Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Daniela Ruah dirige telefilme na Zona Histórica de Torres Vedras

Nos passados dias 31 de Maio e 1 de Junho, algumas ruas da zona histórica de Torres Vedras, foram palco das filmagens do telefilme "Os Vivos, o Morto e o Peixe Frito", produzido pela Ubkar Film em parceria com a RTP, realizado pela conhceida actiz Daniela Ruah.

Ficam aqui algumas fotografias de uma cena filmada na Rua do Celeiro de Stª Maria (antiga Rua da Judiaria), obtidas quando aí me dirigia para o meu escritório, localizado nessa rua:








terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Carnaval de Torres (anos de 1931 a 1935)

(Torre do Tombo, património fotográfico do jornal "O Século").

Podem ver em baixo um conjunto de filmes, existentes na Cinemateca Portuguesa, visíveis no seu site (CINEMATECA DIGITAL)

Em Baixo temos a reprodução desses filmes, num única montagem, onde se incluem as reportagens de 1932, 1933, 1934 e 1935, editada no Youtube pela Câmara Municipal de Torres Vedras.

A reprodução do filme mais antigo, o de 1931, pode ser visto a partir do próprio site da Cinemateca, não incluído nessa colectânea  clicando NESTE SÍTIO.

Divirtam-se.



domingo, 14 de abril de 2019

RECORDANDO A FUNDAÇÃO DO CINECLUBE DE TORRES VEDRAS.



O movimento cineclubista nasceu em França nos anos vinte do século passado.

Deveu-se a Ricciotto Canudo e Louis Delluc a iniciativa da criação desse movimento, realizando-se na em 1929, na Suiça, um congresso de cineclubistas e cineastas de vanguarda com o objectivo de fundar uma Federação Internacional de Cineclubes e uma Cooperativa Internacional de Produção Cinematográfica independente, pugnando pela afirmação da qualidade estético-temática dessa nova arte em ascensão .

Contudo,os terríveis acontecimentos das décadas de 30 e 40 impediram o florescimento do cineclubismo. Só depois da 2ª Guerra, ainda em 1945, se iniciou a reconstrução do movimento, reunindo-se em congresso em Cannes  para definir as suas linhas programáticas.

Em Portugal, apesar de em décadas anteriores alguma imprensa cinematográfica se referir à importância dos “clubes de cinema”, foi necessário esperar pela década de 40 para se fundarem os primeiros cineclubes, o C.C do Porto (1945) e o Clube de Cinema de Coimbra (1949). Contudo só nos anos 50 se assiste a um forte incremento  do cineclubismo português, que realizará o seu primeiro encontro nacional em Agosto de 1955.

É neste contexto que surge o Cine Clube de Torres Vedras, que comemora este mês o 60 º aniversário da sua fundação.

A idéia da formação de um cineclube  em Torres Vedras  partiu de um artigo, da autoria de António Augusto Sales, publicado nas páginas deste jornal, em 15 de Setembro de 1955.

Com base nesse artigo , reuniu-se , à volta de Augusto Sales, um conjunto de entusiastas que formaram uma comissão organizadora para por de pé essa iniciativa.

Esta “comissão organizadora de um Cine-Clube de Torres Vedras” deu o seu primeiro sinal de vida numa carta datada de 26 de Setembro de 1955, enviada à revista “Visor”, pedindo informações sobre os passos necessários para a fundação de um cineclube.

Uma das primeiras tarefas dessa comissão foi procurar uma sala onde se pudessem realizar as sessões cinematográficas. Nessa época apenas uma sala oferecia as condições necessárias, o Teatro-Cine Ferreira da Silva, sala inaugurada nos anos 20.

Contactada a gerência desta sala, os seus proprietários recusaram-se a satisfazer o pedido daquela comissão, num processo de contornos políticos e que se arrastaria ao longo de algum tempo.

Perante o impasse, a comissão organizadora do Cine Clube convocou todos os interessados para uma reunião pública na sede do Clube Artístico e Comercial que teve lugar em 24 de Fevereiro de 1956 e da qual saiu um abaixo assinado, que recolheu 237 assinaturas, dirigido ao presidente da A.G do Teatro-Cine, pedindo explicações para a recusa na cedência de instalações, acabando os proprietários do cinema por cederem à pressão publica.

