Torres Vedras e a História (breves apontamentos, esboços, documentos, efemérides, estudos, fotografias, notícias...)
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Santra Cruz de outros tempos, no postal ilustrado
Aqui reproduzimos pouco mais de uma vintena de postais que mostram Santa Cruz de outros tempos (entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX).
Fazem parte de uma colecção pessoal que conta com algumas centenas de postais.
Não reproduzo todos os mais antigos ou raros, mas apena aqueles que já digitalizei.
Etiquetas:
Fotografias antigas,
postais ilustrados,
Santa Cruz
quarta-feira, 27 de julho de 2016
O Avião de Sanjurjo em Santa Cruz (19 e 20 de Julho de 1936)
(A fotografia em cima mostra o meu avô, António Ferreira Aspra, fotografado junto ao avião de Sanjurjo, no campo de aviação de Santa Cruz, fotografia que terá sido tirada a 19 ou 20 de Julho de 1936).
No dia 19 de
Julho de 1936, Domingo, um avião pilotado por um ás da aviação espanhola, Juan
Ansaldo, aterrava, semi-clandestinamente no campo de aviação de Santa Cruz.
Trazia uma
missão, ir buscar a Cascais o General Sanjurjo para este comandar a sublevação
iniciada dois dias antes em Marrocos contra o governo republicano de Madrid.
Esse
episódio marcou a memória colectiva dos torrienses desse tempo, até pelo
desfecho trágico desse voo.
No primeiro
fim-de-semana do conflito, os “naciolalistas” estavam separados, ocupando Marrocos
e as Canárias, o Sul à volta de Sevilha, cidade tomada pelo General Queipo de
Llano, e o Norte (Galiza e Castela e Leão).
Estava-se no
início da Guerra Civil de Espanha, que se prolongou até 1939 e que, lançando a
Espanha num banho de sangue, é por muitos considerada um ensaio geral para a
IIª Guerra Mundial.
Embora o
líder máximo fosse o Genaral Mola, o objectivo era colocar rapidamente à frente
dos nacionalistas um General mais prestigiado , o General Sanjurjo, que , no
seu exilio português, em Cascais, acompanhava e era informado à distância sobre
os acontecimentos.
Para isso
Mola enviou a Portugal um herói da aviação espanhola, Juan Ansaldo, que partiu
de Pamplona para Portugal no dia 19 de Julho chegando nesse mesmo dia ao
"campo de aviação auxiliar de Santa Cruz, no limite ocidental da
Europa" , que "acolhe docemente o avião", um "Pass
Moth" com a matricula EC-VAA. (4).
Ao aterrar
no campo de aviação de Santa Cruz era aguardado por dois automóveis, onde
encontra um seu velho amigo, "Tavares", recebendo a notícia, que se
confirma ser falsa, segundo a qual o general Sanjurjo já tinha partido para
"Burgos a bordo de um avião francês".
Seguindo a
narração de Ansaldo, este, tomando todas as precauções para abrigar o avião
porque "não existia nesse aeródromo nenhum serviço de sobrevivência
[apoio]" (pág.51), partiu de seguida para Lisboa, a caminho do Estoril,
numa das viaturas que o aguardavam, confirmando, á sua chegada ao Estoril, que
o general continuava nessa localidade.
Foi aí que
se negociou uma saída airosa que não comprometesse o regime português face a um
desfecho ainda imprevisível da situação em Espanhola, assim descrita por César
de Oliveira:
“Ansaldo vinha buscar Sanjurjo para o transportar para Burgos, a
fim de que este assumisse a chefia do movimento militar. Chegado a Portugal,
Ansaldo, com o apoio da PVDE e do ajudante de campo do Presidente da República
portuguesa, iniciou a preparação da descolagem do avião em direcção a Burgos.
