1 - Introdução- As três dificuldades.
Quando
fui desafiado a escrever uma síntese actualizada sobre o século XIX em Torres
Vedras, deparei-me, à partida, com três dificuldades: definir as balizas
cronológicas adequadas ao caso torriense; lidar com um vasto e diversificado
manancial documental; existirem sínteses muito completas e de grande qualidade
sobre esse período da vida torriense.
No
que respeita à definição das balizas cronológicas adequadas à realidade do
século XIX torriense comecei por me questionar: “que século XIX para Torres
Vedras”? Um século que se encaixa na evolução global da humanidade? Um século
integrado na realidade portuguesa? Ou será que existe um século específico que
identifica a história local torriense?
A
definição de balizas cronológicas para o século XIX é tema de vários debates
entre historiadores.
Claro
que, em rigor, um século …é um período de cem anos…uma verdade de La Palice!!!
Assim,
o século XIX começou no dia 1 de Janeiro de 1801 e terminou no dia 31 de
Dezembro de 1900.
Mas
os ritmos e as rupturas da história, sejam a global, a nacional ou a local, não
respeitam a formalidade das datas. Não muda tudo naquelas datas e o que
caracteriza um século tem uma parte que vem do passado, outra que caracteriza o
próprio século e outra que se prolonga para lá do tempo e tudo isso está aquém
e além daquelas balizas que definem um século.
Numa
perspectiva global fala-se muito num “longo século XIX” em oposição a um “curto
século XX”.
Nessa
corrente de opinião as divergências prendem-se principalmente com a “baliza” do
inicio, já que todos são unanimes em indicar a 1ª Guerra Mundial de 1914-1918
como o período que “encerra” o século XIX.
O
“início” desse longo século XIX varia de autor para autor, ora apontando a
Revolução Americana de 1776, ora apontando a Revolução Francesa de 1789, ora
recuando mais tempo, considerando a Revolução Comercial iniciada na década de
1750 como o início.
Contudo,
se nos focarmos na realidade portuguesa, esta não encaixa totalmente naqueles
limites. Para Portugal, ora se apontam as “reformas pombalinas” como inicio do
longo século XIX português, ora se aponta um século ligeiramente mais curto,
iniciado com as invasões francesas (1807-1810), ou ainda mais tardio e curto,
iniciado na afirmação do regime liberal só concretizável a partir de 1834.
Como
baliza de final de século, alguns fazem coincidir o encerramento do século na
1ª guerra, embora outros antecipem o final de século na proclamação da
República de 1910.
E
Torres Vedras?
Será
que o “seu” século XIX encaixa nalguma daquelas situações?
A
realidade histórica torriense segue de perto a realidade nacional, ou não se
desse o caso de estar geograficamente próxima do centro do poder nacional, a
cidade de Lisboa. As novidades e as consequências da história nacional sempre
chegaram aqui mais depressa do que a zonas mais afastadas do país, muitas vezes
com a participação activa deste concelho nesses acontecimentos.
Contudo,
mesmo assim, será possível detectar ritmos próprios, identitários deste
concelho?
Para
mim, balizar o século XIX torriense cruza os impactos globais e nacionais com
aspectos identitários e característicos da região.
Contudo,
as balizas que ensaiamos construir para o século XIX torriense não são claras,
são por vezes elásticas, conforme o foco que utilizarmos.
Para
Torres Vedras temos que definir uma primeira baliza algures entre as Invasões
francesas (1807-1810), das quais esta região foi um palco privilegiado e
activo, nomeadamente na 1ª e na 3ª invasões, e a instauração do regime liberal,
que introduziu alterações profundas nas estruturas socias, económicas e
políticas do concelho. Aqui existe coincidência com a realidade nacional.
Já
a 2ª baliza, a que “encerra” o século, é bem mais fluida, marcada pela
afirmação daquilo que chamamos “modernidade”, que começa na década de 80, com a
instalação da 1ª tipografia (1884) , a publicação do primeiro jornal local e
instalação do primeiro fotógrafo (1885) e a inauguração do caminho-de-ferro
(1886-1887), factos estes com grande impacto na economia local e no tecido
urbano, que pela primeira vez rompe com os limites medievais, período que se
prolonga até à inauguração da luz elétrica em 1912, sem esquecer o grande
impacto na estrutura rural e económica do concelho da crise da filoxera na segunda metade da década de 80 do
século XIX.
A
segunda dificuldade na construção desta síntese é a enorme quantidade de
documentação existente e a sua dispersão para este século, comparativamente com
os séculos anteriores.
Não
nos podemos esquecer que este é o século das estatísticas, e existem muitas
elaboradas ao longo do ´século com dados sobre este concelho, algumas
publicadas, mas muitas dispersas por vários organismos.
Em
Torres Vedras temos uma vasta documentação no Arquivo Municipal, grande parte
dela do século XIX.
Sem
esquecer o sempre vasto espólio da Torre do Tombo, não podemos deixar de
referir o ainda quase inexplorado Arquivo do Governo Civil de Lisboa.
Durante
o mandato do torriense Alberto Avelino como governador civil de Lisboa este
arquivo foi organizado e classificado, dando origem a uma publicação onde se
divulgou o conteúdo e organização desse arquivo. Com a extinção dos governos
civis esse arquivo foi incorporado na Torres do Tombo, desconhecendo-se se
manteve a organização então realizada.
Para
além da documentação oficial e manuscrita, espalhada por várias instituições
(como os livros de décimas do principio do século depositados no Arquivo do
Tribunal de Contas), há que referir a difusão da imprensa neste século, estando
por levantar a presença de reportagens e correspondências de Torres Vedras
publicadas em jornais nacionais. Em Torres Vedras passou a existir uma valiosa
documentação com a publicação de títulos regulares a partir de 1885, a maior
parte em depósito na Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
Ora
a existência de tanta documentação, alguma de difícil acesso, outra inédita e
espalhada por tantas instituições, é um outro limite a este trabalho, uma mera
síntese, elaborada num reduzido período de tempo.
A
terceira dificuldade está relacionada com a existência de outras sínteses
bastante completas sobre o período em causa, o que torna difícil ser-se
inovador e não cair em repetições.
Recordo
aqui os trabalhos de José Travanca Rodrigues (1), de João Pereira (2) , de
Célia Reis (3), bem como vários trabalhos de temática mais específica como os
de António Rosa ou Henrique Vieira (ver
bibliografia final).
Temos
ainda duas excelentes sínteses coevas, a parte Histórica e a parte económica da
“descrição histórica de Torres Vedras” da autoria de Madeira Torres e
publicadas nas Memórias da Academia de Ciências, respectivamente em 1819 e em
1836, e que foram alvo de um trabalho de aprofundamento com notas ainda hoje
muito valiosas para uma segunda edição, da autoria de José Eduardo César e
António Jacinto Gama Leal, que deram origem à publicação, em 1862, da parte
histórica, continuando o manuscrito da parte económica, escrita pelos mesmos
autores, com informações registadas até a segunda metade da década de 60 do
século XIX, a aguardar edição (ver bibliografia final).
Temos
ainda de referir a imensa bibliografia existente sobre as Invasões Francesas,
com muitas referências à região de Torres Vedras, um dos palcos principais
desse acontecimento.
Na
bibliografia final referimos algumas dessas obras, principalmente as
relacionadas directamente com a situação de Torres Vedras face a essa
conjuntura.
Tudo
isto leva-nos a encarar com alguma reserva e humildade a tentativa de elaborar
uma síntese histórica do século XIX, sem cair em repetições, em incongruências
ou em esquecimentos.
Mas
vamos tentar.
2 . Território e Organização
De
que território falamos quando falamos do
concelho de Torres Vedras no século XIX ?
Falar
do concelho torriense no século XIX é falar de um território e de uma
organização diferentes do actual.
Esse
território e essa organização sofreram grandes alterações ao longo do século
XIX, comparativamente com a situação dos séculos anteriores, nomeadamente nos
três domínios principais da organização administrativa e territorial, a Comarca,
o Concelho e a Freguesia.
Para
a elaboração deste capítulo tivemos por base as obras de Madeira Torres, Júlio Vieira e João Pereira, além dos
decretos referidos, bem como, para a contextualização,a obra As
Freguesias – História e actualidade de José SAntónio Santos.
A Comarca de Torres Vedras
A
comarca de Torres Vedras foi criada por carta régia de D. João III datada de 18
de Julho de 1533, mas só se concretizou em 29 de Maio de 1617.
Em
1798 era uma das comarcas da Província da Estremadura ( as outras eram as de
Alenquer, da qual Torres Vedras tinha sido desvinculada, de Santarém, do
Ribatejo, de Leiria, de Alcobaça, de Chão de Couce, de Ourém, de Tomar, do
Crato, de Tentúgal e de Setúbal).
Em
1801 integravam a comarca de Torres Vedras os concelhos de Torres Vedras,
Ribaldeira, Sobral , Vila Verde dos Francos, Cadaval, Lourinhã, Ericeira,
Sintra, Mafra, Belas e Cascais.
Esta
realidade sofreu várias alterações ao longo do século XIX.
Em
1811 mantinha aproximadamente a mesma área geográfica, designando-se a
Ribaldeira como “julgado”, trocando-se Sintra por Colares, desaparecendo Belas
e aparecendo Enxara dos Cavaleiros, Gradil e Reguengo da Carvoeira.
Colares,
Lourinhã, Mafra, Ribaldeira, Cascais e Torres Vedras eram donatárias da corôa,
enquanto os restantes tinham senhorios nobres como donatários.
Esta
situação mantem-se sem alterações até à vitória do liberalismo.
Ainda
na Ilha Terceira, Mouzinho da Silveira ensaia uma reforma profunda na
organização administrativa do país, publicando o Decreto de 16 de Maio de 1832,
passando a Comarca de Torres Vedras a ser composta por 16 concelhos, mantendo
os que existiam em 1811, menos o concelho de Cascais que passava para a Comarca
de Lisboa, e acrescentando a Atouguia da Baleia, Peniche e Cheleiros, para além
da reposição de Sintra.
Este
decreto não entraria em vigor, devido às vicissitudes políticas da época e é em
1836, por decreto de 1836, que é revista a composição das comarcas, bem como as
suas funções, já que as político-administrativas são transferidas para os
distritos, então criados, passando Torres Vedras a pertencer ao distrito de
Lisboa, enquanto as comarcas passam a ter funções apenas na administração da
justiça, através dos tribunais.
Assim
a Comarca de Torres Vedras, agora com as novas funções de tribunal, passa a
incluir os concelhos de Alcoentre, Aldeia Galega da Merceana, Alenquer, Enxara
dos Cavaleiros, Ericeira. Lourinhã, Mafra, Peniche, Ribaldeira, Sobral de Monte
Agraço, para além da sede, Torres Vedras.
Em
1855 uma nova divisão judicial passa a incluir apenas dois concelhos na Comarca
de Torres Vedras, o concelho sede e a Lourinhã.
Em
1877 a Comarca de Torres Vedras, que continua a incluir aqueles dois concelhos,
é dividido em 4 julgados (por sua vez subdivididos em juízes da paz) o da
Lourinhã, que inclui todas as freguesias desse concelho, e outros três no
concelho de Torres Vedras , respectivamente com sede na vila agregando as 4 freguesias urbanas mais as
freguesias de A-Dos-Cunhados, Maxial, Monte Redondo, Ponte do Rol e Ramalhal,
no julgado de Runa, que inclui esta freguesia mais as de Dois Portos, Carmões,
Carvoeira e Matacães e no julgado de S. Mamede da Ventosa, que inclui essa
freguesia e as da Freiria, S. Pedro da Cadeira e Turcifal.
Finalmente,
por decreto de 20 de Setembro de 1890, a Lourinhã é desanexada da Comarca de
Torres Vedras, que passa a incluir apenas este concelho.
COMARCA
DE TORRES VEDRAS de 1877 a 1890
Comarca
|
Julgado
|
Distrito
de Juiz de Paz
|
Freguesias
|
Torres Vedras
(sede: Vila)
|
Lourinhã
|
Lourinhã
|
7
freguesias
|
Runa
|
Dois Portos
|
Dois
Portos
|
|
Ribaldeira
|
|
Carmões
|
Carvoeira
|
Runa
|
|
Carvoeira
|
S. Mamede
|
S. Pedro da Cadeira
|
S.
Pedro da Cadeira
|
|
S.
Mamede da Ventosa
|
|
Freiria
|
Turcifal
|
Turcifal
|
Torres Vedras
|
S. Pedro da Cadeira
|
Cunhados
|
|
Ramalhal
|
Carvoeira
|
Maxial
|
|
Monte
Redondo
|
Turcifal
|
Ponte
do Rol
|
|
4
freguesias da vila
|
O CONCELHO
Em
1801 o território abrangido pelo Concelho de Torres Vedras tinha uma dimensão e
organização territorial ligeiramente diferente daquela que se consolidou na 2ª
metade do século XIX:
-
as freguesias de Dois Portos e Carmões estavam incluídas no Julgado da
Ribaldeira, na prática um concelho independente de Torres Vedras, já que, desde
1735 que esse Julgado tinha sido subtraído à jurisdição ordinária do Juiz de
fora da Câmara de Torres Vedras:
-
por outro lado, o concelho de T. Vedras
incluía, desde a época medieval, as freguesias de Enxara do Bispo (ou dos Cavaleiros),
Azueira, Sobral d’Abelheira e Fanga da Fé, situação que se vai alterar no
século XIX.
Com
o liberalismo assistiu-se a profundas alterações na organização administrativa
e territorial dos concelhos.
O
decreto de 28 de Junho de 1833 impõe uma nova divisão territorial do país,
criando novos concelhos , indicando as freguesias a integrar nesses novos
concelhos no decreto de 3 de Junho de 1834.
Foi
assim que se criou o concelho da Azueira que integrou freguesias retiradas do
concelho de Torres Vedras, as freguesias da Azueira, Turcifal, Freiria, Sobral
d’Abelheira e Enxara do Bispo.
O
decreto de 24 de Outubro de 1855, ao contrário do anterior decreto, extinguir
concelhos, alterando novamente os limites do concelho torriense.
Este
decreto extingue, entre outros, o concelho da Azueira, reintegrando as
freguesias de Freira e Turcifal no concelho de Torres Vedras, enquanto as
restantes, que já tinham pertencido a este concelho, passam a integrar o
concelho de Mafra.
Por
sua vez esse documento extingue igualmente o Julgado da Ribaldeira, integrando
as freguesias de Dois Portos e de Carmões em Torres Vedras.
Em
sentido contrário, a freguesia de Fanga da Fé (actual Encarnação) é retirada a
Torres Vedras e é anexada ao concelho e Mafra.
Esse
decreto fixa o território do concelho de
Torres Vedras nos limites actuais.
Por
decreto de 4 de Novembro de 1859 alteram-se os limites das freguesias com sede
no centro urbano, sendo extintas a de
S.Miguel, integrada na de STª Maria, e as Santiago, integrada na de S.Pedro.
Em
1862 formou-se uma Comissão Comarcã,
presidida pelo Dr. José António da Gama Leal, para fixar a demarcação das
freguesias de Torres Vedras, trabalho que seria finalizado dois anos depois,
cujo resultado está depositado no Arquivo Municipal, um conjunto de cadernos
com a listagem de lugares, casais e quintas, que integravam cada uma das
freguesias, e, no caso das freguesias “urbanas”, o nome das ruas, com as
propostas de alteração e a decisão final, indicando igualmente o nº de fogos e
habitantes em cada um daqueles sítios, bem como a distância da sede de
freguesia.
Em
termos gerais, a decisão final dessa comissão corresponde à delimitação actual
das freguesias, apenas alterada pela criação de novas freguesias já no século
XX e XXI.
Houve
ainda uma decisão de duração efémera que voltou a alterar os limite do
concelho, o Decreto de 26 de Setembro de 1895, integrando no concelho de Torres
Vedras os então extintos concelhos do Sobral de Monte Agraço e Arruda dos
Vinhos e integrando a freguesia da Freira no concelho de Mafra.
Esta
alteração durou menos de três anos, pois o decreto de 15 de Janeiro de 1898,
voltou a autonomizar os concelhos do Sobral e da Arruda, reintegrando a
freguesia da Freiria no concelho de Torres Vedras.
De
assinalar ainda que a freguesia de S.Pedro da Cadeira inclui o território da
actual freguesia da Silveira, criada no século XX, e a freguesia “urbana” de
Stª Maria inclui nos seus limites o território da actual freguesia de Campelos,
criada em 1926.
Em
termos administrativos a organização dos concelhos foi alvo de várias
alterações, visando a sua democratização, no âmbito das reformas liberais que
marcaram todo o século XIX , situação estudada em pormenor, para o caso de
Torres Vedras, por João Pereira e José Travanca, nas obras já referidas e
indicadas na bibliografia final.
DA VINTENA À FREGUESIA
Até
ao liberalismo havia uma distinção clara entre paróquias e vintenas.
