Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueologia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de junho de 2025

As primeiras “povoações” no Concelho de Torres Vedras

(Museu Leonel Trindade)

A passagem do nomadismo, característico do paleolítico, para o sedentarismo, originando o aparecimento dos primeiros povoados humanos, que acompanhou a passagem de uma economia recolectora para uma economia produtiva, através da domesticação de animais (pecuária) e plantas (agricultura), característico do neolítico, foi um longo processo de transformação.

Geralmente, o chamado Neolítico é datado de entre 10 mil anos e 3 mil anos antes da nossa Era.

Na Europa,  o Neolítico terá tido início por volta de 6 mil antes da nossa era e, na Península Ibérica, ainda mais recentemente, por volta dos 5 mil anos antes da nossa era.

Na região torriense, muitos dos vestígios característicos do neolítico encontram-se junto de povoados do período do calcolítico (de, aproximdamente, entre 3 mil a mil e oitocentos a.C), parecendo configurar, não só uma tardia “instalação” do neolítico no território, como uma eventual continuidade e evolução da ocupação humana desses “povoados” do neolítico para o calcolítico, onde se confundem as duas influências.

Alguns dos autores abaixo citados apontam a existência de povoados neolíticos na vertente NO do Cabeço do Castelo, margem direita do Alcabrichel, Maceira e nos “castros” de S. Mateus, em Monte Redondo, da Portucheia, do Barrigudo, do Pico Agudo, a Sul do Cabeço do Castelo, Maceira, do Casal da Cidadoura, do Monte do Crasto, no Vespeiro, a sul do Zambujal e no Varatojo.

Presumivelmente do mesmo período foram encontrados vários  objectos dispersos em pedra polida na zona urbana de Torres Vedras, em S. Mamede da Ventosa, no Figueiredo, no Turcifal, na  Assenta, em  Cambelas, no Vale da Mata, perto do Maxial. Aliás, na “área do Maxial há alguns pontos que deveriam ser objecto de uma prospecção. A SE do lugar, há uma sequência de elevações que seriam susceptíveis de fornecer bons abrigos: de Oeste para Leste, temos A-Do-Verde (140 metros de altitude), Outeiro do Vento (236), Cabeço do Jardo (150 metros de altitude) e Fogarosa (ponto em que está instalado um marco trignométrico)” (FREITAS, 1959, vol.1, p.240).

As dúvidas sobre a origem neolítica desses vestígios tem um “possível explicação (…) no facto de se terem registado profundas alterações no meio ambiente”, desde a última glaciação, ocorrida há uns 10 mil anos, fazendo aumentar os níveis dos oceanos, sendo “as terras baixas, vales e planícies, propícias a uma agricultura neolítica (…) invadidas pelas àguas do mar”, soterrando “possíveis futuras aldeias e campos de cultivo” (RODRIGUES, 1996, pág.39).

Assim só existem algumas certezas da sedentarização e da  formação de povoados na região já durante o período Calcolítico.

Entre os povoados datados do Calcolítico refiram-se:

 o Castro da Achada, Monte da Achada,  Monte Redondo, descoberto  por Leonel Trindade em 1951, com ocupação no início da Idade do cobre, podendo ter tido uma segunda ocupação durante a Idade do bronze;

– o Castro da Fórnea, Matacã, contemporâneo do Castro do Zambujal, de cuja proximidade se pode especular sobre o tipo de relações existentes entre esses dois sítios. João Ludgero Gonçalves avançou a hipótese de a Fórnea poder ser “uma atalaia de defesa de uma boa via de comunicação (como é o vale do rio Sizandro) ou do limite fronteiriço de um teritório (...) ou o posto avançado para exploração de fontes de matéria-prima, de um território económico liderado por um lugar central” que podia ser o Zambujal. (GONÇALVES, 1995, p.139);

– a Póvoa do Penedo, Runa, descoberto por Ricardo Belo em 1933, tendo recolhido mais de 800 peças datadas do eneolítico. “A construção pode ser considerada uma última variante das fortificações das colónias da Idade do Cobre, em território português, e apresenta uma superfície interior relativamente pequena” (RODRIGUES, 1999, p.70);

– o Pitagudo, perto de A-Dos-Cunhados.

 a Serra de Sarreira, Freiria.

