podendo ler-se nessa convocatória:

“Ali, entre ciprestes, pelas 11 horas do dia 20 de Janeiro, num minuto de recolhimento, a vida não parecerá aquele vazio do quotidiano, sem ideias, apenas virada para a materialidade da existência.

“Fernando Vicente merece a simples homenagem póstuma que lhe vai ser tributada” (4).

Foram alguns os torrienses com coragem para comparecer a essa romagem, mesmo assim menos que os “pides” e polícias de choque, que aí também estiveram presentes…mas por razões diferentes.

Também as escolas secundárias do concelho conheciam pela primeira vez alguma agitação política, através da distribuição clandestina de propaganda política, motivando interrogatórios a vários alunos e professores “suspeitos” e a intervenção de elementos da PIDE na vida escolar. Segundo consta, terá mesmo sido elaborada uma lista de alunos e professores a deter no 1º de Maio de 1974, acção que acabou por não se concretizar por causa do 25 de Abril. A lista nunca foi encontrada. Provavelmente ficou no meio da muita documentação destruída pela PIDE naquele dia.

Em vésperas do 25 de Abril também várias colectividades locais, como o Cineclube e o Clube Artístico e Comercial, conheceram alguma intervenção política e cultural de critica ao regime.

Na noite de 24 de Abril muitos de nós fomos para casa tardiamente após assistirmos a mais uma das concorridas sessões do Cineclube, no Teatro-Cine, o filme de Jerry Lewis “O Morto era Outro”, longe de se imaginar, à hora de saída do cinema, que o 25 de Abril já estava em movimento.

Pessoalmente fui acordado às 8.30 da manhã desse histórico 25 de Abril pelo meu pai, eufórico com os acontecimentos. Durante todo o dia foi um rodopio entre a escola, entretanto encerrada, a casa de amigos e a minha casa para ouvir os comunicados difundidos pela rádio, pois a televisão só iniciou as emissões por volta da 7 horas da noite. À noite realizou-se em Torres Vedras um primeiro comício no Largo da Graça, onde ainda se manifestavam alguns receios sobre o desfecho do movimento militar.

“Quando olho o longo caminho percorrido cheio de ásperos reveses, perseguições e mediocridades; quando subindo ali o Forte, te contemplo crescendo em todos os sentidos caoticamente envolto pelo desprezado Sizandro; quando imagino o que és e o que poderias ter sido, eu me entristeço, Torres Vedras.

“Vila verde, pintada a esperança pelos vinhedos, doirada pelo recorte impar das tuas penedias bravias em Santa Cruz; retalhada impiedosamente pelos crimes do mau urbanismo imposto por certos conhecidos pimpões ultramontanos, quase te desconheço Torres Vedras.

“Vila calada e cansada por anos de paz podre, das divisões estéreis às mesas dos cafés, onde raramente qualquer pedra agitava a calma estagnação dos teus sonhos adormecidos, pálida vila estremenha onde através da inoperância dum arranjismo sob organizado ias crescendo angustiada sob um colete-de-forças tecido de mentiras, ameaças, e subornos.

“Hoje és livre.” (5).

Na tarde de 26 de Abril as ruas de Torres Vedras foram percorridas por uma grande manifestação popular de aclamação e apoio ao Movimento das Forças Armadas, onde se destacavam os cartazes com a fotografia do General Spínola.

“Em 26 de Abril quando ali na Avenida 5 de Outubro o Povo bom e simples de Torres Vedras dava largas à sua alegria, verificou-se a sua maturidade, devoção e patriotismo. Maturidade que sempre foi negada por aqueles que nem sempre serviram com dignidade os seus postos.

“Antes pelo contrário, deles se servindo para os seus interesses pessoais.” (6).

Em 28 de Abril, na sala do Clube Artístico e Comercial, reuniu-se a Comissão Concelhia do CDE, força unitária da oposição saída das eleições de 1973 e que unia grande parte da oposição local, embora liderada pelo PCP. Nessa reunião, aberta a todos os cidadãos, e que foi muito concorrida, fazendo transbordar a sala daquela colectividade, iniciou-se o processo de transferência do poder concelhio para as forças democráticas, da qual saiu uma primeira comissão para preparar essa transferência e se aprovou um “Manifesto ao Povo do Concelho de Torres Vedras”, no qual se abordavam algumas das situações mais gravosas para o concelho, herdadas do regime deposto:

“Os graves problemas sempre adiados e jamais resolvidos, como os da electrificação, distribuição de água canalizada, abertura de caminhos e estradas nas aldeias e aglomerados do Concelho, ou de um plano de urbanização jamais posto em execução, jamais cumprido, com relevância para o tráfico de imóveis feito por uns tantos que sempre se serviram das Câmaras Municipais no seu directo interesse pessoal, o acumular de desonestas riquezas pela valorização artificial de terrenos (por exemplo os de Santa Cruz), pelas “prioridades” dadas ao asfaltamento de estradas e ruas onde os apaniguados do regime tinham as suas moradias e interesses particulares em detrimento dos interesses colectivos; (…) a poluição do rio Sizandro lesiva do interesse da populações, com relevância para as de Runa, em que certas empresas particulares têm graves responsabilidades de conivência com organismos “ainda” oficiais (…)”(7).