Enquanto
as paróquias tinham funções religiosas e tinham como principal função
administrativa elaborar os registos paroquias (nascimento, casamento e óbitos),
as vintenas tinham funções administrativas ligadas à justiça e à cobrança de
impostos como a décima.
O
chamado juiz de vintena existia nas Ordenações Afonsinas, e eram delegados dos
concelhos nos lugares com 20 vizinhos ou mais, com o objectivo de derimirem
pequenos casos locais.
Por
provisão de 20 de Fevereiro de 1749 do Conselho da Fazenda para a Provedoria da
Comarca de Torres Vedras, ordenava-se que houvesse em cada lugar de 20 vizinhos
um juiz de vintena, para “dar coima” e cobrar a décima.
Os
livros de décima são, aliás, um interessante documento para estudar a vida
económica e social de um concelho, existindo livros de décima “do juro” (sobre
dividas e empréstimos), “rural” (sobre a produção agrícola), “urbano” (sobre
edifícios) e de “maneio” (sobre profissões não rurais, principalmente as
administrativas e as artesanais), estando as de Torres Vedras localizadas no
Arquivo do tribunal de Contas em Lisboa, e, mais ou menos completas, abrangendo
todos os anos entre 1764 e 1832.
A
legislação liberal fundiu as funções administrativas centrais, que cabiam aos
juízes de vintena, com as tradicionais paróquias medievais, dando assim origem
às Juntas de Freguesia e de Paróquia.
A
primeira tentativa de legislar nesse sentido foi o decreto de 26 de Novembro de
1830 publicado em Angra do Heroísmo por Mouzinho da Silveira e definia que a
Junta de Paróquia seria presidida por um regedor e composta por mais 3,5 ou 7
membro, de acordo com a dimensão das
paróquias.
Eram-lhe
atribuídos as funções de conservar e reparar a Igreja Paroquial, receber e
administrar os rendimentos e esmolas da Igreja, cuidar da conservação de
fontes, poços, pontes, caminhos, baldios, etc. Ficavam igualmente com a
responsabilidade de promover a saúde publica e cuidar da “escolas de primeiras
letras”.
Contudo,
foi só com a lei de 25 de Abril de 1835 e o decreto de 18 de Julho desse ano é
que as freguesias foram definitivamente integradas na organização
administrativa portuguesa.
VINTENAS DE TORRES VEDRAS (1801-1831)
Valor da décima
rural (por vintena)
|
1801
|
1806
|
1812
|
1831
|
Freguesia
|
Vila
|
122$881
|
180$847
|
253$637
|
X
|
urbanas
|
Serra da Vila e Barro
|
2$808
|
77$919
|
76$292
|
X
|
urbanas
|
Varatojo
|
4$743
|
55$190
|
50$536
|
X
|
urbanas
|
Fonte Grada
|
6$624
|
114$374
|
120$710
|
X
|
urbanas
|
Galegueira
|
|
|
|
X
|
Carmões
|
Baraçal
|
|
|
|
X
|
Carmões
|
Carvoeira
|
7$304
|
69$955
|
69$958
|
X
|
Carvoeira
|
A-da-Rainha
|
2$713
|
93$880
|
97$434
|
X
|
Carvoeira
|
Panasqueira
|
2$871
|
19$535
|
19$452
|
?
|
Carvoeira
|
Zibreira
|
7$483
|
73$340
|
132$252
|
X
|
Carvoeira
|
Dos Cunhados
|
3$258
|
51$916
|
47$063
|
X
|
Cunhados
|
Póvoa e Maceira
|
2$463
|
27$489
|
24$929
|
X
|
Cunhados
|
Dois Portos
|
11$760
|
|
|
X
|
Dois
Portos
|
Caxaria/Ribaldeira
|
39$159
|
|
|
X
|
Dois
Portos
|
Furadouro
|
43$930
|
|
|
X
|
Dois
Portos
|
Feliteira
|
7$739
|
|
|
X
|
Dois
Portos
|
Bulegueira
|
8$055
|
|
|
X
|
Dois
Portos
|
Sirol
|
|
|
|
?
|
Dois
Portos
|
Freiria
|
7$109
|
42$865
|
36$201
|
X
|
Freiria
|
Sarreira
|
7$689
|
183$135
|
21$442
|
X
|
Freiria
|
Matacães
|
7$272
|
85$846
|
95$509
|
X
|
Matacães
|
Rib.ª de Matacães
|
1$776
|
16$364
|
19$454
|
X
|
Matacães
|
Maxial
|
6$011
|
37$498
|
33$372
|
X
|
Maxial
|
Aldeia Grande
|
3$027
|
36$229
|
41$822
|
X
|
Maxial
|
Ermigeira
|
3$072
|
46$985
|
13$510
|
X
|
Maxial
|
Vila Seca
|
$767
|
12$115
|
7$580
|
X
|
Maxial
|
Lubagueira
|
11$476
|
83$245
|
78$517
|
?
|
Maxial
|
Monte Redondo
|
2$401
|
16$163
|
14$402
|
X
|
Monte
Redondo
|
Ponte do Rol
|
5$397
|
101$517
|
99$566
|
X
|
Ponte do
Rol
|
Ramalhal
|
7$602
|
56$067
|
62$504
|
X
|
Ramalhal
|
Vila Facaia
|
1$944
|
67$833
|
61$871
|
X
|
Ramalhal
|
Runa
|
11$033
|
69$291
|
67$798
|
X
|
Runa
|
S.Pedro da Cadeira
|
5$360
|
208$014
|
189$044
|
?
|
S. Pedro
da Cadeira
|
Zimbral
|
4$048
|
66$734
|
62$752
|
X
|
S. Pedro
da Cadeira
|
Turcifal
|
19$977
|
80$057
|
79$344
|
X
|
Turcifal
|
Melroeira
|
5$643
|
138$572
|
125$431
|
X
|
Turcifal
|
Carvalhal
|
2$041
|
110$479
|
77$057
|
?
|
Turcifal
|
Mugideira
|
4$951
|
|
|
X
|
Turcifal
|
Cadriceira
|
1$767
|
24$925
|
24$358
|
X
|
Turcifal
|
S.Mamede
|
4$876
|
85$229
|
80$984
|
X
|
Ventosa
|
Barril
|
3$423
|
11$509
|
10$642
|
X
|
(Mafra)
|
Azueira
|
14$891
|
129$793
|
143$983
|
X
|
(Mafra)
|
Vermoeira
|
6$256
|
58$475
|
53$442
|
X
|
(Mafra)
|
Sobral da Abilheira
|
|
61$313
|
69$067
|
?
|
(Mafra)
|
Enxara do Bispo
|
6$538
|
102$630
|
89$627
|
X
|
(Mafra)
|
S.Sebastião
|
2$464
|
33$484
|
31$509
|
X
|
(Mafra)
|
(Livro de décimas da extremadura
– vintenas do concelho de Torres Vedras
(1801, 1806 ,1812 e 1831); arquivo
histórico do Tribunal de Contas, Lisboa. As últimas 6 vintenas foram integradas
no concelho de Mafra).
3 – Quem eram os
Torrienses do século XIX? (Demografia e Estrutura socioprofissional)
Não vamos tratar neste capítulo de personalidade torrienses que se
distinguiram neste século, mas das características gerais da população deste
concelho ao longo do século XIX, do ponto de vista da demografia e da estrutura
sócio-profissional.
Claro que existem torrienses que se distinguiram na vida nacional e local
durante este século, nos mais variados sectores e podíamos destacar figuras
como um padre Madeira Torres, um Henriques Nogueira ou um Jaime Batalha Reis,
entre outros, alguns já biografados, a dominar uma elite politica, social e
económica, já detalhadamente tratada no estudo de João Pereira e por José Travanca, nas obras já referidas, e
por Célia Reis na também já referida monografia sobre a Santa Casa da
Misericórdia de Torres Vedras.
Por isso, nesta síntese, vamo-nos
limitar à análise mais geral dos habitantes deste concelho, uma massa anónima
que aqui viveu e trabalhou e muitas vezes apenas é visível na frieza dos
números, mas que foi a base da evolução deste concelho.
Tendo por base os recenseamento mais fiáveis, o de 1801, “recenseamento da
Comarca de Torres Vedras” realizado pelo Patriarcado de Lisboa e depositado no
Arquivo da Assembleia da República, o de 1828, o chamado “Recenseamento de Sousa
Coutinho”, publicado em 1836 no Diário do Governo, o de 1858, no “Relatório do
Governo Civil do Districto Administrativo de Lisboa” e nos Censos oficias da
População, iniciados em 1864 e continuados em 1878, 1890 e 1900, podemos
observar no gráfico em baixo a evolução do concelho de Torres Vedras:
Entre 1801 e 1900 a população do concelho cresceu 83,4%, embora a ritmos
diferentes.
É observável o abrandamento entre 1801 e 1828, período marcado pelo impacto
das invasões francesas e pelos conflitos políticos internos e a aceleração do
crescimento entre 1878 e 1890.
Observemos agora essa evolução discriminada pelas várias freguesias do
concelho em dois gráficos, um com as freguesias rurais e outro com as
freguesias “urbanas”:
FREGUESIAS RURAIS:
O crescimento das várias freguesias rurais ao longo do século é continuado,
mas em ritmos diferentes.
Destacamos os seguintes casos, mais significativos:
- A freguesia de A-Dos-Cunhados conhece um crescimento muito acentuado ao
longo do século, um aumento de 211,6% (só ultrapassada pela freguesia de Monte
Redondo, 286,9%, um dado irrelevante dado a reduzida dimensão desta freguesia).
Alterações no tipo de propriedade, no tipo de produção e melhoria das ligações
viárias podem justificar essa situação.
- A freguesia de S. Pedro da Cadeira, que incluía a actual Silveira, embora
com um crescimento percentual menos significativo, torna-se a maior freguesia
do concelho em números absolutos, ultrapassando a até aí dominante freguesia de
Dois Portos.
Pelo contrário as freguesias de Carmões, Dois Portos Ramalhal e Runa
conhecem um evolução lenta, conhecendo mesmo algumas quebras assinaláveis em
determinados períodos, endro significativo o caso de Dois Portos, com dois
períodos de quebra, um entre 1801 e 1828 e outro entre 1890 e 1900, enquanto a
de Runa conhece uma quebra mais prolongada, entre 1801 e 1864.
Acentua-se assim o fenómeno de
litoralização do concelho, mais acentuada ao longo do século XX, em detrimento
do interior, invertendo uma tendência histórica.
A instabilidade político-militar no inicio do século, com movimentos
assinaláveis no interior do concelho, as alterações na produção agrícola e a
crise da filoxera, no final do século, terão contribuído para essa alteração
estrutural na distribuição regional da população rural do concelho
No
gráfico onde mostramos a evolução da população nas freguesias com sede na vila
incluimos também dados recolhidos num recenseamento com fins militares
elaborado em 1843, existente no Arquivo Municipal de Torres Vedra (4).
Convém
recordar que houve unificação da freguesia de Stª Maria com a de S. Miguel e de
S.Pedro com a de S. Tiago na segunda metade do século XIX.
Também
nestas freguesias se pode registar uma certa estagnação, ou mesmo decadência,
na primeira metade do século.
No
conjunto, a de S.Pedro é a que conhece maior crescimento secular, sendo de
registar que a freguesia de Stª Maria integrava uma vasta região rural no
limite norte do concelho, aquilo que é hoje a freguesia de Campelos.
Os
mapas que abaixo se publicam mostram realidade diferentes.
No
primeiro temos a evolução da densidade populacional, onde a realidade é
condicionada pelas diversas dimensões das freguesias, mas onde é evidente a
“caminhada” do crescimento demográfico a caminho do litoral pela zona sul do
concelho.
No
segundo mostra uma outra realidade, o crescimento da população em percentagem
entre o inicio e o final do século, evidenciando a litoralização acima
referida.
Aqui
recordamos o balanço feito por José Travanca (pp.160-161) onde essa evolução
populacional é observável ao longo do século XIX.
Para
esse autor “o concelho estruturou-se visivelmente em focos bem definidos, de
acordo com o potencial dos solos disponíveis, em volta do polo urbano da vila”,
caracterizando a “divisão” demográfica do concelho de acordo com 4 zona
distintas:
-
as freguesias sedeadas na vila de caracter urbano, especialmente a de S.Pedro,
“mas fortemente marcadas pelo peso rural”, especialmente as de Stª Maria e
S.Miguel;
-a
região sul e oriental do concelho (Monte Redondo, Matacães, Runa, Carvoeira,
Carmões, Dois Portos, Turcifal e Freiria), “zonas de peso demográfico mais
decisivo na história do concelho, por serem” as que dispõem, “em maioria dos
solos mais apetecíveis”;
-
o norte interior (Maxial e Ramalhal) condicionado pelos “solos pobres e
delgados”, pouco propicio “à agricultura intensiva”;
-
o litoral ocidental (Ponte do Rol, S. Mamede da Ventosa, S.Pedro da Cadeira e
A-Dos-Cunhados) com maior diversidade das aptidões dos seus solos, os “solos
pobres do interior do concelho”, os “solos férteis do Sizandro que atravessa as
três primeiras freguesias” e, em A-Dos-Cunhados, o “solo fértil do
Alcabrichel”, mas com predominância de “solos
de fertilidade média ou infeiro”.
Essas
diferenças justificam, segundo o mesmo autor, a tendência secular registada em
cada uma daquelas zonas, como a “manutenção do peso das freguesias da vila”, o
“crescimento, lento mas regular das freguesias do norte interior”, a “acentuada
quebra do sueste do concelho” e o “crescimento irregular mas acentuado e
notável” do ocidente litoral (p.166).
Resumindo
e concluindo, existem três razões principais que condicionaram as profundas e
diferentes alterações demográficas nas várias zonas do concelho:
-
alterações nos modos de produção, com a renovação da vinha, principalmente no
último quartel do século e a introdução de novos produtos, como a batata;
-alterações
do tipo de propriedade, marcadas, principalmente no segundo quartel do século,
pela desvinculação de terras pertencentes à Igreja e a outros senhorios, bem
como a remissão de foros;
-
a melhoria generalizada dos transportes e das condições de vida, principalmente
na segunda metade do século.
CONDICIONALISMOS DEMOGRÁFICOS: epidemias e alterações sanitárias
Um
dos principais condicionalismos da evolução demográfica característico das
sociedades de “antigo regime” era o efeito da mortalidade provocada pela forma
como se propagavam várias epidemias.
O
século XIX herda esse condicionalismos, ao mesmo tempo que é neste século que
se começam a registar importantes alterações
sanitárias que travam esses fenómenos e contribuem para uma maior
evolução demográfica.
Ao
longo do século XIX Torres Vedras sofre os efeitos de vários surtos epidémicos,
mais acentuados, pelos seus efeitos e pela sua dimensão, na primeira metade do
século.
Entre
os registados, salientamos, por ordem cronológica, os seguintes:
-1795
– Epidemia registada nas freguesias de S. Pedro da Cadeira e Ponte do Rol
(nesta última sabe-se que foi registada entre 11 de Fevereiro e 20 de Maios);
-1798
– Epidemia nos lugares de Abrunheira, Monte Redondo e Maxial, entre Abril e
Junhos;
1810
– Epidemia de grandes dimensões e bastante mortal, registada no final do anos e
referida por Madeira Torres nos seguintes termos: “Por este tempo [finais de
1810] grassava na villa, e muito mais nas suas vizinhanças, um contagio, que
foi quase geral, sendo mais mortífero nas terras invadidas [refere-se à 3ª
invasão francesa], e nos emigrados por serem mais incomodados, e menos
socorridos. Contaram-se tantos mortos, que foi preciso designar-se um amplo
cemitério juncto à Igreja de S. Miguel, e ainda este teve de ampliar-se além
dos seus primeiros limites” (Madeira Torres, 2ª edição histórica,p. 179).