– o Castro do Zambujal, o mais conhecido e estudado e que já foi referido noutra crónica nossa,descoberto por Leonel Trindade em 1938. Terá sido ocupado entre 2500 aC. e 1700 aC;

– o Castro do Cabêço do Jardo, junto ao Maxial;

– o Castro do Monte de S. Mateus, junto à Lobagueira, Maxial;

– o Castro do Outeiro da Cabeça;

 o Castro do Casal da Passadeiras, Maxial;

– no Varatojo, próximo do Convento, um “Castro” não fortificado, datado de 2500 aC;

-  na Quinta das Galhardas, a oeste da Ribaldeira;

– no Monte da Doutora, Sarreira, Freiria;

– o Castro da Boiaca.


Várias são igualmente as  necrópoles calcolíticas identificadas na região:

– Borracheira, S. Pedro;

– Lapas Grandes, Monte Redondo.Duas grutas artificiais construídas entre 2700 e 2500 aC., talvez ainda no Neolítico final. Uma das  grutas  foi novamente ocupada no Calcolítico Final (entre 2000 e 1500 aC.).Ambas voltaram a Ter uma ocupação humana entre 1000 e 800 aC.(Bronze final );

– Lapa da Rainha II, Maceira;

 – Gruta do Sapateiro, vertente SO do “Cabeço do Castelo”, Maceira;

– Portucheira I, Matacães;

– Cova da Moura, S. Pedro. Gruta natural, na margm esquerda do Sizandro, entre Torres Vedras e as termas dos Cucos, junto à linha de caminho de ferro, na Boiaca. Nela foram encontrados 90 esqueletos. Próximo dela existem várias grutas naturais, mas só numa delas, a chamada “Cucos II”, foi encontrado material arqueológico, um machado em pedra polida;

– Monte da Pena, “Tholos” do Barro, S. Pedro. Descoberto em 1909 pelo Padre Paul Bovier-Lapierre. A maior parte do espólio aí encontrado está no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. O espólio encontrado nas imediações daquele monumento por Leonel Trindade encontra-se no Museu de Torres Vedras  e é datado, quer do calcolítico, quer o Bronze final;

– no Casal Charrino, perto do castro do Varatojo, S. Pedro, um “Tholoi”, hoje completamente destruído.

– Bolores, S. Maria;

– Cabeço da Arruda, Freiria.Conjunto de três  sepulturas do calcolítico, duas colectivas e uma de tipo “tholos;

– Serra das Mutelas, perto da Quinta de Charniche, S. Mamede da Ventosa.“Tholoi” hoje completamente destruída;

– Serra da Vila, Stª Maria.Sepultura megalítica, tipo “tholos”.Foi completamente destruída;

  Junto a Vila Seca, Maxial. Monumento megalítico;

- Quinta de Entre Campos, Ermegeira, Maxial. Gruta artificial. Entre os objectos aqui encontrados, destaca-se um par de brincos em ouro e quatro pequenos tubos de folha enrolada do mesmo metal;

– Abrigo da Carrasca, perto da Macheia, Matacães. Abrigo sob rocha de grandes dimensões, datado de entre 2500 e 2200 aC;

– Lapa do Paio Correia ou Lapa do Preto, junto à Vala do Pisão, Vila Facaia, Ramalhal.Gruta artificial. Datação desconhecida, provavelmente de entre o IIIº e IIº milénio aC.;

– Moinho da Lapa, Stª Maria.

Também do período calcolítico estão registados vário achados isolados, alguns de superfície nos seguinte locais: Vespeiro, S.Pedro; Barrigudo, Runa;  Cucos II, S. Pedro; Casal da Serra, S. Mamede da Ventosa; Fonte Grada, Stª Maria; Sequeira, Silveira; Forte do Canudo, Stª Maria; Charnais, Serra da Vila; Casal da Amoreira, S. Pedro da Cadeira; Casal do Sobrigal, S. Domingos de Carmões.