No entanto, Oliveira Salazar fez saber aos emigrados espanhóis, por intermédio
do capitão Agostinho Lourenço, director da polícia política, que “interditava o
uso de aeródromos militares para a descolagem do avião mas que nada tinha a ver
com o que se passava em aeródromos civis”. Em reuniões sucessivas no Estoril –
e sempre com o ajudante de campo do Presidente Carmona a fazer as ligações
entre os emigrados espanhóis e as autoridades portuguesas - chegou-se a uma
solução satisfatória para o lder do Alzamento e que “cobria” eventuais
complicações para o governo de Salazar: o avião iria de Santa Cruz para
Alverca. Aeródromo militar a 20 Km de Lisboa, aí seria reabastecido e
deslocaria normalmente como se o fizesse para Espanha; aterraria, depois, num
campo improvisado nas imediações de Cascais e aí embarcaria o general e rumaria
a Burgos” (2) .
Nessa noite
do dia 19, Ansaldo recebeu um telefonema
que o inquietou: era uma chamada de Santa Cruz que o informava que
"elementos comunistas andavam à volta do avião", apelando para que
tomasse todas as providências para se evitar qualquer "sabotagem".
Ansaldo ficou indignado com o facto de "tais elementos" serem
deixados em liberdade pela ditadura portuguesa e mandou que guardassem o avião.
Depois de vários telefonemas, Ansaldo recebeu finalmente a confirmação de que
tudo tinha sido feito de acordo com as suas ordens para resguardar o aparelho
(pág.53).
É neste
ponto que a referência de Ansaldo à presença de gente da oposição (que ele
designa como "comunistas", mas que podiam ser outros oposicionistas,
como era o caso de dois elementos da maçonaria local que lá estiveram), se
cruza com a tradição oral local,segundo a qual teria havido uma tentativa, em
Santa Cruz, de sabotar o avião.
A aplicação
da classificação de "comunistas" às pessoas da oposição ou desafectas
ao regime era uma designação normal na propaganda da época, e que englobaria
todos aqueles que se opunham ao regime.
Curiosamente
o próprio Ansaldo, que mais tarde, tendo entrado em dissidência como regime
franquista, foi obrigado a exilar-se, sendo no exilio que escreveu e editou as
suas memórias , no prefácio da segunda edição da sua obra, se queixava do
"regime franquista com a sua táctica, infelizmente hoje copiada por outros
países, de chamar comunista a quem se recuse a ser seu escravo", tentando
assim, "caluniar o autor
"(pág.9).
Segundo o
testemunho de tradição oral que recolhemos, em “segundas àguas”, vários
elementos da oposição republicana local
tinham estado em Santa Cruz a tentar sabotar o avião de Ansaldo. Para isso
tentaram desviar as atenções dos elementos da GNR que guardavam o avião.
Uns levaram
os elementos da GNR a "tomar um copo", enquanto outros, à volta do
avião, momentâneamente sem vigilância, tentavam sabotar o avião, pulando sobre
ele ou tentando danificar partes do avião.
Contudo,
para grande surpresa dos "sabotadores" de Santa Cruz o avião acabaria
por levantar voo, sem qualquer problema. Recorde-se aqui que a intenção
manifestada pelos sabotadores, não era matar ninguém, mas apenas atrasar o voo
e a saida de Sanjurjo do país.
Por isso
terão ficado aterrorizados quando, horas mais tarde, souberam do acidente que
matou o general Sanjurjo e guardaram segredo da sua actuação.
Entretanto
continuamos a narração de Ansaldo:
Saindo do
Estoril a caminho de Santa Cruz, refere que o"pior inimigo da navegação
aérea apareceu nessa manhã de um 20 de Julho, meridional e quente: o nevoeiro.
À medida que nos aproximávamos de Santa Cruz, ele tornava-se mais denso,
escondendo o sol, tornando mesmo difícil avançar pela estrada. Das 10 horas da manhã
às duas horas da tarde eu esperei furioso. De tempos a tempos, um pálido
reflexo de sol brilhava no terreno e eu punha os motores em marcha; logo de
seguida a neblina espalhava-se tão baixo que não nos conseguíamos ver uns aos
outros. Telefonei várias vezes para o Estoril para explicar o que se passava;
respondiam-me que o general me esperava com alguns amigos(...)".