Segundo Júlio Vieira (p.207), deve-se a este facto o nome dado a “casal dos
ossos” localizado próximo desse lugar;
1817
– Entre Abril e Maios regista-se uma epidemia nos lugares da Ermigeira e do Maxial;
1824
– Regista-se uma epidemia no lugar da Carvoeira;
1833
– Epidemia de “Cholera-morbus” (febre amarela), surgindo na vila em 22 de Maio
e prolongando-se até Junho e, embora menos devastador que noutros lugares do
país, provocou 30 mortos na vila. O facto de a Câmara ter tomado várias medidas
preventivas antes desta chegar ao concelho contribui para evitar que o seu
efeito fosse mais devastador, pois, tomando-se conhecimento que aquela epidemia
já grassava em Lisboa, tomaram-se várias medidas para a combater em vereação
extraordinária de 30 de Abril desse ano (ff. 345, 345 v e 346, do Lº 26ª dos
Acordãos [1817-1834]):
1ª
– removeram os matadouros para “o poente da villa no cítio da Fonte da Pipa
próximo do rio (…)”;
2ª
– “que a dessecação das tripas seja para o Monte de S. Vicente ou cazal da
Forca assim como a cura do sebo”;
3ª
– “que as rezes que se talharem nos açougues sejão os mais saudáveis, e o
pescado o mais fresco, e todo aquelle que se achar incapaz será apreendido e
queimado”;
4ª
– mandou queimar todos os animais “sendo bois, porcos, ovelhas ou cabras, e
todos os mais enterrados de forma que não possão ser lançados no Cano Real”;
5ª
–“que se fará dar mais prompta expedição às agoas do Cano Real devendo as confinantes alargar e aprofundar para esse
fim a regueira tanto quanto seja necessário, e que para evitar extagnação de
immundices no mesmo Cano Real se despejará para elle nas noites quartas feiras
e sábados de cada semana o tanque do chafariz da Praça juntamente com mais doze
pipas ou dornas de àgua que para esse fim se lançarão nas mesmas noites em o
dito tanque sendo conduzidas por carros do chafariz dos canos”;
6ª
– mandou escoar as águas da regueira dos Polomes;
7ª-“que
em todos os dias da semana deverão todos os proprietários e moradores desta
villa fazer limpar de manhã suas respectivas testadas e de dois em dois dias os
pateos interiores, cavalariças ou currais de bois, fazendo extrahir os extrumes
para fora da villa”;
8ª
– proibia a existência de “currais de vacadas, ovelhas, cabras ou porcos”
dentro da villa, obrigando os seus donos a remover os animais para fora da
vila;
9ª
–proibia os ferradores de sangrar animais dentro da vila, só o podendo fazer
“junto do Rio alé, da Ponte da Mentira”;
10ª
– mandava que se fizessem “revista” aos “comestíveis e vegetaes que estiverem a
venda nas tendas desta villa” e proibia “que estas ultimas possão ser
conservadas em as ditas tendas de hum para o outro dia por causa da
fermentação”;
11ª
–“que se publiquem aos Povos os comestíveis que são nocivos à Saude Publica”;
12ª- que, dando-se o caso de a “enfermidade que
infelizmente graça em parte da capital” chegar à vila, “se estabelecerão fora
della alguns Hospitaes Provizorios para cujo efeito se destinarão desde já as
cazas da Quinta de Custodio José Rodrigues e as do Beneficiado José de Leonico
e João Ignacio no citio da conquinha e as da Quinta do Prior”;
13ª
– que os “Boticarios tenham em suas boticas todos osmedicamentos constantes da
relação que fora dada pelos facultativos”;
14ª
– em caso de necessidade serão chamados todos os facultativos da vila e termo
como os da comarca “para concorrer ao ponto onde for necessário”;
15ª
– que se promova uma subscrição na vila e termo em dinheiro, roupas e “alguns
utensílios, só nominal e para ter efeito somente e se verificar a recepção no
cazo de infelizmente chegar a existir o fim pqrq que he aberta”.
Como
vimos, a epidemia chegou à vila cerca de três semanas depois de tomadas estas
medidas;
1844-
epidemia de escarlatina, provocada pelos arrozais plantados em 1841 a norte da
vila;
1848
– um acórdão da Câmara de 6 de Outubro manda que se tomem medidas para o caso
de a peste d “Cholera-morbus” que então grassava na Europa chegar ao país;
1853-
A partir de Outubro grassa pelo país uma grave epidemia de “Cholera-morbus”,
desconhecendo-se, contudo, se houve algum caso registado no concelho de Torres
Vedras;
1855
– são tomadas várias medidas de prevenção para enfrentar uma possível chegada
ao concelho de um surto de “cholera-morbus” que já grassava no país, tais como
o estabelecimento de hospitais provisórios no Convento da Graça e na Quinta do
Desembargador, dando-se igualmente cumprimento a uma circular de Lisboa, de 20
de Outubro, para suspender a realização de feiras até ao final do ano, assim
como outras recomendações recomendando “aos Povos da villa e concelho a maior
limpeza das suas casas, lojas, saguões e estrumeiras, removendo todos os focos
de infecção”, sugerindo-se igualmente que “se accendam fogueiras à noite em
frente das casas” por ser este “um dos meios de purificar o ar” (Lº 28 dos
Acordãos(1842-1856), acórdão de 10/11/1855).
1856
– A epidemia de “Cholera-morbus” (ou “febre amarela”) é registada no concelho
entre 28 de Julho e 3 de Outubro, provocando, contudo, poucos mortos, cerca de
14 na vila. Um doa lugares mais atingido foi a Serra da Vila, onde se
registaram 21 mortos. O primeiro caso registado no concelho foi na localidade
do Paúl, registando-se igualmente alguns casos no Turcifal e na Ribaldeira;
1857
– o surto de febre amarela que atingiu Lisboa
não teve efeito em Torres Vedras, apenas
sendo registado o caso de duas pessoas doentes que vieram de Lisboa, mas
que não contagiaram ninguém neste concelho;
1872
– registam-se em Dezembro no concelho alguns casos de “bexigas” (Copiadores da
Correspondência do Administrador do
Concelho para o Governo Civil [1868 a 1890], Arquivo Histórico Municipal de
Torres Vedras, documento daqui para a frente designado com a sigla CAC);
1876/1877
– entre Dezembro de 1876 e Janeiro de 1877 regista-se uma epidemia de varíola
na vila, levando o administrador do concelho a solicitar vacinas (CAC);
1882-
em julho regista-se uma epidemia de varíola na freguesia de Dois Portos (CAC);
1884-
são tomadas medidas de prevenção contra o surto de cólera que grassa no país;
1889
– em 29 e 30 de Dezembro inicia-se na vila uma epídema de “influenza” (CAC);
1896-
um acórdão de 5 de Agosto dá conta de uma epidemia na Cadriceira.
Confirma-se
assim uma maior incidência de epidemias na primeira metade do século, embora
nunca se tendo registado grande mortandade neste concelho.
Contudo,
este tema carece de estudos mais aprofundados.
Medidas Sanitárias
Uma
das medidas de saúde pública de maior
impacto foi a criação de cemitérios públicos .
A primeira tentativa de os estabelecer no país
data de 1805 (alvará de 27 de Março) e 1806 (alvará de 18 de Outubro), mas que
não tiveram qualquer efeito.
Foi
preciso esperar pelo decreto de 21 de Setembro de 1835 para concretizar essa
medida sanitária, que culminaria com o decreto de 18 de Setembro de 1884
proibindo os enterramentos junto das Igrejas, medida que tanta controvérsia
provocou e que esteve na origem da revolta da “Patuleia”.
Em
Torres Vedras este tema já foi por nós estudado e apresentado noutra
comunicação, pelo que nos limitamos a traçar aqui, de forma resumida, o modo
como essa medida foi implementada (“Elementos para o estudo da Saúde Pública e
da criação dos cemitérios públicos em Torres Vedras no século XIX”, in Turres
Veteras VI, ed. 2004, pp.113 a 152)
O
primeiro pedido para a construção de um cemitério na vila que incluísse o
enterramento dos falecidos nas quatro paróquias sedeadas na vila, data de 23 de
Agosto de 1805, por iniciativa da Ordem Terceira, mas tal pedido apenas será
concretizado por concessão datada de Março de 1832, começando o novo cemitério,
localizado no Alto de S. João, a ser edificado em 1848.
O
1º enterramento foi efectuado em 30 de Junho de 1849, data a partir da qual se
deixaram de fazer enterramentos junto das quatro igrejas da vila e da Igreja da
Misericórdia.
Nas
restantes freguesia do concelho a organização dos cemitérios seguiu a seguinte
cronologia:
(Fonte
: Relatório do Governo Civil de Lisboa de 1859)
Sendo
esta a principal iniciativa de melhoria da saúde pública, muitas outras se
podem registar ao longo do século XIX que contribuíram para a melhoria
generalizada das condições sanitárias do concelho, principalmente na vila, como
se pode ver pelo breve levantamento que aqui mostramos de medidas camarárias:
-
em 1832 um acórdão camarário mandou intimar “os confinantes do Cano Real” para
tirarem “os estrumes cada hum na sua respectiva testada da maneira que os
vapores não possão prejudicar a Saúde Pública”, lançando na mesma data um
acórdão para que os “juízes almotacés” cumprirem “exactamente o seu Regimento
quanto a limpeza publica não consentindo que se conservem nas ruas immundices,
agoas extagnadas, animaes mortos, extrumeiras, e tudo o mais que possa
inficcionar a saúde publica” (Lº Acordãos 26-A (1817-1834), 23/5/1832, fª 336);
-
um outo acórdão de 1835, onde se ordena o concerto das “calçadas desta villa”,
traça um interessante retrato do estado sanitário da vila, ao considerar que
“os damnos cauzados nas calçadas são motivados pela maior parte pelo abuzo com
que os moradores vizinhos lanção agoas e immundices nas mesmas ruas
principalmente os que fazem tascas conservando sempre húmidas as calçadas e até
partindo lenhas sobre ellas, e também são motivadas pelos animaes que deixão as
soltas pelas mesmas ruas”, pelo que se mandava “que todos os taverneiros,
tasqueiros, barbeiros e outros quaisquer pessoas de qualquer ocupação ou
graduação que for, que lançarem agoas e immundices nas ruas, ou quebrarem
lenha, ou fizerem outra qualquer obra de que possa resultar damno às calçadas
sejão condenadas por cada vez em dois mil reis para o concelho e farão o
concerto à sua custa.
“E
que toda a pessoa que deixar às soltas porcos pelas ruas , ou ahi os crear
junto de suas portas ou deixar entrar pelas fazendas alheias sejão condemnados
nas multas do concelho e poderão ser mortos os mesmos porcos por qual quer
pessoa do povo, e perdido sendo,metada do seu valor para o matador ou apresador
e outra metade para as despezas do concelho” (LºAcordãos nº 27 (1834-1842), 7
/11/ 1835, f.45v);
Dez
anos depois a presença de porcos pelas ruas da vila continuava a preocupar as
autoridades:
“propôs
o Presidente da Câmara a necessidade que havia de huma caza que podesse servir
para curral do concelho não só para nella se recolherem os porcos que andão em
grande número pelas ruas da villa como todo o mais gado que se encontra fazendo
prejuízo em as novidades parecendo-lhe próprio para este fim huns pardieiros
que há na rua das Flores pertencentes a João José Capote o qual só exige para eles
a modica renda de mil e duzentos reis cada ano” (Lº Acordão nº 28
(1842-1856),de 10/5/1845).
ANALFABETISMO E EDUCAÇÃO
Pelos
recenseamentos realizados no final do século, sabe-se que o analfabetismo do
concelho ultrapassava os 80%:
-
1878 - 86,07 de analfabetismo;
- 1890 – 84,71% de analfabetismo;
-
1900 – 83,31 de analfabetismo;
Mesmo
assim Torres Vedras conheceu um grande desenvolvimento no domínio da educação,
com a criação, em vários locais do concelho, de escolas de primeiras letras,
mistas, femininas e masculinas, distribuídas do seguinte modo:
Sede da
escola
|
Freguesia
|
Tipo
|
Alunos em
1859
|
Alunoss em
1862
|
Alunos em
1876 (média
anual)
|
Alunos em
1899
|
Observações
|
T.Vedras
|
Stª Maria
|
Masculina
(M)
|
42
|
45
|
44
|
543
|
Rua da
Olaria (1876)
|
T.Vedras
|
Stª Maria
|
Feminina
(F)
|
16
|
50
|
30
|
495
|
1859 –
escola particular.
Rua dos
canos, edifício particular (1876)
|
T.Vedras
|
S.Pedro
|
F
|
35
|
|
-
|
-
|
1859
–escola particular.
|
Ribaldeira
|
Dois Portos
|
M
|
28
|
20
|
22
|
263
|
Edifício
particular pago pela Câmara (1876)
|
Ribaldeira
|
Dois Portos
|
F
|
-
|
|
35
|
212
|
Edifício
particular pago pela Câmara (1876)
|
Coutada
|
S.Pedro
Cadeira
|
Mista
|
-
|
|
31m
|
308 m + 383
f
|
Edifício
particular e masculina (1876)
|
S.Pedro
Cadeira
|
S.Pedro
Cadeira
|
M
|
39
|
18
|
-
|
-
|
|
S.Pedro
Cadeira
|
S.Pedro
Cadeira
|
F
|
7
|
|
-
|
-
|
1859 –
escola particular
|
Turcifal
|
Turcifal
|
M
|
18
|
25
|
13
|
208
|
Rua da
Barreira em edifício particular (1876)
|
Turcifal
|
Turcifal
|
F
|
-
|
|
-
|
204
|
|
Maxial
|
Maxial
|
M
|
vago
|
8
|
9
|
122
|
Na extinta
albergaria (1876)
|
Maxial
|
Maxial
|
F
|
-
|
|
-
|
144
|
|
Freiria
|
Freiria
|
Mista
|
28 m
|
9
|
20
|
567 (total)
|
“rua
direita” em edifício particular pago pelo município -masculina(1876)
|
Matacães
|
Matacães
|
M
|
20
|
25
|
20
|
88
|
edifício
particular pago pelo município -masculina(1876)
|
Matacães
|
Matacães
|
F
|
-
|
|
25
|
108
|
Edifício
particular pago pela junta (1876)
|
Ramalhal
|
Ramalhal
|
Misto
|
-
|
|
18
|
311 (total)
|
Edifício
particular pago pelo município – masculino (1876)
|
A Dos
Cunhados
|
A Dos
Cunhados
|
M
|
-
|
|
20
|
124
|
Edifício
particular
|
Carvoeira
|
Carvoeira
|
Misto
|
9 m
|
23
|
10 m
|
289 (total)
|
Edifício
particular – masculina (1876)
|
Ponte do
Rol
|
Ponte do
Rol
|
F
|
-
|
|
-
|
78 f + 102
m
|
|
Corujeira
|
Carmões
|
M
|
25
|
|
19
|
72
|
Edificio
particular pago pela Câmara (1876)
|
Carmões
|
Carmões
|
F
|
-
|
17 (mista)
|
27
|
73
|
No adro da
Igreja (1876)
|
Runa
|
Runa
|
M
|
28
|
36
|
26
|
79 m + 74 f
|
Sede da
paróquia, edificio particular (1876)
|
S.Memede
|
Ventosa
|
M
|
vaga
|
8
|
10
|
223
|
Sitio do
castelão em edifício particular (1876)
|
Moçafaneira
|
Ventosa
|
F
|
-
|
|
36
|
226
|
Edificio
particular (1876)
|
Monte
Redondo
|
Monte
Redondo
|
M
|
18
|
16
|
7
|
100
|
Edificio
particular arrendado pela Junta (1876)
|
Monte
Redondo
|
Monte
Redondo
|
F
|
-
|
|
20
|
70
|
Andar
superior da masculina (1876)
|
(Fonte
: 1859 – Relatório do Governo Civil do Districto Administrativo de Lisboa, ed.
1860; 1862 – Apêndice nº 12 , editores da parte económica de Madeira Torres
(indica apenas o total, sem referir género); 1879 – Correspondência do
Administrador do concelho pata o Governo civil;1899 – “escolas existentes e
população escolar recenseada em 1899, Célia Reis, a partir de AHCMTV,
“Correspondência”, caixa 28, Quadro XIV, p.145).
O
relatório do Governo Civil indica também que existia, em 1859 uma escola de
ensino secundário, localizada na freguesia de STª Maria, paga pelo estado, com
13 alunos do sexo masculino (CAC, pp.56-57).
Por
sua vez, além das escolas de “instrução primária”, os anotadores de Madeira
Torres, na inédita edição manuscrita da parte económica, no seu Apêndice nº 12,
indicam que havia uma escola de Latim, com 7 alunos, ministrada pelo Reverendo
José Joaquim da Silva Bastos.
Não
sabemos bem que tipo de escolas eram essas, pois foi apenas em 1880 que, na
reforma de Luciano de Castro, foram criadas “escolas secundárias municipais”.
Na
sequência dessa reforma o município torriense solicitou autorização para a
criação de uma escola secundária em Torres Vedras, pedido confirmado por
portaria de 6 de Fevereiro de 1890.
Esta
escola secundária funcionou nos paços do concelho, tendo decorrido a sessão
solene de abertura em 9 de Outubro de 1890, iniciando-se as aulas no dia
seguinte. Esta primeira escola
secundária municipal acabou por
encerrar em 1903, uma decisão polémica, e que, em termos locais, contribuiu
para desacreditar as elites monárquicas (ver António, Venerando “o Nascimento
do Ensino Secundário em Torres Vedras”, in Badaladas de 30 de Março d 1990 e
MESQUITA, José Carvalho História do Ensino Secundário em Tores Vedras,
ed.1969).
Ao
longo do século funcionaram ainda várias escolas ligadas aos conventos locais,
uma no Convento da Graça, desde 1780, encerrado em 1834, mas onde, a partir de
1872, passará a funcionar o “Colégio de S. José”.