 BIBLIOGRAFIA

-              BELO, Aurélio Ricardo, “Nótulas sobre arqueologia de Torres Vedras e seu termo”, conjunto de 55 estudos publicados entre 1952 e 1959, nas páginas do jornal Badaladas.

-              FERREIRA, Octávio da Veiga, La culture du vase campaniforme au Portugal,  tese de doutoramento apresentada  à Faculté des Sciences de l’Université de Paris, Lisboa  1966.

-              “Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.

-              FREITAS, Cândido Manuel Varela de , A Arqueologia do Concelho de Torres Vedras (Contribuição para o seu estudo até à época Lusitano-Romana), Dissertação de licenciatura no Curso de Ciências Históricas e Filosóficas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  2 volumes, Lisboa 1959,

-              GONÇALVES, João Ludgero Marques, “O Castro da Fórnea (Matacães-Torres Vedras)”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.123-140.

-              KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995.

-              LUNA, Isabel de, “Investigação arqueológica em Runa”, in “Freguesias” (Runa), suplemento nº 13 do jornal Badaladas, 15-10-1999.

-              LUNA, Isabel de , “Monte Redondo na pré-história”, in “Freguesias” (Monte Redondo), suplemento nº9 do jornal Badaladas, 12-2- 1999.

-              LUNA, Isabel de, “Uma terra de ferreiros”, in “Freguesias” (Ramalhal), suplemento nº12 do jornal Badaladas, 28-5-1999.

-              LUNA, Isabel de ,”Um tesouro pré-histórico”, in “Freguesias” (Outeiro da Cabeça), suplemento 10 do jornal Badaladas, 26-3-1999.

-              MADEIRA, João, GONÇALVES, João Ludgero, RAPOSO, Luís, PARREIRA, Rui, Achados da Idade do Bronze no Monte da Pena (Barro/Torres Vedras) – Notícia Prévia, Lisboa 1972.

-              ROCHE, J. e TRINDADE, L., La Station Prehistorique de Rossio do Cabo (Santa Cruz – Estremadura), Porto 1951, separata do Boletim da Sociedade de Geológica de Portugal, Vol. IX (pg. 219-228), 1951;

-              RODRIGUES, Cecília Travanca, “O Passado Longínquo: da Pré-História à Romanização”, in Torres Vedras – Passado e Presente, vol I, pp. 35 a 60, C.M.T.V., 1996.

-              RODRIGUES, Cecília Travanca, Reconhecer Leonel Trindade, Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, 1999.

-              TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, 2ª edição anotada, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1862 (ed. “fac-simile” , ed. Stª Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 1988).

-              TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de Torres-Vedras, - parte económica, 2ª edição anotada,  (1865?) , manuscrito inédito no Arquivo Municipal de Torres Vedras.

-              VIANA, A. E ZBYSZEWSKI, G., Gruta da Maceira (Vimeiro), Porto 1949, Instituto para a Alta Cultura-Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, Porto, separata do fascículo 1-2, vol XII de Trabalhos de Antropologia e Etnologia;

-              VIEIRA, Julio, Torres Vedras Antiga e Moderna, Sociedade Progresso Industrial, T. Vedras, 1926.

(não incluímos a vasta bibliografia sobre o Castro do Zambujal, já referida noutro artigo)

 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Os primeiros “torrienses”

(Trindade e Paço, 1964)

Foi há 60 anos que Leonel Trindade e Afonso do Paço elaboraram a primeira síntese sobre o que então se sabia àcerca dos primeiros habitantes da região deste concelho. Trata-se da publicação, na revista Arquivo de Beja, do estudo intitulado “Subsídios para uma carta arqueológica do concelho de Torres Vedras – I – Algumas estações paleolíticas”, publicado como separata em 1964 com a data de Abril desse ano.

Fazendo um breve historial sobre os primeiros trabalhos arqueológicos onde se fizeram descobertas sobre a ocupação paleolítica nesta região, em especial junto ao litoral de Santa Cruz, trabalhos esses iniciados em 1934, os autores fazem o levantamento desses primeiros achados, acompanhados por ilustrações da autoria de Maria João Lopes do Paço e por um mapa com a sua localização neste concelho (mapa que ilustra este artigo).