Finalmente,
por volta da uma hora e meia da tarde "como as condições atmosféricas íam
de mal a pior, eu decidi adiar o voo" . Estando a almoçar, uma hora mais
tarde "o nevoeiro dissipou-se. Com toda a pressa corri para o avião, pus o
motor em marcha e descolei para Alverca".
Acompanhou-o no voo um elemento
da PVDE. Em Alverca tratou das formalidades e partiu, a meio da tarde para
"a Marinha", o campo improvisado onde iria embarcar Sanjurjo.
Em Cascais,
nesse dia 20 de Julho, já no início da tarde, o avião levantou voo , mas não
conseguiu subir o suficiente, pelo que Ansaldo tentou regressar à pista, mas o
avião acabou por se esmagar contra o solo, incendiando-se. O piloto foi cuspido
e sobreviveu ao acidente, mas o general morreu logo no embate, ficando depois o
seu corpo envolvido pelas chamas.
A edição do
Diário de Lisboa de 21 de Julho descreve as explicações de Ansaldo sobre o
acidente:
“Ao levantar
voo, um forte torrão, dos que abundam no local, ou uma cova, causou a rotura da
hélice. Senti que o aparelho ia afocinhar mas consegui manter a
horisontalidade. A queda inevitável foi, assim, em pleno, de “barriga”. Gritei
ao general que saísse do aparelho. Não me respondeu. Tentei ajuda-lo, mas não
se movia. Julguei que havia perdido os sentidos, como eu depois os perdi ante a
tragédia e os baldados esforços que fiz para a evitar. Mas não, o general
estava morto. Quando as chamas o envolveram já estava insensível”.
O piloto
desmentia assim a descrição feita por alguns observadores, que diziam ter visto
o avião a cair na vertical, bem como a ideia, que continuou muito divulgada,
segundo a qual o general tinha morrido queimado. Como revelou nessa mesma reportagem
o marquês de Quintana,que observou o cadáver do general , este apresentava uma
“ferida profunda, em cruz, que deve ter sido produzida por um ferro do
aparelho, no momento da queda e que lhe deu morte imediata”. (5).
Logo
correram rumores sobre a hipótese de um atentado, inicialmente atribuído aos
republicanos portugueses, mais tarde, e perante o desenrolar dos acontecimentos
em Espanha, atribuído a Franco, já que foi este que acabou por beneficiar com a
morte de Sanjurjo (6), sucedendo-lhe na liderança dos nacionalistas, rumor que
ganhou maior peso quando, no ano seguinte, também o general Mola morreu noutro
acidente de avião mal esclarecido.
Contudo, em
termos oficiais, e com base no testemunho do piloto, o acidente foi atribuído
ao excesso de carga e às más condições da pista de Cascais.
A tese de
atentado foi descartada pelo próprio piloto, apontando outras razões para o
mesmo: as más condições da pista da Marinha, o tempo que obrigou a levantar na
direcção mais difícil e o excesso de carga com as malas que o general Sanjujo
quis levar.
Técnicamente
o avião não conseguiu ganhar velocidade suficiente para sobrevoar as árvores
que se encontravam no final da pista e a hélice falhou e partiu-se, não se sabe
por ter embatido numa árvore se por qualquer problema técnico.
Geralmente
um acidente acontece porque se combinam vários factores. Os
"sabotadores" de Santa Cruz, a ser verdade a tradição oral, não foram
os responsáveis directos por qualquer falha técnica, mas nunca se virá a saber
se contribuiram para potenciar as dificuldades técnicas que levaram o avião a
não conseguir ganhar altitude no voo fatal.
Mais do que
certezas, a história que aqui se conta continua envolta em mistério e duvidas,
as quais provávelmente, nunca virão a ser cabalmente esclarecidas.