Em
1860, ano em que os Jesuitas tomam posse do Convento do Barro, que tinha
pertencido aos “arrábidos” e tinha sido encerrado em 1834, ali começa a
funcionar um “colégio” para a educação de raparigas órfãs, e funcionará até
1910. Nesse mesmo local será inaugurada, em 1866 uma de “estudo de letras “
(humanidades e retórica) para estudantes Jesuitas, que encerrará em 1878,
reabrindo em 1892, durando até 1910. Em 1879 abri aqui uma “escola apostólica”
para candidatos à vida monástica, funcionando até 1892, dando lugar, a partir
de 1895, a uma escola de estudos teológicos para estudantes jesuítas, mas que
encerrará ao fim de um ano.
Em
1861 é a vez de o Convento do Varatojo, reaberto e que voltou à posse dos
franciscanos, abrir uma escola de primeiras letras para rapazes, criando outra
para raparigas em 1867.
Também
se conhecem alguns colégios privados que funcionaram em Torres Vedras, como o
de Hipólito Matos Cordeiro, inaugurado em 1876 e um de ensino do francês ministrado
por Batthelemy Eugene.
Importante
para o combate contra a filoxera e para o desenvolvimento da actividade
vitvinicola na região foi a Escola Prática de Viticultura, inaugurada no dia 1
de Dezembro de 1888 na Quinta da Viscondessa (Turcifal).
ESTRUTURA SÓCIO-PROFISSIONAL
Em
baixo reproduzimos, em gráficos, a distribuição percentual dos três sectores de
actividade, distribuídos nos quatros anos do século XIX para os quais existem
dados mais completos e fiáveis, os anos de 1817, com base nas informações de
Madeira Torres na parte económica da sua monografia, as de 1862, referidas
pelos anotadores na 2ª edição manuscrita e inédita daquela obra, e os dados
oficiais dos recenseamentos nacionais de 1890 e 1900:
A
tendência óbvia que se observa é o peso do sector primário, que regista,
contudo, uma evolução no mínimo estranha, entre 1890 e 1900, pois a tendência
natural seria uma evolução inversa.
No
próximo gráfico podemos ver esses sectores de forma mais descriminada, tendo
por base os critérios de classificação usados nos recenseamentos oficiais de
1890 e 1900 e acrescentando dados de 1843.Estes não incluem a mesma área
geográfica, já que o concelho, como vimos em cima, tinha então uma dimensão
diferente, mas permite observar tendências gerais:
De
realçar, para além de alguma variação inconstante do sector primário, que pode
ser motivado pela indefinição dos “domésticos” e dos “outros” nalguns desses
documentos, onde podem estar incluídos muitos profissionais do sector primário,
que, se incluirmos os “domésticos” e os “outros” no sector primário, este
ultrapassa sempre os 70%.
Os
sectores da “industria” (que englobam na maior parte as actividades de tipo
artesanal) e o dos “transportes” conhecem um grande crescimento, se não em
termos percentuais, pelo menos em termos numéricos. Ao crescimento dos
profissionais no sector transportes não será estranha a inauguração do
caminho-de-ferro em 1887.
Passemos
agora a observar cada um daqueles sectores de forma um pouco mais detalhada:
Note-se
que, entre as duas datas onde é possível desdobrar a informação, o número de
assalariados (“jornaleiros” e “criados”) é praticamente idêntico ao número de
proprietários rurais, a maioria pequenos proprietários,
Entre
aquelas duas datas há a registar, por um lado um aumento do número de grandes e
médios proprietários, ao mesmo que os pequenos proprietários registam uma
redução significativa, quase tantos (cerca de mil) como os assalariados rurais
a mais em 1862, em relação aos registados cerca de 50 anos antes.
Passamos
agora a observar as características do sector secundário, com base no seguinte
quadro, que inclui dados recolhidos na citada parte económica de Madeira
Torres, quer na editada (dados de 1817), quer a anotada e inédita (1862), bem
como os dados dos Inquéritos Industrias de 1881 e 1891, tendo adptado os dados
daqueles dois anos à classificação de actividades usada nestes inquéritos:
Apesar
da classificação de “industria”, a maior parte das empresas e dos profissionais
referidos desenvolviam uma actividade de tipo artesanal, quase sempre de base
familiar.
Na
“industria” dominante, a “têxtil, do vestuário e calçado” dominavam, em 1817 os
“sapateiros” , em número de 180, (mais de 50% dos registados nesta industria),
as tecedeiras (82) e os alfaiates (58), actividades que continuavam a dominar
em 1862 (142 sapateiros, 104 tecedeiras e 20 alfaiates), sendo de referir que
os sapateiros estavam disseminados por quase todas as localidades do concelho.
Em
1891 a esmagadora maioria dos “estabelecimentos” nesta activididade era a de
sapateiros, em nº de 195, seguindo-se os alfaiates (20) , não sendo referidas
as tecedeiras.
Outro
sector com algum peso é o da “madeira e mobiliário”. Em 1817 a maioria eram
“carpinteiros”, em nº de 130, dos quais, segundo Madeira Torres “quase metade”
era de “carros”.
Em
1862 os carpinteiros continuam a dominar este sector, em nº de 50.Em 1891 a
maior parte dos profissionais deste sector estava ligado à serração de madeiras
( 28 pequenas empresa).
Ao
longo daquelas três datas podemos referir outras actividades com algum peso no
sector secundário:
-
1817 – 58 barbeiros, 42 pedreiros, 28 curtidores, 25 ferreiros, 17 tanoeiros e
12 oleiros de louça;
-
1862 – 84 pedreiros, 83 serradores, 53 serradores, 53 valadores, 47 barbeiros,
28 tanoeiros e 25 ferreiros;
-
1891 – 84 moleiros ( naõ são referidos na actividade artesanal nos documentos
de 1817 e 1862), 35 serralheiros, 26 padeiros, 24 canteiros e 23 oleiros.
Apesar
de, como já dissemos, a maior parte destas actividades ter características
artesanais, surgem referências a uma industria mais moderna com recurso ao uso
de máquinas a vapor, principalmente na segunda metade do século.
No
quadro de baixo podemos ver a cronologia dessa “modernização industrial” em
Torres Vedras:
4 – “Pão para boca”
A
actividade agrícola foi, ao longo do
século, como aconteceu por todo o país e na maior parte do mundo, a mais
importante do concelho nesse século.
Na
agricultura local cruzava-se uma economia de autossubsistência, com alguma
actividade comercial a nível local, nas feiras e mercados e com um crescente
comércio mais longínquo, baseado principalmente na vinicultura e dinamizada com
a melhoria dos caminhos e, no final do século, com a chegada do
caminho-de-ferro à região.
Ao
longo do século a produção de vinho, uma das características históricas do
concelho, ganhou, ao longo do século, uma dimensão crescente, apesar de ser afectada
pela filoxera da década de 80, crise que
os proprietários da região conseguiram ultrapassar com a renovação da paisagem
agrícola.
Uma
outra característica deste século foi a introdução e expansão de novos produtos
agrícolas, como a batata, substituindo, em importância alguns produtos
tradicionais, como o milho (Ver em anexo a evolução anual dos preços agrícolas
no concelho ao longo do século).
No
quadro em baixo podemos ver a evolução da produção agrícola do concelho ao
longo do século XIX.
Para
a sua elaboração recorremos às seguintes fontes:
-
1799 – Mapa do rendimento da Dízima eclesiástica publicada por João Pereira;
-1812
– Dados publicados na parte económica de Madeira Torres, aferidos por João
Pereira;
-1827/32
– Mapa do produto da dízima, com base em documentação da Torre do Tombo,
aferido por João Pereira;
-1862
– Dados publicados pelos anotadores da parte económica, 2ª edição manuscrita,
de Madeira Torres;
-1887
– Inquérito Agrícola de Paulo Moraes (publicado em 1889) aferido por João
Pereira;
-1901
– Mapa de Produção, manuscrito do Arquivo Histórico de Torres Vedras.
Observando
esse quadro na sua generalidade, parece registar-se uma quebra da produção no
primeiro quartel do século, alguma recuperação até à década de 80, com uma nova
quebra no final desta década e uma estagnação até ao final do século.
Contudo
essa evolução não é igual para todos os produtos:
O
trigo atinge o seu maior pico de produção a meio do século, perdendo
importância no último quartel do século;
O
milho, que durante a primeira metade do século era o segundo produto mais
importante, perde peso a partir daí, ao que parece com a generalização da
produção de batata;
A
batata, conhecida desde os descobrimentos, só se tornou importante na região
para consumo humano no século XIX. Só em 1856 é que a câmara começou a tabelar
este produto, embora o primeiro registo conhecido sobre a sua produção só
apareça em 1862, no documento acima referido. Tornou-se logo o segundo produto
mais importante do concelho e, embora perda importância no último quartel do
século, continuava, apesar de tudo, a ser o segundo produto mais cultivado. Em
muitas freguesias parece ter conquistado importância, à custa da produção do
milho;
O
vinho foi sempre o produto mais importante do concelho, tendo-se tornado
esmagadoramente dominante no último quartel do século. Voltaremos a falar deste
produto mais à frente.
Madeira
Torres, na parte económica da sua obra, escrita no primeiro quartel do século,
descrevia a importância local dos vários produtos.
Sobre
o vinho, referia que a “produção do terreno da villa, e seu termo, he muito
considerável, e até verdadeiramente singular na generalidade dos fructos que
abrange. A producção do vinho he sobre todas a mais abundante” (p.246).
O
trigo era então um “género de que a villa, e seu termo não só tem suficiente
para seu próprio consumo, mas ainda para fornecer ao alheio, apezar do roubo
que a este ramo, e a outros cereas tem feito a desmedida plantação das vinhas”
(p.251).
Quanto
à produção do milho “he sempre a mais avultada, porque a sua sementeira aoccupa
a maior parte do terreno agricultado, e apezar de ser abundante na mesma
proporção dos outros scereaes (?) e ainda mais, nem por isso chega para o
consumo, antes se importa considerável numero de moios de milho das Provincias
do Norte” (p.252).
Refere
ainda outros produtos, como a cevada, cuja produção “corresponde, e quasi
sempre excede a do trigo. He mais extensa a sementeira deste género nos
terrenos próximos do mar” (p.252), o azeite, referindo que “tem-se cuidado, há
annos (…) na nossa villa, e seu termo, da plantação das oliveiras (…) haverá
menos de quarenta annos”, contudo “quasi todas estéreis por infectas pelo
terrivel mal da ferrugem”, a isso atribuindo “ a dependência em que se tem
achado a villa, e termo, d’importar-se bastante azeite” (p.249), e o mel , o
qual, contudo, conhecia alguma
decadência (p.250). O autor não faz qualquer referência à produção de batata.
Distribuição Regional da produtividade do concelho
Para
a primeira metade do século apenas temos as referências qualitativas e gerais,
abordadas por Madeira Torres, sobre as “zonas” mais férteis do concelho que
eram, segundo o autor, para o primeiro quartel do século, e em resumo:
-
o vale do Sizandro, desde a ponte do rei à foz;
-a
norte do lugar de A-Dos-Cunhados ao lugar do Vimeiro, junto ao rio Alcabrichel;
-
a “Tamuge”, em redor de Runa;
-o
terreno entre o Sirol e a Caixaria;
-
as várzeas do Alcabrichel, junto das aldeias de Aldeia Grande, Maxial,
Ermigeira, Abrunheira e Ramalhal;
-
e a Ponte do Rol, junto ao rio Sizandro. (pp.244 e ss).
Em
termos mais genéricos, o mesmo autor retrata as características regionais nos seguintes termos:
“Huma
metade do termo he quasi inteiramente cultivada; e a mesma parte montuosa,
especialmente nos subúrbios da villa; e n’outros sítios, he pouco menos fértil
do que as várzeas, e a menos fértil convida a cultivar-se pela bondade de
géneros, especialmente do vinho: a outra metade, ao Norte, que he de terra
arenosa e de charneca (exceptuando as varzeas acima indicadas) está inculta, e
coberta de matos pouco espessos, no excesso de dois terços” (p.245).
Só
para a segunda metade do século conseguimos recolher dados mais completos que
nos permitem uma comparação detalhada sobre a distribuição regional da produção,
os dois momentos, 1862 e 1901, em baixo registados:
Em
termos gerais vemos que em 1862 a freguesia
de S.Pedro da Cadeira (que incluía a área da actual freguesia da
Silveira) concentrava a produção de cerca de 1/3 de três das principais culturas, teigo, milho
e batata, enquanto Dois Portos lidera a produção de vinho.
Em
40 anos regista-se uma significativa mudança regional: a Ventosa torna-se a
principal produtora do concelho, Dois Portos perde a liderança na produção
vinícola e Santa Maria ganha crescente importância, talvez devido ao facto de
esta freguesia com sede na vila incluir então um vasto território rural a norte
que hoje faz parte da freguesia de Campelos.
De
todas as produção, a vinícola ganhou uma importância crescente ao longo do
século, em quase todas as freguesias do concelho, principalmente a partir dos
finais da década de 80, após a grande crise provocada pela filoxera.
As
mudanças que essa doença obrigou a introduzir na produção vinícola parece terem
contribuído para o rápido crescimento da produção local, ultrapassando em 80% o
total de toda a produção agricola ao longo da última década do século e
contribuindo para uma profunda alteração na paisagem rural do concelho.
Quanto
à filoxera, tema estudado com bastante detalhe por Célia Reis (5), apresentamos
em baixo uma breve cronologia da sua evolução no concelho:
A
filoxera manifestou-se pela primeira vez no concelho em 1883, numa vinha da
Quinta Nova, junto da Ordasqueira, expandindo-se no ano seguinte pelas vinhas
de várias Quintas da freguesia da Ventosa, uma das mais importantes na produção
do vinho do concelho, atingindo o seu auge em 1885, quando atingiu todo o
concelho, como se pode ver pelo quadro em baixo:

Referindo-se
à chamada região “torreana[sic]”, que abrangia os concelhos de Torres Vedras,
Alenquer, Cadaval, Mafra e Arruda, Elvino de Brito escrevia no final da década
que as vinhas dessa região se achavam então “completamente invadidas pela phylloxera,
apesar de só ahi ter aparecido a primeira vinha phylloxerada em 1883. A invasão
tem sido mais rápida na região torreana [sic] do que no próprio Douro, em
virtude das melhores condições de continuidade que a phylloxera encontra-se.
Póde-se contar com a destruição quasi total das suas vinhas actuaes dentro de
muitos poucos anos, visto que o sulfureto de carbónio não tem nos terrenos
d’essa região dado os resultados certso e seguros que d’elle têem obtido os
lavardores do Douro e de outras regiões do norte” (Elvino de Brito, p. 84).
O
mesmo autor acrescentava, contudo, não acreditar que a região “torreana[sic]”
era “uma região perdida para a viticultura; mas infelizmente é uma região em
que toda a vinha perece fatalmente destinada a perecer e a ser substituída pela
vinha americana enxertada e de produção directa”. E vaticinava : “perder-se-há
uma riqueza enorme para novamente se crear outra riqueza idêntica”.
De
facto, e como se vê no quadro em baixo, elaborado a partir de uma relação
manuscrita existente no Arquivo Histórico de T. Vedras, logo a partir de 1886
iniciou-se a substituição das vinhas de
“bacelo europeu”, atingidas pela filoxera, pelas chamadas vinhas de “bacelo
americano”:
As
freguesias de A-Dos-Cunhados, Matacães, Carmões, S.Pedro da vila e S.Mamede da
Ventosa foram aquelas onde se iniciou esse processo de substituição.
Em
1888 a vinha “americana” era dominante em relação à “europeia” na maior parte
das freguesias.
Em
1890, vinhas de bacelo europeu apenas existiam na freguesia do Ramalhal, embora
em minoria nessa freguesia.
Em
1891 já não existia nenhuma vinha de bacelo “europeu” plantada e registada no
concelho.
A
acção dos viticultores torrienses foi assim rápida e eficaz. Para isso muito
contribui a imprensa local, que surgiu em 1885 e dedicava grande parte do seu
conteúdo aos problemas da viticultura, bem como a existência de uma escola
vitivinícola na Quinta da Viscondessa, no Turcifal, dirigida pela família
Batalha Reis, principalmente o irmão António, cujo papel na economia e na
sociedade da região ainda está por estudar.
Com
a plantação da vinha “americana” a região recuperou rapidamente da crise,
tornando-se um importante centro de exportação de vinhos, não só para o Douro,
mas também para Bordéus.
Feiras e Mercados
Para
a dinâmica do comercio agrícola regional muito contribui a existência de
importantes feiras e mercados, realizadas regularmente.
Neste
concelho, para além da Feira anual da Nª Sª do Socorro, na Serra do Socorro, realizada a 5 de Agosto,
mas partilhada com o concelho vizinho de Mafra, realizavam-se as seguintes:
Com
a inauguração da ligação ferroviária par Lisboa, em 1887, muitas dessas feiras
conheceram um crescente dinamismo, como aconteceu com a de S.Pedro, enquanto
que outras perderam a importância que tiveram ao longo dos tempos.
REDE VIÁRIA E TRANSPORTES
Um
dos factores que muto contribui para o desenvolvimento da economia da região e
a expansão de mercados e feiras foi a renovação da rede viária e de
transportes, iniciada nos finais do século XVIII e que culminou com a
inauguração da ligação ferroviária a Lisboa a partir de 1887.
