segunda-feira, 2 de junho de 2014

Porto Novo, Maceira ou Vimeiro...a confusão do costume.

Mais uma vez a velha confusão entre os lugares da Maceira, do Vimeiro e de Porto Novo vieram à baila a propósito da reunião dos orgãos dirigentes do PS, na sequência da confusão que reina no seio desse partido.

Não é a situação interna desse partido que nos leva a escrever estas linhas, mas sim aquela confusão que se repete sempre que se fala do Hotel Gol Mar, muito usado para actividades culturais, desportivas e políticas.

A Batalha do Vimeiro tem sido muitas vezes usada como metáfora, como mais uma vez acontece nesta primeira página dominical do jornal Público.

Vamos então tentar esclarecer as razões da confusão.

A Batalha do Vimeiro deu-se na localidade do mesmo nome, existindo nela um monumento comemorativo e um interessante museu, aberto recentemente, localidade essa que fica no concelho da Lourinhã, junto aos rio Alcabrichel, que também era conhecido pelo "Maceira".

Ora este rio segue para a localidade da Maceira e dasagua em Porto Novo, duas localidades do concelho de Torres Vedras...

Claro que Porto Novo e a Maceira, também estiveram envolvidas naquela batalha, já que foi nas praias de Porto Novo e Santa Rita que desembarcaram as tropas inglesas.

Aí, em meados das décadas de 40/50 do século passado, começou a funcionar a empresa das àguas do "Vimeiro", também responsável pelas piscinas do "Vimeiro"...só que...tanto essa empresa, a zona de onde se extrai a dita àgua e as piscinas ficam todos...na Maceira.

O que aconteceu é que, por razões de marketing publicitários deu-se àquela empresa, àquelas àguas e às piscinas um nome mais conhecido, exactamente remetendo para a conhecida Batalha do Vimeiro, que deve o nome à localidade vizinha da Maceira.

Mais tarde aquela empresa, aí pela década de 60, resolveu construir o Hotel Golf Mar, não no Vimeiro ou na Maceira, mas junto a Porto Novo.

Como pertencia à mesma empresa da Maceira, mas que tinha o nome de "Vimeiro", foi este nome que vingou. Mesmo as conhecidas provas hípicas que têm lugar junto ao Golfe Mar, em Porto Novo, continuam a ser designadas por  Concurso Hipico do Vimeiro.

Resumindo e concluindo, a localidade da batalha, o Vimeiro, fica no concelho da Lourinhã. A Maceira (sede das àguas do "Vimeiro") e Porto Novo (onde está o tal hotel Golfe Mar,de onde José Seguro olha para o oceano, vendo-se em baixo o areal de Porto Novo) ficam ambas no concelho de Torres Vedras. 

Recentemente a Maceira foi elevada à categoria de sede da freguesia do mesmo nome, desanexada da freguesia de A-Dos-Cunhado,mas recentemente voltou a ser integrada nesta freguesia.

Esperamos assim ter contribuido para esclarecer a confusão entre os nomes e a verdadeira localização geográfica dos mesmos, bem como a origem da costumada confusão sempre que alguma coisa se passa no Hotel Golfe Mar.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Debate sobre a Primeira Guerra


Realiza-se amanhã, nos Paços do Concelho, uma palestra sobre a Primeira Guerra Mundial, promovida pelo núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatente, a primeira  iniciativa no concelho,comemorativas do primeiro centenário daquele conflito mundial.

A sessão terá inicio Sábado, pelas 14 horas, nos Paços do Concelho.

Moderada por Carlos Guardado Silva, terá um conjunto de três intervenções: o coronel David Martelo abordará as origens e as causas do conflito,o coronel Manuel Mourão falará sobre o famoso Plano Schlieffen e o autor destas linhas vai apresentar uma comunicação sobre o impacto da Guerra na vida de Torres Vedras.

