Mostrar mensagens com a etiqueta história local. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta história local. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Torres Vedras e a Sua História - Um ensaio de Historia Estrutural, por José Travanca Rodrigues

(fotografia de Lia Travanca)

Faleceu no passado dia 23 de Setembro o professor José Travanca Rodrigues.

Como professor, foi responsável pela inovação na bordagem à história local por parte de um núcleo significativo de antigos alunos seus, juntamente com outra professora, sua companheira de sempre, a professora Cecilia Travanca.

Foi um mestre no ensino rigoroso da história e no convite a uma abordagem em busca de novas formas de encarar a História Local.

Em sua homenagem, aqui deixamos reproduzido um texto seu, publicado em  Janeiro de 1990, na revista VEDRA, editada pela Associação de Defesa do Património, associação da que fez parte.

Esse texto faz uma original abordagem da História de Torres Vedras, usando a metedologia da História Estrutural, corrente que muito apreciava e cultivou.

Para o lerem melhor, podem clicar sobre cada uma das páginas reproduzidas em baixo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Misericórdia de Torres Vedras


A história e a acção cívica da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras confunde-se com os últimos cinco séculos da História torriense.

Fundada  por alvará de 26 de Julho de 1520, revelou-se a mais marcante iniciativa tomada localmente durante o reinado de D. Manuel (nascido em 1469, reinou entre 1495 e 1521).

A sua fundação vem na sequência da  necessidade sentida, desde os finais do século XV, em ordenar e unificar a assistência, que se iniciou quando D. João II lançou a primeira pedra do Hospital de Todos os Santos, reunindo para esse fim os rendimentos de vários estabelecimentos pios, obra continuada por sua mulher D. Leonor, quando, já viúva, fundou a Misericórdia de Lisboa em Agosto de 1498.

A História dessa instituição em Torres Vedras, e da sua acção ao longo dos séculos, está suficientemente estudada, numa primeira síntese por Madeira Torres (1), aprofundada por Salinas Calado (2) e, mais recentemente, numa obra de fôlego e definitiva, por Célia Reis (3).

Registem-se ainda alguns estudos sobre aspectos mais particulares dessa instituição, como os de Manuela Catarino (4) e Joana Balsa de Pinho (5).

Registe-se ainda o volume dedicado às Misericórdias, numa visão global, incluído na edição de actas dos encontros Turres Veteras (6)

Neste texto, apenas pretendemos fazer uma breve evocação dessa instituição, remetendo um conhecimento mais aprofundado sobre a mesma  para a consulta das obras acima referida, em especial para o livro de Célia Reis.

A sede torriense dessa instituição foi instalada no Hospital do Santo Espírito, que já possuía os bens do Hospital de Santa Maria dos Farpados e do Hospital do Mostardeiro, juntando-se então a esses, os bens da Confraria das Ovelhas Pobres e os do Hospital de S. Gião, ou Confraria dos Sapateiros, aos quais se juntariam outros bens ao longo dos séculos.

A Misericórdia de Torres Vedras começou a sua vida “com duas salas para ambos os sexos  e uma capela, e segundo Madeira Torres, com um rendimento de : 6 moios de trigo, 3 de cevada, 36 almudes de vinho, 3 potes de azeite, 56 galinhas e frangos, um carneiro, 13.888 réis em dinheiro e 2 óvos, além dos sobejos de todos os outros Hospitais e Albergarias.

“Além destes rendimentos, estava a Santa Casa autorizada a ter Mamposteiros ou arrecadadores d’esmola em todas as freguesias do arciprestado, encarregados de pedirem para ela” (7).

Em 1767 foi aí construída uma enfermaria de mulheres e, em 1795, foi autorizada a criação de uma “botica” no hospital, só concretizada em 1814.

O edifício foi acrescentado em 1796 com a compra de uma casa nobre a sul, alargando as enfermarias para quatro.

O Hospital funcionou aí até à inauguração do Novo Hospital da Misericórdia, no local do actual Hospital Distrital, em 18 de Julho de 1943, com a presença do então Presidente da república Óscar Carmona.

As obras do novo hospital começaram em 1926, mas a inauguração só ocorreu nessa data.

O novo hospital foi “construído por contribuição do Estado e da Câmara Municipal”, e com a contribuição de vários beneméritos locais, homenageados numa lápide comemorativa descerrada na ocasião, no átrio do hospital”. Entre os beneméritos foram citados os “srs. Álvaro Galrão, dr. José Alberto Bastos, Joaquim Vaquinhas, dr. Júlio Lucas e D. Teresa de Jesus Pereira” (8).

Com a mudança das instalações do Hospital, no edifício então desocupado estiveram instalados o Museu Municipal e a Biblioteca Municipal de 1944 a 1989.

Em 19 de Maio de 1681 deu-se inicio à construção da Igreja da Misericórdia, contigua àquele hospital, obra concluída em 1710, ano em que foi benzida em  acto solene, realizado a 6 de Setembro desse ano, presidido pelo Bispo de Tagaste, o torriense D. Manuel da Silva Francês.

Entra-se para a Igreja pelo adro que serviu de cemitério onde se enterravam os pobres falecidos no Hospital, antes de a Santa Casa ter cemitério pegado para norte e, talvez, para poente.

O Pórtico tem as armas reais do século XVII, e a porta é datada de 1718.

A igreja é de uma nave coberta por abobada de berço, onde estão pintadas as armas reais, com a cruz da ordem de Cristo  (típico do século XVIII).

No altar mor existe, no centro, uma imagem de N.ª Senhora da Misericórdia com o menino (seiscentista) e, segundo Salinas Calado, à “mão direita da Senhora da Misericórdia, no seu altar de talha dourada, existe um pequeno esconderijo; ali escaparam, como protegidos pelo seu manto piedoso, às prisões de 22 de Dezembro” (de 1846) “alguns patuleias, torrienses de então”.

A sacristia foi construída em 1752, por ordem do provedor Nuno da Silva Teles (Tarouca e Alegrete).

Leia-se, a propósito desse monumento, o interessante estudo sobre a sua arquitectura da autoria da já citada Joana Balsa de Pinho.

Sobre o valioso património artístico dessa instituição, visite-se o pequeno museu instalado no espaço sede da instituição, baptizado com o nome de Manuel Rosado, um quase centenário e dedicado cidadão à causa pública e a essa instituição.

Em 1975 a instituição perdeu as suas funções hospitalares, passando o edifício do Hospital a ter gestão estatal. Em contrapartida a associação ganhou novas valências, com a criação de uma creche e jardim de infância em Outubro de 1980, a inauguração de uma nova sede e de um centro de dia em Maio de 1987, e, em Dezembro de 2002, a inauguração do lar de Nossa Senhora da Misericórdia no lugar do Sarge.

Entretanto, no edifício original, para além dos serviços administrativos, existe um bem organizado arquivo histórico, englobando quinhentos anos da história de uma instituição que se confunde com a História de Torres Vedras, bem como o já mencionado museu.

Esperamos , com esta modesta e sintética evocação dessa importante “associação” torriense, despertar o interesse pelo conhecimento da sua actividade e da sua importância histórica e social no concelho torriense.