Os primeiros objectos desse período, cerca de um milhar, foram recolhidos na costa de Santa Cruz, na Ponta da Vigía, a norte de Santa Cruz, no chamado lugar de “A Mina”, a este daquela localidade e perto do “Porto Escada”, a sul.

A maior parte desses materiais líticos datavam, uns do paleolítico inferior, em pequeno número, e a maior parte do paleolítico superior.

Anos depois, Leonel Trindade descobriu outras estações arqueológicas e vestígios do Paleolítico Superior, “uma na zona de Cambelas e outra no Rossio do Cabo”, esta situada na freguesia de A-Dos-Cunhados, e numa estação “a W. do Casalinho”.

Do mesmo período existiam à época, no Museu Municipal, alguns utensílios desse período, um biface recolhido por outro importante arqueólogo local, Aurélio Ricardo Belo, no “Vale de Carros”, no Maxial, outro recolhido por Leonel Trindade junto ao cemitério da então vila de Torres Vedras.

Na freguesia da Silveira tinham também sido recolhidos vestígios líticos desse período no Casal da Portela e no Casal das Pedrosas.

A partir de então o conhecimento sobre esse período, o mais antigo com ocupação humana na região, conheceu um grande desenvolvimento, com novas descobertas e publicações que actualizaram o esse conhecimento, com destaque para a nova síntese sobre a pré-história torriense da autoria de Cecília Travanca (ver bibliografia) e para a monumental obra de João Zilhão em dois volumes, O Paleolítico Superior da Estremadura Portuguesa, de 1997.

Com base nessas obras e noutras indicadas na bibliografia publicada em baixo, é possível fazer um breve levantamento sobre as estações paleolíticas e o tipo de vestígios recolhidos que documentam a primeira ocupação humana deste território.

Chama-se contudo a atenção que este é um tema sempre em evolução, não só em relação a novas descobertas, como em relação à datação para cada período, pelo que alguns dados referidos podem já estardesactualizados:

1 – Paleolítico Inferior ( 3 milhões de anos a 300 000 aC) (Na região europeia a ocupação humana só aconteceu há cerca de 800 mil anos atrás).

1– 1 –  Acheulense (400 000 a 300 000 aC) – Bifaces como vestígios mais frequentes, usados pelo Atlantropo

1– 1 – 1 – Pré – Acheulense:  Santa Cruz ( Corresponde a três sítios ao longo do litoral desse sítio .Ponta da Vigia, a norte, “a Mina”, a Este e perto do “Porto da Escada”, a Sul); perto da fonte da Água do seixo, Santa Cruz; e Seixosa (?).

1– 1 – 2 – Acheulense Médio: Casal das Pedrosas, Silveira; Casal da Portela, Silveira; Torres Vedras, área do mercado municipal; Vale de Carros, Maxial

1 – 1 – 3 – Acheulense Superior:  Seixo, Santa Cruz.

1 – 1 – 4 – Outros sítios com vestígios do Paleolítico Inferior: Ponte do Rol; Galegueira, Ponte do Rol; A-Dos-Cunhados; Carrascais, A-Dos-Cunhados; Sobreiro Curvo, A-Dos-Cunhados; Gruta de  Lapa da Rainha, Maceira.

2 –Paleolítico Médio (300 000 a 35 000 aC, última glaciação (Wurm), ocupação Neanderthal):

Penafirme, A -Dos- Cunhados;  Casal do Soito, Ponte do Rol; Casal do Calvo, Ponto do Rol.

3 - Paleolítico Superior (35 000 aC – 10 000 aC) – Homo Sapiens Sapiens.

3 – 1 – Aurinhacense (28 000 aC  – 26 000 aC) (Cro-Magnon) (Primeiras manifestações de arte figurativa: figuras de animais muito esquemática e signos gravados em blocos de calcário):Santa Cruz; achado isolado, em lugar desconhecido.

3 – 2 – Gravettense e Proto-Solutrense ( 26 000 aC – 21 000 aC).Período caracterizada pela indústria do buril de truncatura retocada. Na arte caracteriza-se pelas estatuetas  femininas em marfim (“Vénus”)

São deste período, neste concelho, espólio constituído por artefactos líticos, encontrados em Cova da Moura (Cambelas, S. Pedro da Cadeira) e em sítio ao ar livre localizado no Vale da Fonte ou Vale de Almoinha, a 500 metros da mina de água que lhe deu aquela designação.