Especula-se
muito com o que teria acontecido se o general Sanjurjo tivesse chegado vivo a
Espanha.
Uma das
consequências seria o facto de o General Franco não aceder tão fácilmente à
liderança do movimeto nacionalista.
Depois, se
fosse o general Sanjurjo a liderar a Espanha durante a segunda Guerra mundial
talvez a posição da Espanha no conflito
tivesse sido diferente, já que se conhece a maior simpatia de Sanjurjo por
Hitler, maior do que aquela que era nutrida por Franco.
Mais do que certezas, a história que aqui se
conta continua envolta em mistério e duvidas, as quais provávelmente, nunca
virão a ser cabalmente esclarecidas.
NOTAS:
(1) –
ORNELLAS, Carlos d’ , “Por Espanha – Crónica de viagem”, in Gazeta dos Caminhos
de Ferro, nº 1552, Lisboa, 16 de Agosto de 1952, pp. 227-228, edição disponibilizada
na internet, no site da Hemeroteca de Lisboa;
(2) –
OLIVEIRA, César, Salazar e a Guerra Civil de Espanha, ed. O Jornal, Lisboa
1987, pp.141-142;
(3) ANSALDO,
Juan Antonio, Mémoires d'un Monarchiste Esoagnol , 1931-1952 (tradução de Jean
Viet), Mónaco, Éditions du Rocher, 1953. (Trata-se da tradução do seu primeiro
livro de memórias publicado originalmente em espanhol em Buenos Aires, pela
editora Vasca Ekin).Nesse livro as paginas 50 a 57 são dedicadas à sua
malograda viagem a Portugal, falando da sua passagem por Santa Cruz.
(4)
Site Aeropinakes / La máquina de la civilización,
dedicado à história da aviação na Guerra Civil de Espanha.Também no site "Registro
de aviones comerciales en Espana" - http://www.sbhac.net/Republica/Fuerzas/FARE/Materiales/Registro.htm
, onde se pode ler o seguinte registo: "EC-VAA - DH.80A Puss Moth 2246 G-ACBL EC-W18 EC-VAA
Teodoro Martel Olivares > Francisco Moreno 27.01.34 Written off Cascais
20.07.36 Canc 12.11.40 EC-VAV” .
(5) Diário de Lisboa, edição de 21 de Julho de
1936, edição disponibilizada na internet, no site da Fundação Mário Soares.
(6) É esta a
tese escolhida no recentemente editado romance histórico “O Nosso Homem no
Estoril” que defende que o avião teria sido sabotado, não em Santa Cruz, mas
durante a sua escala em Alverca.
Podem ver mais sobre o tema AQUI.
(um resumo deste texto foi publicado no jornal Badaladas no passado dia 22 de Julho de 2016).
segunda-feira, 11 de julho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
1955 /1956 – Recordar os anos de glória do “Torreense”
Há 60 anos atrás o “Torreense”
viveu um momento de grande euforia, iniciado em Maio de 1955, com a primeira
subida do clube à “primeira divisão” nacional de futebol, e que atingiu o seu
auge como finalista da Taça de Portugal em Maio de 1956.
Após duas épocas em que esteve à
beira de subir de divisão, finalmente o sonho concretizou-se em Maio de 1955.
Não se pense, contudo, que as
coisas foram fáceis. A duas jornadas do fim da fase final da zona sul da 2ª
divisão, o Torrense encontrava-se mais uma vez em segundo lugar, depois de, na
jornada anterior, ter sido derrotado pelo seu rival de sempre , o “Caldas”.
Mas nessa jornada o Torreense
conseguiu derrotar outro forte concorrente à liderança, o Oriental, batendo-o
por 3-1, e, beneficiando da
escorregadela do Caldas contra o Montijo, chegou à última jornada na liderança.