Em
baixo, podemos ver, de forma geral e cronológica alguns momentos importantes
para essa evolução:
1796
– Já etava estabelecida uma ligação de carreira regular por estrada calçada,
ligando Torres Vedras a Alhandra;
1799
– A Câmara manda que se faça uma estrada ligando a Cruz de Runa à Zibreira;
1805
– Com a data de 8 de Abril é emitido um aviso ao Juiz de fora de T. Vedras para
este continuar os concertos das estradas do seu termo, usando para o efeito os
“sobejos das sizas”;
1817
– Providencia do Desembargo do Paço de 31 de Janeiro, enviada ao Juiz de fora
de T. Vedras para concertar as estradas do termo;
1833
– Noticia-se que a estrada de Torres para Lisboa se encontra em muito mau
estado;
1849
– no dia 25 de Novembro iniciam-se as
obras da estrada de Torres-Runa-Alhandra onde se utiliza pela primeira vez na
região o sistema “McAdam”. As obras ficam concluídas em 1859;
1855
– É inaugurado o transporte regular de malas de correio para Lisboa, com
partida da vila todas a as 2ªs 4ªs e Sábados;
Nesse
mesmo ano têm inicio as obras de calcetamento pelo sistema NacAdam da estrada
que, deste concelho, segue na direcção do Cabeço de Montachique;
1860
– Forma-se uma companhia de diligências que passa a garantir uma carreira
regular, várias vezes por semana, para Lisboa e para Alhandra. Em 15 de
Dezembro sai uma ordem do governo para que o intendente da obras públicas do
distrito de Lisboa elabore um projecto para uma estrada que ligue Loures a
Torres Vedras;
1862
- No dia 16 de Abril o Marquês de Loulé ordena ao intendente das obras públicas
do distrito de Lisboa que aprove a diretcriz da estrada ligando Loures a Torres
Vedras, passando por Lousa, Venda do Pinheiro, Turcifal e Serra da Vila;
1869
- é atribuída ao Duque de Saldanha, em 28 de Outubro, a concessão de um caminho
de ferro do tipo “Larmanjat”, ligando o Lumiar a Torres Vedras. Essa ligação será
inaugurada em 6 de Setembro de 1873,
funcionando até 1877;
A
grande revolução dos transportes no concelho tem lugar com a decisão
parlamentar de 1880 de mandar construir
uma ligação ferroviária entre Lisboa e Torres Vedras, que devia continuar para Norte.
A 1ª locomotiva chega a Torres Vedras em 30 de Dezembro de 1886, mas as
ligações regulares para Lisboa só se iniciam meses depois. O transporte regular
de mercadorias tem inicio em 9 de Maio de 1887 e o de passageiros em 25 de Maio
do mesmo ano
O
caminho-de-ferro foi um importante
factor de desenvolvimento e expansão comercial da produção agrícola da
região, com fortes impactos na paisagem, na urbanização e no turismo. (ver o
meu estudo sobre o Caminhos de Ferro em Torres Vedras, citado na bibliografia).
5 – O Tecido Urbano e o Património
Em
relação ao total da população concelhia, habitavam a sede do concelho menos de
10% dos habitantes (9% em 1843, 8,28% em 1862).
Em
termos socias existiu desde sempre uma diferença de estrutura social e
funcional entre a sede do concelho e o seu termo rural, sendo significativo o
peso urbano de grupos ligados à administração e ao artesanato, embora todos
eles partilhassem essas actividades com a exploração ou propriedade de bens
agrícolas, essências, na maior parte dos casos, para complementar rendimentos e
para consumo próprio.
Com
base em documentação já citada do meio do século (1843), essa realidade é
observável, tomando por base a ocupação dos cabeças de fogo que moravam então
na vila:
É
nítido o peso dos sectores secundário e terciário em relação ao primário,
situação que contrasta. Como vimos em capítulo anterior, com a realidade do
concelho, visto no seu todo.
Sede
de concelho desde a Idade Média, pelo foral de 1250, aquilo que se conhece do
tecido urbano da vila de Torres Vedras no principio do século XIX não parece
muito diferente, em dimensão e estrutura, daquilo que se conhece desde o
período medieval, com algumas alterações significativas na época quinhentista.
O
primeiro mapa conhecido de Torres Vedras, a “planta do campo de Batalha de
Torres vedras” de 1846, da autoria de J.F. Júdice, revela uma vila que mantem a
estrutura idêntica ao que se conhece de descrições medievais:
Desenvolvendo-se
para sul do morro do Castelo, estendendo-se até à cerca do Convento da Graça,
limitado a leste pelo adro da Igreja de S.Pedro e a oeste pela extensa várzea e
a norte pelo rio Sizandro, esta é a área aproximada descrita nos séculos anteriores.
Até
à década de 80, se algumas diferenças se podem assinalar em relação ao passado,
elas prendem-se com a construção em altura, o calcetamento e endireitarem-se de
algumas ruas mais sinuosas ou o romper de alguns becos, mas a “espinha dorsal
medieval” não conhece grandes alterações.
Cruzando
dados, a partir de Henriques Vieira, com a consulta de livros de décimas, sisas
e outros existentes no arquivo municipal, bem como as referencias nas obras de
Madeira Torres e Júlio Vieira ao tecido
urbano da vila de Torres Vedras, e sobre a parte urbana do mapa acima referido,
tentamos reconstruir o tecido urbano e a sua toponímia no século XIX,
distribuindo-a pelas 4 freguesias urbanas, cuja área é representada por cores
diferentes, distribuição esta que se baseou num documento manuscrito da autoria
de Gama Leal, datado de 1862 e 1864, que serviu de base para dividir
administrativamente o concelho:

É
a partir da segunda metade do século XIX que se dá uma significativa ruptura
como a estrutura urbana medieval, nomeadamente com a construção de avenidas
novas ligando o centro da vila à estação de caminho de ferro, obras que
decorrem em paralelo com aquela obra, nomeadamente: - a abertura da Avenida da
Estação, baptizada com o nome do deputado Ignacio Cazal Ribeiro, um dos que
mais se bateu por esse melhoramento, e que seria rebaptizada , após a
implantação da República, com o nome de Avenida 5 de Outubro, ligando a estação
ao “largo da Graça”, inaugurada em 1888;
-a abertura da Avenida Tenente Valadim,
bifurcando daquela até ao “largo de S.Pedro”, inaugurada em 1890;
-
o alargamento da antiga cerca do Convento da Graça, transformando-a num jardim
público, por iniciativa de D. Diogo de Nápoles e inaugurado em 1892.
A
própria construção do caminho de ferro acabou por criar uma barreira ao
crescimento urbano para ocidente.
Um
outro importante factor da urbanização foi o inicio da edição regular de órgãos
de imprensa local, prática que se prolongou até aos nossos dias.
O
primeiro título começou a editar-se em 1 de Janeiro de 1885, o “Jornal de
Torres Vedras”, tendo origem na inauguração da primeira Tipografia em Torres
Vedras em finais de 1884, a Tipografia Torreense.
Essa
primeira experiência jornalística durou dois anos, anos cruciais para o
desenvolvimento de Torres Vedras, acompanhando nas suas páginas a construção do
caminho-de-ferro, divulgando as novidades das novas descobertas tecnológicas e
desempenhando um papel importante no combate à filoxera.
Paradoxalmente
esse primeiro título cessou a sua publicação no próprio dia em que chegou a
Torres Vedras a primeira locomotiva, em 30 de Dezembro de 1886, mas serviu de
base para a publicação de um número único comemorativo da chegada do
caminho-de-ferro.
Em
Fevereiro de 1887 surgiu um novo título, de publicação semanal tal como o
anterior e também editado pela Tipografia Torrense, o “A Voz de Torres Vedras”
que disputou leitores com um outro título surgido na mesma data, “A Semana”,
dando-se inicio a uma tradição que se manteve até 1926, o se editarem dois
títulos semanais em Torres Vedras.
Ao
longo do século XIX surgiram outros títulos, com destaque para “A Vinha de
Torres Vedras”, publicado de 1894 até
1920, e para o “Folha de Torres Vedras”, fundado em 1899 e que duraria
até 1913, ano em que se fundiu com “A Vinha…”, jornal este que veio a ser o
porta voz das ideias republicana dois anos antes da proclamação da República
(ver estudo de António Rosa citado na bibliogarfia).
Breve
Resenha da Imprensa Torriense do Século XIX:
Jornal de
Torres Vedras
|
De 1/1/85 a
30/12/86
|
105 números
publicados
|
Nº Único
Comemorativo da Chegada da 1ª Locomotiva
|
30/12/1886
|
Nº único
|
Voz de
Torres Vedras
|
De 5/2/87 a
25/1/90
|
156 números
publicados
|
A Semana
|
De 24/2/87
a 5/1/96
|
461 números
publicados
|
O Bocage
|
1887 ou
1888?
|
|
O Neophito
|
De 15/1/92
a 30/6/92
|
12 nºs
|
Gazeta de
Torres Vedras
|
De 1/6/93 a
29/11/94
|
78 nºs
|
A Vinha de
Torres Vedras
|
25/1/94 a
25/12/1919
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1348 nº
publicados (nos séculos XIX e XX)
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Folha de
Torres Vedras
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26/3/99 a
9/3/1913
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676 nºs
publicados (fundiu-se com “A Vinha de Torres Vedras”
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O Imparcial
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17/1/1900 a
4/1/1901
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52 nºs
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(com
base em ROSA(1979). Não se incluem as referências a jornais copiografados)
Uma
das consequências do desenvolvimento urbanos foi o nascimento de preocupações
com a sua protecção.
É
neste contexto que surgem neste séculos as primeiras medidas que conduzirão à
criação de um serviço de combate aos incêndios.
Em
Torres Vedras, os serviços que hoje atribuímos aos Bombeiros competiam, em
última instância, até à criação daquela associação, à Câmara Municipal (6).
Em
sessão camarária de 8 de Agosto de 1872, o Administrador do Concelho, Dr.
Manuel António da Costa, presente na mesma, requereu da câmara a adopção de “algumas providências para a extinção de
incêndios”. Dando seguimento a esse requerimento, a Câmara “deliberou nomear uma commissão para obter
donativos, a fim de se levar a effeito a compra de uma bomba e mais utensílios
necessários para acudir aos incêndios”.
A
primeira vez que se manifestou publicamente a necessidade da criação de uma
associação de bombeiros neste concelho foi em Junho de 1887, nas páginas do
jornal “A Voz de Torres Vedras”.
O
motivo foi um incêndio que se registou na madrugada de 2 de Junho desse ano, “na viela chamada de Luís Cardoso, a mais
estreita desta vila, onde se achava estabelecido n’ uma casa de proporções
muito acanhadas o Restaurant Torreense”, e a dificuldade que os populares
enfrentaram para combater o sinistro, com mangueiras em mau estado de
conservação.
Após
a extinção do incêndio, o Administrador do Concelho reuniu-se com algumas das
pessoas que tinham combatido aquele incêndio e “assentou (...) na formação de
uma associação de bombeiros, ideia
utilíssima e altamente humanitária que estimam ver realizada em breve espaço”
(7).
A
ideia de criar um corpo local de bombeiros voluntários voltou a ser ventilada
pela direcção do Grémio Artístico e Comercial por duas vezes, numa reunião em
18 de Janeiro de 1892 e numa outra, efectuada em 3 de Março de 1898 (8).
Uma
nova tentativa teve lugar no ano seguinte, quando Filippe Nery Bally [?] ,
então a residir na vila, se apresentou na sessão camarária de 13 de Julho de
1899 para dar “as necessárias explicações
acerca de um officio que dirigiu à Câmara em 6 deste mês, no qual expunha que
desejando formar nesta mesma villa um companhia de bombeiros voluntários, pedia
lhe fosse cedido o material de incêndios, pertencente ao Município; ficando a
Câmara sem encargo algum, tanto para a installação da alludida companhia de
bombeiros, como para reparação do material. A Câmara resolveu encarregar os
srns. Presidente e Vice-presidente, de resolverem o assumpto como melhor
entendessem”(9).
A
tal iniciativa não deve ter sido estranho o facto de, poucos meses antes, se
terem dado dois dos maiores incêndios registados em Torres Vedras, um, fogo posto,
na “madrugada de 15 de Maio de 1899 na
fabrica de gasosas de Cruz & Paiol,
instalado no ultimo prédio à saída da vila próximo à ponte da Mentira “ e
outro, a 30 de Junho, “no prédio da
Viuva Miranda & Filho” (10)
Tais
iniciativas não passaram das boas intenções, embora se estivesse cada vez mais
próximo do momento decisivo para a concretização de tão premente necessidade, o
que aconteceria em 1903.
O
século XIX deu igualmente um importante contributo para a inovação e renovação
do património material, inaugurando um conjunto de novos locais que
enriquecerem esse património, contributo resumido no quadro a seguir:
(Na
bibliogarfia que indicamos no final encontram-se algumas obras onde se pode
aprofundar a história de algum deste património)
CONCLUSÃO
Com
este trabalho pretendemos apontar algumas características que contribuíram para
renovar e reforçar uma identidade torriense.
No
século XIX Torres Vedras ganhou uma dimensão estratégica militar na defesa de
Lisboa, com o papel que teve nas Invasões Francesas e na construção das
chamadas Linhas de Torres, que projectou a identidade deste concelho , não só
no tempo, como no espaço ocidental.
O
século XIX marcou também o fim do isolamento deste concelho, principalmente com
a inauguração do caminho-de-ferro, que trouxe a “modernidade” contemporânea às
suas populações, não só as novidades culturais e socias (a imprensa, as novas
tecnologias, a educação, o turismo), mas também as económicas, contribuindo
para reforçar outro factor da sua identidade, com raízes mais tradicionais, o
cultivo da vinha.
O
século XIX foi assim, neste concelho, mas também à escala nacional e global, um
século charneira na transformação das tradições herdade do “Antigo Regime” para
modernidade Contemporânea.
Com
este trabalho de síntese esperamos ter contribuído para aguçar a curiosidade e
o gosto em aprofundar algumas temáticas aqui abordadas apenas de forma superficial,
devido às próprias características e objectivos deste texto, mas que necessitam
do trabalho minucioso dos investigadores da história local.
Notas:
(1)
RODRIGUES
(1996), José Travanca, “0 Século XIX”, in Torres Vedras – Passado e Presente,
obra colectiva, Volume I, Câmara Municipal de Torres Vedras, T. Vedras, 1996,
pp.157 a 297;
(2)
PEREIRA
(2000), João Manuel Rodrigues, Elites Locais e Liberalismo – Torres Vedras 1792- 1878, ed. Municipio de Torres Vedras,
colecção “Linhas de Torres” – H 2, Abril de 2000;
(3)
REIS, Célia,
várias obras e artigos, que iremos referir ao longo do texto, sem esquecer a
sua recente obra, já editada depois de termos encerrado a elaboração deste
texto, a obra A Misericórdia de Torres Vedras (1520-1975), editada pela Santa
Casa da Misericórdia de Torres Vedras em 2016, com vários capítulos dedicados à
situação daquela importante instituição no século XIX;
(4)
-Recenseamento de todos os indivíduos de ambos os
sexos residentes nesta Freguesia de (…)Torres Vedras concelho da mesma villa, (
documento elaborado pelos respectivos párocos, com base nos róis de confessados
1843,AHMYV.
(5)
-REIS, Célia,
“Problemas dos Vinhos Torrienses no Final da Monarquia”, in Turres Veteras III-
Actas de História Contemporânea, ed. CMTV/IERMAH-Un. Letras, T. Vedras 2000,
pp.123 a 158;
(6)
Ver o meu
trabalho “Algumas notas sobre a origem e a evolução da Associação de Bombeiros
Voluntários de Torres Vedras;
(7)
Livro de actas de Sessões
da Câmara Municipal de Torres Vedras (Lº ASCMTV), nº 36
(1901-1909), sessão de 14 de Maio de 1903, f.69, Arquivo Municipal de Torres
Vedras (AMTV).
(8)
COSTA,
Emílio Luís, “Emílio Maria da Costa – O Fundador dos Bombeiros de Torres
Vedras”, in Torres Cultural, nº 5,
1992, pp.52 a 56.
(9)
Lº ASCMTV nº 35 (1895-1901), sessão de 13
de Julho de 1899, f. 232 v, AHMTV
(10)- VIEIRA, Júlio, Torres Vedras
Antiga e Moderna, ed. Livraria da Sociedade Progresso Industrial, Torres
Vedras, 1926, pp. 228 e 229.