A transferência do poder concelhio não foi isenta de conflitos e situações caricatas.

Logo a 29 de Abril o executivo camarário “salazarista” ainda em funções reuniu-se e aprovou, numa manobra de puro oportunismo político, uma moção de adesão ao programa da Junta de Salvação Nacional, atitude logo na ocasião denunciada por vários torrienses que assistiram a essa tão caricata sessão. Esse executivo camarário oriundo do regime deposto reuniu pela última vez no dia 13 de Maios, continuando, até essa data, a deliberar como se nada se tivesse passado, talvez ainda esperançado no resultado de branqueamento ensaiado por alguns dos seus membros através de um conjunto de artigos de auto justificação publicados no semanário local “Badaladas”, imediatamente desmascarados por vários democratas de sempre, entre os quais António Augusto Sales:

“Quem na devida altura não teve, pelo menos, a coragem de dizer NÃO, perdeu a oportunidade. Isto é, quem, na ex-vereação não teve a coragem de se demitir depois de verificar a impossibilidade de fazer um trabalho equilibrado perdeu a oportunidade de se descomprometer com as irregularidades e arbitrariedades (…). É preciso que todos nos convençamos que Portugal mudou mesmo. É preciso que não nos deixemos iludir com histórias da carochinha. Durante quarenta e oito anos muita gente passou fome porque não quis colaborar; muita gente perdeu anos de vida nas cadeias porque não quis colaborar; muita gente viveu uma existência de sobressalto porque não quis colaborar; muita gente perdeu empregos, família, glórias, dinheiro, comodidade, sossego e liberdade apenas porque se negou a colaborar. Hoje, no segundo mês da libertação, não podemos permitir que sejam confundidos estes com os outros. Seria criminoso” (8).

Num plenário realizado no 1º de Maio no campo de jogos do Sport Club União Torreense, foi eleita uma comissão para gerir a Câmara, constituída por 18 pessoas. Dois dias depois essa comissão reuniria com o capitão Vítor Manuel Ribeiro, delegado da Junta de Salvação Nacional. Por sugestão deste foi aquela comissão reduzida para 9 membros que ficaram a constituir o elenco da Comissão Administrativa Municipal, sendo eleito para a presidir Francisco Manuel Fernandes, coadjuvado por António Leal d’Ascensão, João Carlos, José do Nascimento Veloso, Duarte Nuno Pinto, Manuel Carlos Penetra, José Sérgio Júnior, Marcos Santos Bernardes e Carlos Augusto Bernardes. Esta comissão administrativa tomou posse do seu cargo em 15 de Maio, no Governo Civil de Lisboa, reunindo oficialmente pela primeira vez em 20 de Maio.

“Depois da euforia dos cravos vermelhos, de reuniões contínuas e esclarecedoras, urge que se faça o ponto da situação. O trabalho espera-nos. Vamos a ele! (…).

“À inflação da palavra terá de suceder o estudo dos problemas e a respectiva solução às realidades que nos cercam.

“Longas milhas começam com o primeiro passo – diz um ditado chinês.

“Pois os primeiros passos estão a ser dados com firmeza e as longas milhas serão vencidas através do Tempo, sem o qual nada de duradoiro se pode fazer” (9).

Os dados do futuro estavam lançados!

Venerando António Aspra de Matos

(1) SALES, António Augusto, “Das muitas e variadas leituras que alguns acontecimentos de 1973 podem oferecer (…), in Badaladas de 16 de Março de 1974;
(2) SALES, Idem, idem;
(3) MOURA GUEDES, Afonso de, “Torres Vedras – o desenvolvimento que não se fez”, in Badaladas, 26 de Janeiro de 1974;
(4) “Romagem à campa de Fernando Vicente – Convite”, in Badaladas de 19 de Janeiro de 1974;
(5) MATOS, Venerando Ferreira de, “Torres Vedras e o Futuro”, in Badaladas de 4 de Maio de 1974;
(6) MATOS, Idem, Idem;
(7) Manifesto ao Povo do Concelho de Torres Vedras aprovado em 28 de Abril de 1974 e editado em folheto;
(8) SALES, António Augusto, “Saber com quem estivemos para saber com quem estamos”, in Badaladas de 29 de Junho de 1974;
(9) MATOS, Venerando Ferreira de, “Nortadas”, in Badaladas de 27 de Julho de 1974.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

...E Também Fotografias:

A Cooperativa de Comunicação e Cultura inaugura amanhã, Sábado 9 de Abril, pelas 18.30, uma exposição do fotógrafo João Serra.
A exposição pode ser visitada até 14 de Maio.