Com esta situação aparentemente ultrapassada, foi convocada a primeira Assembleia Geral do Cine Clube  para discutir e aprovar os seus estatutos e eleger os corpos gerentes.

Esta assembleia prolongou-se por 10 sessões , realizadas entre 25 de Maio (considerada a data oficial da fundação dessa colectividade) e 3 de Julho.

Contudo, aprovados estatutos e eleitos os dirigentes, encontraram um novo entrave, desta vez por parte do SNI (Secretariado Nacional da Informação) que atrasou o processo da sua legalização.

Tentando forçar aquele organismo a tomar uma posição, os organizadores do cineclube, avançaram para a primeira sessão de cinema publica, depois de reunirem com um responsável daquele organismo,  que teve lugar,  na Cine-esplanada da Física, com o filme “Ladrões de Bicicletas” , no dia 29 de Julho.

Perante o facto consumado, e sem que se concretizasse a temida prisão dos organizadores, ao longo de mais 10 sessões foram jogando nos limites da lei , conseguindo realizar as sessões, , até que, finalmente, os Estatutos acabaram por ser legalizados, por despacho de 9 de Março de 1957, publicado em Diário do Governo de 30 de Março de 1957 e conseguindo eleger definitivamente uma direcção.

Finalmente, a primeira sessão oficial e devidamente legalizada teve lugar em 23 de Julho de 1957 com o filme “É preciso ter azar” de Nils Poppe.

Contando com um núcleo inicial de 235 sócios, registados no ano da fundação, chegou ao seu auge em 1961 com 603 sócios.

Editando boletins que acompanhavam as sessões, muitas delas comentadas, desde logo essa colectividade teve de se confrontar com a censura, que obrigava a cortes constantes nos boletins e no teor das palestras.

Destacava-se o excelente nível gráfico daqueles boletins, graças à colaboração das ilustrações a linóleo de Rui Pintão e José Afonso Torres e à direcção de Armando Pedro Lopes na sua elaboração.

O movimento cineclubista encontrou pela frente todo o tipo de dificuldades impostas pelo regime, que não via com bons olhos mais um espaço de liberdade  que não era facilmente controlável, espaço esse que, por sua vez, também era aproveitado pela oposição para divulgar uma visão diferente da cultura oficial.

Em finais de 1959 regista-se o primeiro conflito grave entre as autoridades da ditadura que tutelavam o movimento cultural, representadas pelo SNI, e o Cine Clube de Torres Vedras,  quando foi proibida a realização do V Encontro de Cineclubes Portugueses que estava programado para Torres Vedras  em Dezembro desse ano.

Poucos meses depois regista-se outro conflito grave, quando o mesmo SNI não homologa alguns dos nomes eleitos para a direcção do Cineclube de Torres Vedras de 1960, situação que se arrasta ao longo de todo o ano, provocando uma quebra no ritmo da actividade dessa colectividade.

No ano seguinte o conflito agrava-se quando o SNI procura impor um estatuto único aos cineclubes portugueses.

A situação vai culminar com o SNI, em colaboração com a Câmara Municipal de Torres Vedras, a impor, em Maios de 1962, uma Comissão Administrativa para dirigir o Cineclube torriense.

Encerrava-se assim o primeiro período da história do Cineclube. Este só veio a recuperar o seu fulgor doutros tempos no principio dos anos 70….Mas essa é outra história.

(Fontes : António [Aspra de MATOS], Venerando, “Cineclubismo – História à margem da História?”, in “Área”, Junho de 1982 e “Esboço histórico do Cine-Clube de Torres Vedras, série de 10 artigos publicados entre 11 de Novembro de 1981 e 29 de Janeiro de 1982 no jornal “Badaladas”; SALES, “Recordar o Cineclube”, série de 3 artigos publicados a partir de 2 de Fevereiro de 1976 no jornal “Badaladas”]

segunda-feira, 20 de junho de 2016

"4242", Uma curta-metragem torriense premiada, agora a concurso nos Estados Unidos





"4242"é uma curta-metragem realizada por uma jovem torriense, Sara Eustáquio, de 16 anos, que conquistou o prémio especial do júri de revelação no Festival Internacional de Cinema Near Nazarteth, em Israel.
 