Na véspera dessa jornada, marcada
par Domingo dia 29 de Maio, o jornal “Diário Popular”, num artigo justamente
intitulado “Na Derradeira Jornada os três primeiros lugares por decidir”,
descrevia o que estava em jogo:
“Este Campeonato Nacional da II ª
Divisão parece destinado a resolver-se nos últimos minutos. Quando tudo parecia
resolvido com o Caldas S.C na Iª Divisão [depois de ter derrotado o Torreense],
a jornada de domingo [passado] deu uma volta à classificação (…).
“Em vésperas da última jornada,
três clubes estão interessados nos dois primeiros lugares: Torreense, Caldas
S.C e Oriental (…).
“A partida do dia é jogada em
Santarém, onde os “Leões” recebem o Torreense que entra em campo…na Iª Divisão”
(1).
Apesar da pressão, e do facto de jogar fora, o Torreense conseguiu
vencer os “Leões” de Santarém por duas bolas a zero, golos marcados,
respectivamente, por Carlos Alberto, aos 30 minutos da primeira parte, e por
Mendonça, aos 35 minutos da segunda parte(2).
Com essa vitória o Torreense
alcançava o primeiro lugar e o acesso directo à 1ª Divisão, facto até então
inédito na sua história.
Assim que se soube em Torres
Vedras da vitória em Santarém, de imediato o entusiasmo apossou-se das ruas da
antão vila:
“Nas janelas surgiram, num ápice, colchas e
colgaduras, enquanto nas ruas já mal se pode romper – que as dezenas de
camionetas e automóveis regressados de Santarém ou provenientes de localidades
do concelho despejavam, quase sem cessar, gente e mais gente, que parecia
tomada de loucura colectiva e desfilava de um lado para o outro atrás de
charangas surgidas não se sabe donde…
“Nos “cafés” e nas tabernas as
“rodadas” sucediam-se para “lubrificar” as gargantas enrouquecidas de tanto
gritar, enquanto se aguardava a chegada dos “heróis” da jornada (…).
“Finalmente, incorporados num
cortejo automóvel, com 5 quilómetros (!) de extensão e no qual figuravam 400
veículos, surgiram na vila os jogadores do Torreense empoleirados numa
furgoneta descoberta sobre a qual se destacou uma grande bandeira da colectividade.
Então é que foi o “fim do mundo” (…) no ar rebentavam mais foguetes e morteiros
(…) sendo, às tantas, os “ídolos” sacados em ombros até à sede da Associação de
Educação Física e Desportiva, onde se improvisou uma sessão de recepção.
“Usou da palavra o presidente do
Torreense, Dr. José António Neiva Vieira (…) encerrando-se a sessão com o hino
da vila, executado pela banda dos Bombeiros locais (…)” (3).
(reportagem do jornal "Diário Popular" de 29 de Maio de 1955 sobre os festejos em Torres Vedras pela subida do Torreense à 1ª Divisão)
Os festejos continuaram por toda
a semana, destacando-se uma “marcha luminosa” de 3 mil balões no dia seguinte e
as danças nas ruas “em animados bailaricos”.
Chegou mesmo a anunciar-se um
jogo comemorativo com o Celta de Vigo (4), o qual, pelo que sabemos, não se
chegou a efectuar.
Treinada por um argentino, Oscar
Tellechea, a equipa contou com alguns jogadores argentino no seu plantel, os
médios Juan Forneri e Américo Belen.
O plantel, para disputar o
campeonato, contou com 23 jogadores, os guarda-redes Serrano e António Gama, os
defesas António Augusto, Mergulho, Amílcar Silva e Joaquim Fernandes, os médios
Aragão, António Bernardes, Forneri, António Manuel, Carapinha, Inácio
(angolano), José da Costa, Belen e Carlos Alberto, e os avançados Martins,
Pina, Fernando Mendonça, João Morais, Rui André, Matos, José Gonçalves e João
Mendonça (5).