(1) – MADEIRA TORRES, Manuel Agostinho Madeira Torres, Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras, 2ª edição anotada, 1862, (1º edição em 1819), com nova edição fac-similada editada pele Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras;

(2) - CALADO, Rafael Salinas, Origens e Vida da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, ed. 1936;

(3) – REIS, Célia, A Misericórdia de Tores Vedras (1520-1975),  ed. Da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 2016;

(4) – CATARINO, Manuela, “Assistência no século XIX”, in  Torres Vedras – Passado e Presente, Vol. I, obra colectiva, ed. Pala Câmara Municipal de Torres Vedras em 1996, pp. 299 a 316;

(5)- PINHO, Joana Balsa, “Persistência e atualidade de um modelo tipológico: a Casa da Misericórdia de Torres Vedras e a arquitetura das Misericórdias quinhentistas”, in A Misericórdia – História, Arte e Património, Turres Veteras XXIII, cord. Carlos Guardado Silva, ed. Colibri, CMTV, Universidade de Lisboa (…), ed.2022

(6) – SILVA, Carlos Guardado, (coord.), A Misericórdia – História, Arte e Património, Turres Veteras XXIII, ed. Colibri, CMTV, Universidade de Lisboa (…), ed.2022 ;

(7) – CALADO, ob. Cit., pág.6;

(8) - in Novidades de 19 de Julho de 1943;

quinta-feira, 9 de maio de 2024

XXVI TURRES VETERAS: DEMOCRACIA E CIDADANIA


 Local: Auditório do Edifício Paços do Concelho

Esta atividade integra o(s) programa Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril

"Na cidade, desde tempos antigos, forjou-se a semente da cidadania, permitindo a cada um ter voz e ter vez. Ali também nasceu um dia da noite e do silêncio a democracia… e fez-se de um caldo de liberdade e igualdade a construção de um “Nós”, derrubando ditaduras, quando os homens eram presos e os espíritos torturados e as ideias perseguidas e emigrava-se para o fundo do Futuro. Mas houve alguém que disse ‘Não’, porque fez-se ouvir de novo a voz de um povo, que gritava por um Abril já feito ou ainda e sempre por fazer." (©Carlos Guardado da Silva)

* Atividades não sujeitas a inscrição


Programa

09 de maio

21h00 | Documentário - Presos à Liberdade*

Durante 48 anos, instalou-se em Portugal um regime totalitário, sedimentado na Censura e na Polícia Política. Milhares de homens e mulheres resistiram na luta pela mudança de regime, de governo, do País. Porque eram da oposição, foram perseguidos, obrigados a viver na clandestinidade, presos e torturados pela PIDE. A sua voz ouviu-se na Revolução de Abril, gritando pela Liberdade. Em abril de 2015, voltámos a ouvir as suas vozes, no Convento de Nossa Senhora da Graça, em Torres Vedras, onde outrora se encontrava o posto da Guarda Nacional Republicana. Lugar de memórias, de onde muitos partiram presos… para serem entregues à PIDE.

Produção: Câmara Municipal de Torres Vedras, 2015
Realização: Modular Studio
Coordenação do Projeto: Pedro Fortunato e Carlos Guardado da Silva
Entrevistados: Duarte Nuno Pinto, João Martins, Firmino Rosa Santos, Herculano Neto da Silva
Investigação e entrevistas: Carlos Guardado da Silva e Venerando Aspra de Matos
Direção de Produção: Samuel Avelar
Imagem, cenografia e iluminação: Filipe Neto
Edição: João Dias
Direção de Arte: João Faustino e Samuel Avelar
Pós-produção: João Dias, João Faustino, Hugo Baptista Gomes
Música: Pedro Fortunato

22h00 | Debate*

Moderação: Célia Reis - historiadora
Convidados: Susana Martins - historiadora
Carlos Guardado da Silva: coordenação do projeto, investigação e entrevistas
Venerando Aspra de Matos: investigação e entrevistas


10 de maio

13h30 | Receção aos participantes

14h15 | Cerimónia de Abertura

14h30 | O 25 de Abril e a revolução dos cravos, uma história social 

Raquel Varela (Secção Autónoma em Educação e Formação Geral e CLK, FCSH – UNL)

15h00 | O 25 de Abril através do Cinema 

Mariana Liz (Centro de Estudos Comparatistas, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa)

15h30 | Daqui, posto de comando: o arquivo como instrumento de democracia 

Pedro Félix (Arquivo Nacional do Som)

16h00 | Debate

16h30 | Pausa para café

17h00 | Democracia e populismo na Atenas do Século V a.C.? 

Sofia Frade (Centro de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa)

17h30 | Senatus, coloniae, municipia: pedidos, concessões e recusas nos Annales de Tácito 

Maria Cristina Pimentel (Centro de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa)

18h00 | As Cortes de Torres Vedras e Torres Vedras em Corte

Maria Helena Cruz Coelho (Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra & Academia Portuguesa da História)

18h30 | Debate

19h00 | Performance DESENHO. MÚSICA. CORPO. | Sala 3 Paços - Galeria Municipal de Torres Vedras

O desenho surge como prática performativa e, assim, resposta à sonoridade da música e ao silêncio. O desenho é a extensão de uma dança de braços, ombros, coluna, de todo o corpo de Ana Caetano, em que cada movimento deixa um rastro na folha. Assume-se como um registo concreto de uma ação improvisada. Ana Caetano estará posicionada em frente a uma folha de papel e irá reagir e responder, com riscadores nas duas mãos em simultâneo, às vibrações da música de improviso tocada por Helena Espvall, criando um desenho que passa a fazer parte da exposição.

11 de maio

09h30 | Percurso pedonal - Nas tuas mãos começa a Liberdade…* 

Percurso pedonal em torno de lugares de resistência em Torres Vedras.

Francisco Manuel Fernandes / Venerando Aspra de Matos
Encontro: Largo de São Pedro, Torres Vedras
Duração: 60 minutos

11h00 | Escrita, Poder e Memória: os registos dos tabeliães torrienses 

Ana Pereira Ferreira (CIDEHUS, Universidade de Évora)

11h30 |  Os caminhos da emancipação política feminina: Olympe de Gouges, Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (1791) e Protofeminismo 

Camila Franco Henriques (Faculdade de Direito, Universidade de Lisboa)

12h00 | Debate

12h30 | Almoço

15h00 | O exílio português no Magreb:1961-1974

Susana Martins (Instituto de História Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa & Escola Superior de Educação de Lisboa)

15h30 | A Correspondência Política de Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa: memórias da oposição clandestina ao Estado Novo 

Luís Gonçalo Rodrigues (Centro de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa)

16h00 |  João Pereira Martins: o intelectual e a revoluçã

João Moreira (CHAM-Centro de Humanidades, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa)

16h30 |  A justiça política sobre os agentes da PIDE/DGS na transição para a democracia em Portugal 

Irene Flunser Pimentel (Instituto de História Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa)

17h00 | Debate

17h30 | Cerimónia de Encerramento

18h00 | Torres Vedras de Honra

Comissão de honra

A Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras - Laura Rodrigues
O Diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Hermenegildo Fernandes
A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras - Ana Umbelino
O Diretor do Centro de Estudos Clássicos - Rodrigo Furtado
A Diretora do Centro de Formação de Escolas de Torres Vedras e Lourinhã - Dalila Milheiro

