sexta-feira, 27 de setembro de 2013

As Eleições Autárquicas Torrienses...entre o previsível e as novidades..



 (excerto da primeira página do jornal Badaladas de hoje)

Em Torres Vedras, nas últimas eleições autárquicas, apenas concorreram três forças políticas, o PS, o  PSD (em coligação com o CDS) e a CDU. 

O Partido Socialista venceu em toda a linha, com maioria absoluta, apesar da conjuntura que era então desfavorável ao PS.

Apenas a nível de freguesia se registaram algumas diferenças no total concelhio, com a CDU a vencer numa freguesia, o PSD a vencer em duas e uma lista independente, embora apoiada pelos partidos da direita, a vencer numa quarta freguesia, num total de vinte freguesias.

Nestas eleições muita coisa mudou, principalmente à direita, mas também na nova composição das freguesias.

Das anteriores vinte freguesias, o concelho ficou reduzido a treze, por causa da união forçada por lei entre algumas delas.

À Câmara, à assembleia municipal e à maior freguesia de todas, a sediada na cidade, que junta três antigas freguesias, concorrem agora sete listas.

Quatro dessas listas podem ser situadas à direita. Desta vez o PSD e o CDS apoiam candidaturas diferentes, o segundo em coligação com o PPM e o Partido da Terra, apoiando estes um candidato “independente”.

Por sua vez o PSD local cindiu-se em dois, uma candidatura oficial, outra, “Torres em Linha”, independente, cativando eleitores fora do círculo tradicional do partido do governo. 

Concorre ainda pela primeira vez a nível autárquico um partido de extrema-direita, o PNR.

À esquerda a novidade é a estreia autárquica do Bloco de Esquerda, mantendo-se as candidaturas habituais da CDU e do PS.

Como se já não bastasse o voto de protesto que se vai concretizar penalizando o PSD um pouco por todo o país, este partido aparece, a nível local,  a enfrentar  vários concorrente que disputam o seu eleitorado tradicional, pelo que se prevê o pior resultado de sempre desse partido a nível local.

Uma curiosidade será saber se o PSD continua a manter-se, como sempre aconteceu, como  segunda força do concelho na Câmara e na Assembleia Municipal ou se vai, pela primeira vez, ser ultrapassado por outras candidaturas, nomeadamente pelos dissidentes da “Torres em Linha”.

Já o aparecimento do BE não deverá alterar muito as coisas à esquerda, prevendo-se uma vitória do PS. 

A incógnita reside em saber se o PS vai manter ou não a sua maioria absoluta, se a CDU ou o Bloco conseguem eleger algum vereador, se o primeiro destes dois consegue aumentar a sua representação na assembleia e se o BE se consegue estrear neste órgão (já lá teve representação, mas eleito nas listas da CDU).

Nas freguesias, excluindo a “urbana”, o número de listas concorrentes é mais reduzido, embora desta vez PSD e CDS apareçam divididos. Desta vez temos em todas as freguesias um mínimo de quatro partidos concorrentes, PS, PSD, CDS e CDU (Freiria, S.Pedro da Cadeira, Silveira, Turcifal, freguesias unidas de A Dos Cunhados e Maceira e  Carvoeira e Carmões).

Existem, contudo, algumas situações de excepções: na Ponte do Rol concorrem apenas três listas, PS e CDU e os “independentes” “Juntos por Ponte do Rol”, que ganharem as últimas eleições e beneficiam do apoio indirecto da ausência de candidaturas à direita. 

Nas freguesias unidas de Campelos e Outeiro da Cabeça e Maxial e Monte Redondo, repete-se o cenários das últimas autárquicas, apenas com três listas concorrentes em cada uma: PS, PSD e CDU.

Por sua vez no Ramalhal, na Ventosa e nas freguesias unidas de Dois Portos e Runa surgem candidaturas independentes, para além das quatro forças políticas tradicionais.

No Ramalhal surge uma quarta lista de independentes, a concorrer contra os quatro partidos tradicionais, “Unidos pela freguesia”.

Na Ventosa surge a Candidatura “Torres na Linha”, dissidente do PSD.

Na freguesia unida de Runa e Dois Portos surge uma lista independente dos quatro partidos, “União Pela Mudança” .

No geral é de prever que o PS, beneficiando da conjuntura e das divisões no seio do PSD, consiga ganhar na maioria das freguesias.

Contudo, o aparecimento de listas independentes, nomeadamente na união de freguesias de Runa e Dois Portos, onde se regista um voto sempre volátil, pode baralhar a situação, sendo igualmente previsível que a lista independente da Ponte do Rol “bata o pé” às pretensões do PS de recuperar essa freguesia.

É igualmente previsível que a CDU volte a vencer na nova União de freguesias da Carvoeira e Carmões.

Um caso à parte é a freguesia urbana que une três antigas freguesias, S. Pedro, Stª Maria e Matacães, tornando-se uma mega freguesia com mais de 20 mil eleitores.

O PSD já teve alguma força na maior dessas antigas freguesias, S. Pedro, mas desta vez não parece ter grande hipótese, pois agora concorrem sete listas, quatro das quais disputando, seguramente, o seu eleitorado tradicional.

Se o PS é o principal favorito, tem a concorrência de duas fortes candidaturas, uma independente, que vem da área do PSD, Juntos por Todos,( para além dos dissidentes da “Torres em Linha”), e outra da área da CDU.

O voto de protesto contra os políticos, a abstenção, o verdadeiro peso das listas independentes e o aparecimento pela primeira vez do BE, pode baralhar muitas previsões, pelo que esta será uma das eleições mais “abertas” na história das eleições autárquicas torrienses.

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