 3 – 3 -  Solutrense (21 000 aC – 16 000 aC).Período caracterizado pela grande perfeição na técnica de talhe. A “folha-de-loureiro” e a raspadeira são dois dos instrumentos típicos deste período:

- Vale Almoinha, Cambelas, S. Pedro da Cadeira. A causa provável da escolha deste lugar como acampamento pré-histórico pode dever-se à existência, a 100 metros do lugar de uma nascente de água doce, já existente na época. A maioria do material lítico é constituído por peças em sílex (95% do total), algumas em quartzo, nomeadamente raspadeiras, “folhas de loureiro”, lascas, lamelas, lâminas, núcleos.

– Lapa da Rainha, Maceira. Gruta de abrigo esporádico, tendo servido fundamentalmente de toca de carnívoros. Para além de vestígios ósseos humanos fossilizados, foram encontrados ossos de animais já extintos na região, como o rinoceronte e a hiena.

3 – 4 – Magdalenense (16 000 aC – 10 000 aC). Caracteriza-se pelo importante desenvolvimento da indústria óssea e pela qualidade das obras de arte mobiliária ou parietal. Transição entre Paleolítico  e o Mesolítico:

- Baio ou Cerrado Novo ou W. do Casalinho, junto à foz do rio Sizandro, margem esquerda , Gentias do Meio, S. Pedro da Cadeira. Produção de lascas e lamelas. Data provavelmente de entre cerca 11000 e de 10500 aC. Os seus vestígios  prolongam-se pelo Neolítico;

-  Vale da Mata, na margem esquerda do rio Sizandro,Gentias, S. Pedro da Cadeira;

- Rossio do Cabo, Santa Cruz, no sítio onde se construiu o campo de tiro, 3 km. a NE. da praia de S.tª Cruz. Parece “ ter sido um acampamento de superfície, de pequena extensão, ocupado por caçadores durante um período de tempo relativamente curto” (RODRIGUES, 1999, p.60).

Esta estação arqueológica foi descoberta por Leonel Trindade em 1950.“A estação do Rossio do Cabo é um contributo importante para a arqueologia portuguesa: confirmando a influência europeia no ocidente da Península em pleno Paleolítico Superior, dá-nos elementos para verificarmos o estabelecimento no litoral estremenho de tribos aurinhacenses. Estas viveram, por certo em espaço de tempo reduzido, num acampamento ao ar livre, trabalhando com segurança material que iam buscar (...) a localidades distantes”, como Runa, Torres Vedras e, talvez, Rio Maior, Nazaré e Lisboa. (FREITAS, 1959, p.62).

– Pinhal da Fonte, Cambelas, S. Pedro da Cadeira.

3 – 5 – Outros lugares com vestígios do paleolítico superior: a SE de Casalinhos de Alfaiates; Escaravelheira (Vestígios líticos, do paleolítico superior final ou Epipaleolítico); Porto Escada, a sul de Santa Cruz; lugar da Mina Santa Cruz; Vale do Pizão, Santa Cruz; Vale do Cortiço, Santa Cruz; Ponta da Vigia, Santa Cruz; Póvoa de Penafirme; Varatojo; Fonte Grada;  Ponte do Rol; Casal do Calvo, Ponte do Rol.

Achados de superfície: Galegueira, Ponte do Rol; Casal da Portela, no vale do Sizandro; Vale do Covo, A-Dos-Cunhados; Cabeça Ruiva; Curral Velho, S. Pedro da Cadeira; Concheiro do Pinhal da Fonte, S. Pedro da Cadeira.

Em termos gerais, num período marcado pelo nomadismo dos grupos humanos, e tendo em conta as condições climatéricas, geográficas e naturais, muito diferentes das actuais, a maior parte dos vestígios desse período, encontrados neste concelho, concentram-se no litoral e ao longo do vale do Sizandro, que teriam também características diferentes das actuais geográficas (em relação à linha de costa, nível do mar e ao leito dos rios).

