O “Torrense” volta a estar no final da Taça de Portugal, exactamente 70 anos depois da sua primeira participação numa final dessa prova.
Essa foi a época áurea da equipa de Torres Vedras, campeão
da 2ª Divisão na época de 1954/1955 e presente pela primeira vez no campeonato
nacional da 1ª Divisão na época de 1955/1956, tendo terminado no 7º lugar entre
14 equipas.
Os jogos, a partir dessa eliminatória, realizaram-se todos
ao longo do mês de Maio de 1956, depois de terminado o campeonato da 1ª
Divisão, ganho nessa época pelo Futebol Clube do Porto.
Na realidade nos 16 avos de final apenas se realizaram 14
jogos, já que, nos quartos de final, seria incluída a equipa apurada numa fase
de eliminatórias entre as equipas das ilhas, da qual o Marítimo foi o vencedor,
com direito a disputar a Taça a partir dessa fase da prova.
Mas voltamos ao Torreense e à sua participação nessa prova.
A primeira eliminatória foi disputada pelo Torreense em
casa, como ditou o concurso, batendo o Desportivo de Beja, da 2ª divisão, por
2-0 no jogo disputado em 2 de Maio.
Foi um jogo “algo difícil e enervante”, como intitulava Rui
de Belchior nas páginas do “Jornal do Torreense” na sua edição nº 17 de Maio de
1956.
O único golo da equipa torriense foi marcado apenas aos 40
minutos: “na marcação dum canto, a bola é repelida para perto por um defesa
contrário, permitindo a João Mendonça, com um toque subtil, encaminhá-la para a
baliza”. João Mendonça era, então, uma das estrelas da equipa de Torres Vedras,
tendo sido o 13º melhor marcador do campeonato da 1ª Divisão.
Aos 18 minutos do segundo-tempo o Torreense passou um mau bocado, quando sofreu a marcação de uma grande penalidade contra si, mas que foi desperdiçada pela equipa alentejana. Até que, a 3 minutos do fim, o “Torreense” viu confirmada a vitória na eliminatória com um golo de Carlos Alberto.
Nos oitavos de Final, disputados em 7 jogos, no dia 6 de
Maio, aconteceu a primeira surpresa com o Torreense a eliminar, em jogo
disputado em casa, o Sporting, por 1-0.
O primeiro tempo terminou com uma igualdade a zero, mas aos
10 minutos do recomeço, “Carlos Alberto quando corria pelo seu corredor foi
carregado irregularmente” (relato de Fernando Monteiro nas mesmas páginas do
jornal acima citado) por um jogador do Sporting e, na marcação do livre feita
por aquele jogador a bola foi interceptada por Forneri que marcou de cabeça o
golo decisivo para o Torreense fazer a surpresa e passar mais uma eliminatória.
O jogo terminou empatado a zero golos no final do primeiro
tempo. Foi no recomeço do jogo que o resultado funcionou a favor da equipa
torriense, logo no primeiro minuto, com a marcação de um golo de cabeça pelo já
citado João Mendonça. O Torreense consolidou o resultado aos 12 minutos com um
novo golo de cabeça do mesmo João Mendonça, fixando o resultado final nos 2-0.
O Torreense chegou assim às meias-finais, o que, já por si,
era um feito histórico. O jogo realizou-se em 20 de Maio no Estádio do
Belenenses, que tinha sido o terceiro classificado do campeonato. Ao lado do
Benfica, do Sporting e do Porto, o Belenenses era então um dos “grandes”. Para
surpresa geral, a equipa de Torres Vedras obrigou o Belenenses, a jogar em
casa, a ir a prolongamento e…venceu o jogo por 3-2, sendo apurado para o final
no Jamor contra o “Porto”, campeão nacional.
O jogo não começou bem para a equipa de Torres Vedras, que
sofreu um golo aos 24 minutos, marcado pelo célebre Matateu. Mas o Torreense
não se ficou e, aos 32 minutos um “remate forte e bem colocado” de João
Mendonça restabeleceu a igualdade (seguimos o relato de Rui Belchior no citado
jornal).
Na segunda parte da partida o Belenenses voltou a aumentar a
vantagem com um golo de Di Pace. Foi já
perto do final da partida que a equipa torriense voltou a igualar a partida com
um golo de cabeça marcado por Fernandes, na sequência de um canto bem marcado
por José da Costa.
Terminado empatado tempo regulamentar, procedeu-se a um
prolongamento de meia-hora. Quando tudo parecia apontar para a manutenção do
empate e para necessidade de se repetir o jogo, a 2 minutos do fim o jogador
torriense Gonçalves marcou o golo da vitória que colocou a equipa de Torres
Vedras no final da Taça.
A final realizou-se no Estádio Nacional no dia 27 de Maio. O Porto marcou cedo e, no inicio da segunda parte, foi marcado um penalti, muito duvidoso, contra o Torrense, encerrando cedo as hipóteses para a equipa de Torres Vedras, que perdeu por 2-0. Para o Porto foi a primeira Taça de Portugal conquistada e também a primeira dobradinha.
O Porto marcou logo aos 3 minutos após o início : o jogador
portista Perdigão “num lançamento de linha lateral” enviou “a bola para Jaburu
que, por sua vez, a lança para a frente da baliza de Gama. A nossa defesa ficou
parada, consentindo que Hernani cabeceasse com êxito” (seguimos o relato de
Fernando Monteiro no citado jornal)”.
Foi aos 12 minutos do segundo tempo que “tudo terminou” para
as ambições do Torreense com a marcação de um contestado penalti a favor do
Porto, convertido por Hernani, fixando o resultado final de 2-0 a favor da
equipa do norte.
Um acontecimento curioso desta final foi a iniciativa dos
adeptos do Torreense que espalharam pelas bancadas “milhares de barretes de
papel – encarnados e azuis”.
O Torreense teve de esperar mais 70 anos para repetir a
proeza, desta vez a jogar uma nova final da Taça de Portugal contra o Sporting,
equipa que, naquele ano distante de 1956, foi eliminada pelo “pequeno”
Torreense.
A final disputa-se no próximo dia 24 de Maio.

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