Mais informações sobre esse evento e o seu autor podem ser consultadas AQUI.

...AMANHÃ HÁ MUSICA NA "COOPERATIVA"...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

NO DIA NACIONAL DOS MOINHOS - Moinhos do Oeste (Zona do Maxial)


No cimo de montes e serras, eles parecem guardiões dos férteis vales do oeste, embelezados no Outono pelos tons avermelhados dos vinhedos.

São os moinhos do oeste, cuja origem se perde em penumbra secular, à volta dos quais nasceram lendas, escreveram-se histórias, viveram-se amores e ódios.

Conta-se que foram usados para disfarçar peças de artilharia quando das invasões francesas.

Existem várias versões sobre a sua implantação na Península Ibérica. Uns atribuem-na aos árabes, outros aos cruzados cristãos. De concreto, sabe-se que a primeira referência à existência, na Europa, de um moinho de vento, de eixo horizontal, foi registada em Inglaterra em 1185. Em Portugal a sua presença é identificada pela primeira vez num documento de 1303.

Os moinhos do oeste seguem, em geral, o modelo mediterrânico: uma torre de pedra cilíndrica, em alvenaria, com a base ligeiramente maior, de dois pisos, porta virada a sul e tecto de forma cónica, apoiando o eixo horizontal, onde se fixam quatro velas de tela.

O funcionamento desses belos e mágicos monumentos lembra velhos veleiros, lutando contra o vento no meio de montes ondulantes.

São cada vez em menor número os moinhos a funcionar na região, mercê da modernização da indústria de moagem. Daí que assistir ao trabalho do moleiro seja um raro e fascinante espectáculo , cheio de poesia, embalada na musicalidade característica dirigida pelo som dos búzios, nos mastros em movimento.

Feitos de cantarinhos em cerâmica, ou apenas de pequenas cabaças ou canas rachadas, os búzios parecem dar vida própria a cada moinho, levando-nos ao mundo maravilhoso de D. Quixote de La Mancha.

Correr o nosso Oeste, observando os velhos moinhos, aproveitando as tarde ensolaradas deste início de Primavera , é um prazer cada vez mais raro, numa paisagem invadida pela nova geração dos gigantescos, futuristas e friamente metálicos moinho eólicos, que agora cobrem, com a sua sombra, o espaço daqueles velhos sobreviventes.













segunda-feira, 28 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Recordar o velho e abandonado Choupal, neste Dia Mundial da Árvore

Comemorando-se hoje o Dia Mundial da Árvore, aqui recordamos o nosso velho e abandonado Choupal, que espera há anos pelo cumprimento de tantas promessas e que está em risco de cair no esquecimento dos torrienses.
O Parque Verde da Várzea contribuiu em parte para esse esquecimento, mas penso que o desenvolvimento e renovação do Choupal podia ser um contributo para favorecer uma "cintura verde" em Torres Vedas que, começando no Parque da Várzea, teria o seu prolongamento no Choupal, ligado pelo Parque de Exposições e, a partir do Choupal, continuando até às Termas dos Cucos, passando pelo Bairro Arenes, com ciclovias e outros centros de lazer.
Sei que existem planos para essas zonas, mas a sua concretização começa a tardar, correndo o risco de cair no esquecimento, na voragem da actual crise económica.
Homenageamos pois aqui o nosso Choupal, atarvés da divulgação de um conjunto de notícias e documentos onde se refere a importância daquele espaço nos último duzentos anos:








O Choupal na História. 
"A varzea fronteira a S.Miguel, é conhecida pelo Choupal , pelo Jardim ,ou pela Alameda da Senhora do Ameal. Este sitio da Senhora do Ameal chamou-se em tempos remotos do Pinheiro parecendo que houve ali no começo da monarquia algum aglomerado de casas ,como ainda hoje ha ,que se chamaria Aldeia da Ruyna ou da Ruína ,como se depreende do arquivo da Misericordia (maço dos doc. especiais , nº 13 )."(J.Vieira ,Torres Vedras Antiga e Moderna, 1926. ,p.203)

As primeiras àrvores implantadas no Choupal eram anteriores a 1789:
"Nesta Villa (...) Della sahe huma vistosa rua para a ponte de El-Rei toda cercada , e copada de arvoredos ; e outra igualmente vistosa , e formosiada de ambos os lados com arvores ,sahe da mesma villa para o Templo ,ou Sanctuario da Senhora do Amial ,que se avista da Villa.Sem exaggeração se póde dizer ,que nestas duas entradas e sahidas de Torres Vedras excede muito esta Villa a todas ,e ainda a grandes Cidades do Reino."(Frei Manoel de Maria Santissima ,"Historia (...)do(...) Varatojo" ,Porto , ed. 1799 , p.6)


