Torres Vedras e a História (breves apontamentos, esboços, documentos, efemérides, estudos, fotografias, notícias...)
quarta-feira, 12 de julho de 2017
sábado, 8 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
quarta-feira, 28 de junho de 2017
A Feira de S. Pedro no Século XIX
A inauguração das ligações ferroviárias entre Lisboa e Torres Vedras em 1887 veio dar um novo alento à centenária Feira de S. Pedro.
A reportagem que abaixo transcrevemos, sobre a Feira de S. pedro de 1888, revela uma colorida descrição desse acontecimento e do ambiente que então se vivia, marcado pela "crise da filoxera":
"Na Feira de S. Pedro
"Bom sitio e muito fresco, bem assombrado de grandes arvores alinhadas regularmente, que estendem os ramos frondosos n'um anceio de abrigarem alguém do calor, anceio inútil, esperança frustrada por nunca ter mandado collocar lá uns bancos alguém que quizesse fazer o gosto às arvores e ser agradável às gentes...
"Simplesmente um arruamento de barracas diversas, desde as opulentas barracas dos ourives até às mirabolantes barracas dos bazares, rescendentes de pantominice.
"Muita gente acotovelando-se, muitos conhecimentos distantes, muita poeira e muito suor. Por entre os tachos, luzentes do sol, encontravam-se comadres que mesmo ali descosiam o fiado aos seus visinhos mais próximos, e amigos que se ofereciam de jantar, ou ao menos uma cerveja.
"- Um capilé. sempre vae, hein?! - Não ia nada, nem pelo demónio, nem sequer se iam aquelles bois que elle vinha vender e que ninguém comprava.
"- O phylloxera! O phylloxera!...
"E marchavam a contar historias da vida, difficuldades, vinhas arrazadas, uma lastima!
"Os bazares é que faziam negócio. Ao Centro da barraca, pendurado n'um poste, um disco pintado de cinzento, e orlado de 16 pinturas a negro de vários bichos, desde o tigre de celebre ferocidade até ao cão de fidelidade reconhecida. Ao todo representavam 16 vinténs, vintém por animal. Um ponteiro ao centro marcando o premio; girava o disco, o animal marcado pelo ponteiro ganhava, e o individuo que tinha o nome d'esse animal, impresso n'uma senha previamente distribuída a troco d'um vintém, recebia...um assobio!
"Uma encantadora simplicidade de systema abreviado para tirar o dinheiro das algibeiras do próximo".
(artigo assinado por "Y" publicado em "A Semana" de 5 de Julho de 1888).
"
sexta-feira, 23 de junho de 2017
O S. João em Runa no século XIX
(fotografia de José Matos, blogue Reanimar os Coretos de Portugal)
“A Festa de S. João em Runa.
“Desde o romper do dia do martyr S. João Bptista até à noite affluiu ao
logar de Runa grande concorrência de povo do concelho e mesmo os cumvisinhos,
formando-se estrada fora uma procissão magestosa de carruagens, diligencias e
trajes de variadas cores.
“A procissão sahiu com muito luzimento e ordem. Na festa d’igreja
distingiu-se a oratória do ver. dr. Nogueira, que teve o auditório suspenso da
sua palavra ungida e elegantíssima.
“O espaçoso largo de Runa, artisticamente aproveitado, tinha um aspecto
encantador, à noite, illuminado com milhares de balões venezianos e lanternas,
fazendo brilhar os coretos, onde duas philarmónicas tocavam emquanto
estralejava o vistoso fogo d’artificio.
“Cremos que nenhum outro logar há cá no concelho tão próprio para tirar
os effeitos attrahentes d’uma illuminação à veneziana.
“Muita ordem, boa recepçaõ para os amigos muito íntimos, e a alegria
festiva que transluzia como um hossana uníssono ao apostolo S. João Bptista”
Reportagem do jornal torriense “A Semana” de 28 de Junho de 1888
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