Estão todos convidados

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Resultados das Eleições Europeias no Concelho de Torres Vedras

Estes são os resultados oficias das eleições para o parlamento europeu no concelho de Torres Vedras, divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (entre parenteses apresenta-se a percentagem e o número de votos nas eleições europeias de 2009. No caso da coligação PSD/CDS, aprestam-se os resultados separados deste ano do PSD e do CDS, que então concorreram separados ) :

TOTAIS:
PS                        - 30,54% - 7176 votos (26,99 - 6554);
PSD/CDS             - 27,64 % - 5494 (30,20 - 7338 + 7,30 - 1775);
CDU                     - 12,57% - 2954 (10,69 -2598);
MPT                     -  6,56% - 1541  (0,74 - 181);
BE                         -  4,61 % - 1083 (10,57 - 2568);
Livre                     - 2,15 % - 505 (-);
MRPP                  - 1,95% - 459 (1,30 - 317);
PAN                     - 1,68 % - 394 (-);
PND                     - 0,63% - 149 (-);
PNR                     - 0,63% - 147 (0,44 - 106):
PPM                     - 0,57% - 135 (0,46 -111);
PTP                       -0,53 %- 125 (-);
PPV                      - 0,49 % -115 (-);
MAS                     - 0,48 %  - 113 (-);
PDA                      - 0,20% -   46 (-);
POUS                   - 0,11% - 27 (0,18 - 44)
Outros                   - ------   ---- ( 3,26 - 792)

Brancos                 - 5,06 - 1189 (5,47  - 1329)
Nulos                     - 3,60 -   846 (2,34 -  581).

Votantes                - 35,6% - 23 498 ( 37,68 - 24 299)
Incritos                  -             - 67 018 (           - 64 491).

Em termos gerais, os resultados no concelho foram muito idênticos aos resultados nacionais.
A abstenção foi ligeiramente inferior à média nacional, mas superior à média  do distrito de Lisboa.
Já os votos em branco foram superiores em 1% à média nacional e à média distrital.

A nível do concelho as freguesias de A-Dos Cunhados ( com a Maceira), Campelos (com Outeiro da cabeça), Freiria, Ponte do Rol, S. Pedro da Cadeira Silveira e Turcifal foram aquelas onde se registou um abstenção superior à média concelhia.

Pelo contrário. nas restantes freguesias a participação foi superior à média concelhia, destacando-se a freguesia urbana, a de Carmões e Carvoeira e a do Ramalhal como aquelas onde houve mais participação eleitoral, embora em todas a abstenção tivesse ultrapassado os 60%.

Apesar do aumento da abstenção, o PS e a CDU conseguiram ver aumentar o número de votos expressos entre as duas eleições para o Parlamento Europeu, feito igualmente conseguido por pequenos partidos,como o Partido da Terra, o MRPP o PNR e o PPM, com destaque para o primeiro, acompanhando o fenómeno nacional desse partido, graças ao efeito Marinho e Pinto.

A coligação PSD/CDS e o Bloco de Esquerda foram os grandes derrotados, também aqui seguindo a tendência nacional.

O Livre e o Partido dos Animais e da Natureza posicionaram-se entre os mais votados dos pequenos partidos.

Será igualmente curioso observar os resultados ao nível das Freguesias.

Aqui apenas assinalamos os 6 mais votados em cada freguesia,  fazendo a mesma comparação entre estas eleições e as de 2009, mas indicando apenas a percentagem (essa comparação já leva em linha de conta as alterações entretanto registadas a nível da agregação das freguesias):

TORRES VEDRAS E MATACÃES (Freguesia "urbana"):

PS                        - 28,98% -  (24,87);
PSD/CDS             - 24,82% - (27,75  + 7,76);
CDU                     - 15,52% -  (12,87);
MPT                     -  7,18% -  (0,72);
BE                         -  5,40 % - (12,17);
Livre                     - 2,67 % - (-).

A DOS CUNHADOS E MACEIRA:

PSD/CDS             - 32,56 % - (39,01  + 7,32);
PS                        - 26,21% -  (23,17);
CDU                     - 9,87% -  (7,60);
MPT                     -  8,35% -  (1,67);
BE                         -  4,47 % - (11,22);
Livre                     - 2,24 % - (-);

CAMPELOS E OUTEIRO DA CABEÇA

PSD/CDS             - 37,79 % - (37,05  + 9,44);
PS                        - 27,14% -  (22,03);
CDU                     - 9,55% -  (7,37);
MPT                     -  4,42% -  (2,25);
BE                         -  3,32 % - (7,28);
MRPP                  - 1,51% -  (1,89);

CARVOEIRA E CARMÕES

PS                        - 29,91% -  (23,32);
CDU                     - 23,78% -  (18,59);
PSD/CDS             - 19,52 % - (24,59  + 5,32);
MPT                     -  6,88% -  (0,35);
BE                         - 4,13 % - (10,05);
MRPP                  - 3,38% -  (1,54);

DOIS PORTOS E RUNA

PS                        - 34,23% -  (31,37);
CDU                     - 21,03% -  (20,51);
PSD/CDS             - 20,82% - (19,85  + 6,37);
BE                         -  5,04 % - (9,27);
MPT                     -  3,76% -  (0,47);
PAN                      - 2,36 % (-).