O Torreense estreou-se na 1ª
Divisão com três vitórias consecutivas, respectivamente sobre o Lusitano de
Évora, por 2-0, o Sporting, batido surpreendentemente por 1-0 em Alvalade e a
Académica, por 2-0. No final da 1ª jornada da época o Torreense estava na 4ª
posição do campeonato. A segunda época não correu tão bem, mas mesmo assim
conseguiu terminar o campeonato na 7ª posição, com 22 pontos, 7 vitórias, 8
empates e 11 derrotas.
O campeonato desse ano foi
vencido pelo Futebol Clube do Porto, que quebrou nessa época um jejum de 15
anos sem ganhar um campeonato.
(Equipa do Torreense que disputou o campeonato da 1ª Divisão na época de 1955/1956)
A balizar esta época de glória, a
equipa de Torres Vedras acabou por voltar a surpreender, chegando ao final da
Taça de Portugal.
Os jogos da Taça realizavam-se
numa curta jornada de eliminação , ao longo do mês de Maio.
Depois de eliminar o Desportivo
de Beja nos dezasseis avos de final, canhou-lhe pela frente o poderoso
Sporting, mas, a jogar em casa, para surpresa de muitos, o Torreense conseguiu
eliminar a equipa de Alvalade com um golo isolado, na segunda parte, aos 12
minutos, na sequência de um livre marcado por Carlos Alberto que “endossou a
bola a Forneri que, com um golpe de
cabeça fez a bola entrar na baliza de Carlos Gomes”(6).
Nos quartos de final canhou o
Braga, e, pela terceira vez, o Torreense jogava em casa. Com um empate a zero
golos no final da primeira parte, foi mais uma vez no segundo tempo que a
equipa da casa acabou por vencer, por 2-0, golos marcados por Frernando
Mendonça da mesma maneira, na sequência de “um centro de José da Costa” (7).
O Torreense chegava assim às
meias finais e encontrou pela frente outra equipa, então das mais poderosas, o
Belenenses, que terminara o campeonato na terceira posição, com a agravante de ter
calhado em sorteio que o jogo se disputasse na “tapadinha”, em Lisboa.
(1ª página do Diário Popular de 20 de Maio de 1956, anunciando os finalistas da Taça de Portugal)
O jogo foi um dos mais
emocionantes da taça, com um empate a uma bola no final da primeira parte e um
empate a duas bolas, conseguido por Fernando Mendonça, ao 43 minutos, obrigando
ao prolongamento.
A dois minutos do final do
prolongamento Gonçalves marcou o golo que o colocou o Torreense na final:
“A vitória do Torreense aceita-se
bem, até porque foi a equipa que menos se ressentiu na altura decisiva “ (8).
Um ano depois de ascender pela
primeira vez à primeira divisão, o Torreense garantia a presença na final da
Taça de Portugal, onde ía enfrentar o vencedor do campeonato, o Futebol Clube
do Porto.
O “Diário de Lisboa” anunciava
que na final, disputada no dia 27 de Maio de 1956 a partir das 17 horas, e
arbitrada por Hermínio Soares, iam estar
“duas equipas a lutar de igual para igual”, desmentindo a idéia de um embate
entre Davis e Golias. (9).
Disputada no Jamor, o Porto
marcou logo no ínicio, aos 3 minutos, numa jogara fortuita, mas o Torreense
bateu-se sempre de igual para igual, tendo, por várias vezes, estado à beira de
igualar a partida.
O Porto só conseguiu consolidar a
vitória no segundo tempo, através da marcação, aos 12 minutos, de uma grande
penalidade, muito duvidosa e contestada. Num violento ataque à arbitragem do
jogo, o jornal “República” referiu que não se descortinou “a mais leve falta”,
opinião dada por outros órgãos de imprensa da época. Mas mesmo a perder por
essa diferença, o Torreense bateu-se até ao último minuto, falhando
desafortunadamente várias oportunidades de golo.
Longe “de se entregarem os
torreenses imediatamente desceram no meio campo do adversário”, insistindo o
Torreense nas jogadas de ataque, falhando várias oportunidades de golo,
perdendo “golos em série” (10).
