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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Para a História da Indústria Torriense – “Casa Damião/Tomix"


Foi hoje colocado à venda em duas livrarias torrienses, a “Gráfica” e a “União”, o livro “Casa Damião/Tomix – Memórias da Indústria Torriense – Diálogos com Francisco Paulo Damião”, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, uma edição da Associação para a Defesa  e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras.

O livro conta a História de uma das empresas industrias pioneira de Torres Vedras, a Casa Damião, através das memórias de um dos filhos do fundador, Francisco P. Damião, recolhidas e devidamente contextualizadas por Joaquim Moedas Duarte.

Esta é a segunda incursão de Moedas Duarte pela história daqueles que ele apelida como “os latoeiros prodigiosos” que introduziram no concelho a industria metalomecânica, que revolucionou, no século XX, a economia de Torres Vedras.

Os outros “latoeiros prodigiosos” foram António Hipólito  e Francisco António da Silva.

A obra agora editada tem características diferentes da anterior dedicada à Casa Hipólito, considerando o autor que este novo livro “não é um estudo académico nem ensaístico”, mas uma “recolha de memórias e recriação ficcional sustentada em relatos orais”.

Seguindo, de forma organizada e estruturada, a entrevista com o filho do fundador da Casa Damião, esta é entrecortada com memórias ficcionais do próprio autor, onde se retrata uma época e se relaciona a evolução daquela empresa com a própria memória histórica de Torres Vedras ao longo do último século.

A obra inclui ainda um vasto reportório fotográfico, iconográfico e documental relacionado com a história da Casa Damião e a muitas personalidades a ela ligados, trabalhadores ou empresário.

Surgindo, por infeliz coincidência, numa semana marcada pela tragédia no seio da família Damião, esta é uma obra que nos remete para a memória do legado positivo deixado por essa família torriense.

A História de Torres Vedras sai mais enriquecida com a obra de Moedas Duarte.

 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A História da Casa Hipólito em livro

No passado Sábado, 16 de Dezembro, foi feito o lançamento oficial da obra de Joaquim Moedas Duarte “Casa Hipólito – História, memórias e Património de uma fábrica torriense”.

A obra resultou do trabalho de dissertação de Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta, tese defendida por Moedas Duarte no passado dia 17 de Maio.

A história da Casa Hipólito confunde-se com a História de Torres Vedras no século XX, tal a sua importância do ponto de vista económico social e até cultural que teve para este concelho.

Raras serão as famílias torrienses que não tiveram um familiar ou amigo que trabalhou nessa empresa ou, pelo menos, adquiriu um produto dessa fábrica.

O texto de Moedas Duarte não aborda apenas a memória patrimonial da "Hipólito", mas analisa todos os aspectos relacionados com o impacto social e económico dessa empresa na região.

Recorrendo a todo o tipo de fontes, manuscritas, impressas,orais, fotográficas e iconográficas, dá-nos um muito bem documentado e aprofundado registo sobre as marcas que essa empresa deixou na memória colectiva torriense.

A obra divide-se em quatro capítulos.

No primeiro, intitulado “O Homem e a  circunstância”, traça a biografia de António Hipólito (1882-1954), enquadrada na conjuntura da vida torriense de então.

O segundo capítulo dedica-se à História da Empresa, que o autor divide em três grande fases: a primeira de 1902 a 1944, a fase de afirmação de “A Industrial”, nome de origem, fase em que assume grande importância uma figura como Vasco Parreira; a segunda fase, de 1944 a 1980, a fase áurea da empresa, marcada pela afirmação do nome a que passou para a história, a “Casa Hipólito”, e de afirmação nacional e internacional; a terceira fase, de 1980 a 1999, a fase de decadência, que acabaria na sua dramática falência.

O terceiro capítulo avança com a proposta e “projecto para um museu de memórias do trabalho em Torres Vedras", tendo em vista a preservação do valioso património associado à rica vida empresarial torriense.

O quarto e último capítulo faz a recolha de “memórias de quem trabalhou na fábrica”, um conjunto de 22 memórias pessoais de quem este, "por dentro", naquela empresa.

