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terça-feira, 30 de setembro de 2025

Torres Vedras e a Sua História - Um ensaio de Historia Estrutural, por José Travanca Rodrigues

(fotografia de Lia Travanca)

Faleceu no passado dia 23 de Setembro o professor José Travanca Rodrigues.

Como professor, foi responsável pela inovação na bordagem à história local por parte de um núcleo significativo de antigos alunos seus, juntamente com outra professora, sua companheira de sempre, a professora Cecilia Travanca.

Foi um mestre no ensino rigoroso da história e no convite a uma abordagem em busca de novas formas de encarar a História Local.

Em sua homenagem, aqui deixamos reproduzido um texto seu, publicado em  Janeiro de 1990, na revista VEDRA, editada pela Associação de Defesa do Património, associação da que fez parte.

Esse texto faz uma original abordagem da História de Torres Vedras, usando a metedologia da História Estrutural, corrente que muito apreciava e cultivou.

Para o lerem melhor, podem clicar sobre cada uma das páginas reproduzidas em baixo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Para a História da Indústria Torriense – “Casa Damião/Tomix"


Foi hoje colocado à venda em duas livrarias torrienses, a “Gráfica” e a “União”, o livro “Casa Damião/Tomix – Memórias da Indústria Torriense – Diálogos com Francisco Paulo Damião”, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, uma edição da Associação para a Defesa  e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras.

O livro conta a História de uma das empresas industrias pioneira de Torres Vedras, a Casa Damião, através das memórias de um dos filhos do fundador, Francisco P. Damião, recolhidas e devidamente contextualizadas por Joaquim Moedas Duarte.

Esta é a segunda incursão de Moedas Duarte pela história daqueles que ele apelida como “os latoeiros prodigiosos” que introduziram no concelho a industria metalomecânica, que revolucionou, no século XX, a economia de Torres Vedras.

Os outros “latoeiros prodigiosos” foram António Hipólito  e Francisco António da Silva.

A obra agora editada tem características diferentes da anterior dedicada à Casa Hipólito, considerando o autor que este novo livro “não é um estudo académico nem ensaístico”, mas uma “recolha de memórias e recriação ficcional sustentada em relatos orais”.

Seguindo, de forma organizada e estruturada, a entrevista com o filho do fundador da Casa Damião, esta é entrecortada com memórias ficcionais do próprio autor, onde se retrata uma época e se relaciona a evolução daquela empresa com a própria memória histórica de Torres Vedras ao longo do último século.

A obra inclui ainda um vasto reportório fotográfico, iconográfico e documental relacionado com a história da Casa Damião e a muitas personalidades a ela ligados, trabalhadores ou empresário.

Surgindo, por infeliz coincidência, numa semana marcada pela tragédia no seio da família Damião, esta é uma obra que nos remete para a memória do legado positivo deixado por essa família torriense.

A História de Torres Vedras sai mais enriquecida com a obra de Moedas Duarte.

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Pelo Vale do Sizandro, a nascente de Torres Vedras

Realizou-se no passado Domingo, 23 de Setembro, uma caminhada integrada nas Jornadas Europeias do Património, uma organização conjunta da Câmara e Torres Vedras,do Museu Municipal Leonel Trindade, do Fórum, do ATV e da Associação do Património.

Num percurso de cerca de 12 kilómetros, com partida no Convento da Graça e chegada no Chafariz dos Canos, percorreram-se alguns dos lugares de memória associados ao Vale do Sizandro e ao património e à actividade económica a  ele  associados.

O primeiro percurso  fez-se entre Torres Vedras e a Quinta da Portucheira, onde os caminhantes foram recebidos pelos proprietários dessa Quinta que serviram uma prova dos excelentes vinhos aí produzidos, acompanhado por outros petiscos, e onde nos foi contada a história dessa Quinta.

Nesse percurso passou-se pelo lugar dos antigos armazéns Abel Pereira da Fonseca, na rua Tenente Valadim, onde apenas existe a memória e pelo ainda bem preservado edifício do Instituto da Vinha e do Vinho, excelente exemplar da arquitectura modernista, junto a outro importante monumento, o Aqueduto. Aqui o Dr. Pedro Belchior historiou a actividade económica  ligada a esses edifícios.

Partiu-se depois em direcção às Termas dos Cucos, seguindo-se passando pela  a Quinta da Macheia, aolado do vale de Matacães, em direcção à Quinta da Portucheira.