Consequências das Invasões Francesas
“Não contemporizámos com nenhuma casa, jardim, vinha, oliveira, matas ou propriedade particular de qualquer espécie. A única barreira à área sob fogo ainda existente é aquela magnífica alameda de velhas árvores no desfiladeiro de Torres Vedras. O juiz de fora e os habitantes pediram-me tanto pelo último momento, com receio que fossem cortadas desnecessariamente que acedi adiar a operação até ao dia anterior da entrada das tropas. Como tenho homens de confiança com machados prontos no local não tenho qualquer dúvida que elas serão abatidas a tempo e horas. Os pinhais nas colinas de Torres já foram abatidos e transformados em trincheiras”.
(major John Jones citado por A.H.Norris e R.W. Bremner, The Lines of Torres Vedras, Lisboa 1986, p.16, segundo tradução de Thomas Croft de Moura).

Recuperar o que se perdeu com a guerra
"E na ditta  vereação se fez arrematar parte da madeira do concelho a requerimento do Procurador do mesmo, a qual se achava cortada em varios Passeios dest villa por ordem dos officiaes Melitares Inginheiros Inglezes porque a altura e grossura das madeiras incubrião sertos pontos de vista às fortificações circumvezinhas"( Livro nº24 dos Acordãos da Câmara , f.221 V. ,de 11 de Maio de 1811)


Defender as Árvores
"Acordão-Que toda a Pessoa que cortar , arrancar ,ou abalar alguma Arvore silvestre plantadas agora na Entrada desta villa em chão do concelho , e aonde já estiverão outras que pella ocazião das Invazões fes necessario o seu corte ,será prezo por trinta dias , e da cadeia pagara seis mil reis por cada huma (...)(Livro nº 25 dos Acordãos da Câmara ,f. 46 (?) ,de 26 de Fevereiro de 1814).


Acordão de 5 de Fevereiro de 1834 fala nos Salgueiros da "Vargea do jardim" (Livro 26 , f.374)


"(...)No outro campo situado ao Norte da Villa,o denominado a Varzea da Feira ,ou de N.Senhora do Ameal,se faz annualmente huma feira pelo S.Pedro ,a qual he de grande concurso (...)Talvaz nenhuma feira tenha huma situação tão aprazivel, e commoda (apezar de ter perdido singular commodidade , e belleza da sombra ,pelo córte de arvoredo desde a sahida da Villa , porque he collocada sobre hum largo campo cortado de diversas estradas , e de dois rios ,proximo a huma fonte , e a hum chafariz ,e entre duas Igrejas nas suas extremidades do Norte , e Sul"(p.282-bis)
"Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras por Manoel Agostinho Madeira Torres - Parte Economica " in Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa ,1835, pp.231-313).


"(...) E na mesma vereação ordenarão que para maior commodidade dos feirantes da Feira de São Pedro desta villa se observase a para bem do Povo o seguinte regulamento de Policia da mesma Feira.Que as Lojas de mercadoria e quais outras que armarem Barraca se formassem debaixo do Arvoredo junto a Feira do Jardim segundo a ordem que lhe for dada nesse acto pelos vereadores encarreados desta commição .
"E que a Vargea entre a Regueira e o Rio fica destinada para a venda de Gado(...)"(Livrº27 ,f.26 ,6 de Junho de 1835).

"(...)Ordenarão que se procedese immediatamente ao concerto do cano que encaminha as Agoas da Fonte do Jardim ao chafariz de São Miguel visto o estado ruinozo em que se acha e prejuiso que soffrem as Arvores ali plantadas"(Livro nº27 ,de 4 de Maio de 1836 ,f.70 v.).

"(...)E na mesma vereação foi presente hum requerimento dos Tendeiros e Quinquilheiros huns residentes nesta villa outros de fora della em que pedem a bem da utilidade publica se remova para a Vargea do Jardim a Feira que se custuma fazer na Vargea denominada da Feira ,em attenção a utilidade que lheresulta de não se estragarem suas Fazendas ,haver ali duas Fontes e o rio de que tirão as maiores vantajes como a todos he notorio , e tomando a camara em consideração seu requerimento.Deliberarão que em utilidade publica defferem o seu requerimento passado se os competentes Editais pelos quais se faça publico a ditta transferencia (...)"(Lº 27,de 22 de Julho de 1837 ,f.136).