Uma bem elaborada cronologia, um levantamento bibliográfico  rigoroso para quem queira aprofundar o estudo sobre algumas temáticas abordadas no livro e um levantamento iconográfico e fotográfico sobre a Casa Hipólito, completam esta obra fundamental para quem queira conhecer ou estudar a vida torriense.

O livro de Joaquim Moedas Duarte foi editada em parceria entre a Associação para a Defes e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras e a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, iniciando o projecto daquela associação torriense de lançar uma linha editorial “com novos títulos de estudo de outras empresas, de biografias de torrienses notáveis ou de abordagem de temas culturais de carácter local".

A Casa Hipólito continua bem viva na memória dos torrienses, existindo mesmo alguma empresas, das mais importantes do concelho, herdeiras da dinâmica da “Hipólito”, como são os casos da Eugster & Frismag, ou da “Transportes Paulo Duarte”, esta última, aliás uma das patrocinadoras desta obra (juntamente com D. Ana Paula Hipólito Carreira Duarte, bisneta do fundador).

Joaquim Moedas Duarte, numa escrita quase poética, como a descrição inicial da saída da fábrica ao som da sirenes, deixa-nos assim uma obra que passa a ser  uma das obras de referência que testemunha uma época marcante na memória de grande parte dos torrienses.  

Em baixo deixamos um resumo da obra, retirado da página da Universidade Aberta:

 “Em 1902 António Hipólito, jovem migrante de Alcobaça para Torres Vedras, fundou uma empresa de metalomecânica ligeira, em nome individual, à qual chamou A Industrial.

“Latoeiro de folha branca, rapidamente se apercebeu das oportunidades facultadas por uma sociedade marcada pela ruralidade em que a vitivinicultura tinha lugar de destaque.

“Começando pelo fabrico de lanternas de acetileno, expandiu-se para os equipamentos necessários à lavoura: pulverizadores, prensas de lagar, bombas de trasfega, torpilhas, etc.

“Apostando na qualidade e em preços acessíveis, ao mesmo tempo que dava atenção especial à divulgação dos seus fabricos através de publicidade na imprensa e participação em mostras e exposições, conquistou paulatinamente mercado local e nacional.

“De tal modo se notabilizou que o Governo Português o distinguiu em 1930 com a Comenda da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

“Quando, por motivos de saúde, o Comendador António Hipólito, em 1944, entregou a gerência da fábrica aos filhos e ao genro, a empresa passou a sociedade por quotas com a designação de Casa Hipólito.

“Nessa altura já fabricava fogões e lanternas a petróleo, equipamentos domésticos que viriam a torná-la famosa em Portugal e no estrangeiro para onde passou a exportar parte significativa da sua produção.

“Nos anos 50 a 70 atingiu o auge da sua actividade e expansão através da licença exclusiva de fabrico da marca alemã Petromax e alargando a gama de produtos ao sector de gás em parceria com a Cidla, primeiro e a Shell depois.

“Construindo novas instalações e empregando centenas de trabalhadores, tornou-se a maior empresa do concelho de Torres Vedras e uma das principais do país no seu ramo.

“Em 1972 passou a Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. Todavia, o impacto do ano de 1974 com a Revolução de Abril veio pôr a nu as deficiências estruturais de que já padecia: progressiva incapacidade de autofinanciamento, obsolescência do parque de máquinas e dos produtos fabricados, dificuldade em enfrentar a concorrência no sector vinícola, dificuldades em substituir o modelo de gestão familiar por outro mais adaptado ao crescimento da empresa.

“Nos anos 80 acentuou-se o percurso descendente. Em 1987 os credores impuseram um plano de recuperação e o controlo da gestão por via judicial. Iniciou-se um processo imparável de decadência que só terminou com a declaração de falência em Abril de 1999.

“Do que foi a actividade fabril da Casa Hipólito restam as memórias de quem lá trabalhou, os numerosos e variados testemunhos da imprensa local e um Fundo Documental à guarda do Museu Municipal Leonel Trindade de Torres Vedras.