O regresso fez-se pela margem do Sizandro, junto às duas azenhas aí existentes, actualmente em ruinas.

É um pouco desse percurso que em baixo deixamos documentado fotograficamente.

INSTITUTO DO VINHO E DA VINHA





 ...AO LONGO DO SIZANDRO...



 ...ATÉ ÀS TERMAS DOS CUCOS...




 ...EM DIRECÇÃO À QUINTA DA MACHEIA PELO VALE DE MATACÃES...







 ...JUNTO AO "APEADEIRO" DA MACHEIA..


 ...EM DIRECÇÃO À QUINTA DA PORTUCHEIRA...



...CHEGANDO À QUINTA DA PORTUCHEIRA..





 ..DE REGRESSO, JUNTO AO RIO, JUNTO ÀS AZENHAS, COM UM ARRUINADO FORNO DE CAL DE PERMEIO.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A História da Casa Hipólito em livro

No passado Sábado, 16 de Dezembro, foi feito o lançamento oficial da obra de Joaquim Moedas Duarte “Casa Hipólito – História, memórias e Património de uma fábrica torriense”.

A obra resultou do trabalho de dissertação de Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta, tese defendida por Moedas Duarte no passado dia 17 de Maio.

A história da Casa Hipólito confunde-se com a História de Torres Vedras no século XX, tal a sua importância do ponto de vista económico social e até cultural que teve para este concelho.

Raras serão as famílias torrienses que não tiveram um familiar ou amigo que trabalhou nessa empresa ou, pelo menos, adquiriu um produto dessa fábrica.

O texto de Moedas Duarte não aborda apenas a memória patrimonial da "Hipólito", mas analisa todos os aspectos relacionados com o impacto social e económico dessa empresa na região.

Recorrendo a todo o tipo de fontes, manuscritas, impressas,orais, fotográficas e iconográficas, dá-nos um muito bem documentado e aprofundado registo sobre as marcas que essa empresa deixou na memória colectiva torriense.

A obra divide-se em quatro capítulos.

No primeiro, intitulado “O Homem e a  circunstância”, traça a biografia de António Hipólito (1882-1954), enquadrada na conjuntura da vida torriense de então.

O segundo capítulo dedica-se à História da Empresa, que o autor divide em três grande fases: a primeira de 1902 a 1944, a fase de afirmação de “A Industrial”, nome de origem, fase em que assume grande importância uma figura como Vasco Parreira; a segunda fase, de 1944 a 1980, a fase áurea da empresa, marcada pela afirmação do nome a que passou para a história, a “Casa Hipólito”, e de afirmação nacional e internacional; a terceira fase, de 1980 a 1999, a fase de decadência, que acabaria na sua dramática falência.

O terceiro capítulo avança com a proposta e “projecto para um museu de memórias do trabalho em Torres Vedras", tendo em vista a preservação do valioso património associado à rica vida empresarial torriense.

O quarto e último capítulo faz a recolha de “memórias de quem trabalhou na fábrica”, um conjunto de 22 memórias pessoais de quem este, "por dentro", naquela empresa.

Uma bem elaborada cronologia, um levantamento bibliográfico  rigoroso para quem queira aprofundar o estudo sobre algumas temáticas abordadas no livro e um levantamento iconográfico e fotográfico sobre a Casa Hipólito, completam esta obra fundamental para quem queira conhecer ou estudar a vida torriense.

O livro de Joaquim Moedas Duarte foi editada em parceria entre a Associação para a Defes e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras e a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, iniciando o projecto daquela associação torriense de lançar uma linha editorial “com novos títulos de estudo de outras empresas, de biografias de torrienses notáveis ou de abordagem de temas culturais de carácter local".

A Casa Hipólito continua bem viva na memória dos torrienses, existindo mesmo alguma empresas, das mais importantes do concelho, herdeiras da dinâmica da “Hipólito”, como são os casos da Eugster & Frismag, ou da “Transportes Paulo Duarte”, esta última, aliás uma das patrocinadoras desta obra (juntamente com D. Ana Paula Hipólito Carreira Duarte, bisneta do fundador).

Joaquim Moedas Duarte, numa escrita quase poética, como a descrição inicial da saída da fábrica ao som da sirenes, deixa-nos assim uma obra que passa a ser  uma das obras de referência que testemunha uma época marcante na memória de grande parte dos torrienses.  