"(...) E na mesma vereação (era presidente da Camara Estevão José da Silva) por toda a camara unanimemente foi declarado que lhe constava ter ficado de nenhum effeito a deliberação que tomou e deste Livro consta sobre a mudança da Feira Nova da Vargea Grande para a Vargea do Jardim cuja deliberação se havia feitto o requerimento dos Povos , e em attenção a utilidade dos mesmos sendo certo que o Administrador deste Concelho Antonio Jacinto da Gama Leal por sua determinação mandara rasgar os Editais desta camara que se havião affixado nos lugares publicos.Sendo tambem certo que f.141 que estes Editais forão arrancados pelo official do Porteiro em comparia (sic) do official da Administração Jose da Silva Bizarro , e no lugar em que forão arrancados estes Editais foram afixados outros Editais assignados pelo ditto Ademnistrador do Concelho pelos quais obriga aos Povos não cumprão a deliberação da camara devendo armar a Feira aonde d'antes era com pena de que aquelle que assim a não cumprise ser auttoado e tido como perturbador do Socego publico e desobediente as Authoridades.E porque esta camara se resente de tal procedimento ja pelo acto indecoroso e ja pela colisão em que poem esta camara para com os Povos de não ser obedecida em suas deliberações .Determinarão que se participase este acontecimento ao Ex.mo Snr. Ademnistrador Geral e igualmente se recorrese a Sua Magestade pela Secretaria dos Negocios do Reino medidas para que esta camara possa cumprir suas atribuiçoens sem que o Admnistrador do concelho pretique tais excesos. Documentando-se esta representação com a copia do Edital do mesmo Ademnistrador e certidão do mesmo Porteiro que praticou o arrancamento(...)" (Lº 27 ,f.s. 140v. e 141 de16 de Agosto de 1837)


"Na mesma sessão ordenarão que attendendo ao maó estado em que se achão os Salgueiros - à Vargea do Jardim - os quais por sua antiguidade so tem a casca e muitos d' elles estão cahindo ,fossem arrancados , e em seu lugar se plantassem outros novos"(Livro 28 dos Acordãos da Câmara ,de 8 de Fevereiro 1845).

"Nesta sessão foi proposto pelo Presidente desta Camara , que também o he da Commissão encarregada da fiscalização boa ordem e arranjo das Feiras , e Mercados, que se fazem nesta villa ,e seu limite.Que tendo requerido os Feirantes ,Canquilheiros e tendeiros volantes a mudança da feira ,que annualmente costuma fazer-se em o primeiro Domingo passado o dia 15 de Agosto ,da Vargea Grande ao sul da villa ,para a Vargea do Jardim ao Norte d'ella attendendo ás muitas comodidades que resultão desta mudança não só para os Feirantes mas para o Povo , que concorre á mesma Feira ,por ali se encontrarem sombras ,abundancia d'agoa , e outras circonstancias de grande utilidade ,que : sucedendo que no anno de mil oitocentos e trinta e sete ,foi por Accordão concedida esta mudança em defferimento ao requerimento que foi presente á camara que então servia(...) (Lº Aª nº 28 ,19 de Julho de 1845).(resolução aprovada pelo Governo Civil em Fevereiro de 1846).

"Tendo o governo reconhecido as vantagens que resultão a agricultura e artes ; e ao comercio da abundancia de Arvoredos ,que ultimamente tem soffrido grande diminuição (...) e querendo obstar a continuação de semelhante mal proporcionar às Camaras Municipais as sementes necessarias não só para as distribuir pelos administradores ,mas para procederem ás competentes plantações nos terrenos concelhios : acaba de resolver ,que pela Inspecção Geral das Mattas se distribuirão gratuitamente por todos os Districtos Administrativos do Reino as porções de semente de penisco ,e pinhão ,e de pés de carvalhos ,sobreiros e castanheiros ,que forem precizas em cada concelho"(circular nº 4 do Governo Civil de 15 de Fevereiro ,sobre uma decisão do governo,recebida pela Câmara de T.Vedras ,e transcrita em acordão de 23 de Fevereiro de 1850, Livro nº 28 dos acordãos)

"(...) que se officiasse à Inspecção Geral das Matas requesitando a semente de tres alqueires de Penisco e tres alqueires de semente de Pinhão "(Livro nº 28 dos Acordãos ,1 de março de 1850).

"Nesta vereação ordenou a camara que se passassem Editaes para se proceder à vistoria no dia seis de Novembro proximo na vargea chamada da Feira Nova , a fim de ser posta d'arvores d'esde o choupo proximo ao Poço do Retiro até ao Muro da terra de João Félix Gomes d' Azevedo e convidando todas as pessoas que quiserem cultivar o dito terreno por espaço de seis anos a fazerem suas petições á Camara : ate aquella epoca , com a obrigação porem de tratarem da conservação das árvores e as vigiarem d'animais d'anninhos"(Livro nº28 dos Acordãos ,30 de Outubro de 1850).

"(...)n'este anno  (1851) se concluio a plantação d' alameda do Jardim que se tinha começado em Fevereiro de 1823 ,e que só tinha compreendido o terreno alem da Rigueira que vem dos Amiaes d'esde o Chafariz de S.Miguel ,até um pouco acima da ponte que da vargea dá serventia para o Jardim ,completando-se em 1851 o resto da plantação em todo o campo que fica entre a estrada e o monte de S.Vicente.(...) antigamente houve (...) um arvoredo (...) em todas as entradas e saidas da Villa que tinha sida mandado cortar pelo General Inglez Sir Arthur Weleslei nos fins do ano ,quando o General Macena ,Commandante do Exercito Francês ,se aproximou das linhas de Torres Vedras "( José Eduardo Cezar ," Livro dos Annaes do Municipio" ,f.5, 1847-1854).