“Este trabalho que ora se apresenta resulta de uma investigação realizada sobre estas fontes informativas com uma dupla finalidade: preservar a memória social da Casa Hipólito, descrevendo o seu percurso de quase cem anos e registando as memórias de alguns que nela trabalharam; e propor formas concretas de tratamento museológico do património que dela foi possível salvar (texto/resumo da defesa de mestrado de Joaquim Moedas Duarte, feita na Universidade Aberta em 17 de Maio de 2017, publicado na página da internet desta Universidade)”.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Joaquim Moedas Duarte publica livro sobre a Casa Hipólito.

Vai ser lançado no próximo Sábado o livro "Casa Hipólito - História, Memória e Património de uma Fábrica Torriense" da autoria de Joaquim Moedas Duarte e que resulta da sua tese de mestrado.

A sessão de lançamento terá lugar no próximo Sábado, dia 16 de Dezembro, pelas 15 horas, nos Paços do Concelho.

A Casa Hipólito foi a empresa torriense mais importante do século XX, tendo sido, durante anos, a principal empregadora do concelho e aquela que mais dinamizou a economia local.

Podem encontrar mais informações sobre a Casa Hipólito AQUI.

Joaquim Moedas Duarte é um dos mais dinâmicos investigadores da história do nosso património, principalmente na liderança da Associação local de Defesa do Património.

O seu livro é assim um importante contributo para aprofundar a história local de Torres Vedras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Hoje e Amanhã : VISITAS GUIADAS À MOSTRA EXPOSITIVA DA CASA HIPÓLITO


Esta mostra está patente ao público no Museu Municipal de Torres Vedras (Convento da Graça) até 30 de Dezembro deste ano.
Visitas guiadas pelo prof. Moedas Duarte, um dos responsáveis pela Mostra:
Dia 5 de Dezembro (Sábado) - 15H30 às 16H30
Dia 6 de Dezembro (Domingo) - 10H30 às 11H30

quarta-feira, 6 de maio de 2015

PROJECTO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE A CASA HIPÓLITO de Joaquim Moedas Duarte


A história do século XX de Torres Vedras está profundamente ligada à História de Casa Hipólito.

Nos últimos dois anos Joaquim Moedas Duarte tem-se dedicado à elaboração da sua tese de mestrado sobre património local, tendo escolhido como tema a importância da Casa Hipólito nessa àrea, estudo alargado igualmente à contextualização histórica dessa empresa industrial.

Moedas Duarte publicou há um ano o seu projecto de tese de mestrado (ESTUDOS DO PATRIMÓNIO : PROJECTO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: (clicar para ler)), onde explica o que pretende com esse estudo.

Esse texto não é uma mera explicação sobre a dissertação, analisando em profundidade o tema da sus tese.

Mesmo que não estivesse prestes a concluir a sua tese, esse texto de divulgação é já de disse uma importante base de informação sobre a importância patrimonial, histórica e social daquela empresa.

A leitura da apresentação do projecto deixa-nos bastante expectante sobre o trabalho final de Moedas Duarte, desejando-lhe um bom trabalho e prometendo voltar ao assunto quando tivermos mais novidades sobre esse importante trabalho de investigação.

Até lá, aqui deixamos alguns documento visuais sobre a Casa Hipólito, uns disponíveis e acessíveis na internet, outros  da nossa colecção particular:






























terça-feira, 8 de julho de 2014

Joaquim Moedas Duarte apresenta comunicação sobre a Quinta das Lapas na próxima sessão de Chás de Pedra

O Jardim e mata da Quinta das Lapas será o tema do próximo CHÁS DE PEDRA, em Santa Cruz, na Azenha, pelas 21H30. Inscrições prévias no Arquivo Municipal.

Em baixo divulgamos algumas fotografias dos jardins e da mata da Quinta, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, datadas de 2012.









(Fotos J. Moedas Duarte, 2012)

Outras fotografias da mesma Quinta, foram por mim publicadas há alguns anos no blogue Pedras Rolantes, e podem ser vistas AQUI e AQUI

Transcrevo também em baixo um pequeno artigo de divulgação por mim editado nos anos 90 do século passado e transcrito em 2008 nesse mesmo blogue:


QUINTA DAS LAPAS - Torres Vedras

Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Duas rampas dão acesso ao portão de entrada da casa solarenga, encimado pelo brasão da família fundadora.