Em baixo deixamos um resumo da obra, retirado da página da Universidade Aberta:

 “Em 1902 António Hipólito, jovem migrante de Alcobaça para Torres Vedras, fundou uma empresa de metalomecânica ligeira, em nome individual, à qual chamou A Industrial.

“Latoeiro de folha branca, rapidamente se apercebeu das oportunidades facultadas por uma sociedade marcada pela ruralidade em que a vitivinicultura tinha lugar de destaque.

“Começando pelo fabrico de lanternas de acetileno, expandiu-se para os equipamentos necessários à lavoura: pulverizadores, prensas de lagar, bombas de trasfega, torpilhas, etc.

“Apostando na qualidade e em preços acessíveis, ao mesmo tempo que dava atenção especial à divulgação dos seus fabricos através de publicidade na imprensa e participação em mostras e exposições, conquistou paulatinamente mercado local e nacional.

“De tal modo se notabilizou que o Governo Português o distinguiu em 1930 com a Comenda da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

“Quando, por motivos de saúde, o Comendador António Hipólito, em 1944, entregou a gerência da fábrica aos filhos e ao genro, a empresa passou a sociedade por quotas com a designação de Casa Hipólito.

“Nessa altura já fabricava fogões e lanternas a petróleo, equipamentos domésticos que viriam a torná-la famosa em Portugal e no estrangeiro para onde passou a exportar parte significativa da sua produção.

“Nos anos 50 a 70 atingiu o auge da sua actividade e expansão através da licença exclusiva de fabrico da marca alemã Petromax e alargando a gama de produtos ao sector de gás em parceria com a Cidla, primeiro e a Shell depois.

“Construindo novas instalações e empregando centenas de trabalhadores, tornou-se a maior empresa do concelho de Torres Vedras e uma das principais do país no seu ramo.

“Em 1972 passou a Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. Todavia, o impacto do ano de 1974 com a Revolução de Abril veio pôr a nu as deficiências estruturais de que já padecia: progressiva incapacidade de autofinanciamento, obsolescência do parque de máquinas e dos produtos fabricados, dificuldade em enfrentar a concorrência no sector vinícola, dificuldades em substituir o modelo de gestão familiar por outro mais adaptado ao crescimento da empresa.

“Nos anos 80 acentuou-se o percurso descendente. Em 1987 os credores impuseram um plano de recuperação e o controlo da gestão por via judicial. Iniciou-se um processo imparável de decadência que só terminou com a declaração de falência em Abril de 1999.

“Do que foi a actividade fabril da Casa Hipólito restam as memórias de quem lá trabalhou, os numerosos e variados testemunhos da imprensa local e um Fundo Documental à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade de Torres Vedras.


“Este trabalho que ora se apresenta resulta de uma investigação realizada sobre estas fontes informativas com uma dupla finalidade: preservar a memória social da Casa Hipólito, descrevendo o seu percurso de quase cem anos e registando as memórias de alguns que nela trabalharam; e propor formas concretas de tratamento museológico do património que dela foi possível salvar (texto/resumo da defesa de mestrado de Joaquim Moedas Duarte, feita na Universidade Aberta em 17 de Maio de 2017, publicado na página da internet desta Universidade)”.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Memória da Casa Hipólito - exposição a inaugurar no próximo Sábado no Museu Municipal LeonelTtrindade


de 19 de setembro a 31 de dezembro 2015

Local: Museu Municipal Leonel Trindade 
"A CASA HIPÓLITO marcou todo o século XX de Torres Vedras. Teve origem na pequena oficina de latoaria de António Hipólito  e ao longo do século cresceu, passou por uma fase de esplendor, entrou em decadência e extinguiu-se em 1999.
"Milhares de braços lá trabalharam, tornando próspera a empresa que, pouco a pouco, se firmou no mercado nacional e, a partir da Segunda Guerra Mundial, saíu para o mercado externo com um significativo volume de exportações.
Especializou-se em equipamentos de adega e maquinaria ligeira para a lavoura vitivinícola – o grande sector produtivo do concelho torriense – e em material de queima como fogareiros a petróleo e, mais tarde, candeeiros portáteis “Petromax” e aparelhos de gás.
"Esta mostra expositiva dá a ver um conjunto de objectos, fotografias e documentos que recordam o que foi aquela unidade fabril, - e que fazem parte do Fundo Casa Hipólito que, por iniciativa da Câmara Municipal de Torres Vedras, se encontra à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade". 