A imprensa da época elogiou a
atitude dos jogadores do Torreense: “À turma torreense deve ter causado
espanto, primeiro a impressão, a rondar pela má sina; depois, o facto de nas
primeiras jogadas do encontro não ter marcado, como merecia, dado a boa
urdidura de dois ou três lances, traídos somente pelo golpe final.
“(…) O Torreense, com a sua
presença na “final”, em que compareceu por mérito próprio (…) não ficou
diminuído” (11).
A desforra com o Porto surgiu
quase cinquenta anos depois, no dia 16 de Fevereiro de 1999, quando, à 5ª
eliminatória da taça, a jogar no estádio das Antes, frente a um poderoso Porto,
então liderado por Fernando Santos, o Torreense marcou um golo isolado, a cinco
minutos do fim, eliminando o Porto. A data coincidiu com a terça feira de
Carnaval, e a festa prolongou-se por vários dias.
Nunca o Torreense voltou a viver
momentos de tanta euforia como nesse período entre 1955 e 1956.
Claro que ainda se conseguiu
manter na Primeira divisão por mais duas épocas, voltando a descer de divisão
no final da época de 1958/59, regressando à divisão maior efemeramente na época
de 1964/1965. Foi necessário esperar mais de trinta anos para voltar a estar
entre os primeiros na época de 1991/1992.
Na taça de Portugal nunca voltou
a repetir a façanha, apesar de ter chegado aos quartos de final na época de
1983/1984 (12).
Mas estas são outras histórias
que, em boa hora, têm vindo a ser regularmente recordada nas páginas do jornal “Badaladas”
por Rui Santos, quando nos aproximamos, em Maio de 2017, do primeiro centenário do
clube de Torres Vedras.
(1) Diário
Popular, 28 de Maio de 1955;
(2) Diário
Poular,30 de Maios de 1955;
(3) Diário
Popular, 30 de Maios de 1955;
(4) Diário
Popular, 31 de Maio de 1955;
(5) Site
www.zerozero.pt;
(6) Diário
Popular, 6 de Maio de 1956;
(7) Diário
Popular,13 de Maios de 1956;
(8) República,
21 de Maio de 1956;
(9) Diário
de Lisboa, 26 de Maio de 1956;
(10)Diário
Popular, 27 de Maios de 1956;
(11)República,
28 de Maio de 1956;
(12)MATOS,
Vivian e Sandra, Passado Presente (monografia sobre o SCUT), ed. 1998.
(nota: uma versão resumida deste texto foi publicada nas páginas do jornal "Badaladas" de 17 de Junho de 2016)
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segunda-feira, 20 de junho de 2016
"4242", Uma curta-metragem torriense premiada, agora a concurso nos Estados Unidos
"4242"é uma curta-metragem realizada por uma jovem torriense, Sara Eustáquio, de 16 anos, que conquistou o prémio especial do júri de revelação no Festival Internacional de Cinema Near Nazarteth, em Israel.
O filme conta também com a interpretação de uma jovem actiz romena de 18 anos, a residir no Sobral de Monte Agraço.
Ambas são alunas de artes na Escola Secundária Henriques Nogueira de Torres Vedras (uma escola pública).
O filme está a concurso noutro festivais e tem sido muito elogiado na imprensa especializada, um pouco por todo o lado.
O filme "retrata os sentimentos contraditórios de uma adolescente que chega a um novo país como emigrante (...) onde tem de lidar com uma mudança que acaba por ser muito mais difícil do que ela pensa" e que é também "uma metáfora sobre a solidão e as angustias dos adolescentes na transição para a vida adulta".
