No próximo Sábado, 30 de Maio, pelas 16 horas, nos Paços do Concelho, terá lugar uma sessão de homenagem a António Augusto Sales, que inclui o lançamento de uma nova obra da sua autorias
António Augusto Sales
completou 90 anos de vida no passado dia 29 de Abril.
Nascido em Torres Vedras em
1936, António Augusto Sales “estudou e
viveu na sua terra natal até 1964. Exerceu a sua atividade profissional nas
áreas da comunicação, marketing e publicidade. Foi fundador do Cineclube de
Torres Vedras (1956) e do Suplemento Cultural do jornal «Badaladas» (1961).
Escreveu contos, novelas e romances”. Em 1964 foi viver para Algueirão, onde
vive actualmente, mas mantendo-se sempre ligado à sua terra natal
Foi autor da biografia de António Botto, e de obras como
“A Primeira Manhã”, contos, (1964;) “Uma longa e estranha pausa” romance,
(1970) “Barcelona, cidade na Catalunha” crónicas, (1972), “Requiem pelos fieis
defuntos”(1976) e “Corpo Enigmático”(1993), entre outros,
Publicou textos nos blogues «A
Viagem dos Argonautas» e «Estrolábio». “Exerceu durante bastante tempo o papel
de crítico de cinema em revistas da especialidade. Tem colaboração espalhada
por diversos órgãos da imprensa nacional e regional, sobretudo crónicas de
carácter político e social”.
Segundo o próprio, cometeu “um
erro na juventude que infelizmente nunca mais o largou:levar a vida a sério.
Em sua homenagem, aqui
recordamos o que na altura escrevemos sobre uma das suas obras mais
emblemáticas, “Os Guardadores do Tempo”, as crónicas contemporâneas da cidade
de Torres Vedras contadas à boa maneira de um Fernão Lopes
“OS GUARDADORES DO TEMPO”, de
António Augusto Sales é uma daquelas obras que se lê de um fôlego, como se de
um romance histórico se tratasse, cruzando personagens inventadas (ou talvez
não), com personagens reais, enquadrando devidamente acontecimentos locais nas
tendências sociais e culturais que marcaram o País e o mundo nos últimos cem
anos.
Torres Vedras e a sua cultura,
ao longo de um século, serve de fio condutor a este livro que é muito mais que
um livro de História Local, que um Livro de Memórias ou um Romance Histórico,
mas é tudo isto no seu melhor.
Historicamente o autor revela
um exaustivo e rigoroso levantamento de fontes, cruzando fontes tradicionais
com fontes menos ortodoxas como o são as notícias publicadas na imprensa, as
fontes orais e a própria memória do autor.
O autor fez um levantamento
exaustivo de tudo o que nesta terra marcou a cultura ao longo do último século,
não esquecendo mesmo os acontecimentos aparentemente mais insignificantes, mas
marcantes naquilo que revelaram de inovador e criativo, ou de fundamental para
traçar a identidade desta cidade, fosse de forma meramente conjuntural ou a um nível mais estrutural.
Tendo o livro nascido do
interesse do autor em escrever a história do teatro torriense, acabou por
ultrapassar esse âmbito, abordando todos os campos da cultura, das artes e das
ideias que marcaram a realidade contemporânea de T. Vedras. Deixa mesmo algumas
pistas incontornáveis para quem, por exemplo, tencione fazer a história da
rádio, a história da fotografia ou das páginas culturais desta localidade,
temáticas ainda pouco exploradas na historiografia local.
Enquanto memória, esta obra
está mais próxima da memória colectiva desta cidade do que da mera
autobiografia.
A memória, para António
Augusto Sales, é, neste livro, mais um instrumento de trabalho, literariamente
esculpida ao estilo vivo, divertido e impressionista que caracteriza a sua
obra.
Esse mesmo estilo
impressionista da escrita de Augusto Sales dispensa qualquer ilustração ou
fotografia porque, ao lê-la, conseguimos “ver”, “ouvir” e “cheirar” cada um
dos momento da vida torriense ao longo
de um século.
O autor, nesta obra, veste o
papel clássico do cronista que, numa linguagem elegante, historicamente bem
documentado, não disfarça a sua própria subjectividade, dando-nos, a nós
torrienses, o raro privilégio de desfrutar um magnífico fresco histórico sobre
esta nossa cidade.


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