Museu Municipal Leonel Trindade
Terça a domingo das 10h00 às 18h00
Praça 25 de abril, Convento de Nossa Senhora da Graça
2560 Torres Vedras

261310485

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Apresentação do documentário "Torres Vedras, Memórias do Século XX"

Este documentário é uma iniciativa da Associação de defesa do Património de Torres Vedras.

Segundo refere o documento de apresentação "O documentário «Torres Vedras, Memórias do Século XX» aborda as principais dinâmicas e transformações sociais do Centro Histórico de Torres Vedras no decurso do século XX, com particular enfoque entre as décadas de 20 e de 70". 


Produção: Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, Carlos Levezinho, Jorge Ferreira


Realização: Jorge Ferreira

Direcção de Fotografia/Câmara: Jorge Ferreira 

Câmara adicional: Carlos Ferreira, Carlos Levezinho

Montagem/Edição: Carlos Levezinho

Sonoplastia: Carlos Levezinho



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

breve "história" da revista "O Barrete",...

BêDêZine: Acaba de sair a 19ª edição da revista "O Barrete",...: Acaba de ser publicada a 19ª edição da revista “O Barrete”, a “outra” revista do carnaval de Torres. Foi em 1996 se surgiu a primeira edição (clicar para ler o resto).

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

É JÁ NO PRÓXIMO SÁBADO : INAUGURAÇÃO OFICIAL DO FORUM DE ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE TORRES VEDRAS

Numa iniciativa rara em Torres Vedras, um conjunto de associações culturais torrienses resolveram juntar-se e iniciar uma caminhada colectiva, que dura já há vários anos, para criarem uma sede conjunta, onde mantêm a identidade de cada uma delas, com espaços próprios e colectivos.

Ainda por cima conseguiram recuperar um espaço único no centro histórico de Torres Vedras, sem esquecer a sua animação com a abertura de um bar, o Quebra Costas Bar.

A Inauguração oficial desse espaço vai decorrer ao longo do próximo dia 25, Sábado, ao longo do dia e da noite.

A programação e outras informações sobre o projecto podem ser lidas em baixo, no blog "Património de Torres Vedras".

PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS: INAUGURAÇÃO OFICIAL DO FORUM DE ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE TORRES VEDRAS (clicar para ver mais informações)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Santo António em Torres Vedras

(fotografia retirada do blogue da Associação de Defesa do Património de T. Vedras)

Hoje é véspera do dia de Santo António e em Torres Vedras existe uma longa tradição de festejar a data.

Já falámos várias vezes deste tema por aqui e por isso podem consultar o que escrevemos neste blogue clicando em baixo:

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Comemorações do Centenário da Inauguração da Luz Electrica em Torres Vedras

No próximo dia 1 de Dezembro comemora-se o centenário da inauguração da electricidade em Torres Vedras.
A Associação do Património, em parceria com outras instituições, prepara uma série de iniciativas para recordar esse importante evento.
Podem consulta o programa no blogue PATRIMÓNIOS, pertencente àquela associação.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Nova Esperança para as Termas dos Cucos.

No passado sábado, por iniciativa da Associação de Defesa do Património e guiados pelo meu amigo Paulo Neiva Vieira, em representação da família proprietária das centenárias Termas do Cucos, pudemos visitar demoradamente vários dos edifícios dessas Termas.
Várias circunstâncias, com muita burocracia à mistura, têm impedido a reactivação dessas Termas, e o esforço de manutenção e limpeza daquela enorme àrea têm recaido quase exclusivamente sob a responsabilidade da família Neiva Vieira.
Essa visita, que reuniu muito mais gente do que aquilo que costuma ser habitual neste tipo de iniciativas, demonstrou que os torrienses desejam ver aquele espaço mais aproveitado do que tem sido. 
Nesse dia recebemos também uma notícia de esperança que é a publicação, para breve, da classificação daquela zona  e dos seus edifícios como "Monumento de Interesse Público".
É uma esperança para o futuro daquele espaço, tanto mais que existe vontade por parte dos proprietários em dinamizar aquele espaço.
Aqui ficam algumas das fotografias que tirámos no interiro dos espaços visitados (VER MAIS AQUI):