MAXIAL E MONTE REDONDO

PS                        - 44,21 -  (33,79);
PSD/CDS             - 20,80 % - (25,21+6,48);
CDU                     - 14,47% -  (13,24);
MPT                     -  3,16% -  (0,37);
BE                         -  2,89 % - (9,50);
MRPP                  - 1,90% -  (1,55);

FREIRIA

PSD/CDS             - 38,70% - (42,27  + 5,69);
PS                        - 26,59% -  (24,10);
MPT                     -  5,32% -  (0,87);
CDU                     - 5,02% -  (4,82);
BE                         -  4,43 % - (9,27);
Livre                     - 1,92 % - (-);


PONTE DO ROL

PS                        - 32,93% -  (31,68);
PSD/CDS             -29,31 % - (28,63 + 7,51);
CDU                     - 8,16% -  (6,23);
MPT                     -  6,04% -  (0,51);
BE                         -  4,98 % - (10,05);
Livre                     - 2,27 % - (-);


RAMALHAL

PS                        - 32,82% -  (31,43);
PSD/CDS             - 23,26 % - (24,46+5,72);
CDU                     - 10,82% -  (12,60);
MPT                     -  7,94% -  (1,00);
BE                         -  4,15 % - (10,03);
Livre                     - 2,89 % - (-);

S. PEDRO DA CADEIRA

PS                        -35,00% -  (27,91);
PSD/CDS             - 27,89 % - (33,80  + 6,90);
CDU                     - 8,50% -  (8,29);
MPT                     - 4,79% -  (0,70);
BE                         - 3,99 % - (8,68);
PAN                     - 2,25 % -  (-);

SILVEIRA

PSD/CDS             - 31,73 % - (33,60+8,74);
PS                        - 27,37% -  (25,44);
CDU                     - 8,84% -  (6,01);
MPT                     -  8,00% -  (0,57);
BE                         - 4,60 % - (11,87);
Livre                     - 2,04 % - (-);

TURCIFAL

PS                        - 37,50% -  (36,24);
PSD/CDS             - 19,35% - (20,77  + 6,41);
CDU                     - 14,2% -  (11,93);
MPT                     -  7,50% -  (0,44);
BE                         -  5,11 % - (11,27);
PAN                     - 1,85 % -  (-);

VENTOSA emendar

PSD/CDS             - 35,14% - (38,27  + 6,30);
PS                         - 32,92% - (29,83);
CDU                     - 7,46% -  (7,61);
MPT                     - 4,01% -  (0,24);
BE                         - 3,39% - (6,06);
MRPP                  - 1,97 - (0,77).

O primeiro lugar nas freguesias foi disputado entre o PS e a Aliança PSD/CDS.
PSD/CDS venceram em 5 das 13 freguesias, embora perdendo votos em relação às anteriores eleições para o Parlamento Europeu. Nas eleições de 2009 o PSD sózinho conseguiu obter sempre um resultado melhor do que agora coligado, com a excepção das freguesias de Campelos e Ponte do Rol.

Nas freguesias de da Carvoeira e Dois Portos a Aliança de direita foi ultrapassada pela CDU, que conseguiu ser aqui a segunda maior força política. Nas restantes a CDU foi sempre a terceira força política mais votada, com a excepção da Freiria , onde foi ultrapassada pelo MPT.

Com excepção desse caso, e da freguesia de Dois Portos, o MPT foi a quarta força política mais votada. O caso da freguesia de Dois Portos e Runa foi o único onde o Bloco conseguiu a quarta posição, sendo a quinta força política nas restantes freguesias.

Nos primeiros entre pequenos partidos, aqueles que não conseguiram representação no Parlamento Europeu, o lugar é disputado por três forças políticas, o MRPP, o PAN e o Livre, estes dois últimos partidos estreantes em eleições.

O Livre, o sexto partido mais votado no concelho, ocupou essa posição em 6 freguesias.

O MRPP, ocupante tradicional dessa posição, apenas conseguiu a melhor posição entre os pequenos em 4 freguesias.