O filme conta também com a interpretação de uma jovem actiz romena de 18 anos, a residir no Sobral de Monte Agraço.
 
Ambas são alunas de artes na Escola Secundária Henriques Nogueira de Torres Vedras (uma escola pública).
 
O filme está a concurso noutro festivais e tem sido muito elogiado na imprensa especializada, um pouco por todo o lado.
 
O filme "retrata os sentimentos contraditórios de uma adolescente que chega a um novo país como emigrante (...) onde tem de lidar com uma mudança que acaba por ser muito mais difícil do que ela pensa" e que é também "uma metáfora sobre a solidão  e as angustias  dos adolescentes na transição para a vida adulta".
 
Esta curta metragem foi rodada em Torres Vedras, Óbidos, Peniche e Lisboa
 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Cinema ao Ar Livre regressa a Torres Vedras, nos próximos dias 17 e 18 (sexta e Sábado)

É já amanhã que a iniciativa "Café com Filmes" vai exibir uma sessão de cinema ao ar livre, cinema mudo acompanhado musicalmente por Charlie Mancini
 

 
Charlie Mancini vai acompanhar os clássicos do cinema mudo  “Viagem à Lua”, de Georges Méliés, de 1902,  e “As Sete Ocasiões de Pamplinas” de 1925.
 
A sessão terá início às 21.45 e termina pelas 23 horas, no parque de estacionamento do Teatro Cine Ferreira da Silva e é de entrada livre.
 
No sábado seguinte, dia 18, vai realizar-se outra sessão ao ar livre,desta vez no Parque do Choupal, sob a designação de "Le plein de Super – Festival Itinerante de Curtas-Metragens", com inicio igualmente pelas 21.45.
 
 
Segundo a organização ""Le plein de Super" é um festival de cinema itinerante, dedicado à difusão de curtas metragens. (...).
 
"Os filmes são projetados no ecrã encostado à parte lateral do autocarro. Cada sessão dura aproximadamente uma hora. São exibidos cerca de 7-8 filmes sem diálogo. A seleção é mundial.
 
"No final de cada sessão, os espetadores podem escolher um filme/artista de que gostaram mais e escrever-lhe um postal.
 
"Le plein de Super" é uma estrutura nómada de difusão que pretende ir ao encontro do público e proporcionar um momento de convívio, antes, durante e depois da projeção".
 
Podem saber mais sobre essas iniciativas AQUI e AQUI.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Presos à Liberdade - ( 4 entrevistas a antigos presos políticos torrienses)

Nas comemorações do 25 de Abril de 2014 a Câmara de Torres Vedras promoveu duas sessões públicas que contaram com a presença de muitos torrienses que combateram contra o Estado Novo, entre os quais muitos que tinham estado presos.

Na sequência dessas sessões, no ano seguinte o município, com a coordenação de Carlos Guardado Silva, resolveu realizar um pequeno filme com entrevistas a alguns antigos presos políticos torrienses, aqueles que se mostraram disponíveis, onde eles contavam a sua história.

Foram entrevistados quatro antigos presos políticos, Duarte Nuno Climaco Pinto, João Marins, Firmino Rosa Santos e Herculano Neto da Silva.

Essas entrevistas foram conduzidas por mim  e pelo Carlos Guardado e a realização ficou à responsabilidade da Modular Studio.

Este filme foi apresentado publicamente por ocasião das comemorações locais do 25 de Abril de 2015 e está agora disponível no Youtube:

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Breve História do Cinema em Torres Vedras - 100ª Sessão Café com Filmes


O "Académico de Torres Vedras" acaba de divulgar um filme onde reúne as cinco comunicações que tiveram lugar no Teatro-Cine Ferreira da Silva por ocasião das sessões comemorativas da 100ª sessão da iniciativa "Café com Filmes".

Cada uma dessas comunicações resume cinco períodos da história do cinema em Torres Vedras, enquadradas na periodicidade do documentário sobre a História do Cinema Mundial que foi exibido.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Cinema em Torres Vedras, em Portugal e no mundo nos “Trinta Gloriosos” da História do cinema (1930-1960).