Esta curta metragem foi rodada em Torres Vedras, Óbidos, Peniche e Lisboa
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quinta-feira, 16 de junho de 2016
O Cinema ao Ar Livre regressa a Torres Vedras, nos próximos dias 17 e 18 (sexta e Sábado)
É já amanhã que a iniciativa "Café com Filmes" vai exibir uma sessão de cinema ao ar livre, cinema mudo acompanhado musicalmente por Charlie Mancini
Charlie Mancini vai acompanhar os clássicos do cinema mudo “Viagem à Lua”, de Georges Méliés, de 1902, e “As Sete Ocasiões de Pamplinas” de 1925.
A sessão terá início às 21.45 e termina pelas 23 horas, no parque de estacionamento do Teatro Cine Ferreira da Silva e é de entrada livre.
No sábado seguinte, dia 18, vai realizar-se outra sessão ao ar livre,desta vez no Parque do Choupal, sob a designação de "Le plein de Super – Festival Itinerante de Curtas-Metragens", com inicio igualmente pelas 21.45.
Segundo a organização ""Le plein de Super" é um festival de cinema itinerante, dedicado à difusão de curtas metragens. (...).
"Os filmes são projetados no ecrã encostado à parte lateral do autocarro. Cada sessão dura aproximadamente uma hora. São exibidos cerca de 7-8 filmes sem diálogo. A seleção é mundial.
"No final de cada sessão, os espetadores podem escolher um filme/artista de que gostaram mais e escrever-lhe um postal.
"Le plein de Super" é uma estrutura nómada de difusão que pretende ir ao encontro do público e proporcionar um momento de convívio, antes, durante e depois da projeção".
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Clic, on the rocks, a primeira publicação torriense totalmente virtual
Nasceu em Maio a primeira revista totalmente on-line feita em Torres Vedras.
Podem consultar os dois primeiros números já editados, clicando AQUI.
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
Renato Valente : Torres Vedras perde um cidadão exemplar.
Na passada semana Torres Vedras despediu-se de mais um torriense de mérito, Renato Valente.
Não tendo nascido em Torres Vedras, aqui se estabeleceu no início da sua longa vida profissional, como técnico de farmácia, destacando-se rapidamente pelo seu dinamismo ao serviço da região.
Nasceu em Évora em 1930 e veio para Torres Vedras na década de 50, depois de uma curta passagem por Caldas da Rainha, para inaugurar a farmácia Torreense de José Perdigão.
O seu dinamismo e entusiasmo cedo o levaram a colaborar activamente no associativismo torriense.
Nos mais de 60 anos que viveu em Torres Vedras não houve praticamente associação cultural, desportiva ou social deste concelho que não tivesse beneficiado do seu dinamismo, das suas idéia e apoio.
Do "Torrense" aos "Bombeiros", passando pela "Tuna", pela "Física", pelo "Sporting de Torres" ou, mais recentemente, pelos "Os Paulenses", entre tantas outras, todas foram beneméritas de Renato Valente.
Foi ainda responsável pelo êxito e dinamismo de eventos como o Carnaval de Torres, a Feira de S. Pedro ou a Festa das Vindimas.
Como empresário de sucesso, sempre partilhou as suas capacidades financeiras, exercendo um cada vez mais raro "mecenato" desinteressado para apoiar hospitais, escolas (entre elas a "minha" Escola Secundária Henriques Nogueira) e muitos projectos.
Recentemente ligou-se muito a Cabo Verde, onde apoiou vários projectos educativos e solidários.
A sua calma e o seu bom senso muito contribuíram para o êxito das iniciativas em que se envolveu.
Conversar com ele, como fizemos frequentemente, era sempre motivante e, quase até ao fim, continuava sempre a idealizar projectos para beneficiar Torres Vedras e as pessoas que ele podia ajudar.
Dizer que Renato Valente vai fazer falta a esta cidade não é um mero lugar comum que se costuma dizer nestas ocasiões, é mesmo uma triste constatação.
Como torriense e amigo, aqui fica um agradecimento pelo privilégio de o ter conhecido.
AQUI podem consulta uma das raras entrevistas que concedeu e onde nos conta, na primeira pessoa, alguns aspectos da sua vida.
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Renato Valente
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