"Ordenou a Camara ao continuo Francisco Antonio Pires intimasse os cultividores do tereno que se achado plantado d'arvores nas duas Vargeas de S.Thiago e Srª do Ameal para se apresentarem na Camara no Domingo 14 de Dezembro para assignarem Thermo de guardarem bem as arvores ,não lhe semearem pão de programa , e de plantarem outras arvores no lugar d'aquelles que se secarem"(Livro nº 28 dos Acordãos , 10 de Dezembro de 1852).

"Além d'estes passeios sôbre as estradas ,havia outro chamado Bosque do Jardim por ser situado no plano inferior á fonte d'este nome ,composto de nove parallelos d'arvores silvestres na maior largura do terreno ,que discorre para o sul ; e era tal a amenidade d'este sítio ,que foi escolhido d'ordem do Principe Regente (hoje 1819 El-Rei Nosso Senhor) para jantar nelle quando voltou da villa de Peniche em agosto de 1806(b)"(...) pág.12
"(b)Este plano bem assentado por natureza ,não é comtudo susceptivel de largura regular,por ficar entalado entre uma profunda valla , e o aqueducto da fonte para o chafariz de S.Miguel,dirigido pela raiz do monte de S.Vicente.O arvoredo d'este bosque era quasi todo de chopos muito elevados(...) pág.12.
"*Hoje (1859 ) existe restaurado o bosque do Jardim desde o anno de 1823 ,em que a Camara o mandou plantar de novo,e as arvores produzem uma excelente sombra ,se bem que muitas se acham principiadas a estragar.E em seguimento d'este bosque caminhando para o nascente,no resto do campo até á Srª do Amial ,se plantou em 1852 outro arvoredo tambem em symetria por ordem da Camara , o qual já hoje se acha bem fechado e formoso ; e fazendo justiça ás camaras modernas ,ellas têm procurado restaurar tambem o arvoredo nos Passeios da villa ,mas seus esforços tem sido egualmente pela maior parte frustrados.Por isso deveriam imitar a Camara de 1789 ,que para evitar a destruição das arvores constituio um guarda ( que era official de justiça) a quem davam de propina 14$400 réis annuaes.Vê-se do dicto l. 23  Livro 23 dos acordãos fol.24. E com graves penas contra quem as cortasse.Dicto l. fol.26 verso .-Dos Edictores." . pág.13.
(Manuel Agostinho Madeira Torres - "Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres-Vedras",2º edição ,Coimbra 1861,editada por José Eduardo César e Gama Leal . 1º edição em 1819 ,na 1ª parte do 6º tomo das Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa.Edição fac-similada pela Santa Casa da Misericordia de T.Vedras em Maio de 1988).

"(c) (p.260) temos também hoje as grandes lamêdas da Vargea do Jardim ,e a da Vargea Grande ,pela maior parte modernamente plantadas por mandado das Camaras Municipais ,como já referimos na Parte Historica - Dos Editores -Depois de escrevermos isto ,e antes de hir para a imprensa o nosso manuscripto ,a primeira lamêda na parte plantada em 1822, foi mandada cortar em 1863 pela camara contra o voto de muitos ,vendendo a madeira a huns 600$000 rs. ou mais"(caderno 4 f.16). B.M.T.V. - "Anotações dos Editores à Parte Económica da História de Torres Vedras de Madeira Torres", +- 1865 , J.Eduardo César e Gama Leal)


O Jornal "Ecos de Torres" defendeu nas suas páginas a tentativa feita, em 1917,contra a intenção, por parte de uma Câmara da época, para arrancar totalmente o choupal da senhora do Ameal.


"A 22 de Janeiro faz-se tambem em Torres Vedras uma feira de gado suino chamada de S.Vicente, ignorando a epoca da sua creação.Deve igualmente ser antiga e noutros tempos foi acompanhada de uma festa ao santo daquele nome que se realisava na ermida de S.Vicente , mas tendo esta sido arruinada durante o violento combate de 1846 entre as tropas de Saldanha e o conde de Bomfim ,passou a fazer-se em baixo na ermida da Senhora do Ameal ,para onde a imagem do santo foi transferida e ali ficou."(Julio Vieira "Torres Vedras Antiga e Moderna" ,ed. 1926 ,pág.214)

De 22 a 29 de Agosto de 1926 realizou-se no Choupal ,"então (...) um aprazível espaço arborizado ,tendo à sua ilharga um Sizandro navegável e límpido(...)"(Adão de Carvalho/J.P. ,"Das Gentes e das coisas de Torres Vedras (...)" in BADALADAS de 29 de Agosto de 1986),a 1ª Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial de Torres Vedras.