Por sua vez o PAN foi o mais votado entre os pequenos em 3 freguesias.

A freguesia de Dois Portos e Runa foi aquela que obteve a votação mais atipica, com resultados muito diferentes das restantes freguesias.

O PS obteve o melhor resultado percentual na freguesia de Maxial e Monte Redondo, enquanto a Aliança obteve o seu melhor resultado na Freiria.

A CDU obteve o seu resultado, sem surpresas, ne Carvoeira, freguesia onde governa há vários anos.

O MPT obteve a sua melhor percentagem na Silveira e o BE na freguesia urbana de Torres Vedras.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Na costa de Santa Cruz, junto à Praia Azul: Fósseis de dinossauro ameaçados pelo mar.



A nova campanha de escavações levada a cabo pela Sociedade de História Natural na costa de Santa Cruz, especificamente nas arribas da Praia Azul e motivo de reportagem do novo jornal on-line Observador

quinta-feira, 15 de maio de 2014

No próximo Sábado: Lançamento do Livro "O Imaginário Medieval", actas do Turres Veteras , ed. Colibri/CMTV.



O IMAGINÁRIO MEDIEVAL

Actas do 16º Encontro Turres Veteras de 2013

ed. Colibri/Câmara Municipal de Torres Vedras

Com coordenação de
Carlos Guardado da Silva

Dia 17 de Maio (sábado), às 12h30
Paços do Concelho
Torres Vedras 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

TURRES VETERAS XVII - Encontro de História em 16 maio 2014


Realiza-se no final desta semana, 6ª feira e Sábado, mais uma edição,a 17ª,  de "Turres Veteras", otganizada conjuntamente pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pelo Arquivos Municipal de Torres Vedras.

A edição deste ano é dedicada a "Ceuta e a expansão portuguesa", já que se comemoram 600 sobre  anos a realização do célebre conselho régio de D. João I, realizado em Torres Vedra em Junho de 1414, e onde se decidiu a conquista, no ano seguinte,  daquela importante cidade do norte de África, dando-se assim início à expansão portuguesa .

O primeiro dia de sessões tem inicio pelas 10 horas da manhã de 6ª feira, 16 de Maio, no auditório dos Paços do Concelho, onde serão apresentadas 7 comunicações até ao encerramento deste primeiro dia previsto para o final da tarde.

No dia seguinte serão apresentadas 4 comunicações durante a manhã, culminando com a apresentaçãodas actas do encontro do ano passado, sob o título "O Imaginário Medieval".

Na tarde desse dia 17 de Maio,  a partir das 16 horas,terá lugar uma reconstituição histórica do Concelho régio, nos Paços do Concelho e na "Casa de Ceuta", local da realização do conselho de 1414.

Duas das comunicações previstas vão interessar especialmente os torrienses, ambas durante a manhã de Sábado, uma da autoria de Maria Manuela Catarino intitulada "Torres Vedras: a vila e o termo no início de Quatrocentos", às 10.30, e outra, da autoria de Judite de Freitas, intulada "O Concelho Régio de Torres Vedras", prevista para as 11 horas dessa mesma manhã.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os 4 primeiros "1º de Maio" em Liberdade em Torres Vedras, pela objectiva de Ezequiel Santos (1974, 1975,1976,1977)

O 1º de Maio em Liberdade - 1974:












O 1º de Maio no Choupal teve lugar, pela primeira vez, em 1975:





No 1º de Maio de 1976 foi inaugurado um dos primeiros Parques infantis do concelho:




O Primeiro 1º de Maio "Constitucional", em 1977:



(Fotografias de Ezequiel Santos)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Memórias da luta antifascista em Torres Vedras

(De Caxias foi libertado o último preso político antifascista, Pedro Fernandes)

Em boa hora foram incluídos nas comemorações do 25 de Abril dois momento de memórias sobre por resistentes ao Estado Novo do concelho de Torres Vedras.

Em  Campelos, na noite de 24 de Abril último, e nos Paços do Concelho, na tarde do dia seguinte, tiveram lugar duas sessões em que várias pessoas puderam testemunhar o que foi a luta contra o regime deposto em 1974.

Tivemos pessoas que foram presas e torturadas, outras, mais novas, que, não tendo conhecido as prisões, também participaram em actividades contra o regime salazarista.

Alguns, por razões pessoais, estiveram presentes apenas numa dessa sessões, outros estiveram nas duas.