ANEXO
1
Breve
roteiro cronológico do Século XIX Torriense
1801
-
Por provisão de 3 de Outubro a feira de 15 de Agosto deixa de se realizar no
adro da Igreja de Stª Maria do Castelo e passa a realizar-se na Várzea Grande;
1803
-
No dia 5 de Dezembro morre em Torres Vedras, sua terra natal, o maestro
Francisco Xavier de Melo;
1805
-
Por alvará de 23 de Agosto a Ordem Terceira é-lhe entregue a “casa de S. João”
para aí estabelecer um cemitério que sirva as 4 freguesias com sede na vila;
1806
-
No dia 6 de Agosto, em passagem de ida e volta a Peniche, D. João VI vista
Torres Vedras;
1807
-
No dia 6 de Dezembro as tropas francesas, comandadas pelo general Charlot,
ocupam Torres Vedras;
1808
-
No dia 18 de Agosto o General Junot entra em Torres Vedras, estabelecendo aqui
o seu quartel-general para fazer frente ao avanço das tropas inglesas;
-
No dia 20 de Agosto desembarcam as tropas inglesas para se juntarem ao resto do
exército , avançando sobre o Vimeiro, onde se dá a célebre Batalha:
-
No dia 22 de Agosto as tropas francesas de Junot retiram-se de Torres Vedras;
1809
-
No dia 3 de Novembro inicia-se a construção do sistema de fortificações que
ficará conhecido como “Linhas de Torres Vedras”;
1810
-
Entre 8 e 10 de Outubro o exercito anglo-inglês completa a ocupação das Linhas
de Torres;
-
“Batalha de Dois Portos”, no dia 13 de Outubro, provocada pela tentativa das
tropas francesas romperem as Linhas. Derrotados, instalam-se no Sobral de Monte
Agraço:
-
Em 12 e 13 de Outubro as tropas francesas, comandadas por Massena, estacionam
frente às Linhas de Torres;
1811
-
Em 17 de Dezembro o Duque de Wellington é nomeado Marquês de Torres Vedras;
1813
-
No dia 8 de Dezembro o padre Madeira Torres profere o “Sermão de Acção de
graças pelos gloriosos triunfos da
campanha de 1813”;
1814
-
autorizada em 1795, só neste ano é criada a Farmácia da Santa Casa da
Misericórdia, o primeiro estabelecimento desse tipo em Torres Vedras;
1819
-
Madeira Torres publica a sua memória histórica de Torres Vedras;
1820
-
Em sessão camarária realizada em 19 de Setembro, aclama-se a Revolução liberal
e elegem-se os procuradores de Torres Vedras para as constituintes marcadas
para se iniciarem em janeiro do ano seguinte;
1821
-
Presumível fundação da Filarmónica Torreense;
1822
-
A vereação torriense jura fidelidade à Constituição, em reunião de 4 de
Outubro;
-
No dia 16 de Outubro toma posse a primeira câmara eleita, presidida por José
Lourenço Peres;
1823
-
No dia 15 de Janeiro nasce na Bulegueira Henriques Nogueira;
1825
-
No dia 19 de Agosto, regressando das Caldas, Torres Vedras é visitada pelo rei
D. João VI
1827
-
Inauguração oficial do Asilo de Runa no dia 25 de Julho;
1830
-
No dia 12 de Agosto D. Miguel passa por Torres Vedras, sendo recebido
triunfalmente;
1831
-
sob a orientação de Inácio Pedro Quintela Emanuz realizam-se obras de
conservação no Chafariz dos Canos, sendo construído um tanque inferior para
dessedentar os animais;
1833
-
Editada a parte económica da monografia de Madeira Torres;
-
Em 24 de Julho dá-se um levantamento popular a favos dos liberais, invadindo-se
a Câmara e fazendo em tiras o retrato de D. Miguel que aí existia. Em 31
promove-se uma sessão publica na Câmara onde se aclama D. Maria I. Esta
aclamação será anulada em sessão de 28 de Agosto, onde volta a ser aclamado
D.Miguel. Só em 16 de Outubro se volta a reconhecer D. Maria, renegando-se
definitivamente o rei D. Miguel;
1834
-
Por decreto de 8 de Março é extinto o Convento do Varatojo;
-
Por decreto de 30 de Maio é extinto o Convento da Graça;
1836
-
em 26 de Janeiro morre o Padre Madeira Torres;
1837
-
Torres Vedras aclama em 20 de Agosto o Marechal Saldanha por ocasião da chamada
“revolta dos marechais”, apoio que será anulado em vereação extraordinária de 1
de Setembro;
1839
-
um acórdão camarário de 28 de Agosto aprova a realização de uma feira franca na
Ponte do Rol a realizar a 8 e 9 de Setembro e a realização de um mercado mensal
naquela localidade no primeiro Domingo de cada mês;
1845
-
No dia 8 de Fevereiro o convento do Varatojo é vendido em hasta pública,
juntamente com a cerca, sendo comprada pelo Barão da Torre de Moncorvo;
1846
-
Dominada por uma administração “patuleia”, liderada por Mauricio José da Silva,
cirurgião, Torres Vedras acolhe as tropas do Conde de Bonfim, que aqui chegam a
19 de Dezembro. Perseguido pelas tropas leais à rainha, comandadas por Saldanha,
este derrota-o na Batalha de Torres Vedras, no dia 22 de Dezembro. Durante a
contenda é ferido, falecendo pouco depois, Luis Mouzinho de Albuquerque, que
foi sepultado no interior da Igreja de S. Pedro;
-
A instalação na vila de cinco caldeiras de destilação a vapor, durante este ano
e o seguinte, é a primeira referência à maquina a vapor no concelho;
1849
-
Em 30 de Junho dá-se o primeiro enterramento no cemitério de S. João;
1852
-
Durante a noite de 13 de Maio é demolido o Pelourinho que estava colocado no
Largo do Município;
1853
-
as vinhas são atacadas pelo “Oydium Tukery”, provocando uma grave crise na
viticultura da região;
1855
-
No dia 27 de Março, às 6 da manhã, é sentido um violento sismo no lugar de Runa;
-resolução
camarária de 24 de Outubro para construir um matadouro municipal;
1856
-
Regista-se no dia 3 de Fevereiro uma grande cheia no Sizandro;
1857
-
No dia 1 de Abril é expropriada a zona da cerca do Convento da Graça para aí se
realizar o mercado mensal, sendo plantadas várias árvores;
1858
-
No dia 23 de Janeiro morre Henriques Nogueira;
-
Durante o verão D. Pedro V refugia-se no concelho, para escapar à peste que
grassa em Lisboa;
-
O tremor de terra de 11 de Novembro abre brechas nalgumas igrejas da vila;
1859
-
D. Pedro V desloca-se a Torres Vedras, no dia 16 de Junho, para visitar as
linhas de Torres, na companhia do futuro rei de Inglaterra (Eduardo VI);
1860
-
Em 31 de Julho os Jesuítas tomam posse do antigo Convento do Barro;
1861
-
os franciscanos reabrem o Convento do Varatojo no dia 7 de Fevereiro, depois do
edifício ter sido comprado ao barão de Moncorvo, pelo Frei Joaquim do Espírito
Santo, por 3 contos e 400 mil réis em 24 de Dezembro de 1860;
1862
-
é editada em livro a 2ª edição da parte histórica da Monografia de Madeira
Torres, anotada por José Eduardo César e Gama Leal.
1864
-
inauguração da distribuição diária de correio entre Torres Vedras e Lisboa;
1865
-Em
Fevereiro é inaugurada a iluminação pública na vila, com a instalação 35
candeeiros a petróleo;
-
A 23 de Junho é inaugurado o sistema de comunicação por telégrafo de Torres
para Caldas da Rainha e Mafra, ficando a estação provisória instalada no largo
do Terreirinho;
1867
-
o Dr. Agostinho Vicente Lourenço publica o primeiro estudo conhecido sobre as
àguas da Maceira;
1868
-
Torres Vedras é abalada, em 7 de Fevereiro, pela revolta popular que ficará
conhecida pela “Batalhôa”, um reflexo local da célebre “janeirinha”;
1871
-
Durante o verão, Antero de Quental passa alguns dias na praia de Santa Cruz, na
companhia de Jaime Batalha Reis;
1872
-
Inaugurado o primeiro hotel em Torres Vedras, o Hotel Pimenta;
1873
-
inaugurado a primeira associação torriense, o “Club Torrenese”;
1874
-
Em Novembro são descobertas minas de petróleo no concelho;
1876
-
No dia 7 de Dezembro dá-se uma das maiores cheias de sempre na região,
conhecida por “cheia grande”;
1880
-
Construção do “mercado do peixe”, instalado nas traseiras da Igreja de S. Pedro;
-
em 12 de Janeiro o parlamento aprova a construção de uma linha de comboio
ligando Lisboa a Torres Vedras e continuando para norte;
1884
-
Em sessão extraordinária de 9 de junho, a Câmara toma conhecimento do
aparecimento da filoxera em vários pontos da freguesia de S. Mamede da Ventosa;
1885
-
edita-se em 1 de Janeiro o primeiro jornal torriense, ”O Jornal de Torres
Vedras”;
-
por decisão camarária de 28 de Janeiro dá-se inicio à construção do Matadouro
Municipal, à Cruz das Almas, que será inaugurado em 3 de Maio do ano seguinte
-em
25 de Maio a Imprensa local anuncia a
presença do fotógrafo italiano Giulio Zanetta que estava a montar um atelier no
Largo de S.Tiago, nº 22. Ficou em Torres Vedras por mais de 2 anos,
retirando-se em Julho de 1887;
-
Inauguração, em 24 de Julho, da Sociedade Lírica 24 de Julho (ou fanfarra 24 de
Julho);
-
No dia 24 de Dezembro é inaugurada a primeira ligação telefónica, particular,
ligando o casal das Lapas, em A-Dos- Cunhados, a Torres Vedras;
-
Abertura do túnel da Certã;
1886
-
tem lugar, no dia 18 de Janeiro, na Freiria, o primeiro casamento ao registo
civil no concelho;
-
No dia 18 de Abril é assassinado o engenheiro francês Abel Marty, responsável
pela construção dos túneis, crime que impressionou todo o país;
-
No dia 30 de Dezembro chega a primeira locomotiva a Torres Vedras
1887
-
No dia 9 de Maio inicia-se o transporte regular de mercadorias por via férrea
entre Torres Vedras e Lisboa;
-No
dia 25 de Maio dá-se a inauguração do transporte regular de passageiros por
comboio entre Torres Vedras e Lisboa;
-
inaugura-se em 1 de Agosto o transporte regular de passageiros de Torres Vedras
até Leiria;
-
Em Setembro os fotógrafos Martinez Pozzal e Figueredo estabelecem-se na vila,
no mesmo atelier onde tinha trabalhado Zanetta;
1888
-
a partir de 7 de Abril os estabelecimentos comerciais passam a encerrar nas
tardes de Domingo;
-
com inauguração do troço entre Leiria e Figueira da Foz em 17 de Junho, fica
concluída a Linha do Oeste, que será assim designada oficialmente por decreto
de 22 de Junho do ano seguinte;
-
No dia 1 de Dezembro é inaugurada a Escola Prática de Viticultura na Quinta da
Viscondessa, na freguesia do Turcifal;
1890
-
Referência a uma Empresa de Teatro de Torres;
-
uma portaria datada de 6 Fevereiro autoriza a abertura de um escola de ensino secundário,
a qual, inaugurada nesse ano, em 9 de outubro e que vai durar até 1903;
-
No dia 1 de Março o fotógrafo Martinez Pozzal tirou uma fotografia à Imagem do
Senhor dos Passos, reproduzido em vários exemplares, naquele que parece ser o
primeiro postal feito em Torres Vedras;
-
23 de Maio – Inauguração oficial do estabelecimento de águas medicinais da
Fonte Nova;
-
Em Novembro dá-se inicio à construção das instalações das Termas dos Cucos;
1891
-
Em 15 de Fevereiro é fundado o Grémio Artístico e Comercial;
1893
-Inauguração
das instalações das Termas dos Cucos no dia 15 de Maio;
1894
-
Fundação da “Havaneza Torrense”
-
No dia 29 de Novembro dá-se, em T. Vedras, a primeira audição publica do
fonógrafo de Edison, que tem lugar na sede do Grémio;
1895
-
23 de Maios :Inauguração do estabelecimento termal da Fonte Nova;
1896
-
A mais antiga colectividade, o “Club Torrense”, passa a designar-se Casino de
Torres Vedras;
1898
-
No dia 5 de Janeiro passa por Torres Vedras, de comboio, a caminho de Leiria, Joaquim
Mouzinho de Albuquerque, recebido com grande festejos na estação;
-
Na sua edição de 6 de Janeiro o jornal “A Vinha de Torres Vedras” anuncia
o primeiro agente de venda de automóveis
em Torres Vedras;
-
É inaugurada , em 31 de Julho, uma Fábrica de Gasosas que irá arder, num
violento incêndio, menos de um ano depois, em 15 de Maio de 1899, incêndio que
vai incentivar criação de uma Associação de Bombeiros, iniciativa que se irá
concretizar, mas já no século seguinte;
1899
-
Em Março é anunciada a inauguração do estabelecimento “Photographia Neves”, no
Bairro Tertuliano, que encerra em 18 de Setembro desse ano;
-
A Tipografia e Papelaria Cabral edita uma colecção de postais com vistas de
Torres Vedras e dos Cucos;
-
Em 20 de Agosto é inaugurado um novo atelier de Fotografia, “Photographia
União”, na Rua Dias Neiva, anunciando a edição de dispositivos para fotografias
coloridas, pertencente a Martinez Pozal, que se retira pouco depois, cedendo
esse estabelecimento a José Maria
Miranda;
ANEXO
II
Juízes
de Fora e Presidentes de Câmara do Séc. XIX
Presidentes
e Juízes de Fora:
De
29 de janeiro de 1803 a 26 de Fevereiro de 1806 – Dr. José Xavier Carneiro;
De
24 de maio de 1806 a 7 de Janeiro de
1811 – Manuel Pais do Amaral;
8
de Março de 1811- Luis Pedro Medina Leal;
De
5 de Julho de 1817 a 18 de Março de 1818 – António Joaquim Gouveia Pinto;
De
5 de julho de 1818 a 31 de Janeiro de 1822 – Bacharel Marcelino Teotónio de
Azevedo (suspenso entre 3 de Novembro de 1819 e 9 de Novembro de 1820, sendo
substitudo interinamente no cargo por Joaquim Feliciano da Cuna e Lemos);
De
31 de janeiro de 1822 a 16 de Outubro de 1822 –Dr Francisco Baptista Lisboa;
16
de Outubro de 1822 – José Lourenço Peres (1ª Camara eleita democraticamente);
De
23 de junho de 1823 a 14 de Agosto de
1828 – Dr. Francisco Baptista Lisboa;
De
14 de Agosto de 1828 a 5 de Novembro de 1831 – Francisco Alves de Azevedo;
5 de Novembro de 1831 - Bacharel Francisco
Tomé Marques Gomes
…
7
de Agosto de 1833 a 23 de Outubro de 1833 – Bacharel Venâncio Pinto de Rego Cêa
Trigueiros;
23
de Outubro de 1833 a 19 de Dezembro de
1833- António Salema Pinto da Cunha;
19
de Dezembro de 1833 - Nicolau Baptista
de Figueiredo Pacheco Teles;
18
de Junho de 1834 a Janeiro de 1836 -
Dr. Inácio Ferreira Campelo;
De
15 de Janeiro de 1836 a 9 de Julho de
1836– António de Melo da Silva Lobo;
De
9 de Julho de 1836 a Março de 1837-
António Agostinho Ferreira de Carvalho;
De
13 de Março a Setembro de 1837 -
Estevão José da Silva;
De
27 de Setembro de 1837 a 15 de Outubro de 1837 - António Agostinho Ferreira de
Carvalho;
De 15 de Outubro de 1837 a 18 de Novembro de
1837 - Estevão José da Silva;
De 18 de Novembro de 1837 a 19 de Janeiro de
1838 - António Agostinho Ferreira de Carvalho;
De
19 a 31 de Janeiro de 1838 -- Estevão José da Silva;
De
31 de Janeiro de 1838 a 1 de Janeiro de 1839– Dr. José Eduardo César;
De
1 de Janeiro a 6 de Março de 1839 – Hilário Francisco Ferreira da Silva;
De
6 de Março a 10 de Abril de 1839 – João Vitorino Pereira da Costa;
De
10 a 19 de Abril de 1839 - Hilário Francisco Ferreira da Silva;
De
19 de Abril a 2 de Maios de 1839 - Dr.