O texto que aqui se divulga resulta dos apontamentos que reunimos para servir de base à nossa comunicação que ontem teve lugar no Teatro-Cine Ferreira da Silva, por ocasião da passagem do segundo filme da iniciativa, que está a decorrer esta semana, para comemorar a 100ª sessão de “Café com Filmes”, com a exibição integral, em cinco sessões, da monumental obra “A História do Cinema – Uma Odisseia”, de Mark Cousins, e á qual já nos referimos AQUI.
Reproduzimos aqui apenas a primeira parte dessa comunicação (as outras duas podem ser lidas AQUI)..

Torres Vedras – os “Anos do Teatro-Cine"(1923-1956).

Para falarmos da relação de Torres Vedras com o cinema durante o período abordado no filme de hoje, os anos entre 1930 e 1960, teremos de estabelecer uma cronologia ligeiramente diferente para o caso torriense.

Esse período foi marcado pela importância da sala de cinema onde hoje nos encontramos, o Teatro-Cine Ferreira da Silva, para a divulgação do cinema desse período.

Assim estabelecmos uma cronologia própria para o caso de Torres Vedras, balizada nas datas de 1923, ano da inauguração do Teatro-Cine, e 1956, ano de fundação do Cine-clube fe Torres Vedras, que marcaria uma nova realidade cinematográfica local nas três décadas seguintes, sem esquecer a importância do início de transmissões regulares da televisão neste mesmo ano.

Comecemos então por falar, em traços largos, do Teatro-Cine.

A idéia de construção de uma sala de cinema com as características desta sala já vinha de trás, de uma tradição de duas salas anteriores , o “Salão Avenida – Animatographo”, fundado em 25 de Maio de 1911, que durou até 1915, e o “Animatografo” “Salão Central”, inaugurado em 7 de Julho de 1912.

Pela mesma ocasião, a velha sala de teatro do Grémio , inaugurada em 1899, foi adaptada para passar cinema, explorada pela empresa “A Tentativa”, fundada  em 1912 e que iniciou a exibição regular de cinema nessa sala em 9 de Fevereiro de 1919.

Foi a partir dessa empresa que surgiu nos anos 20, devido a divergências com a direcção do Grémio, a idéia de se construir uma nova sala de cinema de raíz.

E foi assim que, em 1921, se iniciou a construção desta sala, realizando-se nela uma primeira sessão experimental em 22 de Março de 1923 e sendo inaugurada oficialmente no dia 1 de Abril de 1923.

Seria baptizada com o nome do actor Ferreira da Silva em Abril de 1924, por autorização especial da viúva desse actor.

Essa sala assumia assim uma dupla vertente como sala de teatro e de cinema.

Mas, principalmente a partir da década de 30, com a chegada do cinema sonoro que atraiu muito mais gente para o espectáculo da 7ª arte, o cinema tornou-se a sua vertente principal.

Foi nessa sala que, pela primeira vez, foi exibido um filme sonoro, uma primeira vez, de forma experimental, nos finais de 1931, e, regularmente, a partir de 15 de Janeiro de 1932, depois de se efectuarem várias obras de adaptação na sala e de renovação técnica do material de projecção. O primeiro filme exibido nesta ocasião intitulava-se “Revista Hollywood” .

Recorde-se que o cinema sonoro, que se iniciou em 1927 nos Estados Unidos, com a exibição do filme “Jazz Singer” de Al Jolson, teve a sua primeira sessão em Portugal no dia 5 de Abril de 1930 no “Royal Cine”, à Graça, em Lisboa.

A Construção do teatro-cine de Torres Vedras inseriu-se num  movimento mais geral registado nos anos 20/30 de substituir os velhos “salões”, mais rudimentares, pelos novos “teatro-cines”,  construídos de raiz , de maiores dimensões e mais espaçosos, para acolher um público cada vez mais numeroso e meios técnicos cada vez mais sofisticados, contando muitas vezes com a colaboração de arquitectos, alguns de renome, que deram a estes espaços o estilo modernista que os caracteriza.

Nos finais da década de 20 a revista Cinéfilo, uma das mais importantes da história das publicações cinematográficas portuguesas, lançou nas suas páginas, em Dezembro de 1928, um inquérito sobre o mercado de exibição cinematográfico nacional, dirigido “aos leitores da província”.

As respostas foram publicadas ao longo do ano seguinte e entre as respostas encontra-se uma de um leitor de Torres Vedras , um tal Eugénio Silva, que nos traça, em breve palavras , um retrato do Teatro-Cine.

Começa por escrever que existiamm “dois cinemas” em Torres Vedras, mas que só “funciona o Teatro-Cine Ferreira da Silva”. O outro cinema então existente em Torres Vedras, que não funcionava, deve ser um dos acima referidos, talvez a do Grémio.

Continuava a referir-se ao Teatro-Cine, revelando que este dava “espectáculos 3 vezes por semana: domingo, segunda e quinta-feira” e que a sua lotação era de “900 lugares”.

As “fitas” que aí se exibiam eram “modernas” e em “bom estado”, sendo acompanhadas musicalmente (o sonoro só surgiu nesse cinema três anos depois) por “auto-piano”.

O aparelho de projecção “não é mau. É um Pathé reforçado com arco AEG”, permitindo “boa projecção”.

No concelho de Torres Vedras, nessa época, é de realçar uma outra iniciativa, a inauguração do “Cine-Salão” da praia de  Santa Cruz no Verão de 1928, funcionando na época balnear por muitas décadas.

Também é de registar a existência de uma produtora de cinema criada em 1929, a “Torres Film” (tinha existido uma outra fundada em 1924 e dirigida pelo alemão radicado nesta terra Otto Liebell).

Deve-se à “Torres Film” o registo de várias imagens do Carnaval de Torres durante a década de 30, filmes que foram exibidos no Teatro-Cine Ferreira da Silva, pelo menos por duas ocasiões, em Dezembro de 1930 e em Abril de 1936.

Esses filmes estão actualmente na Cinemateca Portuguesa e podem ser vistos AQUI neste mesmo blog.

Também neste período há a registar várias iniciativas para a exibição de cinema ao ar livre durante o Verão.

Há noticias de isso ter acontecido no Verão de 1931 no espaço das Termas dos Cucos e na “praça da Batata” (Praça Machado dos Santos), junto à Igreja de Santiago, cujas paredes serviam de écran, durante as décadas de 40 e 50, por iniciativa de um projeccionista de cinema ambulante que percorria o país.

A iniciativa do género mais bem conseguida e duradora foi a tomada pela Física de Torres que criou a Cine-Esplanada da Colónia Balnear que projectava cinema ao ar livre no ringue da sua antiga sede, adaptado para esse fim ao longo de muitos verões a partir de 1954.

Foi neste espaço que teve lugar a primeira sessão do Cine-Clube de Torres Vedras, em 29 de Maio de 1956, exibindo o filme “Ladrões de Bicicletas”, um dos mais marcantes deste período.

Por fim, não podíamos deixar de referir  a crescente importância que o cinema vai ter nas páginas da imprensa local com espaços regulares dedicados à divulgação e crítica cinematográfica, como aconteceu com o “Torres Sport”, onde se publicou a primeira página desse tipo em 1925, o “Gazeta de Torres”, entre 1929 e 1931, o “Jornal de Torres Vedras” entre 1931 e 1932 e, principalmente, com o jornal “Badaladas” que contou a importante colaboração de António Augusto Sales desde 1955 e cujas crónicas estiveram na origem da fundação do Cine-Clube de Torres Vedras em Maio de 1956.

O Teatro-Cine, e o cinema em geral,começou a perder, lenta e progressivamente, o seu fulgor como espectáculo de massas com o aparecimento da televisão em 1955/1956.

Há que não esquecer também que essa época em Portugal foi fortemente marcada pela censura a todo o tipo de espectáculos e à forte propaganda ideológica do regime que teve no cinema um dos seus principais agentes.

Até ao aparecimento da televisão, o cinema foi o principal meio pelo qual a população pouco alfabetizada de então recebia as notícias do mundo, numa das épocas mais conturbadas da história do século XX.