 

Comissão científica

Pedro Gomes Barbosa (Presidente) (FLUL)
Ana Pereira Ferreira (CIDEHUS-UÉ)
André Filipe Simões (CEC-FLUL)
Carlos Guardado da Silva (CEC-FLUL; APH)
Célia Reis (FCSH-NOVA)
Cristiana Lucas da Silva (UAb)
Irene Vaquinhas (CHSC, FLUC)
João Inglês Fontes (IEM-FCSH-NOVA)
Maria dos Anjos Luís (UCP-CEHR)
Maria de Jesus Pereira (UAb, CHAM-FCSH-NOVA)
Mário Sérgio Farelo (ICS-U.Minho | LAB2PT)
Rodrigo Furtado (CEC-FLUC)
Susana Martins (IHC, FCSH-NOVA)
Vasco Gil Mantas (FLUC)

 

Comissão organizadora

Carlos Guardado da Silva
Cecília Travanca Rodrigues
Francisca Ramos
Margarida Silva
Pedro Gomes Barbosa
Sandra Martins
Teresa Corça
Venerando Aspra de Matos

 

Organização

Município de Torres Vedras, Museu Municipal Leonel Trindade
Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Centro de Estudos Clássicos

 

Parceria

Centro de Formação das Escolas de Torres Vedras e Lourinhã

Info: 261 310 455 | 261 310 485 | museu.rececao@cm-tvedras.pt

Inscrições: A inscrição implica o preenchimento do formulário (https://forms.gle/ecJmbhnNJSmD9AhQ6) e a aquisição de bilhete na Bol (https://museutorresvedras.bol.pt/)

Inscrição para professores em: A inscrição implica o preenchimento do formulário (https://www.cfetvl.cfae.pt) e a aquisição de bilhete na Bol (https://museutorresvedras.bol.pt/)

Nota: Ação acreditada pelo CCPFC, através do Centro de Formação de Escolas de Torres Vedras e Lourinhã, para os grupos de recrutamento 100, 110, 200, 210, 220, 240, 250, 290, 300, 400, 410, 420, 430, 600,610, 910, 920, 930 (Curso de 12 horas)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

…era o Vinho! (breve evocação da produção vinícola na história torriense

 


A história de Torres Vedras é transversal à história da produção de vinho.

Contudo, não existe nenhuma monografia aprofundada e diacrónica sobre a história do vinho nesta região, apesar de muitas referência e estudos de tipo conjuntural.

Com este texto procuramos elaborar uma pequena síntese que, quem sabe, possa servir de base para uma história do impacto da produção vinícola na região de Torres Vedras.

Não se conhecendo quando é que esse produto foi introduzido na região ou se existia em estado selvagem, existem vestígio de videiras por altura da época de ocupação do Castro do Zambujal (c.2500 a 1700 aC.), como é referido por Margarethe Upermann  (UERPMANN, Margarethe, “A indústria da pedra lascada do Zambujal”, in KUNST, Michael (coord.), Origens, Estruturas e Relações das Culturas Calcolíticas da Península Ibérica, Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, 3-5 Abril 1987, Trabalhos de Arqueologia 7, IPPAA, Lisboa 1995, pp.37-44).

Também Ana Arruda refere que a população indígena da região de Torres Vedras consumia vinho importado da Fenícia, durante a chamada Idade do Ferro europeia, no século VIII a.C (ARRUDA, Ana Maria, “O comércio fenício”, in História de Portugal – Dos Tempos Pré-Históricos aos Nossos Dias, dir. João Medina, 2º Vol, pp.17 a 34, Ediclube, 1993).

Contudo, em ambas as épocas referidas, se existem evidências de consumo, não existem provas de produção local.

Ao que parece, a produção local de vinho terá conhecido um grane incremento comercial durante a ocupação romana, e está na base da existência, nesta região, de várias villae, uma espécie de “quintas”, que abasteciam Olisipo, através de uma rede viária com alguma dimensão.

Contudo, é preciso esperar pelo foral de 1250 para encontrarmos a primeira referência documental à produção de vinho local:

“Aquele que arrombar o relego do vinho, e vender o vinho no seu relego, e provada a infracção (…) pague cinco soldos. E se for achado de novo em falta pela terceira vez, (…), todo o vinho seja entornado e os arcos dos tonéis sejam cortados. Do vinho de fora dêem um almude por cada carga e o outro seja vendido no relego”.

Pouco depois, surge o mais antigo documento conhecido que nos permite analisar, com algum rigor, a importância produtiva e a localização no concelho da produção vinícola na Idade Média, documento de 1309 ( Este documento foi publicado, analisado e divulgado por aqueles que se têm dedicado ao estudo da Idade Média em Torres Vedras: Félix Lopes, John Jonhson, Manuel Clemente, Manuela Catarino, Ana Maria Rodrigues, Carlos Guardado Silva…).

Pelos dados desse documento, calcula-se que o vinho, sendo produto importante, representava pouco mais de 30% do total dos produtos agrícolas produzidos no concelho, dominando a produção de cereis.

O Clero (com mais de 6 mil almudes) e a nobreza (com quase 5 mil almudes) dominavam a produção do vinho local (num total, nesse ano, de cerca de 16 mil almudes).

A zona do concelho onde se concentrava a maior parte da produção do vinho era no vale do Sizandro, principalmente o sudeste, na região entre Dois Portos e a Ribeira de Pedrulhos, estendendo-se para o Barro e a Orjariça, até ao Turcifal. As aldeias do Varatojo, Turcifal, Ribaldeira e Ribeira de Manjapão concentravam cerca de 20% de toda a produção vinícola.

Com a excepção desse documento, é muito escassa e dispersa a documentação existente sobre esse tipo de produção neste concelho.

De referir, no foral manuelino de Torres Vedras, doado em 1510, o destaque à produção de vinho, como se revela pela importância dada ao relego real, cuja venda tinha lugar privilegiado nos três primeiros meses do ano e cujo desrespeito motivava algumas das mais pesadas penas estabelecidas nesse foral, demonstrando a importância e o valor que o vinho da região começava a ter.

A abundância de vinho nesta região é referida em 1589, quando o  exército anglo-luso, onde se encontrava D. António Prior do Crato,  entrando em Torres Vedras, a caminho de Lisboa, com o objectivo de restaurar o trono português, aqui se demorou mais do que o necessário, porque muitos dos soldados “se embebedarão, por aver muito vinho nesta villa”. Beberam em tal excesso que muitos adoeceram e alguns chegaram mesmo a morrer, incidente que provocou um atraso no avanço dos Ingleses sobre Lisboa, dando tempo às tropas luso-castelhanas, que defendiam a capital, de se prepararem para a chegada dos apoiantes de D. António.

O  desenvolvimento da expansão portuguesa ao longo do século XVI parece ter contribuído para o crescimento da importância comercial da produção do vinho desta região, como o atesta Duarte Nunes de Leão, na sua obra datada de 1599 : “par carrego sam infiniros os vinhos que da Santarem, Alenquer e Torres Vedras e seu grande termo”, os quais “com os de Lamego e Monção poderiam bastecer um reino deixando à parte os que se dam na Beira”.

A meio do século XVII também Rodrigo Mendez da Silva  anotava a abundância, na vila de Torres Vedras, por ordem de importência, de “pan, vino, azeyte, ganados [gado] y cazas [caça]”

As qualidades do vinho Torrienses foram igualmente gabado no principio de “setecentos”  por António Carvalho da Costa, indicando que “esta villa” de Torres Vedras, para além de ser “abundante de excelente trigo, frutas, gado, caça & vinho”, “lavra mais de seis mil pipas” de vinho “que vão para a Índia, por serem de grande substancia para passarem os mares”.

É igualmente no século XVIII, a partir de 1723, que o preço do vinho passa a ser regular e anualmente taxado nos acórdãos camarários, juntamente  com o trigo, a cevada, o milho e o azeite.

Contudo, na segunda metade desse século, durante o governo do Marquês de Pombal, a sua produção vai conhecer um período de incerteza, quando dois alvarás, um datado de 20 de Outubro de 1765 outro de 8 de Fevreiro de 1766, ordenam o arranque de vinhas, um pouco por todo o país, com o objectivo de libertar terras para o cultivo de “pão”, mas que visava, na realidade a produção do Douro. No primeiro desses alvarás a região de Torres Vedras, entre foi excluída dessa decisão, mas, no segundo, as terras cultivadas com vinhas neste concelho passam a ser consideradas impróprias para o seu cultivo.

Ao que parece, esta segunda decisão ficou sem efeito, pois, segundo Veríssimo Serrão, nesse ano de 1766 a coroa determinou “que se fizesse destinção no preço dos vinhos, de modo a não prejudicar a qualidade do fino tinto produzido no Alto Douro” medida essa que, entre outras consequências, valorizou “o produto da região estremenha (Santarém, Torres Vedras) e também Bairrada, que se tornaram ricas zonas vinícolas do País”.

Ao longo do século XVIII o vinho tornou-se um dos principais produtos da região, embora nunca ultrapasse muito os 30% de toda a produção agrícola, 39,1% em 1764 ou 32,2% em 1799.

Parece ter sido ao longo do século XIX, embora com variações, que o seu peso se tronou esmagador, rondando 50% de toda a produção agrícola local logo em 1812, em crescimento contínuo até ao final desse século. (1799 – Mapa do rendimento da Dízima eclesiástica publicada por João Pereira; 1812 – Dados publicados na parte económica de Madeira Torres, aferidos por João Pereira).

A crescente importância da produção vinícola foi observada ainda na primeira metada desse século por Madeira Torres, que escreveu , na parte económica da sua obra, escrita no primeiro quartel do século, refrindo-se a essa produção no “terreno da villa, e seu termo, he muito considerável, e até verdadeiramente singular na generalidade dos fructos que abrange. A producção do vinho he sobre todas a mais abundante” (p.246).

A tão temida filoxera, tema estudado com bastante detalhe por Célia Reis ( “Problemas dos Vinhos Torrienses no Final da Monarquia”, in Turres Veteras III- Actas de História Contemporânea, ed. CMTV/IERMAH-Un. Letras, T. Vedras 2000, pp.123 a 158).

A filoxera manifestou-se pela primeira vez no concelho em 1883, numa vinha da Quinta Nova, junto da Ordasqueira, expandindo-se no ano seguinte pelas vinhas de várias Quintas da freguesia da Ventosa, uma das mais importantes na produção do vinho do concelho, atingindo o seu auge em 1885, quando atingiu todo o concelho, obrigando à substituição das cepas afectadas pelo chamado bacelo americano a partir de 1886.

A crise da Filoxera, ao obrigar a grandes mudanças no tipo de vinhas e no modo de produção vinícola, parece terem contribuído para o rápido crescimento da sua produção local, ultrapassando em 80% o total de toda a produção agrícola ao longo da última década do século e contribuindo para uma profunda alteração na paisagem rural do concelho.

As freguesias de A-Dos-Cunhados, Matacães, Carmões, S.Pedro da vila e S.Mamede da Ventosa foram aquelas onde se iniciou esse processo de substituição.

Em 1888 a vinha “americana” era dominante em relação à “europeia” na maior parte das freguesias e em 1891 já não existia nenhuma vinha de bacelo “europeu” plantada e registada no concelho.

A acção dos viticultores torrienses foi assim rápida e eficaz. Para isso muito contribui a imprensa local, que surgiu em 1885 e dedicava grande parte do seu conteúdo aos problemas da viticultura, bem como a existência de uma escola vitivinícola na Quinta da Viscondessa, no Turcifal, dirigida pela família Batalha Reis, principalmente o irmão António, cujo papel na economia e na sociedade da região ainda está por estudar.

Com a plantação da vinha “americana” a região recuperou rapidamente da crise, tornando-se um importante centro de exportação de vinhos, não só para o Douro, mas também para Bordéus.

José de Campos Pereira, na sua obra publicada em 1915, baseada em dados de 1911, intitulada “A Propriedade Rústica em Portugal”, revela dados que colocam o concelho de Torres Vedras em primeiro lugar no distrito de Lisboa, que então incluía a área do actual distrito de Setúbal, quer quanto à área de cultivo da vinha (21 000 hectares, cerca de ¼ do total distrital), quer quanto ao rendimento (15 mil contos, pouco menos de 1/3 do total distrital ) quer quanto à produção (808 500 hectolitros, cerca de 1/3 do total distrital).

Todos os dados confirmam o peso da produção vinícola até meio do século XX, vinha, ocupando quase metade da superfície agrícola do concelho, seguindo-se o cultivo de batata, trigo e milho, que apesar de tudo, no seu conjunto, ocupavam menos área que a do vinho.

É na segunda metade do século que a produção do vinho vai conhecer profundas mudanças estruturais, reduzindo a área de cultivo mas, apostando-se na qualidade para expostação. Mas essa é outra história.

sábado, 4 de novembro de 2023

A História trágico-marítima do litoral torriense

                              

Naufrágios na Costa Torriense

Torres Vedras é um concelho com cerca de 20 quilómetros de costa marítima, pelo que não é de estranhar a existência de muitas memórias de naufrágios nesta zona.

Numa área entre dois importantes portos de pesca, como Peniche e Ericeira, próxima do estuário do rio Tejo e fazendo parte do litoral que, durante séculos, ligou o Mar do Norte com o Mediterrâneo, pela costa deste concelho terão passado milhares de navios ao longo dos tempos.

Com uma costa de grandes arribas, cortadas pela foz de dois rios de dimensões razoáveis, como o Sizandro e o Alcabrichel, famosa pela agitação marítima e pelos temporais violentos, com a existência de três históricos, embora pequenos, portos de pesca, como Porto Novo, Cambelas e Assenta, não será de estranhar que aqui se tenham registado vários naufrágios ao longo dos séculos.

Tema ainda por estudar e investigar, aqui deixamos um pequeno registo para a construção da “história trágico-marítima” do litoral do concelho torriense.

O mais antigo naufrágio registado nessa costa data de 28 de Agosto de 1650, o “encalhe no areal de Penafirme, perto da Ericeira [?]” do galeão S. Francisco, acabado de sair dos estaleiros a caminho da Índia (1) pouco mais se sabendo sobre esse acontecimento.

Vai ser preciso espera mais um século e meio para voltarmos a encontra referência a outro naufrágio no litoral do concelho torriense, o do navio inglês London “na Praia Formosa, em Rendide” , ocorrido no início de 1801 (2)

Um dos aspectos curiosos dessa notícia parece ser a mais antiga referência à Praia Formosa.

No ano de 1823 ocorreram dois naufrágios, os mais trágicos ocorridos nesta região, o primeiro o da fragata da armada francesa “La Cornaline”, ocorrido em 2 de Fevereiro, frente a Cambelas,  que custou a vida a cerca de cem marinheiros, e o segundo, na madrugada de 10 para 11 de Julho, a norte do chamado Cabo Rendide, o paquete “Lusitano”, “um dos primeiros barcos a vapor (…) da carreira de Lisboa ao Porto”, morrendo mais de 60  pessoas, entre os seus 200 passageiros e 16 tripulantes (3).

Só em 1885 voltamos a encontrar notícias de novo naufrágio na costa torriense, ocorrido na Praia de Santa Cruz, no dia 31 de  Outubro, quando “um forte pé de vento deitou por terra as barracas dos banhistas, que fugiram apressados para terra; e quando os banheiros José Rosa e José Pisco estavam tratando de reunir as barracas desmantelladas, ouviram gritos de soccorro no mar, dados por seis homens que formavam a tripulação de um barco de pesca em imminente risco de soçobrar, o que de facto succedeu.

“Apenas dois dos tripulantes sabiam nadar, e portanto poderam conseguir alcançar a terra; aos outros quatro acudiram os valentes e benemeritos banheiros, que arrostaram com o embate das ondas, indo arremessar pelo mar dentro o cabo salva vidas, a que se agarraram os naufragos, conseguindo assim a sua salvação”(4).

No dia 12 de Abril de 1902 registou-se outra tragédia marítima quando o barco de pesca “Boa Viagem”, ao entrar no porto de Assenta, se virou com uma onda, morrendo dois pescadores, salvando-se o terceiro, o único que sabia nadar (5).

Apenas dois anos depois, em 13 de Junho de 1904, o vapor espanhol Aviles, encalhou, devido ao nevoeiro “no porto Chão ao sul da Foz da Areia”. O navio carregava carvão, com destino a Barcelona. A tripulação de “20 homens e mais 5 passageiros” conseguiu salvar-se, mas, ao chegarem a terra “foram assaltados por muitos indivíduos, verdadeiros piratas que lhes roubaram as roupas, os comestíveis e até os próprios remos da embarcação” (6).

Cenas idênticas passaram-se quando no dia 7 de Março de 1917 ocorreu nova tragédia perto da praia da Assenta com o lugre “Lusitano”, oriundo da Guiné portuguesa, naufragando com um carregamento destinado à C.U.F , falecendo 11 marinheiros, registando-se a pilhagem “dos salvados que deram à costa” (7).

Aquele que foi, talvez, o mais famoso naufrágio nas praias torrienses ocorreu em 5 de Fevereiro de 1930, famoso, não só porque ainda é possível, em certas ocasiões, observar um dos mastros do navio naufragado, como esse naufrágio deu nome a uma das principais praias de Santa Cruz, a “praia do Navio”.

Tratou-se do naufrágio do navio norueguês Hav (“Oceano” em português), vindo de Cardiff para o porto de Leixões, com um carregamento de carvão, um naufrágio que ocorreu após um conjunto de acontecimentos rocambolescos, quando era rebocado de Leixões para Lisboa, para ser reparado, tendo-se salvado toda a tripulação de 11 homens (8).

No dia 1 de Maio de 1947 um violento temporal apanhou de surpresa embarcações de pesca da Assenta. Uma delas, a lancha Olinda afundou-se à entrada do porto da Ericeira, para onde se pretendia refugiar, matando os três pescadores da Assenta (9).

Na madrugada do dia 2 de Outubro de 1970, quando se encontrava em dificuldades, o capitão do cargueiro holandês Shamrock Reefer conseguiu encalhar, propositadamente, esse grande navio na praia de Porto Chão, a sul da foz do Sizandro, conseguindo assim salvar toda a tripulação (10).



Um dos últimos naufrágios registado na costa torriense ocorreu no dia 15 de Fevereiro de 1978.

Foi o do cargueiro alemão Alchimist Emden que ocorreu junto à praia de Cambelas, um novo contributo para a fama dessa praia como “a praia dos naufrágios”.

Não se registando vítimas nesse naufrágio, temeu-se, contudo, um desastre de grandes dimensões “dada a quantidade e natureza da carga – 1150 toneladas de hidrocarbonetos”, situação que, felizmente, não se concretizou (11).

Deixamos, assim, este breve e limitado registo de alguns dos naufrágios ocorridos na costa torriense, esperando que contribua como ponto de partida para uma investigação mais aprofundada sobre o tema.

(Já com este artigo feito, ontem o mar de SantaCruz ceifou mais 4 vidas:)

(1)    - ESPARTEIRO, comandante António Marques, Catálogo dos Navios Brigantinos (1640-1910), Centro de Estudos de Marinha, Lisboa 1976, pág. 7 (disponível na net);

(2)    - Ofício do Juiz de fora de Torres Vedras, José Pedro Quintela, ao secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, datado de 20 de Fevereiro de 1801, no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU CU Reino, Cx. 269, pasta 41);

(3)    - CUNHA, João Flores, “Estórias (especuladas) de Torres – Dois Naufrágios em 1823 junto ao Cabo Rendido”, in Badaladas de 5 de Abril de 2019. Sobre o naufrágio do Lusitano leia-se também CATARINO, Manuela, São Pedro da Cadeira – Histórias, Memórias e Património de uma freguesia torriense, ed. Junta de Freguesia de S. Pedro da Cadeira, Setembro de 2021, pág.143;

(4)    - in Jornal de Torres Vedras de 5 de Novembro de 1885;

(5)    - CATARINO, ob. Cit. pág. 143 e Folha de Torres Vedras de 20 de Abril de 1902;

(6)    - VIEIRA, Júlio, Torres Vedras Antiga e Moderna, 1926, pág.229;

(7)    - CATARINO, ob. Cit., pp. 143-144;

(8)    - ver uma interessante e completa reportagem sobre o assunto no site “Torres Vedras Antiga”, transcrita por Joaquim Ribeiro na reportagem “Pesquisa do blogue Torres Vedras Antiga revela novos dados – A História documentada da praia do Navio. Ver também a reportagem coeva do incidente nas páginas do jornal Gazeta de Torres de 9 de Fevereiro de 1930;

(9)    - CARÉ Jr., José, Memórias da Ericeira marítima e piscatória – séc. XIX-XX, pág. 43;

(10)                       - Ver Diário de Lisboa de 2 de Outubro de 1970. Baseei-me igualmente nas legendas de fotografias de Raul Guilherme, vendidas no site Delcampe;

(11)                       - CATARINO, ob. Cit, pág. 144.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Torres Vedras no Reinado de D. Manuel (n. 1469, r. 1495, f. 1521)


Dois dias depois da morte de D. João II, em 27 de Outubro de 1495, ascendia ao trono D. Manuel I.

“Nomeado” rei, de forma algo surpreendente, D.Manuel foi escolhido pelo “príncipe perfeito”, dois anos antes, em 1493, para lhe suceder no trono, já que o sucessor natural, D. Afonso, único filho legítimo de D. João II, tinha falecido aos 16 anos, num trágico acidente, uma queda de cavalo  num passeio junto ao Tejo, lá para os lados de Almeirim, em 1491.

Diz-se que, quando foi chamado à coroa por D. João II para ser designado sucessor, D. Manuel, duque de Viseu, temeu que o tivessem chamado para conhecer o mesmo destino do seu irmão, D. Diogo, assassinado, anos antes, em 1484, às mãos do próprio rei, o culminar de uma conspiração da grande nobreza contra as medidas centralistas do “príncipe perfeito”.

D. Manuel era primo direito e cunhado de D. João II e foi o primeiro caso, e único na dinastia de Aviz, em que o sucessor à coroa não foi um descendente directo do rei.

O reinado do “Venturoso” foi considerado o mais brilhante da história da monarquia portuguesa, talvez o auge da história nacional, apesar de beneficiar de muito do “trabalho” iniciado no reinado anterior.

Foi durante o reinado de D. Manuel I que se “descobriu” o caminho marítimo para Índia (viagem de Vasco da Gama de 1497-1498), se “descobriu” o Brasil (viagem de Pedro Álvares Cabral em 1500) e se iniciou a construção do Império do Oriente, dominando as rotas comerciais do Golfo Pérsico e do Índico (com a nomeação do primeiro vice-rei, D. Francisco de Almeida, em 1505).

Dizem os especialistas que foi também no seu reinado que se iniciou a construção daquilo que dominou a política régia nos séculos seguintes, o prenuncio do absolutismo régio, tomando importantes medidas de reforço do centralismo régio, como a reforma dos forais ou a publicação, já no final do seu reinado, das Ordenações Manuelinas.

Como lado negro do seu reinado, há a referir a expulsão dos judeus e o tratamento que foi dado aos convertidos.

Par além da importante comunidade de judeus que vivia em Portugal, pelo menos desde a época muçulmana, se não mesmo da romana, milhares de judeus tinham entrado em Portugal em 1492, fugindo às perseguições, em Espanha, do Reis Católicos.

Quando D. Manuel negociou o seu casamento com D. Isabel, filha dos reis católicos, uma das condições foi expulsar os judeus de Portugal, ordem que o monarca deu em Dezembro de 1496, apenas um mês depois desse casamento.

De qualquer modo, D. Manuel, a fim de evitar a fuga em massa de judeus, podendo arruinar as finanças do país, já que muitos deles detinham muito poder económico-financeiro, acabaria por aceitar, por decisão de 1497, “fechar os olhos” às suas práticas religiosas, desde que não fossem praticadas “às claras” e se se deixassem baptizar, convertendo-se nos chamados “cristão-novos”. Isso não evitou que o seu reinado fosse marcado por um dos episódios mais negros da intolerância religiosa, o massacre de Judeus em Lisboa de 1506. Foi também este monarca que, em 1515, solicitou ao papa a instituição da Inquisição em Portugal, apenas concretizada no reinado seguinte (1).

É nesse contexto que vamos tentar abordar alguns dos momentos que marcaram a história torriense, durante esse importante reinado de pouco mais de 25 anos (2).  

Em termos locais, a vida religiosa, central na vivência das populações dessa época, estava muito marcada pela memória recente dos feitos do beato Gonçalo de Lagos, falecido no início do século XV (provavelmente em 15 de Outubro de 1422), cujo culto conheceu um grande desenvolvimento nos finais desse mesmo século, em vésperas do início do reinado de D. Manuel.

Em 1492 realizou-se a primeira transladação dos restos mortais daquele “milagreiro” para um local mais digno, junto à capela-mor do velho convento agostiniano e, a poucos dias da subida ao trono do “Venturoso”, no dia 13 de Outubro de 1495, o Senado da Câmara de Torres Vedras tomou a decisão de eleger Gonçalo de Lagos como padroeiro da vila.

Em 1518 foi feito um sepulcro de pedra, com a imagem de Gonçalo, esculpida na tampa, para recolha da terra da sepultura do beato. Foi também fundada, por essa ocasião, uma confraria dedicada ao “santo” (3).

Ainda no primeiro ano do seu reinado, ao longo dos meses de Agosto, Setembro e Outubro de 1496, o monarca fixou residência neste concelho, talvez nos chamados Paços Novos, que, no seu reinado, substituíram os Paços Velhos , ou então no Convento do Varatojo, local escolhido pelos seus dois antecessores para se hospedarem quando se deslocavam a este concelho. Foi durante essa estadia, no mês de Setembro, que aqui recebeu uma importante embaixada da República de Veneza.

No âmbito da politica de reorganização administrativa e de centralização de poder, foi no seu reinado que Torres Vedras recebeu o seu segundo foral conhecido. O anterior datava de 1250 e tinha sido doado por D. Afonso III.

O chamado “Foral Manuelino” de Torres Vedras, que vigorou nos séculos seguintes, foi doado com a data de 1 de Junho de 1510.

A primeira transcrição conhecida do “Foral Novo” de Torres Vedras deve-se a Madeira Torres, no apêndice da sua “Descripção Histórica e económica (…) de Torres Vedras”, cuja 1ª edição, publicado em artigo do Boletim da Academia de Ciências, data de 1819, copiada do original da Torre do Tombo e “conferido com [a cópia] que se acha no Cartório da Câmara” desta vila.

Tendo como objectivo reforçar a submissão do poder concelhio ao central, obedecendo a um modelo normalizado e formatado, onde, na generalidade, apenas muda o nome do concelho e a data de doação, este é um documento menos rico, do ponto de vista informativo, em relação a anteriores forais, que tinham características muito mais diversificadas, limitando-se aquele a regularizar e actualizar a cobrança de direitos reais.

Um dos direitos, de entre os consignados nesse documento, mais revelador e com consequências para a economia da região, foi o do relego, segundo o qual o rei tinha o exclusivo da venda do vinho durante os três primeiros meses de cada ano.

O incumprimento desse direito estava sujeito a pesada pena, uma multa de 9 reais pago ao relego, das duas primeiras vezes em que se vendesse vinho sem licença do almoxarife régio e, à terceira, seria entornado o vinho e destruído o vasilhame em que ele era transportado (4).

Segundo a tradição, o local do relego situava-se junto e a norte da Igreja de S. Tiago.

O vinho, produção importante nesta região, pelo menos desde os inícios do reino, terá ganho uma importância crescente, quer do ponto de vista comercial quer do ponto de vista da paisagem rural, com o desenvolvimento da expansão, ao longo deste reinado, como se comprova de uma afirmação, editada em 1610, mas que parece retratar uma realidade anterior, do cronista Duarte Nunes de Leão (1530? – 1608)  que afirmava, que “par carrego sam infiniros os vinhos que de Santarém, Alenquer e Torres Vedras e seu grande termo”, os “quais com Lamego e Monção poderiam bastecer um reino” (5), ideia reforçada  por outro cronista, já do século XVIII, o padre António Carvalho da Costa (1650-1715), que escreveu que os vinhos da região de Torres Vedras eram dos preferido para ir “para a Índia, por serem de grande substancia para passarem os mares” (6).