Entre os testemunhos ouvidos estiveram os ex-presos políticos Armando Pedro Lopes, Duarte Nuno Clímaco Pinto, Firmino Rosa Santos, Herculano Neto Silva, João Martins, Luís Perdigão e Polidoro Correia.

Entre os que nunca foram presos, apesar dos riscos que correram, em parte porque entretanto sucedeu o 25 de Abril, caso contrário também teriam conhecido a prisão, pois eram activos na oposição, estiveram Francisco Manuel Fernandes, Graça Oliveira, Jorge Ralha, José Travanca e Sérgio Simões, não tendo podido comparecer o Hélio Samorrinha  filho.

O tempo foi pouco para as histórias que tinham para contar e por isso foi lançado o desafio para que se viesse a desenvolver um trabalho de recolha de memórias orais, para que a luta e o sofrimento de muitas dessas pessoas não fossem esquecidos.

Os participantes não esgotam o leque de pessoas, ainda vivas ou já falecidas, que, naturais de Torres Vedras ou combatendo nesta região, contribuíram para a vitória democrática.

Para além daqueles, e entre falecidos e vivos, recordo aqui alguns outros nomes que ao longo dos últimos anos recolhi nos arquivos nacionais, referenciados nos relatórios da PIDE, que por esta policia eram seguidos em  todos os seus passos por Torres Vedras.

Para que não sejam esquecidos, aqui acrescento mais os seguintes aos nomes acima referidos:
Com Processo detalhado nos Arquivos da PIDE, na Torres do Tombo:

- Fernando Vicente; João Paulino de Sousa, Gabriel dos Santos Gomes, Alzira Gomes  Boavida; Clotilde Amélia da Silva Neoes de Carvalho; Miguel Camilo; Victor Hugo da Costa Tomás dos Santos, Armando Pedro Lopes; Victor Cesário da Fonseca; Galileu da Silva; José Carvalho Mesquita; Venerando Ferreira de Matos.

Sem registo nesse arquivo PIDE, provavelmente por extravio durante o período do “PREC”, mas com prisão conhecida, existindo  o respectivo processo em parte incerta , João Capão, Raimundo  Porta, Joaquim de Oliveira e Pedro Fernandes.

Também vigiados, mas sem processo, entre os que conheceram a prisão e os que eram “apenas” vigiados e referenciados, estavam os seguintes habitantes de Torres Vedras, de acordo com uma primeira recolha, ainda incompleta, feita nos arquivos da Pide na Torres do Tombo:

- António Leal d’Ascensão; Joaquim Bandeira; Jorge Vivaldo; Luis Perdigão pai; José António de Sá Seixas Ramos,; Artur da Silva Lino; Luis Brandão de Melo; Jerónimo Albarran Grilo; Ruy de Moura Guedes; Alberto Rodrigo Bandeira; Mário de Sousa Dias; Rui da Costa Tomás dos Santos, Augusto Troni; Hélio Samorrinha pai, Luís Fernando Andrade Santos; José Afonso Alves Torres; José da Costa e Sá;  Francisco Vasco das Neves;  Luís dos Passos  Pinto Teixeira;  Francisco Ferreira; Carlos Augusto Bernardes; António Augusto Sales, Francisco Quaresma de Almeida, entre outros.

Esta lista é apenas uma referência. Alguns nunca chegaram a ser presos. Muitos dos que foram presos não estão nesta lista, ou porque o seu processo ainda não foi localizado naquele arquivo, ou porque se perdeu na voragem dos tempos do PREC.

Há ainda muita gente em Torres Vedras resistiu ao Estado Novo, de várias maneiras, mas que nunca foi referenciada pela PIDE.

Ao registarmos estes nomes, fazemo-lo apenas para recordar a urgente necessidade de recolher o testemunho oral dos que ainda vivem e proceder a uma recolha de documentação que permita um dia fazer a história da resistência local ao regime salazarista.

Essa história passa igualmente por colectividades ou sítios referenciados nesse mesmos arquivos, como o Cineclube de Torres Vedras, o Clube Artístico e Comercial, o jornal Badaladas, a Galeria 70,o Aéreo Clube de Torres Vedras, o pelouro cultural da Física e a própria Associação de Educação Física, bem como estabelecimentos comerciais como o Café Império, o Solar, a café Avenida, o café Vera Cruz, a Farmácia Perdigão, o “estabelecimento” de João Martins ou a casa particular de Pedro Fernandes, sem esquecer as movimentações operárias, com destaque para com as da Casa Hipólito.