Não queremos terminar sem destacar o trabalho esforçado realizado aos longo dos anos pela equipa de arqueólogos torrienses ligados ao Museu Municipal Leonel Trindade.

 

BIBLIOGRAFIA:

CARVALHO, Emmanuel e outros, “More Data for na archeological map os the county of Torres Vedras” (paleolítico), in Arqueologia, nº 19, Junho de 1989, Porto 1989, pp. 16 a 33.

FREITAS, Cândido Manuel Varela de , A Arqueologia do Concelho de Torres Vedras (Contribuição para o seu estudo até à época Lusitano-Romana), Dissertação de licenciatura no Curso de Ciências Históricas e Filosóficas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  2 volumes, Lisboa 1959,

“Freguesias”, suplemento do jornal BADALADAS, de T. Vedras, 1998, 1999 e 2000.

LEEUWAARDEN, Wim Van e QUEIRÓZ, Paula Fernanda, “Estudo de Arqueobotânica no sítio da Ponta da Vigia (Torres Vedras)”, in Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol.6, nº1, 2003, pp. 79 a 81;

LOURENÇO, Sandra, e ZAMBUJO, Gertrudes, “Duas novas datações absolutas para a Ponta da Vigia (Torres Vedras)”, Revista Portuguesa de Arqueologia, Volume 6, nº 1, 2003, pp. 69-78;

LUNA, Isabel de, “Investigação arqueológica em Runa”, in “Freguesias” (Runa), suplemento nº 13 do jornal Badaladas, 15-10-1999.

PAÇO, Afonso do e TRINDADE, Leonel, Subsídios para uma carta arqueológica do concelho de Torres Vedras, separata do “Arquivo de Beja”, vol.XX-XXI, 1963-1964, ed. Minerva Comercial, Beja, 1964.

ROCHE, J. e TRINDADE, L., La Station Prehistorique de Rossio do Cabo (Santa Cruz – Estremadura), Porto 1951, separata do Boletim da Sociedade de Geológica de Portugal, Vol. IX (pg. 219-228), 1951;

RODRIGUES, Cecília Travanca, “O Passado Longínquo: da Pré-História à Romanização”, in Torres Vedras – Passado e Presente, vol I, pp. 35 a 60, C.M.T.V., 1996.

RODRIGUES, Cecília Travanca, Reconhecer Leonel Trindade, Cooperativa de Comunicação e Cultura, T. Vedras, 1999 (publica uma vasta bibliografia sobre a arqueologia torriense, com autoria ou coautoria de Leonel Trindade).

VIANA, A. E ZBYSZEWSKI, G., Gruta da Maceira (Vimeiro), Porto 1949, Instituto para a Alta Cultura-Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, Porto, separata do fascículo 1-2, vol XII de Trabalhos de Antropologia e Etnologia;

ZILHÃO, João, O Paleolítico Superior da Estremadura Portuguesa, 2 vol., ed. Colibri, Lisboa 1997.

ZILHÃO, João, O Solutrense da Estremadura Portuguesa – uma proposta de interpretação paleoantropológica, IPPC, Lisboa 1987.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Zambujal de cara lavada, uma visita obrigatória.

Foi recentemente inaugurado um percurso que nos permite percorrer o local arqueológico do "Castro!" do Zambujal.
Ao longo do trajecto existem painéis informativos que nos orientam nessa visita a um dos lugares mais emblemáticos da história da região.
A partir desse local também é possível seguir daí por três caminhos pedestres que nos levam ao Varatojo, à Serra da vila ou a um dos fortes das Linhas de Torres.
Para além da importância histórica do monumento, é possível igualmente apreciar a deslumbrante paisagem envolvente.
É uma optima sugestão de passeio, principalmente quando vier a Primavera, não só pelo monumento, mas também pela fauna e flora que envolvem o local.
De realçar também a forma como o velho casal de deu nome ao lugar foi integrado no percurso.
A visita pode ser complementada com uma visita à exposição dedicada ao Zambujal, patente ao público no Museu Municipal.
Aqui ficam algumas fotos desse novo percurso: