quarta-feira, 11 de março de 2015

O Sérgio deixou-nos,um bom amigo, conversador, culto, com sentido crítico e de humor e grande apaixonado por Torres Vedras

(fotografia de Octávio Neves)

O Sérgio era um bom conversador.

Era, acima de tudo, um grande amigo cheio de curiosidade por tudo o que o rodeava.

Gostava muito de estudar o passado da sua região, da terra da sua família (a Ponte do Rol) e da sua família.

Há um velho ditado, julgo que africano, segundo o qual quando um velho morre é uma biblioteca que se perde.

O Sérgio não era velho, nasceu em 1952, tinha 63 anos feitos no passado dia 27 de Janeiro, mas tinha uma memória prodigiosa. Infelizmente, a sua humildade nunca o levou  a passar para papel muito daquilo que ele conhecia, e por isso, sem a designação de velho, que não encaixava nele, aquele ditado aplica-se perfeitamente à perda que representa o seu desaparecimento.

Mas o Sérgio era também uma pessoa com um humor fino, por vezes corrosivo, quase sempre desconcertante, único mesmo.

Usava o humor para, não só se questionar a si próprio, como tudo aquilo que o rodeava e, com essa atitude, obrigava-nos a um exercício de profunda reflexão sobre os temas das conversas.

Ao longo dos anos teve de combater várias doenças, todas enfrentando com uma enorme coragem e descontracção, gozando mesmo com a sua própria situação, pelo que quase nos levou a acreditar que era quase imortal.

Infelizmente a última, detectada no final do ano passado, foi mesmo fatal.

Agora fica a memória de alguém que nos vai fazer falta, principalmente sempre que passarmos por algumas ruas de Torres Vedras, nomeadamente pelo “largo da Havaneza”, onde ele nos fazia passar alguns bons momentos de conversa, versando quase sempre aspectos da história local, sempre temperadas pelo seu grande sentido de humor.

No verão passado encontrava-o quase todas as manhãs no alpendre da sua bonita casa de família em Santa Cruz, tomando com a sua calma o pequeno almoço e com um jornal pela frente. Esta é das últimas imagem que guardo dele.

Na nossa vida cruzamo-nos com pessoas que nos marcam, que fazem parte da “paisagem humana” em que vivemos e cuja falta nos leva um pouco de nós.

Para mim o Sérgio Roque do Vale Cruz, falecido no passado dia 9 de Março é uma dessas pessoas.

Enquanto eu, os teus amigos, a tua família andarmos por cá, tu vai continuar a andar por aí.
Até sempre amigo.



5 comentários:

Joaquim Moedas Duarte disse...

Belo texto evocatvo, Venerando.
Subscrevo inteiramente!

Abraço

J Moedas Duarte

Ana Maria Fortes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
D. Vicencia disse...

Um senhor, na verdadeira acepção da palavra. Felizmente tive o privilégio de ser colega dele e sei que aprendi muito. Um bem haja onde quer que esteja.
Obrigada Sergio.

Avelino disse...

Uma bela evocação, Venerando.
A ela me associo com saudade de um Amigo
Obrigado

Ana Maria Fortes disse...

Foi por lapso que removi o meu comentário, se um dos autores da página Vedrografias o puder repor agradecia.