Junto dessas rampas situa-se, em plano inferior, a capela dedicada a Nª Senhora do Rosário, com fachada em colunatas neoclássicas, mandada edificar por D. Nuno da Silva Telles, filho do 2º Marquês do Alegrete. O seu interior é forrado com um silhar de azulejos setecentistas com símbolos das ladainhas.

Existe nesta capela um cofre com as relíquias de S. frei Gil de Santarém, da ordem dos Pregadores.

A Quinta das Lapas foi comprada por D. Mariana de Menezes, casada com Fernão Telles, conde de Vila Maior, um dos 40 fidalgos que aclamaram D. João IV na restauração de 1640. Aquela condessa constituiu vínculo nesta propriedade, composta de extensos pinhais, terras de pão, olivais e vinhas.

A casa nobre foi erguida em finais do século XVII por Manuel Telles da Silva, conde de Vila Maior e 1º Marquês do Alegrete, título recebido em 19 de Agosto de 1687 pelo rei D. Pedro II.

A sua construção prolongou-se pelo reinado de D. João V, ficando prejudicada pelas obras do Convento de Mafra, pois aquele monarca requisitou todos os trabalhadores da região, tendo pedido pessoalmente ao Marquês do Alegrete para dispensar os que andavam a trabalhar nas obras desta Quinta, com a promessa de o compensar dessa dispensa. Mas a única recompensa foi a oferta dos dois leões em mármore que coroam os pilares do portão da Quinta.

Entra-se para o palácio depois de se passar a porta brasonada e um grande pátio quadrangular e subindo-se por uma imponente escadaria de pedra.

No interior do palácio todas as divisões se distribuem sem um único corredor a separá-las. Os tectos são em madeira e os rodapés são revestidos de azulejo português, dando para o jardim as janelas da sala de jantar.

No jardim destacam-se os azulejos do principio do século XVIII que forram as paredes do Lago da Sereia.

Um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer nesta Quinta é à sua grande mata, cortada em várias direcções por ruas largas, arborizada no início do século XIX com ulmeiros, pinheiros mansos, medronheiros e sobreiros. De entre estes destaca-se o chamado “sobreiro das quatro irmãs”, porque o seu tronco rente ao chão se divide em quatro de grande grossura e altura.

À entrada da mata existe a Ermida de Santa Maria Madalena, construída pelo último marquês de Penalva para substituir uma outra mais antiga aí existente, destruída pelos franceses em 1808.

No interior da mata existe uma capela incompleta dedicada a Santo André Avelino, mandada construir em 1778 pelo conde de Tarouca, Fernando Telles da Silva.

No jardim e na mata existem várias fontes, destacando-se a do “Frei João”, , a da “Água férrea” e a do “Leão”. Antes de se chegar à localidade de Monte Redondo, à direita da estrada que vem de Matacães, na encosta da serra da Achada, avista-se a entrada da Quinta das Lapas.

Até ao passado dia 18 de Novembro de 2008, a chamada "Fonte do Veado", onde se mistura o estilo barroco com o neoclássico, devia o seu nome ao facto de ser decorada com uma curiosa escultura em mármore de dois galgos segurando um veado pelas orelhas. Infelizmente a Quinta foi nessa data alvo de um assalto e essas estátuas roubadas, conforme anuncia a imprensa local.

Vários monarcas visitaram esta Quinta, entre eles D. João V e D. Carlos, bem como outros membros ilustres da família real portuguesa, tais como as rainhas D. Carlota Joaquina e Dª Maria Amélia, o príncipe D. Luís Filipe, a princesa D. Maria Francisca Benedita, a infanta D. Isabel Maria e o infante D. Manuel.

Também o famoso poeta Nicolau Tolentino passou alguns dias nesta Quinta e a ela lhe dedicou um dos seus poemas.

A conhecida cantora Teresa Tarouca, descendente dos condes de Tarouca, e Vila Maior e marqueses de Penalva e Alegrete, foi uma das últimas proprietárias desta Quinta.

Em 1986 foi a Quinta adquirida pela Associação “Le Patriarche”, funcionndo hoje como centro de recuperação de jovens toxicodependentes da Dianova, mas podendo ser visitada por quem o solicitar.


Venerando Aspra de Matos