José Eduardo César;
De
2 de Maio a Dezembro de 1839 – António Pedro Ferreira Campelo;
Desde
1 de janeiro de 1840 até ao final do anos – João Tavares de Macedo;
1841
a Dezembro de 1842 – Dr. Inácio Ferreira Campelos;
De
2 de janeiro de 1843 Dezembro de 1844 –
António Roque Pedreira;
De
2 de Janeiro de 1845 a 6 de Novembro de 1847 (?) – Francisco Tavares de
Medeiros;
De
6 de Novembro de 1847 a Dezembro de 1849 – Sebastião de Sampaio Melo e Castro;
De
8 de Janeiro de 1850 a Dezembro de 1851
– António Agostinho Ferreira de Carvalho;
De
2 de Janeiro de 1852 a Dezembro de 1853 – Rufino José Garcia;
De
2 de Janeiro de 1854 a Junho de 1856 – Dr . José Eduardo César;
De
1 de Julho de 1856 a 2 de Fevereiro de 1857 – Dr. Francisco Maria de Carvalho;
De
3 de Fevereiro a 10 de Março de 1857 –Joaquim José Rodrigues da Silva;
De
11 de Março a Dezembro de 1857 – Dr. Francisco Maria de Carvalho;
De
3 de Janeiro de 1858 a Dezembro de 1859 – Joaquim José Rodrigues da Silva;
De
2 de Janeiro e 1860 a Dezembro de 1861 – José Eduardo César;
De
2 de Janeiro de 1862 a Dezembro de 1865 – Dr Luis António Martins;
De
2 e Janeiro de 1866 a Março de 1868 –Maurício José da Silva;
De
18 de Março de 1868 a Dezembro de 1873 – Joaquim José Rodrigues da Silva;
De
2 de Janeiro de 1874 a Dezembro de 1875 – Sebastião de Sampaio Melo e Castro;
De
2 de Janeiro de 1876 a Dezembro de 1877 – Visconde de Balsemão;
De
2 de Janeiro a 17 de Agosto de 1878 – Sebastião de Sampaio Melo e Castro;
De
18 de Agosto a 24 de Setembro de 1878 – Dr. Manuel Gomes Fevelim;
De
24 de Setembro de 1878 a 25 de Março de 1879 – José Avelino Nunes de Carvalho;
De
26 de Março a Dezembro de 1879 – Dr. José António de Barbosa Araújo Simões;
De
2 de Janeiro de 1880 a Dezembro de 1883 – Luis António Martins:
De
2 de Janeiro de 1884 a Dezembro de 1886 – Visconde de Balsemão;
De
2 de Janeiro de 1887 a Dezembro de 1892 – Manuel Francisco Marques;
De
2 de Janeiro de 1893 a Dezembro de 1895 – Joaquim Gomes de Sousa Belford;
De
7 de Janeiro de 1896 a 22 de Janeiro de 1898 – Dr. Aleixo Cesário de Sousa
Ferreira;
De
23 de Janeiro a Dezembro de 1898 – Dr. José Pinheiro da Silva júnior;
De
2 de Janeiro de 1899 a Dezembro de 1901
- Manuel Francisco Marques.
(
FONTE: VARELA (1992), sob orientação de José Travanca, a partir dos Livros de
Acordãos. Sobre a conjuntura das elites locais nesse período e a organização municipal
ler obras citadas de João Pereira e José Travanca).
ANEXO
III
A evolução dos Preço
(média anual) no Concelho de Torres Vedras entre 1800 e 1820 (em réis)
Ano:
|
Trigo
(alqueire)
|
Cevada
(alqueire)
|
Milho
(alqueire)
|
Vinho
(almude)
|
Azeite
(almude)
|
Galinha
|
Porco
|
Carneiro
|
Feixe de
Junco
|
1800
|
720
|
420
|
500
|
500
|
2900
|
360
|
1600
|
s/d
|
200
|
1801
|
1200
|
600
|
800
|
920
|
2000
|
360
|
1600
|
s/d
|
200
|
1802
|
560
|
280
|
420
|
1100
|
2400
|
360
|
1600
|
s/d
|
200
|
1803
|
580
|
380
|
460
|
900
|
2100
|
360
|
1600
|
600
|
200
|
1804
|
780
|
540
|
440
|
420
|
2400
|
400
|
1200
|
600
|
300
|
1805
|
780
|
380
|
380
|
420
|
2400
|
300
|
1200
|
400
|
240
|
1806
|
740
|
420
|
500
|
800
|
3800
|
320
|
1600
|
400
|
240
|
1807
|
660
|
320
|
400
|
800
|
2000
|
320
|
1600
|
1500
|
240
|
1808
|
700
|
400
|
400
|
500
|
2400
|
320
|
1600
|
1500
|
s/d
|
1809
|
640
|
340
|
420
|
1100
|
3000
|
320
|
1600
|
1500
|
240
|
1810
|
800
|
500
|
500
|
1100
|
3000
|
320
|
1600
|
1500
|
240
|
1811
|
840
|
540
|
540
|
1200
|
3000
|
340
|
1800
|
1600
|
300
|
1812
|
780
|
500
|
680
|
1200
|
3200
|
240
|
2400
|
1200
|
200
|
1813
|
700
|
420
|
600
|
800
|
3600
|
360
|
2000
|
1800
|
240
|
1814
|
700
|
420
|
600
|
800
|
3800
|
360
|
2000
|
1800
|
240
|
1815
|
700
|
440
|
520
|
800
|
3200
|
320
|
1600
|
1200
|
200
|
1816
|
700
|
400
|
500
|
1000
|
3200
|
320
|
1600
|
1200
|
200
|
1817
|
720
|
420
|
520
|
800
|
4000
|
300
|
1600
|
800
|
200
|
1818
|
720
|
420
|
520
|
600
|
3600
|
300
|
1600
|
800
|
200
|
1819
|
540
|
260
|
340
|
900
|
4000
|
260
|
2000
|
600
|
240
|
1820
|
400
|
240
|
300
|
600
|
2400
|
240
|
1000
|
600
|
200
|
Os preços médios de cada ano eram publicados em Agosto ou Setembro de cada
ano
(Fonte: Livros de Acordão da C.M. de
Torres Vedras).
ANEXO IV
“PREÇOS DO
MEIO DA CAMARA DE TORRES VEDRAS”(1830 a1861)
Ano:
|
Trigo
(alqueire)
|
Cevada
(alqueire)
|
Milho
(alqueire)
|
Vinho
(almude)
|
Azeite
(almude)
|
Galinha
|
Porco
|
Carneiro
|
Feixe de
Junco
|
Batata
(alqueire)
|
1830
|
480
|
320
|
400
|
240
|
2000
|
220
|
2000
|
320
|
200
|
-
|
1831
|
500
|
340
|
420
|
480
|
2400
|
220
|
1000
|
320
|
180
|
-
|
1832
|
480
|
320
|
400
|
400
|
1800
|
200
|
1000
|
320
|
180
|
-
|
1833
|
520
|
360
|
440
|
200
|
2600
|
300
|
1000
|
320
|
180
|
-
|
1834
|
600
|
440
|
520
|
200
|
2400
|
280
|
1000
|
320
|
200
|
-
|
1835
|
550
|
390
|
470
|
240
|
2800
|
260
|
1000
|
360
|
80
|
-
|
1836
|
500
|
340
|
420
|
220
|
2000
|
240
|
1000
|
480
|
160
|
-
|
1837
|
400
|
240
|
320
|
200
|
2200
|
240
|
1000
|
480
|
160
|
-
|
1838
|
420
|
260
|
340
|
240
|
1920
|
240
|
1200
|
600
|
160
|
-
|
1839
|
360
|
200
|
280
|
240
|
2400
|
240
|
1200
|
480
|
120
|
-
|
1840
|
440
|
280
|
360
|
240
|
2600
|
260
|
800
|
440
|
120
|
-
|
1841
|
480
|
320
|
400
|
140
|
2400
|
260
|
1000
|
480
|
80
|
-
|
1842
|
420
|
240
|
340
|
180
|
2600
|
220
|
1000
|
480
|
100
|
-
|
1843
|
400
|
200
|
340
|
120
|
2100
|
180
|
1000
|
480
|
80
|
-
|
1844
|
320
|
160
|
220
|
160
|
2100
|
160
|
700
|
360
|
80
|
-
|
1845
|
340
|
160
|
260
|
180
|
2100
|
200
|
700
|
360
|
100
|
-
|
1846
|
400
|
200
|
300
|
300
|
3000
|
200
|
700
|
400
|
100
|
-
|
1847
|
480
|
200
|
300
|
160
|
3000
|
200
|
700
|
400
|
100
|
-
|
1848
|
340
|
180
|
260
|
120
|
2200
|
200
|
700
|
400
|
100
|
-
|
1849
|
320
|
160
|
220
|
240
|
2800
|
200
|
700
|
400
|
140
|
-
|
1850
|
380
|
180
|
260
|
360
|
2880
|
180
|
600
|
400
|
140
|
-
|
1851
|
380
|
200
|
300
|
300
|
2000
|
200
|
480
|
400
|
120
|
-
|
1852
|
340
|
160
|
220
|
240
|
2200
|
180
|
600
|
400
|
120
|
-
|
1853
|
360
|
180
|
260
|
600
|
4300
|
180
|
700
|
400
|
180
|
-
|
1854
|
440
|
260
|
360
|
1000
|
3800
|
180
|
1200
|
480
|
160
|
-
|
1855
|
500
|
260
|
400
|
700
|
1800
|
240
|
1200
|
480
|
100
|
-
|
1856
|
620
|
300
|
420
|
1700
|
3000
|
260
|
1200
|
480
|
120
|
180
|
1857
|
460
|
240
|
350
|
1500
|
2600
|
260
|
1400
|
500
|
120
|
120
|
1858
|
460
|
260
|
380
|
700
|
2600
|
180
|
1000
|
600
|
140
|
120
|
1859
|
560
|
220
|
340
|
1000
|
3200
|
240
|
800
|
600
|
140
|
100
|
1860
|
480
|
220
|
360
|
1000
|
2800
|
240
|
800
|
600
|
140
|
100
|
1861
|
550
|
240
|
360
|
600
|
3200
|
240
|
800
|
500
|
140
|
80
|
In
anotadores de Madeira Torres, parte económica, obra manuscrita, Apêndice nº 14
ANEXO
V
A evolução dos Preço
(média anual) no Concelho de Torres Vedras entre 1862 e 1895 (em réis)
Ano:
|
Trigo
(alq.)
|
Cevada
(alq.)
|
Milho
(alq.)
|
Vinho
(alm.)
|
Azeite
(al.)
|
Galinha
(cada)
|
Porco (um
para criar)
|
Carneiro
(um)
|
Feixe de
Junco
(de 24 mãos)
|
Batata
(alq.= 15
kl.)
|
1862
|
560
|
280
|
400
|
650
|
2600
|
240
|
700
|
500
|
100
|
160
|
1863
|
500
|
240
|
380
|
700
|
3200
|
240
|
800
|
520
|
120
|
100
|
1864
|
530
|
240
|
360
|
700
|
3200
|
240
|
960
|
520
|
240
|
120
|
1865
|
500
|
240
|
360
|
520
|
2800
|
240
|
800
|
600
|
140
|
200
|
1866
|
500
|
240
|
320
|
450
|
2800
|
240
|
800
|
600
|
140
|
140
|
1867
|
500
|
240
|
340
|
600
|
3600
|
200
|
800
|
600
|
160
|
160
|
1868
|
500
|
280
|
360
|
400
|
2600
|
240
|
600
|
600
|
200
|
160
|
1869
|
500
|
200
|
320
|
400
|
3600
|
240
|
600
|
600
|
200
|
160
|
1870
|
460
|
200
|
340
|
400
|
2200
|
240
|
600
|
600
|
200
|
160
|
1871
|
480
|
200
|
300
|
360
|
2600
|
240
|
1200
|
600
|
240
|
280
|
1872
|
320
|
150
|
270
|
230
|
1150
|
240
|
1200
|
600
|
300
|
240
|
1873
|
300
|
150
|
240
|
230
|
1400
|
240
|
1200
|
600
|
300
|
240
|
1874
|
350
|
160
|
260
|
180
|
1200
|
240
|
1200
|
600
|
300
|
180
|
1875
|
370
|
180
|
300
|
180
|
1150
|
300
|
1200
|
600
|
300
|
200
|
1876
|
370
|
180
|
300
|
200
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
300
|
200
|
1877
|
370
|
180
|
300
|
250
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
300
|
240
|
1878
|
380
|
180
|
300
|
345
|
1380
|
300
|
1200
|
600
|
400
|
200
|
1879
|
380
|
180
|
300
|
200
|
1500
|
300
|
1200
|
600
|
300
|
200
|
1880
|
360
|
150
|
270
|
210
|
1500
|
300
|
1200
|
600
|
300
|
200
|
1881
|
380
|
180
|
270
|
220
|
1500
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
200
|
1882
|
380
|
180
|
280
|
250
|
1500
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
200
|
1883
|
380
|
180
|
300
|
220
|
1500
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
200
|
1884
|
380
|
180
|
300
|
220
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
200
|
1885
|
320
|
150
|
260
|
240
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
200
|
1886
|
320
|
150
|
240
|
240
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
160
|
1887
|
340
|
150
|
260
|
240
|
1300
|
300
|
1200
|
600
|
240
|
160
|
1888
|
340
|
150
|
280
|
200
|
1200
|
300
|
1200
|
600
|
200
|
160
|
1889
|
300
|
130
|
250
|
350
|
1500
|
280
|
1200
|
600
|
80
|
120
|
1890
|
280
|
120
|
240
|
350
|
1500
|
240
|
1200
|
560
|
80
|
100
|
1891
|
320
|
140
|
260
|
300
|
1600
|
300
|
1200
|
560
|
80
|
100
|
1892
|
350
|
160
|
290
|
340
|
1600
|
300
|
1200
|
600
|
80
|
160
|
1893
|
360
|
170
|
300
|
400
|
1600
|
300
|
1200
|
600
|
80
|
160
|
1894
|
370
|
170
|
310
|
450
|
1000
|
300
|
1200
|
600
|
80
|
160
|
1895
|
380
|
180
|
300
|
350
|
900
|
360
|
1200
|
600
|
120
|
160
|
(Fonte: Livros de Acordão da C.M. de
Torres Vedras).
ANEXO
VI
Irmandades
no Concelho de Torres Vedras existentes em 1859
FREGUESIA
|
Irmandade e
estabelecimentos pios
|
S. Domingos
de Carmões
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Ermida de
Nossa Senhora da Piedade
|
Ermida de
S. Gregório (extinta)
|
Nossa
Senhora da Conceição (Ponte do Rol)
|
Irmandade
das Almas (extinta)
|
Ermida de
Nossa Senhora da Nazaré
|
Espírito
Santo de Monte Redondo
|
Confraria
do Espírito Santo
|
S. Lourenço
do Ramalhal
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Capela de
S. Luís
|
Confraria
de S. Lourenço (abandonada)
|
Confraria
de S. Bento (abandonada)
|
Confraria
do Menino Jesus (abandonada)
|
Albergaria
de Vila Facaia
|
Ermida de
Santo António
|
Ermida de
S. Sebastião
|
S. Lucas da
Freiria
|
Confraria
de S. Sebastião
|
Nossa
Senhora da Luz da Carvoeira
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
de Nossa Senhora da Luz
|
Confraria
do Corpo de Deus
|
Albergaria
da Carvoeira
|
Irmandade
de Nossa senhora de Madre de Deus
|
Ermida de
S. Justino
|
Ermida de
Nossa Senhora da Glória
|
S. Mamede
da Ventosa
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
das Almas
|
Confraria
de S. Mamede
|
Confraria
de S. Sebastião
|
Albergaria
de S. Mamede
|
Ermida de
S. Martinho
|
Ermida de
Nossa Senhora da Piedade
|
Santa
Madalena do Turcifal
|
Irmandade
do Santíssimo sacramento
|
Ordem
Terceira de S. Francisco
|
Irmandade
de Santa Catarina e Almas
|
Albergaria
do Turcifal
|
Ermida de
Santa Iria (abandonada)
|
Ermida de
santo Amaro
|
Ermida de
Nossa Senhora da Quietação
|
Ermida de
Santa Marta
|
Ermida de
Santo Isidoro
|
S. Miguel
(vila)
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
dos Passos
|
Nossa
Senhora da Oliveira de Matacães
|
Albergaria
de Matacães
|
Ermida de
Nossa Senhora do Amparo
|
Ermida de
Santo André e Santa Margarida
|
Santa Maria
do Castelo (vila)
|
Confraria
do Santíssimo sacramento
|
Ermida de Santo
Estevão
|
Ermida de
S. Julião
|
Ermida de
Nossa Senhora da Piedade (abandonada)
|
S. Pedro de
Dois Portos
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
do Corpo de Deus
|
Irmandade
dos Passos (abandonada)
|
Confraria
do Espírito Santo
|
Irmandade
de Nossa Senhora da Purificação do Sirol
|
Ermida de
Nossa Senhora dos Prazeres
|
Ermida do
Espírito Santo
|
Ermida de
Nossa Senhora dos Anjos
|
Ermida de
Nossa Senhora dos Milagres
|
Ermida de
Nossa Senhora da Guia
|
Ermida de
Nossa Senhora das Necessidades (abandonada)
|
S. Pedro da
Cadeira
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Confraria
das Almas
|
Confraria
de S. Pedro
|
Confraria
da Santíssima Trindade
|
Hospital de
S. Pedro
|
Ermida de
Santa Helena
|
Ermida de
Nossa Senhora da Cátedra
|
Ermida de
Nossa senhora da Conceição
|
Ermida de
Nossa Senhora do Amparo
|
Ermida de
S. João Batista
|
S. Pedro de
Torres Vedras
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
de Nossa Senhora da Conceição
|
Irmandade
do Clérigos Pobres
|
Ermida de
Nossa Senhora do Rosário
|
Ermida de
S. Vicente (abandonada)
|
Santa
Susana do Maxial
|
Irmandade
do Santíssimo Sacramento
|
Confraria
de Nossa Senhora do Rosário
|
Hospital da
Aldeia Grande
|
Hospital
grande do Maxial
|
Hospital
pequeno do Maxial
|
Ermida de
Santa Luzia
|
Ermida de
Nossa Senhora da Encarnação
|
Ermida de
S. Mateus
|
S. Tiago
(da vila)
|
Confraria
do Santíssimo Sacramento
|
Irmandade
das Almas
|
Ordem
terceira de S. Francisco
|
Ermida de
S. Marcos
|
Santa Casa
da Misericórdia
|
Ermida de
Nossa Senhora da Saúde
|
(Fonte.:
Relatório do Governo Civil de 1859. Não se encontra referência à Paróquia de
A-Dos-Cunhados)
BIBLIOGRAFIA
Anuário
Estatístico de Portugal de 1884, INCM;
BAPTISTA,
Nuno Miguel, “Subsidio para o estudo da morte em S. Miguel de Torres Vedras
(Séc.XIX)”, in Turres Veteras VI, ed. 2004, pp. 153 a 171;
BORGES,
António Vitorino França, O Julgado da Ribaldeira;
BRAGA,
Paulo Drumond, A Princesa na Sombra – D. Maria Francisca Benedita (1746-1829),
ed. Colibri/CMTV, Colecção Linhas de Torres, H11, T. Vedras 2007;
BRITO,
Elvino de , Assumptos Agricolas – A Propósito da Crise Vinicola – Memórias e
Documentos, Lisboa, Imprensa Nacional, 1889;
CALADO,
Rafael Salinas , No Primeiro Centenário de Madeira Torres, CMTV, T. Vedras 1936;
CARVALHO,
Adão e RODRIGUES, António, “Álbum de Memórias – O Largo da Graça – D. Diogo de
Nápoles na urbanização Torriense dos finais do século XIX”, in suplemento
especial de Toitorres Notícias, edição nº 46 de Maio/Julho de 1998;
CATARINO,
Manuela , “Manoel Agostinho Madeira Torres : percurso de uma vida” ,in Turres
Veteras VII, ed. 2005, pp.121 a 128;
Cem
Anos de Vida – GAC (obra colectiva), ed.