Por último há que não esquecer o papel de advogados torrienses que defenderam, com coragem, muitos torrienses detidos, destacando-se o nome da Drª Lucília Miranda Santos, a única mulher que defendeu presos políticos antes do 25 de Abril. 

Fica aqui este esboço e este apelo para que se comece a construir essa história de Torres Vedras.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Experiências de Liberdade - Exposição de fotografias de Ezequiel Santos, mostrando Torres Vedras nos dias que se seguiram ao 25 de Abril

Inaugura-se neste 25 de Abril uma exposição de fotografias de Ezequiel Santos, nos Paços do Concelho de Torres Vedras.

A exposição incide sobre os acontecimentos que se seguiram ao 25 de Abril, em Torres Vedras, logo a 26 de Abril, com a manifestação popular de apoio ao MFA, e que marcaram esta então vila, até às comemorações do primeiro aniversário da aprovação da primeira Constituição de 1976.

Ezequiel Santos, conhecido fotógrafo profissional torriense, seguiu com grande entusiasmo esses acontecimentos, que ficaram registados nas suas fotografias.

Desse conjunto destacamos a reportagem sobre a libertação dos presos políticos em Peniche ou a manifestação do Primeiro de Maio em Torres Vedras.

Em baixo reproduzimos algumas dessas fotografias, as referentes à manifestação popular de 26 de Abril de 1974, que percorreu as ruas da então vila

Sobre essa exposição, que estará patente ao público no primeiro andar dos Paços do Concelho até ao próximo dia 31 de Maios, seguindo depois para as freguesias que o solicitarem, transcrevemos aqui o que se escreve no programa oficial:


"O conjunto de Fotografias de Ezequiel Santos são uma evidência dos primeiros dois anos de liberdade vividos na então vila de  Torres Vedras,  depois da queda do regime fascista em 1974.
Uma, de  entre outras das suas possíveis leituras dos acontecimentos,   demonstra-nos a imediata inserção do povo no novo contexto socio-político, a sua alegria e a sua vontade de participar na mudança.

"Criativamente, isto é, permitindo-nos a sua releitura, Ezequiel Santos fornece-nos pistas, quer analíticas quer referenciais, para a nossa livre e frutuosa leitura desta Revolução de Abril.
Ezequiel Santos
"Ezequiel Santos nasceu no Louriçal, concelho do Pombal, no dia 12 de Junho de 1946 tendo vindo para Torres Vedras, em 1957, onde estudou, tendo começado a   trabalhar na Tomix.

Iniciou-se como fotógrafo amador e auto didata  a partir  de 1967, quando cumpria o serviço militar em Moçambique. Cumprido o serviço militar, regressou à empresa Tomix, onde começou a dedicar-se à fotografia industrial, acabando por ser esta uma área onde se iniciou profissionalmente por sua conta.
Entre 1971 e 1974 montou um laboratório fotográfico, tendo aberto ao público o  seu estabelecimento comercial no ano de 1975.

Acompanhou com entusiasmo e de forma comprometida o 25 de Abril em Torres Vedras, fotografando   a realização de eventos ligados especialmente à afirmação de movimentos de esquerda durante os anos de consolidação democrática.

São alguns desses momentos, que se divulgam nesta exposição, uma justa homenagem a um dos fotógrafos profissionais mais conhecidos dos torrienses, que se nos apresenta  também  como uma forma digna de comemorar e relembrar os 40 anos do 25 de Abril".
Inauguração: dia 25 de abril, às 17h30.






Comemorações do 25 de Abril em Torres Vedras


Podem consulta o programa oficial das comemorações do 25 de Abril no concelho de Torres Vedras AQUI.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O 25 de Abril em Torres Vedras - alguns documentos para a sua história.

Aqui reproduzo alguns dos muitos documento do meu arquivo pessoal relacionados com o 25 de Abril em Torres Vedras.
Clicando sobre os mesmos é possível lê-los em tamanho maior:

Na noite do dia 24 de Abril de 1974 o Cine-Clube de Torres Vedras exibia o filme de Jerry Lewis "O Morto era Outro", iniciando um ciclo de cinema dedicado ao cinema cómico. 