"No vale situado entre êste monte  de S.Vicente e a encosta Norte do castelo, está a Comissão de Iniciativa  e Turismo de Torres Vedras  fazendo um aprazivel Parque que já possue boas sombras e amplas ruas ladeadas de lindos e viçosos canteiros" ( "A Hora" ,nº42 , Lisboa 1936 , p.20 )

"Deve realizar-se no corrente mês de Janeiro esta feira  Feira de S.Vicente, onde se fazem grandes transacções de gado suino alentejano ,que nas vésperas vão chegando por via terrestre em grandes manadas.
"(...)
"Na capela de N.ª Sra. do Amial realizava-se nesse dia (dia de S.Vicente ,em Janeiro) a festa de S.Vicente , que era sempre muito concorrida , e a seguir à missa procedia-se ao leilão das oferendas , salientando-se sempre os cargos ornamentados e cheios de gostosos bolos.O pregão era sempre feito por um festeiro que percorria o arraial , gritando "Três mil réis por este cargo ,melhorado para o ano ,quem dá mais", e o preço ia subindo até chegar à conta para se poder entregar ,cuja ordem os masários davam , e alguns chegavam a atingir até cinquente mil réis(...)."
(Zérriques , "Sino da Saudade - Feira de S.Vicente" , in BADALADAS de 20 de Janeiro de1962).

Em 1979 ,Victor Cesário da Fonseca ,num conjunto de artigos publicados no "Badaladas", denunciava o pouco amor revelado pelas autoridades torienses em relação às `arvores e exemplificava com vários crimes recentemente cometidos nessa área, apontando, no caso do Choupal o corte de "uma carreira de lindos plátanos para alargamento da estrada , em frente da Foroeste ,espaço quase sempre ocupado por automóveis ali estacionados" (V.C. da Fonseca "Torres Vedras e a Árvore- 3 - ",in BADALADAS ,10 de Agosto de 1979) entre outras árvores de grande porte,concluindo que "O torriense não gosta da árvore ; mas é preciso que goste.Se não for por uma questão de estética , de beleza ,de regalo pela sombra que ela produz ,seja-o ao menos pelo motivo de saúde e defesa contra as intempéries."(V.C.F. "Torres Vedras e a Árvore - 4-" in BADALADAS,24 de Agosto de 1979).








sexta-feira, 11 de março de 2011

Contos de Tantos Contos


É já amanhã que começa a funcionar a oficina de recolha de contos intitulada "Contos de Tantos Cantos", dirigida por Ana Meireles.
A participação é livre, mas com um número limitado de participantes, exigindo inscrição prévia, e destina-se às populações imograntes dos concelhos da Lourinhã e Torres Vedras.
A primeira sessão realiza-se este Sábado "Fábrica das Histórias", na Rua Maria Barreto Bastos, 36, entre as 15 eas 17 horas.
O resultado dessa oficina de recolha de contos, tradicionais de diversos países, dará lugar a uma possível edição de livro ilustrado.

(Inscrições: CLAII de Torres Vedras, tlf.: 261 322 464 ou e-mail: gabimigrante@cm-tvedras.pt).

quinta-feira, 10 de março de 2011

Está Morto e Enterrado...e para o ano há mais...



A "Quarta-feira de Cinzas" marca o final do Entrudo e o início da Quaresma e a esta ocasião estão ligadas várias cerimónias, entre elas a da "Serração da Velha".

A cerimónia da serração da velha assinala a saída do Inverno e a entrada no Verão. A ”velha” simboliza o Inverno ou a opressora Quaresma. Entre os árabes os sete dias do solstício de Inverno são designados por “dias da velha”.Serrar a "velha" ao meio é uma alegoria à ideia de partir ao meio o ano solar. (1).

Data de 1685 a mais antiga referência em Portugal da realização da cerimónia de “serração da velha”.“Esta alegórica festança ocorria numa quarta-feira do meado da Quaresma e consistia numa paródia da gente nova, conluiada, em época de defeso lúdico, para serrar cada velho, no campo ou na cidade.

“Pela calada da noite, um grupo de embuçados rouquejava, à porta das casas sentenciadas, paródias testamentárias do locatário idoso, enquanto o serrote percutia num bocado de madeira ou de cortiça o seu lúgubre ranger, acompanhando o atroar dos guizos, ferros,latas, cântaros."(2).

Em finais do séc. XIX, em Cuba, no Alentejo, a cerimónia da “serração da velha” consistia em meterem um cão e um gato dentro de um cortiço hermeticamente fechado. Um homem transportava o cortiço, seguido de outros armados de cacetes e varas. Um rapazito, por vezes vestido de anjo, transportava a serra que deveria servir para serrar o cortiço no lugar escolhido para o suplicio. O cortejo percorria as diversas ruas da localidade e a cerimónia terminava com a serração do cortiço, que simbolizava a velha. Não se refere o destino dos animais (3).