1992;
Censo da População,(1864, 1878, 1890, 1900), I.N.E.;
CLEMENTE,
Manuel, História Religiosa de Torres Vedras, ed. Grifo (
2004 ?);
CLIMACO,
Cristina, As Linhas de Torres Vedras- Invasão e Resistência – 1810-1811, ed.
Colibri/CMTV, H16, T. Vedras 2010;
Copiadores
da Correspondência do Administrador do
Concelho para o Governo Civil (CAC) [1868 a 1890], Arquivo Histórico Municipal
de Torres Vedras;
CORDEIRO,
P. Antonio Costa, Jubileu do Collegio do Barro – 1860-1910 – Noticia Historica
de Sua Fundação e Ministerios Até o Anno Presente, Ed.Typ. a vapor de Augusto Costa & Mattos, Braga 1910;
COSTA, António Batista, “Memórias de Torres Vedras”, manuscrito
inédito, AMTV, [1915?];
COSTA, Emílio
Luís, “Emílio Maria da Costa – O Fundador dos Bombeiros de Torres Vedras”, in Torres Cultural, nº 5, 1992;
CUNHA,
Carlos, “O Postal Ilustrado – um documento para a História (a propósito
daexposição “Torres Vedras em Postais”), in suplemento da ADDPCTV, jornal
Badaladas de 20 de Maio de 1983;
[Divisão
Administrativa do concelho], documento elaborado em 1862 e 1864 para demarcar
os territórios das freguesias do concelho de Torres Vedras, assinado por Gama
Leal , AHMTV;
ESCRIVANIS,
Augusto Carlos de Sousa, Descripçaão do Real Asylo de Inválidos Militares em
Runa, Lisboa 1882;
Folha
de Torres Vedras de 1899 a 1901;
Gazeta
de Torres Vedras de 1893 a 1894;
Guia
das àguas Minero-mrdicinaes dos Cucos próximo de Torres Vedras, Lisboa, 1892;
HERCULANO, Alexandre, “O Hospital Militar de
Runa”, in O Panorama, nº72, Setembro 15, 1838, texto transcrito em CUSTÓDIO,
Dr. Jorge Raimundo, Hospital Militar de Runa, ed. CMTV/ADDPC de T. Vedras,
1982;
Inquéritos
Industrias de 1881 e 1890 (edições em Lisboa, respectivamente em 1882 e 1891);
Jornal
de Torres Vedras de 1885 a 1886;
Lar de Veteranos Militares – Runa, ed. Serviços
Sociais das Forças Armadas, Lx. 1970;
LÁZARO, Alice, O Testamento da Princesa do
Brasil D. Maria Benedita (1746-1829), ed. Tribuna da História, Lisboa 2008;
As
Linhas de Torres Vedras – Turres Veteras XII – ed. CMTV/ Universidade de
Lisboa/Colibri, Torres Vedras 2010;
Livro de décimas da
extremadura – vintenas do concelho de Torres Vedras (1801, 1806 ,1812 e 1831),
Arquivo histórico do Tribunal de Contas (a de 1831 existe no AHMTV);
Livro do Lançamento
da Finta para o ano económico de 1846-1847, obra manuscrita existente no AHMTV;
Livros
do Lançamento de Sizas (1821, 1831), AHMTV;
Livros dos
Acordãos da Câmara Municipal de Torres Vedras (nºs 24 a 35, de 1800 a 1900), (
Lº nº 24 (…- 1812); Lº nº 25 (1812-1817); Lº 26-A, (1817-1834); Lº nº 27,
(1834-1842); Lº nº 28, (1842-1856); Lº nº 29, (1856-1864); Lº nº30,
(1864-1873); Lº nº 31 ( 1873-1879); Lº nº32, (1879-1883) ;Lº nº 33,
(1883-1889); Lº nº 34, (1889-1895), Lº nº 35 (1895 -1901), AHMTV;
LOBO, Roque Ferreira, Panegírico em honra da
Sereníssima Princesa do Brasil e Senhora Dona Maria Francisca Benedita pela sua
fundação de um Hospital para Militares Inválidos, na sua Quinta do lugar de
Runa, termo da Villa de Torres Vedras, Regia Typ. Silvianna, Lisboa, 1826;
“Lugar de Runa,
Comarca de Torres Vedras, em 25 de Julho de 1827”, in Gazeta de Lisboa, nº
199,23 de Agosto de 1827, p.1105;
“Mappa das
Províncias (...)” Diário do Governo, nº59, 10 de março de 1842.
“Mappa
demonstrativo do movimento da população
no concelho de Torres Vedras nos annos abaixo designados [1841-1850], T. Vedras
31 de Dezembro de 1859, o administrador do concelho”, in Relatório sobre a
cultura do arroz em Portugal e sua influencia na saúde publica, Lx., Imprensa
Nacional, 1860, p.167;
“Mappa Geral
das 26 Divisões Eleitorais do reino de Portugal”, Diário das Cortes, sessão de
10 de Julho de 1822, Tomo VI, p. 783.;
“Mappa Geral das 27 divisões eleitorais do Reino de Portugal (...)
calculadas quanto à população pelos últimos mappas, fundados nos recenseamentos
enviados à commissão de estatísticas até ao anno de 1828” (Diário do Governo de 1836, Decreto de 8 de Outubro).
“Mapa
do Districto do Batalhão de Voluntarios Realistas de Torres Vedras (...)”1829,
Biblioteca Nacional de Lisboa.
Mapas de produção
agrícola (1888 a 1905), AHMTV;
MATOS
(2003 a), Venerando Aspra de, “Algumas notas sobre a origem e a evolução da
Associação dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, in Boletim Comemorativo
do Centenário – Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, 2003, pp. 9 a 15;
MATOS
(2008), Venerando Aspra de , “Associação de Socorros Mútuos 24 de Julho de 1884
– nos primórdios do associativismo operário em Torres Vedras”, In Turres
Veteras X – História do sagrado e do Profano, ed. 2008, pp. 231 a 246;
MATOS
(2007), Venerando Aspra de , O Caminho de Ferro em Torres Vedras – impacto da
sua chegada, ed. Colibri/CMTV, Colecção Linhas de Torres, H 10, T. Vedras 2007;
MATOS
(2016), Venerando Aspra de , ““Cheia Grande” de 7 de Dezembro de 1876”, in jornal Badaladas, 23 de Dezembro
de 2016.;
MATOS
(2004), Venerando Aspra de , “Elementos para o estudo da Saúde Pública e da
criação dos cemitérios públicos em Torres Vedras no século XIX”, in Turres
Veteras VI, ed. 2004, pp.113 a 152;
MATOS
(1993 a), Venerando Aspra de , Feira de S. Pedro – 700 anos de História, CMTV,
T. Vedras 1993;
MATOS
(1990), Venerando Aspra de [assinando como Venerando António] “o Nascimento do
Ensino Secundário em Torres Vedras”, in Badaladas de 30 de Março de 1990;
MATOS
(1987), Venerando Aspra de [assinado Venerando António], “Para a História da
Iluminação Pública em Torres Vedras”, suplemento da ADPCTV, in Jornal Badaladas
de 2 de Dezembro de 1987;
MATOS
(2017), Venerando Aspra de, “Os primeiros tempos da fotografia em Torres
Vedras”, in Badaladas de 31 de Março de 2017;
MATOS
(1993 b), Venerando Aspra de , “Termas dos Cucos – Foi Há Cem Anos”, suplemento
da ADDPCTV e Espeleo Clube de Torres Vedras, in Badaladas, Mio 1993;
MATOS
(2003 b), Venerando Aspra de , “Torres Vedras – da “Maria da Fonte” à Patuleia
(1846)”, in Turres Veteras V, ed. 2003, pp. 115 a 142;
MATOS
(1996), Venerando Aspra de , “Torres Vedras e a “revolução se Setembro”
(conjunto de três artigos sobre a “Revolução de Setembro” de 1836 publicados no
jornal Em Frente Oeste, edições de 19 e 26 de Setembro e 3 de Outubro de 1996;
MELÍCIAS,
André Filipe, As Linhas de Torres Vedras, ed. Livro do Dia/CMTV, H12, T. Vedras
2008;
MESQUITA,
José Carvalho, História do Ensino Secundário em Torres Vedras, ed. 1969;
NETO,
Vítor, As Ideias Politicas e Socias de José Félix Henriques Nogueira, ed.
Colibri/CMTV, colecção Linhas de Torres, H6, Torres Vedras 2005;
”Nota por
milhar de bacello tanto europeus como americanos plantados n’este concelho nos
annos abaixo designados”, AHMTV;
PALHA, Fernando Luiz Pereira de Miranda, Breve
narração acerca do Real Asylo de Inválidos Militares estabelecidos em Runa,
Typ. da Sociedade de propaganda dos Conhecimentos Úteis, Lisboa 1842;
PEREIRA
(2000), João Manuel Rodrigues, Elites Locais e Liberalismo – Torres Vedras 1792- 1878, ed. Municipio de Torres Vedras,
colecção “Linhas de Torres” – H 2, Abril de 2000;
PINTO (1818), António
Joaquim de Gouveia, Resumo Chronologico de Vários Artigos de Legislação Pátria (...)
, Lisboa 1818;
RALHA,
Jorge, “crises de mortalidade na época das Invasões Francesas”, in Turres
Veteras V, ed. 2003, pp. 101 a 114;
Recenseamento
de todos os indivíduos de ambos os sexos residentes nesta Freguesia de (…)Torres
Vedras concelho da mesma villa, ( documento elaborado pelos respectivos
párocos, com base nos róis de confessados 1843,A.M.T.V.;
Recenseamento
Geral da População, por ordem de Rodrigo de Sousa Coutinho e José António de
Sá: Tábuas Topograficas e estatisticas de todas as comarcas de Portugal - 1801;
Comarca de Torres Vedras - Patriarchado de Lisboa, Mapa 91º, nº 36, Arquivo
Histórico da Assembleia da República;
REGO, Rogério de
Figueiroa, Episódios das lutas civis – Um Ponterrolense Titular da Torre e
Espada, Lisboa 1965.
REIS
(1999), Célia, Cenas da Vida de Torres Vedras, ed. CMTV, colecção Linhas de
Torres, H1, T.Vedras, 1999;
REIS
(2006), Célia, “As épocas balneares em Torres Vedras no final do século XIX”,
in História das Festas_ Turres Veteras 8, ed. 2006, pp. 229 a 255;
REIS
(?), Célia, “A Filoxera No Concelho de Torres Vedras” (texto copiografado, sem
data);
REIS
(2005), Célia, “Os Homens do Poder Torriense no final do século XIX”, in Turres
Veteras VII, ed. 2005, pp.189 a 207;
REIS
(2016), Célia, A Misericórdia de Torres Vedras (1520-1975), ed.Santa Casa da Misericórdia
de Torres Vedras, 2016;
REIS
(2000), Célia, “Problemas dos Vinhos Torrienses no Final da Monarquia”, in
Turres Veteras III- Actas de História Contemporânea, ed. CMTV/IERMAH-Un.
Letras, T. Vedras 2000, pp.123 a 158;
REIS
(2009), Célia, “Torres Vedras e as guerras peninsulares : alguns aspectos”,
Turres Veteras XI – A Guerra Peninsular, ed. 2009, pp. 169 a 188;
Relatório
do Governador Civil do Districto Administrativo de Lisboa Alberto António de
Morais Carvalho relativo ao ano de 1859, Lisboa, Imprensa Nacional, 1860;
RODRIGUES
(1996), José Travanca, “0 Século XIX”, in Torres Vedras – Passado e Presente,
obra colectiva, Volume I, Câmara Municipal de Torres Vedras, T. Vedras, 1996,
pp.157 a 297;
ROSA,
Dr. António da Silva, “Cidade de Torres Vedras – Esboceto Histórico do
Jornalismo Torriense”, Suplemento do Jornal Badaladas, nº 1220, 25 de Maio de 1979 ;
ROSA,
António da Silva, “Feira de S. Pedro”, trabalho copiografado (sem data?)
SANTOS,
Andrade, Antero de Quental – o poeta e o filosofo em Santa Cruz, ed. CMYV/BMTV,
T. Vedras 1991;
SANTOS, José
António, As Freguesias – História e actualidade, Lisboa, ed. Celta, 1995;
[A] Semana
de 1887 a 1896
SILVA, Carlos
Guardado ( com Maria
Norberta Amorim e Paula Correia da Silva ), MICROANÁLISE
DE LONGA DURAÇÃO EM DEMOGRAFIA URBANA - Santa Maria de Torres Vedras entre os séculos XVII e XX
(relatório do projeto Espaços Urbanos. Dinâmicas
demográficas e sociais (séculos XVII a XX), acessível na internet no site da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, página pessoal de Carlos
Guardado Silva);
SOUSA,
Maria Leonor Machado de , “Torres Vedras vista pelos militares britânicos na
Guerra Peninsular”, in Turres Veteras XI – A Guerra Peninsular, ed. 2009, pp.
189 a 196;
TORRES,
Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de
Torres-Vedras, 2ª edição anotada, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1862 (ed.
“fac-simile” , ed. Stª Casa da Misericórdia de Torres Vedras, 1988).
TORRES, Manuel Agostinho Madeira, "Descripção Historica e
Economica da Villa e Termo de Torres Vedras por Manoel Agostinho Madeira Torres
- Parte Economica " in Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa
,1835, pp.231-313.
TORRES,
Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da villa e termo de
Torres-Vedras, - parte económica, 2ª edição anotada, (1865?) , manuscrito inédito no Arquivo
Municipal de Torres Vedras.
Torres
Vedras – Passado e Presente (obra colectiva), ed. CMTV, 1º Volume, 1996; 2ª
volume, « 1998;
Turres
Veteras III – Actas de História Contemporânea, ed. CMTV/Instituto Alexandre
Herculano, ed. 2000;
VARELA
(1992), Maria João e Susana Munhá Antunes Calado , (sob Orientação de José
Travanca Rodrigues), Constituição do Executivo Camarário 1802-1974, trabalho
dactilografado, Torrres Vedras, 1 de Outubro de 1992;
A
Vida Quotidiana nas Linhas de Torres Vedras – Turres Veteras 13 , ed.
CMTV/Universidade de Lisboa/Colibri, T. Vedras 2011;
VIEIRA,
Henrique, “Conversando sobre alguns disparates da Toponímia local…”, in
Badaladas de 6 de Dezembro de 1996;
VIEIRA, José António Neiva, História das Termas do Vale dos
Cucos, Porto 1964;
VIEIRA,
Júlio, Torres Vedras Antiga e Moderna, ed. Sociedade Progresso Industrial,
Torres Vedras, 1926;
[A]
Vinha de Torres Vedras de 1894 a 1901;
Voz
de Torres Vedras de 1887 a 1890;