Dirigido por gente ligada à oposição democrática, não suspeitávamos que à hora em que terminava essa sessão já estava em andamento o movimento militar que iria derrubar a ditadura no dia seguinte.


Primeiro comunicado distribuído em Torres Vedras sobre o Movimento Militar. O CDE era então uma estrutura unitária, formada no rescaldo das "eleições" de 1973 e que tinha algum peso em Torres Vedras.

O fanzine de Banda Desenhada "Impulso" que era feito por alunos do Liceu de Torres Vedras elabora um comunicado de adesão ao 25 de Abril que foi publicado nalguma imprensa nacional, como o jornal "O Século".

 Comunicado do Cine-Clube de Torres Vedras de apoio ao 25 de Abril.

Um dos primeiros comunicados elaborados pela comissão pró-associação de estudantes do Liceu de Torres Vedras, evidenciando as lutas políticas que fariam parte, a partir dessa data, do dia-a-dia dos estudantes e professores desse estabelecimento, marcado por intermináveis e concorridas RGA's.

Logo nos dias a seguir ao 25 de Abril realizou-se um plenário popular na sala do Clube Artístico e Comercial para decidir do destino a dar ao município local e à direcção política do concelho. Nessa assembleia formou-se uma comissão da qual saiu a formação da Comissão Administrativa Municipal que dirigiu os destinos do concelho de Torres Vedras até às primeiras eleições livres municipais de 1976.

Sem qualquer estrutura local, o então jovem Partido Socialista Português cria a sua primeira Comissão Provisória em Torres Vedras. Em cima pode ver-se a lista dos fundadores desse partido na então vila.


No dia 25 de Abril de 1975 realizam-se as primeiras eleições democráticas para a Assembleia Constituinte. Neste comunicado do Partido Socialista podemos ver o resultado dessas eleições no concelho de Torres Vedras.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Documentos Para a História da Oposição ao Estado Novo em Torres Vedras - 2 -Os últimos tempos do Estado Novo

Entre 1973 e os primeiros meses de 1974 observou-se um crescimento da actividades da oposição local, a um nível que já não se conhecia há muitos anos.

Para isso terão contribuido as movimentações que se iniciaram após as "eleições" de 1973, que evidenciaram o fim da "primavera marcelista" .

Como prova dessa crescente visibilidade da oposição local ao Estado Novo estão alguns dos documentos que hoje aqui divulgamos:

(podem ler os documentos em tamanho maior, clicando sobre os mesmos)



Neste documento, cerca de duas centenas de torrienses assinam um manifesto de apoio ao MDP/CDE, o movimento unitário que tinha concorrido à boca às "eleições" de 1973, disistindo à boca das urnas, por não existirem condições democráticas.

O período eleitoral foi bastante agitado em Torres Vedras. A oposição realizou pelo menos três comícios, dois no Teatro-Cine, de sala cheia. Num os intervenientes foram impedidos de falar na Guerra Colonial e a sessão encerrada de forma abrupta, com a polícia de choque à espera do público, perfilada à saida daquela sala, no passeio em frente, junto à pensão aí existente.

Um segundo comício decorreu sem incidentes e sem a presença da polícia, devido à presença de jornalistas estrangeiros...era necessário dar uns ares de normalidade.

O terceiro comício, realizado num espaço da actual Avenida Humberto Delgado, então ainda em construção, acabou com a intervenção violenta da polícia de choque, a correr atrás do público que assistia ao comício pela Rua Henriques Nogueira abaixo..

Este manifesto, enviadoà Câmara após o acto eleitoral, procurava demonstrar que a oposição continuava activa para além do acto eleitoral.

Corriam boatos, nas vésperas do 25 de Abril, que o regime preparava a prisão de todos os seus subscritores por ocasião do 1º de Maio...felizmente o 25 de Abril numa permitiu comprovar a veracidade dessas informações... 


Em cima reproduzimos um comunicado da "Comissão de Jovens Trabalhadores e Estudantes do Concelho de Torres Vedras" datado de Outubro de 1973, onde se reivindicava, entre outras coisas que preocupam os jovens de então, o fim da Guerra Colonial e o direito de voto para os maiores de 18 anos (então apenas era permitido aos maiores de 21 anos)...


Por último aqui reproduzimos um documento dirigido especificamente aos estudantes do Liceu e da Escola Técnica. Pela primeira vez existia uma organização clandestina da oposição dentro daqueles estabelecimentos de ensino...