Naquele mesmo foral, se é que ele revela alguma realidade local, e não é apenas uma cópia formatada de um modelo nacional, o trigo e o milho teriam também alguma importância na realidade da produção local, já que, segundo esse documento, a jugada era paga em moios de trigo ou milho e se esmiuçava as condição da venda do pão, logo a seguir às acima mencionadas condições da venda do vinho .

Muitas outras medidas de centralização e reorganização administrativa, apanágio desse reinado, começaram a reflectir-se localmente, como a afirmação e organização de paróquias rurais, acção continuada e que se acentuará no reinado seguinte.

Talvez, como reflexo local do afã da reorganização administrativa que marcou esse reinado, não seja de estranhar o facto de terem ocorrido, neste período, nomeadamente ao longo dos anos de 1506 e 1507, uma grande quantidade de abertura de  tombos, registando os bens de várias instituições religiosas locais, a saber:

- em 1506,  abertura dos Tombos dos bens da Confraria do Corpo de Deus da Carvoeira (reformado em 1541); da Confraria da Ermida de Stº Isidoro da Freixofeira; da Ermida de S. Gião da Serra de S. Julião (reformado em 1540); da confraria da Ermida de Stª Margarida (hoje Stº Amaro) da Ordasqueira (reformado em 1541); da confraria da Ermida o Divino Espirito Santo de Monte Redondo (reformada em 1542); da Ermida do Santo Espírito (mais tarde Stº António do Amial), no Amial (reformada em 1540); do compromisso do Hospital de Nª Srª da Piedade do Maxial; da Ermida de S. José, da Quinta da Bugalheira (reformado em 1542); da Ermida de S. Mateus, na Lobugueira (Maxial) (reformado em 1540);

- em 1507: da Confraria de Santa Maria do Mosteiro de Matacães (reformado em 1541); da Ermida de Stª Maria do Ameal de Rocamador (reformado em 1540); do Hospital do Santo Espírito e das Ovelhas Pobres, na vila (reformado em 1539); da Confraria da Ermida de Stª Cruz de Ribamar (reformado em 1540); da confraria da igreja de S. Lourenço do Ramalhal (reformados em 1540); da confraria da Ermida da Senhora da Cathedra (ou “Cátela”) de S. Pedro da Cadeira (reformada em 1540) (7).

A existência dessas confrarias é um bom indicador do povoamento da região nessa época.

Apesar de ter sido efectuado 6 anos depois da morte de D. Manuel, em 1527, o primeiro censo nacional pode-nos dar também algumas indicações sobre o povoamento do concelho nesse período.

Datado de 15 de Setembro de 1527, o recenseador Jorge Fernandes conta no concelho 1946 “vizinhos”, um concelho que tinha então uma extensão maior, incluindo localidades e freguesias actualmente integrantes de concelhos vizinhos, como Mafra. Na então vila viviam 3 fidalgos, 15 cavaleiros, 23 escudeiros, 31 viúvas, 257 vizinhos, e “o mais he povo”.

De acordo com esse documento , transcrito por Madeira Torres, e tendo por base o número de “vizinhos”, as dez localidades mais povoadas do concelho eram, além da vila, o Turcifal (104 vizinhos), o Maxial (61), a Aldeia Grande (54), Runa (45),a Carvoeira (41),o Amial (28), a Caixaria (27), a Ribaldeira (26)  e Casalinhos de Alfaiate (25), num total de 113 lugares referenciados nos actuais limites do concelho.

O grande impulso que a expansão portuguesa conheceu a partir do reinado de D. Manuel I também envolveu, nesse esforço, não só muitos anónimos locais, mas algumas importantes figuras da elite local, contemporâneas desse reinado.

Foram os casos de   João Lopes Perestrelo, da Quinta da Ermegeira, e  de  Lopo Soares de Albergaria, irmão do alcaide de Torres Vedras Gomes Soares de Albergaria.

João Lopes Perestrelo comandou uma nau, na segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, que partiu de Lisboa em 10 de Fevereiro de 1502, e, em resultado dessa acção, recebeu, no reinado seguinte, em 1542, o vínculo da chamada Quinta do Espanhol. Sepultado na Igreja de S. Pedro, era primo da esposa de Cristovão Colombo (8).

Por sua vez, Lopo Soares de Albergaria, tendo enveredado pela Carreira militar, e depois de ter capitaneado S. Jorge da Mina e andado pelo oriente, onde estabeleceu boas relações com as autoridades locais, de onde regressou a Lisboa em 1505, foi nomeado governador da Índia, em 2 de Outubro de 1515, para substituir  Afonso de Albuquerque, exercendo esse cargo até 1519, entrando então em ruptura com o monarca, acabando por se  “auto  exilar” neste concelho, numa das quintas da família, provavelmente a Quinta do Amo, na paroquia de Dois Portos. Só terá regressado ao convívio da corte depois do falecimento de D.Manuel (9).

Recorde-se que Lopo Soares pertencia a uma das famílias então dominantes em termos locais, os Alarcões. O seu irmão, Gomes Soares, que foi conselheiro de D. Manuel, tinha herdado a alcaiadaria do castelo de Torres Vedras, de D. João de Alarcão, por falecimento do seu sogro Gomes Soares em 12 de Janeiro de 1514 (10).

Foi aquele D. João de Alarcão  que mudou a sede do alcaide-mor do Paço do Patim para o novo palácio construído no Castelo, em 1514. Dois anos depois, iniciou-se a  reconstrução da muralha. Essas obras continuaram nos anos seguintes, das quais resultaram as armas manuelinas, esculpidas sobre o portal daquele reduto militar.

A estrutura hoje visível da sua muralha e dos vestígios do palácio dos alcaides, datam, em grande parte, dessa remodelação (11).

Também, grande parte  da estrutura patrimonial e urbana do actual centro histórico torriense, data desse período, pelo que, quando se fala no “centro histórico medieval de Torres Vedras”, será mais correcto falar em “centro histórico quinhentista ou manuelino”.

Vestígios dessa época são  também os pórticos “manuelinos” das Igrejas de Santiago e S. Pedro. Esta última exibe as armas de D. Maria, filha dos Reis Católicos, 2ª esposa do monarca (entre 1500 e 1517) e donatária de Torres Vedras, privilégio concedido como dote de casamento.

Esse brasão que encima o pórtico dessa igreja representa, numa metade, as armas de Portugal  e, na outra, as de Castela (12).

Como complemento dessa acção de renovação  patrimonial, há a destacar a profusão de obras de pintura que enriqueceram o património religioso, com destaque para os painéis do retábulo do Altar mor da Igreja de Stª Maria do Castelo, hoje no museu municipal (Anunciação, Visitação, Presépio,  Adoração dos Magos e Assunção da Virgem) executada para a reconstruída Igreja de Stª Maria, provavelmente durante o reinado D. Manuel, obra  atribuída a um discípulo de Gregório Lopes, Jorge Leal, havendo quem interprete uma das figuras representadas num desses quadros como um “retrato” do  próprio D. Manuel, no quadro “Adoração dos Magos”, devido à macromelia (comprimento excessivo do braço) da figura do “rei mago” em primeiro plano, uma deficiência física conhecida do próprio monarca.