Fontes : 
- [CEIA, Aurelindo (org. gráfica), MATOS, Venerando Aspra de (recolha de documentos)], "X Encontro Nacional de Cine-Clubes , Torres Vedras, 29 de Outubro a 1 de Novembro de 1982", ed. Cine-Clube de Torres Vedras, 1982 (recolha em plaquete fotocopiada de artigos de jornal sobre a história do Cine Clube de Torres Vedras);
- Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, "Cinema em Portugal - os primeiros anos", ed.Museu da Ciência da Universidade de Lisboa, Dez. 2010 (principalmente pág. 72);
- [MATOS], Venerando António [Aspra de ], "Anos de Luz... Para a História do Cinema em Torres Vedras", in Vedra - revista de Património e História Local, nº 1, pp.23 a 30, ed. APDDPCTV, Janeiro de 1990;
- SILVA, Susana Constantino Peixoto, "Arquitectura de Cine Teatros: Evolução e Registo [1927-1959] - equipamento de cultura e lazer em Portugal no Estado Novo", ed. Almedina-CES, Coimbra, Abril de 2010.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

No Teatro - Cine , de 14 a 18 de Dezembro : Uma semana para evocar a História do Cinema e comemorar a 100ª sessão de "Café com Filmes"


A iniciativa “Café com Filmes” vai comemorar a sua 100ª sessão com  “uma semana muito especial, com a exibição do filme “A História do Cinema – Uma Odisseia”, que será apresentado em 5 partes, em 5 dias seguidos”.

A anteceder  cada sessão, “em que iremos assistir cronologicamente à história do cinema a nível mundial, haverá lugar a uma pequena apresentação, com convidados locais, sobre o que estava a acontecer em Torres Vedras nessa altura, na área do cinema”:

14 de Dezembro / 1895-1930 / Célia Reis

15 de Dezembro / 1930-1960 / Venerando Matos

16 de Dezembro / 1960-1970 / José Travanca

17 de Dezembro / 1970-1990 / Noémia Santos

18 de Dezembro / 1990-2015 / Filipe Roque do Vale

O filme que está na base dessas sessões é  “A História do Cinema – Uma Odisseia” realizada no Reino Unido em  2011 e que, em 15 horas de filme faz uma interpretação muito especial de 120 anos de história “ evocando mais de 1000 filmes e abarcando 6 continentes (…).Desde o tempo do mudo aos blockbusters americanos, de Hollywood a Bombaim, da época de ouro do cinema americano das décadas de 30 e 40, ao eclodir da Nouvelle Vague e do neo-realismo na Europa e depois do Cinema Novo de todos os continentes, visitando o trabalho dos mais importantes realizadores de todos os tempos, através de centenas de entrevistas e depoimentos e muito material inédito este é o documentário definitivo sobre a 7ª arte”.

O documentário foi realizado por Mark Cousins.

Esta é uma boa forma de iniciar as comemorações do 60º aniversário da fundação do Cine Clube de Torres Vedras (idealizado em 1955 e concretizado em 1956), e de destacar a longevidade da iniciativa “Café com Filmes” que, actualmente em Torres Vedras, mais se aproxima do espírito  cineclubista.

Data/Semana 14 a 18 de Dezembro | Segunda a Sexta-Feira

Duração 900 min (3 hrs/dia)

Classificação Etária M/6

Trailer
https://vimeo.com/79975831
https://www.youtube.com/watch?v=jAQNc6aQtO0
https://www.youtube.com/watch?v=ACpzquBsC6k

Local : Teatro-Cine de Torres Vedras

Horário 21h00

ENTRADA LIVRE


O Café com Filmes é uma atividade realizada em co-produção entre o ATV e o Teatro-Cine de Torres Vedras

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Recordar o Cine Clube de Torres Vedras


Em Maio de 2016 comemora-se o 60º aniversário da fundação do Cine-clube de Torres Vedras, uma idéia que foi lançada por António Augusto Sales em 1955, nas páginas do jornal Badaladas.

Em breve contamos aqui editar uma estudo que realizámos, na década de 80, sobre  a história do Cine clube de Torres Vedras.

Por agora, limitamo-nos a reproduzir aqui algumas  capas dos folhetos editados nos primeiros anos de existência desse cineclube, algumas delas verdadeiras obras da arte gráfica (a sua execução implicava um apurado conhecimento na técnica da chamada linoleogravura ou da xilografia).

Na altura, um pouco por todo o país, despontaram muitos cineclubes e, na elaboração gráfica dos seus catálogos, participaram muitos dos grandes artistas plásticos da época (vejam AQUI e AQUI os exemplos dessa colaboração noutros cineclubes portugueses).

Em baixo podem ver, então, alguns desse catálogos:












segunda-feira, 4 de maio de 2015

Apresentação do documentário "Torres Vedras, Memórias do Século XX"

Este documentário é uma iniciativa da Associação de defesa do Património de Torres Vedras.

Segundo refere o documento de apresentação "O documentário «Torres Vedras, Memórias do Século XX» aborda as principais dinâmicas e transformações sociais do Centro Histórico de Torres Vedras no decurso do século XX, com particular enfoque entre as décadas de 20 e de 70". 


Produção: Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, Carlos Levezinho, Jorge Ferreira


Realização: Jorge Ferreira

Direcção de Fotografia/Câmara: Jorge Ferreira 

Câmara adicional: Carlos Ferreira, Carlos Levezinho

Montagem/Edição: Carlos Levezinho

Sonoplastia: Carlos Levezinho



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Presos à Liberdade, um documentário torriense a estrear no 25 de Abril:


Integrado nas comemorações do 25 de Abril em Torres Vedras, vai ser apresentado o documentário "Presos à Liberdade", uma conversa com quatro torrienses que estiveram presos antes do 25 de Abril.

A estreia vai ter lugar na noite de 24 de Abril em A-Dos-Cunhados e repete-se em Torres Vedras, nos Paços do Concelho, na tarde de Sábado, 25 de Abril, pelas 16 horas: 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Castelo de Torres Vedras - Nos Alvores da Idade Moderna








Conhecer o Castelo de Torres e os mais recentes conhecimentos sobre a sua origem e evolução é o objectivo deste excelente video, produzido para o Centro Interpretativo localizado naquele monumento, à volta do qual cresceu e viveu a actual cidade de Torres Vedras.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Um Filme sobre Torres Vedras nos anos 30

Agradeço ao meu amigo Iidefonso Neves por me ter enviado este link AQUI  (clicar para ver o filme) com um magnifico filme sobre Torres Vedras, filmado aí pelos anos 30

O filme está no arquivo da Cinemateca que, sobre ele apresenta os eguintes dados:

Artur Costa de Macedo (1894-1966) - Realizador
Portugal, 1934?
Género: Documentário
Duração: 00:30:02, 16 fps
Formato: 35mm, Cor, sem som
AR: 1:1,33
Descrição: Aspectos de Torres Vedras. Tipos Populares. Pórtico de São Pedro. Igreja da Graça. Chafariz dos Carros. Castelo. Ermida de Nossa Senhora do Ameal. Mercado. Agricultura – vinha. Indústria de tanoaria e indústria metalo-mecânica. Corpo de bombeiros. Rio Sizandro. Termas dos Cucos. Quinta das Lapas. Asilo de Runa. Praia de Santa Cruz.
ID CP-MC: 3002600-001-00.02.00.01

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Exposição Agrícola nos anos 20 no arquivo da Cinemateca :

(O Choupal no ínicio do século XX)

No dia 22 de Agosto de 1926 teve lugar em Torres Vedras, no Choupal, a inauguração de uma grande exposição "agrícola, pecuária e industrial", motivo de uma rara reportagem cinematrogáfica, em baixo reproduzida dos arquivos da Cinemateca Portuguesa, disponíveis on-line:

Cinemateca - Ficha(clicar para ver)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Bang Awards - um fim de semana torriense com cinema de animação.

Tem hoje início, prolongando-se até Domingo, a mostra de cinema de animação Banga Award, com actividades em vários locais da cidade, principalmente no Castelo, e cuja programação pode ser consultada AQUI.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Raúl Ruiz é o realizador de "As Linhas de Torres Vedras"



A notícia era conhecida desde Abril. Hoje, so seu suplemento "Ípsilon" o jornal Público desenvolve a notícia sobre a realização do filme sobre as Linhas de Torres, da autoria do consagrado cineasta chileno Raul Ruíz.
Ficamos a aguardar com expectativa essa interessante iniciativa.