Outro costume da Quarta-Feira de Cinzas era o “enterro do Entrudo".Este era um costume antigo, sendo conhecido na antiga Veneza por "Enterro de Baco".Esta tradição era por vezes acompanhada por uma procissão onde se parodiavam várias cenas biblicas, como ainda acontecia em finais do século XIX no Fundão(4).

No Alentejo no "enterro do Entrudo",os"foliões iluminados pela luz de archotes ou lampiões de petróleo, levavam aos ombros um simulacro de urna funerária que continha um boneco de palha. O caixão era coberto com panos pretos pintados de cruzes brancas e os brincalhões iam fantasiados de viúva e órfãos que carpiam o defunto em alta gritaria. Outros, com saias brancas, fingiam de padres que, sobraçando jornais ou outros papéis velhos, aspergiam com água ou outros líquidos menos próprios os observadores, usando um pincel a simular de hissope. Um, de encarnado, fingia de sacristão e ia fazendo momices e outras brincadeiras, guizalhando um chocalho. Percorriam todas as ruas e o rei momo era finalmente queimado fora de portas. Ia começar o tempo da abstinência e os aldeãos aproveitavam os últimos momentos de alegria consentida” (5). O fogo nesta cerimónia simbolizaria a purificação dos penitentes, perante os pecados do Entrudo.

Em Alenquer entoavam-se pela ocasião"uns versos em que se diz que o Entrudo deixa sete coisas ridículas a certas pessoas, por exemplo:"sete ratos mortos"(6).J

Cerimónia semelhante às referidas é o"Enterro do Bacalhau ", só que esta costuma realizar-se em Sábado de Aleluia, para festejar o fim das restrições impostas pela Quaresma.

Ainda no século passado este dia era ocupado em Torres Vedras com a Procissão das Cinzas, organizada pela Ordem Terceira de S.Francisco que a isso se obrigava por compromisso declarado no "breve" dessa instituição , datado de 21 de Novembro de 1676.

Com 9 andores, muitos "irmãos" , uma filarmónica (durante anos a "Phylarmonica Torreense"), gente da vila e arredores , e uma guarda de honra com forças militares destacada para Torres Vedras , todos os anos , por essa ocasião, a procissão percorria o Largo de S.Tiago , a "rua da olaria" , a do "Espírito Santo", a praça municipal ,a rua de S.Pedro , a "travessa dos canos",as ruas "de trás do Açougue" e dos "celeiros".("Jornal de Torres Vedras" de 19 de Fevereiro de 1887 e "A Semana" de 16 -02-1888).

Bem diferente é a "procissão" que actualmente tem lugar em Quarta-Feira de cinzas.

Com origem nos tradicionais "enterro do entrudo" e "serração" da velha", costumes a que nos referimos acima, e muito referenciados na região Oeste , o enterro do carnaval já por cá se fazia pelo menos em 1908 como se pode ler na seguinte notícia:

"Na quarta feira ainda se realisou o enterro do entrudo no qual tomou parte um numeroso grupo que percorreu desde as 8 horas da noite até cerca das 10 horas as principaes ruas da villa acompanhado de uma musica que tocava uma marcha funebre em passo cadenciado e levando n'um esquife a figura do Carnaval que terminou os seus dias de 1908 , n'uma fogueira accesa no largo da Graça.

" A esta romaria funebre não faltou grande numero de devotos que em magotes a acompanhou (...)" . ( in Folha de Torres Vedras de 8 de Março de 1908 )

Esse costume realizava-se regularmente nos anos 30, quando se fazia um desfile pelas ruas da então vila , à luz de archotes, terminando no Largo de S.Pedro com a leitura do testamento do "defundo", realizando-se depois o "auto de fé" onde se queimava um boneco que o representava.

Hoje , o enterro do carnaval , mantendo as mesmas carecteristicas , conta com um maior aparato pirotécnico , realizando-se na Várzea, acompanhado da respectiva "viuva" e da leitura do testamento , com referências jocosas à vida social e política do concelho.

E com esta cerimónia todos os anos se encerra mais um carnaval de Torres Vedras.


Notas:
(1).citado por Theophilo Braga , em "A Tradição" p.49, Abril de l899 ).
(2).p.251, ob. cit. de Mª Micaela Soares).
(3).citado por Fazenda junior em “A Tradição” , ano 1, p.45, Março de 1899).
(4).Alvaro de Castro em “A Tradição”, ano 1 p.122-agosto de 1889).
(5).p.246, ob.cit. de Mª Micaela Soares).
(6).J.Leite de Vasconcelos , Etnografia Portuguesa,Vol.IX,Pág. 133, ed.I.N.C.M.,1985).