Data também provavelmente desse reinado o “retábulo da Vida da Virgem”, um conjunto de 6 pinturas atribuídas a Francisco Henriques, um pintor flamengo ao serviço de D. Manuel entre 1503 e 1518, ligado à “escola de Évora”.

Este retábulo foi colocado no primeiro convento da Graça e encontra-se ,actualmente, no Museu Municipal Leonel Trindade

Também de data coincidente com esse reinado parecem ser as obras atribuídas aos Mestres do Sardoal (Vicente Gil e o filho Manuel Vicente), pintores da corte de D. Manuel e D. João III, os quatro santos, S. Lourenço, S. Sebastião, S. Pedro e S. Paulo, que pertenceram ao Convento do Varatojo, passando no século XIX para a capela de Nª Srª do Amial, e que hoje estão ao cuidado da Santa Casa da Misericórdia (13).

Já no final do seu reinado,  D. Manuel tomou duas importantes decisões que muito contribuíram para o desenvolvimento social, económico e cultural do concelho.

Uma delas foi a publicação do alvará de 26 de Julho de 1520, que fundou a Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, na continuidade de procurar expandir pelo reino a  iniciativa da rainha viúva D. Leonor, que fundou em Lisboa, em 1498, a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, com o objectivo de, ao centralizar numa instituição como essa a acção assistencial e de cuidados de saúde, melhorar a sua gestão em cada localidade.

A sede da Misericórdia de Torres Vedras foi instalada no edifício do Hospital do Santo Espírito, que já possuía à época os bens do Hospital de Santa Maria dos Farpados e do Hospital do Mostardeiro, juntando-se agora os bens da Confraria das Ovelhas Pobres e os do Hospital de São Gião, ou confraria dos sapateiros, continuando a integrar-se naquela nova instituição, nos anos e séculos seguintes, muitos outros bens.

“Começou a Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras a sua vida com duas salas para ambos os sexos e uma capela, e segundo Madeira Torres, com um rendimento de : 6 moios de trigo, 3 de cevada. 36 almudes de vinho, 3 potes de azeite, 56 galinhas e frangos, um carneiro, 13 : 888 reis em dinheiro e 2 óvos, além dos sobejos de todos os outros Hospitais e Albergarias.

“Além destes rendimentos, estava a Santa Casa autorizada  a ter Mamposteiros ou arrecadadores d’esmolas em todas as freguesias do arciprestado, encarregados de pedirem para ela”(14).

Muito provavelmente esta iniciativa foi patrocinada pela infanta D. Isabel, que era então donatária desta vila(15).

 A outra medida importante foi a publicação do alvará, datado de 22 de Setembro de 1521, confirmado nos reinados seguintes, que fazia “mercê nos mosteiros de Santo Agostinho, a saber, ao convento da Graça de Lisboa, a Évora, a Santarém, a Torres Vedras, a Penafirme (…) de 6 arrobas de açucar anuais a cada um dos conventos, pagas no Almoxarifado do um por cento, e obras pias (…)” (16) beneficiando assim dois dos mais antigos conventos locais (o da “Graça” em Torres Vedras e o de Penafirme) com os lucros da expansão, o que talvez justifique a criação de condições económicas que tornaram possível a construção de um novo edifício para instalar os agostinianos de Torres Vedras, cujo projecto de obras se iniciou já no reinado seguinte, em 1544.

O reinado do “Venturoso” parece ter tido, assim,  um forte impacto no desenvolvimento económico, social e cultural deste concelho, obra continuada pelo seu sucessor D. João III.

(1)    - entre muitas outras obras, leia-se : OLIVEIRA e COSTA, João Paulo de , D, Manuel I, Círculo de Leitores. Para uma visão mais tradicional, leia-se : GÓIS, Damião de, Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel, ed. Universidade de Coimbra, 1926.

(2)    - para uma contextualização da vida torriense neste período: VEIGA, Carlos Margaça, “A modernidade Torriense – Século XVI”, in Nova História Local – Torres Vedras, Colibri/CMTV/FLL, 2018, pp. 81 a 96; consulte-se também alguma da principal documentação existente sobre Torres Vedras durante esta época em: SOUSA, J.M. Cordeiro de , Fontes Medievais da História Torreana, ed. C.M.Torres Vedras, 1957;

(3)    - leia-se GUIMARÃES, Jorge Gonçalves, São Gonçalo de Lagos – Hagiografia, Culto e Memória – Séc.XVI/XVIII, ed. CMTV, col. Linhas de Torres, H5, 2004. Uma boa síntese sobre essa mesma personagem pode ser lido em ANTUNES, Vitória Baltazar, S. Gonçalo de Lagos, CMTV/ Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo, T.Vedras, Dezembro de 2010;

(4)    - leia-se SILVA, Carlos Guardado da, e VARGAS, José Manuel, O Foral Novo-Torres Vedras -1510 – Estudo e edição interpretativa, ed. CMTV, 2016;

(5)    - Descripção do Reino de Portugal, 1ª edição póstuma de 1610;

(6)    - Corographia portugueza e descripção topográfica do famoso Reyno de Portugal (…), 3 volumes, 1706-1712;

(7)    - ver MADEIRA TORRES; Manoel Agostinho, Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras – Parte Histórica – 2ª edição anotada, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1862;

(8)    - leia-se SOUSA, Augusto Quirino de, “Torrienses na Expansão Quinhentista no Oriente”, in Turres Veteras II – Actas de História Moderna, ed. CMTV/FLL, 2000, pp.155 a 189;

(9)    -  ver SILVA, Maria Natália da, A Casa de Torres Vedras – de Rui Gomes de Alvarenga aos Marqueses do Lavradio – séculos XV-XIX, ed. CMTV/ed. Colibri, H19, Dezembro 2019, pp.46-47;

(10)                       - sobre esta família leia-se a acima citada obra de Maria Natália da Silva;

(11)                       - uma descrição dessa remodelação pode ser lida no texto, recentemente publicado no Badaladas, de José Pedro Sobreiro e Joaquim Moedas Duarte, na edição de 5 de Novembro de 2021, a 1ª parte de “Castelo de Torres – Reconstruir ou conservar?”;

(12)                       - leia-se TAVARES, Ana Maria, “Os Testemunhos Torrienses do Manuelino”, in Turres Veteras II – Actas de História Moderna, ed. CMTV/FLL, 2000, pp.97 a 115;

(13)                       - consultem-se as obras da autoria de Fernando António Baptista Pereira que corroboram muitas destas essa informações, ou então o arquivo do Museu Municipal Leonel Trindade;

(14)                       - SALINAS CALADO, Rafael, Origens e Vida da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, ed. 1936;

(15)                       - para  um estudo actulizada sobre esta instituição leia-se : REIS, Célia, A Misericórdia de Torres Vedras (1520-1975), ed. Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 2016;

(16)                       - ), in “Inventário Provisório do Arquivo da Cúria Patriarcal de Lisboa, Lusitânia Sacra, Tomo IX, 1970/71/72.